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	<title>Arquivos XIV Panorama Coisa de Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos XIV Panorama Coisa de Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Azougue Nazaré</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Nov 2019 18:17:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua estreia na direção de um longa-metragem, Tiago Melo, que participou da produção de Bacurau,  mistura uma atmosfera que mescla o cotidiano, com música, fantasia e suspense, em Azougue Nazaré, um filme equilibrado em sua totalidade. Durante 1h20 de projeção, o público acompanha o embate de dois grupos opostos em energia, ideologia e forma de encarar a vida. De um lado estão aqueles que celebram o maracatu e a alegria. Do outro, estão os evangélicos que acreditam que o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em sua estreia na direção de um longa-metragem, Tiago Melo, que participou da produção de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Bacurau</em></a>,  mistura uma atmosfera que mescla o cotidiano, com música, fantasia e suspense, em <em><strong>Azougue Nazaré</strong></em>, um filme equilibrado em sua totalidade. Durante 1h20 de projeção, o público acompanha o embate de dois grupos opostos em energia, ideologia e forma de encarar a vida. De um lado estão aqueles que celebram o maracatu e a alegria. Do outro, estão os evangélicos que acreditam que o demônio está presente nos festejos da cidade de Nazaré da Mata.</p>
<p>O ponto alto do longa são os momentos de instalação de clima de terror. Com planos médios e <em>closes</em>, o espectador não consegue ver por completo o que está acontecendo de fato na cena, ainda que seja possível ver elementos postos na <em>mise-en-scène</em>. Isto contribui para certo sufocamento e angústia. Outro fator que eleva o tom destas sequências é a iluminação. Combinada com os enquadramentos, vê-se pedaços intercalados dos rostos daquelas figuras com máscaras e vestes típicas do maracatu.  Por fim, a banda sonora dá o arremate para a criação da ambientação destes momentos, completando características que podem ser consideradas como a chave de uma boa construção de tensão: luz, quadro, som.</p>
<p>Outro elemento a se observar em <strong><em>Azougue Nazaré</em></strong> são as atuações. No ecrã, existem atores e não-atores trabalhando juntos. O elenco consegue criar uma boa dinâmica e imprimir ritmo para a narrativa que está sendo mostrada, em boa parte da trama. Contudo, quando estão em menor quantidade, se perdem nos tempos entre as pausas e acelerações do texto e de suas ações. Um exemplo é a cena do jantar entre Catita (Valmir do Côco) e  Irmã Darlene (Joana Gatis). A sensação é a de que eles ralentam quando deveriam adiantar e vice-versa, dilatando o tempo.</p>
<p>Um aspecto negativo e que, talvez, a presença majoritária de homens na equipe tenha resultado neste fator como consequência, é a visão machista em relação ao corpo e a personalidade feminina. Estereótipos de conflitos e pensamentos são marcas presentes no enredo, como o adultério pelo tédio – culpa aparentemente exclusiva da mulher – e a crente subserviente ao seu pastor que no final aceita o que mais odeia em seu marido, tornando-se duplamente submissa.</p>
<p>Outra questão a se apontar é a falta de força nos momentos triviais da história. Se nos instantes de medo ou festa, o filme cresce, quando as personagens estão imersas no dia a dia delas o longa amorna. O tempo inteiro se vê planos semelhantes, o texto dado sem intenções tão trabalhadas e a trilha sonora não levanta as cenas, seja por ruídos, silêncio ou música.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Tiago Melo<br />
<strong>Elenco:</strong> Mestre Barachinha, Ananias de Caldas, Joana Gatis, Mohana Uchôa, Valmir do Côco, Edilson Silva</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/QD_RBlm_B3M" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema: Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Dec 2018 01:21:13 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Premiado no Festival de Cannes deste ano, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é uma produção luso-brasileira. Ambientado, em sua maior parte, na aldeia indígena Krahô o filme conta a trajetória e os sentimentos de Ihjãc (Henrique Ihjãc Krahô). O jovem começa a ter visões de seu falecido pai e precisa tomar uma grande decisão que ele não deseja fazer. Sem revelar muito da trama, é possível dizer que os diretores Renée Nader Messora (Russa) e João Salaviza (Montanha) [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Premiado no Festival de Cannes deste ano, <em>Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos</em> é uma produção luso-brasileira. Ambientado, em sua maior parte, na aldeia indígena Krahô o filme conta a trajetória e os sentimentos de Ihjãc (Henrique Ihjãc Krahô). O jovem começa a ter visões de seu falecido pai e precisa tomar uma grande decisão que ele não deseja fazer.</p>
<p>Sem revelar muito da trama, é possível dizer que os diretores Renée Nader Messora (Russa) e João Salaviza (Montanha) conseguem equilibrar o ritmo da história, durante a projeção, mesclando o cotidiano no qual o protagonista mora, com as tradições, ritos e clima místico. Assim, é possível notar o desejo da personagem principal de manter a sua tranquilidade do dia a dia, de sua honradez para com procedimentos religiosos e a sua negação a alguns deles.</p>
<p>Ihjãc é quem procura comandar seu próprio destino e suas falhas e conquistas neste processo são bem colocadas dentro da trama. O ápice destas facetas de escolhas e vivência do jovem Krahô se dá na construção desta figura que, cheia de complexidade, mostra-se um homem determinado, amoroso com seu filho e com conhecimentos místicos. Porém, vê-se também um menino, com medo e desamparado pela sociedade e por suas próprias tradições.</p>
<p>Em contraponto ao ambiente mais claro, de paletas mais puxadas para o bege e verde,com planos mais abertos e médios da vida pacata de Ihjãc, a arte, a planificação e a iluminação conversam entre si e aplicam uma atmosfera mais próxima do sonhos, com cores mais frias, tochas em punho e no turno da noite. Estas dualidade de aldeia versus cidade, rapaz decidido e assustado, realidade e sonho são a grande marca de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos e o que dá o seu tom.</p>
<p>No entanto, existem alguns pontos que enfraquecem a projeção. A forma como a resolução dos conflitos de Henrique Ihjãc vai sendo adiada é um deles. Alguns tempo antes do desfecho do enredo, as situações que o garoto passam tornam-se repetitivas, o que pode cansar o espectador. Outra questão é a relação do Ihjãc com sua esposa, que parece um tanto fria e distanciada, apesar dos dois terem um filho e dividirem a vida. Por fim, o fato de serem os colonizadores que estão por trás do projeto, dá um caráter um pouco distanciado da cultura dos Krahôs. Contudo, estes elementos não comprometem o resultado final drasticamente, possuindo apenas alguns instantes de desconforto e cansaço para a plateia.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/kxmDxwME6n4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema: Elegia de um Crime</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Nov 2018 16:36:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fechando a trilogia que conta a história da morte de seu pai, irmão e de sua mãe, o diretor Cristiano Burlan traz o Elegia de um Crime. No filme, ele reconta a forma trágica pela qual sua progenitora, Isabel Burlan da Silva, foi assassinada, em 2011, supostamente pelo namorado. Para realizar tal intento, as principais pessoas que ele entrevista são familiares, amigos e a jornalista que noticiou o caso. A primeira questão que chama a atenção é justamente a escolha [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fechando a trilogia que conta a história da morte de seu pai, irmão e de sua mãe, o diretor Cristiano Burlan traz o <strong><em>Elegia de um Crime</em></strong>. No filme, ele reconta a forma trágica pela qual sua progenitora, Isabel Burlan da Silva, foi assassinada, em 2011, supostamente pelo namorado. Para realizar tal intento, as principais pessoas que ele entrevista são familiares, amigos e a jornalista que noticiou o caso.</p>
<p>A primeira questão que chama a atenção é justamente a escolha das fontes. Dividindo o espaço da narrativa entre o pessoal, na qual o espectador tem contato com as ações em vida de Isabel, como era seu jeito e como esta via o mundo, do outro, Cristiano busca encontrar o suspeito pelo assassinato dela, entrando numa corrida contra o tempo, para que o mesmo fuja.</p>
<p>A partir desta premissa, o criador do longa e Renato Maia (montador) se perdem um pouco. Se o principal da exibição é fazer uma Elegia para Isabel Burlan da Silva, quando Cristiano começa a se aprofundar demasiadamente nos percalços de dois de seus irmãos, um pouco do protagonismo e da força da história da mãe do cineasta se esvai. Pois, cada parte da trilogia serve para contar da morte de um ente familiar do diretor, aqui não deveria ser diferente. Os relatos fomentam a história, porém poderiam ser mais enxutos.</p>
<p>Durante o filme também são colocados alguns offs, com imagens aparentemente aleatórias, como uma conversa entre Cristiano e sua irmã, no qual vermos o trânsito livre à noite, desfocado e escutamos a conversa dos dois. Ou então, quando Burlan está na casa de uma antiga amiga de sua mãe e ouve-se o áudio da dupla, com a imagem do neto da senhora. As imagens escolhidas não ajudam na construção de atmosfera do longa.</p>
<p>No entanto, quando são mostradas fotografias do passado ou cenas com o local no qual Isabel morava no período em que foi assassinada, Elegia de um Crime cresce e deixando um nó na garganta e o incômodo que ele precisa passar em alguns momentos. Caso seja comprovado que quem a matou foi o namorado, aquele ato de feminicídio foi praticado por ciúme e a trama também funciona como um alerta em relação à violência contra a mulher.</p>
<p>Contudo, existe um posicionamento de Burlan durante o documentário que pode não ser vista de maneira positiva. Em algumas cenas, quando ele e uma jornalista estão tentando achar o suposto assassino, Cristiano Burlan sempre dá a entender que está indo armado e, inclusive, é mostrada uma sessão de treino de tiros do mesmo. No final, no entanto, ele se redime dizendo que fazer um filme é o “crime” dele e que esta era a forma de homenagear e honrar a memória de sua mãe.</p>
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		<title>XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema: Febre da Selva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Nov 2018 19:02:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Spike Lee]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A febre! Aqui, Spike Lee a explica como a vontade do negro ser branco e vice-versa. Nas suas duas horas e doze de duração, o filme vai tensionar esta questão, sobretudo no que se refere às possibilidades de conflitos e enfrentamentos que podem ser vividos por casais interraciais. A história se passa na década de 1990, mas ela poderia muito bem ser hoje em dia, infelizmente. E Lee consegue escancarar a discussão sobre o racismo, tocando profundamente na ferida, sem [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A febre! Aqui, Spike Lee a explica como a vontade do negro ser branco e vice-versa. Nas suas duas horas e doze de duração, o filme vai tensionar esta questão, sobretudo no que se refere às possibilidades de conflitos e enfrentamentos que podem ser vividos por casais interraciais. A história se passa na década de 1990, mas ela poderia muito bem ser hoje em dia, infelizmente. E Lee consegue escancarar a discussão sobre o racismo, tocando profundamente na ferida, sem aliviar para ninguém.</p>
<p>Na narrativa, o espectador se depara de um lado com Flipper Purify (Wesley Snipes), um arquiteto talentoso, bem sucedido, feliz em se casamento e com uma filha muito amada. Do outro, vê-se Angie Tucci (Anabella Sciorra), uma ítalo-americana que começa a trabalhar como secretaria de Flipper. Quando estes dois mundos se encontram, as estruturas pré-estabelecidas nas vidas das personagens começam a ruir e a discussão passa a fervilhar na película*.</p>
<p>O caminho que o roteiro faz pode causar impacto no espectador, porque Lee sabe construir esta trajetória que chega a remeter, intencionalmente ou não, a elementos da tragédia grega, como a desmesura, o pathos e catarse. Assim, Flip quebra a ordem estabelecida e isso gera consequência na trama, o sofrimento dos envolvidos em sua vida e de Angie é progressivo e existe a purificação das emoções e paixões quando o protagonista repensa suas ações. E é neste contexto que Spike Lee põe todas as crueldades dos racistas e machistas que gostam de ser opressores, como se esta característica fosse deles por direito.</p>
<p>E aí é que está algo que chama atenção sobre Flip. Apesar dele ocupar a posição de quem sofre preconceito dentro do enredo, ele também age como figura opressora  quando o assunto é forma pela qual este enxerga as mulheres, tornando-se um pouco como a figura de seu pai, que possui uma relação tensa com o jovem. Desta forma, Lee consegue retratar bem os graus de abuso presentes na sociedade, quem tem privilégios e quais são eles, as tensões e o imaginário sobre certos arquétipos da sociedade.</p>
<p>Todos estes elementos são aparados por uma fotografia, figurinos e uma direção de arte afinadas. É possível perceber que nas paletas de cores certas situações são estabelecidas. O marrom, o vermelho, o cinza e o azul prevalecem e nesse jogo de cores percebe-se quem está posição de domínio, de poder ou satisfação e quem ocupa o lugar oposto. O espaço que os objetos são posicionados e como eles aparecem na câmera também contribuem para como a história está sendo contada. Um exemplo são os quadrinhos da loja de Paulie (John Turturro), que dão indicações de que ele é um homem branco menos Neandertal do que os outros que o cercam.</p>
<p>A personagem de Turturro, inclusive, é um dos destaques de atuação. Com sutileza, ele demonstra toda a força de um rapaz sensível e tímido, mas que possui gentileza, bondade e vontade de ser melhor. Seus olhares para os colegas de cena são potentes e expressivos, demonstrando sua insatisfação em viver no ambiente que habita. Contudo, se fosse para nomear um ator como “dono” do longa seria Samuel L Jackson. Apesar de sua personagem ser coadjuvante e que os conflitos vividos por ele estão nos arredores do problema central do filme, seu Gator é um papel com muitas camadas. O ator traz doçura, graça, asco, angústia e tristeza em suas aparições na tela.</p>
<p>Febre da Selva é um filme potente e direto, que mostra, com qualidade técnica, a sordidez e covardia humanas, sem filtro e com uma lente de aumento. Este é um dos melhores filmes de Spike Lee e merece ser visto e revisitado.</p>
<p>*O filme foi assistido em película</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/xiv-panorama-internacional-coisa-de-cinema-febre-da-selva/">XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema: Febre da Selva</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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