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	<title>Arquivos Casey Affleck - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Casey Affleck - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Oppenheimer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jul 2023 17:07:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor, roteirista e produtor Christopher Nolan é uma das personalidades do cinema mais influentes da atualidade. Com uma carreira de grandes sucessos de público e crítica desde o início dos anos 2000, o cineasta costuma seguir uma mesma linha de produção em seus projetos: grandes histórias, uma equipe técnica potente e um roteiro que é bom, mas não consegue ultrapassar a barreira do sensível. De Amnésia (2000) até Tenet (2020) – passando pelo ‘queridinho’ Interstellar (2014) –, as produções [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O diretor, roteirista e produtor <strong>Christopher Nolan</strong> é uma das personalidades do cinema mais influentes da atualidade. Com uma carreira de grandes sucessos de público e crítica desde o início dos anos 2000, o cineasta costuma seguir uma mesma linha de produção em seus projetos: grandes histórias, uma equipe técnica potente e um roteiro que é bom, mas não consegue ultrapassar a barreira do sensível. De <em>Amnésia (2000)</em> até <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tenet/"><em>Tenet (2020)</em></a> – passando pelo ‘queridinho’ <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-interestelar/"><em>Interstellar (2014)</em></a> –, as produções encabeçadas por Nolan costumam ter dificuldade em se mostrar mais humanas. Elas lutam para chegar no sensível e ir além da dureza de uma produção industrial – ainda que essa tenha espaço para belas imagens, montagens e sons. No entanto, durante duas décadas, o resultado era o mesmo – qualidade técnica, mas nada de palpável no quesito emocional.</p>
<p>Até antes de assistir o mais novo trabalho do diretor, Nolan nunca havia furado essa bolha. Tudo sempre teve qualidade, uma maestria na execução dos processos, resultados belíssimos e maravilhosamente bem administrados. Mas nunca senti sensibilidade. Até então, tudo parecia uma linda embalagem de presente de Natal onde, dentro dela, não havia nada. A superficialidade das emoções humanas e das sensações mais intrínsecas não tinham sido exploradas até a chegada de <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. Esse pode ser o filme que mudará a trajetória da carreira do cineasta.</p>
<p>O longa-metragem, que estreia nesta quinta-feira (20), é um passo além do diretor em sua forma de fazer cinema. Não se enganem, a produção continua sendo bem administrada e rodeada por uma equipe técnica sublime – a prova disso está na montagem, fotografia, edição de som e trilha sonora. Contudo, é finalmente possível sentir algo, ainda que de forma sutil. Mesmo que Nolan tenha muito o que explorar sobre a densidade das emoções humanas daqui para frente, ele enfim furou a bolha com <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. O boneco de madeira se tornou um garoto de verdade e entregou o seu mais belo trabalho da carreira.</p>
<p>Na cinebiografia, o público embarca na vida de J. Robert Oppenheimer (Cillian Murphy), o físico teórico que ficaria conhecido como pai da bomba atômica. A história descreve desde os primeiros anos do cientista e seus contatos com figuras proeminentes do mundo da física até o início do Projeto Manhattan, seu resultado e os dilemas científico/éticos no pós Segunda Guerra. Em meio aos louros, os relacionamentos, a política e a vaidade, Oppenheimer marcou a história da humanidade como o Prometeu moderno, dando ao povo o poder de se destruir com o início da corrida nuclear.</p>
<p>A partir de uma história como essa, o filme poderia ser muitas coisas, inclusive só mais uma cinebiografia que cairia no esquecimento em pouco tempo. A virada de chave, no entanto, está no <em>timing</em> que o projeto é lançado. Ainda que fale de um acontecimento histórico de décadas atrás, a perspectiva de discutir a relação entre avanço da ciência, guerra e ética não poderia ser mais atual. Com dilemas da inteligência artificial e as atrocidades da guerra na Ucrânia acontecendo, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> chega aos cinemas pronto para pontuar o que precisa ser discutido no momento sobre esses assuntos – e, desta vez, com camadas e profundidade.</p>
<p>Baseado no livro ‘Prometeu Americano’, de Kai Bird e Martin J. Sherwin, o roteiro consegue tornar central a discussão da vaidade do personagem e o dilema que a sua invenção gerou para a humanidade e para si. Esse pano de fundo, unido com uma montagem brilhante de Jennifer Lame (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de um Casamento</em></a>, de 2019, e <em>Pantera Negra: Wakanda Para Sempre</em>, de 2022) e as performances de um elenco potente faz as três horas de duração passarem despercebidas. <em><strong>Oppenheimer</strong></em> é um dos melhores trabalhos de Nolan também como roteirista – o qual, possivelmente, estará como um dos favoritos na corrida pela estatueta no Oscar de 2024.</p>
<figure id="attachment_16943" aria-describedby="caption-attachment-16943" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-16943" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-750x500.jpg" alt="Oppenheimer (2023)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-610x406.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2.jpg 1169w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16943" class="wp-caption-text">Cillian Murphy em cena de &#8216;Oppenheimer&#8217; (2023)</figcaption></figure>
<p>Outro ponto de destaque na técnica do filme é a fotografia. Como a narrativa se divide em duas tramas – a trajetória de Oppenheimer e a audiência de decisão da entrada de Lewis Strauss como secretário na Casa Branca -, o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema (<em>Tenet</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-nao-olhe/"><em>Não! Não Olhe!</em></a>, de 2022) teve a oportunidade de brincar com cores, sombras e formas da imagem em <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. Sendo uma das frentes narrativas colorida e a outra em preto e preto, Hoyte entrega um espetáculo visual de tirar o fôlego.</p>
<p>E para permitir que o diretor de fotografia gerasse imagens ainda mais espetaculares, o departamento de arte, especificamente a equipe de efeitos práticos, teve que trabalhar muito. As cenas de recriação da explosão da bomba atômica são algumas das mais belas de se assistir ao longo do filme – e, possivelmente, da filmografia de Christopher Nolan. O trabalho da equipe supervisionada por Scott R. Fisher é fundamental para gerar a humanidade que <em><strong>Oppenheimer</strong></em> necessitava – e que Nolan precisava trazer há anos para suas produções.</p>
<p>Além dos destaques e das possíveis indicações pelo roteiro, montagem e edição, fotografia e efeitos visuais, a edição de som, a trilha sonora e o figurino são outros fortes nomes para indicações aos maiores prêmios de cinema do ano. Falando especificamente do som, ele é, ao lado da fotografia, um dos principais aliados para impulsionar a narrativa. Se <em><strong>Oppenheimer</strong></em> é capaz de alcançar voos ainda mais altos é porque o santíssimo quinteto direção-roteiro-fotografia-som-trilha está operando de forma coesa e eficaz. E o trabalho de composição de Ludwig Göransson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-pantera-negra/"><em>Pantera Negra</em></a>, de 2018) é impressionante, potente e completa este pentágono criativo.</p>
<p>Por fim, e não menos importante, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> alcança o que alcança por mais duas razões, seu elenco estelar e a direção de Christopher Nolan. Desta vez, diferente da maioria de seus trabalhos, o cineasta pareceu sair de sua função de administrador de uma produção e mergulhou de cabeça como criador, se permitindo sentir e se sensibilizar pela história que estava construindo. Essa dedicação diferenciada para o projeto é claramente sentida desde os primeiros minutos do filme. Nolan terá uma dura concorrência na temporada do Oscar – como por exemplo o forte nome da brilhante Greta Gerwig por <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-barbie/"><em>Barbie (2023)</em></a> -, mas, desta vez, o nome do diretor estar entre os indicados é mais do que merecido.</p>
<p>Para encerrar a composição de potência da produção, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> conta com um grande elenco. Seja na extensão ou em qualidade, os atores e as atrizes envolvidos nesse processo são um reforço da coesão do projeto e dão razão ao adjetivo. Evidentemente existe um destaque maior para três pessoas: Cillian Murphy, Robert Downey Jr. e Emily Blunt. Os três são as apostas para o Oscar, podendo até, quem sabe, render uma estatueta para o eterno Homem de Ferro, mostrando à Hollywood que ele pode e é mais do que ator de um só personagem.</p>
<p>Regada de dúvidas, delírios e vaidades, a jornada pessoal e ética do físico J. Robert Oppenheimer é, sem sombra de dúvidas, um dos filmes do ano e marcará a temporada de premiações por sua qualidade e poderio técnico. Além de, como pontuado algumas vezes ao longo do texto, ser, quem sabe, uma nova fase para Christopher Nolan. Se <strong><em>Oppenheimer</em></strong> representar o início de uma nova era de produções com mais profundidade e sensibilidade do cineasta britânico, então o futuro do cinema guarda algo inspirador. Caso tenha sido apenas um flerte momentâneo com esse lado mais denso e humano do diretor, pelo menos o mundo terá a oportunidade de vivenciar a experiência cinematográfica que é assistir ao filme.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher Nolan</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Cillian Murphy, Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr., Florence Pugh, Josh Hartnett, Casey Affleck, Rami Malek, Kenneth Branagh, Benny Safdie e Jack Quaid</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/F3OxA9Cz17A?si=t_qYi7N4cEY9hHD9" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Luz no Fim do Mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Oct 2019 22:38:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando A Luz no Fim do Mundo começa, um longo monólogo sobre a Arca de Noé, de pai (Casey Affleck, Manchester à Beira Mar) para filha, Rag (Anna Pniowsky, Ele Está Lá Fora), ecoa sob a escuridão ao redor dos dois. Não escolhido ao acaso, esse conto bíblico ressoa diretamente na narrativa. Apesar de não serem um casal e nem em busca de um barco, é como se o Pai (o protagonista não é nomeado) e Rag fugissem da inevitável [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando <strong><em>A Luz no Fim do Mundo</em></strong> começa, um longo monólogo sobre a Arca de Noé, de pai (Casey Affleck, <em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-manchester-a-beira-mar/">Manchester à Beira Mar</a></em>) para filha, Rag (Anna Pniowsky, <em>Ele Está Lá Fora</em>), ecoa sob a escuridão ao redor dos dois. Não escolhido ao acaso, esse conto bíblico ressoa diretamente na narrativa. Apesar de não serem um casal e nem em busca de um barco, é como se o Pai (o protagonista não é nomeado) e Rag fugissem da inevitável tempestade que está chegando.</p>
<p>Vivendo isolados em uma barraca na floresta, surge a impressão inicial que a história se assemelhará a <em>Capitão <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-capitao-fantastico/">Fantástico</a> </em>e <em>Sem Rastros</em>. Afinal, ambos são sobre famílias que decidiram seguir uma filosofia anti-capitalista na natureza. Entretanto, ainda que seu design de produção — a não ser pela solidão constante — não indique isso, rapidamente <em><strong>A Luz no Fim do Mundo</strong></em><em> </em>revela ser uma distopia.</p>
<p>Vários anos após uma praga matar praticamente toda a população feminina, o mundo entrou em colapso e os homens sobreviventes não souberam lidar com tal ausência. Ou seja, o caos anárquico foi instaurado. Com imunidade, que o roteiro não se preocupa em explicar, Rag é talvez a única mulher existente. Assim, ela e o pai vivem pelas sombras e beiradas, justamente para a menina não chamar atenção — com um corte de cabelo curto sendo um desses artifícios. É aí que o filme dialoga diretamente com <em>Filhos da Esperança </em>além do jogo <em>The Last of Us</em>.</p>
<p>Com um ritmo contemplativo e vagaroso, boa parte de <em><strong>A Luz no Fim do Mundo</strong></em><em> </em>se alterna entre amplas paisagens inabitadas (florestas, estradas, campos de neve) e conversas entre protagonistas no escuro. Apesar de visualmente opostos, esses planos servem à mesma função. Tanto o sentimento de <em>fugere urbem </em>quanto os <em>close-ups </em>claustrofóbicos ressaltam que os dois estão sozinhos em suas jornadas. Um funciona para o outro como a luz no fim do mundo, como o título indica.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11581" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Luz-no-Fim-do-Mundo1-750x500.jpg" alt="A Luz no Fim do Mundo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Luz-no-Fim-do-Mundo1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Luz-no-Fim-do-Mundo1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Luz-no-Fim-do-Mundo1-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É possível identificar três camadas na narrativa. Primeiramente, em sua superfície, a jornada de pai e filha que lutam pela sobrevivência, precisando enfrentar a falta de recursos e estranhos que cruzam seu caminho. Nesse sentido, Casey Affleck (que também assina a direção e o roteiro) não cria exatamente um clima de paranoia, mas uma inquietação silenciosa que, mesmo nos momentos mais calmos, pode interromper a paz dos dois a qualquer momento.</p>
<p>Em sua segunda camada, é um intenso estudo de uma relação paternal. Não só isso, como também sobre amadurecimento e a proteção até abusiva que muitos pais têm com os filhos. Em um cena chave, Rag está pendurada da janela de uma casa, enquanto seu pai segura suas mãos, e diz: &#8220;me solte&#8221;.  Por mais que tenha, obviamente, boas intenções, o personagem de Affleck nunca deixou sua menina viver, sempre podando sua liberdade.</p>
<p>Por fim, <em><strong>A Luz no Fim do Mundo</strong> </em>é uma grande metáfora para o instinto predatório masculino. Transportando o que já acontece no dia-a-dia para um mundo distópico onde só há uma mulher viva, homens brigam e se matam para ter seu controle. É uma obsessão e um desejo insaciável. Todavia, ressalta-se aqui — mesmo que crítico que vos fala costume separar a arte do artista — o quão pretensioso é Casey Affleck. Para uma pessoa acusada de tantos episódios de assédio sexual, soa ridículo o fato de que ele escreveu um monólogo para si mesmo, onde ensina didaticamente à filha sobre xenofobia, objetificação feminina e assédio sexual.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Casey Affleck<br />
<strong>Elenco: </strong> Casey Affleck, Anna Pniowsky, Elizabeth Moss, Tom Bower</p>
<p><strong>Assista ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/category/trailers/">trailer</a>!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=OvIByr8OnLw]</p>
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		<title>Crítica: Manchester à Beira-Mar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jan 2017 20:42:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Correndo na roda de diversas premiações hollywoodianas, Manchester à Beira-Mar estreia nesta quinta-feira (19), e promete arrancar lágrimas e intensa angústia de seus espectadores. Dirigido e escrito por Kenneth Lonergan (Margaret), o longa narra a triste trajetória de Lee Chandler (Casey Affleck) e sua família. De forma cuidadosa e arrebatadora, o filme vai revelando, aos poucos, a complexidade de suas personagens e de seu enredo. Lee é um zelador em Boston e precisa voltar para sua cidade natal, após uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Correndo na roda de diversas premiações hollywoodianas, <em>Manchester à Beira-Mar</em> estreia nesta quinta-feira (19), e promete arrancar lágrimas e intensa angústia de seus espectadores. Dirigido e escrito por Kenneth Lonergan (<em>Margaret</em>), o longa narra a triste trajetória de Lee Chandler (Casey Affleck) e sua família. De forma cuidadosa e arrebatadora, o filme vai revelando, aos poucos, a complexidade de suas personagens e de seu enredo.</p>
<p>Lee é um zelador em Boston e precisa voltar para sua cidade natal, após uma ligação de emergência avisando sobre o estado grave de seu irmão mais velho, Joe Chandler (Kyle Chandler), que se encontra no hospital. Ao chegar em Manchester, o rapaz precisa cuidar de seu sobrinho e lidar com lembranças e traumas do passado que ainda despertam sentimentos ruins no protagonista.</p>
<p>Sem dúvidas, apesar das terríveis polêmicas envolvendo o Affleck, a sua interpretação está excelente na película. Isto porque o ator consegue dosar bem a carga dramática durante a projeção, revelando lentamente as camadas do sofrimento de Lee Chandler, que no início parece ser apenas um cara comum, beirando ao perdedor, mas que vai se mostrando um homem cheio de dores profundas e emoções fortes. Diferentemente de outros longas do artista, aqui ele consegue trazer expressividade para o olhar e gestos, deixando um nó na garganta do espectador e uma constante dúvida de empatia ou rancor em relação à persona fictícia.</p>
<p>O restante do elenco também está afiado, principalmente Michelle Williams (<em>Suíte Francesa</em>) e o jovem Lucas Hedge (<em>O Grande Hotel Budapeste</em>). A atriz compôs uma personagem aparentemente simples, mas quem conhece seus trabalhos anteriores percebe uma voz e uma dinâmica corporal diferente da sua chave e as cenas do longa crescem bastante quando a artista está em cena. Já Hedge, tem uma leveza e suavidade na interpretação, deixando que os acontecimentos se tornem ainda mais fortes. O rapaz é quem dá um pouco de alento, ainda que não quebre a atmosfera de sofreguidão do filme.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-7217" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/01/8096.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Ainda que os atores estejam muito bem em Manchester à Beira-Mar, o ponto de maior qualidade da película é seu roteiro. Além de apresentar os acontecimentos de forma gradual, que vão golpeando o público lentamente e o fazendo entender a dimensão dos acontecimentos sem pressa e cuidadosamente, ele consegue criar uma conexão do espectador com a realidade da trama e comover sem se tornar apelativo ou exagerado. O tom do longa é na medida, tem tensão, emoção, bom desenvolvimento das ações e das personagens.</p>
<p>A fotografia, realizada por Jody Lee Lipes (<em>Descompensada</em>), adiciona mais uma camada de melancolia para <em>Manchester</em>. Com imagens bucólicas, que mesclam tristeza com cores frias e acolhimento com cores amadeiradas, o filme consegue ambientar bem o espectador neste universo interiorano que, teoricamente, dá a ideia de sossego e tranquilidade, mas, ao mesmo tempo, pode ser tão coberto de passado devastador ao se olhar mais de perto.</p>
<p>A única questão que incomoda no discurso do filme, que pode ser visto como algo neutro para o que o público decida ou não, é a “bondade” para com o protagonista. É como se, ainda depois de tudo que fez, ele já tivesse sofrido o bastante e está na hora de uma suposta redenção. O que não ocorre com as personagens femininas que, em alguns momentos, parecem chatas, irresponsáveis ou injustas.</p>
<p><em>Manchester à Beira-Mar</em> é um filme cuidadoso, muito bem executado e que toca profundamente o espectador por trazer uma narrativa que demonstra um cotidiano familiar tão cheio de mazelas e carga trágica, mas sutilmente revelada. Por essas razões, o longa se torna forte candidato no Oscar deste ano e será mais que merecido!</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/9jkQuK4IK8o" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Amor Fora da Lei</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Jul 2014 00:40:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Uma das principais sensações dos festivais de Sundance e Cannes no ano passado (ambos ocorrem no primeiro semestre de cada ano), Amor Fora da Lei só chega aos cinemas brasileiros agora &#8211; e ainda teve sorte de chegar nos cinemas, já que a maioria desses títulos sempre correm o risco de irem direto para DVD ou Blu-Ray. No fundo, como narrativa, o longa de David Lowery é uma cria de Sundance mesmo, apresentando todos os tiques que ficaram notórios [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1515" aria-describedby="caption-attachment-1515" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/aint-2.png"><img decoding="async" class="wp-image-1515 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/aint-2-620x341.png" alt="aint-2" width="620" height="341" /></a><figcaption id="caption-attachment-1515" class="wp-caption-text">Juntos: Ruth (Rooney Mara) e Bob (Casey Affleck) planejam uma ação criminosa.</figcaption></figure>
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<p>Uma das principais sensações dos festivais de Sundance e Cannes no ano passado (ambos ocorrem no primeiro semestre de cada ano), <em>Amor Fora da Lei </em>só chega aos cinemas brasileiros agora &#8211; e ainda teve sorte de chegar nos cinemas, já que a maioria desses títulos sempre correm o risco de irem direto para DVD ou Blu-Ray. No fundo, como narrativa, o longa de David Lowery é uma cria de Sundance mesmo, apresentando todos os tiques que ficaram notórios no cinema &#8220;independente&#8221; norte-americano: a montagem e os diálogos entrecortados, os finais abruptos e inconclusivos e por ai vai. Junto a esses fatores, <em>Amor Fora da Lei </em>acaba sendo um <em>western </em>com alusões ao cinema de Terrence Malick, sobretudo em sua fotografia. A soma desses elementos traz ao filme alguns acertos, mas também erros que o transformam em uma obra amarrada e artificial em sua abordagem.</p>
<p>Com o título original <em>Ain&#8217;t them bodies saints </em>(e mais uma vez as distribuidoras nos fazem o favor de dar títulos nacionais vergonhosos e que nada condizem com a proposta do filme), <em>Amor Fora da Lei</em> traz a história do jovem casal Bob e Ruth. Eles se envolvem em uma ação criminosa e Ruth acaba atirando em um policial. Bob assume a culpa por Ruth e fica preso por um bom tempo, tempo o suficiente para não conhecer a sua filha Sylvia. Após 5 anos, Bob foge da prisão e parte em uma jornada para reencontrar sua família.</p>
<figure id="attachment_1516" aria-describedby="caption-attachment-1516" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/ain-t-them-bodies-saints-rooney-mara.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1516 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/ain-t-them-bodies-saints-rooney-mara-620x351.jpg" alt="ain-t-them-bodies-saints-rooney-mara" width="620" height="351" /></a><figcaption id="caption-attachment-1516" class="wp-caption-text">Ruth e a pequena Sylvia: Mãe e filha ficam a espera de Bob, preso após assumir a culpa por um crime cometido por Ruth.</figcaption></figure>
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<p>Lowery faz de <em>Amor Fora da Lei </em>um <em>western </em>contemporâneo, toda a atmosfera do longa denuncia isso. A trilha sonora, as caracterizações dos personagens e suas dinâmicas nos dão pistas desse flerte aberto do diretor com o gênero. Contudo, um dos elementos principais do <em>western</em> faltam a <em>Amor Fora da Lei</em>, ritmo, e não é por não seguir essa norma do gênero que o filme derrapa, mas simplesmente porque sua abordagem contemplativa, com diálogos entrecortados e apreço a uma fotografia &#8220;natural&#8221; faz do longa uma história que se arrasta no seu tempo de projeção, cansando o seu espectador em seus silêncios e nas suas conclusões subentendidas. A sensação que fica é de que o realizador quer conferir valor a sua obra através de um gramática pretensiosa, &#8220;superior&#8221; a capacidade cognitiva do espectador, mas que no fundo revela-se pouco profunda. E, como sabem, o tropeço não está nessa pouca profundidade da história, mas por ela se apresentar como complexa e metafórica quando, nas suas entranhas, oferece muito pouco nesse sentido.</p>
<figure id="attachment_1517" aria-describedby="caption-attachment-1517" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/ain-t-them-bodies-saints10.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1517 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/07/ain-t-them-bodies-saints10-620x348.jpg" alt="ain-t-them-bodies-saints10" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-1517" class="wp-caption-text">Separação: Casal é encurralado pela polícia no momento da ação criminosa.</figcaption></figure>
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<p>O trio de atores do longa, por sua vez, compensam esses equívocos, apesar de terem um material questionável em sua densidade nas mãos para trabalhar. A dupla central Rooney Mara e Casey Affleck conferem credibilidade a seus personagens e Ben Foster, na pele de um policial que se aproxima de Ruth, está soberbo como sempre. No mais, como já dito, <em>Amor Fora da Lei </em>sofre com suas repetições, pretensões e seu ritmo &#8220;devagar quase parando&#8221;, o que, no seu caso, é fatal para a experiência cinematográfica em si.</p>
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