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	<title>Arquivos Jayne Houdyshell - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Jayne Houdyshell - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Passagem (Apple TV+)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 14:55:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Passagem tudo é sobre camadas progressivamente sendo reveladas. Há uma jornada do espectador em descobrir o que há no passado da protagonista do filme, Lynsey (Jennifer Lawrence, Não Olhe Para Cima) e aqueles que a cercam. Já nos primeiros minutos de exibição é possível compreender que nem o roteiro e nem a direção irão entregar todo o contexto da trama imediatamente e isto funciona, inicialmente, pois há um processo de surpresas e envolvimento gradativo com a história, mas este [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Em <strong><em>Passagem</em> </strong>tudo é sobre camadas progressivamente sendo reveladas. Há uma jornada do espectador em descobrir o que há no passado da protagonista do filme, Lynsey (Jennifer Lawrence, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-olhe-para-cima-netflix/"><em>Não Olhe Para Cima</em></a>) e aqueles que a cercam. Já nos primeiros minutos de exibição é possível compreender que nem o roteiro e nem a direção irão entregar todo o contexto da trama imediatamente e isto funciona, inicialmente, pois há um processo de surpresas e envolvimento gradativo com a história, mas este recurso acaba se esgotando nele mesmo, pois uma sensação de repetição se alastra e resta uma impressão de que o desenrolar de cada situação acaba por se alongar demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, no início da sessão esta característica funciona, sendo que o tempo para contar os detalhes sobre Lynsey é mais forte no primeiro ato, pois é quando se tem menos diálogos e quando as imagens são um tanto misteriosas, em sua decupagem e montagem. </span><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é o começo da produção, quando o público vê apenas o rosto de Lawrence lateralmente. Aos poucos, a situação na qual ela se encontra vai sendo desvendada, tanto o aconteceu com ela quanto quem são as pessoas perto dela é contado pouco a pouco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este caminho é também percorrido pela trajetória da própria personagem principal, que entende mais sobre ela mesma, enquanto a narrativa se desenvolve. </span><span style="font-weight: 400;">Entre tons de melancolia e oscilações qualitativas, o que há de mais especial no longa-metragem, no entanto, é a construção da relação entre Lynsey e o seu novo conhecido James (Brian Tyree Henry). Existem dois pontos principais para que a interação desta dupla funcione tanto. O primeiro elemento basilar para que o sucesso da dinâmica de Lynsey e James aconteça está nos diálogos entre eles que, assim como a obra inteira, possuem revelações lentamente convocadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, eles vão se conhecendo, aproximando-se, afastando-se etc. </span><span style="font-weight: 400;">A lógica de contenção de informação versus compartilhamento exagerado delas traz um tom realista, que gera uma espécie de empatia, principalmente para quem já vivenciou algum momento muito difícil e doloroso e encontrou algum interlocutor com tantas semelhanças de experiências. E são nestas dualidades individuais e do próprio relacionamento deles que camadas elaboradas são colocadas, conectando quem assiste ainda mais com o enredo.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16517" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/causeway-4.jpg" alt="Passagem" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/causeway-4.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/causeway-4-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/causeway-4-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/causeway-4-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, as atuações de Jennifer e Brian ajudam a fomentar esta química dos intérpretes na tela, que não é sobre um estabelecimento de romance, porém de uma cumplicidade intensa. </span><span style="font-weight: 400;">Essa característica trazida pelos atores está nos jogos cênicos dos dois, nos silêncios, nas movimentações corporais, que jogam com a dúvida sobre qual é, de fato, o envolvimento entre Lynsey e James. No entanto, faz-se necessário apontar que é justamente neste desejo de focar nesta dubiedade que o filme se perde. Existiam, na verdade, algumas opções de encaminhamento narrativo aqui. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorar mais o passado de James ou investigar melhor a razão da obsessão principal de Lynsey (voltar para a guerra) seria uma forma de tornar o longa mais coeso, talvez. </span><span style="font-weight: 400;">O tom da dúvida, até o confronto derradeiro entre eles, acrescenta complexidade para as personagens, porém a questão é o tempo gasto nesta confusão de Lynsey. A metade da sessão também parece um tanto truncada, quando o comportamento obsessivo dela não consegue ser tão justificável, porque não há um investimento em tratar sobre as verdadeiras tensões de sua vida, como a razão da casa dela ser tão opressiva ao ponto de a colocar neste lugar de desespero interno tão forte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O enfoque passa a ser apenas até onde Lynsey vai no seu jogo com James, por isso f</span><span style="font-weight: 400;">alta ao roteiro uma compreensão de quais os reais problemas da jovem e qual é o conflito central da trama. Todavia, essas dispersões não atrapalham de forma tão profunda o resultado geral. A direção de Lila Neugebauer (<em>Room 104</em>) ajuda a equilibrar estas quedas de qualidade presente na história, pois a cineasta consegue ampliar os sentidos interpretativos do filme, criando um paralelo do que é mostrado nos enquadramentos com o que Lynsey e James querem mostrar um para outro de quem eles são e vivenciaram antes de se conhecerem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho da equipe de arte e da fotografia também ajudam nesta ampliação de transcrição dos significados, porém há certo exagero em alguns signos, como a cor azul, que aparece exageradamente nas roupas e ao redor de Lynsey, reforçando uma melancolia presente nela e essa saudade que ela possui do seu trabalho anterior, que já é intensa em toda a projeção: nos diálogos, nos planos, nas músicas e na arte. Mas, dentro de alguns exageros, <em><strong>Passagem</strong> </em>consegue emocionar e prender a atenção na maior de sua duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Lili Neugebauer</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Jennifer Lawrence, Brian Tyree Henry, Jayne Houdyshell</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/9nnvSJupn2E" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Adoráveis Mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2020 01:49:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (Lady Bird &#8211; A Hora de Voar) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. Adoráveis Mulheres é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas. Nesta adaptação atual, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-lady-bird-a-hora-de-voar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Lady Bird &#8211; A Hora de Voar</em></a>) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas.</p>
<p>Nesta adaptação atual, a protagonista Jo March é vivida por Saoirse Ronan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duas-rainhas/"><em>Duas Rainhas</em></a>), que confere a assertividade necessária para a jovem revolucionária. Em uma época em que a melhor opção de vida da mulher era o casamento, Jo decide que quer ser dona de sua própria vida e não depender de homem. Mas suas irmãs não pensam da mesma forma. A sonhadora Meg (Emma Watson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bela-e-a-fera/"><em>A Bela e a Fera</em></a>) quer encontrar um príncipe encantado, enquanto a espevitada Amy (Florence Pugh, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Midsommar: O Mal Não Espera a Noite</em></a>) quer uma oportunidade de ser um grande destaque. Para Beth (Eliza Scanlen, série <em>Sharp Objects</em>), o melhor dos mundos é viver em paz com sua música e um bom piano.</p>
<p>A narrativa nos apresenta sem pressa todas as personagens, traçando a personalidade de cada uma e seus objetivos. Além disso, a presença forte da mãe interpretada por Laura Dern (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de Um Casamento</em></a>), funciona como uma referência para as meninas, mostrando de onde surgiu toda a força delas.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12165" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A figura masculina é deixada de lado na maior parte da trama, mostrando que aquele é um palco destinado às mulheres. Mesmo o personagem de Timothée Chalamet (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-rei/"><em>O Rei</em></a>), que possui grande importância na história, não tem tanto destaque quanto as demais personagens. Greta faz isso de uma maneira muito respeitosa com a obra original, pincelando pitadas de seu perfil de direção, que procura favorecer as mulheres. Essa conduta é sensata e necessária, afinal, é do que se trata a história.</p>
<p><em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é uma obra do século XIX mas que continua sendo extremamente atual. Discussões sobre o papel da mulher na sociedade, seu poder de escolha, as possibilidades que são apresentadas, as dificuldades que enfrenta. Tudo isso é tratado de uma maneira muito leve, porém contundente. O tom escolhido por Gerwig é na dose certa para apresentar novas nuances para a história, sem perder a sua essência.</p>
<p>Outro ponto alto é a incrível escolha de elenco. A unicidade de todos, a maneira como atuam e se respeitam em cena, torna a obra ainda mais equilibrada. Existe um entusiamos em participar do projeto que é perceptível pelo espectador. Temos ainda gratas surpresas, como a breve participação de Meryl Streep (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lavanderia/"><em>A Lavanderia</em></a>) no papel da tia March ou de Chris Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>) no papel do vizinho Sr. Laurence.</p>
<p>O quarteto principal tem uma dinâmica harmônica e verdadeiramente fraternal. É difícil definir quem é o elo mais interessante, quando todas apresentam características únicas e distintas. Ainda assim, Florence consegue roubar a cena em todos os momentos, de maneira muito natural. Seus momentos com Saoirse são os melhores do filme, definitivamente.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12166" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Adoráveis Mulheres" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O longa conta com o suporte de uma belíssima fotografia e figurino impecável, lembrando muito as produções de Joe Wright, como <em>Orgulho e Preconceito</em>. A trilha sonora, no entanto, não é o voto mais alto. Embora Alexandre Desplat seja um compositor de respeito, senti um pouco de preguiça da parte dele em inovar e apresentar algo mais memorável. Ainda assim, não é comprometedor. Apenas não se destaca, como seria o seu comum.</p>
<p>A escolha de Greta em contar a história através de <em>flashes</em> do passado intercalados com o presente é inteligente. Ao mesmo tempo em que o espectador anseia para descobrir mais sobre as personagens, fica com certa melancolia ao saber onde alguns deles vão parar ou que seus sonhos foram &#8220;frustrados&#8221;. As linhas temporais funcionam como elemento da trama, conferindo maior fluidez à narrativa.</p>
<p>A sensação que o longa passa é de acolhimento, não apenas pela história, como pelas personagens. Temos a vontade de entrar na tela e abraçar todos, vivendo aquele momento. Certamente por isso não percebemos as 2h15 de longa passar. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> tem uma vitalidade impressionante, que conquista o espectador logo de cara. Finalizamos a sessão com grandes momentos propostos pelo filme, especialmente quando, no final, fica ainda mais exposto a exigência da sociedade pelo casamento da mulher.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Greta Gerwig<br />
<strong>Elenco:</strong> Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, Timothée Chalamet, Laura Dern, Louis Garrel, Chris Cooper, Eliza Scanlen, Meryl Streep, Tracy Letts, Bo Odenkirk, James Norton, Jayne Houdyshell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/7nc1GE_hnLs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/">Crítica: Adoráveis Mulheres</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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