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	<title>Arquivos Russell Crowe - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Russell Crowe - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Gladiador II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Nov 2024 12:55:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O cinema, desde seu início, sempre respondeu bem a grandes épicos. Spartacus (1960), Lawrence da Arábia (1962) e Cleopatra (1963) são exemplos de uma década onde os longas-metragens desse subgênero faziam um sucesso estrondoso. O tempo passou e a quantidade de lançamentos de dramas épicos diminuiu &#8211; como ocorreu com subgêneros anteriores e posteriores à ele -, mas sempre existiu um lugar para tais filmes, principalmente em Hollywood. Existe um lugar especial para esse formato fílmico e suas contações de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema, desde seu início, sempre respondeu bem a grandes épicos. <em>Spartacus (1960)</em>, <em>Lawrence da Arábia (1962)</em> e <em>Cleopatra (1963)</em> são exemplos de uma década onde os longas-metragens desse subgênero faziam um sucesso estrondoso. O tempo passou e a quantidade de lançamentos de dramas épicos diminuiu &#8211; como ocorreu com subgêneros anteriores e posteriores à ele -, mas sempre existiu um lugar para tais filmes, principalmente em Hollywood. Existe um lugar especial para esse formato fílmico e suas contações de jornadas e vitórias epopeicas. Lá no início dos anos 2000, por exemplo, o diretor Ridley Scott (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casa-gucci/"><em>Casa Gucci</em></a>, de 2021) trouxe essa fagulha consigo em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-catalogo-gladiador/"><em>Gladiador</em></a>. Agora, 24 anos depois, o diretor tenta acender novamente essa fagulha com <em><strong>Gladiador II</strong></em>.</p>
<p><em><strong>Gladiador II</strong></em> marca dois momentos importantes na carreira do diretor Ridley Scott. O primeiro é a sua nova tentativa de produzir um drama épico nos moldes clássicos &#8211; coisa que veio tentando fazer nos últimos anos com <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-ultimo-duelo/"><em>O Último Duelo (2021)</em></a> e <em>Napoleão (2023)</em>, mas falhou. O segundo marco é o retorno de Scott com uma de suas histórias de maior sucesso sendo continuada por ele próprio, diferente do que vimos em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><em>Blade Runner 2049 (2017)</em></a> ou de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-alien-romulus/"><em>Alien &#8211; Romulus (2024)</em></a>. Essa união de fatores colocou o cineasta numa posição de acertos que geraram resultados positivos que há muito não ocorriam em sua carreira.</p>
<p>Ainda que a existência de sua narrativa não se justifique, <strong><em>Gladiador II</em></strong> não vive única e exclusivamente por conta de seu antecessor. Na verdade, ele funciona perfeitamente dentro da lógica de um épico clássico &#8211; inclusive por certas obviedades narrativas tanto da tragédia, quanto do melodrama -, e isso faz com que o filme não tenha apenas uma sobrevida. Mesmo que possa se questionar a razão de fazer uma continuação agora, tantos anos depois, o resultado fílmico acerta onde precisa e entrega uma narrativa coesa e grandiosa como seu antecessor.</p>
<p>O roteiro de David Scarpa (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-todo-o-dinheiro-do-mundo/"><em>Todo o Dinheiro do Mundo</em></a>, de 2017) permite que a história tenha três frentes narrativas principais e, com isso, dá oportunidade para que boa parte do elenco central tenha momentos de destaque e entregue performances poderosas. Esse é um dos pontos altos do filme. <strong><em>Gladiador II</em></strong> é um drama épico que se constroi a partir de uma teia estelar de intérpretes. E são essas performances e seus arcos narrativos que conduzem a atenção do espectador do início ao fim do longa. Com todas as suas liberdades históricas que considero desimportantes, Scarpa entrega um roteiro amarrado e bem conduzido para boas performances.</p>
<figure id="attachment_18898" aria-describedby="caption-attachment-18898" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-18898" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Gladiador-II-2-750x500.jpg" alt="Gladiator II (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Gladiador-II-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Gladiador-II-2-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18898" class="wp-caption-text">Denzel Washington, Pedro Pascal e Connie Nielsen em cena de divulgação de Gladiator II (2024)</figcaption></figure>
<p>Quando se fala das três frentes narrativas de <strong><em>Gladiador II</em></strong>, em primeiro lugar está Paul Mescal (<em>Desconhecidos</em>, de 2023). Ele comanda o eixo principal da história com sua jornada de vingança pela morte da esposa e de confronto com o seu passado. Do outro lado, Connie Nielsen (<em>Mulher-Maravilha 1984</em>, de 2020) e Pedro Pascal (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-robo-selvagem/"><em>Robô Selvagem</em></a>, de 2024) embarcam numa busca pela mudança política de Roma, enquanto a personagem de Connie ainda precisa também se confrontar com seu passado.</p>
<p>A terceira frente é &#8211; e essa merece um destaque especial &#8211; a linha narrativa de Denzel Washington (<em>O Protetor: Capítulo Final</em>, de 2023) com sua ascensão e desejo de poder. Denzel é um show à parte. Ele está claramente usando sua experiência com o teatro shakespeariano para dar vida a sua tragédia particular dentro da narrativa macro de <strong><em>Gladiador II</em></strong>. E é com isso que o ator entrega uma das melhores performances masculinas do ano, até então &#8211; ao lado de Nicolas Cage em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-longlegs-vinculo-mortal/"><em>Longlegs &#8211; Vínculo Mortal (2024)</em></a>.</p>
<p><strong><em>Gladiador II</em></strong> é uma surpresa positiva tanto para os fãs do original como do diretor. Esse longa foi feito para agradar gregos e troianos por carregar em si uma estrutura e narrativa bem definidas e amarradas, ao mesmo tempo que agrada com o entretenimento do <em>star system</em> e a escolha do elenco. Ao final da sessão, a pergunta sobre a necessidade ou não de uma continuação do filme de Scott de 2000 passa a ser desimportante. O que fica e se torna relevante é que o cineasta foi capaz de entregar uma continuação à altura do original e do subgênero.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ridley Scott</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Paul Mescal, Pedro Pascal, Joseph Quinn, Fred Hechinger, Lior Raz, Derek Jacobi, Connie Nielsen e Denzel Washington</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/tRLyeDklHx4?si=-j469S0ivdreb6Rb" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Exorcismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Aug 2024 20:39:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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		<category><![CDATA[O Exorcismo]]></category>
		<category><![CDATA[Russell Crowe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um intervalo de um ano, Russell Crowe protagoniza o seu segundo filme sobre exorcismo. Sintoma de decadência ou simplesmente de uma tomada de rumo consciente e pragmática na carreira Crowe, O Exorcismo chega aos cinemas com baixíssimas expectativas. O filme sempre esteve longe de ser uma produção caprichada no gênero. Desde o princípio, estava mais para exemplar de um cinema B. A despeito de quebrar um pouco as baixas expectativas com uma abordagem surpreendente para sua história em seus primeiros minutos, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um intervalo de um ano, Russell Crowe protagoniza o seu segundo filme sobre exorcismo. Sintoma de decadência ou simplesmente de uma tomada de rumo consciente e pragmática na carreira Crowe, <em><strong>O Exorcismo</strong></em> chega aos cinemas com baixíssimas expectativas. O filme sempre esteve longe de ser uma produção caprichada no gênero. Desde o princípio, estava mais para exemplar de um cinema B.</p>
<p>A despeito de quebrar um pouco as baixas expectativas com uma abordagem surpreendente para sua história em seus primeiros minutos, o desenvolvimento cumpre o destino dessa nova empreitada do ator no gênero: <em><strong>O Exorcismo</strong></em> é sim bem ruim. O grande culpado é um desenvolvimento pífio de narrativa que sabota a abordagem interessante de metalinguagem proposta pelo roteiro e faz o filme cair em uma sucessão de clichês, momentos risíveis de atuação e desenvolvimento ruim de história e personagens.</p>
<p>No longa, Crowe interpreta um ator tentando se recuperar de uma crise de depressão profunda depois que sua esposa morre vítima de um câncer. Vivendo com a única filha, Anthony Miller aceita interpretar um padre em um filme de terror sobre exorcismo depois que o ator que viveria o personagem morre nos sets da produção. Miller ainda está superando o alcoolismo, mas encontra no trabalho e na sua reconexão com o catolicismo uma forma de recolocar a sua vida nos trilhos. É claro que nesse meio tempo uma série de fenômenos estranhos tomam conta dos sets dessa produção: parte da equipe morre de forma violenta e misteriosa e o protagonista do longa passa a apresentar um comportamento esquisito.</p>
<p>A ideia de injetar elementos de metalinguagem na trama de <em><strong>O Exorcismo </strong></em>é um esforço bem-vindo dos roteiristas Joshua John Miller e M.A. Fortin. O mote dos realizadores é procurar referências em histórias que transformaram os bastidores de produções do horror como O Exorcista e Poltergeist em lendas da cultura pop contadas até hoje: eventos estranhos nos sets, mortes misteriosas, &#8220;maldições&#8221; que interromperam ou trouxeram obstáculos para a carreira da sua equipe etc. <em>O Exorcismo</em> parece &#8220;beber desta fonte&#8221; e apresenta um início bem promissor para o espectador.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18570" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-1-2.png" alt="O Exorcismo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-1-2.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-1-2-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-1-2-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É uma pena que assim que o personagem de Russell Crowe entra nos sets da produção do fictício filme de terror as coisas para o longa degringolam. Na direção, Joshua John Miller não consegue ter timing para sustentar o suspense em suas cenas e parece também não ter muito traquejo na construção de uma atmosfera apavorante para o público. A maior parte dos recursos utilizados por Miller em suas cenas soam genéricos e não conseguem disfarçar as limitações da produção, como, por exemplo, a cena final que reúne parte do elenco principal para o exorcismo do personagem de Crowe ou mesmo a gravação do filme com o protagonista e a atriz interpretada por Chloe Bailey que evocam a referência visual óbvia em cada frame: O Exorcista de William Friedkin (até mesmo em sua direção de fotografia com tonalidades azuis). Completa falta de imaginação dos envolvidos.</p>
<p>Para completar, Miller parece não dirigir muito bem os seus atores. Russell Crowe, um artista que dispensa apresentações do seu currículo, está ruim, sofrendo com falas medíocres que flertam com uma psicologia barata. Interpretando a filha do ator, Ryan Simpkins também não salva o longa quando sua personagem assume um protagonismo diante da situação do pai. Além deles, atores como Sam Worthington e Adam Goldberg, que já estiveram em produções muito visadas na indústria, têm personagens que surgem e desaparecem de cena da forma mais abrupta possivel, sinalizando que talvez a situação para eles esteja mais difícil do que para Russell Crowe.</p>
<p>Apelando para o pior desfecho possível em filmes do gênero, algo que convoca, inclusive, a lembrança de O Exorcista: O Devoto e o vexaminoso exorcismo ecumênico, <em><strong>O Exorcismo</strong></em> ainda é um filme que utiliza o mote da possessão demoníaca sem mais nem menos, com desleixo. Não há qualquer vinculação temática ou desenvolvimento para o mesmo, a possessão demoníaca é apenas jogada na trama. O personagem de Crowe simplesmente é possuído por um demônio e tudo aquilo parece ser assimilado como plausível sem que mobilize qualquer tipo de conflito ou dúvida nos demais personagens.</p>
<p>Os primeiros minutos de <em><strong>O Exorcismo</strong></em> enganam o espectador, dão a entender que talvez possamos nos surpreender com esta produção e que talvez exista alguma lógica artística na escolha do vencedor do Oscar por Gladiador. No fim das contas, acaba sendo exatamente aquilo que já era aguardado, um grande constrangimento em todas as suas frentes.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Joshua John Miller, M.A. Fortin</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Russell Crowe, Sam Worthington, David Hyde Pierce</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NEdHqPWmZmA?si=zkbmTXXU9LVzdSaZ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Operação Cerveja</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 18:49:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de vencer um Oscar controverso de melhor filme com Green Book em 2018, um longa que rendeu inúmeras discussões sobre a ideia do white savior (o herói branco), Peter Farrelly poderia ter a chance de se redimir com o público em Operação Cerveja, seu filme seguinte que está disponível no Apple TV +. O longa tem muitas qualidades, mas não consegue enxergar as potencialidades da sua narrativa e, sobretudo, do seu protagonista, o ator Zac Efron (Baywatch), em momento [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de vencer um Oscar controverso de melhor filme com Green Book em 2018, um longa que rendeu inúmeras discussões sobre a ideia do white savior (o herói branco), Peter Farrelly poderia ter a chance de se redimir com o público em <em><strong>Operação Cerveja</strong></em>, seu filme seguinte que está disponível no Apple TV +. O longa tem muitas qualidades, mas não consegue enxergar as potencialidades da sua narrativa e, sobretudo, do seu protagonista, o ator Zac Efron (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baywatch-s-o-s-malibu/"><em>Baywatch</em></a>), em momento inspirado. No saldo, esse novo longa do diretor apresenta até mais prós do que contras em comparação com seu filme anterior, mas nem por isso deixa menos evidente os tropeços da condução do realizador com suas histórias, sobretudo quando ele se leva a sério demais.</p>
<p><em><strong>Operação Cerveja</strong></em> conta a história de Chickie Donohue (Zac Efron), um jovem estadunidense que viaja para o Vietnã em plena guerra no final da década de 1960, com um projeto bem-intencionado, mas obviamente estúpido: oferecer cervejas aos soldados do seu país, a maioria amigos de vizinhança de Chickie, como forma de agradecimento e apoio à sua bravura. Quando chega na zona de guerra, o rapaz percebe que a realidade do conflito não é como ele imaginava e que os governantes do seu país, que ele tanto defendia e em quem tanto acreditava, estão mentindo para a população sobre a situação no Vietnã.</p>
<p>No âmago, <em><strong>Operação Cerveja</strong></em> apresenta Chickie Donohue como um sujeito fora da realidade, alienado, do tipo que acredita piamente no seu presidente sem contestar, excluindo a realidade que o cerca como parâmetro para avaliar as falas e ações do governo do seu país. Em dada discussão com o jornalista de guerra interpretado por Russell Crowe (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-thor-amor-e-trovao/"><em>Thor: Amor e Trovão</em></a>), o personagem chega a dizer que a imprensa não deveria propagar notícias ruins sobre o conflito pois estas deixam o povo estadunidense desesperançoso, ou seja, lobotomizado pela retórica do seu presidente, Chickie acredita piamente que esconder a realidade engendra algum tipo de força motora no bem-estar da população. Acredito que até aqui o leitor já tenha identificado esse perfil de figura na atual realidade do nosso país, fazendo com que algumas ideias de <em>Operação Cerveja</em> sobre a sociedade da desinformação, a pós-verdade das fake news de whatsapp, sejam atemporais na condução de governos autoritários e manipuladores.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15966" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Operação Cerveja" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Zac Efron interpreta muito bem o protagonista de<em><strong> Operação Cerveja</strong></em>, o típico estadunidense médio. Efron sabe lidar com o comportamento absurdo desse sujeito bitolado por ideias nacionalistas que acredita nas teorias da conspiração mais sem fundamento possíveis, ao mesmo tempo que compreende que o humor aqui surge como efeito colateral e não como força-motora desse personagem. Com isso, Efron consegue tornar Chickie Donohue uma figura muito crível e não uma caricatura, uma armadilha fácil na composição desse tipo de sujeito. Mesmo dando humanidade a esse sujeito, o ator não afasta essa composição de uma crítica social e política que flerta com a ironia na representação do extrato social que ele representa. Há decisões muito inteligentes no trabalho de Efron em <em>Operação Cerveja</em>.</p>
<p>O problema do longa é que Peter Farrelly parece colocar o filme o tempo todo em conflito. O diretor e roteirista não sabe se olha com simpatia para esse protagonista, que muda de percepção sobre a guerra na medida em que vivencia a violência do conflito, ou se ironiza aquele sujeito. O filme parece se colocar no fogo cruzado entre a crítica e a necessidade de construir uma jornada de redenção cheia de momentos piegas e inorgânicos para seu protagonista.</p>
<p>Nos minutos finais de <em><strong>Operação Cerveja</strong></em>, a inconsequência de Chickie Donohue assume ares heroicos com sua regeneração. Farrelly prefere fincar as raízes do seu filme no drama fácil do que no teor irônico que sua história parece sugerir pontualmente e que a transformaria em uma obra bem mais interessante do que é. O longa até peca na forma ingênua como constrói a jornada de regeneração de Chickie com direito até a discursos inflamados do mesmo quando ele retorna aos EUA.</p>
<p>Esta já é a segunda empreitada de Farrelly em temáticas mais sérias. Egresso de comédias como <em>Quem vai ficar com Mary?, Debi e Lóide, Eu, Eu Mesmo e Irene e O Amor é Cego</em>, talvez fizesse melhor ao diretor pensar no seu retorno à comédia. Dado o resultado de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-green-book-o-guia/"><em>Green Book</em></a> e agora em <em><strong>Operação Cerveja</strong></em>, filmes que soam como um apelo de um diretor para ser levado à sério, se moldando a fórmulas dramaturgicamente anacrônicas, é o momento de Farrelly dar vazão ao seu lado mais ácido e assumidamente cômico. Os momentos em que <em>Operação Cerveja</em> brilha são quando o diretor explora a falta de noção latente em Chickie Donohue através do desempenho certeiro de Efron. O resto do filme parece ruído e resultado da necessidade de um diretor que parece ainda buscar aprovação da crítica e dos prêmios.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Peter Farrelly</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Zac Efron, Russell Crowe, Bill Murray, Kyle Allen</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/FT9vaIdGTbg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Thor: Amor e Trovão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2022 20:28:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Thor: Amor e Trovão chega aos cinemas como um episódio bem independente do universo Marvel, como estamos acostumados. Diferente de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, o cidadão desaviado pode chegar aqui e se entreter normalmente, ainda que a experiência seja muito melhor para quem tem todo o contexto da trama. Essa é uma característica que eu admiro em qualquer filme novo que tem surgido na Marvel, já que a cada dia que passa fica mais impossível alcançar o repertório [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Thor: Amor e Trovão</em></strong> chega aos cinemas como um episódio bem independente do universo Marvel, como estamos acostumados. Diferente de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura/"><em>Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</em></a>, o cidadão desaviado pode chegar aqui e se entreter normalmente, ainda que a experiência seja muito melhor para quem tem todo o contexto da trama. Essa é uma característica que eu admiro em qualquer filme novo que tem surgido na Marvel, já que a cada dia que passa fica mais impossível alcançar o repertório de mais de 20 filmes. Penso que ainda que um universo seja criado (e isso é algo muito bacana), os filmes precisam andar com as próprias pernas para se tornarem mais perpétuos no mundo cinematográfico.</p>
<p>Dito isso, <strong><em>Thor: Amor e Trovão</em></strong> traz o herói Thor depois dos eventos do último filme dos <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores</em></a>, acompanhado do grupo de Guardiões das Galáxias, explorando o universo e salvando quem ele consegue. Mal sabe ele que um vilão surge a partir de uma atitude egoísta de um deus que lhe nega a misericórdia divina. Esse antagonista é ninguém menos que Christian Bale (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ford-vs-ferrari/"><em>Ford vs Ferrari</em></a>), no papel do temido Gorr, o Carniceiro dos Deuses. Enquanto isso, sua antiga paixão Jane está lutando com um câncer avançado na Terra. Thor atende ao chamado de um deus em perigo e descobre toda a tramoia de Gorr. Com isso, recorre ao Rei Valquíria (Tessa Thompson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-identidade-netflix/"><em>Identidade</em></a>), que está no comando da Nova Asgard.</p>
<p>Como se é esperado da franquia de Thor, a comédia é a régua principal das cenas. Ainda que eu ache que passaram do ponto em alguns momentos, no geral o filme consegue equilibrar bem este formato, deixando espaço para os dramas e romances necessários. Romance esse que precisaria de um pouco mais de aprofundamento entre ele e Jane. Senti falta de mais olho no olho, mais intensidade entre o casal. Talvez um pouco menos de comédia resolvesse essa questão. Ainda assim, existe uma dosagem boa entre os gêneros.</p>
<p>Natalie Portman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vox-lux-o-preco-da-fama/"><em>Vox Lux &#8211; O Preço da Fama</em></a>) está muito bem reassumindo um protagonismo na pele de Jane. Forte e determinada, ela veste bem o lado de Poderosa Thor, deixando Thor surpreso com seu surgimento. Surgimento esse, aliás, que carecia um pouco mais tempo para explicação, já que a narrativa de que o martelo foi salvá-la cai por terra quando descobrimos que ele, na verdade, está sugando seu último centavo de vida. A sua química com Chris Hemsworth (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mib-homens-de-preto-internacional/"><em>MIB: Homens de Preto – Internacional</em></a>) segue sendo um bom acerto, ainda que a diferença absurda de altura tenha que ter sido minimizada por banquinhos em gravações.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15647" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/thor-amor-e-trovao-4-jane-poderosa-foto-reproducao.jpg" alt="Thor: Amor e Trovão" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/thor-amor-e-trovao-4-jane-poderosa-foto-reproducao.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/thor-amor-e-trovao-4-jane-poderosa-foto-reproducao-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/thor-amor-e-trovao-4-jane-poderosa-foto-reproducao-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/thor-amor-e-trovao-4-jane-poderosa-foto-reproducao-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>E do que seria de um filme sem um bom vilão? Aqui Bale entra perfeitamente como o vil Gorr. De fato, as cenas são assustadoras e ele conota todo o medo necessário para aquela circunstância. Sempre em meio às sombras, com características que remetem à escuridão, ele é o próprio pavor em pessoa. A sua transformação no vilão é incrível de se ver, com tamanha dedicação do ator em encarnar cada momento do personagem. É um dos pontos de equilíbrio que falei ali acima sobre humor e outras temáticas.</p>
<p>Esta parte do humor, por sinal, tem várias nuances. Ciúmes de martelos e até cabras berrantes (elas são maravilhosas), todos os detalhes trazem a leveza que já é pertinente ao Thor. Até mesmo o surgimento de novos personagens traz um pouco disso, como é o caso de Zeus de Russel Crowe (<em>Dois Caras Legais</em>). Ele está tão natural quanto poderia assumindo a arrogância e superioridade de Zeus. Esta parte, inclusive, rende cenas bem engraçadas com o físico de Thor pelado.</p>
<p>O roteirista e diretor Taika Waititi (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jojo-rabbit/"><em>Jojo Rabbit</em></a>) fez bom uso de seu tempo, elenco e artifícios, criando um longa melhor que <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-thor-ragnarok/"><em>Thor: Ragnarok</em></a>, que perdeu a mão em alguns aspectos. Temos humor, drama, romance, intensidade, tudo imerso em uma trilha sonora maravilhosa que já virou uma tradição na Marvel. É gostoso e leve de assistir, tornando-se um entretenimento despretensioso e acertado.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Taika Waititi</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Chris Hemsworth, Natalie Portman, Christian Bale, Tessa Thompson, Russell Crowe, Jaimie Alexander, Chris Pratt, Dave Bautista, Melissa McCarthy, Matt Damon, Sam Neill</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/CTG7omQnS2Q" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Especial Catálogo: Gladiador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Nov 2019 15:06:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A tradição dos filmes épicos teve seu início com a obra italiana Cabiria, de 1914. Desde sua estreia, o cinema épico viveu por muito tempo dos louros de produções monumentais desse subgênero como O Nascimento de Uma Nação (1915) – dirigido pelo controverso D. W. Griffith – e a obra francesa sobre um dos maiores conquistadores da história, Napoleão (1927). Apesar da decaída nas produções, a febre dos épicos ainda persistiu até meados do século XX, com trabalhos como o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A tradição dos filmes épicos teve seu início com a obra italiana <em>Cabiria</em>, de 1914. Desde sua estreia, o cinema épico viveu por muito tempo dos louros de produções monumentais desse subgênero como <em>O Nascimento de Uma Nação</em> (1915) – dirigido pelo controverso D. W. Griffith – e a obra francesa sobre um dos maiores conquistadores da história, <em>Napoleão</em> (1927). Apesar da decaída nas produções, a febre dos épicos ainda persistiu até meados do século XX, com trabalhos como o premiado <em>Spartacus</em> (1960), de Stanley Kubrick. Contudo, o último ano antes do novo milênio foi contemplado com o filme <em><strong>Gladiador</strong></em>, que se tornaria um ponto de recomeço para que esse segmento cinematográfico se reinventasse.</p>
<p>A história ambientada na Roma Antiga tem como herói o general Maximus (Russell Crowe, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dois-caras-legais/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Dois Caras Legais</em></a>) e para contrapô-lo, a figura do corrupto e incestuoso Commodus (Joaquin Phoenix, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Coringa</em></a>). O conflito entre essas personagens é estabelecido a partir da morte do Imperador Marcus Aurelius (Richard Harris, <em>Harry Potter e a Pedra Filosofal</em>), pai de Commodus.</p>
<p>Em segredo, o então falecido Imperador deixou para Maximus, como última missão, restabelecer o poder político total do Senado romano. Assim, a prosperidade voltaria a reinar no grande Império. Commodus, ao perceber que o general lhe seria uma ameaça, manda que seus guardas matem-no por trair os desejos do novo Imperador. Após fugir de sua sentença mortal,  Maximus transfigura-se no famoso e implacável gladiador de Proximus (Oliver Reed, <em>O Povo Contra Larry Flynt</em>). Sua notoriedade leva-o até o despótico Commodus e o reencontro dos dois promete revelações, tramas políticas e a ira de um tirano que luta para manter-se no poder.</p>
<p>Realizando o seu segundo épico da carreira, o diretor Ridley Scott (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-alien-covenant/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Alien: Covenant</em></a>) emplaca um filme de sucesso. Com direito a uma bilheteria invejável e críticas bem positivas, o longa-metragem ainda teve 119 indicações &#8211; das quais foi vitorioso em 48 prêmios. Os pontos mais fortes na produção estão no conjunto técnico e artístico que rodeou Scott. Os roteiristas David Franzoni (<em>Amistad</em>, 1997), John Logan (<em>O Aviador</em>, 2004) e William Nicholson (<em>Os Miseráveis</em>, 2012), por exemplo, foram indicados ao Oscar de &#8220;Melhor Roteiro Original&#8221;.</p>
<p><strong><em>Gladiator</em></strong> (título original) é estruturado por uma narrativa que mescla figuras reais com uma criação totalmente livre em cima de um período histórico. Apesar de algumas questões dessa liberdade em cima da realidade, a profusão de acontecimentos marcantes e embates poderosos levanta o roteiro, o concedendo diversas indicações.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11954" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1171525.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Gladiador" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1171525.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1171525.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1171525.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Como todo bom épico, <strong><em>Gladiador</em></strong> traz a velha oposição entre o povo e o poder tirânico. Dessa forma, o filme carrega uma crítica social que retrata situações atemporais como abuso de poder, corrupção e a famosa &#8220;política do pão e circo&#8221;. Além da originalidade existente no roteiro, a presença marcante do imponente Russell Crowe faz da simples personagem uma merecedora do <em>Academy Awards</em> de &#8220;Melhor Ator&#8221;. Somando a qualidade do protagonista, Joaquin Phoenix apresenta uma criatura digna de repulsa que conquista os piores sentimentos do espectador. O que acabou lhe proporcionando três indicações como &#8220;Melhor Ator Coadjuvante&#8221; no Oscar, Globo de Ouro e BAFTA.</p>
<p>O vencedor do <em>Academy Awards</em>, todavia, incomoda o público em alguns aspectos. As principais críticas são a quebra com a realidade histórica e a falta de liga sentimental no épico. Esperava-se que o filme apelasse para as emoções do espectador uma vez que o longa estabelece uma identificação com revoluções contra um dominador despótico. Entretanto, a linha fílmica de Ridley Scott não comporta sentimentalismos. Os filmes de Scott expressam um alto teor de razão tornando o fator emotivo algo mais do que secundário, o que se repete em <strong><em>Gladiador</em></strong>. A tentativa exagerada de tocar o público é atribuída ao excesso de artifícios sonoros – ato falho, mesmo com trilha sonora composta pelo excelente Hans Zimmer (<em>O Rei Leão</em>, 1995).</p>
<p>O triunfo de <strong><em>Gladiator</em></strong> está em sua tática interna de compensação. A infertilidade emocional característica de Scott é esquecida graças à montagem fílmica de alta qualidade feita pelo premiado Pedro Scalia (<em>JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar</em>, de 1991). O descontentamento relacionado à infidelidade com os fatos reais é vencido pela fascinação do público com histórias de heróis. Tudo isso guiado pelas belas batalhas coreografadas por Nicholas Powell (<em>Coração Valente</em>, de 1995). Além desses, outros setores da produção são notáveis e foram indicados em inúmeras premiações &#8211; como a direção de arte, composição musical, montagem, efeitos especiais etc.</p>
<p>O conjunto cinematográfico do longa levou diversas pessoas a se encantarem com a fotografia, edição, roteiro e atuações magistrais que compõem a beleza do filme. Ademais, Ridley Scott merece louros por ter reapresentado ao público &#8211; já que esse não via nada com tamanha qualidade há décadas &#8211; um épico que honra os seus antecessores e o próprio subgênero.</p>
<p>Você pode conferir esse premiado marco do cinema no catálogo da <a href="https://www.netflix.com/watch/60000929?trackId=13752289&amp;tctx=0%2C0%2C6693b9eba1cd98cf69bec410b01a46edb212a2d6%3A2e4ec8a66f17c36c3507f58ee9d6175f07a1fd4c%2C%2C"><em><strong>Netflix</strong></em></a>.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ridley Scott<br />
<strong>Elenco:</strong> Russell Crowe, Joaquin Phoenix, Connie Nielsen, Oliver Reed, Richard Harris, Derek Jacobi, David Hemmings, Djimon Hounsou</p>
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		<title>Crítica: Dois Caras Legais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jul 2016 19:00:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua embalagem, Dois Caras Legais, comédia de ação do diretor Shane Black (de Beijos e Tiros e do fatídico Homem de Ferro 3), se apresenta ao seu público como um banal exemplar cinematográfico de puro entretenimento. E, de fato, nesta seara, o longa tem muito a oferecer, trazendo uma composição bem dosada entre os gêneros que dão forma a sua narrativa. Acontece que o filme também tem uma insuspeita faceta: ele realiza singelas reflexões a respeito de determinados temas e estabelece um sensível tratamento nas relações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em sua embalagem, <i>Dois Caras Legais</i>, comédia de ação do diretor Shane Black (de <i>Beijos e Tiros </i>e do fatídico <i>Homem de Ferro 3</i>), se apresenta ao seu público como um banal exemplar cinematográfico de puro entretenimento. E, de fato, nesta seara, o longa tem muito a oferecer, trazendo uma composição bem dosada entre os gêneros que dão forma a sua narrativa. Acontece que o filme<i> </i>também tem uma insuspeita faceta: ele realiza singelas reflexões a respeito de determinados temas e estabelece um sensível tratamento nas relações entre seus personagens, coisa que pode escapar aos olhos mais distraídos. É através desse aspecto que o filme de Shane Black dá um salto e surpreende um público já satisfeito com o tratamento certeiro que o realizador confere ao que se espera de uma típica história de detetives dos anos de 1970.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>Dois Caras Legais </i>é ambientado no universo da indústria pornográfica americana da década de 1970, quando dois investigadores com linhas de atuação completamente distintas têm os seus caminhos cruzados e passam a trabalhar juntos em um caso que envolve o desaparecimento de uma jovem. A natureza bruta do ex-alcoólatra Jackson Healy (Russell Crowe) e a suavidade do cauteloso Holland March (Ryan Gosling) demoram a encontrar um meio termo, mas ambos acabam descobrindo  na convivência um com o outro que podem mudar não apenas a maneira como conduzem seus trabalhos, mas suas próprias relações.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Com sua clássica narrativa de suspense ambientada no submundo da Hollywood dos anos de 1970, Shane Black oferece ao público um filme muito consciente das ferramentas que precisa utilizar para fazer o seu maquinário funcionar. O novelo desembaraçado por Healy e March ao longo do filme captura a atenção do espectador e tanto o roteiro quanto a condução do longa são marcados por muito ritmo. O diretor também sabe surpreender o espectador com as informações e os acontecimentos que estão dispostos em seus planos, oferecendo ao público soluções visuais muito interessantes para a narrativa dos fatos, só para citar como exemplos, em uma festa da indústria pornô, subitamente, March aparece em uma piscina nadando atrás de uma sereia e em outro momento do mesmo evento o detetive e o público são surpreendidos por uma aparição revelada por um simples acender de isqueiro.  O filme também consegue contextualizar os seus acontecimentos sem apelar para uma direção de arte espalhafatosa, trazendo elementos visuais precisos que nos transportam para os anos de 1970 e para uma ambiência bem específica, àquela do submundo da pornografia. Enfim, ao que inicialmente se presta, <i>Dois Caras Legais </i>é muito bem aplicado e cumpre sem vexame todas as suas demandas formais, até excede em suas possíveis expectativas.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6443" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/nice-guys.jpg" alt="nice-guys" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Agora, o longa consegue ser surpreendente mesmo no movimento das suas sutilezas dramáticas, a maioria delas envolve a maneira como a investigação policial afeta a vida de Healy e March. Sem grandes alardes e gradualmente na trama &#8211; o que torna o desenvolvimento que o filme dá aos seus personagens ainda mais especial -, percebemos Healy se transformar em um sujeito mais humano e afetuoso, no mesmo sentido, somos cativados pela maneira como a relação de March com sua filha Holly evolui e até nos emocionamos com a preocupação do atrapalhado detetive com a criação da sua menina a medida em que ele entra fundo no universo da pornografia. E é um mundo no qual, apesar de jovens serem cooptadas, ainda preserva-se uma certa inocência, afeto e compaixão através dos seus personagens mais novos, como evidencia a ótima sequência de abertura na qual o personagem do garoto Ty Simpkins, que é visto momentos antes folheando revistas pornográficas, consegue ser respeitoso e cobrir os seios de uma garota que sofre um acidente de carro próximo da sua casa. A cena é meio que um prenúncio do que virá a seguir, será a jovem Holly que resgatará Healy e March daquele mundo propenso ao embrutecimento.  Todo esse tratamento conferido aos personagens é realizado de maneira muito econômica, precisa e eficiente por Black.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em função da atenção dada às particularidades da dupla de detetives protagonista, e por mostrarem uma ótima química em cena, Russell Crowe e Ryan Gosling conseguem ótimas performances e dominam o longa. Portanto, nem esperem um <i>comeback </i>de Kim Basinger, cuja personagem tem pouco tempo de tela, ou mesmo um grande momento de Matt Bomer como um dos vilões da fita. <i>Dois Caras Legais </i>é holofote para a dobradinha Crowe e Gosling e a participação do segundo é ainda mais interessante. Gosling tem os seus melhores momentos no longa quando está ao lado da revelação Angourie Rice, que interpreta a sua filha Holly. Sem muito &#8220;açúcar&#8221; ou &#8220;dramalhão&#8221;, os dois conseguem estabelecer uma relação tocante de pai e filha e Gosling, através do jeito atabalhoado do seu personagem, é o coração do filme a todo momento que o seu March se preocupa com o tipo de pai que está sendo para a garota e quando demonstra o pavor de perdê-la por qualquer circunstância do seu arriscado trabalho. Ao mesmo tempo, a menina é responsável por esses momentos pontualmente tocantes quando esboça uma admiração gradual pelo pai e também preocupação com o que lhe pode acontecer em serviço.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Assim, além do eficiente produto de entretenimento que <i>Dois Caras Legais </i>comprova ser, o filme é feito desse material humano que dá um &#8220;sabor&#8221; ainda mais especial para a fita. Calibrado pela interessante parceria entre Crowe e Gosling, além da revelação Angourie Rice, o filme de Shane Black dá ao espectador aquilo que ele exatamente esperava a partir do seu prognóstico, mas também vai um pouco além disso. Aplicada do início ao fim, fica difícil não se render aos apelos dessa bem-humorada e pontualmente afetuosa  história de detetives encabeçada por um grupo de protagonistas tão simpáticos quanto os que Shane Black conseguiu para a sua fita.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong></p>
</div>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/LU_JtBu5ias" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Promessas de Guerra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2015 11:30:12 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Olga Kurylenko]]></category>
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		<category><![CDATA[Russell Crowe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Durante a Primeira Guerra Mundial, a península de Galípoli, na Turquia, foi cenário de uma das batalhas mais violentas do conflito. Britânicos, franceses e australianos  lutaram pela conquista do estreito de Dardanelos, obtendo como resultado a ausência de vencedores de fato e um rastro de mortes, além do ressentimento dos turcos. Este momento histórico é objeto de interesse de Russell Crowe naquele que é o seu primeiro longa-metragem de ficção como diretor,Promessas de Guerra. O australiano não só assume [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_2908" aria-describedby="caption-attachment-2908" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/05/The-Water-Diviner_704_2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2908 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/05/The-Water-Diviner_704_2-620x348.jpg" alt="The-Water-Diviner_704_2" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-2908" class="wp-caption-text">Dupla função: Russell Crowe atua e dirige drama de guerra sobre a batalha de Galípoli.</figcaption></figure>
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<p><span style="color: #000000;">Durante a Primeira Guerra Mundial, a península de Galípoli, na Turquia, foi cenário de uma das batalhas mais violentas do conflito. Britânicos, franceses e australianos  lutaram pela conquista do estreito de Dardanelos, obtendo como resultado a ausência de vencedores de fato e um rastro de mortes, além do ressentimento dos turcos. Este momento histórico é objeto de interesse de Russell Crowe naquele que é o seu primeiro longa-metragem de ficção como diretor,</span><i style="color: #000000;">Promessas de Guerra</i><span style="color: #000000;">. O australiano não só assume a direção como vive o protagonista deste drama com porte de grande produção.</span></p>
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<figure id="attachment_2909" aria-describedby="caption-attachment-2909" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/05/THE-WATER-DIVINER-Official-Poster-PROMO-25NOVEMBRO2014-02.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2909 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/05/THE-WATER-DIVINER-Official-Poster-PROMO-25NOVEMBRO2014-02-620x349.jpg" alt="" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-2909" class="wp-caption-text">Jornada: Personagem de Crowe parte para a Turquia em busca dos filhos desaparecidos na guerra.</figcaption></figure>
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<div class="separator" style="color: #000000;">O filme traz Crowe como Connor, um fazendeiro australiano que tem os seus três únicos filhos convocados pelo exército para lutarem no conflito. Infelizmente, todos eles desaparecem na batalha de Galípoli e, sem grandes perspectivas, Connor parte em uma jornada rumo à Turquia pós-conflito em busca de respostas para o silêncio em torno do paradeiro dos seus três filhos.</div>
<div class="separator" style="color: #000000;"></div>
<div class="separator" style="color: #000000;"></div>
<div class="separator" style="color: #000000;">Esta estreia de Crowe na direção nos apresenta a um diretor sem grandes pretensões de testar a linguagem cinematográfica com soluções inventivas para os meandros da sua história. Como realizador, o australiano opta por caminhos conhecidos, formulaicos. Crowe carrega nas tintas do seu melodrama pós-guerra e no fascínio do seu olhar estrangeiro em busca do exotismo de uma bela e melancólica Turquia. Os melhores momentos do filme residem na sua trama mais simples e, curiosamente, aquela que destoa de toda uma tradição de filmes do gênero: no lugar do encontro ou desencontro amoroso entre jovens ou nas histórias de amizade e lealdade das trincheiras, temos a busca desesperada de um pai por seus filhos.</div>
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<figure id="attachment_2910" aria-describedby="caption-attachment-2910" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/05/406968-a93ff59a-79d6-11e4-af6e-cd6ad31dcd05.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2910 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/05/406968-a93ff59a-79d6-11e4-af6e-cd6ad31dcd05-620x349.jpg" alt="406968-a93ff59a-79d6-11e4-af6e-cd6ad31dcd05" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-2910" class="wp-caption-text">Romance: Envolvimento entre o protagonista e a personagem de Olga Kurylenko é uma das tramas do filme.</figcaption></figure>
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<p><span style="color: #000000;">Assim, ao invés da culpa australiana pelas cicatrizes que o conflito causou nos turcos ou do romance óbvio, sem química e desinteressante entre o Connor e a personagem da bela Olga Kurylenko, caso o seu realizador tivesse se dedicado ao que realmente se revela como o coração e a alma da história, </span><i style="color: #000000;">Promessas de Guerra </i><span style="color: #000000;">poderia não ser um filme revolucionário em seu formato, mas ao menos seria um bom filme com uma tocante história a contar. Anos e anos ao lado de diretores como Michael Mann, Ridley Scott e Peter Weir parecem não ter surtido nenhuma inspiração no Russell Crowe diretor pois seu primeiro filme é disperso, burocrático e morno. Quem sabe na próxima?</span></p>
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		<title>Noé é mais uma intensa jornada psicológica conduzida por Darren Aronofsky</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Apr 2014 21:14:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Anthony Hopkins]]></category>
		<category><![CDATA[Darren Aronofsky]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Watson]]></category>
		<category><![CDATA[Jennifer Connelly]]></category>
		<category><![CDATA[Noé]]></category>
		<category><![CDATA[Russell Crowe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Administrar as demandas naturais impostas a um projeto financiado por um estúdio sempre será um desafio a qualquer realizador que pretenda manter-se fiel a sua linha autoral de produção. No entanto, determinadas concessões acabam sendo necessárias no intuito de levar para as telas tramas que inevitavelmente requererão maior injeção financeira. Após trabalhos cultuados por seu vigor e frescor autoral como Requiem para um Sonho, O Lutador e Cisne Negro, o cineasta Darren Aronofsky levou para as telas a sua adaptação [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/noah-still.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-607 alignleft" alt="noah-still" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/noah-still.jpg" width="434" height="271" /></a>Administrar as demandas naturais impostas a um projeto financiado por um estúdio sempre será um desafio a qualquer realizador que pretenda manter-se fiel a sua linha autoral de produção. No entanto, determinadas concessões acabam sendo necessárias no intuito de levar para as telas tramas que inevitavelmente requererão maior injeção financeira. Após trabalhos cultuados por seu vigor e frescor autoral como <em>Requiem para um Sonho, O Lutador </em>e <em>Cisne Negro</em>, o cineasta Darren Aronofsky levou para as telas a sua adaptação da passagem bíblica da Arca de Noé, batizada apenas com o nome do seu protagonista, <em>Noé</em>. Lógico, o diretor passou por turbulências internas na Paramount, que levou o orçamento da produção a estimados US$ 125 milhões, e entre cortes e adiamentos da estreia, conseguiu levar seu ambicioso projeto para as telas em 2014<em>.</em></p>
<p>Visualmente, <em>Noé</em> não é o desbunde que poderia ser. Aliás, esse nem é o ponto nevrálgico da obra, os elementos cênicos e visuais estão ali apenas para localizar o espectador e ilustrar determinadas intenções. O que interessa a Aronofsky é, mais uma vez, testar a própria consciência do espectador, um exercício que já mostrou-se eficiente ao extremo em seus filmes anteriores. No caso de <em>Noé, </em>ele utiliza uma passagem bíblica, sem com isso realizar um filme com inclinações religiosas ou contestações dogmáticas diretas, para criar uma trama amarrada, que explora e testa ao máximo os elementos psicológicos de seus personagens e oferece muito mais questionamentos que respostas sobre suas principais questões: entre elas, os limites das crenças e a fé na humanidade (o homem é essencialmente bom ou ruim?).</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/noah-7-620x411.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-603 alignright" alt="noah-7-620x411" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/noah-7-620x411-603x400.jpg" width="422" height="280" /></a>A trama é a conhecida de todos. Noé recebe sinais do Criador de que o mundo está para ser destruído por um dilúvio como uma forma de castigo para o mal que o homem causou na Terra desde que Adão e Eva sucumbiram à tentação. Com a consciência do fim da humanidade, Noé tem a missão de reunir as formas de vida não humanas em uma arca para perpetuarem suas espécies nesse novo Paraíso que será formado após o dilúvio. A iniciativa de Noé começa a despertar a ira de alguns homens que arquitetam um plano para sabotar a arca. Além dessa ameaça, o personagem tem que lidar com conflitos familiares que surgem em decorrência de sua devoção irrestrita a essa missão.</p>
<p>Convertido fora dos Estados Unidos em um 3D que sinceramente não faz a menor diferença em termos narrativos, <em>Noé</em> é mais um trabalho exemplar de Aronofsky que demonstra toda sua personalidade criativa, fazendo prevalecer sua assinatura em meio a tantas forças que poderiam enfraquecer sua visão sobre essa história. O que se vê na tela é mais um filme da excelente filmografia de um diretor sempre preocupado com as construções psicológicas de seus protagonistas, proporcionando estudos de personagem desafiadores. No caso em questão, acompanhamos Noé, interpretado com a usual intensidade de um Russell Crowe em plena forma dramática, tensionando suas convicções (a fé no Criador e na missão que lhe foi dada) e seus sentimentos (o amor pela sua esposa e por seus filhos), levando a um estágio de loucura gradativo. Assim como fez com Sara, Marion e Harry em <em>Requiem para um Sonho</em> ou Nina Sayers em <em>Cisne Negro</em>, em <em>Noé</em>, o diretor investe no terceiro ato do longa, conferindo como poucos uma tensão que beira o lisérgico, desafiando não só o seu protagonista, mas os nervos da plateia ao extremo. Aronofsky retorna ainda a trabalhar com Jennifer Connelly, excelente como a esposa de Noé, um contraponto em sensatez ao marido, e extrai ótimas performances de Anthony Hopkins como Matusalém e Ray Winstone como Tubal-cain, vilão do longa.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/movies-noah-russell-crowe-ray-winstone.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-604 alignleft" alt="movies-noah-russell-crowe-ray-winstone" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/movies-noah-russell-crowe-ray-winstone.jpg" width="433" height="270" /></a>Como todo exemplar da filmografia do realizador, <em>Noé</em> não é um filme de fácil digestão e gerará incômodos por sua estrutura e abordagem narrativa ocasionalmente dispersa e constantemente incisiva. O que é bom sinal, mostra que mesmo inserindo-se na dinâmica produtiva de um estúdio, Darren Aronofsky abriu poucas concessões criativas em seu filme para as orientações de produtores. Provocador e questionador, como sempre, o diretor realizou com <em>Noé</em> um longa que não está nos cinemas ao acaso para oferecer perspectivas contemplativas ou consoladoras sobre a vida ou sobre seus personagens. Não há um retrato sobre um herói bíblico convicto e inspirador em seus valores, mas um homem falho e levado ao extremo por suas convicções. Não poderíamos esperar outra coisa de um diretor tão enérgico quanto Darren Aronofsky.</p>
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