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	<title>Arquivos Natalie Portman - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Natalie Portman - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Segredos de Um Escândalo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jan 2024 19:25:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Segredos de Um Escândalo é um filme incômodo. Muito incômodo. Antes de decidir assistir, é preciso ter isso em mente. A temática é extremamente problemática envolvendo manipulação, abuso infantil, estupro, dissimulação. Tudo isso com pinceladas de encantamento por parte de uma das óticas, que se deixa envolver pela história como um todo. Dito isso, posso afirmar que é um filme excelente e que vale a atenção dos espectadores mais vorazes por temporada de premiação. Elizabeth Berry (Natalie Portman, Thor: Amor [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Segredos de Um Escândalo</strong> </em>é um filme incômodo. Muito incômodo. Antes de decidir assistir, é preciso ter isso em mente. A temática é extremamente problemática envolvendo manipulação, abuso infantil, estupro, dissimulação. Tudo isso com pinceladas de encantamento por parte de uma das óticas, que se deixa envolver pela história como um todo. Dito isso, posso afirmar que é um filme excelente e que vale a atenção dos espectadores mais vorazes por temporada de premiação.</p>
<p>Elizabeth Berry (Natalie Portman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-thor-amor-e-trovao/"><em>Thor: Amor e Trovão</em></a>) é uma atriz badalada do momento que vai interpretar uma mãe de família que virou notícia há alguns anos e decide conhecer os protagonistas da história para entender melhor os personagens. Gracie (Julianne Moore, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-depois-do-casamento/"><em>Depois do Casamento</em></a>) e seu marido Joe (Charles Melton, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-sol-tambem-e-uma-estrela/"><em>O Sol Também é uma Estrela</em></a>) foram alvo de manchetes de jornais há mais de 20 anos, quando se envolveram sexualmente e seguem casados com três filhos. A rotina familiar é completamente virada de cabeça para baixo com a chegada da artista famosa.</p>
<p>Essa é uma história real, o que torna tudo mais chocante. O filme não nos entrega o enredo por completo logo de início e vai oferecendo camadas da situação a medida que avançamos na trama. É perceptível como paira uma névoa de estranhamento em cima da família, mesmo que eles tentem se mostrar muito normais. Os detalhes é que vão nos entregando as problemáticas que precisam ser desafiadas ali.</p>
<p>Gracie é extremamente envolvente com todos ao seu redor. Os vizinhos a amam, sua família aparenta ser devota a ela. Mas logo percebemos o quanto ela é controladora e manipuladora. Sempre regrando os afazeres dos filhos, as atitudes do marido, ela faz com que o mundo gire ao seu redor e suas vontades sejam satisfeitas. Quando as coisas não saem como planejado, ela tem uma crise emocional, chora muito e se desequilibra.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17643" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-2-1.png" alt="Segredos de Um Escândalo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-2-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-2-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-2-1-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-2-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Joe é apático. 23 anos mais novo do que Gracie, ele não tem muita personalidade e segue as regras que ela dita. Ele vive em função dela, satisfazendo seus desejos. Num primeiro momento, achamos que ele é o novo marido troféu que tem que conviver com os filhos jovens adultos da protagonista. Afinal, ele não se conecta com os gêmeos e não é muito mais velho que eles.</p>
<p>O fato é que o escândalo que fez essa família famosa é justamente a relação doentia do casal. Gracie conheceu Joe quando ele tinha 13 anos e ela 36, num pet shop que trabalharam juntos. Ele era amiguinho de seu filho mais velho, Georgie (Cory Michael Smith, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-primeiro-homem/"><em>O Primeiro Homem</em></a>). Eles se envolveram romanticamente e foram descobertos pelo então marido de Gracie e pai de seus três filhos. Ela acabou sendo presa e descobrindo uma gravidez do rapaz. Quando saiu da cadeia, continuaram a relação, se casaram e tiveram, além da primeira filha, um casal de gêmeos.</p>
<p>Bom, esta é a visão dela. Mas enquanto falamos, percebemos que não tem como ser assim. Uma mulher de 36 anos não se relaciona amorosamente e nem sexualmente com um pré-adolescente de 13. Isso configura estupro de vulnerável (ao menos na legislação brasileira). E é justamente isso que paira no ar o tempo inteiro de <em><strong>Segredos de Um Escândalo</strong></em>. Um estupro que nunca é mencionado e é romantizado pelo casal.</p>
<p>Os desdobramentos da história vão trazendo ainda mais elementos de incômodo. Vemos o quanto que Joe é afetado por toda a sua história e depende emocionalmente de Gracie para tudo, ainda que não tenha consciência disso. Ela consegue transformar a situação em uma &#8220;linda história de amor&#8221; e é isso que vende para qualquer pessoa que pergunte sobre o caso. Elizabeth acaba vivenciando muitas emoções ao longo da trama, justamente por conta da capacidade absurda de manipulação da abusadora.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17642" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-3.png" alt="Segredos de Um Escândalo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-3.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-3-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-3-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-3-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda que a atriz perceba toda a problemática da situação, ela se envolve com Gracie. Uma mistura de repulsa e admiração intrigante. Ela quer dar o seu melhor naquele papel que irá interpretar e, por isso, tenta compreender a mente doentia da protagonista. O resultado é ela entrando cada vez mais no emaranhado daquela família disfuncional.</p>
<p>Não consigo pensar em uma dupla melhor do que Portman e Moore para interpretar essas duas mulheres sedutoras. Porque, sim, elas trabalham todo o tempo o poder da sedução, cada uma a sua forma. Elas são fortes, tem presença e travam diálogos incríveis. Uma mudança no olhar já nos diz muito do intuito de cada cena. Então é realmente um grande espetáculo de assistir.</p>
<p><em><strong>Segredos de Um Escândalo</strong></em> toma um cuidado essencial no desenvolvimento de seu roteiro e direção: não romantizar o fato em si. Ainda que não use em momento algum o termo estupro ou abuso infantil, essa é uma percepção que paira no ar e o enredo faz questão de manter esse incômodo constante. E é justamente esse incômodo que faz com que o espectador tenha consciência de que tudo aquilo que estamos vendo é um grande absurdo. Ainda que a protagonista consiga nos manipular de alguma forma, tal qual os demais personagens.</p>
<p>Este é um filme que desperta as mais variadas emoções e fica conosco muito tempo depois que a sessão acaba. É pesado e requer cautela, especialmente do público mais sensível à temática. Mas é redondo e sem qualquer tipo de excesso ou falta. É um roteiro incrível personificado em um elenco afiado e digno de premiação. É provável que a gente o veja no Oscar deste ano.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Haynes</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Natalie Portman, Julianne Moore, Charles Melton, Cory Michael Smith, Elizabeth Yu, Gabriel Chung, Piper Curda, D.W. Moffett</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HAeZC6cMfz4?si=Pa48CORFaOnkfzyy" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Thor: Amor e Trovão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2022 20:28:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Thor: Amor e Trovão chega aos cinemas como um episódio bem independente do universo Marvel, como estamos acostumados. Diferente de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, o cidadão desaviado pode chegar aqui e se entreter normalmente, ainda que a experiência seja muito melhor para quem tem todo o contexto da trama. Essa é uma característica que eu admiro em qualquer filme novo que tem surgido na Marvel, já que a cada dia que passa fica mais impossível alcançar o repertório [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Thor: Amor e Trovão</em></strong> chega aos cinemas como um episódio bem independente do universo Marvel, como estamos acostumados. Diferente de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura/"><em>Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</em></a>, o cidadão desaviado pode chegar aqui e se entreter normalmente, ainda que a experiência seja muito melhor para quem tem todo o contexto da trama. Essa é uma característica que eu admiro em qualquer filme novo que tem surgido na Marvel, já que a cada dia que passa fica mais impossível alcançar o repertório de mais de 20 filmes. Penso que ainda que um universo seja criado (e isso é algo muito bacana), os filmes precisam andar com as próprias pernas para se tornarem mais perpétuos no mundo cinematográfico.</p>
<p>Dito isso, <strong><em>Thor: Amor e Trovão</em></strong> traz o herói Thor depois dos eventos do último filme dos <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores</em></a>, acompanhado do grupo de Guardiões das Galáxias, explorando o universo e salvando quem ele consegue. Mal sabe ele que um vilão surge a partir de uma atitude egoísta de um deus que lhe nega a misericórdia divina. Esse antagonista é ninguém menos que Christian Bale (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ford-vs-ferrari/"><em>Ford vs Ferrari</em></a>), no papel do temido Gorr, o Carniceiro dos Deuses. Enquanto isso, sua antiga paixão Jane está lutando com um câncer avançado na Terra. Thor atende ao chamado de um deus em perigo e descobre toda a tramoia de Gorr. Com isso, recorre ao Rei Valquíria (Tessa Thompson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-identidade-netflix/"><em>Identidade</em></a>), que está no comando da Nova Asgard.</p>
<p>Como se é esperado da franquia de Thor, a comédia é a régua principal das cenas. Ainda que eu ache que passaram do ponto em alguns momentos, no geral o filme consegue equilibrar bem este formato, deixando espaço para os dramas e romances necessários. Romance esse que precisaria de um pouco mais de aprofundamento entre ele e Jane. Senti falta de mais olho no olho, mais intensidade entre o casal. Talvez um pouco menos de comédia resolvesse essa questão. Ainda assim, existe uma dosagem boa entre os gêneros.</p>
<p>Natalie Portman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vox-lux-o-preco-da-fama/"><em>Vox Lux &#8211; O Preço da Fama</em></a>) está muito bem reassumindo um protagonismo na pele de Jane. Forte e determinada, ela veste bem o lado de Poderosa Thor, deixando Thor surpreso com seu surgimento. Surgimento esse, aliás, que carecia um pouco mais tempo para explicação, já que a narrativa de que o martelo foi salvá-la cai por terra quando descobrimos que ele, na verdade, está sugando seu último centavo de vida. A sua química com Chris Hemsworth (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mib-homens-de-preto-internacional/"><em>MIB: Homens de Preto – Internacional</em></a>) segue sendo um bom acerto, ainda que a diferença absurda de altura tenha que ter sido minimizada por banquinhos em gravações.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15647" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/thor-amor-e-trovao-4-jane-poderosa-foto-reproducao.jpg" alt="Thor: Amor e Trovão" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/thor-amor-e-trovao-4-jane-poderosa-foto-reproducao.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/thor-amor-e-trovao-4-jane-poderosa-foto-reproducao-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/thor-amor-e-trovao-4-jane-poderosa-foto-reproducao-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/thor-amor-e-trovao-4-jane-poderosa-foto-reproducao-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>E do que seria de um filme sem um bom vilão? Aqui Bale entra perfeitamente como o vil Gorr. De fato, as cenas são assustadoras e ele conota todo o medo necessário para aquela circunstância. Sempre em meio às sombras, com características que remetem à escuridão, ele é o próprio pavor em pessoa. A sua transformação no vilão é incrível de se ver, com tamanha dedicação do ator em encarnar cada momento do personagem. É um dos pontos de equilíbrio que falei ali acima sobre humor e outras temáticas.</p>
<p>Esta parte do humor, por sinal, tem várias nuances. Ciúmes de martelos e até cabras berrantes (elas são maravilhosas), todos os detalhes trazem a leveza que já é pertinente ao Thor. Até mesmo o surgimento de novos personagens traz um pouco disso, como é o caso de Zeus de Russel Crowe (<em>Dois Caras Legais</em>). Ele está tão natural quanto poderia assumindo a arrogância e superioridade de Zeus. Esta parte, inclusive, rende cenas bem engraçadas com o físico de Thor pelado.</p>
<p>O roteirista e diretor Taika Waititi (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jojo-rabbit/"><em>Jojo Rabbit</em></a>) fez bom uso de seu tempo, elenco e artifícios, criando um longa melhor que <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-thor-ragnarok/"><em>Thor: Ragnarok</em></a>, que perdeu a mão em alguns aspectos. Temos humor, drama, romance, intensidade, tudo imerso em uma trilha sonora maravilhosa que já virou uma tradição na Marvel. É gostoso e leve de assistir, tornando-se um entretenimento despretensioso e acertado.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Taika Waititi</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Chris Hemsworth, Natalie Portman, Christian Bale, Tessa Thompson, Russell Crowe, Jaimie Alexander, Chris Pratt, Dave Bautista, Melissa McCarthy, Matt Damon, Sam Neill</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/CTG7omQnS2Q" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vingadores: Ultimato (SEM SPOILER)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Apr 2019 14:45:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A jornada do herói tem seu fim. Vingadores: Ultimato chega aos cinemas com o objetivo de impressionar os fãs do Universo Estendido da Marvel (MCU) a partir de uma narrativa cheia de surpresas e emoção. A grandiosidade do longa-metragem se apresenta desde a sua duração até as pomposas cenas de batalha. A produção tenta seguir a mesma linha de Guerra Infinita (2018) e trabalha a visualidade e a dinâmica dos acontecimentos de tal forma a prender o público desde seus [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A jornada do herói tem seu fim. <strong><em>Vingadores: Ultimato</em></strong> chega aos cinemas com o objetivo de impressionar os fãs do Universo Estendido da Marvel (MCU) a partir de uma narrativa cheia de surpresas e emoção. A grandiosidade do longa-metragem se apresenta desde a sua duração até as pomposas cenas de batalha. A produção tenta seguir a mesma linha de <em>Guerra Infinita</em> (2018) e trabalha a visualidade e a dinâmica dos acontecimentos de tal forma a prender o público desde seus primeiros minutos de tela.</p>
<p>A construção do MCU pode ser analisada através do conceito de Joseph Campbell de monomito – também conhecido como jornada do herói. O ciclo de Campbell é visto em cada uma das três fases do MCU – representando os três atos do caminho a ser trilhado pela figura heroica. A Fase Três da Marvel – iniciada em <em>Guerra Civil</em> (2016) – estabelece as mudanças significativas que desencadeariam os acontecimentos começados em <em>Infinity War</em> cuja conclusão só ocorre em <strong><em>Endgame</em></strong> (título original). O contraponto, a mudança e o confronto final são os focos desse último ato elaborado pela Marvel Studios. Todos os elementos criados até então foram pensados para que os Vingadores vivessem essa última tarefa.</p>
<p>Após Thanos (Josh Brolin) devastar metade da população do universo, os Vingadores encontram-se desmantelados. Os membros da equipe de super heróis que viveram ao estalo estão devastados com a perda da batalha. Mesmo com todo esse sentimento de culpa e dor e sem o Tony Stark (Robert Downey Jr.) – cujo está perdido no espaço com a Nebulosa (Karen Gillan) –, Capitão América (Chris Evans) e Viúva Negra (Scarlett Johansson) continuam a buscar pelo Titã louco para detê-lo e reverter o estrago feito pelas Joias do Infinito. Em meio a isso, a enigmática volta do Homem-Formiga (Paul Rudd) parece trazer uma nova solução para o problema e faz com que os Vingadores remanescentes se reúnam para uma tentativa final de consertar o erro.</p>
<p>No novo longa, o desenvolver do episódio final é dividido em dois momentos: a primeira parte é dinâmica, explicativa e chocante enquanto a segunda é lenta, emocional e cheia de reviravoltas. A narrativa se estabelece a partir da ideia de resolução das questões em aberto. Os primeiros 20 minutos de tela causam uma sensação de desnorteamento pela quantidade de incidentes ocorridos. Apesar do impacto positivo causado nessa espécie de prólogo, existem algumas saídas escolhidas para a história que são mal trabalhadas. O Homem-Formiga saindo do reino quântico e a salvação de Tony Stark e Nebulosa do espaço são exemplos de situações malfeitas. Os <em>plots twists</em>, contudo, conseguem superar esses defeitos da primeira parte do longa e podem acabar passando despercebidos para alguns.</p>
<p>Em seu segundo momento, a produção remonta a força de grandiosidade existente em <em>Guerra Infinita</em> e executa todas as soluções apresentadas pelas personagens. Com todos os percalços óbvios de uma jornada heroica, os Vingadores confrontam sua própria realidade. Existe uma preocupação do filme em amarrar e retomar todos os pontos subentendidos, mal resolvidos e esquecidos dos seus antecessores. A segunda parte do longa, portanto, se atenta com o esclarecimento dessas questões e com o tão esperado confronto final entre os heróis e seu maior inimigo.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10453" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="Vingadores: Ultimato" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely (<em>Guerra Civil</em> e <em>Guerra Infinita</em>) peca em alguns momentos. Diferente do capítulo anterior, nem todas as personagens são bem aproveitadas. Mais uma vez a Marvel insiste na mudança de estilo de Thor – a qual foi sucesso entre alguns fãs em <em>Ragnarok</em> (2017) –, da mesma forma o estúdio, novamente, subaproveitou a Capitã Marvel. Apesar da super heroína ter sido vendida como a solução para os problemas do outro filme, ela foi pessimamente explorada durante a produção. Além disso, existem dúvidas quanto a alguns acontecimentos pontuais dessa produção que ficam sem explicação. Independente dos 181 minutos de duração, a obra conseguiu deixar o público confuso com algumas de suas saídas mal explicadas.</p>
<p>O ritmo da narrativa, contudo, faz do filme uma experiência prazerosa. Apesar das falhas e questões mal trabalhadas no roteiro, o longa-metragem imprime uma qualidade que segue a linha das outras produções. O capítulo final não deixa de cumprir sua função para o universo e tampouco decepcionará os fãs – seja dos filmes ou quadrinhos. Os co-roteiristas souberam usar muito bem os momentos de embate e os <em>plots</em> para criar esse apego a trama. A emoção é constante e bem executada, as personagens que eles se propõem a trabalhar de verdade são bem desenvolvidas e o momento ápice da história carrega a essência dos últimos 11 anos de trabalhos da Marvel Studios.</p>
<p>Mais uma vez os irmãos Russo emplacam o que será, provavelmente, seu maior sucesso. <em><strong>Endgame</strong></em> abrange ideias e caminhos surpreendentes. A condução dessa narrativa é bem regida por Anthony e Joe e proporciona aos fãs um último vislumbre ao que eles conhecem. Os diretores souberam criar uma boa despedida. Existe um clima nostálgico e saudosista do início ao fim da película. A sensibilidade reina durante as três horas de filme – seja pelo teor das cenas, seja pela representatividade que a produção tem para o MCU – e ela conduz o espectador. O público é pego pelo coração pela forma como os irmãos elaboram as cenas, o desencadeamento das ações e a própria emoção.</p>
<p>Apesar das falhas com figuras como Capitã Marvel e Thor, <strong><em>Ultimato</em></strong> tem uma presença de personas maior que seu antecessor. Mesmo com esse desafio, os irmãos Russo e os co-roteiristas Markus e McFeely decidem por criar mininarrativas dentro do conflito maior. É como se dentro da jornada do herói existisse um embate particular que cada um deles precisa resolver. Gavião Arqueiro, Viúva Negra, Homem de Ferro e Capitão América são algumas das personagens destaque da narrativa cujo aproveitamento foi correto. Cada uma de suas ações e vivências durante o conflito final são extremamente representativas para o universo e para o futuro do MCU e das personagens.</p>
<p>Em meio a toda essa batalha dentro e fora das telonas, a produção acerta com outro trabalho que terá uma vida longa nos multiplex e arrecadará montanhas de dólares. É inevitável pontuar e impossível de não perceber os erros cometidos quando se pensa sob uma perspectiva do que seria uma criação cinematográfica completa. <strong><em>Vingadores: Ultimato</em></strong> finaliza a jornada do herói com alguns tropeços, mas, ainda assim, marcará o gênero. O longa é, entretanto, tecnicamente inferior a <em>Guerra Infinita</em> por comportar uma mesma grandiosidade de tempo, personagens e narrativas paralelas, porém o fazendo com alguma – mesmo que pequena – dificuldade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Joe Russo, Anthony Russo<br />
<strong>Elenco:</strong> Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Brie Larson, Paul Rudd, Don Cheadle, Karen Gillan, Josh Brolin, Gwyneth Paltrow, Jon Favreau, Chris Pratt, Elizabeth Olsen, Danai Gurira, Benedict Wong, Tessa Thompson, Anthony Mackie, Sebastian San, Chadwick Boseman, Dave Bautista, Evangeline Lilly, Tom Holland, Michelle Pfeiffer, Tilda Swinton, Letitia Wright, Linda Cardellini, Natalie Portman, Rene Russo, Zoe Saldana, Tom Hiddleston, Michael Douglas, Samuel L. Jackson, Stan Lee, Benedict Cumberbatch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/4QRdB4RAQMs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vox Lux &#8211; O Preço da Fama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Mar 2019 20:46:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Brady Corbet]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Celeste é uma estrela pop forjada por uma tragédia tipicamente americana. Depois que sobrevive a um atentado cometido por um adolescente armado na sua escola, a garota tem um vídeo com uma apresentação musical sua ao lado de sua irmã durante o funeral dos colegas viralizado. Imediatamente a adolescente é cooptada por empresários e jogada no mundo da fama com o seu primeiro álbum pop. Dali em diante, Celeste vira um grande ídolo americano e Vox Lux &#8211; O Preço [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Celeste é uma estrela pop forjada por uma tragédia tipicamente americana. Depois que sobrevive a um atentado cometido por um adolescente armado na sua escola, a garota tem um vídeo com uma apresentação musical sua ao lado de sua irmã durante o funeral dos colegas viralizado. Imediatamente a adolescente é cooptada por empresários e jogada no mundo da fama com o seu primeiro álbum pop. Dali em diante, Celeste vira um grande ídolo americano e <strong><em>Vox Lux &#8211; O Preço da Fama</em></strong> acompanha um período de quase vinte anos da sua trajetória.</p>
<p>Dirigido e roteirizado por Brady Corbet (<em>Acima das Nuvens</em>), que ganhou um prêmio no Festival de Veneza por sua estreia com <em>A Infância de um Líder</em>, <strong><em>Vox Lux</em> </strong>é tecido como um épico tipicamente americano ao centrar suas atenções na jornada de sua protagonista em meio a elementos comuns à história do país: violência, cultura das celebridades e neuroses privadas. Corbet confere grandiosidade ao vazio existencialista da vida de Celeste, utilizando sabiamente a locução de Willem Dafoe (<em>Projeto Flórida</em>)para conferir ainda mais pomposidade artificial à odisseia de sua heroína involuntária, nascida como uma fênix da tragédia para ser transformada em ídolo de uma geração.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10346" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/0872429.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="Vox Lux - O Preço da Fama" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/0872429.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/0872429.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/0872429.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Como uma breve história do país representada pela trajetória de sua protagonista, <strong><em>Vox Lux</em></strong> possibilita a Natalie Portman (<em>Cisne Negro</em>) mais uma performance excepcional. Com Celeste, Portman faz o retrato de uma estrela que procura camuflar a sua insegurança emocional com seu jeito verborrágico e, por vezes, agressivo, algo que jamais é controlado pelo <em>staff</em> composto pelo agente interpretado por Jude Law (<em>Closer &#8211; Perto Demais</em>), pela empresária vivida por Jennifer Ehle (<em>O Discurso do Rei</em>) e pela irmã mais velha interpretada por Stacy Martin (<em>Ninfomaníaca</em>).</p>
<p>Mais interessante que a estreia do seu diretor, mas não menos afetado, <em><strong>Vox Lux &#8211; O Preço da Fama</strong></em> é um grande palco para sua protagonista oferecer mais uma grande interpretação e procura tecer considerações pontuais sobre algumas décadas da história dos EUA. A potencialidade que os americanos têm de transformar a tragédia em espetáculo faz Corbet transformar em épica a mistura de crítica social com estudo de personagem, rendendo uma história peculiar sobre um tema recorrente na filmografia do país, a clássica narrativa sobre o nascimento de uma estrela, mas dessa vez em sua versão bem mais sombria.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Brady Corbet<br />
<strong>Elenco:</strong> Natalie Portman, Jude Law, Stacy Martin, Jennifer Ehle, Raffey Cassidy</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/njvCrtTXkxg" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Jackie</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Feb 2017 15:16:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Greta Gerwig]]></category>
		<category><![CDATA[Jackie]]></category>
		<category><![CDATA[Jacqueline Kennedy]]></category>
		<category><![CDATA[Natalie Portman]]></category>
		<category><![CDATA[Pablo Larrain]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jackie é o que Grace de Monaco poderia ter sido não fosse a falta de traquejo do diretor Olivier Dahan ao tratar da vida de Grace Kelly, um olhar preciso, psicológico e sensorial sobre o que significa tornar-se uma “pessoa pública”, estar sob a constante vigília dos olhares de um país ou do mundo, transformar sua própria vida numa grande encenação, até mesmo num momento de aguda tragédia. Em Jackie, Jacqueline Kennedy volta e meia está ensaiando seus movimentos para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Jackie </em>é o que <em>Grace de Monaco</em> poderia ter sido não fosse a falta de traquejo do diretor Olivier Dahan ao tratar da vida de Grace Kelly, um olhar preciso, psicológico e sensorial sobre o que significa tornar-se uma “pessoa pública”, estar sob a constante vigília dos olhares de um país ou do mundo, transformar sua própria vida numa grande encenação, até mesmo num momento de aguda tragédia. Em <em>Jackie</em>, Jacqueline Kennedy volta e meia está ensaiando seus movimentos para a nação, seu semblante, fala, expressões corporais. Todo o sonho de Camelot (alusão a uma canção preferida de Kennedy que nos remete à história do Rei Arthur), a Casa Branca como o retrato dos sonhos, da beleza, dos modelos é uma construção assumida desde o princípio e perder tudo isso subitamente faz a protagonista entrar em colapso. Agora ela terá que conduzir a sua própria dor em público.</p>
<p>Assim, Pablo Larraín traça um percurso psicológico, hermético em alguns momentos, é verdade, mas que encontra na sua caótica narrativa um diálogo com o estado desorquestrado dos sentimentos da ex-primeira dama dos EUA logo após presenciar a violenta morte do marido John F. Kennedy após ter seu crânio atingido por uma bala durante um desfile ao céu aberto em Dallas, no Texas. Jackie presenciou não apenas a morte do esposo, mas um ato de extrema violência, um contraste com tudo aquilo para o qual foi conduzida até então. No lugar da linearidade e daquilo que é dito, Larraín opta pelos silêncios, pelas idas e vindas no tempo, momentos entrecortados, desordem total e pelos registros isolados do luto de Jackie Kennedy, alinhando o seu filme ao estado emocional e à jornada interna da sua própria protagonista. Não esperem narratividade ou pelo menos uma montagem tradicional. O longa, como antecipado, tem o <em data-blogger-escaped-style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: 12pt;">modus operandi </em>de um pensamento e de um estado emocional desestabilizado.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7324" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/02/jackie-style09rv3.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Ao interpretar Jacqueline Kennedy como uma mulher enredada em uma época pelo dever de viver um papel por toda a sua vida, modelo de mulher, esposa e mãe para toda uma nação, Natalie Portman entrega uma das melhores interpretações da sua carreira, sobretudo quando a personagem tem que viver em público uma das suas mais difíceis caracterizações, a de viúva e testemunha de uma violência, assimilando a morte do esposo enquanto segue um protocolo e presta deveres a população ao mesmo tempo em que vê os colegas do presidente falecido apressarem o quanto podem a sucessão na Casa Branca. A atriz é acompanhada por outros atores que também têm ótimos momentos como Greta Gerwig, que vive Nancy, a assistente de Jackie, Billy Crudup como o jornalista que registra o depoimento da protagonista, e Peter Sarsgaard, intérprete do cunhado Bobby Kennedy, mas o palco é todo de Portman.</p>
<p><em>Jackie </em>é um filme difícil de ser assistido pela estrutura que, sabiamente, evita didatismos (portanto, quanto mais puderem saber sobre a história dos Kennedy, melhor), mas que é recompensador em muitas vias. Recompensador pela impecável interpretação de Natalie Portman, recuperando os trejeitos e a voz de Jackie (ainda que não seja fisicamente parecida com ela, acabou se tornando) e conduzindo exemplarmente suas complexas e nuançadas emoções, e também pelos esforços de Larraín que foge por completo daquilo que se espera do relato de uma grande personalidade no cinema, ou seja, uma biografia quadradona. A perspectiva do diretor consegue dimensionar emocionalmente sua personagem principal de maneira mais fiel do que muita biografia que ainda insiste em seguir uma burocrática cartilha de roteiro.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/vYAfwkwNpwI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Cavaleiro de Copas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Sep 2016 14:46:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Banderas]]></category>
		<category><![CDATA[Cate Blanchett]]></category>
		<category><![CDATA[Cavaleiro de Copas]]></category>
		<category><![CDATA[Christian Bale]]></category>
		<category><![CDATA[Natalie Portman]]></category>
		<category><![CDATA[Terrence Malick]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Manter recorrências temáticas e abordagens técnicas, estéticas e narrativas em uma filmografia sempre foi encarado no cinema como indício de integridade artística, sobretudo quando nos voltamos para analisar a carreira de um diretor. Ao longo de toda a sua caminhada, o, até então, recluso realizador norte-americano Terrence Malick fora conhecido por inserir em seus filmes preocupações de cunho existencialista, talvez uma herança da sua própria formação como professor de Filosofia, colocando o homem em sua relação de conflito com a natureza e com sua própria função [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Manter recorrências temáticas e abordagens técnicas, estéticas e narrativas em uma filmografia sempre foi encarado no cinema como indício de integridade artística, sobretudo quando nos voltamos para analisar a carreira de um diretor. Ao longo de toda a sua caminhada, o, até então, recluso realizador norte-americano Terrence Malick fora conhecido por inserir em seus filmes preocupações de cunho existencialista, talvez uma herança da sua própria formação como professor de Filosofia, colocando o homem em sua relação de conflito com a natureza e com sua própria função na Terra. Malick gosta do universo interno das suas personagens, mas também os explora na perspectiva do que lhe é externo, suas indagações em meio aos espaços que os mesmos habitam. O diretor não é grande fã das narrativas, prefere realizar um espécie ensaio pictórico com <i>insights </i>esparsos que dão pistas sobre quem os seus protagonistas são, suas trajetórias, suas relações e suas principais indagações ao universo e a alguma entidade religiosa.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Estas marcas de autoria do diretor chegou ao seu ápice em <i>A Árvore da Vida</i>, de 2011, a obra que inegavelmente sintetiza o cinema de Malick. Não tem como ser mais definitivo sobre esta preocupação com a passagem do homem na Terra do que o filme protagonizado por Brad Pitt e Jessica Chastain. Assim já era hora de Malick testar ou se preocupar com outras questões ou mesmo reverberações das suas obsessões primárias. Contudo, de lá para cá, tudo que o diretor tem feito soa como um arremedo de <i>A Árvore da Vida</i>. Desse mal sofreu <i>Amor Pleno</i>, com Ben Affleck, e desse mal sofre <i>Cavaleiro de Copas</i>, protagonizado por Christian Bale, que chega ao conhecimento dos brasileiros graças a uma recente atualização no catálogo da Netflix. É como se, nesses filmes, o Malick tentasse emular o próprio Malick, gerando um filme que anda em círculos com obsessões do diretor que já vimos ser melhor exploradas em seus títulos anteriores.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6701" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/09/knight2.jpg" alt="&quot;Knight of Cups&quot;" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>Cavaleiro de Copas</i> gira em torno da história de um roteirista de Hollywood (Bale) em meio aos questionamentos sobre os rumos da sua própria vida. Os apontamentos de Malick são banais e rasos: a percepção de que Hollywood é um ambiente de superficialidade, que os figurões da indústria estão mergulhados no vazio das suas vidas e que sujeitos com propósitos íntegros como o protagonista podem ser corrompidos uma vez que mergulham nesse sistema. Não há nada além disso, não há jornadas redentoras ou rumos trágicos para o personagem, tudo é angústia sem fim. Como é de praxe, o realizador desperdiça atores que qualquer diretor gostaria de ter em seu <i>cast</i> como Natalie Portman, Cate Blanchett e Antonio Banderas, todos com cerca de 10 minutos em cena, se não estou sendo generoso na contagem.</p>
<p>O que Malick faz mesmo em <i>Cavaleiro de Copas</i> é acompanhar Christian Bale em suas aventuras amorosas, reflexo da sua busca incessante pelo amor pleno, calado e moribundo contemplando paisagens e clamando por respostas do &#8220;pai&#8221; ou da &#8220;mãe natureza&#8221;.  Talvez esteja na hora dos próprios produtores situarem Terrence Malick de que nem sempre um diretor renomado pode usar como escudo suas repetições sob a alegação de ser <i>avant garde</i>, sobretudo quando o que se extrai dessas reiterações de linguagem não acrescentam em nada ao catálogo do realizador e, consequentemente, ao seu público cativo. Não dá mais para engolir. Muda o disco, Malick!</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/lQcBp-l5ejk" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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