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	<title>Arquivos Quintessa Swindell - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Quintessa Swindell - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Jardim dos Desejos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Jun 2024 19:02:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Paul Schrader é um dos nomes mais importantes do cinema estadunidense. Expoente da Nova Hollywood, onde colaborou como roteirista também de outro cineasta relevante dessa geração, Martin Scorsese em Taxi Driver e Touro Indomável, Schrader é exímio em contar histórias com muita personalidade e que exibem ainda muito fôlego e ousadia, mais do que muitos realizadores mais jovens do que ele. Basta lembrarmos alguns dos mais recentes títulos de Schrader como diretor e roteirista: O Contador de Cartas de 2021 e Fé Corrompida de 2017. Com Jardim dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Paul Schrader é um dos nomes mais importantes do cinema estadunidense. Expoente da Nova Hollywood, onde colaborou como roteirista também de outro cineasta relevante dessa geração, Martin Scorsese em <em>Taxi Driver</em> e <em>Touro Indomável</em>, Schrader é exímio em contar histórias com muita personalidade e que exibem ainda muito fôlego e ousadia, mais do que muitos realizadores mais jovens do que ele. Basta lembrarmos alguns dos mais recentes títulos de Schrader como diretor e roteirista: <em>O Contador de Cartas</em> de 2021 e <em>Fé Corrompida</em> de 2017.</p>
<p>Com <em><strong>Jardim dos Desejos</strong></em> o diretor e roteirista exibe o mesmo frescor de sempre ao tecer uma narrativa sempre disposta a envolver, intrigar e surpreender o espectador. Antecipamos que é bem difícil tecer qualquer consideração sobre este filme sem entregar detalhes sobre sua trama, então, alerta: esta crítica contém SPOILERS!</p>
<p>Na era do cancelamento em redes sociais, Paul Schrader traz em <em><strong>Jardim dos Desejos</strong></em> a história de Narvel (Joel Edgerton), o jardineiro de uma mulher extremamente rica (Sigourney Weaver) que tenta se redimir do seu passado como integrante ativo de um grupo de supremacistas brancos. Ele é incumbido por esta mulher de receber a sobrinha-neta dela em Jardins Gracewood, propriedade da sua patroa sustentada pelo valor histórico do seu jardim. Acontece que a jovem de passado rebelde é negra e é rejeitada por essa parente rica, mas será ela a oportunidade de redenção de Narvel.</p>
<p><em><strong>Jardim dos Desejos</strong></em> é marcado pela extrema sensibilidade e inteligência a partir das quais Paul Schrader conta suas histórias, sempre escapando de estruturas narrativas óbvias e caminhos convencionais de montagem e condução de cenas. A maneira como o diretor revela gradualmente elementos do passado vergonhoso de Narvel em flashbacks usados com uma economia incomum e inseridos ao longo da narrativa de forma brusca e pontual é certeira. A forma como o racismo aparece como manifestação velada no caso da viúva rica Norma Haverhill de Sigourney Weaver ou como um segredo guardado com um certo embaraço no esforço de transformação da parte de Narvel também é um ponto alto do trabalho de Schrader.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18225" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-10.png" alt="Jardim dos Desejos" width="750" height="498" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-10.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-10-360x240.png 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Nessa história, o público tem contato com uma investigação comprometida sobre a gênese da intolerância em uma sociedade ainda segregacionista, algo que se reverbera em um fascismo incompreensivelmente em alta e ainda defendido por alguns, o diretor e roteirista mostra dois lados de uma mesma moeda. Por uma ótica, Paul Schrader mostra como certos caráteres não têm redenção, como é o caso da Norma, interpretada primorosamente por Weaver, uma mulher que carrega o preconceito de longa data e não apresenta o menor esboço de querer transformar sua concepção de mundo. Do outro lado, o cineasta explora os meandros da jornada de redenção de um sujeito. Narvel, vivido por Joel Edgerton, é um homem envergonhado do seu passado e que há anos parece investido em redimir-se.</p>
<p>A presença de Joel Edgerton e Sigourney Weaver como Narvel e Norma, respectivamente, e a condução que Schrader dá a esses atores também é um ponto alto de <em><strong>Jardim dos Desejos</strong></em>. Edgerton traz Narvel como um sujeito prático, mas que parece sempre regular seus passos por parâmetros éticos, afinal, mais do que ninguém, ele parece ciente das consequências de andar fora da linha. Já Weaver dá vida a uma mulher cheia de hipocrisia que esconde sob o manto da cortesia um preconceito que causa repulsa. Como é bom ver Sigourney Weaver utilizar todos os recursos que estão a sua disposição em prol de cada ação e reação da sua personagem, em um trabalho difícil que exige da atriz carregar falas que na maioria das vezes contrariam os desejos da sua personagem. Há ainda a ótima Quintessa Swindell, que pôde ser vista em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adao-negro/"><em>Adão Negro</em></a>, e que aqui explora todo o seu potencial dramático em cenas importantes com veteranos como Edgerton e Weaver.</p>
<p>Com <em><strong>Jardim dos Desejos</strong></em>, Paul Schrader faz um filme mais atual do que nunca. É uma obra que aborda a possibilidade de redenção de pessoas que cometeram atos terríveis no passado, entendendo quando há possibilidade de mudanças (no caso de Narvel, não é à toa que ela surja do seu contato constante com as flores e do amor que passa a nutrir pela jovem vivida por Swindell) e quando estamos diante de &#8220;casos perdidos&#8221;, a viúva rica vivida por Weaver. Schrader faz um filme sobre dar oportunidade para as pessoas mudarem quando elas se mostram abertas à transformação.</p>
<p>É um filme que lança uma luz na necessidade de manter o equilíbrio (ainda que seja muito difícil) e acreditar na possibilidade de redenção do ser humano mesmo diante de situações que nos causam repulsa e que nos levam a desacreditar na humanidade. É possível que sejam casos raros, mas acreditar em quadros como os do protagonista Narvel talvez nos dê algum tipo de esperança.  É um ponto de vista que parece urgente em tempos que insistem em fazer a gente acreditar cada vez menos no ser humano. <em><strong>Jardim dos Desejos</strong></em> então é um longa que aborda a importância de não perdermos o fio da meada de uma sociedade que pretenda preservar qualquer resquício de civilidade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Paul Schrader</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Joel Edgerton, Sigourney Weaver, Quintessa Swindell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/bJvhXj3sLow?si=vgholtZ7AJg4I23v" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Adão Negro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Oct 2022 11:40:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Após a pandemia de covid-19 ter interferido em diversas produções da DC Films dos últimos anos, Adão Negro chega com pré estreias nos cinemas brasileiros nesta quarta-feira (20) com o objetivo de ser um recomeço para o Universo Estendido da DC. Além dos atrasos causados pelo coronavírus, questões institucionais da Warner Bros. Pictures vêm interferindo no processo criativo e na unidade dos filmes do DCEU. No entanto, o novo longa-metragem inspirado nas hqs da DC parece colocar o universo de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Após a pandemia de covid-19 ter interferido em diversas produções da DC Films dos últimos anos, <em><strong>Adão Negro</strong></em> chega com pré estreias nos cinemas brasileiros nesta quarta-feira (20) com o objetivo de ser um recomeço para o Universo Estendido da DC. Além dos atrasos causados pelo coronavírus, questões institucionais da Warner Bros. Pictures vêm interferindo no processo criativo e na unidade dos filmes do DCEU. No entanto, o novo longa-metragem inspirado nas hqs da DC parece colocar o universo de volta nos trilhos.</p>
<p>As incertezas que envolviam o Universo Estendido começam a diminuir com a manutenção de Ben Affleck (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-ultimo-duelo/"><em>O Último Duelo</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bar-doce-lar-prime-video/"><em>Bar Doce Lar</em></a>, de 2022) como o Cavaleiro das Trevas e o retorno de Henry Cavill (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-missao-impossivel-efeito-fallout/"><em>Missão: Impossível &#8211; Efeito Fallout</em></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-enola-holmes-netflix/"><em>Enola Holmes</em></a>, de 2020) ao seu papel de Super Homem, confirmado pelo Dwayne &#8220;The Rock&#8221; Johnson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-velozes-e-furiosos-hobbs-shaw/"><em>Velozes e Furiosos: Hobbs &amp; Shaw</em></a>, de 2019, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-alerta-vermelho-netflix/"><em>Alerta Vermelho</em></a>, de 2021) numa premiere de <strong><em>Adão Negro</em></strong>.  Apesar do cancelamento de <em>Batgirl</em>, das polêmicas envolvendo Ezra Miller (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-liga-da-justica/"><em>Liga da Justiça</em></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-animais-fantasticos-os-segredos-de-dumbledore/"><em>Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore</em></a>, de 2022) e do lançamento do <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-liga-da-justica-snyder-cut/"><em>Snyder Cut</em></a>, o novo longa, estrelado por The Rock, traz bons ventos para o futuro do DCEU com uma narrativa redonda, divertida e com cenas de ação surpreendentes.</p>
<p>Quando a cidade de Kahndaq está sob uma ameaça moderna, Adão Negro, antes conhecido como Teth-Adam (Dwayne Johnson), é despertado após 5000 anos de sua última aparição. Enquanto tenta salvar a sua terra natal da única forma que sabe &#8211; com fúria e vingança -, a Sociedade da Justiça é convocada para intervir na forma que o suposto vilão está tentando salvar Kahndaq. O encontro não sai como o planejado e os heróis terão que encontrar uma forma de fazer com que Adão Negro entenda o seu papel no mundo e a responsabilidade de seus poderes.</p>
<figure id="attachment_15990" aria-describedby="caption-attachment-15990" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-15990" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-750x500.jpg" alt="Adão Negro (2022)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Adao-Negro-1.jpg 1080w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-15990" class="wp-caption-text">Dwayne Johnson em cena de &#8220;Adão Negro&#8221; (2022)</figcaption></figure>
<p>Um dos principais acertos da produção é o roteiro. Com uma adaptação inteligente e interessante da origem do arqui-inimigo do Shazam, <strong><em>Adão Negro</em></strong> entrega uma narrativa que discute a relação entre neoimperialismo no Oriente Médio e o esvaziamento da dicotomia bem versus mal. Infelizmente a discussão social e histórica sobre as ocupações em países do oriente por nações ocidentais acaba ficando em segundo plano, mas nada que atrapalhe a história. Pelo contrário, é uma grata surpresa perceber que o subgênero esteja se preocupando cada vez mais em trazer discussões atuais e relevantes para suas tramas heroicas.</p>
<p>Quanto ao quesito do bem contra o mal, esse acaba sendo o foco central do roteiro de Adam Sztykiel (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rampage-destruicao-total/"><em>Rampage &#8211; Destruição Total</em></a>, de 2018), Rory Haines e  Sohrab Noshirvani. A escolha, apesar de ser comum a diversos filmes de super heróis, é trabalhada de uma forma criativa, graças a presença da Sociedade da Justiça. A interação entre o personagem título e os componentes da Sociedade &#8211; em especial com o Doutor Destino (Pierce Brosnan) e o Gavião Negro (Aldis Hodge) &#8211; cria uma fluidez no roteiro que conduz o espectador numa jornada intrigante. E, apesar de ser um único longa trazendo duas frentes de apresentação de personagens relevantes para as hqs e para o futuro do DCEU, <strong><em>Adão Negro</em></strong> consegue fazer isso de forma cuidadosa e equilibrada.</p>
<p>Além do elenco coeso e das apresentações do personagens serem agradáveis, as cenas de ação são outro ponto forte de <strong><em>Adão Negro</em></strong>. Apesar do uso um tanto exagerado de <em>slow-motion</em> para impactar o público, a ira do personagem de The Rock é mostrada em cada ataque dele. É importante perceber o cuidado (e a corajosa escolha de subir a faixa etária do filme) ao colocar cenas de luta e mortes mais gráficas. Ao fazer isso, a produção se mostra atenta ao cerne do seu personagem principal e decide priorizar isso, uma vez que a violência define o interior de Teth-Adam. Escolha essa que pode ter sido facilitada pela experiência de Jaume Collet-Serra (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aguas-rasas/"><em>Águas Rasas</em></a>, de 2016, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-passageiro/"><em>O Passageiro</em></a>, de 2018) em trabalhos prévios de terror e suspense.</p>
<p><em><strong>Adão Negro</strong></em>, com sua trajetória e narrativa singular, parece ser um sinal de que ainda há esperanças para o futuro do DCEU. Para os fãs do personagem título e da DC, o longa é um presente que há muito não se via &#8211; inclusive por sua única cena pós créditos. Para os amantes do subgênero, a diversão é garantida do início ao fim, com uma história que consegue se sustentar sozinha, não tem amarras e nem se faz dependente de nenhuma produção prévia. O carisma e a influência de Dwayne Johnson conseguiram fazer com que um filme pandêmico, que passou por refilmagens, se tornasse um farol de esperança.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jaume Collet-Serra</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Dwayne Johnson, Aldis Hodge, Noah Centineo, Sarah Shahi, Marwan Kenzari, Quintessa Swindell, Bodhi Sabongui, Viola Davis e Pierce Brosnan</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lROrY_3PmQA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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