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	<title>Arquivos Nicole Kidman - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Nicole Kidman - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Babygirl</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Dec 2024 18:45:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Babygirl, escrito e dirigido por Halina Reijn (Morte. Morte. Morte) e estrelado por Nicole Kidman (Enfeitiçados), é uma produção ousada. Não apenas por ser um thriller com pinceladas de soft porn, mas por conseguir convocar organicidade em seus textos falados, que beiram ao absurdo. Mas, a grande questão, que talvez seja a maior de todas mesmo, é o quão o ser humano pode se sentir ainda mais confortável quando se depara com o aparentemente incomum, pois é nele que muitos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Babygirl</strong></em>, escrito e dirigido por Halina Reijn (Morte. Morte. Morte) e estrelado por Nicole Kidman (Enfeitiçados), é uma produção ousada. Não apenas por ser um thriller com pinceladas de soft porn, mas por conseguir convocar organicidade em seus textos falados, que beiram ao absurdo.</p>
<p>Mas, a grande questão, que talvez seja a maior de todas mesmo, é o quão o ser humano pode se sentir ainda mais confortável quando se depara com o aparentemente incomum, pois é nele que muitos segredos guardados na intimidade podem transbordar. Por isso que esses diálogos peculiares saem fluidos e não constrangedores, por essa noção da equipe sobre o prazer humano, que pode ir além do básico.</p>
<p>E Reijn é inteligente ao construir este universo e ao passá-lo de roteiro para imagem. Primeiramente, há todo o mundo asséptico da protagonista Rommy (Kidman). Ela é uma CEO extremamente bem sucedida e ainda é casada com Jacob (Antonio Bandeiras), um homem que é mostrado como perfeito. Mesmo assim, Rommy não é plena e não se satisfaz sexualmente com Jacob. Até que um estagiário, Samuel (Harris Dickinson), chega para mexer neste sistema.</p>
<p>A história de Supercine ganha mais camadas através das visualidades postas na tela. É importante pensar que a premissa é comum, mas é na encenação que ela cresce. Para realizar tal intento, a escolha do elenco é uma bom começo para notar a boa execução de mise-en-scène. Pensar no casal Kidman e Bandeiras e como as suas personagens possuem uma carreira brilhante é uma das camadas elaboradas para criar uma complexidade na narrativa.</p>
<p>A construção de papel que Banderas e Kidman fazem em <em><strong>Babygirl</strong> </em>também fomenta a compreensão de que a imagem de perfeição de alguém ou uma família sempre vem atrelada com diversas verdades escondidas. Kidman segura todos os seus trejeitos costumeiros e traz algo diferente do que geralmente elabora. Os seus gestos são calculados, pois ela cria uma dicotomia entre a Rommy que sempre foi e a nova Rommy, que surge quando ela está com Samuel. Somente com ele, a voz dela vacila e o corpo se torna lânguido.</p>
<p>Assim, é notável a diferença e a mudança progressiva que o garoto tem na vida dela. Já Banderas, que geralmente convoca uma força bruta em sua atuação, com rompantes e um tônus utilizado para explosões, chega com suavidade em <em><strong>Babygirl</strong></em>. A leveza e a sensibilidade de Jacob também funcionam como um contraste para Samuel e para todos os desejos secretos de Rommy.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19006" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image-5.png" alt="Babygirl" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image-5.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image-5-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image-5-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O corpo de Antonio Banderas quase que desliza pela tela e as atuações dele e de Kidman são o ponto alto da obra. No entanto, é preciso salientar que a direção de Reijn também imprime qualidade para o longa-metragem. Ainda que a cineasta seja mais convencional na decupagem no que no restante de sua criação, alguns detalhes da encenação e da própria planificação são positivos. Os quadros são, em sua maioria, mais abertos.</p>
<p>Os objetos dispostos ao redor do elenco aparecem em maior ou menor quantidade a depender da situação colocada. Por exemplo, nos momentos de sexo entre Rommy e Samuel, o público tem contato, majoritariamente, com os dois. Em outros contextos, o ecrã é preenchido de objetos. A libertação versus o sufocamento de Rommy são inseridos na trama, através destes sinais dados pela equipe do longa. Desta forma, este trabalho é, em seu resultado geral, bem realizado.</p>
<p>Todavia, a obviedade e a ingenuidade da história em si estragam a complexidade presente em sua execução. Por isso, o maior incômodo em <em><strong>Babygirl </strong></em>é o seu roteiro. De fato, desde o início da projeção, o espectador não é enganado e isso é louvável. É perceptível de cara que este é mais um enredo sobre traição, envolvendo casais impossíveis (aqui, por ela, além de ser casada, ser chefe do rapaz). Ainda há a diferença de idade, que é ressaltada o tempo inteiro &#8211; não é um problema, porém é colocado como um por Rommy.</p>
<p>Os ímpetos juvenis de Samuel são bem esperados. O clássico do amante que vai visitar a família da amada está aqui! Há também o confronto do marido traído, a situação de vergonha após a descoberta do adultério e, claro, o sumiço de Samuel, que deixa de lembrança apenas a recordação da aventura vivida. É por esta razão que visualmente <em><strong>Babygirl </strong></em>interessa mais do que sua trama.</p>
<p>A visualidade é o que garante uma boa experiência durante a exibição, seja pela afinação do elenco &#8211; principalmente pelo trabalho de Kidman e Bandeira -, pelas ideias de Reijn e, claro, também há a concepção da equipe de arte, que conduz as relações de poder e de sentimento entre as personagens através das cores nos cenários, figurinos e maquiagem.</p>
<p>Algo que salta aos olhos neste sentido é o fato de Samuel está sempre ligado às temperaturas frias, Rommy entre o neutro e o quente e Jacob, obviamente, fica na paleta mais terrosa, com exceção de alguns momentos que ele oscila de comportamento. Assim, esta pode não ser a sessão mais empolgante do mundo, mas, em um sábado à noite, com uma pipoca quentinha, valerá a pena conferir.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Halina Reijn</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Nicole Kidman, Harris Dickinson, Antonio Banderas</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/9XXoNB0lVGo?si=AfXlTO_DrWknlf4l" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Aquaman 2 &#8211; O Reino Perdido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Dec 2023 12:48:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A estreia de Aquaman 2: O Reino Perdido anuncia o fim do Universo Estendido da DC (DCEU) como conhecemos. O longa-metragem passou por inúmeros reajustes por conta disso e de outras questões de produção &#8211; como a pandemia, os resultados negativos de outros longas recentes do DCEU ou o julgamento entre Amber Heard, que interpreta Mera, e seu ex-marido Johnny Depp. As polêmicas que envolveram o novo filme de James Wan (Maligno, de 2021) preocuparam os fãs quanto a qualidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A estreia de <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> anuncia o fim do Universo Estendido da DC (DCEU) como conhecemos. O longa-metragem passou por inúmeros reajustes por conta disso e de outras questões de produção &#8211; como a pandemia, os resultados negativos de outros longas recentes do DCEU ou o julgamento entre Amber Heard, que interpreta Mera, e seu ex-marido Johnny Depp. As polêmicas que envolveram o novo filme de James Wan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-maligno/"><em>Maligno</em></a>, de 2021) preocuparam os fãs quanto a qualidade do que seria apresentado, especialmente quando se pensa que o longa inaugural do rei de Atlântida foi um sucesso. O resultado, no entanto, é surpreendentemente positivo.</p>
<p>Indo em contramão da expectativa de todos, o novo projeto sobre o tritão mais conhecido dos quadrinhos é coeso, divertido e encerra bem o seu arco narrativo iniciado em 2018. Wan consegue imprimir mais uma vez a sua marca como diretor num projeto onde tudo parecia caminhar para o precipício. A eficiente direção do cineasta, no entanto, além do seu conhecimento e apropriação do universo narrativo, parecem ter ajudado a manter <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> sob suas rédeas, resultando numa despedida de qualidade &#8211; tanto para o DCEU quanto para o Aquaman de Jason Momoa (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-velozes-e-furiosos-10/"><em>Velozes e Furiosos 10</em></a>, de 2023).</p>
<p>Mais uma vez o reino de Atlântida se vê atacado pela superfície. Os problemas climáticos estão afetando o povo do reino submerso, que culpam os humanos pela destruição de seu povo. Arthur Curry, também conhecido como Aquaman (Jason Momoa), descobre, contudo, que seu antigo inimigo, Manta Negra (Yahya Abdul-Mateen II), é o verdadeiro responsável por essa destruição. Para impedir que o vilão destrua Atlântida e todo o restante da Terra, Arthur precisará pedir ajuda do seu meio-irmão e antigo rival, Orm (Patrick Wilson), para salvar o reino dos mares e a civilização terrestre.</p>
<p>A própria história desenvolvida por David Leslie Johnson-McGoldrick (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-invocacao-do-mal-3-a-ordem-do-demonio/"><em>Invocação do Mal 3 – A Ordem do Demônio</em></a>, de 2021) se atém a concluir os arcos iniciados e desenvolvidos no primeiro longa do super herói. A busca pelo equilíbrio entre ser meio humano e meio atlantiano, as dificuldades em reinar, a vingança do inimigo do primeiro filme e, principalmente, a ligação com a família. Os temas centrais de <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> são esses e eles são mais do que suficientes para motivarem uma nova produção de quase 2h.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-17596" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-750x500.jpg" alt="Aquaman 2 - O Reino Perdido" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1.jpg 1500w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Essa coerência tanto no estilo, na estética e narrativa são os pontos mais fortes do longa. na verdade, essas escolhas acertadas são a justificativa para um filme que tinha tudo para dar errado, ter chegado num resultado tão positivo. O equilíbrio entre entender que essa narrativa precisava acontecer por conta dos fãs e para fechar o arco narrativo com Momoa e Wan e as reestruturações da produção agora que não vai ter continuidade a esta linha temporal/narrativa do DCEU foram fundamentais para amarrar a obra. É dessa forma que <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> chega ao público. Certo de si e sem dúvidas sobre o que queria ter sido.</p>
<p>Além da coesão na equipe técnica e de produção do longa, o elenco mais uma vez retorna para casa. É possível sentir a proximidade e a ligação entre os atores e atrizes em cena. <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> soa como uma despedida o tempo todo. Mas isso não é negativo ou exagerado, é apenas a sensação da certeza de que eles estão vivendo o melhor que podem nos momentos finais dessa caminhada.</p>
<p>O projeto não perde a diversão em suas falas, especialmente no que diz respeito a interação entre Momoa e Patrick Wilson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-moonfall-ameaca-lunar/"><em>Moonfall – Ameaça Lunar</em></a>, de 2022), e nem a originalidade de Wan, ainda mais quando ele consegue inserir elementos mais sombrios e próximos do universo de terror que ele tanto gosta. Graças a essa clara sintonia entre equipe, produtores executivos e elenco, <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> é um feliz surpresa aos fãs. Seja para aproveitar os cinemas no fim de ano ou para fechar de forma positiva o DCEU, o novo filme do tritão é a melhor forma de dizer adeus ao antigo Universo Estentido da DC.</p>
<p><strong>Direção:</strong> James Wan</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jason Momoa, Indya Moore, Ben Affleck, Patrick Wilson, Amber Heard, Willem Dafoe, Yahya Abdul-Mateen II, Ricardo Molina, Nicole Kidman, Dolph Lundgren</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/rPBjB65NV_c?si=2ctnHwRYBuK-Sz14" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Homem do Norte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2022 15:24:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Robert Eggers é um dos cineastas mais cultuados pela atual geração de fãs do cinema de horror. O diretor de A Bruxa e O Farol faz sua primeira grande concessão à indústria com O Homem do Norte. Eggers é cria da A24, a mais renomada casa do cinema independente na atualidade, e construiu sua fama como um dos principais nomes do horror contemporâneo com filmes de baixo orçamento e apurado senso artístico. Em O Homem do Norte, o cineasta sai [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Robert Eggers é um dos cineastas mais cultuados pela atual geração de fãs do cinema de horror. O diretor de A Bruxa e O Farol faz sua primeira grande concessão à indústria com <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>. Eggers é cria da A24, a mais renomada casa do cinema independente na atualidade, e construiu sua fama como um dos principais nomes do horror contemporâneo com filmes de baixo orçamento e apurado senso artístico. Em <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>, o cineasta sai da A24 e concebe com a Focus Features, subsidiária da Universal Studios, um épico viking com um orçamento de cerca de US$ 60 milhões cuja história teria inspirado William Shakespeare a escrever Hamlet, peça sobre um príncipe que retorna para o seu reino para vingar a morte do pai, assassinado brutalmente pelo seu próprio tio.</p>
<p>O mais incrível desta primeira incursão de Eggers por um &#8220;cinema de estúdio&#8221; é que ele consegue encontrar um equilíbrio interessante entre oferecer um filme mais palatável para o grande público com aspiração para o clássico, algo que A Bruxa e O Farol não foram (se é que podemos classificar <em><strong>O Homem do Norte</strong></em> como um filme agradável para uma audiência média), mas que não perde em momento algum a sua autenticidade. Na tela, é inegável que o longa possui os vestígios da assinatura do seu cineasta. Isso contraria os boatos de que o estúdio tinha interferido bastante em O Homem do Norte a ponto de incomodar o próprio cineasta, que, dizem, parece não estar mais interessado nesse tipo de experiência. Se foi como dizem, isso não é sentido na tela, o épico viking do diretor é uma obra bem consistente.</p>
<p><em><strong>O Homem do Norte</strong></em> é inegavelmente &#8220;cria&#8221; de Eggers com toda a sua ação bruta, ríspida, crua e violenta. A violência é gráfica e o cineasta enche o filme de vestígios da brutalidade dos ritos dos guerreiros vikings com imagens que causam repulsa tal qual alguns dos mais emblemáticos momentos de A Bruxa e O Farol. O diretor ainda consegue trazer para o seu épico uma atmosfera fria (não só pelo clima) e até suas inclinações para o folk horror, com a presença determinante de bruxas, uma encarnada por Anya Taylor-Joy e outra por Björk, em participação especial que não dura mais que cinco minutos.</p>
<p><em><strong>O Homem do Norte</strong></em> acompanha a saga de Amleth (Alexander Skarsgard), príncipe que testemunha a morte do pai, o rei Aurvandil (Ethan Hawke) pelas mãos do tio Fjölnir (Claes Bang). O ardil parente do príncipe não só assassina o irmão e toma o reino do seu pai, como se torna o novo marido da sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman). Quando adulto, Amleth se infiltra nos domínios da sua família como um escravo e passa a colocar em prática seu plano de vingança com a ajuda de Olga (Anya Taylor-Joy), uma jovem bruxa por quem acaba se apaixonando.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15505" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor-.jpg" alt="O Homem do Norte" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor-.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>O Homem do Norte</em> </strong>consegue capturar com verossimilhança o seu contexto histórico em elementos plásticos como fotografia, direção de arte e figurino, mas também em toda a preparação que seu elenco teve que se submeter. Os homens do filme são verdadeiras massas brutas, preparados para causar e suportar qualquer ato de violência com objetividade e sem remorso. As mulheres, por sua vez, exibem uma certa melancolia por serem relegadas a segundo plano ao passo que igualmente ganham uma &#8220;casca&#8221; na medida em que criam as suas próprias armas para sobreviver nesse contexto.</p>
<p>O filme é, claro, dominado pela performance dedicada do seu protagonista Alexander Skarsgard. O ator convence o espectador desde o momento em que surge na tela vestido de lobo uivando com olhar obsessivo para o vazio. A performance de Skarsgard de certa forma acaba assumindo o próprio tom do filme, uma narrativa seca repleta de personagens que perderam a humanidade ou estão com ela por um fio. É claro que Skarsgard se preparou fisicamente para o papel, mas, diferente da composição de alguns dos seus colegas para papéis similares &#8211; basta pensarmos nos filmes da Marvel -, o ator não reduz a ideia de transformar o seu protagonista em uma besta humana simplesmente pela aquisição de massa muscular. Alexander Skarsgard trabalha toda a brutalidade do personagem, uma verdadeira muralha em forma de gente, na expressão corporal encurvada e ameaçadora que exibe durante boa parte de <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>. Skarsgard consegue traduzir essa brutalidade de Amleth até mesmo na seara afetiva do personagem, já que o protagonista se revela um sujeito com extrema dificuldade de comunicar sentimentos &#8211; algo perfeitamente compreensível dado o background do personagem. Com isso, Amleth tem dificuldade para ceder espaço a emoções mais à flor da pele, mesmo quando parece senti-las, como acontece em diversos momentos nos quais divide a cena com as personagens de Kidman e Taylor-Joy, sua mãe e namorada, respectivamente.</p>
<p>Os demais atores do filme têm grandes momentos (Taylor-Joy, Claes Bang, Ethan Hawke, Willem Dafoe), mas não poderíamos deixar de mencionar a grande oportunidade que Robert Eggers dá a Nicole Kidman de protagonizar a cena de maior impacto de toda a história ao lado de Skarsgard. Durante todo <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>, a rainha Gudrún parece ficar em segundo plano nos reinados dos seus maridos (Hawke e Bang), no entanto, é em um monólogo para o filho já adulto que a personagem revela por completo a sua natureza e como é interessante ver a atriz dominar com maestria cada linha daquele texto.</p>
<p>Quem estava com receio de Robert Eggers desvirtuar o cunho autoral do seu cinema com <strong><em>O Homem do Norte</em></strong> pode respirar aliviado por o longa é tão macabro e místico quanto suas obras anteriores. Com um visual caprichado, o filme abusa da violência e oferece cenas de ação que prendem o espectador na poltrona (destaque para o duelo final entre os personagens de Skarsgard e Bang em meio às lavas de um vulcão prestes a entrar em erupção). Ao mesmo tempo, quem tinha um certo receio de se aventurar pelo cinema do cineasta por sua inclinação para o horror e por isso evitou A Bruxa e O Farol, terá nesse longa uma ótima oportunidade para conhecer o trabalho do cineasta.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robert Eggers</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Ethan Hawke, Björk, Willem Dafoe, Gustav Lindh</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/59iAzYuo2Qk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Apresentando os Ricardos (Prime Video)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Dec 2021 20:29:07 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Aaron Sorkin]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Procurando apresentar uma fase crítica na vida dos intérpretes Lucille Ball e Desi Arnaz, do seriado I Love Lucy, Aaron Sorkin (A Grande Jogada) traz uma produção com um potencial forte, mas que desperdiça seu rico material. Com um roteiro confuso e uma direção que vai se perdendo, à medida que Apresentando os Ricardos avança, o longa-metragem, além de cansativo, é falho em contar a história de Lucille (Nicole Kidman, O Escândalo) e Desi (Javier Bardem, Duna). A grande questão [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Procurando apresentar uma fase crítica na vida dos intérpretes Lucille Ball e Desi Arnaz, do seriado <em>I Love Lucy</em>, Aaron Sorkin (<em>A Grande Jogada</em>) traz uma produção com um potencial forte, mas que desperdiça seu rico material. Com um roteiro confuso e uma direção que vai se perdendo, à medida que <strong><em>Apresentando os Ricardos </em></strong>avança, o longa-metragem, além de cansativo, é falho em contar a história de Lucille (Nicole Kidman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-escandalo/"><em>O Escândalo</em></a>) e Desi (Javier Bardem, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><em>Duna</em></a>).</p>
<p>A grande questão é que Sorkin foi ambicioso em querer mostrar diversos conflitos presentes na jornada do casal, seja em termos de intimidades ou de trabalho deles. Para realizar tal intento, o enredo possui algumas idas e vindas temporais, que não conseguem ser colocadas de forma amarrada. Falta ligação imagética, textual e/ou de ação para que os acontecimentos surjam e se estabeleçam de maneira fluida.</p>
<p>Dentro de tantos <em>subplots</em>, fica complicado saber qual é, de fato, a premissa central, o arco principal da narrativa. Desta maneira, Sorkin não consegue sair da primeira camada que é a própria introdução dos conflitos das personagens, deixando impossível existir espaço para aprofundá-los. Neste sentido, o único acerto aqui são os instantes nos quais o espectador acompanha o processo criativo de Lucille.</p>
<p>As transições do mundo “real” com o da série de TV acontecem com organicidade. O público enxerga, através desta estratégia de universo dual – o da mente de Lucille e o da sua rotina –, a inteligência e a sensibilidade da personagem, algo que falta em outros momentos do longa. A atuação de Nicole Kidman fomenta estes instantes prazerosos da exibição.</p>
<p>Kidman entrega um trabalho sólido, inclusive. Em muitos casos de projetos nos quais figuras notáveis e históricas são mostradas uma mimese é estabelecida, o que não é o caso da Lucy de <strong><em>Apresentando os Ricardos</em></strong>. Nicole realmente interpreta aqui, pois marcas e traços estilísticos seus estão presentes na tela, mas, ao mesmo tempo, também os de Lucille. Em seus gestos, movimentações e tom de voz, é notável que aquele olhar sobre Lucille Ball é o de Nicole Kidman.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14982" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nicole-kidman-being-the-ricardos-amazon-foto-reproducao-1200x900-1.jpg" alt="APRESENTANDO OS RICARDOS" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nicole-kidman-being-the-ricardos-amazon-foto-reproducao-1200x900-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nicole-kidman-being-the-ricardos-amazon-foto-reproducao-1200x900-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nicole-kidman-being-the-ricardos-amazon-foto-reproducao-1200x900-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nicole-kidman-being-the-ricardos-amazon-foto-reproducao-1200x900-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Esta é uma grande diferença entre atrizes boas e excelentes. Quando alguém consegue colocar a sua perspectiva de uma personagem, mantém as suas bases de composição e ainda não perde de vista as características fundamentais daquela persona – sobretudo quando se faz uma pessoa célebre –, pode-se dizer que aquela construção foi feita com sucesso. Infelizmente, a produção não faz jus ao esforço e talento de Kidman.</p>
<p>Ainda assim, outros membros do elenco se destacam ao seu lado. Alia Shawkat (<em>Arrested Development</em>) e Tony Hale (<em>Veep</em>), mais conhecidos por seus papéis cômicos na televisão, equilibram os tons das cenas, através de seus papéis. Durante a exibição, a direção exagera em movimentos de câmera e os diálogos contêm intensidades desmedidas, sem que houvesse sido construído um caminho para tal instalação.</p>
<p>Alia e Tony convocam sobriedade para os seus Madelyn e Jess, respectivamente. Neste jogo de tonalidades, a direção de Aaron Sorkin tem pontos positivos e negativos. No início da sessão, é empolgante observar a sua decupagem. Há uma sensação de que uma atmosfera está sendo construída. Entre <em>travelings in</em> e <em>out</em> e a seleção de enquadramentos, um grande destaque é a extensa discussão na mesa de ensaio.</p>
<p>Com uma quantidade alta de personagens envolvidas, além do desafio que é filmar este tipo de cena, os planos deixam que as emoções das personagens sejam nítidas e uma compreensão da dinâmica da equipe de <em>I Love Lucy</em> ocorra rapidamente. No entanto, Sorkin não consegue manter o fôlego de suas ideias. A partir da segunda metade da obra, a sua direção fica menos inventiva.</p>
<p>De todo modo, os recursos usados pelo cineasta no início da produção ficam repetitivos, perdendo a força. Assim, talvez, todas as fichas tenham sido gastas logo de cara, criando uma lógica inversa, na qual o começo do filme é mais elaborado e todo o restante é embolado e entediante. As ideias de Aaron Sorkin não são desenvolvidas em <strong><em>Apresentando os Ricardos</em></strong>, a vida e a relação de Lucille e Desi não são aprofundadas e poucos elementos se destacam positivamente. Faltou um entendimento do que contar, como contar e o que escolher da linguagem cinematográfica para narrar esta história.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Aaron Sorkin</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Nicole Kidman, Javier Bardem, Alia Shawkat</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/jBnFQQGQcIA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-apresentando-os-ricardos-prime-video/">Crítica: Apresentando os Ricardos (Prime Video)</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: A Festa de Formatura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Dec 2020 12:32:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há sempre certo burburinho quando uma nova obra dirigida e/ou escrita por Ryan Murphy (The Normal Heart) é anunciada. Isto se torna mais intenso quando figuras renomadas do cinema, como Meryl Streep (Adoráveis Mulheres) e Nicole Kidman (O Escândalo), estão envolvidas no projeto. Assim, as expectativas para A Festa de Formatura estavam altas. Talvez, por isso, o espectador desavisado tenha uma experiência mais significativa e prazerosa, por esperar menos, a recepção pode acontecer de maneira mais tranquila. Mas, no geral, [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Há sempre certo burburinho quando uma nova obra dirigida e/ou escrita por Ryan Murphy (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-the-normal-heart-hbo/" target="_blank" rel="noopener"><em>The Normal Heart</em></a>) é anunciada. Isto se torna mais intenso quando figuras renomadas do cinema, como Meryl Streep (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/"><em>Adoráveis Mulheres</em></a>) e Nicole Kidman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-escandalo/"><em>O Escândalo</em></a>), estão envolvidas no projeto. Assim, as expectativas para <strong><em>A Festa de Formatura</em></strong> estavam altas. Talvez, por isso, o espectador desavisado tenha uma experiência mais significativa e prazerosa, por esperar menos, a recepção pode acontecer de maneira mais tranquila. Mas, no geral, é possível dizer que o que acontece aqui é a realização de uma produção mediana, sem viço e irregular.</p>
<p>As principais razões para este resultado estão no roteiro e na direção. Baseado na peça homônima da Broadway, esta adaptação peca por suas idas e vindas no seguimento do <em>plot</em> e por colocar uma protagonista que, diferentemente do esperado, não move as ações, deixando-se levar pelas decisões dos outros, na maior parte da projeção. Emma (Jo Ellen Pellman) é uma adolescente que deseja levar sua namorada para a festa de formatura, mas o conselho de pais é homofóbico e faz de tudo para que a jovem não consiga o que quer. Ao mesmo tempo, um quarteto de atores decadentes vê esta informação no <em>Twitter</em> e decide interferir no caso, para conseguir visibilidade para as suas carreiras desafortunadas.</p>
<p>É nisso que o filme mais se complica! Entre tentar desenvolver o romance de Emma e seus percalços para alcançar seu sonho e dos quatro artistas, os roteiristas Bob Martin (<em>Som e Fúria: O Filme</em>) e Chad Beguelin (<em>Elf: Buddy&#8217;s Musical Christmas</em>) se enrolam e não acertam na mão ao contar uma história que apresente uma unidade ou fluxo da trama de maneira equilibrada. Talvez, o mais próximo que cheguem em iniciar e fechar o ciclo narrativo seja com Dee Dee (Streep).  A dupla foi ambiciosa demais ao inserir tantas premissas que não consegue dar conta de suas próprias criações, deixando soluções fáceis e ingênuas para os últimos minutos de projeção, como a repentina mudança de ideia de Mrs. Greene (Kerry Washington) ou a rodada de conclusões de arcos, na qual, praticamente, todos do elenco anunciam que venceram os seus problemas.</p>
<p>Outro fator que chama atenção no longa é a ausência de ritmo. Veja bem, existe uma ideia forte no imaginário das pessoas que velocidade é sinônimo de qualidade rítmica. Contudo, é o equilíbrio entre aceleração, lentidão, intensidade e alívio que imprime uma boa dinâmica neste quesito. A direção de Murphy é uma das maiores responsáveis por esta sensação. Os giros de câmera e uma quantidade incontável de zoom in e out podem cansar o público logo nos primeiros minutos de exibição. É como se ele quisesse, constantemente, chamar a atenção para algo. Mas, quando se utiliza um recurso tantas vezes fica difícil não deixar as ações diluídas. Poucos respiros visuais são inseridos, dificultando o engajamento com a própria história.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13602" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/201211-the-prom-netflix-ew-305p_1b7b20b1bc6468f75bbba783f3514f59.jpg" alt="A Festa de Formatura" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/201211-the-prom-netflix-ew-305p_1b7b20b1bc6468f75bbba783f3514f59.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/201211-the-prom-netflix-ew-305p_1b7b20b1bc6468f75bbba783f3514f59-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/201211-the-prom-netflix-ew-305p_1b7b20b1bc6468f75bbba783f3514f59-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/12/201211-the-prom-netflix-ew-305p_1b7b20b1bc6468f75bbba783f3514f59-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Neste frenesi, esta espécie de Romeu e Julieta lésbico contemporâneo, com toques de musical tradicional da Broadway, se perde por tentar ser muito e alcançar pouco. No entanto, apesar das falhas gerais, um dos destaques positivos é a atuação de Kerry Washington. Dentro de um contexto monocórdico, consegue evocar nuance em sua interpretação. Washington colore as palavras com tônicas distintas, está sempre trabalhando os seus gestos e olhares com destreza, pois circula entre o maior e o menor.</p>
<p>Os outros intérpretes não estão ruins, porém a maioria se entrega a forma – incluindo Meryl Streep. Numa impossibilidade de ir mais adiante dentro do que o próprio enredo traz, eles são mais tipos do que qualquer coisa. Nicole Kidman escapa um pouco desta dinâmica, mas, é preciso salientar como seu papel é subaproveitado. A atriz mostra todo seu potencial na sequência na qual canta “Zazz” e em todas as suas contracenas. Ela sabe jogar com seus colegas e reage na medida aos acontecimentos ao seu redor. Ou seja, Kidman está atenta as emoções de sua personagem e o que ocorre perto dela, mas não tira a atenção do que está sendo mostrado no ecrã.</p>
<p>No final das contas, <strong><em>A Festa de Formatura</em></strong> é ok. Se quem assiste tiver paciência para suportar as partes entediantes, alguns momentos irão valer a pena. Para as mulheres lésbicas e bissexuais há algum ganho, porque ninguém morre, é trocada por um homem ou possui qualquer final trágico do tipo – sim, é o mais comum no cinema, nas séries e nos livros. De acordo com o Salon.com, além dos desfechos tristes recorrentes, desde 1976, 67% das personagens femininas lésbicas ou bissexuais faleceram na ficção. Este avanço é um tanto pequeno, mas não deixa de ser importante. Além disso, instantes de fofura vos esperam! Rápidos, porém significativos.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Ryan Murphy</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Meryl Streep, Nicole Kidman, Jo Ellen Pellman, James Corden, Kerry Washington, Tracey Ullman, Keegan-Michael Key, Andrew Rannells, Ariana DeBose</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/_udCjJu4DpQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-festa-de-formatura/">Crítica: A Festa de Formatura</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Especial O Escândalo: Filmes Sobre o Mundo do Jornalismo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jan 2020 14:11:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Já está em cartaz, em Salvador, O Escândalo. O filme conta a história da denúncia de assédio de um grupo de mulheres da Fox News contra um empresário de alto cargo da empresa, o Roger Ailes. Dirigido por Jay Roach (Trumbo: Lista Negra), o longa conta com um elenco de atrizes renomadas, figuras cativas em premiações, como Charlize Theron (Tully), Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada para Casa), Margot Robbie (Eu, Tonya) e Katie McKinnon (Caça-Fantasmas). A história em si tem [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Já está em cartaz, em Salvador, <strong><em>O Escândalo</em></strong>. O filme conta a história da denúncia de assédio de um grupo de mulheres da Fox News contra um empresário de alto cargo da empresa, o Roger Ailes. Dirigido por Jay Roach (<em>Trumbo: Lista Negra</em>), o longa conta com um elenco de atrizes renomadas, figuras cativas em premiações, como Charlize Theron (<em>Tully</em>), Nicole Kidman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-lion-uma-jornada-para-casa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Lion: Uma Jornada para Casa</em></a>), Margot Robbie (<em>Eu, Tonya</em>) e Katie McKinnon (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-caca-fantasmas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Caça-Fantasma</em>s</a>).</p>
<p>A história em si tem uma potência considerável, tanto pela fato de disseminar o acontecido para um público internacional, como pelos possíveis debates que ele pode gerar. As atuações do longa também são bem performadas, apesar de passarem a impressão de representação em alguns momentos, dando um tom de artificialidade. Contudo, há o enquadramento de mostrar na produção os absurdos acontecidos dentro da Fox com as funcionárias e apenas por isso, a projeção já vale o ingresso.</p>
<p>Como a história se passa, majoritariamente, numa redação jornalística, o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> resolveu elencar obras que trazem o mundo das notícias, dos jornalistas, casos bombásticos investigados por eles e algumas histórias baseadas em fatos reais. Para dar leveza para a possível maratona do leitor, dividimos a lista em dramas e comédias. <strong>Confira o Especial O Escândalo</strong>!</p>
<h4><strong>DRAMAS</strong></h4>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12302" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/1_XWwHldQg4hQuoOanZpapeQ.jpeg" alt="A Montanha dos Sete Abutres" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/1_XWwHldQg4hQuoOanZpapeQ.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/1_XWwHldQg4hQuoOanZpapeQ-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/1_XWwHldQg4hQuoOanZpapeQ-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>3 – <strong>A Montanha dos Sete Abutres</strong> (1951) &#8211; Dirigido por Billy Wilder (<em>Quanto Mais Quente Melhor</em>), a produção conta a história de Chuck (Kirk Douglas), um jornalista um tanto fracassado. No enredo, após o rapaz ser retirado de onze jornais, vai parar em um periódico do Novo México. Lá, ele vai cobrir uma matéria e começa a aumentar o caso para render notícia. Além de retratar o sensacionalismo e os enxames corriqueiros, o roteiro de Wilder e Lesser Samuels (<em>O Ódio é Cego</em>) consegue captar a ganância e os egoísmos que as pessoas podem chegar, através de diálogos sutis e diretos. A atuação de Douglas cresce, principalmente por equilibrar um lado feroz com certa sensibilidade, trazendo camadas para a personagem.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12305" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/Os-Homens-do-Presidente.jpg" alt="Todos os Homens do Presidente" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/Os-Homens-do-Presidente.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/Os-Homens-do-Presidente-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/Os-Homens-do-Presidente-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>2 – <strong><em>Todos os Homens do Presidente</em> </strong>(1976) &#8211; Bob Woodward (Robert Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman) são dois jornalistas do Washington Post que estão tentando desvendar os mistérios de um possível crime cometido por um funcionário da Casa Branca, o que acabou sendo conhecido posteriormente como o caso Watergate. O longa, dirigido por Alan J. Pakoula (<em>A Escolha de Sofia</em>), faz uma criação de tensão, trabalhando, por exemplo, com um jogo de iluminação que faz o espectador duvidar do informante da dupla. Muitas vezes, o perigo parece iminente, mesmo quando não o é, o que aproxima o público das prováveis sensações que os repórteres tiveram no período de apuração. Além da qualidade técnica da obra, é uma ótima oportunidades para estudantes de jornalismo descobrirem muitas dicas de como atuar na profissão de maneira correta e ética.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12301" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/1_JpyoX1whQrP9JcwJd_Cxhw.jpeg" alt="Cidadão Kane" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/1_JpyoX1whQrP9JcwJd_Cxhw.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/1_JpyoX1whQrP9JcwJd_Cxhw-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/1_JpyoX1whQrP9JcwJd_Cxhw-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>1 – <strong>Cidadão Kane</strong> (1941): “Rosebud”! Clássico fundamental, não apenas para os amantes do jornalismo, mas para cinéfilos, o filme conta a história de ascensão de um jornalista estadunidense, que se transforma em um grande magnata. Considerada por muitos como a melhor direção de Orson Welles (<em>A Marca da Maldade</em>), o cineasta imprime na tela a sensação de proximidade com o protagonista, na forma como enquadra as cenas. Mas, em todo momento é relembrado o distanciamento que este tipo de figura causa nas pessoas. Nesta relação dual, a projeção ganha uma camada profunda e que instiga o público a buscar compreender e criticar Kane em sua totalidade. Além disso, a obra revela características sobre o jornalismo e como as grandes empresas o tratam.</p>
<h4><strong>COMÉDIAS</strong></h4>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12304 size-full" title="Especial O Escândalo" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/mABC3QA9ZdfIeyM1TEywzdMhoUv.jpg" alt="Especial O Escândalo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/mABC3QA9ZdfIeyM1TEywzdMhoUv.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/mABC3QA9ZdfIeyM1TEywzdMhoUv-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/mABC3QA9ZdfIeyM1TEywzdMhoUv-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>3 – <strong>O Âncora</strong> (2004): Sátira com os telejornalistas dos anos 1990, o longa mostra como o sucesso da novata Veronica (Christina Appllegate) incomoda o veterano Ron (Will Farell). Dirigido por Adam McKay (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-grande-aposta/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>A Grande Aposta</em></a>), a produção critica, através do humor, o machismo dentro de emissoras de TV e o narcisismo dos âncoras. A projeção não vai muito além de fazer algumas piadas com os temas que parece querer abordar, mas, de toda forma, é uma comédia divertida. Além disto, Farell está em sua melhor forma, como era recorrente estar no início dos anos 2000. Seus trejeitos e frases <em>punch</em>, com uma expressão facial “neutra”, aumenta a graça do que está sendo dito, um dos trunfos de alguns comediantes. Em 2013, o filme até ganhou uma continuação, porém um tanto menos bem realizada que a obra original.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12306 size-full" title="Especial O Escândalo" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/Um-Amor-de-Professora-1958.jpg" alt="Especial O Escândalo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/Um-Amor-de-Professora-1958.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/Um-Amor-de-Professora-1958-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/Um-Amor-de-Professora-1958-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>2 – <strong>Um Amor de Professora</strong> (1958): Doris Day e Clark Gable são dois grandes nomes do cinema clássico hollywoodiano! Somente pela presença da dupla na tela e a dinâmica que eles constroem em cena já vale o filme inteiro. Contudo, a premissa da trama também é um ponto alto, por ser divertida, bem executada e até crível. Mas, onde entra a temática do especial nisso tudo? A personagem da Doris, a Erica, é uma professora de jornalismo e não suporta o James (Clark),  editor de um periódico. Sabendo disto, o rapaz começa a frequentar as classes dela, fingindo ser iniciante na área. As situações são bastante engraçadas, mas também românticas, claro.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12303" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/2014111856994369.jpg" alt="O Diabo Veste Prada" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/2014111856994369.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/2014111856994369-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/2014111856994369-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>1 – <strong>O Diabo Veste Prada</strong> (2005): Adaptado da obra homônima de Lauren Weisberger, o enredo é baseado em uma experiência real da vida da autora. Assim como no livro, o filme mostra as peripécias de Andrea Sachs (Anne Hathaway). Após a jovem começar a trabalhar para uma grande revista de moda dos Estados Unidos, a <em>Runway</em>, sua vida muda completamente. Além de estar cercada por várias colegas de trabalho competitivas e com severos distúrbios alimentares, ela precisa lidar com uma chefe super exigente e maldosa, a Miranda Priestly (Meryl Streep). Além de ser um longa que mostra a ótica de um outro tipo de jornalismo que geralmente é mostrado pelas produções midiáticas, revelando o estilo e a vida da redação desta editoria, a projeção tem como ponto alto a interpretação de Streep, que se inspirou na “verdadeira” Miranda, a Anna Wintour, editora da Vogue. Em 2006, <em>O Diabo Veste Prada</em> foi indicado a 2 Oscar, nas categorias Melhor Atriz, para Meryl e Melhor Figurino para Patricia Field (<em>Sex and the City: O Filme</em>)<a href="http://www.adorocinema.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">.</a></p>
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		<title>Crítica: O Escândalo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2020 02:37:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Os filmes refletem o que a sociedade passa no momento, com suas dores e alegrias. Com o crescimento, nos últimos anos, de movimentos que asseguram os direitos das mulheres, a temática está ficando cada vez mais em voga, inclusive no mundo cinematográfico. O Escândalo conta a história de um fato verídico acontecido nos Estados Unidos, quando uma âncora da Fox News denunciou um dos chefões por assédio sexual. O caso envolve ainda questões políticas, como a pré-eleição de Donald Trump. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os filmes refletem o que a sociedade passa no momento, com suas dores e alegrias. Com o crescimento, nos últimos anos, de movimentos que asseguram os direitos das mulheres, a temática está ficando cada vez mais em voga, inclusive no mundo cinematográfico. <strong><em>O Escândalo</em></strong> conta a história de um fato verídico acontecido nos Estados Unidos, quando uma âncora da <em>Fox News</em> denunciou um dos chefões por assédio sexual. O caso envolve ainda questões políticas, como a pré-eleição de Donald Trump.</p>
<p>Com um estilo de narrativa similar ao loga <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Vice</em></a>, porém melhor executado, <em><strong>O Escândalo</strong></em> primeiro nos apresenta as três principais personagens da trama: Megyn Kelly (Charlize Theron, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casal-improvavel/"><em>Casal Improvável</em></a>), Gretchen Carlson (Nicole Kidman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-peso-do-passado/"><em>O Peso do Passado</em></a>) e Kayla Pospisil (Margot Robbie, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-hollywood/"><em>Era Uma Vez Em&#8230; Hollywood</em></a>). Embora o trio esteja em momentos diferentes de vida e da carreira, a similaridade é apontada constante. E isso vai muito além do fato de que são três loiras, altas, magras e bonitas. Elas são ambiciosas, almejam uma carreira de sucesso e destaque, e fazem vista grossa, em alguns momentos, para os absurdos que as cercam.</p>
<p>Gretchen é a que primeiro coloca em pauta o nome do chefe Roger Ailes (John Lithgow, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cemiterio-maldito/"><em>Cemitério Maldito</em></a>) e seus abusos sexuais. E Kidman faz isso formidavelmente. Ela confere todas as nuances que a personagem convoca, sem soar exagerada ou pretensiosa. A âncora de televisão está cansada de viver nesse ambiente de abusos e, embora se preocupe com a carreira, chegou ao limite de suportar. O roteiro, no entanto, não é tão cuidadoso, deixando ela um pouco no lugar de &#8220;mulher esquecida que se revolta porque perdeu o prestígio&#8221;. Por sorte, existe muitas outras tensões na trama, que tiram o foco deste detalhe.</p>
<p>A medida que o filme evolui para de fato uma exposição dos assédios e abusos que as mulheres sofrem constantemente, tudo se torna mais asqueroso. A sutileza com que a mulher é subjugada diariamente e constantemente é jogada na cara do espectador, que, se minimamente racional, se incomoda. E esse é um grande ponto. O incômodo é necessário e justificado.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12224" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/4017103.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Escândalo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/4017103.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/4017103.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/4017103.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Margot está realmente destacada em sua atuação, que acredito que vale a indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Ela começa como a jovem empolgada com a oportunidade de reconhecimento na profissão e caminha para lugares pesados impostos por sua personagem. Somos apresentados a cenas que falam muito mais pelo olhar do que pelo discurso e ela é assertiva no tom utilizado.</p>
<p>Charlize também é um espetáculo a parte, desfilando elegância, dualidade e pulso firme durante toda a trama de<em><strong> O Escândalo</strong></em>. A sua personagem é complicada, pois ocupa um cargo de importância, mas ao mesmo tempo ela faz questão de afirmar que não é feminista e tem comportamentos que não são exatamente da sororidade. No entanto, cena após cena ela reafirma a boa escolha de elenco. Elenco esse que é composto ainda por grandes nomes como Allison Janney (<em>Eu, Tonya</em>), Kate McKinnon (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-yesterday/"><em>Yesterday</em></a>) e Jennifer Morrison (série <em>Once Upon a Time</em>), que teve uma breve, mas importante participação.</p>
<p>O diretor Jay Roach (<em>Trumbo: Lista Negra</em>) fez boas e más escolhas ao longo do filme. Uma péssima decisão foi o uso excessivo de câmera em primeiro plano, mesmo quando faria mais sentido expandir a visão do público. Além de cansar o artifício, pareceu um pouco narcisista da parte dele ao dar foco demais no elenco. Elenco esse que, sim, foi uma escolha acertadíssima.</p>
<p>No geral, <strong><em>O Escândalo</em></strong> é um bom filme, que dá alguns tropeços no meio do caminho. A vaidade exacerbada depõe contra, ainda mais em uma temática que requer tanto cuidado quanto essa. Falta ainda um pouco de coragem de enfrentar e expor os pontos políticos, como a presença do então presidente Trump. Análises que certamente trariam mais riqueza para o enredo e desenvolvimento da trama.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jay Roach<br />
<strong>Elenco:</strong> Charlize Theron, Nicole Kidman, Margot Robbie, John Lithgow, Allison Janney, Kate McKinnon, Liv Hewson, Brigette Lundy-Paine, Malcolm McDowell, Connie Britton, Rob Delaney, Mark Duplass, Mark Moses, Nazanin Boniadi, Ben Lawson, Brooke Smith, Jennifer Morrison, Ahna O&#8217;Reilly, Bryan d&#8217;Arcy James</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/NwJbVCwv15g" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie aparecem no primeiro teaser de ‘O Escândalo’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Aug 2019 23:50:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Lionsgate promoveu nesta quarta-feira (21) o lançamento do primeiro teaser de O Escândalo (Bombshell), produção estrelada pelas vencedoras do Oscar® Charlize Theron e Nicole Kidman, além da indicada ao Oscar® Margot Robbie. Baseada no escândalo norte-americano “Bombshell”, deflagrado em 2016, a trama aborda as graves denúncias contra o então presidente executivo-chefe da Fox News, Roger Ailes, e suas consequências. O longa promete um olhar revelador dentro do mais poderoso e controverso império de mídia norte-americano, com a história pulsante das [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A <em>Lionsgate</em> promoveu nesta quarta-feira (21) o lançamento do primeiro teaser de <em><strong>O Escândalo</strong></em> (<em>Bombshell</em>), produção estrelada pelas vencedoras do Oscar® Charlize Theron e Nicole Kidman, além da indicada ao Oscar® Margot Robbie.</p>
<p>Baseada no escândalo norte-americano “<em>Bombshell</em>”, deflagrado em 2016, a trama aborda as graves denúncias contra o então presidente executivo-chefe da <em>Fox News</em>, Roger Ailes, e suas consequências. O longa promete um olhar revelador dentro do mais poderoso e controverso império de mídia norte-americano, com a história pulsante das mulheres que afrontaram um infame homem à frente deste império.</p>
<p>Dirigido por Jay Roach e com roteiro de Charles Randolph, o longa tem estreia nacional agendada para 30 de janeiro de 2020.</p>
<p><strong>Confira o <em>teaser</em>!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/F6NnJTAcxqQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial Big Little Lies: Quem são as mulheres de Monterey?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jul 2019 19:28:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Atualmente em exibição na programação da HBO com sua segunda temporada, Big Little Lies propõe desde o primeiro ano um interessante exercício de percepção e julgamento. Um dos motes centrais da série roteirizada por David E. Kelley e dirigida por Jean-Marc Vallée (primeiro ano) e Andrea Arnold (segundo ano) é traçar uma análise sobre nosso comportamento em sociedade: como nos construímos para o outro, como enxergamos o outro, como eles realmente são e como essa falta de comunicação entre as percepções nos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Atualmente em exibição na programação da HBO com sua segunda temporada, <em><strong>Big Little Lies</strong> </em>propõe desde o primeiro ano um interessante exercício de percepção e julgamento. Um dos motes centrais da série roteirizada por David E. Kelley e dirigida por Jean-Marc Vallée (primeiro ano) e Andrea Arnold (segundo ano) é traçar uma análise sobre nosso comportamento em sociedade: como nos construímos para o outro, como enxergamos o outro, como eles realmente são e como essa falta de comunicação entre as percepções nos joga uns contra os outros gerando um estado de falta de empatia generalizado.</p>
<p>No caso das cinco mulheres de Monterey da série, esse ciclo é quebrado no instante em que todas se enxergam como realmente são (humanas, com seus defeitos e qualidades) e quando elas acabam compartilhando um segredo. A partir disso, propomos pensar como esse processo de construção e reconstrução de imagens (que se dá na trama da série, mas também na relação entre o espectador dela e suas personagens) se dá em cada uma das principais personagens femininas de <strong><em>Big Little Lies</em></strong>:</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10848" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/HBO_Big_Little_Lies_Promo_7-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/HBO_Big_Little_Lies_Promo_7.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/HBO_Big_Little_Lies_Promo_7-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/HBO_Big_Little_Lies_Promo_7-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
<strong>Madeline Martha Mackenzie (Reese Witherspoon)</strong></p>
<p><strong>O que aparenta ser: </strong>A caçadora de problemas.</p>
<p><strong>O que ela realmente é: </strong>Madeline acaba sendo a figura central da &#8220;tese&#8221; que a série traça. Como mãe, a personagem acaba querendo interferir demais na vida das filhas não apenas por querer centralizar a gestão da educação delas, mas por receio de que no futuro elas passem pela mesma crise de identidade que ela vem passando em função de nunca ter tido uma carreira e ter se dedicado exclusivamente às garotas, percebendo que um dia não será mais &#8220;necessária&#8221; já que filhos crescem. Na relação com as demais mulheres, Madeline é contraditória. Ao mesmo tempo em que demonstra ser uma amiga leal e ter profunda empatia pelo que Celeste e Jane viveram, mostra-se implacável com quem não é tão íntima assim, como Renata Klein, Mary Louise e Bonnie, simplificando sua percepção sobre elas a partir do perfil que as pessoas de Monterey traçam de maneira preconceituosa para essas personagens.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10847" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/cq5dam.web_.1200.675-1-750x500.jpeg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/cq5dam.web_.1200.675-1.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/cq5dam.web_.1200.675-1-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/cq5dam.web_.1200.675-1-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
<strong>Celeste Wright (Nicole Kidman)</strong></p>
<p><strong>O que aparenta ser: </strong>O modelo de mulher perfeita.</p>
<p><strong>O que ela realmente é: </strong>Em um episódio da primeira temporada da série, Madeline se surpreende quando Celeste lhe desabafa acidentalmente por telefone que está passando por problemas no seu casamento com Perry. Na segunda temporada, Mary Louise, a sogra da personagem, a descreve como um enigma. Por vergonha e introspecção, Celeste tem dificuldade para compartilhar seus problemas mais graves até mesmo com amigos como Madeline. Todos só souberam do relacionamento abusivo que ela vivia com Perry quando a situação chegou no limite do tolerável. Em Monterey, a personagem é colocada num pedestal e a imagem pública do seu casamento oscilava entre o modelo de comercial de margarina da &#8220;família feliz&#8221; e um tórrido romance à la Danielle Steel. A própria Celeste sempre surge alheia aos demais personagens em cena, como se nenhum daqueles problemas mundanos de Monterey pertencessem a sua realidade, quando na verdade ela está lidando com sérios problemas como estresse pós-traumático e depressão. Celeste ama seu agressor, cuja lembrança dentro da sua própria casa é mantida no invólucro ilusório do &#8220;marido e pai perfeito&#8221; pelos filhos e por sua sogra. Viver com sentimentos tão intensos e incompreendidos por terceiros pela complexidade e contradição lega à personagem algumas sequelas psicológicas bem complicadas.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10846" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/a38196e96904399639c22e869f0ba67b-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/a38196e96904399639c22e869f0ba67b.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/a38196e96904399639c22e869f0ba67b-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/a38196e96904399639c22e869f0ba67b-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
<strong>Jane Chapman (Shailene Woodley)</strong></p>
<p><strong>O que aparenta ser: </strong>A irresponsável mãe solteira.</p>
<p><strong>O que ela realmente é: </strong>Assim que seu filho Ziggy foi apontado como o culpado pelos episódios de agressão a Amabella, a filha de Renata Klein, Jane imediatamente foi apontada como a principal responsável pelo suposto comportamento do menino. Na cabeça de muitos, o fato de Ziggy crescer num lar sem pai e não saber a identidade do mesmo era uma espécie de consequência lógica para a formação de um adulto problemático. A própria Jane em dado momento passa a questionar se o fato do filho ser fruto de um estupro e carregar o DNA de um homem agressor não transformaria o garoto num adulto violento. Com o tempo, a gente vai percebendo que a criação simples de Ziggy, bem distante da vida de luxo que percebemos na realidade das demais personagens, lhe proporciona um lar cheio de amor. Sozinha e com o fantasma do estupro, Jane conseguiu criar um menino carinhoso, sensível, inteligente e emocionalmente maduro, se distanciando por completo de realidades aparentemente perfeitas como a de Celeste e Perry Wright, por exemplo, que legaram aos gêmeos Josh e Max uma referência masculina bastante problemática, e de Renata Klein, que com todo o conforto que dá a Amabella não consegue dar segurança física e emocional à filha.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10844" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/bll-renata-1-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/bll-renata-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/bll-renata-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/bll-renata-1-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
<strong>Renata Klein (Laura Dern)</strong></p>
<p><strong>O que aparenta ser: </strong>A <em>bitch </em>do mundo corporativo.</p>
<p><strong>O que ela realmente é: </strong>Desde a primeira temporada, Renata Klein luta contra o estigma da <em>bitch workaholic </em>que lhe seria natural em qualquer outro contexto e que inevitavelmente lhe é atribuído em Monterey. Com o mundo aos seus pés, não parece, mas Klein age como a garota desengonçada do colégio tentando a todo custo conquistar a atenção da menina mais popular e seu séquito, no caso, Madeline e sua melhor amiga Celeste Wright. A realidade paralela das mães de Monterey parece fazer Renata lidar com uma realidade de rejeição bem diferente daquela que ela vivencia na sua bem-sucedida carreira no mundo corporativo. Renata quer ostentar todo o luxo que conquistou com seu suor, mas também ser reconhecida publicamente como uma mãe-modelo. O problema é que a micro sociedade das mães de Monterey parece entender que uma função anula a outra.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10845" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/5cf6a4e8250000310adbeb51-750x500.jpeg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/5cf6a4e8250000310adbeb51.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/5cf6a4e8250000310adbeb51-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/5cf6a4e8250000310adbeb51-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
<strong>Bonnie Carlson (Zöe Kravitz)</strong></p>
<p><strong>O que aparenta ser</strong>: A mulher sem tabus e equilibrada.</p>
<p><strong>O que ela realmente é: </strong>Bonnie é capaz de impressionar Madeline pela capacidade com a qual administra seus problemas domésticos, lidando bem com a sua enteada e se mostrando um modelo de mãe com a &#8220;mente aberta&#8221;. A instrutora de yoga e adepta da meditação é tida como alguém desligada das picuinhas pequenas de Montereu. Por sua filosofia de vida, Bonnie também não tem muitos tabus pessoais. Na verdade, Bonnie é profundamente afetada pelos seus problemas &#8211; tanto que na segunda temporada percebemos os efeitos da morte de Perry em sua vida -, mas ela teve que aprender a utilizar recursos para sobreviver a uma realidade que gradualmente tem se revelado complicada pelo seu histórico familiar. A vida parece ter dado &#8220;boas porradas&#8221; em Bonnie e as cicatrizes a fizeram aprender a reconhecer os problemas quando eles de fato existem.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10850" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/meryl-h_2019-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/meryl-h_2019.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/meryl-h_2019-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/meryl-h_2019-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
<strong>Mary Louise Wright (Meryl Streep)</strong></p>
<p><strong>O que aparenta ser: </strong>A sogra manipuladora.</p>
<p><strong>O que ela realmente é: </strong>Mary Louise ocasionalmente coloca Celeste contra a parede pelo seu comportamento, criação dos filhos e relação que estabelecia com Perry. A dinâmica entre ela e a nora traz para a série a dificuldade que algumas mulheres têm de entender que em dado momento de suas trajetórias a vida dos seus filhos não está mais sob sua responsabilidade. Deve ser duro para Mary Louise aceitar que seu próprio filho seja capaz de agredir a companheira e estuprar uma jovem, equivaleria a assumir uma culpa que socialmente ela acabaria tendo que carregar (afinal, o problema sempre acaba caindo no colo das mães.  Ao mesmo tempo em que Mary Louise é uma &#8220;pedra no sapato&#8221; na vida da nora e é capaz de tecer considerações execráveis sobre o comportamento das mulheres da série, como Celeste e Jane, que na cabeça dela provocaram de alguma maneira Perry a reagir com agressividade, é uma mãe em estado de negação com a própria realidade. A série provoca o espectador a odiá-la e a própria Mary Louise parece fazer por onde, mas numa análise mais profunda percebemos que ela é fruto de questões culturais que moldam comportamentos que vão na contramão da sororidade.</p>
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		<title>Crítica: O Peso do Passado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Jan 2019 22:32:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Movie]]></category>
		<category><![CDATA[Nicole Kidman]]></category>
		<category><![CDATA[O Peso do Passado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fruto da reunião de roteiristas e da diretora de O Convite, Karyn Kusama (diretora) Phil Hay e Matt Manfredi (roteiristas), O Peso do Passado acaba tendo como ponto de sustentação a interpretação de Nicole Kidman, que, na pele da conturbada policial Erin Bell, consegue suprir qualquer eventual falta ou superficialidade do filme na construção de sua personagem e da trama investigativa que a envolve. A trama criminal fica na superfície, chegando a ficar evidente como restaria pouco do longa não [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fruto da reunião de roteiristas e da diretora de <em>O Convite</em>, Karyn Kusama (diretora) Phil Hay e Matt Manfredi (roteiristas), <em><strong>O Peso do Passado</strong></em> acaba tendo como ponto de sustentação a interpretação de Nicole Kidman, que, na pele da conturbada policial Erin Bell, consegue suprir qualquer eventual falta ou superficialidade do filme na construção de sua personagem e da trama investigativa que a envolve. A trama criminal fica na superfície, chegando a ficar evidente como restaria pouco do longa não fosse o empenho da sua protagonista, sempre disposta a oferecer camadas para a personagem quando os realizadores não conseguem fazer. O que interessa aqui é a maneira visceral como Kidman, como sempre, se apropria da personagem.</p>
<p><em><strong>O Peso do Passado</strong></em> tem início com uma investigação empreendida por Bell a respeito de um crime cujos principais suspeitos estão vinculados a um grupo no qual ela e seu parceiro Chris (Sebastian Stan) estiveram infiltrados por anos. Na medida em que tenta solucionar o caso, Erin também procura de maneira pouco articulada restabelecer os laços afetivos com sua filha adolescente, lidando ainda com todo o desgaste emocional que os anos dedicados à profissão lhe legaram.</p>
<p>O trabalho de Kusama serve basicamente para nos lembrarmos da versatilidade de Kidman como atriz e como ainda há fôlego em sua carreira para que ela possa nos surpreender. Da mesma maneira que transitou entre opostos como a ninfomaníaca californiana de Obsessão e o calor materno da matriarca dos Brierly em <em>Lion: Uma Jornada</em> para Casa, Kidman faz o insuspeito em <strong><em>O Peso do Passado</em></strong>, dando vida a um tipo de papel inédito em sua carreira. Empunhando uma arma, a atriz vive uma policial atormentada pela culpa dos caminhos tortuosos que tomou a fim de livrar-se das dificuldades que a vida já lhe submetera por tantos anos.</p>
<p>Há camadas no trabalho da atriz que se sobrepõem ao trabalho de maquiagem do longa, responsável por transformar Erin Bell num verdadeiro cadáver ambulante. Com andar cambaleante e olheiras que evidenciam uma jornada sem descanso, Bell é daquele tipo de pessoa cuja vida parece não ter dado trégua. O público entende todos esses aspectos da psicologia da personagem graças aos esforços de construção da personagem delineados por Kidman, que vai além da trama parcialmente tola que envolve o grupo de bandidos composto por atores como Tatiana Maslany e Toby Kebbell.</p>
<p>Caso encare <strong><em>O Peso do Passado</em></strong> como um filme policial, exigindo dele uma trama criminal complexa, pode ser que o público se depare com um trabalho ligeiramente decepcionante. No entanto, percebendo-o como um capítulo na carreira de Karyn Kusama no qual a diretora quis destacar o processo de construção de personagem da sua atriz, o longa abre outras perspectivas espectatoriais e nos faz testemunhar mais um grande desempenho de Nicole Kidman.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ek4vFg47_u0" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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