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	<title>Arquivos Chlöe Sevigny - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Chlöe Sevigny - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Até os Ossos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Nov 2022 14:10:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Até os Ossos, Luca Guadagnino aposta no romance entre dois canibais para construir um filme que tensiona o tempo inteiro sensibilidade e violência. Na história, Maren (a excelente Taylor Russell) é uma jovem que descobre desde cedo uma vontade incontrolável de se alimentar de carne humana. Abandonada pelo pai, Maren vive à margem da sociedade e acaba encontrando companhia em Lee, um rapaz que também é canibal e que, assim como ela, teve que aprender desde cedo a lidar [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ate-os-ossos/">Crítica: Até os Ossos</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>Até os Ossos</strong></em>, Luca Guadagnino aposta no romance entre dois canibais para construir um filme que tensiona o tempo inteiro sensibilidade e violência. Na história, Maren (a excelente Taylor Russell) é uma jovem que descobre desde cedo uma vontade incontrolável de se alimentar de carne humana. Abandonada pelo pai, Maren vive à margem da sociedade e acaba encontrando companhia em Lee, um rapaz que também é canibal e que, assim como ela, teve que aprender desde cedo a lidar com a solidão que sua condição lhe traz. Assim, todo o contexto do canibalismo, através desses personagens marginalizados pela sociedade em função das suas próprias condições, serve para <em>Até os Ossos</em> compor um conto cheio de sensibilidade sobre a solidão, ou o lugar sombrio e melancólico para onde ela nos leva, e a importância do encontro e da partilha com um semelhante para nossa saúde e nosso desenvolvimento pessoal.</p>
<p>Em mais um flerte com o gore (o diretor foi responsável pelo remake de <em>Suspiria</em>), Luca Guadagnino faz um filme cheio de sensibilidade como seu popular <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><em>Me Chame pelo seu Nome</em></a> trazendo para o centro do seu conflito um casal principal que representa estratos sociais apartados do convívio em sociedade. Maren e Lee sentem vergonha e repulsa por se alimentarem de carne humana, aliás, são poucos os canibais apresentados no filme que convivem em paz com esse traço de identidade dado pela própria natureza. Nesse sentido, <strong><em>Até os Ossos</em></strong> serve para Guadagnino falar sobre a rejeição em diversas esferas: social, familiar e, claro, a auto rejeição. Aqui, o encontro amoroso entre Maren e Lee é uma espécie de tábua de salvação para uma vida aparentemente condenada a condições precárias de existência.</p>
<p>No filme, Guadagnino explora o gore de maneira ostensiva. O diretor não poupa sangue e vísceras em cada cena na qual os canibais atacam suas vítimas. No entanto, o cineasta provoca e explora bastante todas as reverberações desse seu flerte com o fantástico em uma realidade prática. Assim, ao mesmo tempo que <strong><em>Até os Ossos</em></strong> causa asco com suas cenas nas quais os canibais parecem urubus em torno dos corpos que lhes servem de alimento, também é capaz de muita ternura e empatia ao construir dores muito palpáveis para seus protagonistas. O sentimento de solidão e os conflitos morais em torno do canibalismo presentes em toda a jornada de Maren e Lee são críveis para o espectador, é possível senti-los e se colocar no lugar desse casal.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16184" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01.jpg" alt="Até os Ossos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Dada a fama de Timothée Chalamet e sua parceria pregressa com Guadagnino em <em>Me Chame pelo seu Nome</em>, o ator tem sido o chamariz da campanha de marketing do filme, mas é a atriz Taylor Russell quem se destaca nesse mais recente longa do diretor. Chalamet está ótimo como Lee, uma escalação impecável, não resta dúvidas, mas a alma e o coração de <em><strong>Até os Ossos</strong> </em>é Taylor Russell, revelada para o grande público no drama <em>As Ondas</em>, pouco visto no Brasil por problemas de distribuição. A atriz desenvolve gradativamente e com muita maturidade toda a jornada da sua personagem no filme. Há participações especiais de nomes conhecidos -Michael Stuhlbarg e Chlöe Sevigny, por exemplo -, mas cabe uma menção de destaque entre os coadjuvantes de <em>Até os Ossos</em> para Mark Rylance. O ator interpreta Sully, um canibal que cria uma perturbadora afeição por Maren desde o início da história, levando a relação a extremos ao longo do filme.</p>
<p><strong><em>Até os Ossos</em></strong> é um filme comprometido com a experiência emocional do espectador, mas não se entrega a caminhos óbvios. Flertando com o horror, o romance entre canibais de Luca Guadagnino é mais um ótimo momento de um cineasta que depois do sucesso de <em>Me Chame pelo seu Nome</em> parece não querer se reduzir a um diretor que mira no gosto das grandes premiações, mas que se desafia em histórias que, até então, parecem muito diferentes umas das outras, conversando com gêneros não tão consagrados assim pelas instâncias mais visadas de consagração.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Luca Guadagnino</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Timothée Chalamet, Taylor Russell, Mark Rylance, Michael Stuhlbarg, Andre Holland, Chloë Sevigny, David Gordon Green, Jessica Harper</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/LTPCgWWwTXI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: Queen &#038; Slim (Google Play)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2020 16:04:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Após se envolverem na morte de um policial branco, Angela Johnson e Ernest Hines se veem obrigados a sair pelas estradas dos EUA como dois foras-da-lei. Ao mesmo tempo em que são tratados como criminosos pela mídia branca do país, a comunidade negra passa a abraçar o casal, que estava no seu primeiro encontro após se conhecerem pelo Tinder, como símbolo da resistência contra a opressão pelas autoridades. A premissa de Queen &#38; Slim, dirigido por Melina Matsoukas e roteirizado [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Após se envolverem na morte de um policial branco, Angela Johnson e Ernest Hines se veem obrigados a sair pelas estradas dos EUA como dois foras-da-lei. Ao mesmo tempo em que são tratados como criminosos pela mídia branca do país, a comunidade negra passa a abraçar o casal, que estava no seu primeiro encontro após se conhecerem pelo Tinder, como símbolo da resistência contra a opressão pelas autoridades.</p>
<p>A premissa de <em><strong>Queen &amp; Slim</strong></em>, dirigido por Melina Matsoukas e roteirizado por Lena Waithe reativa na nossa memória cinéfila a história de <em>Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas</em>, longa de 1967 protagonizado por Faye Dunaway e Warren Beatty e dirigido por Arthur Penn. As semelhanças são sensíveis e <em>Queen &amp; Slim</em> faz isso de maneira intencional para dimensionar o racismo nos EUA e o sentimento de coação da comunidade, sobretudo em suas relações com instituições punitivas e julgadoras, como a mídia, a polícia e o sistema judiciário.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13101" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Queen-Slim.jpg" alt="Queen &amp; Slim, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Queen-Slim.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Queen-Slim-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/Queen-Slim-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Matsoukas faz um belíssimo road movie que mistura elementos de crítica social com romance de maneira vibrante, sobretudo porque conta com uma dupla de atores como Daniel Kaluuya (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-corra/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Corra!</em></a>)e Jodie Turner-Smith (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-demonio-de-neon/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Demônio de Neon</em></a>), em completa sinergia na tela, algo fundamental para o êxito de uma história calcada em um casal formado por indivíduos de personalidades complementares e opostas. Kaluuya confere inexperiência, sensibilidade e doçura a um rapaz que de repente se transforma aos olhos de todo o país nas figuras extremas de herói e bandido. Já Jodie Turner-Smith tem uma presença dominante em cena ao interpretar a advogada segura, durona e de pensamento ágil que toma as rédeas da situação na maioria das vezes. Conforme essa relação vai evoluindo e é atravessada pela adrenalina da circunstância de fuga da polícia, um parece se beneficiar dos traços do outro empreendendo uma linda jornada de humanização e de senso de causa.</p>
<p><em><strong>Queen &amp; Slim</strong></em> é um longa delicioso de assistir. Comprometido com a sua causa e seu discurso incisivo sobre questões sociais, é uma história com identidade e que consegue enlaçar o público sobretudo pela sua dupla talentosa de protagonistas. Com uma premissa simples e um quadro de referências aparentemente batido. Melina Matsoukas faz um filme cheio de personalidade, que consegue ser duro e clínico sobre a realidade, mas que consegue encontrar afeto no meio da sua superfície áspera.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Melina Matsoukas<br />
<strong>Elenco:</strong> Daniel Kaluuya, Jodie Turner-Smith, Bokeem Woodbine, Flea, Chloe Sevigny, Sturgill Simpson, Indya Moore, Benito Martinez, Jahi Di&#8217;Allo Winston</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/flX1iAEy6XU" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Amor e Amizade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Aug 2016 19:30:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Amor e Amizade]]></category>
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		<category><![CDATA[Jane Austen]]></category>
		<category><![CDATA[Kate Beckinsale]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado em um dos trabalhos menos conhecidos da escritora inglesa Jane Austen (também foi o que mais enfrentou dificuldades para a sua publicação), Amor e Amizade é uma adaptação de Lady Susan e conta a história de uma viúva (Kate Beckinsale) criando estratagemas para manipular sua família e um amante casado enquanto encontra um novo pretendente para si e para a sua filha. O longa é dirigido e roteirizado por Whit Stillman, de Descobrindo o Amor e Os últimos embalos da Disco, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Baseado em um dos trabalhos menos conhecidos da escritora inglesa Jane Austen (também foi o que mais enfrentou dificuldades para a sua publicação), <i>Amor e Amizade </i>é uma adaptação de <i>Lady Susan</i> e conta a história de uma viúva (Kate Beckinsale) criando estratagemas para manipular sua família e um amante casado enquanto encontra um novo pretendente para si e para a sua filha. O longa é dirigido e roteirizado por Whit Stillman, de <i>Descobrindo o Amor </i>e <i>Os últimos embalos da Disco</i>, que, por sinal, trazia as mesmas Beckinsale e Chloë Sevigny como protagonistas, sendo que aqui a importância da primeira é bem maior (Sevigny vive a melhor amiga de Lady Susan). O saldo é um longa delicioso, que consegue se apropriar muito bem da ironia e da crítica social conduzida de maneira particular por esta história de Austen, e ainda é palco para um interessante desempenho de Kate Beckinsale, que sempre apresentou uma carreira marcada por muitas interpretações de êxito questionável.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em <i>Amor e Amizade</i>, Stillman consegue dosar direção e roteiro com decisões inteligentes que não se sobrepõem a sua própria história e personagens, ponto alto e enfoque do filme. O realizador encontra soluções interessantes em aspectos como a apresentação dos seus personagens e uma seleção certeira da sua trilha sonora, elementos que conferem uma jovialidade insuspeita a adaptação, mas, ao mesmo tempo, não a deixam afetada ao ponto de torna-la um apelo desesperado para as novas gerações. Stillman foi certeiro ao entender que para fazer de <i>Amor e Amizade </i>uma história acessível ao público de hoje, bastava confiar no caráter atemporal do próprio trabalho de Austen e, seguindo a tradição das suas melhores adaptações, entrega-se por completo ao espírito do material de origem do seu filme.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6593" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/08/lovef.png" alt="lovef" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O centro das atenções no longa de Stillman é mesmo Kate Beckinsale que, ao menos aqui, passa uma borracha na sua relativamente injusta fama de atriz canastrona e torna sua Lady Susan uma personagem manipuladora, inteligente e irônica, mas tudo por &#8220;debaixo dos panos&#8221;. Beckinsale faz isso sem cair no equívoco de transformá-la em uma vilã cartunesca, ou melhor, evitando fazer de Lady Susan uma vilã, o que poderia ser trágico para os anseios do próprio filme. No final das contas, é esse olhar para a sua protagonista e suas ações que Stillman e seu filme reivindicam o tempo todo do espectador. <i>Amor e Amizade </i>acaba sendo um estudo interessante desta personagem, mas também do contexto social no qual ela está inserida e que acaba moldando suas ações e personalidade. Não deixa de ter o seu desfecho romântico, mas como tudo o que Austen fez, guarda em suas sutis sugestões uma crítica afiada aos preconceitos cultivados pelo coletivo que podem levar à distorção moral de pessoas como Lady Susan que, por sua vez, usam isso como um artifício de sobrevivência social.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/xYF1ctpHd60" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Créditos:</strong> Quadro por Quadro</p>
</div>
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