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	<title>Arquivos Karim Aïnouz - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Karim Aïnouz - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Nardjes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Sep 2023 16:46:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Nardjes, Karim Aïnouz explicita o momento presente da Argélia pelos olhos da jovem ativista Nardjes A. enquanto ela participa de uma massiva manifestação contra o governo atual do país. A situação retratada pelo cineasta e narrada por sua protagonista é de grande decepção pelas promessas descumpridas pós-independência por figuras que replicaram as lógicas opressoras dos colonizadores franceses do país. Com isso, Aïnouz e sua protagonista Nardjes dimensionam em imagens e palavras, respectivamente, os ciclos da história do país e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <strong><em>Nardjes</em></strong>, Karim Aïnouz explicita o momento presente da Argélia pelos olhos da jovem ativista Nardjes A. enquanto ela participa de uma massiva manifestação contra o governo atual do país. A situação retratada pelo cineasta e narrada por sua protagonista é de grande decepção pelas promessas descumpridas pós-independência por figuras que replicaram as lógicas opressoras dos colonizadores franceses do país. Com isso, Aïnouz e sua protagonista Nardjes dimensionam em imagens e palavras, respectivamente, os ciclos da história do país e lançam expectativas sobre o futuro, sejam elas incertas ou esperançosas.</p>
<p>Em uma primeira vista, <strong><em>Nardjes</em> </strong>aparenta ser um registro &#8220;passivo&#8221; do cineasta sobre a experiência dessa ativista na manifestação da qual é participante ativa. Em um primeiro momento, a câmera de Aïnouz observa mais do que intervém de alguma forma nos eventos, ainda que esteticamente o filme procure simbologias que engrandecem plasticamente a experiência cinematográfica, como a gradual aquisição das cores da bandeira da Argélia que &#8220;pintam&#8221; um registro aéreo da multidão na manifestação logo no início do documentário.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17257" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3198628.jpg" alt="Nardjes" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3198628.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3198628-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3198628-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3198628-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Aïnouz encontra as grandes temáticas da sua obra na conclusão de <strong><em>Nardjes</em> </strong>quando através da narração da própria protagonista reflete sobre as diferentes experiências de gerações argelinas com governos opressores &#8211; no caso, os pais e avós de Nardjes com os colonizadores e a protagonista com os atuais governantes da Argélia. No fim das contas, o documentário acaba contando a experiência de uma juventude em um contexto social que convoca incessantemente o espírito de luta na sua população e como tudo isso rouba anos da vida das pessoas. Ao mesmo tempo em que temos contato com o esgotamento psicológico daqueles personagens, o ativismo surge como postura inevitável para qualquer cidadão minimamente consciente de sua realidade, dimensionando como é difícil viver em países marcados por um histórico de violência a democracia.</p>
<p>Infelizmente, quando <strong><em>Nardjes</em> </strong>ganha o seu grande mote, o filme está perto do seu desfecho. A sensação é que Aïnouz fez o filme no modo &#8220;vou fazer os meus registros e ao longo dessa jornada descobrirei sobre o que esse filme é&#8221;. Nesse sentido, o filme adota a linha narrativa do seu próprio processo de realização. É uma proposta válida e há recompensas ao longo da projeção, sobretudo no desfecho, mas tem uma certa dificuldade para &#8220;mostrar a que veio&#8221;.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Karim Aïnouz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/anT6qnNT-IQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Marinheiro das Montanhas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Sep 2023 20:36:44 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Karim Aïnouz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em O Marinheiro das Montanhas, o cineasta Karim Aïnouz (Madame Satã, Praia do Futuro) visita a Argélia, país de seu pai, como uma forma de entender o impacto da ausência dele na sua criação e descobrir-se através de um resgate das suas origens. O longa é inteiramente marcado pelos registros que Aïnouz fez dessa viagem, por materiais de arquivo (fotos do seu próprio álbum familiar) e por uma tocante narração em primeira pessoa na qual o diretor elabora seus sentimentos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <strong><em>O Marinheiro das Montanhas</em></strong>, o cineasta Karim Aïnouz (Madame Satã, Praia do Futuro) visita a Argélia, país de seu pai, como uma forma de entender o impacto da ausência dele na sua criação e descobrir-se através de um resgate das suas origens. O longa é inteiramente marcado pelos registros que Aïnouz fez dessa viagem, por materiais de arquivo (fotos do seu próprio álbum familiar) e por uma tocante narração em primeira pessoa na qual o diretor elabora seus sentimentos para sua falecida mãe como na redação de uma carta.</p>
<p>Relatos em primeira pessoa como o que Aïnouz faz em <strong><em>O Marinheiro das Montanhas</em></strong> costumam ser interessantes apenas para os seus autores, externalizando uma postura que oscila entre a abordagem egocêntrica ou a excessivamente intimista. No entanto, aqui, Aïnouz faz tudo de maneira tão poética, não apenas no texto narrado, mas no exercício de montagem que o seu filme promove, que <em>O Marinheiro das Montanhas</em> causa um efeito distinto no espectador, sobretudo porque o cineasta contextualiza suas origens em um cenário geopolítico, a colonização africana e a ditadura militar no Brasil, que fizeram seus pais se conhecerem em uma universidade dos EUA e se afastarem quando o diretor nasceu. Nesse sentido, o cineasta se constrói, como tantas outras pessoas do seu tempo, como alguém de origem imprecisa, híbrida, amplificando suas inquietações, sua natural sensação de deslocamento ao longo da vida, em busca de algum sentido em meio a esse desfacelamento provocado pela política.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17249" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Critica-O-Marinheiro-das-Montanhas-Karim-Ainouz-Destaque.jpg" alt="O Marinheiro das Montanhas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Critica-O-Marinheiro-das-Montanhas-Karim-Ainouz-Destaque.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Critica-O-Marinheiro-das-Montanhas-Karim-Ainouz-Destaque-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Critica-O-Marinheiro-das-Montanhas-Karim-Ainouz-Destaque-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/Critica-O-Marinheiro-das-Montanhas-Karim-Ainouz-Destaque-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Por ser algo relatado como um diário, ao longo de<strong><em> O Marinheiro das Montanhas</em></strong>, essas ideias surgem dispersas, organicamente entrecortadas pelo fluxo de pensamento. No entanto, logo, o grande tema do filme é revelado ao seu narrador e, consequentemente, ao público. Assim, Aïnouz tenta compreender um conflito pela independência do país de seu pai com a França, enquanto busca em desconhecidos da viagem algum parentesco, até encontrar remanescentes da família Aïnouz e pessoas que conheceram o seu avô. O cineasta tenta imaginar quem poderia ter sido se ele e sua mãe tivessem ido morar com o pai na Argélia, ao mesmo tempo em que resume para o público quem se tornou ao fincar raízes no Ceará quando a mãe retorna ao Brasil.</p>
<p>O filme de Aïnouz é um relato bastante subjetivo e complexo sobre identidade e histórias familiares que descobre um contexto geopolítico a partir do privado, ou melhor, explora as reverberações deste no âmbito mais íntimo do seu narrador. A jornada empreendida em <strong><em>O Marinheiro das Montanhas</em> </strong>dimensiona todo e qualquer processo de colonização e luta pela independência como algo ainda mais violento, traumático e devastador quando transportado para o âmbito privado, micro.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Karim Aïnouz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/GHttu21_bJc" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Vida Invisível</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2019 12:29:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vencedor do prêmio de melhor filme na mostra paralela Un Certain Regard do último Festival de Cannes, A Vida Invisível foi escolhido como o representante brasileiro a disputar uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano que vem. O filme tem como &#8220;competidor&#8221; a entusiasmada recepção de Bacurau, longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles que se transformou em um verdadeiro fenômeno cultural no país, cuja crítica social apresenta uma urgência que dialoga de maneira intensa com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Vencedor do prêmio de melhor filme na mostra paralela <em>Un Certain Regard</em> do último Festival de Cannes, <em><strong>A Vida Invisível</strong></em> foi escolhido como o representante brasileiro a disputar uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano que vem. O filme tem como &#8220;competidor&#8221; a entusiasmada recepção de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Bacurau</em></a>, longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles que se transformou em um verdadeiro fenômeno cultural no país, cuja crítica social apresenta uma urgência que dialoga de maneira intensa com o momento político que vivemos.</p>
<p><em>Bacurau</em> teve como oponente o conservadorismo da sociedade brasileira dos nossos tempos, assim como todo pensamento ou expressão inclinada ao progressismo. <strong><em>A Vida Invisível</em></strong> de Karim Aïnouz (<em>Madame Satã</em>), também tem um componente que enfrenta as esferas conservadoras com sua perspectiva sobre a trajetória feminina em uma sociedade patriarcal, contudo, é um filme que pode ser lido superficialmente na sua narrativa sobre duas irmãs, flertando com chaves de comunicação não tão bem aceitas por fãs da vanguarda, um nicho cinematográfico taxado comumente de cafona e pejorativamente como filme para mulher, o melodrama. Ambos tem suas próprias batalhas a travar. Ambos são obras importantes do nosso cinema contemporâneo que chegam às salas de exibição com uma ótima recepção internacional, num momento no qual a importância da arte é diminuída.</p>
<p>O filme de Aïnouz tem uma poética e se apoia em detalhes que o transformam em uma obra de grande apelo emocional, esmero estético e clínica no olhar que tem a oferecer sobre estruturas sociais viciosas e nocivas que silenciam &#8220;minorias&#8221;. <em><strong>A Vida Invisível</strong> </em>é uma adaptação de um romance de Martha Batalha e conta a história de duas irmãs que são afastadas por uma sociedade opressora. Enquanto Eurídice desiste do sonho de estudar piano em Viena para se casar e ter uma vida protocolar como dona de casa, Guida se aventura em um romance com um grego, é renegada pelo próprio pai, abandonada pelo homem que ama e tem que se virar como pode para sustentar um filho. Cada uma passa parte da sua vida imaginando a jornada de grandes feitos da outra, quando na verdade ambas têm destinos muito parecidos de silenciamento e invisibilidade dos seus próprios desejos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11843" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Vida Invisível" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Em <em><strong>A Vida Invisível</strong></em>, Aïnouz se apropria do melodrama com uma eloquência que poucos cineastas conseguem ter, realizando uma história tecida pela narrativa das cartas trocadas pelas irmãs Gusmão e as desventuras de uma trama de folhetim. Usando um gênero ocasionalmente associado ao conservadorismo em seus olhares para as relações entre homem e mulher em sociedades heteronormativas, Aïnouz faz sua singela e pontual narrativa sobre um feminino. Enfatizando sua crítica ao lugar relegado às mulheres por uma estrutura social, sem soar panfletário e superficial em sua análise, Aïnouz observa a perpetuação de costumes familiares que não favorecem um bem-estar social ao contrário do que alardeiam seus defensores.</p>
<p>Tanto Eurídice quanto Guida são figuras que não conseguem dar vazão a todo o potencial humano que apresentam dentro de si, abrindo mão de carreiras, afetos e das suas próprias existências por um ilusório projeto de sociedade que tolhe suas respectivas espontaneidades. Guida amadurece no sofrimento e torna-se uma figura marginalizada depois de ser rejeitada pela família. Eurídice, por sua vez, é castrada por um matrimônio abusivo, entrando em grande melancolia e reproduzindo na educação da sua filha todo um senso de subalternização feminina que fora dominante no seu convívio familiar.</p>
<p>Aïnouz narra essa história de intensas emoções e ressentimentos pessoais com uma poesia bucólica que reverbera na maneira como registra a década de 1950. A atmosfera de folhetim faz bem ao drama e a construção de suas personagens, conseguindo sublinhar a simplicidade de sua narrativa, a intensidade de sentimentos em voga e uma história que se torna mais rica nos detalhes da direção apurada do cineasta. Carol Duarte e Julia Stockler têm ótimas interpretações na pele das duas protagonistas, Fernanda Montenegro está soberba no ato final da história com um plano fechado que somente uma atriz da sua magnitude conseguiria executar com tamanha complexidade e Gregório Duvivier (<em>O Homem do Futuro</em>) é um ponto alto do elenco, interpretando o patético esposo de Eurídice, uma figura que incomodo por seu ar retrógrado, inconveniente, presunçoso e sem noção. A interpretação de Duvivier é um ponto alto do filme, já que ele evita a redundância da composição cartunesca e transforma Antenor na representação de um mal social que é nocivo por seu aparente caráter inofensivo.</p>
<p>Karim Aïnouz se caracterizou por ser um cineasta que compreende o tom que seus protagonistas demandam às suas histórias, basta comparar, a título de exemplo como o diretor interpreta as distintas demandas de longas como <em>Madame Satã</em> e <em>Praia do Futuro</em>. <em><strong>A Vida Invisível</strong> </em>é um filme pautado pela observação e pela inquietação que causa a violência inofensiva exercida no cotidiano sem a menor aparência de monstruosidade. É um filme que utiliza o melodrama para criticar aspectos estruturais da sociedade, alguns dos seus costumes mais nocivos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Karim Aïnouz<br />
<strong>Elenco:</strong> Carol Duarte, Julia Stockler, Gregório Duvivier, Fernanda Montenegro, Marcio Vito, Flávia Gusmão, Maria Manoella, Bárbara Santos</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/rJKYzthGQ6s" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial: A Vida Invisível &#8211; Pontos Fortes e Fracos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Nov 2019 13:24:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[A Vida Invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Fernanda Montenegro]]></category>
		<category><![CDATA[Karim Aïnouz]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dirigido por Karim Aïnouz (O Céu de Suely), A Vida Invisível foi o longa escolhido para representar o Brasil no Oscar 2020. A obra é baseada no romance de Martha Batalha: “A Vida Invisível de Euridice Gusmão”. Estrelado por Carol Duarte (Segunda Chamada) e Julia Stockler (Rótulo) e com a participação de Fernanda Montenegro (Central do Brasil) no elenco, a projeção venceu a Mostra Olhar, no Festival de Cannes. No geral, o que salta aos olhos durante a exibição é [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dirigido por Karim Aïnouz (<em>O Céu de Suely</em>), <em><strong>A Vida Invisível</strong></em> foi o longa escolhido para representar o Brasil no Oscar 2020. A obra é baseada no romance de Martha Batalha: “A Vida Invisível de Euridice Gusmão”. Estrelado por Carol Duarte (<em>Segunda Chamada</em>) e Julia Stockler (<em>Rótulo</em>) e com a participação de Fernanda Montenegro (<em>Central do Brasil</em>) no elenco, a projeção venceu a <em>Mostra Olhar</em>, no Festival de Cannes.</p>
<p>No geral, o que salta aos olhos durante a exibição é a sua história potente e intensa, bem como os rumos possíveis das vidas femininas, a partir das interferências masculinas, do poder do patriarcado e da invasão que os homens acabam performando pelo direito  que eles acreditam ter. O resultado entregue é algo elaborado em sua técnica, principalmente em questões como direção de arte e música. No entanto, alguns incômodos podem ser apontados.</p>
<p>Pensando nisso, o <a href="https://coisadecinefilo.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Coisa de Cinéfilo</strong></a> traz agora uma reunião de elementos que falam sobre os pontos altos e baixos do filme. Confira!</p>
<h5><strong>PONTOS FORTES</strong></h5>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11845" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0058762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0058762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0058762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0058762.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Premissa e trama</strong>: O filme conta a história de duas irmãs, Guida (Stockler) e Euridice (Duarte), que são separadas pela vida e sonham em se encontrar novamente. A forma como o <em>plot</em> é trazido e colocado, no geral e inicialmente, demonstra as possíveis imagens e caminhos que uma mulher poderia passar e percorrer, em meados do século XX, no Brasil. As tensões e posicionamentos geravam resultados intensos e, muitas vezes desesperadores. A imagem que ele passa é que não havia muito como fugir de certas imposições do patriarcado que buscava – e busca ainda – empurrar forçadamente a sua validação e forma de ver e controlar o mundo. Este discurso é claro e evidente dentro da narrativa. Seja pela presença abusiva e controladora de Manoel (Atónio Fonseca), pai das meninas, pelo marido da protagonista que traz aquele rapaz conservador e perverso, que performa a figura do cara de bem, além de outras personagens menos centrais que demonstram como enxergam o poder masculino na sociedade. Em certo aspecto isto é positivo, o &#8220;porém&#8221; destas escolhas está na próxima sessão&#8230;</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11844" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0116575.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Vida Invisível" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0116575.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0116575.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0116575.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Direção de Arte, Figurino e Fotografia</strong>: Estes três elementos poderiam render textos por si, mas reunindo-os é possível destacar como eles conversam e fazem parte da história. As cores selecionadas para a Arte estão praticamente sempre contraponto com as das vestimentas. Entre o bege e marrom, o vermelho e azul se destacam em pontos específicos da cena, seja numa cortina, numa camiseta, na tinta da parede. Uma possível interpretação seria a disputa entre a melancolia e dor das imposições da vida para as mulheres com o calor das suas lutas e conquistas. Talvez. Já nos enquadramentos, o olhar parece focar na tensão entre sufocamento e liberdade. Na cena, por exemplo, em que Euridice e Guida dançam, há uma câmera parada, em um plano médio e a temperatura mais próxima de cores frias. A impressão que fica da sequência é dessa dualidade que a dupla vive, entre o livre e a clausura. Por isso, estas questões foram aqui elencadas como destaque positivo.</p>
<h5><strong>PONTOS FRACOS</strong></h5>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11843" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Vida Invisível" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Premissa e história:</strong> Assim como pode ser considerado como algo bem realizado, existem questões que enfraquecem a obra em sua narrativa. A condução da trama de Euridice e Guida vai caindo enquanto a projeção avança e a seleção de acontecimentos torna-se repetitiva e o espectador pode sentir falta de elementos de força do enredo. Além disso, em alguns momentos, paira a dúvida se as personagens não estão se encaminhando para uma planificação. Elas parecem não avançar, principalmente os coadjuvantes. Ana, a mãe das jovens, por exemplo, não esboça força perante a repressão do marido, seja no seu texto ou em sua atuação, deixando-a como uma pessoa passiva, quase uma observadora do sofrimento das filhas. Ainda que ela respeitasse a decisão de Manoel, poderia demonstrar qualquer tipo de sentimento dual ou menos simplificado. Este fator é visto em outras personas também, que quase se transformam meramente em tipos. Contudo, de alguma forma, isto não compromete a totalidade do longa.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11842" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2640127.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Vida Invisível" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2640127.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2640127.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2640127.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Elasticidade temporal e artificialidade</strong>: Ao assistir ao filme, notam-se momentos de “buraco” nas cenas. Inicialmente, a questão parece estar voltada para a atuação, como se os intérpretes deixassem barriga que criam artificialidade no tom das sequências. No entanto, escolhas de direção e montagem poderiam sanar este efeito, com uma maior quantidade de cortes ou enquadramentos que não revelassem os corpos um tanto soltos. Este fator não é algo contínuo, são em alguns momentos, que parecem faltar verdade no que está sendo encenado ali. Um exemplo é a cena do detetive (Flavio Buraqui) com Euridice e existe um desconforto ali, podendo deixar uma sensação de que a equipe possuía uma falta de crença no que estava sendo posto.</p>
<p><strong>Confira o trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/f6tM3lGJRVU" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Praia do Futuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 May 2014 13:44:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Karim Aïnouz]]></category>
		<category><![CDATA[Praia do Futuro]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_918" aria-describedby="caption-attachment-918" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/RTEmagicC_PraiadoFuturo_01.jpg.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-918 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/RTEmagicC_PraiadoFuturo_01.jpg.jpg" alt="RTEmagicC_PraiadoFuturo_01.jpg" width="620" height="330" /></a><figcaption id="caption-attachment-918" class="wp-caption-text">Wagner Moura interpreta Donato, um salva-vidas tragado pelo medo de ser o que é.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>De <em>Madame Satã </em>a <em>O Abismo Prateado </em>conseguimos perceber o lugar central que o cineasta Karim Aïnouz confere aos seus personagens em suas produções. Aïnouz parece entrar em um processo de imersão profunda em seus protagonistas, conhecendo-os intimamente e perseguindo cada um dos seus mais particulares sentimentos e conflitos. Assim, não deixa de ser estranho que, ainda que cultive esse como um dos traços mais fortes de seu cinema, o realizador não tenha conseguido dar liga o suficiente à relação principal do seu mais novo longa, <em>Praia do Futuro</em>.</p>
<p>O filme é dividido em três atos que acompanham o desenrolar do relacionamento entre Donato (Wagner Moura), um salva-vidas do Ceará, e Konrad (Clemens Schick), um turista alemão no Brasil. Quando <em>Praia do Futuro </em>começa, Konrad acaba de perder o seu amigo, que desapareceu nas águas da famosa Praia do Futuro de Fortaleza. O alemão se aproxima de Donato, um salva-vidas da região que lhe dá a trágica notícia. Logo Donato e Konrad se apaixonam e entre o encontro no Brasil e um período de férias na Alemanha, Donato passa a confrontar inseguranças na maneira que lida com a sua sexualidade.</p>
<figure id="attachment_919" aria-describedby="caption-attachment-919" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/praia.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-919 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/praia-620x329.jpg" alt="praia" width="620" height="329" /></a><figcaption id="caption-attachment-919" class="wp-caption-text">Protagonista vive uma relação intensa com o alemão Konrad, papel de Clemens Schick, mas falta liga ao romance central.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aïnouz sempre foi um cineasta mais de imagens que diálogos &#8211; um rigor que carrega com o apreço que tem pela direção de fotografia dos seus filmes, aqui, mais uma vez, impecável &#8211; , seu território é o mais subjetivo recanto da alma humana. No entanto, os conflitos dos seus personagens sempre tiveram liga. Em <em>Praia do Futuro </em>por mais que as angústias sejam legítimas, sobretudo as de Donato que são vinculadas ao medo de assumir a homossexualidade em sua terra natal, falta um nó mais firme nas relações principais do filme que deveriam ser a força motriz da narrativa. Os dois primeiros atos são muito distantes do espectador e o filme só ganha uma certa simpatia do público quando entra em cena o formidável Jesuíta Barbosa que agarra como ninguém um personagem  cheio de ressentimento e revolta, mas também bastante afetuoso e honesto em seus sentimentos, o irmão do Donato. Wagner Moura tem seus momentos interessantes, o que não seria nenhuma novidade tamanha a dedicação e a riqueza de detalhes que as composições do ator costumam ter, assim como o alemão Clemens Sick. No entanto, na queda de braço e por falta de um maior apuro no tratamento da dupla central, Jesuíta Barbosa vence com larga vantagem.</p>
<figure id="attachment_920" aria-describedby="caption-attachment-920" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/i0dqgPETI4oqJ.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-920 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/i0dqgPETI4oqJ-620x319.jpg" alt="i0dqgPETI4oqJ" width="620" height="319" /></a><figcaption id="caption-attachment-920" class="wp-caption-text">O dono do filme: Jesuíta Barbosa tem a interpretação mais vigorosa do longa aparecendo somente no terceiro ato da história.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Influenciado por &#8220;Heroes&#8221; de David Bowie &#8211; algo semelhante ao que fez com &#8220;Olhos nos Olhos&#8221; de Chico Buarque em <em>O Abismo Prateado</em> &#8211; <em>Praia do Futuro </em>poderia ser uma belíssima história sobre referenciais familiares a partir da tensa e afável relação entre Donato (Moura) e seu irmão mais novo Ayrton (Barbosa), mas preferiu dedicar tempo demais ao romance entre o primeiro e o alemão Konrad (Schick). Não querendo dar uma de palpiteiro em uma situação que só cabe ao realizador Karim Aïnouz decidir, mas sensação que fica é que a verdadeira e mais intensa trama de <em>Praia do Futuro </em>só ganhou espaço no seu derradeiro ato ficando à deriva em um filme que poderia ser bem  mais à flor da pele do que sugere ser.</p>
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