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	<title>Arquivos Anthony Hopkins - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Anthony Hopkins - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Armageddon Time</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Nov 2022 20:01:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Para James Gray, Armageddon Time é seu filme mais pessoal. Adaptando as memórias do diretor em uma infância dos anos 1980, Gray conta a história de Paul Graff, o filho caçula de uma família de imigrantes judeus de Nova York. Paul acaba se aproximando de um colega de turma chamado Johnny, um menino negro que sofre racismo na escola. Quando Paul recebe uma advertência do diretor do colégio, ele é mandado por seus pais para a mesma escola privada do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Para James Gray,<strong><em> Armageddon Time</em></strong> é seu filme mais pessoal. Adaptando as memórias do diretor em uma infância dos anos 1980, Gray conta a história de Paul Graff, o filho caçula de uma família de imigrantes judeus de Nova York. Paul acaba se aproximando de um colega de turma chamado Johnny, um menino negro que sofre racismo na escola. Quando Paul recebe uma advertência do diretor do colégio, ele é mandado por seus pais para a mesma escola privada do seu irmão mais velho, um ambiente mais rigoroso, afastando-se da companhia do amigo. A infância dos dois será marcada pela iminência do governo do republicano Ronald Reagan, que durou quase uma década (1981-1988).</p>
<p>Para entender <em><strong>Armageddon Time</strong></em> é importante compreender um pouco o seu contexto histórico. O governo Reagan ficou conhecido por sua política extremamente conservadora, marcada sobretudo pela redução de gastos com programas sociais, aumento da desigualdade entre as classes, alto investimento no exército e luta contra o comunismo no mundo. Para um país recém-saído da década de 1970 e do governo do democrata Jimmy Carter foi um baque e tanto, especialmente para a geração de imigrantes europeus que ainda assimilavam os espólios da guerra, como o avô de Paul interpretado por Anthony Hopkins, e uma outra mais jovem que vivia sob a frustração da não realização do &#8220;sonho americano&#8221;, especificamente, os pais do protagonista vividos por Anne Hathaway e Jeremy Strong.</p>
<p><strong><em>Armageddon Time</em></strong> tem qualidades natas dos primeiros trabalhos de James Gray, a economia de recursos visuais e narrativos e a profunda humanidade das suas histórias. Em tese, o filme tem um enredo simples sobre ritos de passagem, mas, aos poucos, vai revelando outras camadas. Gray trabalha de maneira sutil e efetiva com o contexto histórico de <em>Armageddon Time</em>, fazendo com que a trajetória dos seus personagens gradativamente &#8220;conversem&#8221; com a chegada do conservador Ronald Reagan na presidência dos EUA. É interessante sobretudo como o longa cria para o protagonista conflitos éticos que o fazem se perceber como parte de uma &#8220;minoria social&#8221; e a emergência da consciência dessa identidade como fonte de força para superar contextos mais duros como os que virão. E o diretor faz tudo isso sem muito alarde, redundância dramática, é tudo sempre tão elegante, sensível, orgânico, como em seus melhores filmes (Amantes, por exemplo).</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16129" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Armageddon Time" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>Armageddon Time</em> </strong>também conta com ótimos atores. O garoto Banks Repeta que dá vida ao protagonista Paul tem uma maturidade cênica impressionante. Anne Hathaway e Jeremy Strong estão excelentes como os pais do protagonista. Com a chegada da adolescência de Paul e as expectativas que ambos nutrem sobre o futuro do garoto (que ao menos sua geração tenha mais sucesso do que a deles), Esther (Hathaway) e Irving (Strong) às vezes perdem as estribeiras, erram na condução da educação do menino, mas fazem tudo acreditando acertar. É muito honesto e crível esse olhar de James Gray para os pais. O diretor vai na contramão daquela visão idílica de maternidade ou paternidade. Ao mesmo tempo, com anos nas constas, o avô Aaron Rabinowitz parece ter os conselhos mais lúcidos da família e Anthony Hopkins traz muita doçura para esse personagem.</p>
<p>Afastando-se das epopeias que representaram seus últimos longas, Z: A Cidade Perdida e Ad Astra, James Gray procura na sua infância um relato mais intimista. <em><strong>Armageddon Time</strong> </em>quer abordar o despertar para questões que acenam para a vida adulta, mas também conta a história de um país e do mundo, o exato momento em que três gerações entram em confronto com suas expectativas sobre a vida, avaliam sua caminhada até aqui e elaboram o que podem fazer a seguir. James Gray faz um filme tocante, com um elenco afiado, marcado pela sua habitual maestria e elegância como diretor e roteirista.</p>
<p>Aparentemente, perde um pouco da sua universalidade ao contar uma história particularmente estadunidense, com elementos de contexto que, talvez, somente eles possam entender instantaneamente. Todavia, ao compreendermos todo esse background sutilmente sugerido pelo realizador ao longo da história, <em><strong>Armageddon Time</strong></em> adquire empatia e demonstra dedicação a questões identificáveis sobre conhecer-se, não reproduzir os erros do passado e manter-se fiel a sua identidade e princípios em contextos políticos não tão humanos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> James Gray</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Anne Hathaway, Jeremy Strong, Banks Repeta, Jaylin Webb, Anthony Hopkins, Ryan Sell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/aawoA1o7jLY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Meu Pai</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Apr 2021 21:17:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que fazer quando a mente começa a falhar e a dúvida sobre a realidade passa a ser intensa? A partir da perda da lucidez, Anthony (Anthony Hopkins, Dois Papas) começa a se sentir completamente perdido no tempo e espaço, principalmente em relação aos eventos atuais e passados e sobre os sentimentos que a sua família tem por ele.  É com esta premissa que Meu Pai se desenvolve. O longa chega nas plataformas digitais Now, Itunes (Apple TV) e Google [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que fazer quando a mente começa a falhar e a dúvida sobre a realidade passa a ser intensa? A partir da perda da lucidez, Anthony (Anthony Hopkins, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-oscar-2020-melhor-ator/"><em>Dois Papas</em></a>) começa a se sentir completamente perdido no tempo e espaço, principalmente em relação aos eventos atuais e passados e sobre os sentimentos que a sua família tem por ele.  É com esta premissa que <strong><em>Meu Pai</em></strong> se desenvolve. O longa chega nas plataformas digitais Now, Itunes (Apple TV) e Google Play, disponível para compra, a partir do dia 09 de abril. Baseado na peça francesa Le Père, de Florian Zeller (<em>O Que Eu Fiz Para Merecer Isso</em>), aqui, vê-se o autor da obra também na cadeira da direção. Para contar esta história são criadas estratégias eficientes, que fazem com que o espectador se sinta imerso dentro da perspectiva do protagonista.</p>
<p>Enquanto as situações de outrora e do presente parecem confusas para Anthony, elas são entregues da mesma maneira para o público. Elipses temporais e momentos deslocados são evocados na tela. A montagem é certeira ao deixar que as sequências se tornem tão fluidas ao ponto de soarem como uma grande cena única, mas também repleta de fragmentos de memória. Um exemplo é a cena do jantar, quando Anthony chega à sala e escuta uma conversa de sua filha Anne (Olivia Colman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-favorita/"><em>A Favorita</em></a>) e o marido dela, Paul (Rufus Sewell, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-judy-muito-alem-do-arco-iris/"><em>Judy &#8211; Muito Além do Arco-Íris</em></a>).</p>
<p>A ordem cronológica dos acontecimentos é desconstruída e a junção das sequências fomenta esta sensação de Anthony. Isto vem juntamente com outro recurso valioso dentro da narrativa. Com o uso das repetições, sejam elas quase idênticas ou com algumas modificações, os diálogos e movimentações dos intérpretes vão ganhando, cada vez mais, sentidos mais complexos e profundos. Há esta perda da conexão com o presente, sofrida por Anthony, e ela é sentida mais fortemente por quem assiste, como se, paulatinamente, a ausência de saída ficasse estabelecida.</p>
<p>É como se existisse uma revelação das emoções e fluxo de pensamentos de Anthony, mas também uma justificativa para as ações finais de Anne, que fica sem ideias palpáveis para auxiliar o seu pai. A produção imprime, assim, as capacidades e perigos da mente humana, mas, além disso, deixa transparecer como as marcas deixadas pelas relações, presenças e partidas, ainda que tudo esteja fragmentado e desarticulado, são impactantes para as pessoas, mesmo quando tudo se esvai, estes elementos ficam.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13945" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5111136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Meu Pai" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5111136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5111136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5111136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5111136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No meio deste discurso, impresso sutil e progressivamente, a decupagem mostra como a direção deseja ser pontual e cuidadosa ao efetuar qualquer tipo de movimentação de câmera. Em ocasiões específicas, são utilizados <em>travellings</em> ou <em>zooms</em>. Geralmente, eles aparecem nos ápices dos conflitos internos e externos de Anthony ou de Anne. Nas incertezas e hesitações, o movimento chega como um respiro de demasia inseguranças da dupla.</p>
<p>Quanto mais os dois se distanciam, pela própria condição do pai, mais os zooms são recorrentes. Anne procura se reconectar com ele, porém vai desconhecendo a figura que está ao seu lado. A mágoa e a insatisfação das personagens são ainda mais tangíveis pelas atuações de Colman e Hopkins. Em seu Anthony, que guarda rancor e certo teor de agressividade, Hopkins constrói o seu papel nos detalhes. Seja nos olhares perdidos ou nas relações táteis com objetos físicos, é preciso observar atentamente o ecrã para conseguir capturar todo o seu trabalho.</p>
<p>O ator mescla fragilidade, angústia e pavor através de tensionamentos e relaxamentos do corpo. As pausas do texto falado e dos gestos são outras ferramentas que elevam a potência do que ele deseja passar. O abandono da razão se configura mais fortemente quando ele evoca esta junção de frases ditas lentamente, enquanto ele se apoia em algum objeto de cena e seus olhos não focam em ninguém da contracena, mas no infinito.</p>
<p>Já Colman é um tanto menos expansiva e escolhe ir para um caminho um pouco mais minimalista. Com uma quantidade de deslocamentos reduzida, a base de Olivia Colman aqui é a elaboração de um corpo cansado e pesado, misturado com os olhares de incredulidade. A sua Anne apresenta um desespero contido e as micro expressões faciais ajudam a passar esta ideia de busca incessante pela quebra deste aprisionamento que Anne vive e seu desejo constante de reencontrar o seu pai que, ainda que esteja presente fisicamente, parece ter desvanecido.</p>
<p>Desta maneira, no geral, pode-se dizer que <em><strong>Meu Pai</strong></em> é um filme inventivo, que insere o espectador na lógica de seu protagonista com eficiência. Ao invés das sensações serem ouvidas, narradas ou vistas de fora, elas são sentidas diretamente, através de uma junção descolada de eventos, emoções e participações.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Florian Zeller</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Anthony Hopkins, Olivia Colman, Rufus Sewell, Imogen Poots, Mark Gatiss</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/yJW4szoZX1U" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: Encontro Marcado (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2020 15:43:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Tem filmes que conversam com nossa alma, como se eles se conectassem com pontos específicos das nossas necessidades ou memórias afetivas. Encontro Marcado (1998) se encaixa justamente nesta categoria. Era um dos filmes favoritos de meu avô, a quem devo toda a minha paixão pelo cinema. Lembro que assisti quando era pequena (na época de seu lançamento eu tinha apenas 8 anos), mas naturalmente não absorvi os detalhes. Revendo aos quase 30 anos, vejo que meu avô tinha suas razões [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Tem filmes que conversam com nossa alma, como se eles se conectassem com pontos específicos das nossas necessidades ou memórias afetivas. <em><strong>Encontro Marcado</strong></em> (1998) se encaixa justamente nesta categoria. Era um dos filmes favoritos de meu avô, a quem devo toda a minha paixão pelo cinema. Lembro que assisti quando era pequena (na época de seu lançamento eu tinha apenas 8 anos), mas naturalmente não absorvi os detalhes. Revendo aos quase 30 anos, vejo que meu avô tinha suas razões em adorar este longa.</p>
<p><em>Meet Joe Black</em> (título original) conta a história de Bill Parrish (Anthony Hopkins, <em>Dois Papas</em>), um magnata da comunicação que está prestes a fazer 65 anos e terá uma grande festa promovida pelas filhas. Ele começa a ouvir vozes que ficam sussurrando palavras soltas no seu ouvido. Até que finalmente encontra com Joe Black (Brad Pitt, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-hollywood/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Era uma Vez em&#8230; Hollywood</em></a>), que é ninguém menos que a Morte. Ele chega afirmando que está ali para levá-lo mas, como pretende conhecer os hábitos dos humanos, propõe retardar esta partida se o bilionário tornar estas &#8220;férias&#8221; interessantes e instrutivas.</p>
<p>A partir daí, se inicia uma longa trama de construção da relação entre os dois personagens, detalhada e cuidadosa. Bill é extremamente apegado às filhas, Susan (Claire Forlani, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-cinco-passos-de-voce/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>A Cinco Passos de Você</em></a>) e Allison (Marcia Gay Harden, <em>Na Natureza Selvagem</em>). A primeira é médica e favorita do pai, enquanto a segunda se dedica à família e convoca sempre a atenção paterna. Susan está prestes a casar com um dos braços direitos do pai e sente que a vida a está empurrando em direções. Ao conhecer um jovem numa cafeteria, tem um súbito envolvimento que vai mudar a sua vida.</p>
<p>À medida que o longa vai se desenvolvendo e caracterizando seus personagens, o espectador vai se envolvendo em uma trama de relacionamentos e questionamentos sobre o que de fato é importante na vida. A Morte parece muito interessada em conhecer a rotina dos humanos, enquanto esses parecem focar mais na ambição do que nas pequenas e importantes coisas. O filme trilha sem pressa este caminho. Sim, são 3h de duração para um filme de drama com romance, mas posso te afirmar que cada minuto é válido. Talvez a minha preferência por temáticas monótonas interfira nesta opinião? Sim. Mas acredito que o tempo alongado não chega a incomodar.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12921" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0f25a61c90591e790e4f99ee3ebd45ac.jpg" alt="Encontro Marcado" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0f25a61c90591e790e4f99ee3ebd45ac.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0f25a61c90591e790e4f99ee3ebd45ac-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/0f25a61c90591e790e4f99ee3ebd45ac-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Pontuado com momentos de humor, o roteiro tem uma preocupação maior de fazer o espectador sentir todas as emoções que são experienciadas pelos personagens. Tudo isso é graciosamente beneficiado por uma trilha sonora incrível performada pelo compositor Thomas Newman, que teve destaque em vários longas, como <em>Perfume de Mulher</em>. Dito isso, os leitores mais vorazes do <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> já devem notar o quanto a trilha sonora é importante para mim. <em><strong>Encontro Marcado</strong></em> brilha neste quesito e vocês entenderão o motivo ao assistir ao longa.</p>
<p>Assistimos a desconstrução do propósito da Morte, que acaba se apaixonando perdidamente por Susan, dando início a uma grande paixão e todas as suas problemáticas. O envolvimento deles é bem construído e cuidadoso. Aliás, a excelente construção dos coadjuvantes contribui muito para o destaque das histórias principais. É o caso do ótimo Quince, vivido por Jeffrey Tambor (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-morte-de-stalin/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>A Morte de Stalin</em></a>).</p>
<p>Com um elenco fantástico e afiado, as composições dos personagens parecem muito naturais. A eminência da morte e o fácil convívio com ela mesma pondera a percepção de importância das pequenas coisas, como os abraços de filhos, desfrutar de seu prato favorito e ouvir uma boa música. O fim parece pouco surpreendente por um lado, mas acalenta ao público de outro. É emocionante e intenso. Talvez um pouco apelativo com sua grandiosidade? Sim. Mas <em><strong>Encontro Marcado</strong> </em>como um todo é assim e não vejo isso como demérito e sim, uma característica. Assista e se apaixone!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Martin Brest<br />
<strong>Elenco:</strong> Brad Pitt, Anthony Hopkins, Claire Forlani, Marcia Gay Harden, Jake Weber, Jeffrey Tambor, June Squibb</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Kl33AWk9D1s" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial Oscar 2020: Melhor Ator Coadjuvante</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/especial-oscar-2020-melhor-ator-coadjuvante/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Feb 2020 16:14:46 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Tom Hanks]]></category>
		<category><![CDATA[Um Lindo Dia Na Vizinhança]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assim como no quesito direção e filmes, as atuações de 2019 foram impecáveis. Sejam nas categorias principais ou coadjuvantes, os artistas mostraram alguns dos seus melhores trabalhos nesse último ano. Aqui vamos conferir o Especial Oscar 2020: Melhor Ator Coadjuvante. Apesar de não existirem surpresas na lista de indicados, a sua presença é interessante quando pensada no Oscar como um todo. O quinteto de indicados é formado por cinco conhecidos do Academy Awards, onde quatro já venceram ao menos uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Assim como no quesito direção e filmes, as atuações de 2019 foram impecáveis. Sejam nas categorias principais ou coadjuvantes, os artistas mostraram alguns dos seus melhores trabalhos nesse último ano. Aqui vamos conferir o <strong>Especial Oscar 2020: Melhor Ator Coadjuvante</strong>. Apesar de não existirem surpresas na lista de indicados, a sua presença é interessante quando pensada no Oscar como um todo. O quinteto de indicados é formado por cinco conhecidos do Academy Awards, onde quatro já venceram ao menos uma vez. O irônico disso é que o quinto membro da lista (o que nunca venceu) é justamente o favorito do ano. Liderado por Brad Pitt o quinteto do Oscar 2020 na categoria “Melhor Ator Coadjuvante” conta com a presença de Joe Pesci, Al Pacino, Tom Hanks e Anthony Hopkins.</p>
<p>A base dessa lista começa com a dupla de atores de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><em>O Irlandês</em></strong></a>. Tanto Joe Pesci como Al Pacino estão longe de serem os concorrentes mais fortes. Pesci, evidentemente, mostra sua vitalidade ainda em cena, mas nada comparado ao seu desempenho vitorioso de Os Bons Companheiros. Joe, assim como a narrativa do longa-metragem, parece estar numa zona de conforto. Não existe agitação. Apenas é possível encontrar a linearidade do argumento de Scorsese e, da mesma forma, a linearidade em Pesci. Falta o brilho que ele já mostrou em outras produções.</p>
<p>Da mesma forma está Al Pacino. Apesar de ter reaparecido nas premiações com esse papel, sua dinâmica em cena pede mais. Existem momentos que ele parece estar retraído e, por isso, não explora suas possibilidades em cena. Faltam momentos em que a personagem de Pacino possa explodir o seu turbilhão de emoções que existem naquele momento da narrativa. Falta a característica tão marcante do ator de extrapolar o extracampo. O longa de Martin Scorsese é muito comedido em atuações &#8211; mesmo quando a cena pede mais &#8211; e isso afeta a performance tanto de Robert De Niro, que nem foi indicado, quanto de Pesci e Pacino.</p>
<p>Tom Hanks, no entanto, consegue já estar na disputa apesar do favoritismo ser declaradamente para Pitt. Hanks mostra que, apesar de questão de roteiro e direção, ele é capaz de ir além. A performance do ator é uma de suas melhores dos últimos tempos. Ao viver o famoso apresentador de um programa infantil, Fred Rogers, Tom traz toda a sensibilidade inerente a pessoa real. A todo momento o público é lembrado que existe uma tênue linha entre o mundo da fantasia e a vida real para Rogers. E essa precisão ao abordar essas nuances é brilhante. Tom Hanks está simplesmente emocionante e que tornam <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></strong></a> muito melhor.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12410" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/anthony-hopkins-em-dois-papas-1573502838062_v2_1280x720.jpg" alt="Especial Oscar 2020: Melhor Ator Coadjuvante" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/anthony-hopkins-em-dois-papas-1573502838062_v2_1280x720.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/anthony-hopkins-em-dois-papas-1573502838062_v2_1280x720-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/anthony-hopkins-em-dois-papas-1573502838062_v2_1280x720-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda no páreo pela estatueta, Anthony Hopkins surge como um exemplo estonteante. Sua interpretação do Papa Bento XVI em <em><strong>Dois Papas</strong></em>. Ao lado de Jonathan Pryce, Hopkins demonstra ainda ter muito o que mostrar e interpretar no cinema. Sua atitude em cena é impecável. Fernando Meirelles aproveita os pequenos detalhes tanto de Pryce como de Hopkins para potencializar os filmes. Esse embate cênico de gigantes cria um resultado soberbo merecedor das duas indicações. A autoridade que Anthony Hopkins demonstra na tela é produto de uma carreira recheada de coisas diferentes, mas que são complementares. Hopkins demonstra ser exatamente isso como ator &#8211; e aqui não foi diferente &#8211; ele é adaptável e assertivo.</p>
<p>Por fim temos o favorito da noite. Apesar de muitos afirmarem que esse é um prêmio por seu trabalho da vida, Brad Pitt deu uma de suas melhores performances da carreira. De fato ele não é um ator de trabalhos exclusivamente excelentes, mas existentes muitos que marcam e Cliff Both é um deles. Mais uma vez o roteiro de Quentin Tarantino permitiu que seu ator brilhasse. É incrível a forma como Pitt brinca com as minúcias do texto. Seus momentos em frente à câmera demonstram o resultado de uma carreira com cicatrizes de aprendizado e essa personagem é a sua redenção.</p>
<p>É divertido, tenso e saudoso ver Pitt em cena. <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-hollywood/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><em>Era uma Vez em… Hollywood</em></strong></a> proporciona para o público o vislumbre de um ator que tem qualidade quando se é exigida. Aqui Pitt está diante de um divisor de águas para a sua carreira que, em 2019, foi apenas de sucesso. Tanto nesse filme como em <em>Ad Astra &#8211; Rumo às Estrelas</em>, ele se provou merecedor de toda a pompa que envolve sua carreira. Brad Pitt não é mais o garoto bonito que aparece e <em>Thelma &amp; Louise</em> como um objeto sexual. Ele é um ator experiente e com qualidade que vai dar o seu máximo quando for pedido.</p>
<p>Apesar de tudo isso, a imprevisibilidade da Academia merece ser pontuada sempre. Nada é certeza até que seja anunciado o(a) ganhador(a) de determinada categoria. Mas, sem sombra de dúvidas, Brad Pitt está invicto por merecimento. Resta aguardar os próximos capítulos dessa curiosa premiação e torcer para que, na noite de 9 de fevereiro, o desejado se concretize. Para saber dessas e mais apostas para o Oscar, fique ligado no Coisa de Cinéfilo!</p>
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		<title>Crítica: Presságios de um Crime</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Feb 2016 21:54:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Abbie Cornish]]></category>
		<category><![CDATA[Afonso Poyart]]></category>
		<category><![CDATA[Anthony Hopkins]]></category>
		<category><![CDATA[Colin Farrell]]></category>
		<category><![CDATA[Jeffrey Dean Morgan]]></category>
		<category><![CDATA[Presságios de um Crime]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Presságios de um Crime é o típico caso da estreia de um diretor brasileiro em projetos internacionais que resulta em um verdadeiro fiasco porque simplesmente não é dado a esse realizador controle algum sobre a sua obra. Dirigido por Afonso Poyart do bem afamado e &#8220;moderninho&#8221; 2 Coelhos, Presságios de um Crime mostra-se ao público como um thriller genérico, repleto de chavões desse gênero cinematográfico conduzido por personagens rasos e resoluções frouxas, ou seja, um filme completamente descartável no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_4597" aria-describedby="caption-attachment-4597" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4597 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/02/Solace-620x315.jpg" alt="Solace" width="620" height="315" /><figcaption id="caption-attachment-4597" class="wp-caption-text">Por encomenda: Estreia de Afonso Poyart no cinema americano é um thriller cheio de chavões.</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p><i>Presságios de um Crime </i>é o típico caso da estreia de um diretor brasileiro em projetos internacionais que resulta em um verdadeiro fiasco porque simplesmente não é dado a esse realizador controle algum sobre a sua obra. Dirigido por Afonso Poyart do bem afamado e &#8220;moderninho&#8221; <i>2 Coelhos</i>, <i>Presságios de um Crime </i>mostra-se ao público como um <i>thriller </i>genérico, repleto de chavões desse gênero cinematográfico conduzido por personagens rasos e resoluções frouxas, ou seja, um filme completamente descartável no circuito.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>O longa tem início quando dois policiais do FBI estão investigando um <i>serial killer </i>que mata as suas vítimas perfurando-as na nuca sem deixar maiores vestígios na cena do crime. Como fica cada vez mais difícil desvendar o caso, um desses policiais entra em contato com um velho amigo que possui poderes mediúnicos e com quem havia trabalhado anos atrás. Esse novo integrante da equipe policial começa a descobrir coisas sobre o autor dos assassinatos  que trarão contornos não apenas à trama policial, mas a dramas pessoais dos principais personagens da história.</p>
</div>
<figure id="attachment_4596" aria-describedby="caption-attachment-4596" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4596 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/02/solace2-xlarge-620x349.jpg" alt="solace2-xlarge" width="620" height="349" /><figcaption id="caption-attachment-4596" class="wp-caption-text">Desperdício: Elenco de peso encabeçado por Anthony Hopkins e Colin Farrell são subutilizados pela trama.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Roteirizado por Sean Bailey, que tem uma carreira construída basicamente como produtor, e Ted Griffin, cuja assinatura está presente nos roteiros de <i>Onze homens e um segredo </i>e <i>Os Vigaristas</i>, <i>Presságios de um Crime </i>é um longa composto por diversos conflitos dramáticos cujas soluções jamais são satisfatórias. O filme tem que resolver situações complicadas envolvendo não apenas o vidente interpretado por Anthony Hopkins, que apesar de ser o único com um desfecho levemente satisfatório, sai de cena de maneira improvisada com uma atuação do tipo &#8220;ligada no automático&#8221;, mas também a policial vivida pela talentosa Abbie Cornish (mais uma vez desperdiçada em cena), Jeffrey Dean Morgan e Colin Farrell, que sabe-se lá por qual motivo, foi escalado e aceitou fazer parte de um filme que lhe dá um personagem completamente inócuo, responsável por trazê-lo em uma das interpretações mais sofríveis da sua carreira.  O roteiro sugere uma série de conflitos e dilemas pessoais para cada um desses personagens, mas todos eles são resolvidos de qualquer maneira pelos seus autores, o que torna a presença e o destaque conferido a maioria deles na própria história completamente injustificado.</p>
<p><img decoding="async" class="wp-image-4598 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/02/solace03-620x352.jpg" alt="_C6A7148.CR2" width="620" height="352" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>O roteiro de Bailey e Griffin também é muito ruim na construção da sua trama policial, que em momento algum gera tensão ou prende o espectador. Como consequência disso, Afonso Poyart não tem muito o que fazer, praticamente &#8220;tira leite de pedra&#8221;. Não reconhecemos o Poyart de <i>2 Coelhos </i>nesse <i>Presságios de um Crime</i>, isso fica bem claro desde os primeiros trinta minutos<i>. </i>A condução do diretor é &#8220;lugar comum&#8221;, seguindo a cartilha de qualquer <i>thriller </i>americano que se vê por ai. Por certo, orientações que &#8220;vieram de cima&#8221;, dos seus produtores.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Monótono e confuso do início ao fim, <i>Presságios de um Crime </i>é mais um exemplar que evidencia como Hollywood pode descaracterizar diretores com um mínimo de potencial inventivo em prol daquilo que se acredita ser um cinema que atrairá um nicho de espectadores. O filme não faz jus aos melhores longas do seu gênero, tampouco à promissora carreira do seu diretor brasileiro. Fica para a próxima Poyart, de preferência, por aqui mesmo.</p>
</div>
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		<title>Noé é mais uma intensa jornada psicológica conduzida por Darren Aronofsky</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Apr 2014 21:14:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Anthony Hopkins]]></category>
		<category><![CDATA[Darren Aronofsky]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Watson]]></category>
		<category><![CDATA[Jennifer Connelly]]></category>
		<category><![CDATA[Noé]]></category>
		<category><![CDATA[Russell Crowe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Administrar as demandas naturais impostas a um projeto financiado por um estúdio sempre será um desafio a qualquer realizador que pretenda manter-se fiel a sua linha autoral de produção. No entanto, determinadas concessões acabam sendo necessárias no intuito de levar para as telas tramas que inevitavelmente requererão maior injeção financeira. Após trabalhos cultuados por seu vigor e frescor autoral como Requiem para um Sonho, O Lutador e Cisne Negro, o cineasta Darren Aronofsky levou para as telas a sua adaptação [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/noah-still.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-607 alignleft" alt="noah-still" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/noah-still.jpg" width="434" height="271" /></a>Administrar as demandas naturais impostas a um projeto financiado por um estúdio sempre será um desafio a qualquer realizador que pretenda manter-se fiel a sua linha autoral de produção. No entanto, determinadas concessões acabam sendo necessárias no intuito de levar para as telas tramas que inevitavelmente requererão maior injeção financeira. Após trabalhos cultuados por seu vigor e frescor autoral como <em>Requiem para um Sonho, O Lutador </em>e <em>Cisne Negro</em>, o cineasta Darren Aronofsky levou para as telas a sua adaptação da passagem bíblica da Arca de Noé, batizada apenas com o nome do seu protagonista, <em>Noé</em>. Lógico, o diretor passou por turbulências internas na Paramount, que levou o orçamento da produção a estimados US$ 125 milhões, e entre cortes e adiamentos da estreia, conseguiu levar seu ambicioso projeto para as telas em 2014<em>.</em></p>
<p>Visualmente, <em>Noé</em> não é o desbunde que poderia ser. Aliás, esse nem é o ponto nevrálgico da obra, os elementos cênicos e visuais estão ali apenas para localizar o espectador e ilustrar determinadas intenções. O que interessa a Aronofsky é, mais uma vez, testar a própria consciência do espectador, um exercício que já mostrou-se eficiente ao extremo em seus filmes anteriores. No caso de <em>Noé, </em>ele utiliza uma passagem bíblica, sem com isso realizar um filme com inclinações religiosas ou contestações dogmáticas diretas, para criar uma trama amarrada, que explora e testa ao máximo os elementos psicológicos de seus personagens e oferece muito mais questionamentos que respostas sobre suas principais questões: entre elas, os limites das crenças e a fé na humanidade (o homem é essencialmente bom ou ruim?).</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/noah-7-620x411.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-603 alignright" alt="noah-7-620x411" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/noah-7-620x411-603x400.jpg" width="422" height="280" /></a>A trama é a conhecida de todos. Noé recebe sinais do Criador de que o mundo está para ser destruído por um dilúvio como uma forma de castigo para o mal que o homem causou na Terra desde que Adão e Eva sucumbiram à tentação. Com a consciência do fim da humanidade, Noé tem a missão de reunir as formas de vida não humanas em uma arca para perpetuarem suas espécies nesse novo Paraíso que será formado após o dilúvio. A iniciativa de Noé começa a despertar a ira de alguns homens que arquitetam um plano para sabotar a arca. Além dessa ameaça, o personagem tem que lidar com conflitos familiares que surgem em decorrência de sua devoção irrestrita a essa missão.</p>
<p>Convertido fora dos Estados Unidos em um 3D que sinceramente não faz a menor diferença em termos narrativos, <em>Noé</em> é mais um trabalho exemplar de Aronofsky que demonstra toda sua personalidade criativa, fazendo prevalecer sua assinatura em meio a tantas forças que poderiam enfraquecer sua visão sobre essa história. O que se vê na tela é mais um filme da excelente filmografia de um diretor sempre preocupado com as construções psicológicas de seus protagonistas, proporcionando estudos de personagem desafiadores. No caso em questão, acompanhamos Noé, interpretado com a usual intensidade de um Russell Crowe em plena forma dramática, tensionando suas convicções (a fé no Criador e na missão que lhe foi dada) e seus sentimentos (o amor pela sua esposa e por seus filhos), levando a um estágio de loucura gradativo. Assim como fez com Sara, Marion e Harry em <em>Requiem para um Sonho</em> ou Nina Sayers em <em>Cisne Negro</em>, em <em>Noé</em>, o diretor investe no terceiro ato do longa, conferindo como poucos uma tensão que beira o lisérgico, desafiando não só o seu protagonista, mas os nervos da plateia ao extremo. Aronofsky retorna ainda a trabalhar com Jennifer Connelly, excelente como a esposa de Noé, um contraponto em sensatez ao marido, e extrai ótimas performances de Anthony Hopkins como Matusalém e Ray Winstone como Tubal-cain, vilão do longa.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/movies-noah-russell-crowe-ray-winstone.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-604 alignleft" alt="movies-noah-russell-crowe-ray-winstone" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/movies-noah-russell-crowe-ray-winstone.jpg" width="433" height="270" /></a>Como todo exemplar da filmografia do realizador, <em>Noé</em> não é um filme de fácil digestão e gerará incômodos por sua estrutura e abordagem narrativa ocasionalmente dispersa e constantemente incisiva. O que é bom sinal, mostra que mesmo inserindo-se na dinâmica produtiva de um estúdio, Darren Aronofsky abriu poucas concessões criativas em seu filme para as orientações de produtores. Provocador e questionador, como sempre, o diretor realizou com <em>Noé</em> um longa que não está nos cinemas ao acaso para oferecer perspectivas contemplativas ou consoladoras sobre a vida ou sobre seus personagens. Não há um retrato sobre um herói bíblico convicto e inspirador em seus valores, mas um homem falho e levado ao extremo por suas convicções. Não poderíamos esperar outra coisa de um diretor tão enérgico quanto Darren Aronofsky.</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/noe-e-mais-uma-interessante-jornada-psicologica-conduzida-por-darren-aronofsky/">Noé é mais uma intensa jornada psicológica conduzida por Darren Aronofsky</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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