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	<title>Arquivos Octavia Spencer - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Octavia Spencer - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Convenção das Bruxas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Nov 2020 22:30:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Trinta anos depois do longa original de 1990, Convenção das Bruxas chega aos cinemas com um elenco de peso e a promessa de reavivar a história que conquistou e assustou a todos naquela época. Elementos como a tecnologia no emprego da maquiagem foram colocados como principais artifícios para tornar essa obra diferenciada e talvez ainda melhor que a primeira. Mas será que o resultado foi isso tudo? O enredo traz um garotinho que perdeu os pais num acidente de carro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Trinta anos depois do longa original de 1990, <em><strong>Convenção das Bruxas</strong></em> chega aos cinemas com um elenco de peso e a promessa de reavivar a história que conquistou e assustou a todos naquela época. Elementos como a tecnologia no emprego da maquiagem foram colocados como principais artifícios para tornar essa obra diferenciada e talvez ainda melhor que a primeira. Mas será que o resultado foi isso tudo?</p>
<p>O enredo traz um garotinho que perdeu os pais num acidente de carro e precisou ir morar com a avó. Rapidamente ele descobre a existência de bruxas que odeiam crianças e querem transformá-las em animais. Quando foge junto com sua avó para se esconder em um hotel, eles acabam dando de cara com uma convenção de bruxas, cujo objetivo é transformar todas as crianças em ratos, para depois exterminá-los.</p>
<p>Este longa segue a mesma história de 1990, com o mesmo modelo estrutural. O que traz um diferencial muito importante é a questão da tecnologia inserida. Se na obra original o apreço pela maquiagem foi uma exigência alcançada com sucesso, neste <strong><em>Convenção das Bruxas</em></strong> os efeitos especiais tomaram conta da tela e fizeram o excelente papel de transformar a experiência com as bruxas. Isso porque, sim, elas são aterrorizantes, assim como se propunha Anjelica Huston (<em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-john-wick-3-parabellum/">John Wick 3 &#8211; Parabellum</a></em>).</p>
<p>Anne Hathaway (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-as-trapaceiras/"><em>As Trapaceiras</em></a>) assume o papel da bruxa rainha e o faz com maestria. Ela domina todos os trejeitos da personagens, agonias, inseguranças e maldade. A todo momento em que surge, rouba a cena para si. A não ser quando divide a tela com Octavia Spencer (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ma/"><em>Ma</em></a>), que por sua vez faz o papel da avó do garotinho e também garante uma atuação incrível. Aliás, a dinâmica de elenco é muito boa e é o que melhor sustenta a trama.</p>
<p>Hathaway teve o ingrato papel de assumir a cadeira de Huston e isso não era algo exatamente fácil, já que esta última fez um trabalho marcante. Ainda assim, Anne consegue superar e apresentar um bruxa completamente maligna e sem escrúpulos. Sádica, ela é majestosa em qualquer lugar que adentra, fazendo com que todos realizam suas vontades.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13498" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4484297.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Convenção das Bruxas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4484297.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4484297.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4484297.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4484297.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Senti falta, no entanto, em parceiros da maldade, por assim dizer. A personagem de Hathaway funciona praticamente sozinha, sem um auxiliar em termos de narrativa. Isso tira um pouco da força da vilania como um todo, deixando uma dualidade muito unificada entre vários personagens do bem contra apenas um do mal.</p>
<p>Além disso, falta explorar um pouco mais os sustos. Trata-se de um filme infantil e temos que ter isso em mente, mas ainda assim, a questão do mistérios das bruxas fica um pouco superficial em alguns momentos, tornando este longa menos assustador que o de 1990.</p>
<p>Um detalhe bastante interessante é umas alfinetadas que temos ao longo do filme na questão racial dos protagonistas e como eles se inserem em contextos sociais que não são originalmente deles. É um elemento explorado na medida certa para que os adultos percebam.</p>
<p>Este <em><strong>Convenção das Bruxas</strong></em> faz excelente uso dos artifícios que possui atualmente, se sustentando como uma obra independente e ótima adaptação do livro de homônimo de Roald Dahl. Embora o comparativo com o filme de 1990 seja inevitável (e diria que ele ainda supera em qualidade do produto final), isso não significa que o resultado não seja satisfatório, especialmente para as crianças de hoje em dia que ainda não foram inseridas neste universo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robert Zemeckis<br />
<strong>Elenco:</strong> Anne Hathaway, Octavia Spencer, Stanley Tucci, Kristin Chenoweth, Chris Rock, Jahzir Bruno, Codie-Lei Eastick, Brian Bovell, Charles Edwards, Eugenia Caruso</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/8TQLGcnJ3mc" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Dois Irmãos &#8211; Uma Jornada Fantástica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2020 14:26:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira o longa Dois Irmãos &#8211; Uma Jornada Fantástica, mais uma animação super fofa da Pixar que trata com delicadeza de questões profundas. Ian (Tom Holland, Homem-Aranha: Longe de Casa) é um jovem que acaba de completar 17 anos e é um tanto deslocado no colégio. Ele vive com sua mãe Laurel (Julia Louis-Dreyfus, série Veep) e com o excêntrico irmão mais velho Barley (Chris Pratt, Jurassic World: Reino Ameaçado), já que seu pai morreu quando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira o longa <em><strong>Dois Irmãos &#8211; Uma Jornada Fantástica</strong></em>, mais uma animação super fofa da Pixar que trata com delicadeza de questões profundas. Ian (Tom Holland, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-longe-de-casa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Homem-Aranha: Longe de Casa</em></a>) é um jovem que acaba de completar 17 anos e é um tanto deslocado no colégio. Ele vive com sua mãe Laurel (Julia Louis-Dreyfus, série <em>Veep</em>) e com o excêntrico irmão mais velho Barley (Chris Pratt, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jurassic-world-reino-ameacado/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Jurassic World: Reino Ameaçado</em></a>), já que seu pai morreu quando ele ainda era um bebê. Com a descoberta de um presente que o pai deixou para quando os filhos fossem maior de 17 anos, a dupla de irmãos tem que embarcar em uma jornada para tentar ver a figura paterna novamente, mesmo que por menos de 24 horas.</p>
<p>Toda essa história é envolta em magia desde o começo. O roteiro nos explica que o mundo era cheio de coisas fantásticas nos primórdios, mas que a facilidade de implementar a tecnologia acabou deixando isso de lado. Então hoje, seres fantásticos vivem como comuns, já que não que não precisam mais praticar seu lado mágico.</p>
<p>Ian é extremamente ligado à memória do pai. Então a simples possibilidade de conhecer ele por 24 horas é o suficiente para mover céu e terra neste objetivo. Por parte de Barley, ele só quer apoiar o irmão, sendo seu fiel escudeiro. Essa relação vai sendo construída desde o início do roteiro. Inicialmente, vemos o estranhamento e diferenças dos dois. Logo em seguida, percebemos que é justamente isso que os une e os torna completos como dupla.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12518" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/2925053.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Dois Irmãos - Uma Jornada Fantástica" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/2925053.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/2925053.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/2925053.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Com o passar do tempo, o objetivo acaba sendo secundário e a jornada é o que realmente interessa. Ian percebe que não é a presença do pai que vai torná-lo mais completo, e sim a sua consciência de que ele teve no irmão, todo o suporte que precisava. O protagonista aprende a valorizar mais aquilo que ele já tem e aqueles que são presentes, muito além de buscar algo inalcançável.</p>
<p>Sendo assim, <strong><em>Dois Irmãos &#8211; Uma Jornada Fantástica</em></strong> fala sobre relações fraternais, sobre amizade, sobre tolerância com as diferenças, sobre crenças. Temos uma personagem que esqueceu a própria essência pela necessidade de ganhar dinheiro e se sustentar. Ela foi oprimida pelo mundo ao seu redor e vive superficialmente, fingindo que não tem poderes fantásticos e que não é frustrada por não usá-los. Note a profundidade de tais embates.</p>
<p>E como estamos falando de <em>Pixar</em>, tudo isso é envolto em emoções e sentimentos profundos. Os personagens vão apresentando suas camadas e questões que precisam ser trabalhadas. De uma maneira leve e divertida, a dupla de irmãos passeia por diversas nuances. Este é um filme de entretenimento para as crianças, mas de profunda reflexão para os adultos. O carisma dos personagens nos diverte a todo momento, mas os temas são tratados com muita sabedoria. E é isso torna ele perfeito para qualquer público.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Dan Scanlon<br />
<strong>Elenco:</strong> Tom Holland, Chris Pratt, Julia Louis-Dreyfus, Octavia Spencer, Ali Wong, Mel Rodriguez, Lena Waithe</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/yo0CR654lVg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial: Filmes sobre Questões Raciais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Feb 2020 15:00:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na última semana, Luta por Justiça entrou em cartaz nos cinemas de todo o Brasil. Dirigido e escrito por Destin Daniel Cretton (O Castelo de Vidro), o filme é uma adaptação do livro de Bryan Stevenson. Advogado, formado em Havard, Stevenson consegue fundos para defender presidiários que estão sentenciados a pena de morte no Alabama. Obviamente, o que o jovem vê é um  sistema extremamente racista, injusto e que condena a maioria das pessoas sem provas e sem investigação concreta. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na última semana, <em><strong>Luta por Justiça</strong></em> entrou em cartaz nos cinemas de todo o Brasil. Dirigido e escrito por Destin Daniel Cretton (<em>O Castelo de Vidro</em>), o filme é uma adaptação do livro de Bryan Stevenson. Advogado, formado em Havard, Stevenson consegue fundos para defender presidiários que estão sentenciados a pena de morte no Alabama. Obviamente, o que o jovem vê é um  sistema extremamente racista, injusto e que condena a maioria das pessoas sem provas e sem investigação concreta. No longa, o criminalista é interpretado por Michael B Jordan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/creed-nascido-para-lutar/"><em>Creed: Nascido para Lutar</em></a>), que entrega uma performance equilibrada, construindo uma personagem cheia de força interna, mesclada com uma serenidade e olhares atentos ao seu redor.</p>
<p>No geral, a produção possui um resultado positivo. Em sua técnica é bem tradicional, não faz muitas firulas e foca mais no poder do próprio enredo. No entanto, ele peca por tentar apelar demais para o emocional do espectador, em alguns momentos. Seja com uma trilha “sentimental” exagerada, que fica por um longo tempo, ou com <em>closes</em> nos rostos dos atores com expressão de sofrimento, a sensação é de que a equipe quer fazer o público chorar. Além disso, a projeção é um tanto extensa, perdendo a chance de explorar mais o potencial da trajetória de McMillian (Jamie Foxx).</p>
<p>O que fica desta obra, ao final da exibição, é justamente o tamanho das atrocidades que os brancos são capazes de fazer, da impunidade e passabilidade que eles possuem. A reflexão e a denúncia feitas são de profunda relevância e, por isso, o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> resolveu trazer mais sugestões  que seguem a mesma linha de <em>Luta pela justiça</em> e precisam ser visto para ontem! Confira!</p>
<p><strong>Confira nosso Especial: Filmes sobre Questões Raciais:</strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-12476" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/malcolm-x-750x422.jpg" alt="" width="750" height="422" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/malcolm-x-750x422.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/malcolm-x-1536x864.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/malcolm-x-610x343.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/malcolm-x.jpg 1777w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>5 – <em>Malcolm X</em> (1992)</strong></h5>
<p>Dirigido por Spike Lee (<em>Faça a Coisa Certa</em>), o filme é uma cinebiografia de um dos mais famosos ativistas da militância negra mundial. No longa, através da história de Malcolm, é possível enxergar todo o racismo, a segregação e crueldade presente nos Estados Unidos. Nascido nesse contexto estadunidense opressor, Malcolm X vai se descobrindo, a partir da sua entrada no islamismo, e começa a sua luta. A complexidade dada ao protagonista por Lee é um dos pontos altos da produção.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12477 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/rua-beale-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/rua-beale-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/rua-beale-1536x1025.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/rua-beale-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/rua-beale-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/rua-beale.jpg 1619w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>4 – <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-se-a-rua-beale-falasse/"><em>Se a Rua Beale Falasse</em></a> (2018)</strong></h5>
<p>Baseado no livro de James Baldwin, o filme conta a história de uma jovem que deseja provar a inocência do amor de sua vida. O rapaz foi acusado e preso injustamente por um crime que não cometeu. Não existem evidências que provem sua culpa, mas o sistema racista encarcera antes mesmo de qualquer prova. Assim como é dito e mostrado em <em>Luta por Justiça</em>, a seleção do policial se dá pela cor do indivíduo.</p>
<p>Dirigido por Barry Jenkins (<em>Moonlight</em>), a produção mescla os momentos de revolta e denúncia, com cenas românticas entre Tish e Fonny. As escolhas estéticas de Jenkins, como as das paletas de cores e enquadramentos, trazem um tom poético para a projeção, mas sem perder de vista a pauta principal da trama. O diretor consegue passar de forma sutil em seu trabalho o fato de que a comunidade negra está vivendo seu cotidiano e é recorrentemente interrompida e violada pela fúria dos brancos que, para piorar ainda mais as coisas, conseguem escapar de seus crimes todos os dias, incriminando negros.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12478 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/hidden-750x422.jpg" alt="" width="750" height="422" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/hidden-750x422.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/hidden-1536x864.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/hidden-610x343.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/hidden.jpg 2048w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>3 – <a href="https://coisadecinefilo.com.br/elas-na-tela-as-mulheres-de-estrelas-alem-do-tempo/"><em>Estrelas Além do Tempo</em></a> (2016)</strong></h5>
<p>Um pouco mais leve que as outras produções da lista, <em>Estrelas Além do Tempo</em> é um respiro e uma espécie de reparação histórica, pois revela para a sociedade a trajetória de personalidades femininas negras que foram importantes para a ciência, mas que não tiveram seus esforços tão divulgados como a de homens brancos que fizeram muito menos.</p>
<p>Dirigido por Theodore Melfi (<em>Um Santo Vizinho</em>), o longa mostra como uma equipe composta apenas com matemáticas negras da NASA realizou uma operação fundamental para os EUA, na Guerra Fria. A obra mostra não apenas como elas foram fortes, brilhantes e poderosas, mas como lutaram contra o racismo dentro da instituição e fora dela. Tecnicamente, o ponto alto do filme é a atuação de Taraji P Henson (<em>Luta pela Liberdade</em>), como Katherine G Johnson, que merecia uma indicação ao Oscar, em 2017, mas que não recebeu. No entanto, Octavia Spencer (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-forma-da-agua/"><em>A Forma da Água</em></a>) apareceu na categoria Melhor atriz coadjuvante.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12479 size-medium" title="Especial: Filmes sobre Questões Raciais" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/13-emenda-750x422.jpg" alt="Especial: Filmes sobre Questões Raciais" width="750" height="422" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/13-emenda-750x422.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/13-emenda-610x343.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/13-emenda.jpg 1200w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>2 – <em>A 1<em>3</em>ª Emenda</em> (2016)</strong></h5>
<p>Escrito e dirigido por Ava DuVernay (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-uma-dobra-no-tempo/"><em>Uma Dobra no Tempo</em></a>), o filme é um documentário da Netflix que mostra como o sistema carcerário estadunidense prende e pune majoritariamente homens negros. O nome do longa está ligado à lei décima terceira da Constituição dos Estados Unidos que abole e proíbe a escravidão. Mas, o que a obra mostra é que o sistema escravocrata não acabou, somente trouxe outras nomenclaturas e organizações. Com imagens de arquivo e dados estatísticos, a tese posta da produção é confirmada pelos números. Eles revelam que a quantidade de presidiários negros é de 40%, sendo que no país eles são 12%. Juntando este fato com a informação de que as investigações e os julgamentos não acontecem da mesma forma a depender da raça da pessoa, é fácil de se entender porque estas porcentagens são como são<a href="http://www.adorocinema.com/">.</a></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-12483" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/selma2-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/selma2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/selma2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/selma2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/selma2.jpg 1400w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>1 – <em>Selma: Uma Luta pela Igualdade</em> (2014)</strong></h5>
<p>Também dirigido por Ava DuVernay, o longa mostra a luta de Martin Luther King para que os negros possam votar nos Estados Unidos. A batalha pela conquista deste direito acaba resultando em um dos eventos mais importantes da história mundial: a marcha de Selma a Montgomery. O filme retrata a violência policial, revelando novamente a fúria dos brancos pela manutenção exclusiva de seus privilégios e a agressividade para alcançar tal objetivo. As escolhas da direção na decupagem elevam as revelações das tensões que os manifestantes pacíficos passaram durante o seu protesto. Além de ser uma obra importante por seu conteúdo histórico, o longa tem elementos técnicos que fazem com que a potência de seu conteúdo cresça. A progressão narrativa, os quadros e a montagem são seu ponto alto.</p>
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		<title>Crítica: Ma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 May 2019 18:09:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Allison Janney]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Trailer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando nos acostumamos a ver um artista em determinado tipo de papel, é animador descobrir que ele está em um projeto completamente diferente do seu padrão. É o caso de Octavia Spencer (A Forma da Água) em Ma. Sempre fazendo papéis carinhosos e acolhedores, o típico perfil da boazinha em cena, Spencer lida agora com esse projeto de suspense que a faz sair da zona de conforto e mostrar todo seu potencial. Calma e solitária, um dia Sue Ann conhece [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando nos acostumamos a ver um artista em determinado tipo de papel, é animador descobrir que ele está em um projeto completamente diferente do seu padrão. É o caso de Octavia Spencer (<em>A Forma da Água</em>) em <strong><em>Ma</em></strong>. Sempre fazendo papéis carinhosos e acolhedores, o típico perfil da boazinha em cena, Spencer lida agora com esse projeto de suspense que a faz sair da zona de conforto e mostrar todo seu potencial.</p>
<p>Calma e solitária, um dia Sue Ann conhece um grupo de adolescentes que pede sua ajuda para comprar bebida e, de repente, ela vê a chance de fazer novos amigos. Conforme se aproxima dos jovens, Sue oferece à eles uma oportunidade irrecusável: fazer festas e curtir com os amigos na casa dela, um lugar seguro onde nada os impediria de fazerem o que eles quisessem, contanto que seguissem algumas regras. As coisas vão ficando tensas quando Ma (seu apelido agora) começa a ter uns comportamentos estranhos.</p>
<p>A premissa mais animadora do longa é o fato de ele se vender como uma tensão psicológica, que vai explorar as nuances da possível loucura da personagem principal. No entanto, o que vemos é um roteiro que se revela rápido demais, por ser tão óbvio. Não é preciso ser tão atento para sacar o destino da trama, com menos de 30 minutos de exibição.</p>
<p>Ainda assim, esperamos por uma reviravolta no roteiro que efetivamente não acontece. Sucessões de decisões esperadas vão acontecendo para criar tensão no espectador. E sim, verdade, essa tensão acontece de uma maneira muito correta. Assistimos ao desdobrar dos personagens, especialmente a personagem Ma, que vai mostrando nuances de sua personalidade e eventos que a levaram a ser desta forma.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10628" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/3566724.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/3566724.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/3566724.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/3566724.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No entanto, os eventos acabam se tornando pequenos para a dimensão das crueldades que a mulher está disposta a fazer. Compilado a isso, temos elementos soltos e mal trabalhados, como a filha doente e a chefe abusiva. A chefe, interpretada por Alisson Janney (<em>Eu, Tonya</em>) &#8211; que, coitada, não tem nem dois minutos de cena &#8211; poderia funcionar como um gatilho para os traumas da protagonista, justificando a sua súbita necessidade de vingança. Mas acaba sendo ignorada e tornando-se uma morte fácil e sem propósito.</p>
<p>Outros elementos da trama &#8211; que não irei expor por conta de <em>spoiler</em> &#8211; levam o mesmo destino. O diretor Tate Taylor (<em>Histórias Cruzadas</em>) se mostra com pouca irreverência ao tratar de uma temática pesada como traumas por conta de <em>bullying</em>. Ao invés de ir afundo no projeto e esmiuçar toda a trama psicológica que o roteiro oferece, ele escolhe ficar na superficialidade de um novelão. Temos cenas caricatas demais para o que o longa se propõe.</p>
<p>O grande suspiro de prazer em <strong><em>Ma</em> </strong>é a atriz Octavia Spencer, que finalmente teve a sua chance de participar de um projeto diferente. A sua figura maternal, cuidadosa e amorosa dá o tom na protagonista, que consegue envolver todos com seus abraços gostosos. É bom ver essa dualidade na trama, do mal travestido de bem. É, definitivamente, o grande destaque da produção.</p>
<p><strong><em>Ma</em> </strong>não é um filme ruim, mas é um grande potencial perdido que fica na primeira camada e é tão óbvio quantos qualquer roteiro comum. Fico imaginando um projeto desses na mão do diretor Jordan Peele (<em>Corra!</em>) que certamente iria nos presentear com um verdadeiro <em>thriller</em> intenso e psicológico. Ficaremos só na vontade mesmo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Tate Taylor<br />
<strong>Elenco:</strong> Octavia Spencer, Juliette Lewis, McKaley Miller, Luke Evans, Corey Fogelmanis, Dominic Burgess, Tate Taylor, Missi Pyle, Allison Janney</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/GsJEgKmt2b8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Forma da Água</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jan 2018 21:21:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Forma da Água]]></category>
		<category><![CDATA[Guillermo Del Toro]]></category>
		<category><![CDATA[Octavia Spencer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Normalmente, cineastas com larga reputação no cinema blockbuster como Steven Spielberg ou Christopher Nolan têm que fazer algumas &#8220;concessões&#8221; ou buscar novas chaves de comunicação com o público e preocupações temáticas em seus filmes para serem bem recepcionados no Oscar. Não estou fazendo esta observação com o intuito de alegar que filmes como A Lista de Schindler de 1993 (Spielberg) ou o recente Dunkirk (2017) tenham partido de movimentos calculados dos seus diretores, mas é fato amplamente conhecido que a Academia só costuma reconhecer esses [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Normalmente, cineastas com larga reputação no cinema <i>blockbuster </i>como Steven Spielberg ou Christopher Nolan têm que fazer algumas &#8220;concessões&#8221; ou buscar novas chaves de comunicação com o público e preocupações temáticas em seus filmes para serem bem recepcionados no Oscar. Não estou fazendo esta observação com o intuito de alegar que filmes como <i>A Lista de Schindler </i>de 1993 (Spielberg) ou o recente <i>Dunkirk (</i>2017) tenham partido de movimentos calculados dos seus diretores, mas é fato amplamente conhecido que a Academia só costuma reconhecer esses cineastas quando eles saem do fantástico. Não foi o caso de Guillermo Del Toro com <i>A Forma da Água. </i>Ainda que o realizador de filmes como <i>O Labirinto do Fauno</i>, <i>A Espinha do Diabo </i>e <i>Hellboy</i> traga em seu novo filme referências ao cinema canonizado e flerte com alguns gêneros bem queridos pela Academia (drama, musical, espionagem, romance etc), del Toro não teve que realizar um movimento de 180º para fazer com que <i>A Forma da Água </i>conquistasse o número de indicações ao Oscar que conseguiu, 13 no total.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">É certo que o filme &#8220;conversa&#8221; com preocupações do nosso tempo ao trazer pra dentro da sua história um evidente embate entre personagens oprimidos socialmente (uma muda, um homossexual, uma negra e um estrangeiro) contra um grande vilão americano. É um cinema da era Trump, como alguns têm dito. Contudo, também é louvável que del Toro consiga fazer isso com um tipo de cinema que sempre fez.  <i>A Forma da Água </i>funciona dentro dos termos no qual a obra do cineasta sempre operou, sendo até mais coerente com sua filmografia pregressa do que o <i>blockbuster Círculo de Fogo</i> que dirigiu em 2013, por exemplo. <i>A Forma da Água </i>recepciona elementos do horror, romance, conto de fadas, espionagem e musicais porque sua história centrada na relação entre uma faxineira muda de um laboratório americano e um monstro marinho acaba ocasionalmente solicitando elementos desses gêneros, como na cena em que a protagonista consegue expressar fantasiosamente seus sentimentos pela criatura através de um grande número musical da era de ouro de Hollywood ou no constante (e necessário) clima de conspiração propiciado por uma trama de espionagem da Guerra Fria que atravessa a história central do filme, e tudo é muito natural, orgânico&#8230; Ainda assim, é interessante notar como <i>A Forma da Água </i>tem semelhanças e sustentações muito sólidas na filmografia do seu próprio cineasta. O filme surge como um movimento natural na sua carreira, não como um desvio completo.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O filme se passa na década de 1960 e traz um grande e secreto laboratório americano que recebe em suas instalações uma criatura marinha objeto de estudos e experimentos do governo americano. Uma das faxineiras do local, a muda Elisa (Sally Hawkins, de <i>Blue Jasmine</i>), começa a se afeiçoar pela criatura e passa a estabelecer uma relação de muita cumplicidade com ela. Ao perceber que o monstro passa a ser vítima de maus tratos por homens mal intencionados, Elisa arquiteta um plano junto com seus amigos para tirar a criatura do laboratório e devolvê-la a seu <i>habitat</i> natural.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8651" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/01/The-Shape-of-water.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Sustentado na habilidade com que Guillermo del Toro transita entre a poesia cinematográfica e o bizarro universo dos seus personagens através da estranha hipótese de um relacionamento entre uma mulher e um monstro aquático, <i>A Forma da Água</i> é um longa capaz de oferecer ao espectador sensações muito díspares em questão de segundos. Trazendo como preocupação um olhar para excluídos sociais e a maneira que todos encontram de burlar os esquemas orquestrados por um vilão interpretado por Michael Shannon (<i>Animais Noturnos</i>), uma representação propositalmente estereotipada de um americano médio (machista, cheio de complexos e recalques), o longa de del Toro quer, no fundo, abordar o desejo que todos nós temos de sermos aceitos socialmente.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Os atores brilham nesse filme, talvez mais do que em nenhum outro exemplar da carreira de del Toro. Sally Hawkins consegue ser a alma do filme ao interpretar uma mulher que pela sua deficiência física e por conseguir se relacionar com pouquíssimas pessoas vive boa parte do tempo na solidão. Hawkins constrói um gradual desabrochar dessa heroína na medida em que a mesma se descobre como mulher e se sente parte do mundo ao encontrar alguém que se comunica como ela  &#8211; e como é interessante ver uma mulher como Hawkins, uma atriz bem distante do padrão de beleza hollywoodiano, ser sexualizada e não erotizada com o seu corpo nu em cena. A atriz tem ótimos coadjuvantes, como Richard Jenkins, que interpreta o melhor amigo da protagonista, um homossexual que enfrenta a dificuldade de se relacionar afetivamente na maturidade, a colega de trabalho vivida pela sempre divertida Octavia Spencer ou ainda o cientista infiltrado interpretado pelo versátil Michael Stuhlbarg.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Ao transitar pelas diversas possibilidades de comunicação da sua história, Guillermo del Toro pode até não fazer um filme perfeito, mas chega perto e conquista o espectador com uma jornada bem construída para a sua protagonista e com o desempenho exemplar do seu talentoso elenco. <i>A Forma da Água </i>é exemplo de como a fantasia tem muito a dizer sobre a realidade ao apontar para uma série de possíveis leituras contemporâneas da sociedade no nosso tempo. Numa época em que as pessoas parecem buscar uma involução da humanidade com uma crescente intolerância e violência (física e verbal), uma história sobre pessoas à margem da sociedade lutando contra os mecanismos ciclicamente criados para tolher direitos consegue encontrar uma potência comunicativa fora dos estratagemas do realismo. É mágica que nos conecta à realidade e nos faz olhar para aquilo que nos faz seres humanos: a capacidade de dar, acolher e retribuir afeto.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/-DTVuQTZr3E" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Cabana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Mar 2017 18:28:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Cabana]]></category>
		<category><![CDATA[Alice Braga]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Octavia Spencer]]></category>
		<category><![CDATA[Radha Mitchell]]></category>
		<category><![CDATA[Sam Worthington]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Cabana é daquelas obras que querem desde o primeiro segundo de sua projeção passar uma mensagem ao seu público. No caso em questão, o filme, baseado no livro homônimo de William P. Young, trata da importância do perdão através da história de um homem vítima de um trágico evento em sua família. Há um conflito central, o protagonista interpretado por Sam Worthington (de Até o Último Homem e Avatar) vem de um lar extremamente religioso, mas não consegue acreditar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>A Cabana </i>é daquelas obras que querem desde o primeiro segundo de sua projeção passar uma mensagem ao seu público. No caso em questão, o filme, baseado no livro homônimo de William P. Young, trata da importância do perdão através da história de um homem vítima de um trágico evento em sua família. Há um conflito central, o protagonista interpretado por Sam Worthington (de <i>Até o Último Homem </i>e <i>Avatar</i>) vem de um lar extremamente religioso, mas não consegue acreditar em Deus como sua mulher, apesar de respeitar a sua fé e ir com ela e seus filhos todos os finais de semana a Igreja, acontece que quando ocorre a tragédia familiar o patriarca não consegue perdoar a si mesmo e muito menos Deus pelo ocorrido. Isso muda quando ele recebe um convite para ir até uma cabana e lá encontra um grupo de pessoas liderado por uma mulher chamada Elouise, vivida por Octavia Spencer (ganhadora do Oscar por <i>Histórias Cruzadas</i>), que está disposto a ensiná-lo uma forma de lidar melhor com sua dor.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O problema de <i>A Cabana </i>não é o fato dele ser um filme com um evidente viés religioso (isso não é demérito em momento algum), a grande fragilidade do título está em ser didático demais na afirmação do seu caráter de história com lições de moral. É como se <i>A Cabana </i>não confiasse na capacidade que o seu espectador tem de tirar conclusões e interpretações a respeito daquilo que assiste. Nada é sutil no filme, dos personagens que evidenciam os traços do seu caráter divino nos nomes e vestimentas esvoaçantes aos cenários que evocam paisagens campestres, tudo está ali para fazer com que o espectador saia da sala de cinema sem a menor sombra de dúvida possível a respeito do que o longa intenta passar. Isso acaba tornando a experiência de contemplar sua narrativa demasiadamente enfadonha.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"> <img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7532" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/03/acabana03.jpg" alt="" width="610" height="348" /></div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Mais difícil ainda é dar credibilidade a Mack Phillips, protagonista da história que está passando por um difícil e dilacerante processo de libertação pós-trauma. O australiano Sam Worthington não consegue passar a menor credibilidade para o público ao assumir a pele de um homem que tenta assimilar um drama tão agudo e que é o tempo inteiro reforçado pelos diálogos dos personagens. Worthington tem uma presença apática em cena, quando chora cobre o rosto com as duas mãos, quando a história exige uma reação a feridas expostas ele não consegue expressar sua dor a contento, fica tudo na superficialidade, nos dizeres enfáticos e nas costas da tal mensagem do filme.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Apesar dos esforços de Octavia Spencer em um papel fundamental para <i>A Cabana </i>avançar e mostrar um desejo de ser mais do que um drama familiar, encarar em profundidade a jornada de autodescoberta de um protagonista que se revela opaco ao seu espectador é praticamente impossível e no mínimo desafiador. No texto do filme ainda é possível extrair alguma questões pertinentes para serem debatidas após a sessão independente daquilo que o espectador tenha como crença ou não, mas o excesso de ênfase sabota um pouco o projeto e isso é reflexo inclusive das suas dispensáveis duas horas de duração, poderia ser uma obra mais enxuta com meia hora menos de história.</p>
</div>
<p><strong>Assista ao trailer do filme</strong></p>
<div style="position: relative; height: 0; padding-bottom: 56.25%;"><iframe style="position: absolute; width: 100%; height: 100%; left: 0;" src="https://www.youtube.com/embed/7iII9pPrUUA?ecver=2" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></div>
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		<title>Elas na Tela: As mulheres de Estrelas Além do Tempo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leticia Moreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2017 23:41:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Estrelas Além do Tempo]]></category>
		<category><![CDATA[Janelle Monáe]]></category>
		<category><![CDATA[Kevin Costner]]></category>
		<category><![CDATA[Kirsten Dunst]]></category>
		<category><![CDATA[Octavia Spencer]]></category>
		<category><![CDATA[Taraji P. Henson]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história, como conhecemos, é repleta de fatos camuflados e verdadeiros heróis escondidos. Construir um filme que se predispõe a rasgar cortinas é carregar uma responsabilidade séria. 1961. Imagine que, no cenário hostil da Guerra Fria, um time de três mulheres geniais, trabalhando no departamento de matemática da NASA, se tornou peça chave no sucesso estadunidense rumo ao espaço. Surpreendente? Pois bem, agora imagine que além de cientistas e geniais, essas mulheres fossem negras? Pareceria mais uma história para dar conta [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A história, como conhecemos, é repleta de fatos camuflados e verdadeiros heróis escondidos. Construir um filme que se predispõe a rasgar cortinas é carregar uma responsabilidade séria.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">1961. Imagine que, no cenário hostil da Guerra Fria, um time de três mulheres geniais, trabalhando no departamento de matemática da NASA, se tornou peça chave no sucesso estadunidense rumo ao espaço. Surpreendente? Pois bem, agora imagine que além de cientistas e geniais, essas mulheres fossem negras? </span><span style="font-weight: 400;">Pareceria mais uma história para dar conta desse burburinho todo dos “politicamente corretos” que exigem representatividade de gênero e de cor, verdade? Rá, não!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa é a história real de Katherine Johnson</span><span style="font-weight: 400;">, Dorothy Vaughn</span><span style="font-weight: 400;"> e Mary Jackson</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><span style="font-weight: 400;">que, sob a direção de Theodore Melfi (que assina o roteiro junto a Allison Schroeder), chega aos cinemas brasileiros em 02 de fevereiro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Estrelas Além do Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><span style="font-weight: 400;">Hidden Figures</span><span style="font-weight: 400;">), baseado no livro homônimo de Margot Lee Shetterly, é sem dúvida um filme necessário e important</span><span style="font-weight: 400;">e em tempos atuais.</span><span style="font-weight: 400;"> Somente por virar os holofotes para essas mulheres, cujos nomes nos foram ocultados por tanto tempo, esse drama-biográfico já merece reconhecimento &#8211; e o título original </span><i><span style="font-weight: 400;">“Figuras Escondidas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, que perde força na tradução brasileira, já sugere isso. Pois é, mulheres colocaram os homens no espaço!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma menininha negra toma o centro da cena de abertura, em primeiro plano. Resolvendo um problema matemático, abisma colegas e  professor (negros) que ocupam o segundo plano. Na sequência seguinte, as três protagonistas aparecem em meio a uma estrada em um carro quebrado. Uma delas, deitada no chão com chave-de-fenda em mãos, conserta o problema mecânico. Pronto, é assim que a película se apresenta: uma história sobre mulheres que não são menos do que qualquer mulher pode ser.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A menininha é Katherine <i>(</i>Taraji P. Henson<i>)</i>, viúva e mãe de três filhas, que, dividindo-se entre as responsabilidades pessoais e profissionais, encontra uma grande oportunidade ao ser convocada para ser o computador da operação, presidida pelo cientista Al Harison </span><i><span style="font-weight: 400;">(</span></i><span style="font-weight: 400;">Kevin Costner</span><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">, que levaria o primeiro estadunidense ao espaço. Para se tornar a primeira engenheira da NASA, a determinada Mary Jackson <i>(</i>Janelle Monáe<i>) </i>equilibra trabalho, família e uma segunda graduação em uma escola exclusiva para brancos, cujo acesso conquistou por meio de um recurso jurídico. Dorothy Vaughn <i>(</i>Octavia Spencer, disputando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante<i>)</i></span> <span style="font-weight: 400;">executa toda função e responsabilidade de coordenar a equipe de “computadores” da agência espacial, mas, por sua cor, o cargo oficialmente lhe é sempre negado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfrentar todos os obstáculos de gênero e de cor é, ainda hoje, rotina árdua. Em tempos em que negros e brancos sequer compartilhavam espaços públicos, então, era quase sobre-humano. Mais do que protagonistas do filme, elas são protagonistas das próprias histórias, dos próprios destinos, da família, e ainda, do destino da nação em meio a uma luta além-terra. Merecem, portanto, uma obra à altura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Narrativamente, o ritmo do filme flui bem &#8211; começando com a apresentação da rotina de cada uma das personagens, seguindo com seu desenvolvimento nas áreas específicas, nos desafios assumidos e consequentes vitórias. Porém, no desenrolar da história, a ênfase na dedicação e no patriotismo da NASA acaba disputando o foco central que deveria ser, propriamente, nas tais figuras escondidas (já que o patriotismo dos EUA sempre esteve bastante visível!). E é aqui o primeiro ponto em que o diretor pesa a mão e deslisa na proposta que vinha apresentando, gerando uma pulguinha atrás da orelha: este seria, no fim das contas, mais um daqueles filmes imperialistas? Outras questões, tratadas a seguir, podem compensar esse ponto, ainda que não o enterrem. </span></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7302" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/01/hf-gallery-04-gallery-image.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma preocupação estética e narrativa no filme em dar conta de mostrar as mínimas e mais latentes opressões sofridas pela população negra, em especial as mulheres, e aqui a direção acerta em muitas escolhas. É angustiante, e até desesperador, acompanhar a saga diária de Katherine na ida ao banheiro, já que no prédio onde passa a trabalhar só havia espaços para brancos. A cena se repete no longa mais de uma vez, sem poupar esforços de reforçar a ação, gerando a ansiedade de quem passaria aquilo. E é necessário que se desperte essa sensação.  </span></p>
<p>Os enquadramentos sempre contemplam a segregação nos ambientes de trabalho, reforçando os olhares tortos, a presença estranha de uma negra em meio a um mar de homens brancos. O mesmo para os espaços dos negros, em que compartilham medos e alegrias. A determinação e coragem das personagens, que no geral tomam as rédias para se impor em muitas situações, são explícitas na obra. Estas e outras escolhas, como a construção dos aspectos históricos nos diálogos e na narrativa, fazem com este seja, a seu modo, um filme muito sensitivo e envolvente &#8211; principalmente se você for mulher e sentir na pele a desigualdade.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falar sobre mulheres protagonizando filmes de alto orçamento não deixa de suscitar indagações e pontos de atenção importantes, principalmente quando elas ocupam alguma posição de relevância. As mulheres negras têm sido há longo tempo, nas artes no geral, hiperssexualizadas e objetificadas. É um perigo iminente para qualquer filme reproduzir isso, mas aqui nota-se um cuidado em não seguir nesse caminho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por muito tempo, a sociedade patriarcal tenta impor a rivalidade entre as mulheres como algo culturalmente natural. O filme, sagazmente, se esquiva dessa armadilha e, ao contrário, evidencia a união e suporte mútuo entre as personagens. Mesmo na hostilidade das mulheres brancas em relação às negras, a rivalidade parece não ultrapassar as questões racistas &#8211; não que isso fosse bom, mas demonstra uma atenção em não entrar no jogo do patriarcado. E talvez estes pontos sejam reflexo de um roteiro assinado por uma mulher.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante, justamente, como o filme retrata a relação entre as mulheres brancas e as negras, esses dois grupos historicamente oprimidos, mas que, apesar de pertencerem ao mesmo gênero, a condição da cor sempre as têm colocado em patamares desiguais de opressão, até os dias atuais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vívian (Kirsten Dunst) é o desenho real dessa hierarquia enraizada no imaginário das mulheres brancas, que se creem superior às negras. Ela, apesar de sentir na pele a diminuição e discriminação no trabalho, por ser mulher, não deixa de operar no mesmo caminho com Dorothy. E essa questão é tão forte que, ao comentar com Dorothy que não teria nada contra ela, esta responde &#8220;Eu sei que você provavelmente acredita nisso&#8221;. O racismo, na nossa cultura, é tão complexo que muitos de nós, de fato, acreditamos nisso.</span></p>
<p>A segunda pulguinha atrás da orelha começa a saltitar quando alguns elementos do roteiro parecem exagerar o heroísmo dos brancos, e é aqui o incômodo principal. É um tanto claro que, para que as protagonistas alcançassem o êxito, mesmo com todo empenho, foi necessário que os brancos fizessem certas concessões (sem querer, com esse afirmação, negar a autonomia da luta do povo negro). Nesta história em particular, o cientista Al Harrison defendeu os direitos de Katherine e, de certo modo, deu o devido reconhecimento a seu trabalho. Porém, o filme abusa da escolha de reiterar os olhares de surpresa dos cientistas brancos, acompanhados de musiquinhas instrumentais ao fundo, formato que acaba se tornando maçante.</p>
<p>Em certo momento, Harrison passa o bastão (um piloto de lousa, especificamente) para Katherine. Nada demais, exceto por essa passagem acontecer em um <em>close</em> (com musiquinha, claro!). Poucos minutos depois, em outro <em>close</em>, Vivian entrega a Dorothy a pasta em que recebe o título de coordenadora. Essas &#8220;passagens de bastões&#8221; (dos brancos aos negros) em primeiros planos são, sem dúvidas, desnecessárias.</p>
<p>A história ocultou suas identidades e nos privou do direito de conhecê-las, do direito de saber que (nós, mulheres) não cabemos em nenhum limite, em nenhum padrão ou em nenhum tipo de prisão que o patriarcado nos impõe e nos impôs sempre. Nós (as mulheres) levamos os homens para o espaço!</p>
<p>Assim, não dá pra negar que <em>Estrelas Além do Tempo</em> tem o mérito de uma obra de urgência, necessária, que traz à tona a voz, o pioneirismo e a importância dessas heroínas.  É muito forte vibrar a cada vitória delas. O filme retrata, ainda, muito bem a realidade hostil de poucas décadas atrás. Ainda que, no fundo, muitos aspectos do filme acabam se encaixando na máxima <em>&#8220;filme para branco ver</em>&#8220;, não chega ao ponto de ser um <em>Histórias Cruzadas</em>  no Espaço (como brincou a atriz Leslie Jones). Ele cumpre bem essa responsabilidade e não perde, de todo, a mão na representatividade e no cuidado com as personagens. Merece (e precisa) ser visto.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/wx3PVtrU-Os" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Série Divergente &#8211; Convergente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2016 00:06:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Série Divergente - Convergente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Mesmo que alguns fãs da série de livros não gostem da comparação, é fato incontestável. Como obra cinematográfica, a franquia Divergente surgiu a rebote do sucesso financeiro de Jogos Vorazes quando o longa protagonizado por Jennifer Lawrence foi lançado nos cinemas em 2012. O filme era o primeiro a representar um filão que hoje já se instalou na indústria cinematográfica: a distopia adolescente. Em seu terceiro capítulo, intitulado A Série Divergente &#8211; Convergente, no entanto, a &#8220;saga&#8221; evidencia os sinais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>Mesmo que alguns fãs da série de livros não gostem da comparação, é fato incontestável. Como obra cinematográfica, a franquia <i>Divergente </i>surgiu a rebote do sucesso financeiro de <i>Jogos Vorazes </i>quando o longa protagonizado por Jennifer Lawrence foi lançado nos cinemas em 2012. O filme era o primeiro a representar um filão que hoje já se instalou na indústria cinematográfica: a distopia adolescente. Em seu terceiro capítulo, intitulado <i>A Série Divergente &#8211; Convergente</i>, no entanto, a &#8220;saga&#8221; evidencia os sinais de seu desgaste e até mesmo da fragilidade de alguns conceitos apresentados sobre esse universo lá no primeiro filme. A sensação é que <i>Divergente </i>perdeu o fôlego da sua própria trama ou nunca teve o potencial para a longevidade que supostamente apresentava no primeiro capítulo da franquia. O que fica como herança em <i>Convergente</i>, um terreno que começara a ser pavimentado no segundo longa, é uma trama frouxa, que se estendeu ao máximo que sua capacidade permitia.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>A trama de <i>Convergente </i>basicamente acompanha a sua protagonista Tris, uma Shailene Woodley ainda batalhando por um material que faça jus ao seu potencial como atriz, em sua jornada fora das cercas que aprisionam todos em Chicago. Ela parte nessa descoberta com Quatro (o galã canastrão Theo James), seu irmão Caleb (Ansel Elgort), Peter (Miles Teller), Christina (Zöe Kravitz) e Tori (Maggie Q) e encontra um homem misterioso dedicado a entender o que existe por trás das divisões dos grupos apresentadas desde o primeiro filme da franquia.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<figure id="attachment_5101" aria-describedby="caption-attachment-5101" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-5101 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/03/convergent-620x333.jpg" alt="convergent" width="620" height="333" /><figcaption id="caption-attachment-5101" class="wp-caption-text">Exageros: Tecnicamente, franquia alcançou ambições maiores que já não nos fazem lembrar do primeiro longa da saga.</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>A sensação de que a trama de <i>Divergente </i>anda em círculos se concretiza nesse terceiro capítulo da série. Assim como acontecia em <i>Insurgente</i>, <i>Convergente </i>sofre do mal do grande orçamento. Com o sucesso financeiro do primeiro longa, o caixa disponibilizado para a equipe aumentou e isso foi convertido em uma produção megalomaníaca em seus efeitos especiais (todos ruins, diga-se de passagem) e cenários, tornando os filmes da série cada vez mais distantes do seu longa de origem, que se tinha lá os seus defeitos, ao menos conseguia reconhecer-se como uma produção de ambições moderadas, ciente das suas limitações etc. O que <i>Jogos Vorazes </i>conseguiu em economia de ação e aquisição de tensão dramática e política nas duas partes de <i>A Esperança</i>, a franquia <i>Divergente </i>conseguiu de barulho e pretensão em cima da sua própria história, narrativa e visualmente, tanto em <i>Insurgente </i>quanto nesse terceiro longa, <i>Convergente</i>.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O que o longa acaba conseguindo é perder-se em suas próprias ambições como <i>blockbuster</i>, não conseguindo sustentar-se como uma peça de puro entretenimento, tampouco resgatar determinadas preocupações e discursos que estão no cerne da sua trama original. Desse mal, os fãs de <i>Jogos Vorazes</i>, por exemplo, não tem do que reclamar. Com uma trama que já não tem mais o que explorar e passa sempre a sensação de uma longa e desnecessária espera para o seu derradeiro capítulo no quarto filme da franquia, <i>Convergente </i>ainda desperdiça o seu ótimo elenco, que oscila entre as presenças completamente descartáveis de atores do calibre de Naomi Watts, Octavia Spencer e Jeff Daniels, todos tirando &#8220;leite de pedra&#8221; ao interpretarem personagens rasos, e o subaproveitamento de jovens talentos como Shailene Woodley, cuja heroína aborrecida já não apresenta mais conflitos tão interessantes quanto aqueles esboçados no primeiro longa, Ansel Elgort e Miles Teller, absurdamente <i>over </i>como o dúbio Peter.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<figure id="attachment_5102" aria-describedby="caption-attachment-5102" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-5102 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/03/7781896822_ap1-d51-23595-r-620x307.jpg" alt="7781896822_ap1-d51-23595-r" width="620" height="307" /><figcaption id="caption-attachment-5102" class="wp-caption-text">Desperdício: Atores como Naomi Watts e Miles Teller são desperdiçados no filme.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dirigido por Robert Schwentke, que esteve por trás de filmes como <i>Plano de Voo</i>, <i>RED &#8211; Aposentados e Perigosos</i> e do próprio <i>Insurgente</i>, <i>Convergente </i>é um filme cansativo que só faz sublinhar o desgaste da sua franquia. Para quem acompanha e é fã da série cinematográfica desde o início, esse retorno sobre o filme pode não fazer muita diferença, mas para quem acompanhava a &#8220;saga&#8221; fora dessa esfera dos <i>fandons </i>e aguardava uma recuperação de fôlego após o irregular segundo filme, o que ficará é a decepção.</p>
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		<title>Crítica: Expresso do Amanhã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2015 22:04:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Chris Evans]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Ed Harris]]></category>
		<category><![CDATA[Expresso do Amanhã]]></category>
		<category><![CDATA[Jamie Bell]]></category>
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		<category><![CDATA[Joon-ho Bong]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Precisou passar quase dois anos para Expresso do Amanhã ser lançado no Brasil. As razões do atraso só a confusa logística das distribuidoras brasileiras explica. Nesse jogo de alterações constantes de data que foi Expresso do Amanhã, a certeza que temos é a completa falta de timing da sua estreia já que, com a rapidez com que cada vez mais temos acesso ao que vem de fora seria fundamental encurtar as janelas dos lançamentos internacionais no Brasil. A verdade é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3432" aria-describedby="caption-attachment-3432" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-2-hp.gif"><img decoding="async" class="wp-image-3432 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-2-hp-620x349.gif" alt="snowpiercer-2-hp" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-3432" class="wp-caption-text">Rebelião: Liderados pelo personagem de Chris Evans passageiros do último vagão lutam para conseguir os mesmos privilégios da elite do trem.</figcaption></figure>
<p class="separator">
<p class="separator">Precisou passar quase dois anos para <i>Expresso do Amanhã </i>ser lançado no Brasil. As razões do atraso só a confusa logística das distribuidoras brasileiras explica. Nesse jogo de alterações constantes de data que foi <i>Expresso do Amanhã</i>, a certeza que temos é a completa falta de <i>timing </i>da sua estreia já que, com a rapidez com que cada vez mais temos acesso ao que vem de fora seria fundamental encurtar as janelas dos lançamentos internacionais no Brasil. A verdade é que <i>Expresso do Amanhã </i>chega às nossas salas quando a maior parte dos cinéfilos brasileiros já assistiram ao filme por vias alternativas em função da incerteza acerca de uma resposta definitiva sobre sua estreia nos cinemas. E nem adianta culpar a internet, novos tempos exigem novas estratégias de lançamento para barrar esse tipo de concorrência que, com o perdão das palavras rudes, é imbatível. Dito isso, vamos ao filme que é, sem exagero, espetacular.</p>
<p class="separator">Baseado em uma HQ francesa chamada <i>Le Transperceneige</i>, <i>Expresso do Amanhã </i>é ambientado em um futuro pós-apocalíptico no qual o ecossistema foi destruído e as tentativas de recuperação climática por ação do homem não deram certo. Agora todos vivem em uma implacável era glacial e os sobreviventes desse cenário acabam mantendo-se vivos presos em um trem dividido em vagões que acabaram abrigando castas sociais: a elite possui diversos privilégios e ocupa os vagões da frente enquanto ao fundo estão os mais pobres, mantidos em condições precárias. Um dia, o grupo do último vagão empreende um plano para tomar o poder dos mais abastados e equilibrar as condições de vida no trem. Para conseguirem o que querem, eles devem passar por todos os vagões até chegarem àquele em que vive o homem por trás de toda a desigualdade instalada no trem, o Sr. Wilford.</p>
<figure id="attachment_3433" aria-describedby="caption-attachment-3433" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-04WEB.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3433 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-04WEB-620x359.jpg" alt="snowpiercer-04WEB" width="620" height="359" /></a><figcaption id="caption-attachment-3433" class="wp-caption-text">Prisioneira: Camaleônica, a atriz Tilda Swinton vive uma das reféns do grupo rebelde</figcaption></figure>
<p class="separator">
<p class="separator"><i>Expresso do Amanhã </i>é o primeiro trabalho em língua inglesa do diretor sul-coreano Joon-ho Bong, responsável por filmes primorosos como <i>O Hospedeiro </i>e <i>Mother &#8211; A Busca pela Verdade, </i>uma estreia, é preciso que se diga, que não deixa em nada a desejar, sobretudo quando os exemplos cotidianos nos mostram o quanto experiências de realizadores em línguas não-nativas são conturbadas. Nesse caso, facilita o controle que Joon-ho Bong tem em <i> Expresso do Amanhã, </i>não apenas por ter sido o roteirista do filme, mas também por ter na produção pessoas que entendem o seu modo peculiar de fazer cinema (o realizador também sul-coreano Chan-wook Park é um deles). Assim, o que vemos é sim um filme comercial e palatável às plateias com os mais diversificados repertórios, com determinados estratagemas do cinemão norte-americano, mas tudo com muito pulso e a assinatura de Joon-ho Bong, que concebe uma história de trama intrincada, com uma linguagem audiovisual segura e bem aplicada e que está muito longe de ser um esquecível caça-níqueis.</p>
<p class="separator">O filme se apresenta como um eficiente filme-pipoca, mas mostra uma faceta mais interessante ainda quando demonstra o seu potencial como alegoria sociológica, abordando temas eternamente contemporâneos como as nossas relações com o poder, a corrupção e a desigualdade social. Apesar de ter um elenco diversificado, <i>Expresso do Amanhã </i>não é um filme no qual esse ou aquele ator se destaque é o tipico &#8220;filme de elenco&#8221;, portanto cada personagem é peça fundamental de uma engrenagem que é mais importante como coletivo do que individualmente, entre os elementos desse grupo harmônico estão Octavia Spencer (vencedora do Oscar por <i>Histórias Cruzadas</i>), Jamie Bell (o Coisa do recente <i>Quarteto Fantástico</i>), John Hurt (de <i>Imortais</i>), Ed Harris (de <i>Medo da Verdade</i>) e Kang-ho Song (colaborador do diretor em <i>O Hospedeiro</i>). Ainda assim, é preciso reconhecer os méritos de dois atores em especial. O primeiro deles é a camaleônica Tilda Swinton, sempre um diferencial em qualquer produção. A atriz vive aqui a asquerosa Mason, que leva as ordens de Wilford aos passageiros do último vagão. O outro elemento interessante do elenco é o ator Chris Evans, popularizado como o Capitão América dos filmes da Marvel, o ator domina dramaticamente dois momentos cruciais da história ao final do longa.</p>
<figure id="attachment_3434" aria-describedby="caption-attachment-3434" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-screenshot-2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3434 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-screenshot-2-620x311.jpg" alt="snowpiercer-screenshot-2" width="620" height="311" /></a><figcaption id="caption-attachment-3434" class="wp-caption-text">Desempenhos: Chris Evans surpreende com forte interpretação e Tilda Swinton mantém a diversificação usual dos seus trabalhos</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Amplo em sua simbologia sem ser pretensioso, <i>Expresso do Amanhã </i>é um filme acessível e que sustenta a sua proposta do início ao fim sem as usuais concessões dramáticas que alguns filmes de estúdio costumam fazer. O longa acaba sendo interessante por contemplar profundidades de leituras diversas: pode ser encarado como uma ficção-científica pós-apocalíptica de primeira linha, como também um aplicado e inteligente &#8220;tratado sociológico cinematográfico&#8221;, ou ainda como uma combinação dos dois, o que o torna ainda mais interessante. <i>Expresso do Amanhã</i> tem muita violência gráfica, mas ela acaba não sendo mais impactante para o espectador do que a diversão que ele proporciona e do que a mensagem que Joon-ho Bong quer passar sobre a humanidade e sua urgente porém corrosiva necessidade de se organizar coletivamente para sobreviver.</p>
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