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	<title>Arquivos Cillian Murphy - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Cillian Murphy - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Oppenheimer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jul 2023 17:07:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor, roteirista e produtor Christopher Nolan é uma das personalidades do cinema mais influentes da atualidade. Com uma carreira de grandes sucessos de público e crítica desde o início dos anos 2000, o cineasta costuma seguir uma mesma linha de produção em seus projetos: grandes histórias, uma equipe técnica potente e um roteiro que é bom, mas não consegue ultrapassar a barreira do sensível. De Amnésia (2000) até Tenet (2020) – passando pelo ‘queridinho’ Interstellar (2014) –, as produções [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O diretor, roteirista e produtor <strong>Christopher Nolan</strong> é uma das personalidades do cinema mais influentes da atualidade. Com uma carreira de grandes sucessos de público e crítica desde o início dos anos 2000, o cineasta costuma seguir uma mesma linha de produção em seus projetos: grandes histórias, uma equipe técnica potente e um roteiro que é bom, mas não consegue ultrapassar a barreira do sensível. De <em>Amnésia (2000)</em> até <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tenet/"><em>Tenet (2020)</em></a> – passando pelo ‘queridinho’ <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-interestelar/"><em>Interstellar (2014)</em></a> –, as produções encabeçadas por Nolan costumam ter dificuldade em se mostrar mais humanas. Elas lutam para chegar no sensível e ir além da dureza de uma produção industrial – ainda que essa tenha espaço para belas imagens, montagens e sons. No entanto, durante duas décadas, o resultado era o mesmo – qualidade técnica, mas nada de palpável no quesito emocional.</p>
<p>Até antes de assistir o mais novo trabalho do diretor, Nolan nunca havia furado essa bolha. Tudo sempre teve qualidade, uma maestria na execução dos processos, resultados belíssimos e maravilhosamente bem administrados. Mas nunca senti sensibilidade. Até então, tudo parecia uma linda embalagem de presente de Natal onde, dentro dela, não havia nada. A superficialidade das emoções humanas e das sensações mais intrínsecas não tinham sido exploradas até a chegada de <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. Esse pode ser o filme que mudará a trajetória da carreira do cineasta.</p>
<p>O longa-metragem, que estreia nesta quinta-feira (20), é um passo além do diretor em sua forma de fazer cinema. Não se enganem, a produção continua sendo bem administrada e rodeada por uma equipe técnica sublime – a prova disso está na montagem, fotografia, edição de som e trilha sonora. Contudo, é finalmente possível sentir algo, ainda que de forma sutil. Mesmo que Nolan tenha muito o que explorar sobre a densidade das emoções humanas daqui para frente, ele enfim furou a bolha com <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. O boneco de madeira se tornou um garoto de verdade e entregou o seu mais belo trabalho da carreira.</p>
<p>Na cinebiografia, o público embarca na vida de J. Robert Oppenheimer (Cillian Murphy), o físico teórico que ficaria conhecido como pai da bomba atômica. A história descreve desde os primeiros anos do cientista e seus contatos com figuras proeminentes do mundo da física até o início do Projeto Manhattan, seu resultado e os dilemas científico/éticos no pós Segunda Guerra. Em meio aos louros, os relacionamentos, a política e a vaidade, Oppenheimer marcou a história da humanidade como o Prometeu moderno, dando ao povo o poder de se destruir com o início da corrida nuclear.</p>
<p>A partir de uma história como essa, o filme poderia ser muitas coisas, inclusive só mais uma cinebiografia que cairia no esquecimento em pouco tempo. A virada de chave, no entanto, está no <em>timing</em> que o projeto é lançado. Ainda que fale de um acontecimento histórico de décadas atrás, a perspectiva de discutir a relação entre avanço da ciência, guerra e ética não poderia ser mais atual. Com dilemas da inteligência artificial e as atrocidades da guerra na Ucrânia acontecendo, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> chega aos cinemas pronto para pontuar o que precisa ser discutido no momento sobre esses assuntos – e, desta vez, com camadas e profundidade.</p>
<p>Baseado no livro ‘Prometeu Americano’, de Kai Bird e Martin J. Sherwin, o roteiro consegue tornar central a discussão da vaidade do personagem e o dilema que a sua invenção gerou para a humanidade e para si. Esse pano de fundo, unido com uma montagem brilhante de Jennifer Lame (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de um Casamento</em></a>, de 2019, e <em>Pantera Negra: Wakanda Para Sempre</em>, de 2022) e as performances de um elenco potente faz as três horas de duração passarem despercebidas. <em><strong>Oppenheimer</strong></em> é um dos melhores trabalhos de Nolan também como roteirista – o qual, possivelmente, estará como um dos favoritos na corrida pela estatueta no Oscar de 2024.</p>
<figure id="attachment_16943" aria-describedby="caption-attachment-16943" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-16943" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-750x500.jpg" alt="Oppenheimer (2023)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-610x406.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2.jpg 1169w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16943" class="wp-caption-text">Cillian Murphy em cena de &#8216;Oppenheimer&#8217; (2023)</figcaption></figure>
<p>Outro ponto de destaque na técnica do filme é a fotografia. Como a narrativa se divide em duas tramas – a trajetória de Oppenheimer e a audiência de decisão da entrada de Lewis Strauss como secretário na Casa Branca -, o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema (<em>Tenet</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-nao-olhe/"><em>Não! Não Olhe!</em></a>, de 2022) teve a oportunidade de brincar com cores, sombras e formas da imagem em <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. Sendo uma das frentes narrativas colorida e a outra em preto e preto, Hoyte entrega um espetáculo visual de tirar o fôlego.</p>
<p>E para permitir que o diretor de fotografia gerasse imagens ainda mais espetaculares, o departamento de arte, especificamente a equipe de efeitos práticos, teve que trabalhar muito. As cenas de recriação da explosão da bomba atômica são algumas das mais belas de se assistir ao longo do filme – e, possivelmente, da filmografia de Christopher Nolan. O trabalho da equipe supervisionada por Scott R. Fisher é fundamental para gerar a humanidade que <em><strong>Oppenheimer</strong></em> necessitava – e que Nolan precisava trazer há anos para suas produções.</p>
<p>Além dos destaques e das possíveis indicações pelo roteiro, montagem e edição, fotografia e efeitos visuais, a edição de som, a trilha sonora e o figurino são outros fortes nomes para indicações aos maiores prêmios de cinema do ano. Falando especificamente do som, ele é, ao lado da fotografia, um dos principais aliados para impulsionar a narrativa. Se <em><strong>Oppenheimer</strong></em> é capaz de alcançar voos ainda mais altos é porque o santíssimo quinteto direção-roteiro-fotografia-som-trilha está operando de forma coesa e eficaz. E o trabalho de composição de Ludwig Göransson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-pantera-negra/"><em>Pantera Negra</em></a>, de 2018) é impressionante, potente e completa este pentágono criativo.</p>
<p>Por fim, e não menos importante, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> alcança o que alcança por mais duas razões, seu elenco estelar e a direção de Christopher Nolan. Desta vez, diferente da maioria de seus trabalhos, o cineasta pareceu sair de sua função de administrador de uma produção e mergulhou de cabeça como criador, se permitindo sentir e se sensibilizar pela história que estava construindo. Essa dedicação diferenciada para o projeto é claramente sentida desde os primeiros minutos do filme. Nolan terá uma dura concorrência na temporada do Oscar – como por exemplo o forte nome da brilhante Greta Gerwig por <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-barbie/"><em>Barbie (2023)</em></a> -, mas, desta vez, o nome do diretor estar entre os indicados é mais do que merecido.</p>
<p>Para encerrar a composição de potência da produção, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> conta com um grande elenco. Seja na extensão ou em qualidade, os atores e as atrizes envolvidos nesse processo são um reforço da coesão do projeto e dão razão ao adjetivo. Evidentemente existe um destaque maior para três pessoas: Cillian Murphy, Robert Downey Jr. e Emily Blunt. Os três são as apostas para o Oscar, podendo até, quem sabe, render uma estatueta para o eterno Homem de Ferro, mostrando à Hollywood que ele pode e é mais do que ator de um só personagem.</p>
<p>Regada de dúvidas, delírios e vaidades, a jornada pessoal e ética do físico J. Robert Oppenheimer é, sem sombra de dúvidas, um dos filmes do ano e marcará a temporada de premiações por sua qualidade e poderio técnico. Além de, como pontuado algumas vezes ao longo do texto, ser, quem sabe, uma nova fase para Christopher Nolan. Se <strong><em>Oppenheimer</em></strong> representar o início de uma nova era de produções com mais profundidade e sensibilidade do cineasta britânico, então o futuro do cinema guarda algo inspirador. Caso tenha sido apenas um flerte momentâneo com esse lado mais denso e humano do diretor, pelo menos o mundo terá a oportunidade de vivenciar a experiência cinematográfica que é assistir ao filme.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher Nolan</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Cillian Murphy, Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr., Florence Pugh, Josh Hartnett, Casey Affleck, Rami Malek, Kenneth Branagh, Benny Safdie e Jack Quaid</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/F3OxA9Cz17A?si=t_qYi7N4cEY9hHD9" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Anna &#8211; O Perigo tem Nome</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Aug 2019 00:02:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1990, Luc Besson chegava aos cinemas com Nikita: Criada para Matar, trazendo para o centro da sua narrativa uma personagem feminina interpretada Anne Paurillaud, que vivia uma assassina sagaz. O longa teve uma boa repercussão e ajudou a cimentar a carreira do diretor em Hollywood com títulos de sucesso como O Profissional e O Quinto Elemento. Anna &#8211; O Perigo tem Nome possui paralelos com a empreitada de 1990 do cineasta, mas em meio à atmosfera de &#8220;retorno às [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1990, Luc Besson chegava aos cinemas com <em>Nikita: Criada para Matar</em>, trazendo para o centro da sua narrativa uma personagem feminina interpretada Anne Paurillaud, que vivia uma assassina sagaz. O longa teve uma boa repercussão e ajudou a cimentar a carreira do diretor em Hollywood com títulos de sucesso como <em>O Profissional</em> e <em>O Quinto Elemento</em>. <strong><em>Anna &#8211; O Perigo tem Nome</em> </strong>possui paralelos com a empreitada de 1990 do cineasta, mas em meio à atmosfera de &#8220;retorno às origens&#8221; que o longa traz, falta ao projeto um pouco mais de pulso para distingui-lo no cenário contemporâneo.</p>
<p><strong><em>Anna &#8211; O Perigo tem Nome</em></strong> conta a história de uma jovem que nos anos de 1980 se transforma numa modelo e logo em seguida entra para o mundo da espionagem colocando-se entre americanos e soviéticos numa trama cheia de reviravoltas. O filme acaba sendo um longa que mistura ação num cenário europeu que oscila entre o glamour do universo das <em>top models</em> e a atmosfera de perigo dos embates entre agentes infiltrados com cenas de ação que fazem justiça às melhores lembranças do diretor nessa seara.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11149" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Anna-2-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Anna-2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Anna-2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Anna-2-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Besson consegue sustentar o teor absurdo, irônico e levemente descompromissado da narrativa de Anna, entretendo o público na maior parte da projeção ainda que o filme cometa pecados na reconstituição de sua época (há muitos equívocos na ambientação dos anos de 1980 com tecnologias, utensílios e vestuários que não condizem com a época). A revelação de Besson da vez, a ex-modelo Sasha Luss segura as pontas nas sequências de ação e também quando é requisitada para exercitar o seu lado mais dramático. O longa ainda conta com um bom elenco de coadjuvantes que dá um plus no projeto, entre eles, Helen Mirren e Cillian Murphy.</p>
<p>Anna infelizmente se perde um pouco nos seus diversos <em>twists</em>. Besson costura uma narrativa cheia de revelações que parece inspirada nas bonecas russas que em certo momento são vendidas pela protagonista numa feira popular. Isso acaba fazendo com que a trama do filme se perca na cronologia e exercite a paciência do espectador. Acaba sendo uma história que se auto-sabota em inúmeros momentos pela insistência com a qual recorre ao fator &#8220;surpresa&#8221; como sinônimo de originalidade. Há bons momentos e é um entretenimento levemente satisfatório, mas, de maneira geral, não é o exemplar mais brilhante que o cineasta já entregou em sua carreira.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Luc Besson<br />
<strong>Elenco:</strong> Sasha Luss, Helen Mirren, Luke Evans, Cillian Murphy, Lera Abova, Alexander Petrov, Nikita Pavlenko, Anna Krippa, Aleksey Maslodudov, Eric Godon</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/OAW_Y4tp_sM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Dunkirk</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2017 15:54:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor Christopher Nolan retorna aos cinemas com um filme de guerra, perfil um pouco diferente daqueles de super-heróis que vemos ele trabalhar costumeiramente. O que ele tem experiência, no entanto, é em cenas de ação, coisas que ambos os estilos de filme possuem e Nolan soube explorar muito bem e sem exageros. Dunkirk conta a história da evacuação do exército inglês e francês da Segunda Guerra Mundial quando os mesmos são rodeados pelos alemães e tentam sobreviver a cada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O diretor Christopher Nolan retorna aos cinemas com um filme de guerra, perfil um pouco diferente daqueles de super-heróis que vemos ele trabalhar costumeiramente. O que ele tem experiência, no entanto, é em cenas de ação, coisas que ambos os estilos de filme possuem e Nolan soube explorar muito bem e sem exageros.</p>
<p><em>Dunkirk</em> conta a história da evacuação do exército inglês e francês da Segunda Guerra Mundial quando os mesmos são rodeados pelos alemães e tentam sobreviver a cada minuto. O enredo traz três visões da situação, de mar, terra e ar, culminando em um evento comum que é a tentativa de se salvar. É uma narrativa de desconhecidos e explorada de forma interessante.</p>
<p>O longa apresenta um cenário e trabalha os recursos visuais muito bem. O diretor tem bastante cuidado ao respeitar as visões daquela época e adequar o filme ao estilo que ele propõe. A história vai sendo construída aos poucos, sem duvidar da capacidade de raciocínio lógico do espectador. O que é excelente, visto que o tema em si não é lá tão inovador.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7968" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/07/491138.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Como eu sinalizei, é uma batalha de anônimos e a tentativa de salvar suas vidas. As tomadas de cena são muito bem feitas, passando de um cenário ao outro de forma gradual e inteligente É um cuidado com construção muito bem realizado e válido, tornando tudo ainda mais crível. Nolan consegue ainda mesclar os momentos de ação forte com calmaria sem soar forçado ou monótono demais. Afinal, é um filme de guerra. Ele fica neste limiar mesmo.</p>
<p>A trama demora um pouco para ligar as três histórias que citei inicialmente. Talvez aí more um problema, já que a percepção do espectador fica um pouco perdida até o momento central. Depois de mais de uma hora de exibição é que algumas coisas vão sendo explicadas e entendidas com mais clareza. No final das contas, é como se ninguém fosse o protagonista do longa (o que tem um lado bom e um ruim, é bem verdade).</p>
<p>Sob a análise mais técnica, o diretor trouxe ainda para a equipe o compositor Hans Zimmer, especialista em trilhas sonoras de impacto e que contribuiu pesadamente para o andamento de <em>Dunkirk</em>. É um espetáculo à parte mesmo, como sempre. O roteiro também é bastante coerente e satisfatório.</p>
<p>Um outro problema, no entanto, é a diferença de evolução do início para o final. O filme tem um início mais desconexo e aleatório, focando na mescla de calmaria com tensão. O que é excelente porque funciona perfeitamente bem na proposta. No entanto, no final ele começa a assumir um papel mais voltado para o heroísmo, que destoa completamente do que é pensado inicialmente.</p>
<p>De qualquer forma, é um filme bom e com grandes elementos a serem apreciados. Algumas falhas na narrativa e execução, mas nada que tire o seu sucesso final.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/yHS0vaex9PM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Transcendence &#8211; A Revolução</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jun 2014 16:02:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Sobre Transcendence &#8211; A Revolução as recentes manchetes dos jornais falam do mais novo fiasco da filmografia de Johnny Depp, buscando explicações para o declínio de um ator versátil como ele, sempre tão exitoso em suas empreitadas. Evidente que não se pode atribuir a Depp o fracasso dos seus últimos filmes, talvez a sua entrada nesses projetos, mas sabe-se lá Deus sob que circunstâncias ocorreram. O fato é que o ator é protagonista da emperrada engrenagem do Star System que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1303" aria-describedby="caption-attachment-1303" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/trans.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1303 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/trans-620x351.jpg" alt="TRANSCENDENCE" width="620" height="351" /></a><figcaption id="caption-attachment-1303" class="wp-caption-text">Transcendência: Personagem de Johnny Depp deseja utilizar a inteligência artificial para superar as limitações da vida.</figcaption></figure>
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<p>Sobre <em>Transcendence &#8211; A Revolução </em>as recentes manchetes dos jornais falam do mais novo fiasco da filmografia de Johnny Depp, buscando explicações para o declínio de um ator versátil como ele, sempre tão exitoso em suas empreitadas. Evidente que não se pode atribuir a Depp o fracasso dos seus últimos filmes, talvez a sua entrada nesses projetos, mas sabe-se lá Deus sob que circunstâncias ocorreram<em>. </em>O fato é que o ator é protagonista da emperrada engrenagem do <em>Star System </em>que já não serve Hollywood com tanta eficiência e vai, gradativamente, entrando para o limbo dos atores impiedosamente &#8220;descartados&#8221; em prol da hiper-valorização dos mais novos como Jennifer Lawrence, Robert Pattinson, Ryan Gosling, Emma Stone ou Shailene Woodley. Julia Roberts, Tom Cruise, Nicole Kidman, Renée Zellweger, Jim Carrey, todos já passaram por isso. Alguns conseguiram se reinventar, outros ainda estão tentando encontrar o seu caminho. O fato é que <em>Transcendence &#8211; A Revolução </em>não é um filme de resultados pífios por Johnny Depp estar nele, mas o fato de um ator do seu calibre se expor repetidamente a projetos inabilidosamente conduzidos como esse longa é preocupante.</p>
<p><em>Transcendence &#8211; A Revolução </em>traz a história de um pesquisador sobre inteligência artificial que começa a desenvolver secretamente um projeto que visa utilizar a tecnologia para preservar o planeta do desgaste e da depredação. Além disso, Will Caster, o sujeito em questão, deseja superar a própria limitação da vida humana, preservando as funções do seu cérebro em um sistema avançado de inteligência artificial. Tudo o que Caster faz é pensando na iminência da sua morte já que tem sua vida ameaçada por um grupo de extremistas que são contra determinadas interferências da tecnologia no dia-a-dia humano. O pesquisador também faz tudo isso pensando na sua esposa Evelyn, com quem tem uma relação cercada por muito afeto, admiração e parceria.</p>
<figure id="attachment_1304" aria-describedby="caption-attachment-1304" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/trans1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1304 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/trans1-620x362.jpg" alt="trans1" width="620" height="362" /></a><figcaption id="caption-attachment-1304" class="wp-caption-text">Elenco de peso: Johnny Depp, Rebecca Hall e Paul Bettany são apenas alguns dos atores que fazem parte do filme. Infelizmente, nem todos eles são aproveitados.</figcaption></figure>
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<p>Conduzido por Wally Pfister, diretor de fotografia dos últimos filmes de Christopher Nolan, a trama de <em>Transcendence &#8211; A Revolução </em>segue caminhos bem parecidos com os longas do diretor da trilogia <em>O Cavaleiro das Trevas</em>, a influência é clara. A história inspira a habitual engenhosidade dos roteiros de Nolan, tem um &#8220;pézinho&#8221; no suspense e em abordagens mais cerebrais e traz no seu cartaz um elenco muito interessante, alguns deles, inclusive, já trabalharam com Nolan, como é o caso de Rebecca Hall (<em>O Grande Tr</em><em>uque</em>), Morgan Freeman (a trilogia <em>O Cavaleiro das Tr</em>evas<em>)</em> e Cillian Murphy (<em>Batman Begins </em>e <em>A Origem</em>). O filme de Pfister se diferencia apenas por sugerir abraçar com mais força a subjetividade dos seus personagens, o que Nolan propositadamente, em diversos projetos, trafega com timidez. O roteiro do estreante em longas Jack Paglen tem como condutor dos seus atos o relacionamento do protagonista com a esposa Evelyn, sobretudo os efeitos das ações dele na personagem de Rebecca Hall.</p>
<p>Já que falamos de Rebecca Hall é preciso dizer que a atriz mantém a qualidade do seu trabalho aqui. Como Depp ausenta-se em diversos momentos, o centro da narrativa acaba voltando-se para ela e poucas atrizes conseguem lidar com uma personagem tão conturbada internamente de maneira tão cuidadosa e nada excessiva quanto Hall, de longe, a que sai ilesa das decisões questionáveis do projeto. Depp está bem quando surge em cena (e, nesse quesito, levanto as mãos para os céus por esse não ser um daqueles personagens excêntricos no qual o ator costuma carregar nas tintas em sua composição), mas o centro da trama acaba sendo Hall, que domina cada quadro desse filme com sua habitual competência. No mais, apesar de contar com um elenco que traz Paul Bettany, Morgan Freeman, Cillian Murphy, Kate Mara e Clifton Collins Jr., <em>Transcendence- A Revolução</em> não faz nada por nenhum deles. Diferente do casal principal, seus personagens são rasos e surgem na tela como um capricho da ficha técnica do filme.</p>
<figure id="attachment_1305" aria-describedby="caption-attachment-1305" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/7transcendence06_600_600x450_6fbaecd4f4.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1305 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/7transcendence06_600_600x450_6fbaecd4f4.jpg" alt="7transcendence06_600_600x450_6fbaecd4f4" width="600" height="341" /></a><figcaption id="caption-attachment-1305" class="wp-caption-text">O casal Caster: A dedicação de Will e Evelyn ao relacionamento deles é o ponto central de toda a história do filme.</figcaption></figure>
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<p>O que destrói <em>Transcendence &#8211; A Revolução </em>é a própria ambição da sua história. Chega um determinado ponto da fita que nem Wally Pfister, nem o roteirista Jack Paglen, conseguem sustentar as demandas que chamam para si ao longo da narrativa, culminando em um terceiro ato que é corrosivo para o filme e acaba transformando-o em uma história de pouca credibilidade. Paglen não consegue dar um desfecho satisfatório ao projeto e não mantém uma linha ascendente no desenvolvimento de sua trama e dos seus personagens. Quando chega no clímax da história interrompe todos os eventos com frases de efeito e decisões amadoras que saltam a tela.</p>
<p>E, nesse quesito, quem pode culpar Johnny Depp por se envolver na primeira empreitada como realizador do diretor de fotografia de Christopher Nolan? Por querer trabalhar com Morgan Freeman, Rebecca Hall, Paul Bettany, Cillian Murphy? Talvez possamos culpá-lo por ter aceitado um roteiro que não dá conta do próprio peso e dramaticidade da história e da complexidade de temas que convoca, mas dai também não sabemos o que aconteceu entre o processo de sua finalização e início de suas filmagens (é muito comum que em projetos desse porte o roteiro seja reescrito por exigência do estúdio). Especulações&#8230; O fato é que não há como culpar Depp por atender a um chamado desses em um projeto que de fato parecia promissor com todos esses indícios positivos. O cinema, como toda forma de expressão, é uma caixinha de surpresas e não dá para prever os caminhos que uma obra irá percorrer, ter garantia do seu sucesso ou ter controle sobre o que acontece durante o processo criativo. O que dá para dizer é que Depp está longe de ser o culpado pelo fiasco de <em>Transcendence</em>. No entanto, infelizmente, a indústria costuma ser implacável nesse tipo de escorregada, antecedida por tantas outras como <em>Alice no País das Maravilhas</em>, <em>Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas</em>, <em>O Diário de um Jornalista Bêbado</em>, <em>O</em> <em>Turista</em>, <em>Sombras da Noite </em>e <em>O Cavaleiro Solitário</em>. É assim que funciona, amigos.</p>
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