Crítica: The Rover – A Caçada

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Dupla de protagonistas: Guy Pearce e Robert Pattinson dividem a cena no australiano “The Rover: A Caçada”.

 

É interessante assistir um filme sem ter visto o trailer mais de uma vez e sem ter atentado para o enredo que mantém a trama. O bom disso é que a expectativa é zero, o que aumenta a chance de o longa te surpreender. Com The Rover, aconteceu exatamente isso. Com baixo orçamento e boa escolha de atores, o longa consegue segurar o espectador e traz uma dinâmica interessante.

Num futuro próximo, a Austrália vive sem regras onde a violência impera a qualquer custo. A vida é precária e falta tudo, inclusive moral. Como um faroeste atual, o longa traz características bem semelhantes com filmes como Era Uma Vez no Oeste, com cenas longas e silenciosas. A monotonia perpassa em muitos momentos durantes as quase duas horas de filme. Mas isso não pode ser considerado um problema.

Sustento a tese de que a monotonia é constantemente associada a algo ruim, sendo que não é necessariamente o caso. Por vezes ela é precisa e fundamental para dar o tom de um filme e isso acontece justamente neste caso. Apesar de ser um filme de ação, a maioria das cenas beira um pouco a monotonia. Mas é engraçado, porque beira a tensão também, principalmente por conta da trilha sonora bem escolhida.

A questão da violência é que norteia The Rover o tempo todo. Quem tem uma arma no filme é respeitado e temido, já que é a lei do mais forte que impera. Para provar a vida de criminalidade que todos vivem, o longa é cheio de sangue. Muito mesmo. Meio que como um exemplo da barbárie.

Um dos fatos que se torna um mistério no filme é o motivo que leva o protagonista Eric, vivido por Guy Pearce, a buscar incessantemente por seu carro roubado, uma vez que os assaltantes deixaram outro carro no lugar. O desfecho do filme neste sentido é inesperado, bonito e exótico, ao mesmo tempo. Certamente ninguém espera o que acontece no final e fica a dúvida se efetivamente é o melhor fim para a trama. Talvez seja no sentido de ser um respiro de esperança diante de tanta violência e matança.

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Flerte com o western: Longa dialoga com o gênero em diversos aspectos.

 

Com relação às atuações, Pearce está o digno caubói americano da época de Clint Eastwood. A semelhança, por vezes, chega a ser exagerada, no entanto, traz um tom de superioridade à trama. Robert Pattinson faz o papel de um jovem meio retardado largado para morrer pelo irmão, no meio da estrada. Ele encontra com Pearce e juntos seguem na empreitada de recuperar o carro perdido. Pattinson mostra atuação bem superior ao início da carreira e prova que as boas parcerias que tem feito vêm dando resultado. Ele já contracenou com atrizes como Uma Thurman, Kristin Scott Thomas, Reese Whiterspoon, Nicole Kidman e Juliette Binoche. Todo esse aprendizado tem resultado em uma melhor atuação.

Para o diretor David Michôd, novato neste estilo de filme, as cenas foram bem guiadas e trabalhadas. A direção de fotografia optou por um tom desértico e pacto, refletindo e ponderando a questão da vida sem regras que a sociedade vive. O uso de longas cenas também é acertado e mostra o quanto a vida passa devagar e sem sentido naquele futuro. Como disse anteriormente, as cenas conseguem ser monótonas e angustiar, ao mesmo tempo. O que traz um ritmo bastante interessante para a trama.

Seguindo um estilo diferenciado e propondo uma ficção científica com estilo faroeste, Michôd consegue fazer um filme atraente e completo, segurando o espectador em todos os momentos. É interessante ver a dinâmica de atuação de Guy Pearce e Robert Pattinson, assim como observar a evolução deste último. Vale a pena conferir.

 

Marcela Gelinski332 Posts

Jornalista, cinéfila, amante de vampiros, apaixonada por pipoca, fã de livros, viciada em Friends e crente em conto de fadas.

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