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	<title>Arquivos Greta Gerwig - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Greta Gerwig - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Barbie</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jul 2023 20:34:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Barbie finalmente chegou aos cinemas e eu falo com tranquilidade que é um dos filmes mais esperados dos últimos tempos. O hype em cima do longa só fez crescer as expectativas, com as marcas aproveitando o momento para fazer coleções exclusivas, cheias de rosa, com direito até a maionese de hambúrguer pink e, porque não, acarajé rosa. Toda essa euforia com o longa, claro, tinha motivo, já que o marketing foi tão bem feito que as pessoas estavam ansiosas por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Barbie</strong> </em>finalmente chegou aos cinemas e eu falo com tranquilidade que é um dos filmes mais esperados dos últimos tempos. O hype em cima do longa só fez crescer as expectativas, com as marcas aproveitando o momento para fazer coleções exclusivas, cheias de rosa, com direito até a maionese de hambúrguer pink e, porque não, acarajé rosa. Toda essa euforia com o longa, claro, tinha motivo, já que o marketing foi tão bem feito que as pessoas estavam ansiosas por algo que não sabiam nem exatamente o que esperar. Só sabíamos do roteiro de maneira mais ampla.</p>
<p>Fico profundamente feliz em dizer que <em><strong>Barbie</strong> </em>vale toda a expectativa que foi criada. O filme é simplesmente primoroso em todos os detalhes. Começamos com o mundo encantado da Barbielândia, onde todas as bonecas vivem harmoniosamente, como num conto de fadas. Lá são as mulheres que dominam, como um grande matriarcado utópico. Elas têm a certeza de que inspiraram meninas e mulheres do mundo real a serem mais fortes e lutarem por seus objetivos.</p>
<p>As coisas começam a dar errado quando a Barbie Estereotipada (Margot Robbie, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-babilonia/"><em>Babilônia</em></a>) começa a apresentar alguns defeitos. No desespero, ela recorre à Barbie Esquisita (Kate McKinnon, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-escandalo/"><em>O Escândalo</em></a>), que sugere que ela faça uma viagem para o mundo real e resolva o problema diretamente com a sua humana responsável. No meio do caminho, o Ken (Ryan Gosling, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><em>Blade Runner 2049</em></a>) se esconde em seu carro e decide ir junto com ela.</p>
<p>Uma premissa muito simples que vai sendo bem trabalhada desde o início. As nuances dos detalhes mostram como a boneca funciona num mundo imaginário, não apenas porque ela toma banho em um chuveiro que não cai água ou sai flutuando de seu quarto até o carro (como acontece nas brincadeiras com a boneca na vida real), mas também porque a distopia de um mundo que não oprime as mulheres é tão surreal quanto parece.</p>
<p>O roteiro, que conta não apenas com a diretora Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/"><em>Adoráveis Mulheres</em></a>), como também com Noah Baumbach (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de um Casamento</em></a>) traz uma melancolia discreta sobre o quão incríveis as mulheres poderiam ser num mundo onde o patriarcado não minasse suas expectativas e possibilidades. Rimos muito ao longo de todo o filme, mas sempre ficamos na dúvida se é uma risada nervosa ou despretensiosa. O tom de acidez é na dosagem certeza, trazendo sempre aquele amargor adocicado da realidade.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16931" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542.jpg" alt="Barbie" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Lidar com o mundo real foi um grande choque para a Barbie, descobrindo que as mulheres não são respeitadas nem ouvidas. Isso a faz sucumbir em emoções e sentimentos que nunca vivenciou anteriormente, fazendo-se questionamentos sobre o propósito da vida e qual seria o seu papel ali. Em meio a essa crise existencial profunda, o Ken, que é apenas o acessório em Barbielândia e vive em função da sua boneca, começa a usufruir daquele patriarcado onde qualquer homem sem qualidades consegue se destacar. Ele, que é um nada, vê naquilo uma esperança.</p>
<p>O filme mostra constantemente como a vida é extremamente fácil e benevolente para os homens, enquanto as mulheres precisam se desdobrar em mil e não ter nem o espaço ou reconhecimento pelo esforço. A boneca Barbie entra como uma possibilidade que foi completamente deturpada pela empresa que a detém, a Mattel (muito criticada no longa). A criadora original Ruth fala sobre a sua intenção por trás da boneca e como as coisas não saíram como esperado, justamente por conta dos homens.</p>
<p><strong><em>Barbie</em> </strong>é um filme que se aprofunda nas sutilezas de seu tema, tocando detalhes do quanto o patriarcado é nocivo para as mulheres, de uma maneira tão íntima que apenas nós mesmas vamos perceber. Definitivamente é um longa que vai funcionar diferente para cada gênero. Ainda que o homem comum possa se compadecer de toda aquela situação, ele certamente vai perder várias alfinetadas, pelo simples fato de que aquilo não o afeta em nada.</p>
<p>Alfinetadas essas que definem a trama da personagem a todo momento, nos levando do riso ao choro, sem que a gente seja nem avisado. O roteiro é impecável, a execução é primorosa e toda a expectativa que eu tinha sobre o longa foi cumprida para mais. Poucos filmes me fazem ter a sensação de que são incríveis ainda durante a sessão. E esse foi um deles. E pensar que uma boneca tão estereotipada como a Barbie pudesse render um filme altamente feminista, não é?</p>
<p>Como um soco no estômago leve, engraçadinho e muito rosa, <strong><em>Barbie</em> </strong>transcende a expectativa de que é apenas um hype blockbuster criado para vender merchandising. Acredito inclusive, que essa foi uma jogada muito estratégica e inteligente de Greta para vender mais o filme, fazer mais pessoas assistirem e ela tentar disseminar ainda mais a sua mensagem. O mundo pode ser das mulheres, sim. Mas é preciso um longo e doloroso processo de transformação para que tudo seja mudado a ponto de termos, no mínimo, um equilíbrio.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Greta Gerwig</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Margot Robbie, Ryan Gosling, America Ferrera, Ariana Greenblatt, Simu Liu, Kingsley Ben-Adir, Issa Rae, Michael Cera, Emma Mackey, Will Ferrell, Dua Lipa, Hellen Mirren, Ncuti Gatwa, Kate McKinnon, John Cena</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lwZTCYst6yw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: Mulheres do Século 20 (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2020 13:51:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A partir de suas memórias, o diretor e roteirista Mike Mills (o mesmo de Toda Forma de Amor, longa que rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante a Christopher Plummer em 2012) concebeu Mulheres do Século 20, longa que narra a jornada de um adolescente californiano criado por uma mãe solteira na década de 1970 e que ainda é influenciado por duas outras mulheres na sua caminhada para a vida adulta, uma fotógrafa mergulhada na cultura punk e uma jovem da sua idade que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A partir de suas memórias, o diretor e roteirista Mike Mills (o mesmo de <em>Toda Forma de Amor</em>, longa que rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante a Christopher Plummer em 2012) concebeu <em><strong>Mulheres do Século 20</strong>, </em>longa que narra a jornada de um adolescente californiano criado por uma mãe solteira na década de 1970 e que ainda é influenciado por duas outras mulheres na sua caminhada para a vida adulta, uma fotógrafa mergulhada na cultura<em> punk </em>e uma jovem da sua idade que escapa esporadicamente da família opressora para conversar com o menino escondida em um dos quartos da sua casa. O longa que recebeu uma indicação ao Oscar de 2017 como melhor roteiro original (e deveria ter recebido mais indicações!) já está disponível no catálogo da Netflix desde o início do ano.</p>
<p>Dorothea, a mãe do adolescente em questão de <strong><em>Mulheres do Século 20</em></strong>, é interpretada por Annette Bening em mais uma interpretação memorável da sua carreira, esquecida na seleção de atrizes da época do Oscar que consagrou Emma Stone pelo seu desempenho em <em>La La Land</em>. Ao narrar a influência dessas três mulheres pertencentes a três distintas gerações na vida do protagonista em uma época de revolução de costumes, os anos de 1970, Mills nos traz um contexto histórico de transformações e afirmação do feminismo, mas também uma outra percepção que se configurava na sociedade a respeito da criação dos homens.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12580" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/566867.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Mulheres do Século 20" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/566867.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/566867.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/566867.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O filme é pontual ao colocar essas questões permeando a dinâmica entre os personagens e os conflitos do seu protagonista com sua mãe Dorothea, uma mulher com ideias ainda cristalizadas do passado, com um certo conservadorismo a respeito do feminino, mas que inconscientemente acaba semeando a revolução que as outras duas personagens femininas da história empreendem, as igualmente impecáveis Greta Gerwig (a fotógrafa Abbie) e Elle Fanning (a adolescente Julie, <em>crush </em>do rapaz).</p>
<p>Ao longo de <em><strong>Mulheres do Século 20</strong> </em>alguns pontos de tensão são abordados como o desprendimento gradual na discussão franca sobre temas que até então era tabus para o feminino. O filme acaba dimensionando esse ponto de virada na década de 1970 que trouxe como consequência o gradual amadurecimento do feminismo nos anos seguintes e também uma outra percepção sobre o masculino com a geração de rapazes filhos de mães solteiras que viria nas décadas seguintes quebrar estigmas associados ao homem como a resistência a qualquer demonstração pública de afeto e a alienação a respeito da sexualidade feminina. Mills faz tudo isso com muita leveza arrancando dos seus atores boas interpretações em um roteiro inteligente e sensível.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mike Mills</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Annette Bening, Greta Gerwig, Elle Fanning, Lucas Jade Zumann, Billy Crudup, Thea Gill, Waleed Zuaiter</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/EVL3AYkDqQg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial: As Protagonistas de Adoráveis Mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jan 2020 22:37:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Está em cartaz a nova versão da obra Adoráveis Mulheres. Baseado no livro homônimo de Louisa May Alcott, a direção e a adaptação da produção fica por conta de Greta Gerwig (Lady Bird &#8211; A Hora de Voar). A história original, que foi escrita no final do século 19, já obteve, anteriormente, diversas versões para o audiovisual, incluindo animações e filmes para TV e para o cinema, sendo dois mudos, em 1917 e 1918, e três falados, em 1933, 1949 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Está em cartaz a nova versão da obra <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><em>Adoráveis Mulheres</em></strong></a>. Baseado no livro homônimo de Louisa May Alcott, a direção e a adaptação da produção fica por conta de Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-lady-bird-a-hora-de-voar/"><em>Lady Bird &#8211; A Hora de Voar</em></a>). A história original, que foi escrita no final do século 19, já obteve, anteriormente, diversas versões para o audiovisual, incluindo animações e filmes para TV e para o cinema, sendo dois mudos, em 1917 e 1918, e três falados, em 1933, 1949 e 1994.</p>
<p>Algo que segue sendo cada vez mais comum e crescente a cada revisita para a trama é a escolha de um elenco poderoso. Pensando nisto, o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> resolveu elaborar um especial <em><strong>As Protagonistas de Adoráveis Mulheres</strong></em> que reunisse uma breve comparação das atuações das personagens principais &#8211; a mãe e as suas quatro filhas &#8211; tentando ver o que muda entre as atrizes e as mudanças das construções dos papéis de uma época para outra. Como existem vários <em>remakes</em>, não estarão listados todos os longas. O olhar sobre a protagonista, Jo March, será mais amplo, considerando as interpretações de Katherine Hepburn (1933), June Allyson (1949), Winona Ryder (1994) e Saoirse Ronan (2019).Para o restante do elenco feminino, serão relacionadas as performances de 1994 versus as de 2019, justamente por serem as refilmagens mais recentes.</p>
<p><em><strong>Confira!</strong></em></p>
<h4><strong>Jo March</strong> <img decoding="async" class="alignnone wp-image-12179 size-medium" title="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/jos-750x187.png" alt="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" width="750" height="187" /></h4>
<p>A principal diferença entre as interpretações de Jo está no tom dado para a mesma. A característica principal da personagem é que ela é uma mulher de espírito livre e amante da escrita. Com o passar do tempo, esta característica foi se intensificando e seu foco em ser escritora também. No entanto, o nível de doçura, ingenuidade, aspereza e assertividade se mesclaram pelas gerações.</p>
<p>Em 1933, <strong>Katherine Hepburn</strong> (<em>A Costela de Adão</em>), opta por fazer o amadurecimento em seu papel por uma via corporal, começando com um jeito mais “moleca”, de garota que sobe em árvores e pula muros, faz gestos grandes e assovia etc, até se transformar em alguém mais adulta e consciente, de postura mais centrada. Contudo, não perde em nenhum momento o olhar gentil, que permanece durante toda projeção.</p>
<p>Em 1949, <strong>June Allsyon</strong> (<em>Música e Lágrimas</em>) acrescentou uma dureza para a protagonista, que retira um tanto da empatia construída por Hepburn, por exemplo. A sua Jo é mais durona, firme e até um tanto rude. Talvez, a sua atuação peque por esquecer do laço de ternura que a personagem sempre mantém com suas irmãs, desejando a felicidades delas, ainda que esteja em profundo aborrecimento com as mesmas.</p>
<p>Em seguida,em 1994,  existe a criação de <strong>Winona Ryder</strong> <em>(Os Fantasmas se Divertem</em>), que foi uma espécie de musa nos anos 1990 e com muitas mocinhas rebeldes na filmografia. Ainda assim, aqui, ela imprime a Jo mais doce de todas! Apesar disto, ela não perde algo central no que Alcott parece desejar transmitir: o elo que une a família, o amor pela literatura e a falta de desejo em seguir as regras impostas por sua época. Ryder traz um jeito meio atrapalhado, adolescente e até tímido, revelando uma menina mais sonhadora e apaixonada – por sua escrita, claro.</p>
<p>Por fim, a versão de <strong>Saoirse Ronan</strong> (<em>Desejo e Reparação</em>) parece misturar todas as outras características criadas pelas outras atrizes. Ronan traz elementos físicos que enaltecem a personalidade forte de Jo March, principalmente no jeito como corre ou empurra e bate em seu vizinho Laurie (Timothée Chalamet). Mas, ela não esquece de empregar texturas e movimentos que lembram os trejeitos da adolescência.</p>
<p>Com isso, a intérprete demonstra, na hora de “colorir” o texto, entonações emburradas típicas desta idade. No entanto, Ronan deixa a suavidade de lado e acaba abandonando um pouco da característica presente em Jo March, que é o de ser uma aventureira que sonha, que vive imersa nos livros e por isso uma sensibilidade artística. No geral, pode-se notar facilmente que são múltiplas visões de uma mesma figura ficcional e a preferência pode acabar ficando na identificação que o público pode vir a ter.</p>
<h4><strong>Amy March</strong>  <img decoding="async" class="alignnone wp-image-12181 size-medium" title="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/amys-750x245.png" alt="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" width="750" height="245" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/amys-750x245.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/amys-610x199.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/amys.png 1007w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></h4>
<p>A principal distinção entre a Amy da versão de 1994 e a de 2019 encontra-se no fato do filme da década de 1990 possuir duas atrizes para interpretar a personagem: <strong>Kirsten Dunst</strong> (<em>Entrevista com Vampiro</em>) e <strong>Samantha Mathis </strong>(<em>Psicopata Americano</em>). Em 2019, a obra conta “apenas” com <strong>Florence Pugh </strong>(<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/"><em>Midsommar: O Mal Não Espera a Noite</em></a>), que para diferenciar a passagem de idade utiliza simplesmente a sua interpretação, preenchida de transições corporais e vocais, que sinalizam o seu amadurecimento. Quando se compara o tom que Dunst dá para seu papel, é possível notar certa equivalência em suas escolhas com as de Pugh. O público pode ver uma menina um tanto birrenta e infantil, pois ela é mostrada em sua primeira fase, por assim dizer, como uma criança que deseja e precisa de atenção.</p>
<p>O que muda na produção de Greta Gerwig, e isto é um grande mérito do longa, é a transformação impressionante passado por Amy. Florence Pugh demonstra consciência completa de sua criação e do que deseja performar na tela, revelando as fragilidades, seguranças e crescimentos de Amy March. É difícil comparar este desempenho com o de Mathis, que deixa a sensação de ter buscado uma visão mais comum para o papel. O que ela traz é a procura por um tom de realeza e uma postura distanciada das coisas, o que provoca uma impressão clara de que Amy cresceu, mas não que ela está amadurecida como pessoa, deixando a visão sobre ela um tanto rasa.</p>
<h4><strong>Meg March</strong></h4>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12184 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/megs-750x374.png" alt="" width="750" height="374" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/megs-750x374.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/megs-610x304.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/megs.png 825w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Trini Alvarado</strong> (<em>Uma Lição de Amor</em>) entrega uma Meg mais serena e amadurecida, na versão de 1994. Ela é claramente a irmã mais velha que, apesar dos conflitos internos, tem uma tranquilidade de quem já viveu um pouco do que as irmãs. A impressão que <strong>Emma Watson</strong> (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bela-e-a-fera/"><em>A Bela e a Fera</em></a>) passa é um tanto distinta. Ainda que a característica de ter mais idade e querer fazer parte da grande sociedade estar nas duas Meg March, a forma de externalizar isto corporalmente e verbalmente é diferente.</p>
<p>Watson emprega algo mais intenso e dramático – no sentido de engradecimento das emoções. Não que sua performance vá para algo histriônico ou qualquer coisa do tipo. Mas, é possível ver porque a jovem poderia, por exemplo, seguir a carreira de atriz, pois ela tem dentro dela uma vontade de expressar seus sentimentos para que todos sintam também. Emma revela um olhar sonhador e romântico e uma inocência que vai se transformando em maturidade e compreensão sobre a vida, o que a deixa com mais camadas, passando uma transformação de caráter e personalidade.</p>
<h4><strong>Beth March</strong></h4>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12185 size-medium" title="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/beths-750x363.png" alt="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" width="750" height="363" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/beths-750x363.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/beths-610x295.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/beths.png 832w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
Um traço importante sobre esta personagem é que ela precisa evocar empatia do público, devido ao desfecho que ela tem na trama. No filme de 1994, <strong>Claire Danes</strong> (<em>As Horas</em>) consegue alcançar este intento. Além de construir sua personagem num tom diferente das irmãs, que é uma característica central de Beth March, ela traz uma profundidade para o papel, ao criar gestuais contidos e olhares marejados ou menlancólicos. É como se sua Beth não pertencesse a este mundo e este é um grande feito de Danes.</p>
<p>Já <strong>Eliza Scanlen</strong> (<em>Babyteeth</em>) faz uma Beth mais reservada, menos transparente. A sua construção passa por uma espécie de doçura e melancolia, traços importantes de Beth March. No entanto, talvez na tentativa de retirar a proximidade de Beth com as irmãs, ela tenha retirando um pouco um peso que a garota possui, diminuindo certos impactos presentes na obra.</p>
<h4><strong>Marmee March</strong></h4>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12186 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/marmees-750x397.png" alt="" width="750" height="397" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/marmees-750x397.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/marmees-610x323.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/marmees.png 767w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
Nos dois longas, as atrizes escolhidas foram nomes grandes e importantes. Em 1994, <strong>Susan Sarandon </strong>(<em>Thelma e Louise</em>) faz o papel da matriarca da família. Ao contrário de <strong>Laura Dern </strong>(<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de Um Casamento</em></a>) &#8211; a Marmee de 2019 -, a intérprete traz um tom firme e direto para a personagem. O carinho dela está mais voltado para as suas ações do que para o tom de sua fala. Dern investe no caminho de se revelar uma mulher sábia, serena e gentil, sendo esta última característica a mais visível em sua atuação.</p>
<p>As duas escolhas das atrizes acabam criando um bom contraponto com Jo, que parece sempre ser uma versão da mãe esperando para ser lapidada. Como a Jo de Winona Ryder é mais doce e atrapalhada, a Marmee de Sarandon demonstra praticidade para ajudar o próximo e coordenar a família. No filme de 2019 isto acontece exatamente de maneira oposta. Mas, em ambas projeções o laço entre a dupla é sólido<a href="http://www.adorocinema.com/">.</a></p>
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		<title>Crítica: Adoráveis Mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2020 01:49:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (Lady Bird &#8211; A Hora de Voar) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. Adoráveis Mulheres é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas. Nesta adaptação atual, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-lady-bird-a-hora-de-voar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Lady Bird &#8211; A Hora de Voar</em></a>) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas.</p>
<p>Nesta adaptação atual, a protagonista Jo March é vivida por Saoirse Ronan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duas-rainhas/"><em>Duas Rainhas</em></a>), que confere a assertividade necessária para a jovem revolucionária. Em uma época em que a melhor opção de vida da mulher era o casamento, Jo decide que quer ser dona de sua própria vida e não depender de homem. Mas suas irmãs não pensam da mesma forma. A sonhadora Meg (Emma Watson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bela-e-a-fera/"><em>A Bela e a Fera</em></a>) quer encontrar um príncipe encantado, enquanto a espevitada Amy (Florence Pugh, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Midsommar: O Mal Não Espera a Noite</em></a>) quer uma oportunidade de ser um grande destaque. Para Beth (Eliza Scanlen, série <em>Sharp Objects</em>), o melhor dos mundos é viver em paz com sua música e um bom piano.</p>
<p>A narrativa nos apresenta sem pressa todas as personagens, traçando a personalidade de cada uma e seus objetivos. Além disso, a presença forte da mãe interpretada por Laura Dern (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de Um Casamento</em></a>), funciona como uma referência para as meninas, mostrando de onde surgiu toda a força delas.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12165" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A figura masculina é deixada de lado na maior parte da trama, mostrando que aquele é um palco destinado às mulheres. Mesmo o personagem de Timothée Chalamet (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-rei/"><em>O Rei</em></a>), que possui grande importância na história, não tem tanto destaque quanto as demais personagens. Greta faz isso de uma maneira muito respeitosa com a obra original, pincelando pitadas de seu perfil de direção, que procura favorecer as mulheres. Essa conduta é sensata e necessária, afinal, é do que se trata a história.</p>
<p><em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é uma obra do século XIX mas que continua sendo extremamente atual. Discussões sobre o papel da mulher na sociedade, seu poder de escolha, as possibilidades que são apresentadas, as dificuldades que enfrenta. Tudo isso é tratado de uma maneira muito leve, porém contundente. O tom escolhido por Gerwig é na dose certa para apresentar novas nuances para a história, sem perder a sua essência.</p>
<p>Outro ponto alto é a incrível escolha de elenco. A unicidade de todos, a maneira como atuam e se respeitam em cena, torna a obra ainda mais equilibrada. Existe um entusiamos em participar do projeto que é perceptível pelo espectador. Temos ainda gratas surpresas, como a breve participação de Meryl Streep (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lavanderia/"><em>A Lavanderia</em></a>) no papel da tia March ou de Chris Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>) no papel do vizinho Sr. Laurence.</p>
<p>O quarteto principal tem uma dinâmica harmônica e verdadeiramente fraternal. É difícil definir quem é o elo mais interessante, quando todas apresentam características únicas e distintas. Ainda assim, Florence consegue roubar a cena em todos os momentos, de maneira muito natural. Seus momentos com Saoirse são os melhores do filme, definitivamente.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12166" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Adoráveis Mulheres" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O longa conta com o suporte de uma belíssima fotografia e figurino impecável, lembrando muito as produções de Joe Wright, como <em>Orgulho e Preconceito</em>. A trilha sonora, no entanto, não é o voto mais alto. Embora Alexandre Desplat seja um compositor de respeito, senti um pouco de preguiça da parte dele em inovar e apresentar algo mais memorável. Ainda assim, não é comprometedor. Apenas não se destaca, como seria o seu comum.</p>
<p>A escolha de Greta em contar a história através de <em>flashes</em> do passado intercalados com o presente é inteligente. Ao mesmo tempo em que o espectador anseia para descobrir mais sobre as personagens, fica com certa melancolia ao saber onde alguns deles vão parar ou que seus sonhos foram &#8220;frustrados&#8221;. As linhas temporais funcionam como elemento da trama, conferindo maior fluidez à narrativa.</p>
<p>A sensação que o longa passa é de acolhimento, não apenas pela história, como pelas personagens. Temos a vontade de entrar na tela e abraçar todos, vivendo aquele momento. Certamente por isso não percebemos as 2h15 de longa passar. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> tem uma vitalidade impressionante, que conquista o espectador logo de cara. Finalizamos a sessão com grandes momentos propostos pelo filme, especialmente quando, no final, fica ainda mais exposto a exigência da sociedade pelo casamento da mulher.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Greta Gerwig<br />
<strong>Elenco:</strong> Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, Timothée Chalamet, Laura Dern, Louis Garrel, Chris Cooper, Eliza Scanlen, Meryl Streep, Tracy Letts, Bo Odenkirk, James Norton, Jayne Houdyshell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/7nc1GE_hnLs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Lady Bird &#8211; A Hora de Voar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Feb 2018 14:28:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando somos jovens e estamos prestes a fazer a transição para a vida adulta, cultivamos uma série de expectativas sobre a independência dos vinte e poucos anos, sonhamos sobretudo em fugir de todas as amarras costuradas desde a infância e, como ato de rebeldia, negamos tudo aquilo que nos vincule ao projeto de vida que a família, a escola ou qualquer outra instituição nos propõe. No entanto, basta sairmos de casa e começarmos a encarar os horizontes da vida adulta [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Quando somos jovens e estamos prestes a fazer a transição para a vida adulta, cultivamos uma série de expectativas sobre a independência dos vinte e poucos anos, sonhamos sobretudo em fugir de todas as amarras costuradas desde a infância e, como ato de rebeldia, negamos tudo aquilo que nos vincule ao projeto de vida que a família, a escola ou qualquer outra instituição nos propõe. No entanto, basta sairmos de casa e começarmos a encarar os horizontes da vida adulta que passamos a ter cada vez mais saudade de nossas raízes. É sobre esse processo de reconciliação com nossas origens, inerente a qualquer processo de transição para a vida adulta vivenciado por um adolescente, que <i>Lady Bird: A Hora de Voar,</i> o segundo longa de Greta Gerwig (anteriormente ela havia conduzido o inédito no Brasil <i>Nights and Weekends </i>ao lado de Joe Swanberg), trata.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Christine McPherson é uma adolescente que está no último ano escolar em Sacramento. Parte de uma comunidade católica, Christine odeia a cidade onde mora, sonha em ir para Nova York &#8211; o extremo oposto de Sacramento &#8211; e contraria praticamente tudo aquilo que sua família espera dela, principalmente a sua rígida mãe. Até mesmo o seu nome, dado por seus pais e abençoado pela igreja, Christine nega, preferindo ser chamada por todos de Lady Bird, algo que se torna simbólico (e até literal no subtítulo brasileiro) por representar as aspirações da protagonista do filme com o desligamento do seio familiar (sair do ninho dos pais).</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8670" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/02/Lady-Bird.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>Lady Bird </i>não é um filme dado a inventividades ou qualquer vanguardismo cinematográfico. Com <i>Lady Bird</i>, Greta Gerwig quer contar uma história de ritos de passagem que não tem a urgência de seus concorrentes no Oscar por abordar eventos políticos ou históricos (<i>Dunkirk</i>, <i>O Destino de uma Nação </i>ou <i>The Post: A Guerra Secreta</i>), ter uma originalidade temática ou de exploração de um gênero (<i>Corra!</i>) ou mesmo ser dotado de um refinamento no uso dos elementos da linguagem cinematográfica (<i>Me Chame pelo seu Nome</i>). A potência de <i>Lady Bird </i>está na empatia com que constrói seus personagens e conduz sua jornada, sobretudo a protagonista interpretada pela graciosa Saoirse Ronan, e também na maneira simples como sua diretora e roteirista faz tudo isso. Gerwig torna o rito de passagem pelo qual sua protagonista passa palpável ao sair da zona dos estereótipos.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>No lugar de transformar a rebeldia de Lady Bird no capricho de uma menina mimada (o que não é), Gerwig faz com que a grande questão da sua protagonista seja a sensação de inadequação inerente à adolescência e a quem a vivenciou em ambientes mais rígidos como é o caso da comunidade católica de Sacramento representada no filme. Gerwig preenche essa garota de empatia pelo drama daqueles que a cercam, da sua severa mãe, interpretada brilhantemente por Laurie Metcalf, ao amigo que compartilha com ela o medo que sente pela possibilidade de Sacramento inteira descobrir que ele é gay. Isso tudo faz com que Lady Bird seja uma personagem com a qual as pessoas conseguem ter algum afeto e se relacionar com sua jornada. A protagonista é marcada por uma jornada de erros típicos da adolescência, o que a torna ainda mais humana, aderindo ao propósito de Gerwig de construir um conto sobre rito de passagem de forma maduro, mas simpática, bem humorada.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em <i>Lady Bird</i>, provavelmente o espectador não encontrará uma jornada de eventos com proporções globais, mas não há dúvidas de que encontrará uma trajetória com a qual se identificar. Não há razão para esperar que o filme seja mais do que ele é. Pequenos eventos como os vivenciado por Christine &#8216;Lady Bird&#8217; McPherson não têm dimensões simplórias, muito pelo contrário, talvez sejam as situações mais determinantes da vida da gente. É difícil dizer que <i>Lady Bird </i>é um filme ruim ou que ele não é &#8220;nada demais&#8221;, como andam desdenhando. Ainda que tenhamos outras preferências na temporada de prêmios, Gerwig e seu pequeno filme conquistam pela simpatia.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/GuZojySX8HE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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		<title>Crítica: Jackie</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Feb 2017 15:16:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Greta Gerwig]]></category>
		<category><![CDATA[Jackie]]></category>
		<category><![CDATA[Jacqueline Kennedy]]></category>
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		<category><![CDATA[Pablo Larrain]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jackie é o que Grace de Monaco poderia ter sido não fosse a falta de traquejo do diretor Olivier Dahan ao tratar da vida de Grace Kelly, um olhar preciso, psicológico e sensorial sobre o que significa tornar-se uma “pessoa pública”, estar sob a constante vigília dos olhares de um país ou do mundo, transformar sua própria vida numa grande encenação, até mesmo num momento de aguda tragédia. Em Jackie, Jacqueline Kennedy volta e meia está ensaiando seus movimentos para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Jackie </em>é o que <em>Grace de Monaco</em> poderia ter sido não fosse a falta de traquejo do diretor Olivier Dahan ao tratar da vida de Grace Kelly, um olhar preciso, psicológico e sensorial sobre o que significa tornar-se uma “pessoa pública”, estar sob a constante vigília dos olhares de um país ou do mundo, transformar sua própria vida numa grande encenação, até mesmo num momento de aguda tragédia. Em <em>Jackie</em>, Jacqueline Kennedy volta e meia está ensaiando seus movimentos para a nação, seu semblante, fala, expressões corporais. Todo o sonho de Camelot (alusão a uma canção preferida de Kennedy que nos remete à história do Rei Arthur), a Casa Branca como o retrato dos sonhos, da beleza, dos modelos é uma construção assumida desde o princípio e perder tudo isso subitamente faz a protagonista entrar em colapso. Agora ela terá que conduzir a sua própria dor em público.</p>
<p>Assim, Pablo Larraín traça um percurso psicológico, hermético em alguns momentos, é verdade, mas que encontra na sua caótica narrativa um diálogo com o estado desorquestrado dos sentimentos da ex-primeira dama dos EUA logo após presenciar a violenta morte do marido John F. Kennedy após ter seu crânio atingido por uma bala durante um desfile ao céu aberto em Dallas, no Texas. Jackie presenciou não apenas a morte do esposo, mas um ato de extrema violência, um contraste com tudo aquilo para o qual foi conduzida até então. No lugar da linearidade e daquilo que é dito, Larraín opta pelos silêncios, pelas idas e vindas no tempo, momentos entrecortados, desordem total e pelos registros isolados do luto de Jackie Kennedy, alinhando o seu filme ao estado emocional e à jornada interna da sua própria protagonista. Não esperem narratividade ou pelo menos uma montagem tradicional. O longa, como antecipado, tem o <em data-blogger-escaped-style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;, serif; font-size: 12pt;">modus operandi </em>de um pensamento e de um estado emocional desestabilizado.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7324" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/02/jackie-style09rv3.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Ao interpretar Jacqueline Kennedy como uma mulher enredada em uma época pelo dever de viver um papel por toda a sua vida, modelo de mulher, esposa e mãe para toda uma nação, Natalie Portman entrega uma das melhores interpretações da sua carreira, sobretudo quando a personagem tem que viver em público uma das suas mais difíceis caracterizações, a de viúva e testemunha de uma violência, assimilando a morte do esposo enquanto segue um protocolo e presta deveres a população ao mesmo tempo em que vê os colegas do presidente falecido apressarem o quanto podem a sucessão na Casa Branca. A atriz é acompanhada por outros atores que também têm ótimos momentos como Greta Gerwig, que vive Nancy, a assistente de Jackie, Billy Crudup como o jornalista que registra o depoimento da protagonista, e Peter Sarsgaard, intérprete do cunhado Bobby Kennedy, mas o palco é todo de Portman.</p>
<p><em>Jackie </em>é um filme difícil de ser assistido pela estrutura que, sabiamente, evita didatismos (portanto, quanto mais puderem saber sobre a história dos Kennedy, melhor), mas que é recompensador em muitas vias. Recompensador pela impecável interpretação de Natalie Portman, recuperando os trejeitos e a voz de Jackie (ainda que não seja fisicamente parecida com ela, acabou se tornando) e conduzindo exemplarmente suas complexas e nuançadas emoções, e também pelos esforços de Larraín que foge por completo daquilo que se espera do relato de uma grande personalidade no cinema, ou seja, uma biografia quadradona. A perspectiva do diretor consegue dimensionar emocionalmente sua personagem principal de maneira mais fiel do que muita biografia que ainda insiste em seguir uma burocrática cartilha de roteiro.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/vYAfwkwNpwI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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