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	<title>Arquivos 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Eu te amo é no Sol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Feb 2022 13:32:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Relacionamentos amorosos são pautados por contextos, circunstâncias, momentos específicos da vida etc. A conjuntura de cada situação, juntamente com as diferentes fases da vida pelas quais as pessoas passam, sentimentos são transformados e o sentido de certas aproximações são retirados com o passar do tempo. Em Eu Te Amo é no Sol, Yasmin Guimarães consegue colocar em imagens toda a complexidade que mudanças internas e externas podem causar em um namoro. Aqui, o que cria uma nova roupagem para a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Relacionamentos amorosos são pautados por contextos, circunstâncias, momentos específicos da vida etc. A conjuntura de cada situação, juntamente com as diferentes fases da vida pelas quais as pessoas passam, sentimentos são transformados e o sentido de certas aproximações são retirados com o passar do tempo. Em <em><strong>Eu Te Amo é no Sol</strong></em>, Yasmin Guimarães consegue colocar em imagens toda a complexidade que mudanças internas e externas podem causar em um namoro.</p>
<p>Aqui, o que cria uma nova roupagem para a relação de Júlia com Mati é a saída do Brasil para a morada em um país frio. Esta temperatura perpassa toda produção, seja na luz, na colorização, no texto ou na interpretação das atrizes, a saturação mais baixa revela a frieza que contamina aquele ambiente ficcional. Dentro de todas as possibilidades que poderiam fomentar a união do casal era o calor que aproximava a dupla no passado.</p>
<p>Júlia, que chegou antes no local, é quem mudou nesta equação um tanto injusta. A sua viagem e a distância imposta, antes da chegada de Mati, convocaram uma nova Júlia, uma que pode ter apagado a sua versão anterior, que possui novos desejos, tristezas e angústias. Estas emoções da personagem estão intensamente presentes no roteiro e na direção de Yasmin. Algo que se destaca em sua obra é a sua capacidade de síntese, diante da transmissão de sentimentos tão profundos. E estão todos ali, os sentimentos, em 19 minutos de exibição.</p>
<p>A cada cena, o espectador consegue descobrir as configurações da nova vida de Júlia, a impossibilidade de Mati em retornar para solos brasileiros e a conexão que a dupla possuía no passado. São diversos elementos que, no final das contas, se reúnem em um só: Júlia e Mati. Neste sentido, a complexidade das personagens e do enredo são passadas de maneira mais fluida nos silêncios. As imagens de Yasmin transmitem os olhares e as perspectivas que as personagens compartilham uma da outra. No entanto, durante os diálogos estes pontos são enfraquecidos.</p>
<p>As falas compartilhadas por Mati e Júlia em <em><strong>Eu Te Amo é no Sol </strong></em>deixam uma impressão de que a intimidade delas é menor, menos profunda e especial, principalmente porque o conteúdo do texto mostra uma falta de conhecimento delas, sobre elas. Além disso, alguns momentos são expositivos, como quando ambas conversam na cama sobre a mãe de Júlia. Todavia, as atrizes Maria Leite e Mônica Maria consegue suavizar os diálogos, com pausas e olhares, que deixam as sequências mais orgânicas. Ainda assim, esta característica não compromete tanto o resultado total e a produção conta com uma qualidade significativa, com uma direção bastante atenta aos efeitos que deseja causar.</p>
<p>A seleção de mudar a razão de aspecto quando Yasmin quer mostrar o público que a cena está inserida na lógica interna da narrativa é uma das estratégias efetivas da obra, pois localiza quem assiste a todo instante. Outra escolha certeira é a de trazer o outrora de Júlia e Mati na quentura, na afetividade que o clima tropical permite. Este é um contraponto que cria mais camadas para o que fora e é o namoro delas. Assim, durante toda a projeção, aspectos formais contribuem para o enredo e fazem ele crescer enquanto a sessão se desenrola.</p>
<p>O desfecho de <em><strong>Eu Te Amo é no Sol </strong></em>é um tanto inconclusivo, pois não modifica a situação da trama apresentada, mas a coloca no ponto inicial, talvez. Mas, o que são os romances senão eternos ciclos viciosos que somente são interrompidos quando a vontade de cessá-los é mais intensa do que a memória do calor que um dia foi ofertado. Disso Yasmin tem consciência e consegue expor para a sua plateia plenamente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Yasmin Guimarães</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Maria Leite e Mônica Maria</p>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Bege Euforia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Feb 2022 22:26:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Desde seu título, Bege Euforia parece querer evocar uma dualidade. No imaginário coletivo, bege certamente não é uma cor que remete a algo eufórico. No entanto, neste contexto daqui, a tonalidade preenche o ecrã a todo instante, revelando uma passionalidade para o tom. Isto porque, aqui, a cor ganha textura na tela e as emoções terrosas e enraizadas estão espelhadas nas personagens. Neste sentido, a ideia da natureza e do sensorial, pelo toque, estão presentes, em um sentir a terra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde seu título, <strong><em>Bege Euforia</em></strong> parece querer evocar uma dualidade. No imaginário coletivo, bege certamente não é uma cor que remete a algo eufórico. No entanto, neste contexto daqui, a tonalidade preenche o ecrã a todo instante, revelando uma passionalidade para o tom. Isto porque, aqui, a cor ganha textura na tela e as emoções terrosas e enraizadas estão espelhadas nas personagens.</p>
<p>Neste sentido, a ideia da natureza e do sensorial, pelo toque, estão presentes, em um sentir a terra com os pés ou uma parte exposta do corpo, por exemplo. Há durante a sessão instantes silenciosos e de investigação, que fomentam esta vontade de passar uma proximidade com a realidade das personagens, através deste convocar de sensações. A câmera toma seu tempo para olhar para aquelas mulheres ali retratadas e compreender porque do partir ou ficar.</p>
<p>No entanto, apesar de possuir momentos de destaque, com imagens que transmitem os sentimentos e desejos das personagens de maneira palpável, falta uma condução mais amarrada dentro do roteiro. As transições temporais e espaciais criam barreiras com espectador, que nem ao menos acompanha o desenvolvimento das relações trazidas no enredo.</p>
<p><strong><em>Bege Euforia</em></strong> é um curta provocativo, em alguns sentidos, por deixar que o público se depare com as cenas e consiga ir criando sentidos paralelos, enquanto assiste. Contudo, falta explorar esta multiplicidade de interpretações, pelo menos. O local de onde partem as personagens, para onde elas vão e como interagem não aparece durante a sessão. Assim, o que ocorre é uma exposição de imagens sem direcionamento.</p>
<p>Além disso, alguns elementos da técnica comprometem a fruição, principalmente a captação e edição do som. Ruídos e desnivelamentos de volume incomodam e afastam da história. Por mais que se tente uma conexão com a obra, a imersão nela é difícil e os seus encaminhamentos são soltos. Esta é uma produção que fica no meio do caminho e poderia apostar mais no experimental ou não, mas decidir o que quer de fato, para entregar um resultado mais consistente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Anália Alencar</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Mainá Santana, Priscila Vilela, Alice Carvalho</p>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Romance</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 19:12:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um filme dirigido e roteirizado por Karine Teles (Otimismo) e estrelado por Gilda Nomacce (5 estrelas) certamente pode criar diversas expectativas. Para quem acompanha o audiovisual nacional e os festivais de cinema brasileiros, os dois nomes são icônicos. Nesse olhar de quem aguarda algo sensacional, a decepção pode ser um tanto intensa. Romance é um curta-metragem que flerta com uma despretensão em sua decupagem. No entanto, seu tom é fortemente pretensioso e este é o primeiro incômodo da sessão. Contudo, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um filme dirigido e roteirizado por Karine Teles (<em>Otimismo</em>) e estrelado por Gilda Nomacce (<em>5 estrelas</em>) certamente pode criar diversas expectativas. Para quem acompanha o audiovisual nacional e os festivais de cinema brasileiros, os dois nomes são icônicos. Nesse olhar de quem aguarda algo sensacional, a decepção pode ser um tanto intensa. <strong><em>Romance</em> </strong>é um curta-metragem que flerta com uma despretensão em sua decupagem.</p>
<p>No entanto, seu tom é fortemente pretensioso e este é o primeiro incômodo da sessão. Contudo, a questão central aqui para apontar um resultado não tão positivo é que esta é uma produção que convoca muitas personagens e elementos, porém que não sabe trabalhar ele para mostrá-los para o espectador. Em algumas sequências, como na do campo de futebol, a captação de som e a escolha de manter o quadro em plano geral interferem diretamente na fruição da obra.</p>
<p>Não é possível enxergar as expressões faciais dos atores ou mesmo escutá-los com precisão. Neste tipo de situação é complexo acompanhar o que está acontecendo, se conectar com a história apresentada. Ao mesmo tempo, os próprios intérpretes parecem desconfortáveis. Seja em questões de corpo ou de intenção do texto, as construções soam artificiais e a ausência de organicidade vem tanto da mise-en-scène desorganizada, quanto do roteiro confuso.</p>
<p>Algo que não está presente no enredo é uma paciência para a elaboração de atmosfera, bem como um espaço para se conhecer a protagonista. As situações vão tropeçando uma na outra e chegam quase de maneira ingênua. O discurso posto na trama é nítido, faz sentido e é uma boa pauta para se trazida. Contudo, deixar a personagem principal como um agente passivo de todas as ações que a cercam e somente reiterar a todo tempo esta prisão que querem que ela habite deixa a obra sem complexidade.</p>
<p>Apesar de todo este contexto, é válido ressaltar que <strong><em>Romance</em>  </strong>conta com alguns momentos que podem valer a sessão, seja por alguns planos gerais bem enquadrados ou por um sarcasmo que perpassa a narrativa, que revela um potencial de Teles em trazer um tema relevante sem se levar tão a sério. Não existem limites impostos e a falta de previsibilidade é um ponto qualitativo positivo aqui.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Karine Teles</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Gilda Nomacce, Enrique Diaz, Bruno Balthazar</p>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Deus Me Livre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 19:03:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por onde começar uma crítica sobre Deus me Livre, um filme que trata de um assunto tão devastador e recente? Já se é sabido que a pandemia do Coronavírus levou e afetou a vida de milhares de brasileiros. Entre os colapsos dos hospitais, falta de oxigênio e um país em ruínas, por conta de um presidente genocida, existe ainda os estragos todos que acontecem, enquanto este texto é escrito e todas as consequências que estão sendo e irão ser colhidas. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Por onde começar uma crítica sobre <em><strong>Deus me Livre, </strong></em>um filme que trata de um assunto tão devastador e recente? Já se é sabido que a pandemia do Coronavírus levou e afetou a vida de milhares de brasileiros. Entre os colapsos dos hospitais, falta de oxigênio e um país em ruínas, por conta de um presidente genocida, existe ainda os estragos todos que acontecem, enquanto este texto é escrito e todas as consequências que estão sendo e irão ser colhidas.</p>
<p>Neste contexto indigesto, Carlos Henrique de Oliveira e Luis Ansorena Hervés trazem a história de pessoas que estão em um dos piores locais possíveis durante a Covid-19 – que não acabou, diga-se de passagem. Acompanhando a rotina de sepultadores, que trabalham no cemitério que contou com a maior quantidade de mortos por Corona da América Latina, a angústia e a tensão são sentidas em cada minuto de projeção.</p>
<p>O jogo entre apresentar estes homens em suas rotinas, com momentos leves e/ou descontraídos e colocar todo o medo deles em relação ao vírus é o que aumenta esta sensação de suspensão durante o curta. A gravidade das situações vividas pelos sepultadores vai se ampliando, à medida que colegas, amigos e familiares começam a se contagiar com a Covid.</p>
<p>Esta sensação toda que a produção passa é fomentada nesta mescla já apontada, de se deparar com a realidade da dinâmica dos enterros, juntamente com os “bastidores” deste processo, que são os instantes nos quais são estabelecidos os diálogos entre os funcionários do cemitério. Neste sentido, algo que aumenta mais esta imersão aqui é a lógica de distanciamento criada por Carlos e Luis.</p>
<p>A câmera parece sempre imprimir um olhar externo, como se os diretores não estivessem presentes. Apesar disso, é esta estratégia que aproxima o público ainda mais, principalmente pelo fato das personagens conversarem constantemente entre si. Este recurso é até comum, mas nem sempre funciona neste sentir-se próximo. Em <em><strong>Deus me Livre</strong></em> é um caminho acertado.</p>
<p>Dentro dos elementos constitutivos positivos, algumas questões não ornam tão bem com a estilística da obra. Existe uma aparente vontade em tratar de religiosidade. No entanto, o tema fica um tanto deslocado dentro da narrativa. Algumas sequências mostram cultos ou conversas sobre religião. Mas, a discussão não avança, muito menos é criada uma conexão entre o foco principal do enredo.</p>
<p>Assim, mesmo que morte e espiritualidade estejam imbricadas no imaginário da sociedade, aqui os assuntos ficam blocados. Por este motivo e por tão somente juntar informações durante a exibição, falta uma conclusão argumentativa para o documentário. O seu encerramento é um tanto abruto e resta ao público completá-lo.</p>
<p>Esta característica não é exatamente algo negativo, mas não funcionar em <em><strong>Deus me Livre</strong></em> justamente porque falta conectar temáticas, revelar direcionamentos mais precisos e/ou fomentar a argumentação através dados. As saídas poderiam ser múltiplas, porém deixar o resultado total mais coeso seria a melhor forma de concluir este trabalho, elevando sua força.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Carlos Henrique de Oliveira e Luis Ansorena Hervés</p>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Azulscuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 17:23:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Existem muitos riscos corridos dentro de Azulscuro. Um deles se dá pelo fato da verticalização da tela durante toda a sua duração. O que é assumido como estratégia, poderia ficar cansativo ou repetitivo, mas aqui funciona por dialogar o objetivo principal da obra: o de colocar o público mais próximo da perspectiva da personagem principal. A escolha de convocar a ideia de que se está acompanhando tudo que aparece na tela do celular da protagonista, Sofia (Larissa Bocchino), o tempo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Existem muitos riscos corridos dentro de <em><strong>Azulscuro</strong>. </em>Um deles se dá pelo fato da verticalização da tela durante toda a sua duração. O que é assumido como estratégia, poderia ficar cansativo ou repetitivo, mas aqui funciona por dialogar o objetivo principal da obra: o de colocar o público mais próximo da perspectiva da personagem principal. A escolha de convocar a ideia de que se está acompanhando tudo que aparece na tela do celular da protagonista, Sofia (Larissa Bocchino), o tempo inteiro, remete ao clássico <em>A Bruxa de Blair</em> (1997) ou até mesmo ao recente <em>Host</em> (2020).</p>
<p>O fato é que este tipo de estratégia também pode falhar por evocar alguma artificialidade, por não sustentar a tensão necessária ou por esvaziar o sentido da própria narrativa. Neste curta-metragem de terror mineiro, tudo que há é suspensão. Desde o início do filme, a construção da atmosfera de medo é bem elaborada. A utilização da figura mística ao fundo de Sofia, as luzes que falham ou a expectativa de uma mensagem de celular, que pode ser assustadora, as estratégias para criar progressão nos acontecimentos e a instalação do pânico em Sofia funcionam.</p>
<p>As seleções dos enquadramentos e as escolhas de iluminação são as chaves para que os efeitos alcancem os resultados desejados. A estrutura do roteiro também fomenta esta característica da produção.  O arco de Sofia e o seu conflito por não saber o que realmente ocorreu com sua irmã – que morreu de forma misteriosa – são trabalhadas de tal maneira para que espectador vá descobrindo o que é este fenômeno sobrenatural, juntamente com ela. Não há nada de novo aqui, porém são caminhos antigos utilizados conscientemente.</p>
<p>O único problema em <em><strong>Azulscuro</strong></em>, que acaba por comprometer a sua qualidade, é que em toda a compreensão de decupagens de obras de terror e de construção de universo ficcional, o foco para o enredo vai se perdendo. O que os roteiristas Evandro Caixeta – também um dos diretores aqui – e André Oliveira queriam contar? Para além dos sustos e de deixar a plateia nervosa em seus quinze minutos de projeção, qual é verdadeiramente o conflito de Sofia e Alice e para qual local esta história quer chegar?</p>
<p>Em meio aos jogos de luzes e diálogos sobre uma ameaça que está por vir, da figura demoníaca e dos textos com frases de impacto, a obra parece vazia de sentido concreto. No final das contas, o pavor se dissipa ao final da sessão e torna a experiência menos prazerosa, justamente porque parece que o curta não sabia com o que estava lidando e a sua conclusão acaba por fomentar isto. Chega a ser um tanto bobo seu encerramento de <em><strong>Azulscuro</strong></em>, que tenta deixar um espaço para que quem assista complete o enigma, porém faltaram peças durante exibição para que a estratégia funcionasse.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Evandro Caixeta e João Gilberto Lara</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Larissa Bocchino, Lavínia Bocchino</p>
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		<title>25ª Mostra de Cinema Tiradentes: O Resto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 13:16:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dona Iolanda vai para uma consulta médica e lá fica ciente de que foi considerada pelo Estado como morta. Diante desta descoberta, ela começa a tentar a reverter a situação. É sobre esta luta da protagonista em voltar para vida que trata o documentário de Pedro Gonçalves Ribeiro. Todavia, o curta-metragem O Resto é mais que isso. Em um misto de sensibilidade, tom poético, reflexões sobre Belo Horizonte e o próprio processo de envelhecimento, a figura central da obra é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dona Iolanda vai para uma consulta médica e lá fica ciente de que foi considerada pelo Estado como morta. Diante desta descoberta, ela começa a tentar a reverter a situação. É sobre esta luta da protagonista em voltar para vida que trata o documentário de Pedro Gonçalves Ribeiro. Todavia, o curta-metragem <em><strong>O Resto</strong> </em>é mais que isso.</p>
<p>Em um misto de sensibilidade, tom poético, reflexões sobre Belo Horizonte e o próprio processo de envelhecimento, a figura central da obra é tratada com pluralidade. Entre imagens de Iolanda, a revolta e incredulidade da mesma diante da sua situação e suas memórias, o Universo mostrado na tela é expandido.</p>
<p>Se para Minas Gerais ela está morta, Minas também está morrendo para ela. Pedaço por pedaço do lugar que conhecia está sendo substituído. O seu mundo está desaparecendo progressivamente. São dois fantasmas que envelhecem, como Pedro diz em sua narração.</p>
<p>E este sentimento transborda na tela, seja pelo texto na voz do diretor, pelos planos gerais, que deixam o espectador melancólico ou pelos fluxos de pensamento de Iolanda. Há uma paciência para revelar todas estas emoções. O tom sereno de Pedro, combinado com o tempestuoso de sua personagem principal incrementam as camadas do filme.</p>
<p>No entanto, <em><strong>O Resto</strong> </em> vai além do fantasmagórico e deixa espaço para que o público se aproxime do contexto. A forma como Iolanda narra a sua desventura também é um ponto alto aqui. A impressão é de que estamos na sala da protagonista, ao lado de sua neta, em um final de tarde, ouvindo uma história impressionante – ou uma fofoca, talvez.</p>
<p>Trazer a explosão de Iolanda, que caminha ao lado de sua advogada, que tenta acalmá-la, também eleva a força da obra, que não deixa que ela pareça, em nenhum instante, passiva diante do seu problema. Neste jogo de complexidades, um único incômodo é uma ausência de um arremate no desfecho da sessão.</p>
<p>Não há também uma espécie de continuidade dada no discurso final. Desta maneira, fica uma sensação de falta de conclusão, no final das contas. Contudo, não é algo necessariamente que comprometa a sua totalidade, mas que diminui um pouco de sua potência.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Pedro Gonçalves Ribeiro</p>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Corre de Marmita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jan 2022 18:44:57 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Luiz Pretti]]></category>
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		<category><![CDATA[Philippe Urvoy]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre o caos e as perdas vivenciadas desde o início da pandemia do Coronavírus, em 2020, existem as questões de ordem prática, como a moradia, as necessidades básicas, e a fome. Fome esta que se alastra em um governo genocida como o de Bolsonaro. Nesta mescla de tragédias, o Brasil permanece cambaleante, entre notícias cada vez mais pavorosas a cada despertar. É um pouco deste contexto, ou um dos olhares possíveis para ele, que Corre de Marmita procura convocar. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre o caos e as perdas vivenciadas desde o início da pandemia do Coronavírus, em 2020, existem as questões de ordem prática, como a moradia, as necessidades básicas, e a fome. Fome esta que se alastra em um governo genocida como o de Bolsonaro. Nesta mescla de tragédias, o Brasil permanece cambaleante, entre notícias cada vez mais pavorosas a cada despertar.</p>
<p>É um pouco deste contexto, ou um dos olhares possíveis para ele, que <em><strong>Corre de Marmita</strong></em> procura convocar. A partir das ações da Kasa Invisível, ocupação existente desde 2013 e que procura realizar atos sociais e políticos por Belo Horizonte, é que o público compreende este olhar dos diretores Luiz Pretti e Philippe Urvoy. Há um aparente desejo em mostrar esta BH que pulsa arte e cidadania, mas também abandono e descaso.</p>
<p>As intenções do curta-metragem estão todas ali, presentes e entendíveis. No entanto, falta algo no filme. Talvez, exista uma ausência de um tempo maior de fruição das informações. A questão não é de duração de exibição, mas do espaço que ganha cada momento ali mostrado e como a decupagem não parece pensada para cumprir o intento de contar a sua história.</p>
<p>A câmera na mão é uma escolha que precisa ser consciente e a sua utilização carrega consigo sentidos de linguagem, obviamente. Neste curta, o tremor, o desfoque e a modificação constante de quadro não surtem um efeito de imersão ou aproximação da narrativa. Pelo contrário, afasta, desconcentra e cansa o espectador. Devido ao fato da temática ser tão instigante, o público pode se esforçar e conseguir apreciar a sessão sim, porém o conteúdo poderia ser mais bem aproveitado, menos jogado na tela com tanta falta de encaminhamento.</p>
<p>Não é preciso ou desejável que caminhos tradicionais sejam percorridos. Não é isto que está sendo afirmado. O necessário é compreender qual o projeto que se tem nas mãos e o porquê de tirar ele do papel para filmar. Mostrar a ocupação, seus projetos e os acontecimentos durante o início da pandemia da Covid-19 – período no qual o filme se passa – seria o ideal para a disseminação das ideias que deveriam ser mostradas.</p>
<p>Isto se resolveria com uma sequência com planos mais extensos de alguns momentos, com um quadro do rosto de alguém da Kasa, uma imagem de arquivo etc. Assim, <em><strong>Corre de Marmita</strong></em> é uma produção importante em seu tema, porém desgastante e confuso em sua condução.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Luiz Pretti e Philippe Urvoy</p>
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