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	<title>Arquivos Wagner Moura - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Wagner Moura - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica O Agente Secreto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2025 03:57:51 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de todo o fervor vivido pelo cinema brasileiro no último ano com o sucesso estrondoso, dentro e fora do país, com <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui"><em>Ainda Estou Aqui (2024)</em></a>, a estreia do filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho eleva essa sensação à máxima potência. O novo longa-metragem do diretor substitui o filme de Walter Salles como a produção nacional mais comentada do momento. O clima de copa do mundo já está criado e a estreia de <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> nos cinemas, que acontece nesta quinta-feira (6), reacende a chama popular da torcida pelo Brasil em uma nova corrida nos maiores prêmios do mundo cinematográfico.</p>
<p>Saído do Festival de Cannes como o filme mais premiado do ano, <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> é essencialmente brasileiro até seu último milésimo de segundo e isso é hipnotizante. O ritmo frenético estabelecido por Kleber em seu roteiro e direção empolgam, conduzem e surpreendem o espectador a cada virada de chave em sua narrativa. Como de costume, o cineasta constrói um pastiche de histórias que se cruzam em suas dores, desejos e missões, desenhando a história do Brasil de um determinado período.</p>
<p>Os filmes de Kleber funcionam como uma colcha de retalhos de histórias que se entrelaçam e são costuradas a partir de uma sucessão de fatos inesperados, dolorosamente reais e essencialmente brasileiros  &#8211; e isso não é diferente em <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>. No longa, acompanhamos a vida de Marcelo (interpretado por Wagner Moura), que, durante o auge da ditadura militar e seus desmandos no Brasil de 1977, se muda para Recife. Ele vai até a capital pernambucana tentando se esconder de um passado violento, na esperança de encontrar um novo futuro. O que ele encontra lá são, no entanto,  as sombras de seu passado, à espreita, esperando uma oportunidade para dar cabo de sua vida.</p>
<p>Em seu novo <em>thriller</em> político, Kleber remonta a dor e a nostalgia da vida no Brasil da década de 1970. Na mesma medida que <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> é capaz de nos arrepiar com os horrores e absurdos da ditadura, o filme nos relembra, em seguida, pelo que tantas pessoas lutaram. O projeto bate bem nessa tecla: que mesmo em tempos de desesperança há sempre com quem contar. E isso vem por meio dos afetos (d)escritos por Kleber em seu roteiro. Talvez esse seja o maior mérito da filmografia do diretor, o equilíbrio entre a sutileza, a paixão e a dor do existir.</p>
<p>Os contextos das perseguições à oposição da ditadura, o cercear a liberdade e o medo do inimigo que literalmente mora ao lado são os grandes fantasmas que acompanham o público durante a sessão. Seja através da ludicidade ou das ironias tão conhecidas nos trabalhos do diretor, <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>empolga a cada instante por não sabermos o que pode acontecer. O roteiro de Kleber não é previsível porque ele preza pelo tensionamento dos sentidos. O inesperado é a chave mestra da genialidade de seu roteiro. Ou seja, de tédio não morreremos.</p>
<figure id="attachment_20046" aria-describedby="caption-attachment-20046" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20046" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-750x500.jpg" alt="O Agente Secreto (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3.jpg 1715w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20046" class="wp-caption-text">Wagner Moura em cena de &#8216;O Agente Secreto (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Para além dos louros de Kleber, tanto no roteiro quanto em sua direção, a fotografia, a arte e a montagem do filme pulsam junto com sua narrativa. A direção de arte, comandada por Thales Junqueira (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baby"><em>Baby</em></a>, de 2024), consegue desenhar as texturas, vibrações e os perigos do Brasil na ditadura. Em complemento, a fotografia de Evgenia Alexandrova (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sem-coracao"><em>Sem Coração</em></a>, de 2023) captura essas imagens e faz com que elas pulsem de forma hipnótica, tornando essa dobradinha de visualidade um primor do filme. Para fechar o resultado visual de <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>, a montagem de Eduardo Serrano e Matheus Farias (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau"><em>Bacurau</em></a>, de 2019) tensiona e eleva cada um desses elementos, dando vida à obra de Kleber da melhor forma que o público poderia pedir.</p>
<p>O elenco, como de costume, é um show à parte. Já que o cinema de Kleber é tão fortemente composto por um pastiche de histórias e vidas, seu elenco costuma ser robusto em quantidade e avassalador em potência. Contudo, <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>talvez tenha alcançado um novo patamar de <em>casting</em> nas produções do cineasta pernambucano. Parece que cada pessoa foi escolhida a dedo. E cada uma delas tem seu momento de brilhar.</p>
<p>Carlos Francisco, Robério Diógenes, Roney Villela, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Igor de Araújo, Ítalo Martins, Luciano Chirolli e Udo Kier são alguns dos artistas que vibram em cena e fazem a história ser viva e pulsante. Dois nomes, no entanto, precisam ser comentados à parte. Mesmo com a potência dos nomes anteriores, nada se compara com o magnetismo de dona Tânia Maria e de Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-guerra-civil"><em>Guerra Civil</em></a>, de 2024) em cena. Não existiria <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>sem a força gravitacional que os dois atores geram no espectador.</p>
<p>Dona Tânia tem uma pureza magnética do realismo de sua interpretação que rouba a cena incessantemente. Basta ter segundos de tela que os olhares do público imediatamente recaem sobre sua naturalidade quase infantil. Há uma pureza de liberdade em sua interpretação que faz dela um dos pontos mais altos durante <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>. Realmente acredito que a escolha de escalar dona Tânia Maria para o papel de Dona Sebastiana foi tão acertado quanto a escalação de Wagner.</p>
<p>O ator baiano é outra força em cena. Sua interpretação prende o espectador por trazer outra chave, igualmente magnética: a do medo. Wagner carrega em seu olhar um peso, uma dor e um desespero que são palpáveis. Ele entretém o espectador em uma construção de personagem que grita uma profundidade, ainda que ele só demonstre a superfície. E os olhos, como é dito em <em>Scarface (1983)</em>, eles nunca mentem. E Moura, mais uma vez, escancara a suas habilidades interpretativas por demonstrar um turbilhão a partir da sutileza de um olhar.</p>
<p>Com o longa, portanto, o diretor consegue entregar uma narrativa absurdamente coesa, ritmada e surpreendente que passa voando durante seus quase 160 minutos. O filme pode ser o ápice do cinema de Kleber por beber de todos os temas e nuances tão caros à ele ao longo de sua carreira. E isso é feito a partir de uma condução primorosa que merece um pergaminho de elogios e saudações por sua excelência. Não há melhor forma de ver <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>a não ser como a epítome do cinema de Kleber Mendonça Filho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kleber Mendonça Filho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Wagner Moura, Carlos Francisco, Tânia Maria, Robério Diógenes, Roney Villela, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Thomás Aquino, Laura Lufési, Igor de Araújo, Ítalo Martins, Luciano Chirolli, João Vitor Silva, Licínio Januário e Udo Kier</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/AOBPXs_euPA?si=AUyJM-jQ_dl9TBq7" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Guerra Civil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Apr 2024 21:50:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua semana de estreia nos Estados Unidos, o novo filme da A24 gerou expectativas altas no restante do mundo por seu sucesso de bilheteria em seu primeiro final de semana. Guerra Civil, o novo projeto da produtora, arrecadou mais de 25 milhões de dólares em sua estreia nacional &#8211; o que marca um novo recorde para a A24. Com isso, o longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19), já chega com um burburinho potente. O fascínio gerado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em sua semana de estreia nos Estados Unidos, o novo filme da A24 gerou expectativas altas no restante do mundo por seu sucesso de bilheteria em seu primeiro final de semana. <em><strong>Guerra Civil</strong></em>, o novo projeto da produtora, arrecadou mais de 25 milhões de dólares em sua estreia nacional &#8211; o que marca um novo recorde para a A24. Com isso, o longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19), já chega com um burburinho potente.</p>
<p>O fascínio gerado pelo novo longa está em sua história. O roteiro de Alex Garland (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aniquilacao/"><em>Aniquilação</em></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-men-faces-do-medo/"><em>Men &#8211; Faces do Medo</em></a>, de 2022) conta a história de quatro jornalistas (Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen McKinley Henderson) que embarcam numa viagem de carro de Nova York até a capital estadunidense para reportar a guerra civil que está escalando para um fim iminente. A trama de <strong><em>Guerra Civil</em></strong> é brilhantemente costurada pelas visões dos personagens de Kirsten, Wagner, Cailee e Stephen. A partir das experiências, vivências e paixões de cada um pela profissão, o espectador vislumbra uma história que narra os horrores da vida real.</p>
<p>Assim, <strong><em>Guerra Civil</em></strong> se coloca como um senhor soco no estômago. Desta vez, fora do universo do terror, o diretor e roteirista, Alex Garland, consegue trazer o horror da vida real para um <em>road movie</em> jornalístico. É potente e, ao mesmo tempo, doloroso. E, o pior de tudo, é real. A dureza do cotidiano do jornalismo obriga os seus a criarem essa carapaça para o que há de pior no mundo. O que é monstruoso pode se banalizar. E, nesse filme, a desumanidade da guerra &#8211; especificamente numa ‘nação patriótica’ que diz sempre lutar pelos seus &#8211; é escancarada de forma avassaladora. Sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes focados em jornalismo desde <em>Todos os Homens do Presidente (1976)</em>.</p>
<p>Tendo em vista a potência e importância do trabalho de Garland &#8211; seja no texto quanto na direção -, é necessário abrir um parênteses para aplaudir o trabalho do elenco central. Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen McKinley Henderson estão hipnotizantes. O quarteto carrega o espectador do início ao fim desse mergulho tortuoso de um futuro horrendo (porém possível). <strong><em>Guerra Civil</em></strong> merece louros por inúmeras partes de sua produção, mas o casting foi verdadeiramente divino.</p>
<p>Cada um dos quatro personagens vive uma fase profissional diferente &#8211; desde Jessie aspirando ser uma renomada fotojornalista até Sammy, um cansado veterano do New York Times. Essa fluidez de experiências gera uma troca arrebatadora para a narrativa. É de tirar o fôlego perceber as diferentes perspectivas sendo pressionadas nos momentos de maior tensão em meio ao caos. <strong><em>Guerra Civil</em></strong> é um momento para ver o jornalismo real sendo posto à prova.</p>
<figure id="attachment_17949" aria-describedby="caption-attachment-17949" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-17949" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-750x500.jpg" alt="Guerra Civil (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2.jpg 1013w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17949" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Guerra Civil&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>Ainda que os quatro se destaquem e conduzam <strong><em>Guerra Civil</em></strong> muito bem, falar sobre como Kirsten Dunst (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-estranho-que-nos-amamos/"><em>O Estranho que Nós Amamos</em></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ataque-dos-caes/"><em>Ataque dos Cães</em></a>, de 2021) abraça o projeto é inevitável. Cada olhar de Lee, toque na sua câmera ou diálogo é perfeitamente colocado para fazer com que o mundo do público desmorone ainda mais. A contenção da personagem e o peso que ela carrega são sua força cênica. Lee transborda as dores e as marcas que a cobertura de guerra lhe causaram.</p>
<p>Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sergio/"><em>Sergio</em></a>, de 2020, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-agente-oculto-netflix/"><em>Agente Oculto</em></a>, de 2022) é outro ponto de atenção em <strong><em>Guerra Civil</em></strong>. Ainda que seu personagem, Joel, seja um tanto quanto caricatural em momentos de maior euforia, Wagner brilha na hora certa, complementando a potência de sua colega de cena. Ele caminha pelo lugar da euforia que o jornalismo lhe dá, ainda que consciente do infortúnio que todos estão vivendo.</p>
<p>O veterano Stephen McKinley Henderson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><em>Duna</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-passagem-apple-tv/"><em>Passagem</em></a>, de 2022), por sua vez, é o contraponto da serenidade, da experiência. Com suas limitações de idade e manias, o seu personagem domina a cena como uma figura paternal, uma vez que Sammy foi o mentor dos personagens de Dunst e Moura. Sua presença em <strong><em>Guerra Civil</em></strong> completa o ciclo de experiências e aprofunda as camadas de relações dos personagens.</p>
<p>No seu extremo oposto está Jessie, a personagem de Cailee Spaeny (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/"><em>Vice</em></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-priscilla/"><em>Priscilla</em></a>, de 2023) em <strong><em>Guerra Civil</em></strong>. A jovem, que sonha em ser uma renomada fotojornalista de guerra como Lee, representa possibilidades de fases da carreira de muitos que seguem essa árdua jornada de relatar os horrores do mundo. Tudo isso feito com uma força e sensibilidade extremas.</p>
<p>Para além do texto, direção e atuações, outros departamentos de <strong><em>Guerra Civil</em></strong> merecem louros, como a fotografia, a arte e o som. Cada uma dessas equipes potencializa a força do que está sendo discutido em tela &#8211; e isso não é fácil. Afinal, o que o texto de Garland expõe é o maior temor de uma civilização democrática atualmente: o medo constante do fantasma autoritário, extremista e sangrento.</p>
<p>Apesar de parecer óbvio que um filme de guerra envolve uma presença poderosa e constante de ruídos &#8211; e o longa tem seus momentos -, o projeto triunfa no silêncio. Cenas com apenas trocas de olhares ou momentos mais intimistas entre os personagens em seus anseios, dores e desejos avassalam o público por tornar palpável o horror posto em tela. <strong><em>Guerra Civil</em></strong> veio para despontar como uma das obras mais interessantes do ano. A dualidade de achar a sensibilidade e a delicadeza no olho do furacão é um mérito gigante da equipe. Se essa for, de fato, a última assinatura de Alex Garland como diretor, ele sairá em sua melhor forma, tendo chances de uma possível nomeação na campanha pelo Oscar.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Alex Garland</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny, Stephen McKinley Henderson, Sonoya Mizuno, Nick Offerman</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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		<title>Dica do Dia: Wasp Network: Rede de Espiões (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jun 2020 19:05:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Wasp Network: Rede de Espiões se apropria de eventos que realmente aconteceram no início da década de 1990. O longa conta a história de um grupo de cubanos que atuaram como espiões infiltrados nos EUA com o intuito de desmantelar ações que visavam manchar a reputação do país e isolá-lo do restante do mundo, tudo como retaliação às políticas implementadas por Fidel Castro. O roteiro é baseado no romance histórico de Fernando Morais (o mesmo autor de Olga), Os Últimos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Wasp Network: Rede de Espiões</strong></em> se apropria de eventos que realmente aconteceram no início da década de 1990. O longa conta a história de um grupo de cubanos que atuaram como espiões infiltrados nos EUA com o intuito de desmantelar ações que visavam manchar a reputação do país e isolá-lo do restante do mundo, tudo como retaliação às políticas implementadas por Fidel Castro. O roteiro é baseado no romance histórico de Fernando Morais (o mesmo autor de <em>Olga</em>), <em>Os Últimos soldados da Guerra Fria</em>.</p>
<p>O projeto conta com um elenco de estrelas de países de língua espanhola já estabelecidas em Hollywood como Penélope Cruz (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-todos-ja-sabem/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Todos Já Sabem</em></a>) e Gael Garcia Bernal (<em>Acusada</em>), com outras latinas já em ascensão, como o brasileiro Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sergio/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Sergio</em></a>) e a cubana Ana de Armas (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-entre-facas-e-segredos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Entre Facas e Segredos</em></a>), além de Édgar Ramírez (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-garota-no-trem/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>A Garota no Trem</em></a>), já bastante conhecido por atuar em produções americanas como <em>O Assassinato de Gianni Versace</em>. A direção coube ao francês Olivier Assayas, em momento inspirado de sua carreira depois de êxitos como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-acima-das-nuvens/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Acima das Nuvens</a> e <em>Personal Shopper</em>.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12930" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3707071.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Wasp Network" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3707071.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3707071.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3707071.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><em><strong>Wasp Network</strong> </em>talvez seja o momento mais vacilante da carreira de Assayas nos últimos anos. A trama política e repleta de fatos históricos, como acontece em casos similares, claramente exibe pouco fôlego em uma versão dramatizada com elenco de estrelas. Para justificar o <em>cast</em> e a escolha do formato, <em><strong>Wasp Network</strong></em> insere em seu interessante relato histórico dramas familiares pouco interessantes e que versam basicamente sobre famílias separadas em razão do exílio. Essa veia melodramática do filme, semelhante a tantos outros que já trataram de temáticas similares reduz as participações do seu interessante elenco a personagens que vivem situações nada originais.</p>
<p><em><strong>Wasp Network</strong></em> só engata de fato em seus momentos finais, quando toda a trama de espionagem atinge a família do personagem de Édgar Ramírez e quando ficção e realidade finalmente se fundem com a inserção de imagens de arquivo, como a entrevista de Fidel Castro a uma televisão americana ou o depoimento de Bill Clinton em uma coletiva de imprensa. Isso só serve par confirmar que o projeto tem sim uma trama bem interessante que talvez teria sido melhor servida se fosse apresentada ao público como um documentário. O longa tem momentos de fôlego investigativo e propõe algumas reflexões complexas sobre os temas que levanta, sobretudo a imagem estigmatizada de Cuba que sempre tivemos, mas se perde um pouco quando tenta transformar tudo em um novelão cujo interesse central é o futuro da relação dos personagens de Penélope Cruz e Édgar Ramírez.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Olivier Assayas<br />
<strong>Elenco:</strong> Édgar Ramírez, Penélope Cruz, Wagner Moura, Ana de Armas, Leonardo Sbaraglia, Gael Garcia Bernal, Tony Plana, Nolan Guerra, Osdeymi Pastrana</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/miKvHXrkfM4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Sergio</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-sergio/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Apr 2020 13:50:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Ana de Armas]]></category>
		<category><![CDATA[Brían F. O'Byrne]]></category>
		<category><![CDATA[Garret Dillahunt]]></category>
		<category><![CDATA[Greg Barker]]></category>
		<category><![CDATA[Sergio]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Vieira de Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2003, o diplomata Sergio Vieira de Mello embarcou para Bagdá, em uma missão designada pela ONU (Organização das Nações Unidas). Durante sua estadia no local, ele acabou sendo uma das vítimas em atentado, no qual um homem bomba explodiu um caminhão lotado de explosivos no Hotel Canal, falecendo aos 55 anos. Esta história, supostamente, é o foco do novo filme da Netflix, protagonizado pelo brasileiro Wagner Moura (O Homem do Futuro) e dirigido por Greg Barker (Dentro de Casa: [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2003, o diplomata Sergio Vieira de Mello embarcou para Bagdá, em uma missão designada pela ONU (Organização das Nações Unidas). Durante sua estadia no local, ele acabou sendo uma das vítimas em atentado, no qual um homem bomba explodiu um caminhão lotado de explosivos no Hotel Canal, falecendo aos 55 anos. Esta história, supostamente, é o foco do novo filme da Netflix, protagonizado pelo brasileiro Wagner Moura (<em>O Homem do Futuro</em>) e dirigido por Greg Barker (<em>Dentro de Casa: O Dilema do Contra-Terrorismo</em>).</p>
<p>A ideia de contar um pouco da trajetória de uma figura considerada importante dentro das Nações Unidas é positiva. Ainda mais pelo fato de Barker já possuir um documentário que aborda a vida de Sergio, o que poderia dar uma propriedade maior ao cineasta em seu processo criativo. Contudo, não é isto que acontece aqui. O longa é, no geral, uma grande confusão narrativa, com atores perdidos, roteiro repetitivo e apelativo, maquiagem e caracterização artificiais, além de uma direção mal ajambrada. A quantidade de adjetivos negativos poderia ser mais extensa, mas estes são os pilares para os desastrosos – e, talvez, vergonhosos – resultados do filme.</p>
<p>Começando pelo texto, Samantha Power (<em>Watchers of the Sky</em>) e Craig Borten (<em>Clube de Compras Dallas</em>) vão além do período no qual de Mello estava em Bagdá e procuram mostrar outras épocas de sua vida. Misturando completamente as linhas temporais, os autores parecem se perder na escrita e trazem cenas que reiteram constantemente o que o público já sabe, seja em informações ou em emoções. Em certo ponto da exibição fica a sensação de que a dupla queria preencher os espaços para que a sua duração fosse mais extensa. Algumas sequências parecem as mesmas, mas em locais distintos.</p>
<p>Os diálogos são quase idênticos, as situações também. Isto poderia ser evitado se eles escolhessem uma linha específica da trama e procurassem desenvolva-las, fazendo uma pesquisa mais cuidadosa para contar mais sobre a personagem e deixá-lo menos planificado. A estratégia das idas e vindas é bem-vinda, se bem executada. Se a estrutura está confusa, a simplificação acaba sendo uma escolha mais certeira. </p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-12678" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/sergio-2-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/sergio-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/sergio-2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/sergio-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/04/sergio-2.jpg 960w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Além da estafa pela repetição, Borten e Power tentam fazer com que espectador se debulhe em lágrimas, com frases de efeito. No entanto, somente o constrangimento fica, porque são sentenças piegas, como em determinada cena onde Sergio diz que quer cair do céu como se fosse chuva. Ou quando de Mello diz duas vezes “Vá para casa, meu amigo”, com uma pausa de quase dez segundos entre cada repetição. Não tão tem nenhuma razão prática para estes momentos acontecerem. Esta busca de traço poético, digamos assim, não foi foi algo construído previamente na personalidade do protagonista e nem servem para o que vem depois. Tão pouco são ditas com verdade cênica ou possuem algum efeito estético que pudesse transformar estes instantes em algo especiais. São as mesmas luzes e os mesmos enquadramentos. O que não casa com o tom do filme.</p>
<p>Esta artificialidade também está presente nas interpretações. Moura que, geralmente, entrega bons resultados, parece engessado e tenso durante seu tempo de tela em Sergio. Com o corpo enrijecido e um sorriso robótico, o intérprete demonstra desconforto com a construção de sua personagem. Ele não consegue controlar as suas pausas dramáticas e seus olhos arregalados, principalmente quando fala em inglês e precisa demonstrar intensidade. O ator também não joga na contracena, na maioria das vezes, evitando contato visual e perde de criar boas dinâmicas com seus colegas de trabalho por deixar a conexão das intenções de lado. A única pareceria que funciona mais é a que ele fez com Ana de Armas (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-entre-facas-e-segredos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Entre Facas e Segredos</em></a>), seu par romântico na história.</p>
<p>O tom <em>fake</em> impregna também os maquiadores da equipe. Alguns momentos que deveriam ser tensos são quase risíveis. É notável que o sangue e a poeira foram cuidadosamente colocados nas roupas e no corpo do elenco. Se a direção fosse mais atenta e talentosa, estes elementos negativos teriam sido resolvidos, mas, claro, Barker ainda complementa a fraqueza de sua obra com enquadramentos não pensados. Ele poderia ter buscado criar algum sentido para os planos sem respiro ou cheios de teto, porque eles não parecem estar lá com algum objetivo. Se fosse em uma cena de tensão poderia soar proposital, mas, tudo tem um aspecto caótico, de descaso. Ainda mais quando a fotografia é de Adrian Teijido (<em>O Palhaço</em>).</p>
<p><strong>Direção</strong>: Greg Barker</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Wagner Moura, Ana de Armas, Brían F. O&#8217;Byrne, Garret Dillahunt</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/91b5TEbVTcQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Oct 2014 00:38:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Sheen]]></category>
		<category><![CDATA[Rooney Mara]]></category>
		<category><![CDATA[Selton Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Stephen Daldry]]></category>
		<category><![CDATA[Trash - A Esperança Vem do Lixo]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Baseado no romance homônimo de Andy Mulligan, Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo expõe uma visão ingênua da sociedade brasileira. O maniqueísmo permeia a disputa entre as classes, os bons são excessivamente honestos e moralmente inquestionáveis, os maus, a &#8220;banda podre&#8221; representada pela elite de nossa sociedade. A visão do inglês Stephen Daldry não deixa de ter verdades, mas é simplista, ingênua, rasa e sua execução é ainda mais óbvia do que o teor da sua mensagem ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_2128" aria-describedby="caption-attachment-2128" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2128 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash1-620x348.jpg" alt="trash1" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-2128" class="wp-caption-text">Surpresa no lixão: A vida de Rafael (Rickson Tevez) muda quando ele encontra uma carteira.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Baseado no romance homônimo de Andy Mulligan, <em>Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo </em>expõe uma visão ingênua da sociedade brasileira. O maniqueísmo permeia a disputa entre as classes, os bons são excessivamente honestos e moralmente inquestionáveis, os maus, a &#8220;banda podre&#8221; representada pela elite de nossa sociedade. A visão do inglês Stephen Daldry não deixa de ter verdades, mas é simplista, ingênua, rasa e sua execução é ainda mais óbvia do que o teor da sua mensagem ao emular o <em>favela movie </em>em seus tiques mais que esperados. No fim, o filme é uma espécie de arremedo mal feito e colorido de <em>Cidade de Deus</em>.</p>
<p>Em <em>Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo </em>três garotos do lixão encontram uma carteira com algumas notas de dinheiro, uma identificação e algumas fotos do seu suposto proprietário com uma menina contendo no seu verso uma sequência de números. Logo aparecem na região alguns policiais procurando o objeto e os meninos passam a desconfiar que existe algo por trás da busca por aquela carteira. Ajudados por dois americanos, os garotos seguem as pistas deixadas pelo dono do objeto e são levados a um perigoso esquema que envolve um candidato a prefeito do Rio de Janeiro e a polícia local.</p>
<p><figure id="attachment_2129" aria-describedby="caption-attachment-2129" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2129 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash2.jpg" alt="trash2" width="550" height="333" /></a><figcaption id="caption-attachment-2129" class="wp-caption-text">Perseguição: Após ser encurralado por um grupo de policiais, personagem de Wagner Moura joga uma carteira em um caminhão de lixo.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desde <em>Billy Elliot</em>, Stephen Daldry mostrou-se um exímio diretor de atores, especialmente crianças ou adolescentes. Em materiais como <em>As Horas </em>e <em>O Leitor</em>, por exemplo, o inglês, que vem do teatro, sempre soube conduzir com muita delicadeza a construção dos personagens dos seus filmes junto com o elenco. Não que em <em>Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo </em>isso não ocorra, mas pelo longa manter esse discurso que evita colocar um dedo mais profundo na ferida o diretor não consegue ir adiante na história dos indivíduos que habitam aquela trama. Mesmo o trio central formado pelos garotos Rickson Tevez, Gabriel Weinstein e Eduardo Luís, que se esforçam e conseguem com muita naturalidade provocar empatia na plateia, sofre com a superficialidade do roteiro de Richard Curtis.</p>
<p>Não há em <em>Trash </em>um único vestígio que nos remeta ao realizador que Daldry foi em seus projetos anteriores. Até ai, nada demais, afinal a necessidade da presença do diretor na obra é questionável. No entanto, sai o diretor pulsante e cheio de sensibilidade de <em>As Horas </em>e <em>O Lei</em>tor para entrar em cena um realizador pasteurizado, capaz de ceder, sem o menor embaraço, ao impulso de incluir cenas e planos desnecessários que só estão no filme para fazer a propaganda de conhecidas redes de lojas de roupas e de hotéis. Sem alma, <em>Trash</em> parece um subproduto de <em>Cidade de Deus </em>cujo propósito de realização autônoma foi dissolvido em prol do desenvolvimento de um produto para exportação com a embalagem frágil do filme política e emocionalmente engajado.</p>
<p><figure id="attachment_2130" aria-describedby="caption-attachment-2130" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash3.png"><img decoding="async" class="wp-image-2130 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash3-620x303.png" alt="trash3" width="620" height="303" /></a><figcaption id="caption-attachment-2130" class="wp-caption-text">Elenco e o &#8220;cinema nacional&#8221;: Apesar do destaque para os seus três jovens protagonistas, o filme se perde em meio aos clichês esperados para o Brasil nas praças estrangeiras.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De engajado <em>Trash </em>não tem nada. O filme de Stephen Daldry oferece uma solução pouco elaborada para a problemática social que sugere ao seu espectador, desperdiça uma dúzia de atores talentosos cujos personagens não possuem personalidades e propósitos bem definidos. Se muitos achavam que <em>Tão Forte e Tão Perto </em>foi a grande derrapada da carreira de Daldry, certamente farão uma revisão de suas conclusões ao assistirem <em>Trash</em>, um filme que segue a monotonia e a obviedade discursiva até o último segundo de sua projeção.</p>
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		<title>Crítica: Praia do Futuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 May 2014 13:44:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Karim Aïnouz]]></category>
		<category><![CDATA[Praia do Futuro]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; De Madame Satã a O Abismo Prateado conseguimos perceber o lugar central que o cineasta Karim Aïnouz confere aos seus personagens em suas produções. Aïnouz parece entrar em um processo de imersão profunda em seus protagonistas, conhecendo-os intimamente e perseguindo cada um dos seus mais particulares sentimentos e conflitos. Assim, não deixa de ser estranho que, ainda que cultive esse como um dos traços mais fortes de seu cinema, o realizador não tenha conseguido dar liga o suficiente à [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_918" aria-describedby="caption-attachment-918" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/RTEmagicC_PraiadoFuturo_01.jpg.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-918 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/RTEmagicC_PraiadoFuturo_01.jpg.jpg" alt="RTEmagicC_PraiadoFuturo_01.jpg" width="620" height="330" /></a><figcaption id="caption-attachment-918" class="wp-caption-text">Wagner Moura interpreta Donato, um salva-vidas tragado pelo medo de ser o que é.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De <em>Madame Satã </em>a <em>O Abismo Prateado </em>conseguimos perceber o lugar central que o cineasta Karim Aïnouz confere aos seus personagens em suas produções. Aïnouz parece entrar em um processo de imersão profunda em seus protagonistas, conhecendo-os intimamente e perseguindo cada um dos seus mais particulares sentimentos e conflitos. Assim, não deixa de ser estranho que, ainda que cultive esse como um dos traços mais fortes de seu cinema, o realizador não tenha conseguido dar liga o suficiente à relação principal do seu mais novo longa, <em>Praia do Futuro</em>.</p>
<p>O filme é dividido em três atos que acompanham o desenrolar do relacionamento entre Donato (Wagner Moura), um salva-vidas do Ceará, e Konrad (Clemens Schick), um turista alemão no Brasil. Quando <em>Praia do Futuro </em>começa, Konrad acaba de perder o seu amigo, que desapareceu nas águas da famosa Praia do Futuro de Fortaleza. O alemão se aproxima de Donato, um salva-vidas da região que lhe dá a trágica notícia. Logo Donato e Konrad se apaixonam e entre o encontro no Brasil e um período de férias na Alemanha, Donato passa a confrontar inseguranças na maneira que lida com a sua sexualidade.</p>
<p><figure id="attachment_919" aria-describedby="caption-attachment-919" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/praia.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-919 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/praia-620x329.jpg" alt="praia" width="620" height="329" /></a><figcaption id="caption-attachment-919" class="wp-caption-text">Protagonista vive uma relação intensa com o alemão Konrad, papel de Clemens Schick, mas falta liga ao romance central.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aïnouz sempre foi um cineasta mais de imagens que diálogos &#8211; um rigor que carrega com o apreço que tem pela direção de fotografia dos seus filmes, aqui, mais uma vez, impecável &#8211; , seu território é o mais subjetivo recanto da alma humana. No entanto, os conflitos dos seus personagens sempre tiveram liga. Em <em>Praia do Futuro </em>por mais que as angústias sejam legítimas, sobretudo as de Donato que são vinculadas ao medo de assumir a homossexualidade em sua terra natal, falta um nó mais firme nas relações principais do filme que deveriam ser a força motriz da narrativa. Os dois primeiros atos são muito distantes do espectador e o filme só ganha uma certa simpatia do público quando entra em cena o formidável Jesuíta Barbosa que agarra como ninguém um personagem  cheio de ressentimento e revolta, mas também bastante afetuoso e honesto em seus sentimentos, o irmão do Donato. Wagner Moura tem seus momentos interessantes, o que não seria nenhuma novidade tamanha a dedicação e a riqueza de detalhes que as composições do ator costumam ter, assim como o alemão Clemens Sick. No entanto, na queda de braço e por falta de um maior apuro no tratamento da dupla central, Jesuíta Barbosa vence com larga vantagem.</p>
<p><figure id="attachment_920" aria-describedby="caption-attachment-920" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/i0dqgPETI4oqJ.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-920 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/i0dqgPETI4oqJ-620x319.jpg" alt="i0dqgPETI4oqJ" width="620" height="319" /></a><figcaption id="caption-attachment-920" class="wp-caption-text">O dono do filme: Jesuíta Barbosa tem a interpretação mais vigorosa do longa aparecendo somente no terceiro ato da história.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Influenciado por &#8220;Heroes&#8221; de David Bowie &#8211; algo semelhante ao que fez com &#8220;Olhos nos Olhos&#8221; de Chico Buarque em <em>O Abismo Prateado</em> &#8211; <em>Praia do Futuro </em>poderia ser uma belíssima história sobre referenciais familiares a partir da tensa e afável relação entre Donato (Moura) e seu irmão mais novo Ayrton (Barbosa), mas preferiu dedicar tempo demais ao romance entre o primeiro e o alemão Konrad (Schick). Não querendo dar uma de palpiteiro em uma situação que só cabe ao realizador Karim Aïnouz decidir, mas sensação que fica é que a verdadeira e mais intensa trama de <em>Praia do Futuro </em>só ganhou espaço no seu derradeiro ato ficando à deriva em um filme que poderia ser bem  mais à flor da pele do que sugere ser.</p>
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