Crítica: Aliados

O diretor Robert Zemeckis retorna às telonas depois de sucessos como O Voo, de 2012, e A Travessia, de 2015. Com uma proposta diferente, de abordar o suspense de uma dúvida com o romance de um casal que se conheceu em um lugar inusitado, o cineasta vai conduzindo a trama de Aliados de forma contínua e com o objetivo de intrigar o espectador. O resultado, no entanto, não é exatamente aquele esperado.

A história traz dois espiões que se conheceram no campo na época da Segunda Guerra Mundial. Eles se apaixonam e acabam constituindo uma família. Um certo tempo depois, surge a desconfiança de que a esposa é uma espiã alemã que está passando informações para seus superiores e contribuindo com o nazismo. O marido passa, então, horas desesperadoras até saber a verdade sobre a história.

O trailer já nos mostra muito bem essa dinâmica e propõe uma carga de suspense e tensão que é apresentada no filme. O que frustra, no entanto, é que a trama é apoiada no amor verdadeiro (ou não) que o casal tem, mas a construção do relacionamento é pouco fundada. A paixão surge do nada e não há muita veracidade naquele sentimento. O espectador estranha aquela evolução e é muito fácil, quando a desconfiança da mulher começa, acreditar na teoria da conspiração.

Não que a química de Brad Pitt e Marion Cotillard seja ruim, porque não é. Eles funcionam muito bem em tela e tem sintonia. O problema é a construção do roteiro mesmo, que não aprofunda a construção do relacionamento verdadeiro dos dois. A transição de farsa (em Casablanca) para a realidade (em Londres) é rasa.

Já os momentos de tensão e ação ao longo do filme são bem trabalhados. Eles conseguem manter um ritmo constante, entretendo o espectador, sem cansá-lo. Os cuidados de ambientação para a década de 1940 é notório, inclusive rendeu ao filme a indicação ao Oscar de Melhor Figurino.

O diretor tem também o cuidado de mostrar as complexidades da vida na época da guerra, onde as pessoas tentam viver uma vida razoavelmente normal, mas são impossibilitadas por conta dos bombardeios e etc. E isso fica bem exemplificado na cena do parto.

Em suma, Aliados é um filme bom, mas sem elementos inesquecíveis. Possui um ótimo elenco que dá força às cenas, mas tem falhas nas construções dos personagens que influenciam negativamente no resultado. Tudo poderia ser muito mais explorado. Isso não faz com que o filme deixe de valer a pena!

Assista ao trailer!

 

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