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	<title>Arquivos Andrew Garfield - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Andrew Garfield - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Todo o Tempo Que Temos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Nov 2024 17:36:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aquele filme que você já entra sabendo que vai chorar bastante. Esse é Todo o Tempo Que Temos, que não engana ninguém desde o seu trailer. Protagonizado por Andrew Garfield (Homem-Aranha: Sem Volta para Casa) e Florence Pugh (Oppenheimer), o longa narra a história do casal que precisa lidar com o câncer avançado da mulher, que vai encutar a história de amor de ambos. É claro que já passamos por esse tipo de enredo diversas vezes, como é o caso [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Aquele filme que você já entra sabendo que vai chorar bastante. Esse é <strong><em>Todo o Tempo Que Temos</em></strong>, que não engana ninguém desde o seu trailer. Protagonizado por Andrew Garfield (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-sem-volta-para-casa-sem-spoilers/"><em>Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</em></a>) e Florence Pugh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-oppenheimer/"><em>Oppenheimer</em></a>), o longa narra a história do casal que precisa lidar com o câncer avançado da mulher, que vai encutar a história de amor de ambos.</p>
<p>É claro que já passamos por esse tipo de enredo diversas vezes, como é o caso de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-culpa-e-das-estrelas/"><em>A Culpa É das Estrelas</em></a>, que secou nossas lágrimas anos atrás. Então meu objetivo aqui, desde o início, era entender quão boa poderia ser essa execução e o que de novo o filme poderia trazer. Claro, a promessa desta dupla de excelentes atores também foi um ótimo atrativo para mim.</p>
<p>O fato é que <strong><em>Todo o Tempo Que Temos</em></strong> começa lento. Não no sentido de monotonia da história, mas no que exatamente ele está se propondo. O filme tem uma característica que me incomoda um pouco que é a incapacidade de expor claramente ao seu espectador quando existe uma mudança de tempo. Os protagonistas estão sempre lembrando de momentos do passado e o longa não faz questão alguma de deixar isso claro. Então, a gente tem que ficar pescando indícios de que momento aquela cena está se passando. Esse problema só é resolvido mais à frente, quando a personagem de Florence muda o cabelo.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18866" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1.png" alt="Todo o Tempo Que Temos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Um outro ponto é que seu intuito principal demora a se mostrar. Será apenas mais uma história de amor que vai ser ceifada pela morte de uma das partes? Mais à frente vemos que não é o caso. Para além do amor dos protagonistas, temos a necessidade de Almunt (Pugh) de se fazer eterna para a filha, de alguma forma. Ela sabe que a menina é muito pequena e poderá esquecer detalhes da mãe no futuro, quando ela já tiver partido. Seu foco então é em se fazer inesquecível, presente. Ela quer que a filha olhe sempre para trás e lembre do quanto a mãe foi incrível, ainda no fim da vida.</p>
<p>E isso dá uma conotação completamente diferente a <em><strong>Todo o Tempo Que Temos</strong></em>, que até então estava mais do mesmo. Isso faz o espectador refletir sobre a passagem da vida e o que deixamos de marca pelo caminho. A visão é muito mais sobre a qualidade do tempo do que sobre a quantidade em si. O que já traz uma dualidade para nós, já que o ser humano, socialmente, tem a tendência de rejeitar a morte e se apegar ao corpo físico. Almunt quer se fazer eterna pelo seu legado, ainda que seja um legado apenas para a família que ela construiu.</p>
<p>Gosto bastante da forma como o filme é finalizado, sem grandes cenas que forçam o espectador a chorar. O choro vem com muita naturalidade, pelas reflexões que são feitas. As atuações estão muito afiadas e dão o tom no longa, ainda que ele tenha tido um começo com tropeços. Vale a pena conferir por todas as emoções que certamente serão despertadas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> John Crowley</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Andrew Garfield, Florence Pugh, Adam James, Marama Corlett, Aoife Hinds, Nikhil Parmar, Heather Craney, Kevin Brewer</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/MxnQhCUhltU?si=VpSlfWdpIgnxMM8U" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Tick, Tick&#8230; Boom! (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Dec 2021 19:25:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O dramaturgo e compositor Jonathan Larson ficou conhecido por revolucionar os musicais da Broadway com Rent, espetáculo que, na contramão de tendências do gênero, abordava temas graves com um grupo de amigos da Nova York dos anos 80: o desemprego, o consumo de drogas e, sobretudo, o crescimento da AIDS. Larson conseguiu seu sucesso aos trinta e poucos anos, batalhou muito por isso e teve diversas crises pessoais e profissionais, mas não conseguiu &#8220;saborear&#8221; esse momento pois faleceu pouco tempo de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O dramaturgo e compositor Jonathan Larson ficou conhecido por revolucionar os musicais da Broadway com Rent, espetáculo que, na contramão de tendências do gênero, abordava temas graves com um grupo de amigos da Nova York dos anos 80: o desemprego, o consumo de drogas e, sobretudo, o crescimento da AIDS. Larson conseguiu seu sucesso aos trinta e poucos anos, batalhou muito por isso e teve diversas crises pessoais e profissionais, mas não conseguiu &#8220;saborear&#8221; esse momento pois faleceu pouco tempo de um tipo raro de aneurisma.</p>
<p>A história de Larson é contada em <strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom!</em></strong>, musical autobiográfico de autoria do próprio compositor. Nele, Larson conta o período em que criava um musical chamado Superbia para um workshop em Nova York e chamou a atenção de figurões da área, como o recém-falecido Stephen Sondheim (de <em>West Side Story </em>e <em>Sweeney Todd</em>). Esta produção off-Broadway de Larson narra os anseios de jovens adultos que vivem as ansiedades e cobranças de não cumprirem a utopia da ascensão profissional antes dos 30 anos. Larson começa a ser tentado pela ideia de abandonar os seus sonhos para encontrar alguma atividade que lhe dê retorno financeiro mais imediato. Ao mesmo tempo, o compositor vê diversos dos seus amigos morrerem por complicações decorrentes da AIDS.</p>
<p><strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom! </em></strong>é o primeiro filme dirigido por Lin-Manuel Miranda, que a esta altura já deixou de ser uma figura conhecida apenas no seu nicho, já que tem assinado os créditos como compositor de uma série de recentes produções do gênero no cinema, de <em>Em um Bairro de Nova York</em>, passando ainda pelas animações <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-encanto/"><em>Encanto</em></a>, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-moana-um-mar-de-aventuras/"><em>Moana</em> </a>e <em>Vivo: Um Amigo Show</em>. O mais célebre trabalho de Miranda é, sem dúvida, Hamilton, cuja versão filmada em 2020 para o Disney + foi um sucesso e que assim como Rent de Larson também é tido por muitos especialistas como um musical revolucionário pelo teor das suas composições.</p>
<p>A adaptação de <strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom!</em></strong> tem como mérito captar o dilema de jovens profissionais das artes. São personagens que exercem algo que contraria o imaginário sobre o sucesso profissional meteórico. Ao longo do musical temos exemplos de jovens adultos que desistem dos seus sonhos, como é o caso do melhor amigo do protagonista, outros que os adaptam, o exemplo da namorada de Larson, e nosso personagem central que persiste na sua vocação, mas vê suas convicções pontualmente fragilizadas diante dos &#8220;nãos&#8221; recebidos e por testemunhar todos ao seu redor encontrando meios e alternativas de sobreviver diferente das suas, algumas bem mais exitosas, por sinal. Às vésperas de completar 30 anos e não estar no lugar que se esperava estar nesse momento da sua vida, Larson é consumido pela sensação de correr contra um tempo que o atropela.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14868" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/TICK-TICK-BOOM-scaled-1.jpg" alt="Tick, Tick... Boom!" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/TICK-TICK-BOOM-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/TICK-TICK-BOOM-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/TICK-TICK-BOOM-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/TICK-TICK-BOOM-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom!</em></strong> é o tipo de experiência que talvez somente profissionais de áreas não tão prestigiadas socialmente conseguem dimensionar, mas que tem lá a sua universalidade. <strong><em>Tick Tick&#8230; Boom!</em></strong> fala da forma violenta como somos absorvidos por essas narrativas ilusórias de sucesso meteórico e como nossa visão romantizada sobre nossas respectivas trajetórias podem ser frustradas pela realidade em si. Ao mesmo tempo, é um material que celebra a resposta a uma vocação e como isso enche de sentido nossa própria existência e jornada.</p>
<p>Apesar der ser muito tocante na condução da sua temática, <strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom!</em></strong> exibe um Lin-Manuel Miranda inseguro sobre as possibilidades narrativas do seu musical. A ideia de transformar os números em apresentações off-Broadway do próprio Larson, vivido lindamente por Andrew Garfield, é um dos pontos altos das decisões de Miranda e que nos remete a própria gênese de <strong><em>Tick Tick&#8230; Boom!</em></strong>(originalmente, ele foi montado desta forma). Ao mesmo tempo, o longa é tomado por números que extrapolam esse recurso e tomam o cotidiano dos personagens ou ainda por insights criativos supérfluos, como o clipe da MTV que surge em dado momento.</p>
<p>Há também um fator que faz o filme ter muitos altos e baixos, as canções de <strong><em>Tick, Tick&#8230; Boom!</em></strong> são mais inspiradoras do que o longa como encenação em si. Quando deixa de lado as apresentações de Larson para sua plateia, o musical fica um pouco desinteressante e até mesmo tem dificuldade para amarrar os eventos da biografia do compositor, funcionando melhor como divagações cantadas sobre a vida do protagonista do que como um encadeamento de eventos bem correlacionados. Há relações e personagens que atravessam a vida de Jonathan Larson que ou tornam-se dispensáveis dadas as proporções que ganham, como o romance com Susan, personagem de Alexandra Shipp, ou que mereciam mais espaço de tela, como é o caso do melhor amigo de Larson, Michael, interpretado pelo ótimo Robin de Jesus.</p>
<p><strong><em>Tick Tick&#8230; Boom!</em></strong> é um longa que deixa o espectador em conflito o tempo todo. Ao mesmo tempo que apresenta de forma tocante o dilema central do seu personagem principal e o faz com composições belíssimas, é um filme que pelas características do próprio musical (uma série de divagações de Jonathan Larson sobre a vida) tem dificuldade para se mostrar interessante como narrativa. Há ótimos momentos e outros que carecem de uma melhor evolução na história tendo em vista que aqui os acontecimentos extrapolam a lógica da apresentação intimista no palco.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Lin-Manuel Miranda</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Andrew Garfield, Vanessa Hudgens, Bradley Whitford, Alexandra Shipp, Judith Light, Joshua Henry, Noah Robbins</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/gOSGZGdp0lI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial Homem-Aranha: Os três arcos da trajetória do herói no cinema</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jul 2019 17:38:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde 1962, quando teve a sua primeira aparição nos quadrinhos, o Homem-Aranha trouxe um novo caminho para as ficções heroicas. O surgimento de uma figura tão próxima da realidade dos leitores encantou gerações e promoveu uma narrativa cheia de arcos e ramificações que se desdobram até hoje, quase seis décadas após sua criação. Os fãs do Aranha já vivenciaram diversas fases da personagem e estavam curiosos com a continuidade que a Sony Pictures, em parceria com a Marvel Studios, daria [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde 1962, quando teve a sua primeira aparição nos quadrinhos, o Homem-Aranha trouxe um novo caminho para as ficções heroicas. O surgimento de uma figura tão próxima da realidade dos leitores encantou gerações e promoveu uma narrativa cheia de arcos e ramificações que se desdobram até hoje, quase seis décadas após sua criação. Os fãs do Aranha já vivenciaram diversas fases da personagem e estavam curiosos com a continuidade que a <em>Sony Pictures</em>, em parceria com a <em>Marvel Studios</em>, daria para a jornada de Peter Parker.</p>
<p>Após os eventos de <em>Vingadores: Ultimato</em> que foram determinantes para a reaparição do <em>Spider-Man</em>, a jornada de <em><strong>Homem-Aranha: Longe de Casa</strong></em> começa com um Peter tentando se adaptar as mudanças que ocorreram no planeta, em especial a perda do seu mentor e amigo. A responsabilidade de ser um dos poucos heróis vivos, a frustração e o vazio pela ausência de Tony e os dilemas juvenis embalam a narrativa desse novo arco do Aranha. A jornada que começou em 2016 com a aparição do jovem herói em <em>Capitão América: Guerra Civil</em>, toma forma e se complexifica durante seu segundo filme solo.</p>
<p>Apesar do sucesso e da visibilidade cada vez maior por sua participação nos Vingadores, o jovem herói já é um velho conhecido da cultura <em>geek</em>. De 1962 até os dias de hoje, o Aranha já teve centenas de hqs publicadas, foi tema de 11 séries televisivas – sendo duas <em>live-action</em> e nove animadas –, foi protagonista de três diferentes arcos fílmicos e gerou dois <em>spin-offs</em>. Com sua chegada no cinema, contudo, esse fascínio e essa comoção só se amplificaram.</p>
<figure id="attachment_10889" aria-describedby="caption-attachment-10889" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-10889" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Tobey-Maguire-in-Spider-Man-1280x720-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Tobey-Maguire-in-Spider-Man-1280x720.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Tobey-Maguire-in-Spider-Man-1280x720-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Tobey-Maguire-in-Spider-Man-1280x720-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-10889" class="wp-caption-text">Tobey Maguire no icônico papel de Homem-Aranha</figcaption></figure>
<p>Dentre os filmes solo do Homem-Aranha, a trilogia dirigida por Sam Raimi (<em>A Morte do Demônio</em>, 1981) foi um capítulo de extrema importância na jornada do herói. Além de iniciar a fase cinematográfica do Aranha, o diretor deu vida a uma narrativa que padronizou o imaginário popular de quem seria essa figura tão famosa desde a década de 1960. A interpretação de Tobey Maguire (<em>Regras da Vida</em>, 1999) inaugurou uma das possibilidades do herói. Nos três filmes da parceria Raimi-Maguire, o espectador pôde ver um jovem maduro, com preocupações adultas e dilemas profundos – tanto que o fator da perda do tio Ben é um acontecimento de extrema importância para a construção do super-herói. Maguire, portanto, estreou essa personagem nos cinemas com uma vivência que trazia maturidade e dificuldades de uma vida mais adulta.</p>
<figure id="attachment_10888" aria-describedby="caption-attachment-10888" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-10888" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/andrew-garfield-amazing-spiderman_upuw-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/andrew-garfield-amazing-spiderman_upuw.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/andrew-garfield-amazing-spiderman_upuw-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/andrew-garfield-amazing-spiderman_upuw-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-10888" class="wp-caption-text">Já Andrew Garfield foi pouco popular</figcaption></figure>
<p>Em seu segundo arco, a <em>Sony Pictures</em> decidiu adaptar a hq mais antiga do herói. <em>O Espetacular Homem-Aranha</em> traz uma roupagem completamente diferente para o Peter. Dessa vez, o público se depara com um Parker fisicamente mais jovem, com atitudes e vivências mais infantis e até com uma personalidade um pouco oposta do Peter de Maguire. Andrew Garfield (<em>Até o Último Homem</em>, 2016) dá vida a esse novo tipo heroico do Parker que rendeu dois longas. Apesar das duas produções, <em>The Amazing Spider-Man</em> (título original) cometeu muitos deslizes durante esses dois momentos. Os longas não conseguiram executar a narrativa com a maestria de Raimi e os roteiros se mostraram frágeis em suas tentativas de inovação. Atrelado a isso, a interpretação de Garfield não foi exatamente bem vista pelo público. Existe um claro estranhamento ao assistir o Andrew como o Aranha e, quando comparado com Tobey, esse incômodo só aumenta.</p>
<p>Após ficar dois anos longe das telas, o herói da vizinhança retorna aos cinemas fazendo uma participação especial no último filme solo do Capitão América. Assim, em 2016, os fãs da <em>Marvel</em> puderam ter um primeiro olhar – mesmo que rápido – de como seria essa nova versão do Aranha. Desde esse primeiro momento, o <em>Spider-Man</em> de Tom Holland mostrou que seguiria um caminho mais próximo ao de Maguire. Um ano depois, com a estreia de seu longa, Holland trouxe ao público uma versão mais jovem do que foi a personagem de Maguire e Garfield.</p>
<figure id="attachment_10887" aria-describedby="caption-attachment-10887" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-10887" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/spider-man-homecoming-tom-holland-unmasked-e1492618589588-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/spider-man-homecoming-tom-holland-unmasked-e1492618589588.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/spider-man-homecoming-tom-holland-unmasked-e1492618589588-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/spider-man-homecoming-tom-holland-unmasked-e1492618589588-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-10887" class="wp-caption-text">Tom Holland tem se saído bem como o Spider-Man atual</figcaption></figure>
<p>O Homem-Aranha de Tom é um <em>nerd</em> desengonçado que enfrenta os dilemas normais de todo adolescente. Apesar de não conter a profundidade das motivações de Maguire, Holland, ainda assim, consegue se aproximar do estereótipo do herói aracnídeo. A despretensão de assumir essa vida de super-herói, as vivências ainda colegiais e o jeito atrapalhado são características próximas que podem ser traçadas entre o primeiro e o atual Aranha.</p>
<p>O destaque dessa nova jornada, contudo, está na participação do Homem-Aranha nos Vingadores. A adesão do garoto nova-iorquino aos maiores defensores do universo foi uma estratégia narrativa desde o início. A primeira aparição do Aranha mostra que os caminhos se alinhavam para que ele crescesse como herói e assumisse um papel fundamental na proteção do planeta com o passar dos anos. Todo esse processo se intensifica com a perda de seu mentor – temática a qual gerou o enredo do último lançamento da <em>Marvel Studios</em>.</p>
<p>Com <strong><em>Far From Home</em></strong> (título original), a jornada de Peter Parker chega a um momento crucial. O garoto precisa aceitar o seu papel de protetor de mais do que sua cidade e deve abraçar o legado que Tony Stark deixou para ele. Pela frente, suas preocupações juvenis e sua maturidade ainda em processo precisarão se moldar aos dilemas da vida real de um super-herói. Com isso, o perigo, sofrimento e a perda podem se tornar questões frequentes em sua vida. Acontecimentos que podem, ao decorrer dos próximos filmes, aproximar ainda mais os Aranhas de Maguire e Holland.</p>
<p>Para além desses arcos principais, a saga do <em>Spider-Man</em> foi capaz de ir além da figura central das hqs – ou pelo menos de sua personagem original. Em 2018, a <em>Sony</em> lançou dois <em>spin-offs</em> das histórias do Homem-Aranha. A primeira produção lançada foi o longa-metragem estrelado por Tom Hardy (<em>Mad Max: Estrada da Fúria</em>, 2015) intitulado <em>Venom</em>. O filme narra a história de um jornalista controverso que acaba se tornando hospedeiro do simbionte que dá nome ao filme. Apesar das suas falhas de roteiro, direção e tom, a película teve um sucesso de bilheteria, o que garantiu sua continuação – a qual está prevista para 2020 – e ainda outras produções voltadas para vilões do universo Aranha, como <em>Morbius</em> que estreia, também, em 2020.</p>
<figure id="attachment_10885" aria-describedby="caption-attachment-10885" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-10885" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/poltrona-spider-verse-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/poltrona-spider-verse.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/poltrona-spider-verse-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/07/poltrona-spider-verse-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-10885" class="wp-caption-text">Homem-Aranha no Aranhaverso foi um sucesso e ganhou o Oscar de Melhor Animação</figcaption></figure>
<p>Alguns meses após o lançamento de <em>Venom</em>, a <em>Sony</em> lança o maior sucesso do fim de ano, <em>Homem-Aranha no Aranhaverso</em>. A animação foi o ponto alto do estúdio e gerou um reboliço no universo cinematográfico. A crítica e o público abraçaram o longa de imediato e a animação levou para casa dezenas de prêmios, incluindo o Oscar de “Melhor Animação”.</p>
<p>O fenômeno causado pela figura do herói aracnídeo tem, portanto, uma história densa e cheia de nuances. Seja pelas representações em diferentes mídias, pelos arcos distintos do cinema ou pela expansão de seu universo. Seja como for, o Homem-Aranha se mantém como um ícone juvenil que está na memória das gerações passadas e presentes. Independentemente das falhas de <em>O Espetacular Homem-Aranha</em> ou da demora para <strong><em>Longe de Casa</em></strong> engatar de forma verdadeiramente interessante, o amor por essa figura fala mais alto e tem garantido sempre um retorno aos estúdios. Os fãs do Aranha agora podem apenas teorizar e aguardar ansiosos pelo desenvolver da história do querido herói tanto em meio aos Vingadores como através dos <em>spin-offs</em> que estão por vir.</p>
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		<title>Crítica: Uma Razão para Viver</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Nov 2017 00:44:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Garfield]]></category>
		<category><![CDATA[Andy Serkis]]></category>
		<category><![CDATA[Claire Foy]]></category>
		<category><![CDATA[Uma Razão Para Viver]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estreando na direção de um longa-metragem com um típico drama real da temporada de prêmios hollywoodiana, Andy Serkis (das trilogias O Senhor dos Anéis e Planeta dos Macacos) chega no circuito com Uma Razão para Viver. O filme narra a vida de Robin Cavendish, vivido por Andrew Garfield (indicado ao Oscar recentemente por Até o último homem), um homem que nos anos de 1950 sofre uma paralisia em virtude da poliomelite e se torna pioneiro no tratamento da deficiência física ao sair da cama do hospital [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Estreando na direção de um longa-metragem com um típico drama real da temporada de prêmios hollywoodiana, Andy Serkis (das trilogias <i>O Senhor dos Anéis </i>e <i>Planeta dos Macacos</i>) chega no circuito com <i>Uma Razão para Viver. </i>O filme narra a vida de Robin Cavendish, vivido por Andrew Garfield (indicado ao Oscar recentemente por <i>Até o último homem</i>), um homem que nos anos de 1950 sofre uma paralisia em virtude da poliomelite e se torna pioneiro no tratamento da deficiência física ao sair da cama do hospital e ter uma vida &#8220;normal&#8221; em seu próprio lar, adaptado, claro, às novas circunstâncias das suas condições de saúde. Robin teve seus movimentos reduzidos ao extremo, respirando por aparelhos, mas, graças a ajuda de amigos conseguiu mecanismos que viabilizaram uma vida comum com sua esposa e filho em sua casa.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Produzido pelo filho do biografado, Jonathan Cavendish, <i>Uma Razão para Viver </i>é roteirizado por William Nicholson, de <i>Os Miseráveis </i>e <i>Gladiador</i>. A vida de Cavendish tem todas as peças que estão à serviço da narrativa clássica: a vida de Robin é contada como uma trajetória repleta de feitos admiráveis, com pouquíssima mácula ao seu caráter. Ao mesmo tempo, o protagonista conta com a ajuda de uma esposa dedicada interpretada por Claire Foy (premiada por seu trabalho na série <i>The Crown</i>). Contudo, apesar de contar com toda uma estrutura narrativa mais do que &#8220;manjada&#8221;, o filme de Andy Serkis é honesto com seu público e seus personagens, emocionando a plateia sem apelar para o dramalhão, seja explorando em demasia seja realçando em tons exagerados os dramas evidentes das suas vidas.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8431" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Breathe-696x464.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><span data-blogger-escaped-style="text-align: center;">O filme é um relato positivo sobre o seu biografado, evitando qualquer tom pessimista ou sombrio sobre sua condição.</span><span data-blogger-escaped-style="text-align: center;"> Portanto, não esperem um retrato realista ou melancólico. </span><span data-blogger-escaped-style="text-align: center;">Serkis encontra o equilíbrio ao usar sua história como inspiração, dar destaque às emoções e não ser intrusivo ou manipulador nos efeitos que sua história causa. Situação exemplar disso é a maneira como encerra o seu longa, um momento inegavelmente dramático na história dos seus personagens, mas tratado com elegância e minimalismo pelo cineasta através de composições singelas de planos e direção certeira do seu elenco. Em momento algum as performances de Andrew Garfield e Claire Foy soam fora da medida como um </span><i data-blogger-escaped-style="text-align: center;">overacting</i><span data-blogger-escaped-style="text-align: center;">. Nas circunstâncias em que os atores têm que subir um pouco o tom das suas emoções, eles, junto com o seu diretor, conseguem encontrar um meio termo entre a explosão de sentimentos e a consciência de que suas performances não devem se sobrepor à própria história narrada.</span></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><span data-blogger-escaped-style="text-align: center;">É certo que o filme derrapa no terceiro ato, quando prolonga em demasia o estágio final da vida de Cavendish, mas ainda assim, fica na memória do espectador os acertos do filme, sobretudo no tom que Serkis encontra para uma história que tinha tudo para cair no dramalhão fácil. Em <i>Uma Razão para Viver</i>, Andy Serkis não tem uma estreia que evidencie o nascimento de um revigorante autor cinematográfico, nada aqui é surpresa. No entanto, fica a boa impressão de um diretor que soube compreender as demandas da sua história e da chave de sua comunicação com o público sem apelar para qualquer sensacionalismo. </span></p>
<p><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/JxHAQBUNvrs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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		<title>Crítica: Silêncio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Mar 2017 13:07:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Adam Driver]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Garfield]]></category>
		<category><![CDATA[Liam Neeson]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Scorsese]]></category>
		<category><![CDATA[Silêncio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Martin Scorsese costuma ser um diretor associado a histórias que tentam dar conta da trajetória do crime organizado nos EUA como nos longas Os Bons Companheiros, Caminhos Perigosos e Os Infiltrados, mas pouca gente se dá conta de que o realizador costuma trafegar por gêneros e propostas bem ecléticas, indo do romance de época A Época da Inocência, passando pelo conto infantil de A Invenção de Hugo Cabret e pela biografia em O Aviador. Tudo obra de Scorsese. Em seu mais recente [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Martin Scorsese costuma ser um diretor associado a histórias que tentam dar conta da trajetória do crime organizado nos EUA como nos longas <i>Os Bons Companheiros, Caminhos Perigosos </i>e <i>Os Infiltrados</i>, mas pouca gente se dá conta de que o realizador costuma trafegar por gêneros e propostas bem ecléticas, indo do romance de época <i>A Época da Inocência</i>, passando pelo conto infantil de <i>A Invenção de Hugo Cabret </i>e pela biografia em <i>O Aviador</i>. Tudo obra de Scorsese. Em seu mais recente trabalho, <i>Silêncio</i>, Scorsese comprova mais uma vez seu desejo de diversificar os mares navegados e nos traz um longa ambientado no Japão do século XVII que tem como propósito central discutir a resistência da fé e das convicções religiosas diante do abalo que a crueldade do ser humano pode trazer para as mesmas.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>No longa, dois jesuítas portugueses (Andrew Garfield, recém indicado ao Oscar por <i>Até o último Homem</i>, e Adam Driver, de <i>Star Wars: O Despertar da Força</i>) vão ao Japão em um período de intensa perseguição ao catolicismo a fim descobrir o paradeiro do mentor de ambos, o padre Ferreira, vivido por Liam Neeson (<i>Busca Implacável</i>). Chegando ao país, os dois acabam enfrentando situações que colocam suas próprias convicções religiosas em cheque, fazendo com que ambos tenham que tomar decisões extremas que implicarão em uma reavaliação das suas relações com a Igreja Católica.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7482" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/03/silence-main-review.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Com um roteiro menos propenso a exposição de diálogos que o habitual, Martin Scorsese comanda um filme levemente introspectivo em sua primeira hora, só começando a ganhar ênfase e demonstrar a que veio mesmo a partir da sua segunda hora. O roteiro de Jay Cocks (que já havia trabalhado com o realizador em <i>Gangues de Nova York </i>e <i>A Época da Inocência</i>) e do próprio Scorsese, que raramente assume esta função, costura gradualmente a tensão emocional do seu protagonista, que aos poucos se depara com uma situação limite, ganhando intensidade na mediada em que o estágio do seu conflito pessoal se agrava, uma crescente recompensadora e coerente do ponto de vista da dramaticidade da sua história, mas que de fato pode causar um estranhamento inicial do espectador a sua história (mas é preciso frisar, seja fiel ao longa até o seu fim, vale a pena).</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>No seu percurso de intensificação dramática, <i>Silêncio </i>ganha uma força descomunal e evidencia um realizador que provoca mais do que oferece respostas prontas ao seu espectador. No lugar de um discurso óbvio e cínico contra a Igreja Católica ou de uma sentença abonadora das ranhuras sociais e históricas que são próprias da fé religiosa, Scorsese opta por uma via interessante: a da proposição de questionamentos que têm suas respostas mas que se mostram como cartas abertas para discussões muito mais amplas ao final da sessão. Diante de tantos atos de violência presenciados pelo personagem de Garfield no longa, é como se o realizador, indo e vindo nas certezas do mesmo sobre as suas próprias convicções religiosas, se colocasse na condição de filósofo do próprio tema que traz a luz com <i>Silêncio </i>para entender o lugar da fé diante de uma realidade marcada pela intolerância e pela demonstração cabal da falta de esperança no resquício de humanidade da nossa espécie. É possível perseguir a fé depois de tudo? Em caso positivo, isso é sintoma do que?</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>É certo que há o incomodo habitual de termos como personagens centrais portugueses que falam o tempo inteiro inglês, tendo em vista a escalação de atores feita por Scorsese composta pelo excelente Andrew Garfield, Adam Driver e Liam Neeson. Contudo, é preciso salientar que esta gafe reiterada do cinema norte-americano não retira o brilho e os méritos de <i>Silêncio</i>, um filme que provoca e que acerta ao potencializar o prolongamento de suas discussões. Com isso, <i>Silêncio </i>é prova de que aos 74 anos de idade Martin Scorsese ainda é um realizador que consegue continuar surpreendendo e fascinando um público que certamente ficaria mais satisfeito com um Scorsese de praxe. É reconfortante perceber que um diretor com a estrada e o público cativo que ele tem ainda almeja a não repetição e testar a si próprio com diversificados horizontes narrativos.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/susGd0Jd-CE" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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		<title>Crítica: Até o Último Homem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jan 2017 11:44:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Garfield]]></category>
		<category><![CDATA[Até o Último Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Mel Gibson]]></category>
		<category><![CDATA[Sam Worthington]]></category>
		<category><![CDATA[Vince Vaughn]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Até o Último Homem nos traz a história de um soldado relutante. Ao servir o seu país durante a Segunda Guerra Mundial, o norte-americano Desmond Doss (Andrew Garfield), apesar do apelo do exército, não quer ir ao front de batalha com uma arma em punho, deseja salvar vidas prestando serviço como médico. Esse contraponto entre um cenário de extrema violência gráfica e um olhar pacifista para o conflito é o que o filme de Mel Gibson tem de singular, mas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>Até o Último Homem </i>nos traz a história de um soldado relutante. Ao servir o seu país durante a Segunda Guerra Mundial, o norte-americano Desmond Doss (Andrew Garfield), apesar do apelo do exército, não quer ir ao <i>front </i>de batalha com uma arma em punho, deseja salvar vidas prestando serviço como médico. Esse contraponto entre um cenário de extrema violência gráfica e um olhar pacifista para o conflito é o que o filme de Mel Gibson tem de singular, mas também de mais contraditório.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Contado como uma odisseia heróica por seu realizador, <i>Até o Último Homem </i>trará a tradicional jornada do seu protagonista com o objetivo de enaltecer os seus feitos. No caso do filme, Desmond Doss, recusando-se a matar pessoas durante a batalha de Okinawa, conseguiu driblar a ameaça do exército japonês sozinho, resgatando os seus companheiros um a um. A maneira como Gibson se aproxima desse feito é protocolar, o espectador verá um certo apagamento da humanidade dos japoneses, que sequer possuem falas (eles simplesmente estão lá para atacar o grupo de americanos), algo que podemos relevar tendo em vista aquilo que é prioridade para seu diretor na história, o ponto de vista de Doss.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>A sequência da batalha em Hacksaw Ridge, que dá título ao filme e representa o cume de um monte rochoso onde os americanos encontram seus adversários japoneses e do qual Doss envia os combatentes feridos através de cordas para baixo, onde está localizada uma base dos EUA, é muito bem orquestrada por Gibson. O diretor consegue modelar sua ação de modo que o espectador tenha clareza a respeito de tudo que está acontecendo. Nesse departamento do seu filme, Gibson, contudo, opta por um dúbio realismo. A sequência, que dura cerca de uma hora, é tão brutal que abre brechas para questionarmos o olhar do realizador para tudo aquilo, já que, em certos momentos, no lugar da mera exposição de uma realidade o diretor parece contemplar com um certo prazer o mar de sangue dos seus corpos mutilados utilizando à exaustão recursos como o <i>slow motion</i>. Esse olhar, inclusive, proporciona ao filme um choque com o discurso pacifista do seu próprio protagonista. Claro que em um contexto de guerra, não dá para aliviar as coisas, mas dá para mostrar o conflito sem apreciá-lo enquanto estética e Gibson é relativamente dúbio sobre seu posicionamento a respeito disso.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7286" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/01/hacksaw0008.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Há um grande e inegável mérito em <i>Até o Último Homem </i>e ele reside no trabalho do seu ator principal Andrew Garfield. Resgatado daquele <i>reboot </i>sem futuro do <i>Homem-Aranha</i>, Garfield confere credibilidade e humanidade a Desmond, uma integridade que consegue driblar até mesmo o caráter dúbio do próprio filme de Gibson. O ator nos apresenta a uma figura humana e passível de admiração sem escorregar na caricatura do &#8220;bom moço&#8221;, armadilha fácil para um profissional menos atento que ele. Ao longo do filme, há também ótimos desempenhos do elenco de coadjuvantes, Hugo Weaving, Vince Vaughn e Sam Worthington.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Longe de ser tão bem realizado quanto exemplares anteriores da carreira de Gibson como diretor, <i>Até o Último Homem </i>nos apresenta a história de um personagem que desperta interesse no público pelo posicionamento que tem frente a guerra. Talvez, inconscientemente, o seu diretor não compartilhe do mesmo ponto de vista que ele, mas ao menos temos a mediação da impecável atuação de Andrew Garfield para atenuar as eventuais contradições do longa, conferindo humanidade e sensibilidade a um ambiente dominado pela brutalidade. Em recente entrevista (a mesa redonda da <i>Variety </i>para diretores na temporada de prêmios), Gibson creditou o êxito do filme a performance de Grafield, um achado na percepção do realizador. Ao final de <i>Até o Último Homem </i>não há exagero nenhum em dizer que tal qual Desmond Doss naquele contexto de conflito armado, Garfield atuou como o resquício de humanidade e sensibilidade que o olhar habitualmente problemático do seu diretor para a violência sempre precisa.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/R4cmOy0V8UA" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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		<item>
		<title>Crítica: O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-espetacular-homem-aranha-2-a-ameaca-de-electro/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 May 2014 18:18:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Garfield]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Stone]]></category>
		<category><![CDATA[Estreia]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro]]></category>
		<category><![CDATA[Série]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Esta nova série do Homem-Aranha divide muitas opiniões, mas sempre tende mais para o lado positivo. Pelo menos com relação à bilheteria, a segunda versão com Andrew Garfield no papel principal agradou muito mais ao público do que a antiga com Tobey Maguire. A justificativa esteja, talvez, finalmente sendo explicada neste segundo capítulo. O que mais define este filme é a construção do personagem principal, levando ele a ser o que o primeiro protagonista já chegou sendo. Peter Parker [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_796" aria-describedby="caption-attachment-796" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/homem-aranha-2.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-796 " src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/homem-aranha-2.jpg" alt="homem-aranha-2" width="529" height="330" /></a><figcaption id="caption-attachment-796" class="wp-caption-text">Embate entre socialmente desajustados? Peter Parker (Andrew Garfield) enfrenta o vilão Electro (Jamie Foxx) no segundo filme de Marc Webb.</figcaption></figure>
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<p>Esta nova série do Homem-Aranha divide muitas opiniões, mas sempre tende mais para o lado positivo. Pelo menos com relação à bilheteria, a segunda versão com Andrew Garfield no papel principal agradou muito mais ao público do que a antiga com Tobey Maguire. A justificativa esteja, talvez, finalmente sendo explicada neste segundo capítulo.</p>
<p>O que mais define este filme é a construção do personagem principal, levando ele a ser o que o primeiro protagonista já chegou sendo. Peter Parker curte sua situação como super-herói ao mesmo tempo em que lida com a contradição de colocar sua amada, Gwen Staci, em perigo, mesmo que tenha prometido ao pai da moça que se afastaria dela. O tom cômico de Garfield continua trazendo leveza ao super-herói, mesmo em momentos em que ele tem que lidar com grandes vilões.</p>
<p>Certo que provavelmente este tom cômico seja exacerbado no início do longa, mas ele caminha para a mudança definitiva no final (calma, sem spoilers). Esta mudança, inclusive, é que deve levar a uma realidade mais parecida com aquela que o Homem-Aranha se propõe nos HQs. A expectativa é esta.</p>
<figure id="attachment_794" aria-describedby="caption-attachment-794" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/emma-andrew-beijo-11.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-794 " src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/emma-andrew-beijo-11.jpg" alt="emma-andrew-beijo (1)" width="529" height="330" /></a><figcaption id="caption-attachment-794" class="wp-caption-text">Parker não resiste aos encantos da Gwen Stacy de Emma Stone. E o público?</figcaption></figure>
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<p>Neste segundo episódio, o Homem-Aranha lida com o surgimento de dois vilões: Electro e a transformação de seu amigo de infância, Harry Osborn. A construção de dois antagonistas pesa um pouco na narrativa em si, já que traz mais de um ápice ao filme. No entanto, se o espectador entender que esta película funciona mais como uma transição, o enredo prossegue mais suave.</p>
<p>Emma Stone, apesar de linda e boa atriz, continua deixando o espectador com saudade da Mary Jane de Kirsten Dunst. Sua aceitação completa da relação com Peter Parker e sua ausência quando assume o papel de Homem-Aranha irrita. Mesmo quando ela questiona suas atitudes, acaba retornando e permitindo que ele continue agindo daquela forma. O desfecho traz um alívio para esta questão e uma esperança de um futuro melhor para série.</p>
<p>Os efeitos visuais são realmente muito bons. É perceptível que houve um altíssimo investimento neste quesito e completamente justificável, já que o filme necessita disso. A trilha sonora também foi levada em conta e muito bem escolhida, trazendo um tom de grandiosidade à obra.</p>
<figure id="attachment_795" aria-describedby="caption-attachment-795" style="width: 529px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/O-Espetacular-Homem-Aranha-2-set-06mai2013-08-1.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-795 " src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/O-Espetacular-Homem-Aranha-2-set-06mai2013-08-1.jpg" alt="O-Espetacular-Homem-Aranha-2-set-06mai2013-08 (1)" width="529" height="330" /></a><figcaption id="caption-attachment-795" class="wp-caption-text">Relacionamento entre Parker e seu amigo de infância Harry Osborne é mais um dos conflitos que o filme tenta administrar.</figcaption></figure>
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<p>A sensação é que o filme caminha com calma. E isso é bom, por um lado, já que a proposta é justamente de construção de um personagem, assim como tem feito todos os últimos filmes da série 007, com Daniel Craig. Mas também é ruim, porque não empolga nem emociona tanto quanto poderia. É como se o diretor Marc Webb pisasse em ovos e tivesse muito medo de arriscar, já que a série anterior arriscou tanto que resultou em um desastre de bilheteria no terceiro episódio. Mas não arriscando, ele fica apenas no previsível.</p>
<p>A superioridade deste filme sobre o primeiro, no entanto, é notável. É como se ele justificasse tudo que aconteceu anteriormente e prometesse uma mudança brusca no terceiro episódio. O que acredito sinceramente que empolgou bastante os fãs mais assíduos dos quadrinhos. O que se espera, no entanto, é que ele saia deste lugar de conforto e arrisque, tendo a chance de agradar muito mais.</p>
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