Crítica: A Entrevista

 

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Por ter degringolado situações que renderam notícias que foram além das usuais coberturas de prémieres e números de bilheterias, a comédia A Entrevista talvez tenha sido o evento cinematográfico de 2014. O anúncio da realização do longa deu início a uma série de ameaças contra a Sony, estúdio responsável pela produção, seguidas de ataques de hackers aos e-mails da empresa, revelando uma série de negociações e projetos sigilosos. O filme tem uma premissa bombástica e promissoramente corrosiva, um vaidoso apresentador de TV  e seu produtor conseguem uma entrevista com o ditador da Coreia do Norte Kim Jong-un. Com esse plot, A Entrevista poderia ser um filme que traria um grau de preocupação com as relações pouco amigáveis entre Estados Unidos e Coréia do Norte. No entanto, o que se vê no resultado do projeto é alarde demais para filme de menos.

O filme dirigido por Seth Rogen e por Evan Goldberg poderia utilizar todos os recursos da comédia para fazer uma crítica tanto aos Estados Unidos quanto à Coreia do Norte. Contudo, o que se vê na tela é uma coletânea de piadas de mal gosto, que oscilam entre o apelo ao sexo e à escatologia. Ou seja, apesar de pretender ser uma comédia corrosiva em seu discurso sobre as relações internacionais e até mesmo sobre a mídia, A Entrevista acaba adentrando em uma zona já conhecida e pouco produtiva que o gênero tem apelado nos últimos anos através de similares hollywoodianos.

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Seth Rogen funciona para o filme, interpretando o personagem que costuma viver em longas como Ligeiramente Grávidos ou Vizinhos, e ainda que esteja diante de um roteiro vacilante como esse, consegue ter bons momentos na fita. James Franco, intérprete do apresentador narcisista Dave Skylark, por sua vez, é o lado mais fraco do filme. Franco compõe seu personagem de maneira excessiva e, em inúmeros momentos, no lugar de provocar riso, gera um certo constrangimento no espectador.

A Entrevista promete mexer com um vespeiro, o que é natural, já que o longa é abertamente ofensivo. No entanto, toda a celeuma gerada nos faz procurar um sentido para tamanha preocupação tendo em vista que o filme não é eficaz na produção de um discurso crítico ou irônico àquilo que pretende escrachar.

 

Wanderley Teixeira402 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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