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	<title>Arquivos Liev Schreiber - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Liev Schreiber - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Asteroid City</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2023 21:06:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Asteroid City é o mais novo longa do cineasta Wes Anderson (Ilha dos Cachorros), que cada dia conquista mais fãs com seu estilo bem característico de roteiro e direção. Neste longa, que se passa nos anos 1950, acompanhamos a cidade fictícia de Asteroid City, que recebe pais e alunos para uma convenção, que acaba dando muito errado, levando todos à uma quarentena forçada. Mesclando cenas bem coloridas em tons pastéis agradáveis com o preto e branco da narração, o longo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Asteroid City</em> </strong>é o mais novo longa do cineasta Wes Anderson (<em>Ilha dos Cachorros</em>), que cada dia conquista mais fãs com seu estilo bem característico de roteiro e direção. Neste longa, que se passa nos anos 1950, acompanhamos a cidade fictícia de Asteroid City, que recebe pais e alunos para uma convenção, que acaba dando muito errado, levando todos à uma quarentena forçada.</p>
<p>Mesclando cenas bem coloridas em tons pastéis agradáveis com o preto e branco da narração, o longo se desenrola como uma peça teatral que é explicada pelo personagem de Bryan Cranston (<em>Breaking Bad</em>). É um modo de construção de enredo bem específico, que pode deixar alguns espectadores incomodados. É cult demais e de nicho (não que ele não possa agradar o grande público). Dito isso, é preciso apreciar o estilo de Wes para seguir na lógico distópica que mistura os dois mundos &#8211; fictício e &#8220;real&#8221;.</p>
<p>Augie (Jason Schwartzman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-atraves-do-aranhaverso/"><em>Homem-Aranha: Através do Aranhaverso</em></a>) é um homem que vive o luto da perda recente da esposa. Ele não havia contado o evento para os quatro filhos e resolve fazer isso quando está à caminho da casa do avô das crianças e seu carro quebra. Justamente em Asteroid City. Logo na sequência, vários grupos vão chegando por conta da convenção, que é um grande mistério para todos.</p>
<p>O longa é agradável e confortável de assistir. Requer atenção do espectador, mas não exige uma dedicação intensa por parte dele. Flui com muita tranquilidade, nos mantendo atentos e interessados a todo momento. E isso se deve tanto ao estilo de gravação e fotografia, quanto à história em si, que é bem interessante.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16986" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319.jpg" alt="Asteroid City" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Logo somos apresentados ao personagem de Scarlett Johansson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-viuva-negra/"><em>Viúva Negra</em></a>), uma jovem artista que vive pelo holofote e tem um lado dramático bem acentuado. Com trejeitos de Marylin Monroe, ela começa a flertar com o protagonista, o deixando curioso e incomodado ao mesmo tempo. A atriz conta ainda com a companhia de sua filha, que claramente é fruto de uma gravidez na adolescência e se envolve com o filho mais velho de Augie.</p>
<p>A capacidade que Anderson tem de reunir grandes nomes de Hollywood e ainda gerir todos de maneira equilibrada é impressionante. Temos artistas de peso como Tom Hanks (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>), Tilda Swinton (<em>Joias Brutas</em>), Steve Carrell (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-querido-menino/"><em>Querido Menino</em></a>), que fazem suas participações (pequenas ou grandes) sem que ninguém tente roubar o holofote. Afinal, o foco ali é a história mais que curiosa daquela cidade. Temos até uma breve aparição do cantor brasileiro Seu Jorge, que surge para dar a &#8220;carteirada&#8221; da sua voz espetacular e marcante.</p>
<p>É curioso como o diretor e roteirista consegue trabalhar temáticas complicadas dentro de uma escala de &#8220;fofura&#8221;. O luto pela perda da esposa e mãe é pautado em vários momentos e representa apenas um dos diversos dilemas existenciais que são apresentados ao espectador. É uma melancolia constante, especialmente quando percebemos que temos um sorriso no rosto e um lamentar constante. E isso se vale pois ele intercala com coisas mais leves, como o amor na adolescência, a pureza infantil e as trapalhadas do governo.</p>
<p><em><strong>Asteroid City</strong></em> é mais um acerto de Wes Anderson, ainda que não seja sua obra suprema. Tem algumas questões em termos de ritmo, especialmente por conta deste vai e vem que representa a narrativa contada de uma peça teatral. Ainda que eu particularmente goste do modelo, é algo que pode trazer inquietação aos espectadores, mesmo os mais fãs. Ainda assim, é uma grata experiência cinematográfica, que merece a sua atenção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Wes Anderson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jason Schwartzman, Scarlett Johansson, Tom Hanks, Jeffrey Wright, Tilda Swinton, Bryan Cranston, Edward Norton, Adrien Brody, Liev Schreiber, Hope Davis, Rupert Friend, Stephen Park, Matt Dillon, Willem Dafoe, Margot Robbie, Steve Carell, Jeff Goldblum, Seu Jorge</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/wDuQokhnLM4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: King Richard &#8211; Criando Campeãs</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Dec 2021 00:16:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com a proximidade da temporada de premiações, as apostas começam a afunilar. E a pergunta que fica é sobre quais serão os queridinhos do ano. Seguindo os padrões de indicações, em alguma das categorias de destaque &#8211; seja do Oscar, BAFTA ou SAG Awards &#8211; vai ter pelo menos uma cinebiografia que chamou mais atenção da crítica e público. Em 2021, Casa Gucci, apesar de controverso, desponta como um possível concorrente e King Richard: Criando Campeãs chega aos cinemas brasileiros, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com a proximidade da temporada de premiações, as apostas começam a afunilar. E a pergunta que fica é sobre quais serão os queridinhos do ano. Seguindo os padrões de indicações, em alguma das categorias de destaque &#8211; seja do Oscar, BAFTA ou SAG Awards &#8211; vai ter pelo menos uma cinebiografia que chamou mais atenção da crítica e público. Em 2021, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casa-gucci/"><i>Casa Gucci</i></a>, apesar de controverso, desponta como um possível concorrente e <b><i>King Richard: Criando Campeãs</i></b> chega aos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira (2), como uma promessa ainda mais certeira.</p>
<p>A cinebiografia conta a trajetória de Richard Williams (Will Smith) treinando suas filhas, Serena (Demi Singleton) e Venus Williams (Saniyya Sidney), para se tornarem as estrelas do tênis que se conhece na atualidade. Richard, ao lado de sua esposa, Oracene (Aunjanue L. Ellis), investem as horas vagas e a dinâmica familiar para treinar suas filhas, na esperança de torná-las expoentes no esporte. Com uma determinação incansável, Richard fará de tudo para que as duas garotas saiam de Compton para se tornarem referências no mundo.</p>
<p>O principal acerto de <i>King Richard</i> (título original) é o equilíbrio entre os passos da jornada das personagens com a mensagem que se quer ser passada. As passagens de tempo são escolhidas e construídas para mostrar, cena a cena, o objetivo da narrativa. No filme, dedicação, sonhos e objetivos são as palavras de ordem. O espectador pôde conhecer mais de perto as conhecidas controvérsias sobre Richard Williams que foram tão comentadas nos anos 1990. E esse olhar de dentro é esclarecedor.</p>
<p>O pai de Venus e Serena Williams tenta quebrar ciclos através delas. Seja com as futuras estrelas do tênis ou com suas outras três filhas, a rigidez e as atitudes impensadas de Richard são mostradas como fruto de traumas do passado. A narrativa escrita por Zach Baylin, que foi anunciado como o roteirista de <i>Creed III</i>, é um relato sobre superação, coragem e resiliência.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14827" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/rev-1-KGR-05637r_High_Res_JPEG.jpeg" alt="King Richard - Criando Campeãs" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/rev-1-KGR-05637r_High_Res_JPEG.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/rev-1-KGR-05637r_High_Res_JPEG-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/rev-1-KGR-05637r_High_Res_JPEG-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/rev-1-KGR-05637r_High_Res_JPEG-720x480.jpeg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Acima da pressão da competição e da idade, Venus e Serena precisaram enfrentar os obstáculos sociais. Nos Estados Unidos, durante os anos 1990, duas crianças negras competindo num esporte que, até o momento, era apenas para pessoas brancas, é por si só uma jornada de superação. A presença do racismo estrutural, somado a segregação social são questões delicadamente tratadas ao longo do filme, com uma sensibilidade absurda.</p>
<p>O longa, dirigido por Reinaldo Marcus Green (<i>Monsters and Men</i>, de 2018, e <i>Joe Bell</i>, de 2021), traz atuações poderosas que encantam o público. Assim como na história dos Williams, a força motriz do projeto é o elenco que interpreta a família. Encabeçado pelo desempenho formidável de Will Smith (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aladdin/"><i>Aladdin</i></a>, de 2019, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bad-boys-para-sempre/"><i>Bad Boys para Sempre</i></a>, de 2020),  a condução do longa é feita a partir das dinâmicas cênicas entre os atores.</p>
<p>Smith, consegue entregar uma performance emocionante, mas isso é potencializado por suas colegas de cena. Aunjanue L. Ellis (<i>Olhos que Condenam</i>, de 2019, e <i>Lovecraft Country</i>, de 2020), assim como sua personagem, prepara o terreno para que o ator brilhe ainda mais. Aunjanue, com sua generosidade e potente atuação, é uma aposta promissora para a temporada de prêmios.</p>
<p>E o elenco infantil não fica atrás. As filhas do casal Williams também demonstram sua capacidade como atrizes durante o filme, em especial Saniyya Sidney e Demi Singleton que fazem as duas futuras tenistas. Assim como os Williams, Jon Bernthal (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-em-ritmo-de-fuga/"><i>Em Ritmo de Fuga</i></a>, de 2017, e <i>O Falcão Manteiga de Amendoim</i>, de 2019), como Rick Macci, é um outro ponto positivo ao longo da produção. É essa fluidez e qualidade do elenco que consegue fazer de <strong><i>King Richard: Criando Campeãs</i></strong> uma obra de destaque que pode conseguir alguns prêmios em breve.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Reinaldo Marcus Green</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Will Smith, Saniyya Sidney, Jon Bernthal, Aunjanue Ellis, Liev Schreiber, Tony Goldwyn, Dylan McDermott, Susie Abromeit</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/9MRLMEMhNb0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Spotlight &#8211; Segredos Revelados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jan 2016 01:12:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2001, um grupo de jornalistas especializados em jornalismo investigativo do Boston Globe recebe do novo editor executivo do jornal a incumbência de desvendar alguns casos de pedofilia envolvendo padres da capital do estado de Massachusetts. A reportagem que inicialmente teria como protagonistas sete sacerdotes, chega a um número assustador de 90 padres acusados de molestar meninos e meninas de diferentes idades em casos que foram silenciados pela igreja, por advogados, pelo sistema judiciário e até mesmo por jornalistas. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Em 2001, um grupo de jornalistas especializados em jornalismo investigativo do Boston Globe recebe do novo editor executivo do jornal a incumbência de desvendar alguns casos de pedofilia envolvendo padres da capital do estado de Massachusetts. A reportagem que inicialmente teria como protagonistas sete sacerdotes, chega a um número assustador de 90 padres acusados de molestar meninos e meninas de diferentes idades em casos que foram silenciados pela igreja, por advogados, pelo sistema judiciário e até mesmo por jornalistas. A reportagem do grupo, cuja seção no jornal fora batizada de Spotlight, ganhou repercussão mundial, resultou em uma atenção maior ainda para os casos de pedofilia envolvendo a igreja católica e acabou ganhando o prêmio Pulitzer de jornalismo.</p>
</div>
<div>
<p>Conduzido com uma sobriedade admirável por Tom McCarthy, realizador cujos trabalhos mais marcantes até então vieram do circuito independente norte-americano, entre eles, <i>O Agente da Estação </i>e <i>O Visitante</i>, <i>Spotlight &#8211; Segredos Revelados </i>revive os passos da investigação empreendida pelos jornalistas do Boston Globe e<i> </i>é um filme cujo principal mérito é abordar um tema revoltante como a prática da pedofilia na igreja católica evitando qualquer tipo de sensacionalismo. Mesmo que adote uma abordagem quase que cerebral sobre o assunto, é preciso salientar que McCarthy não faz um filme frio, há um envolvimento emocional do diretor, do roteiro e dos personagens  na medida em que determinados fatos sobre os casos vêm à tona. Assim, há o jornalismo, mas o &#8220;sangue&#8221; está presente nas &#8220;veias&#8221; do longa-metragem.</p>
</div>
<figure id="attachment_4244" aria-describedby="caption-attachment-4244" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4244 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/111111111111111-620x349.jpg" alt="111111111111111" width="620" height="349" /><figcaption id="caption-attachment-4244" class="wp-caption-text">Tensão: Filme mantém o espectador preso no desenrolar da descoberta dos fatos</figcaption></figure>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Grande parte desse interessante equilíbrio encontrado por Tom McCarthy em <i>Spotlight</i> deve-se ao fato do realizador ter compreendido que a perspectiva lançada por sua obra era a da investigação jornalística e de que o olhar lançado para o caso era do grupo de profissionais do Boston Globe. Ao adotar esse ponto de vista, McCarthy ainda consegue fazer do seu filme, essencialmente verborrágico, uma trama investigativa enervante com ganchos que mantém o espectador atento e envolvido na dinâmica de trabalho do grupo de jornalistas do filme sem recorrer a elucubrações visuais. Tudo em <i>Spotlight </i>parece monocórdico e ter o seu próprio tempo, o que, curiosamente, em momento algum prejudica o ritmo do filme, pelo contrário, põe em evidência o trabalho investigativo que o longa quer destacar e mantém o espectador envolvido por horas nas descobertas feitas pelos personagens.</p>
</div>
<div>
<p>É como se o filme de McCarthy se transmutasse na própria reportagem cuja realização dramatiza. São raras no filme as sequências que não passam pelo crivo do olhar ou pela ação do seu grupo de jornalistas. Vivenciamos os horrores dos casos de pedofilia contados somente pela narrativa da investigação jornalística e todos os seus bastidores. Esta opção do realizador é o que sustenta o seu filme e evidencia as suas próprias pretensões: não apenas indignar o público com os crimes da igreja, mas destacar a função social  do jornalismo em casos como esse. Nesse sentido é que <i>Spotlight </i>consegue ser um filme sóbrio, porém evitando qualquer tipo de indiferença àquilo que está revelando a sua plateia.</p>
</div>
<figure id="attachment_4245" aria-describedby="caption-attachment-4245" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4245 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/2015-09-04-1441380921-1272728-Spotlight_film_2015-620x334.jpg" alt="2015-09-04-1441380921-1272728-Spotlight_film_2015" width="620" height="334" /><figcaption id="caption-attachment-4245" class="wp-caption-text">Harmonia: Interpretações do elenco são marcadas pelo equilíbrio, não existindo ator que destoe do outro em cena</figcaption></figure>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com a mesma sobriedade que Tom McCarthy conduz a sua história, ele dirige o seu elenco. Nesse sentido, seria injusto destacar esse ou aquele desempenho no seu filme porque todos os atores estão igualmente excelentes. Tal qual o trabalho da equipe do Spotlight do jornal Boston Globe, Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Stanley Tucci, só para citar alguns dos atores centrais do longa, trabalham harmonicamente como uma equipe, sem sobressalências ou interpretações em tons mais elevados, o que é coerente com o próprio propósito filme.</p>
</div>
<div>
<p>Além de expor toda uma estrutura de poder que acobertou e continua acobertando os casos de pedofilia da igreja católica, <i>Spotlight &#8211; Segredos Revelados </i>acaba mostrando-se ao público como uma narrativa que reforça a importância do jornalismo (não quele de fachada que parte das redações espalhadas por ai exercem) para a sociedade. Parece um pouco &#8220;lugar comum&#8221; dizer isso, mas em tempos de &#8220;copia e cola&#8221; e da busca insana pelo furo de reportagem, resultando em práticas irresponsáveis e marcadas pelo anti-profissionalismo e por apurações cada vez mais pobres, nunca é demais abrir um parênteses para esse potencial da obra. Além disso, o filme de Tom McCarthy, em seu próprio propósito de ser uma espécie de &#8220;bastidor de uma grande reportagem&#8221; confirma que para oferecer uma trama tensa, envolvente e emocionalmente engajada não é necessário recorrer a diálogos, trilhas ou cenas excessivamente expositivas e manipulatórias, a descoberta dos fatos é por si só um instrumento de envolvimento e fidelização do público à obra do início ao fim.</p>
</div>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-spotlight-segredos-revelados/">Crítica: Spotlight &#8211; Segredos Revelados</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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