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	<title>Arquivos TIFF - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos TIFF - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>51º TIFF: Head to head</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Oct 2026 14:34:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua estreia na direção de longas-metragens, a iraniana Ghasideh Golmakani demonstra um domínio em revelar seus pensamentos ideológicos, através de imagens e do argumento do roteiro. Golmaki amplia as dimensões ficcionais ao trabalhar a metalinguagem. A primeira camada é a do filme que a protagonista, Bahar (Mehrnoosh Satar), dirige. Nele, ela faz um elenco masculino se vestir de mulher e performar atividades ditas como femininas. O que Bahar não conta para os intérpretes de sua obra é que ela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Em sua estreia na direção de longas-metragens, a iraniana Ghasideh Golmakani demonstra um domínio em revelar seus pensamentos ideológicos, através de imagens e do argumento do roteiro.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Golmaki amplia as dimensões ficcionais ao trabalhar a metalinguagem. A primeira camada é a do filme que a protagonista, Bahar (Mehrnoosh Satar), dirige. Nele, ela faz um elenco masculino se vestir de mulher e performar atividades ditas como femininas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O que Bahar não conta para os intérpretes de sua obra é que ela está fazendo, na verdade, um documentário. Tudo isso, rodando no Irã, que conta com um governo opressor e ditatorial. Nesta lógica, dois longas se formam dentro de um. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro de todas estas dimensões, há uma coesão narrativa que impressiona. Isto porque existe uma pluralidade de intenções internas e externas à obra. As de Bahar e as de Golmaki, que se combinam e aí que está a sacada da produção.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ao criticar o sistema patriarcal e repressor de seu país, ela utiliza o ódio de Bahar como propulsor da trama. Ao mesmo tempo, diversos homens de perspectivas distintas são seus coadjuvantes. As concordâncias e discordâncias políticas são utilizadas no desenvolvimento destas figuras dramáticas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Quem são esses atores? Quem é essa mulher que deseja filmar algo tão disruptivo? A personalidade de cada um, principalmente das figuras centrais, é explorada juntamente com as tensões e com o clima de progressiva suspensão.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além disso, a cineasta se vale da mise-en-scène para fomentar seu discurso. Bahar, na maioria das vezes, está em um lado do plano e todos os homens do outro. Ou, ela está cercada por eles, posicionada um ponto específico da tela</span></p>
<p>Ainda assim o desejo dela prevalece e todas as suas vontades são perseguidas durante a história. Existe um ar de ingenuidade quando um discurso é proferido de forma aberta e direta.</p>
<p>O não dito é sempre mais elegante. No entanto, nem sempre é possível seguir a primazia da finesse, sobretudo quando falamos de povos oprimidos e reprimidos.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Quando as ordens de Bahar sobressaem ao peso contrário, do outro lado da tela, existe a mensagem sutil. Todavia, é preciso, talvez, ser mulher ou bem sensível para captar essa construção da direção geral e de fotografia.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Já os gritos de ordem e revolta, não. Eles são para quem finge que não entende de onde vem tanta dor. Nesse sentido, há um discurso amarrado com as visualidades, que prende a atenção e deixa nítida a tensão que existe dentro do próprio cinema iraniano.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>Head to head</em> é bem sucedido ao utilizar a imagem e os diálogos para defender uma causa, mas com a linguagem cinematográfica a seu favor. Com um roteiro enxuto, direto e redondo, Ghadieh Golmakani entrega um bom resultado.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Ghasideh Golmakani<br />
<strong>Elenco</strong>: Mehrnoosh Satari, Saeed Naderi, Ebrahim Azizi</p>
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		<title>51º TIFF: Ancestors</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 18:02:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando um filme possui um grande potencial, mas desperdiça, é mais triste do que as produções que são apenas ruins. Ancestors procura ser disruptivo, sensível e profundo, porem é reiterativo e a criatividade se esvai em um terço da sessão. A estreia do britânico David Turpin na direção de longas-metragens trata sobre um dos acontecimentos mais tristes da humanidade, que foi a epidemia da Aids nos anos 1980. A doença por um longo tempo era uma sentença de morte e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando um filme possui um grande potencial, mas desperdiça, é mais triste do que as produções que são apenas ruins. <em>Ancestors</em> procura ser disruptivo, sensível e profundo, porem é reiterativo e a criatividade se esvai em um terço da sessão.</p>
<p>A estreia do britânico David Turpin na direção de longas-metragens trata sobre um dos acontecimentos mais tristes da humanidade, que foi a epidemia da Aids nos anos 1980. A doença por um longo tempo era uma sentença de morte e esse desespero melancólico está estampado na tela.</p>
<p>Esse é um dos grandes méritos do filme de Turpin, a instalação da atmosfera. Através da temperatura da luz e dos enquadramentos, há uma utilização do cinza dentro da realidade da narrativa, juntamente com uma multiplicidade de ângulos das dores das personagens.</p>
<p>A busca por mostrar diversas perspectivas do mesmo momento e de situações semelhantes funciona por um tempo. Ela funciona como um elemento de fortalecimento do argumento da equipe do longa, mas essa estratégia se esgota em meia hora de projeção.</p>
<p>A partir dali, a sessão se torna cansativa porque as figuras dramáticas não são exatamente desenvolvidas para além da tristeza da contaminação e da morte.</p>
<p>De fato, a doença foi uma tragédia, porém existem outras obras que conseguem balancear a questão do vírus com a investigação de personagens.</p>
<p>No Brasil, o tema é tratado de forma tão plural, multifaceta e profunda, que fica dificil baixar os parâmetros para tentar apreciar Ancerstors.</p>
<p>Porque, para além de gastar tempo com repetição que não fomenta o imaginário da dor, Turpin ainda inseriu outra coadjuvante que fica perdida na trama.</p>
<p>Gloria  (Christina Hendricks) é um paralelo dos rapazes dos anos 1980. No início do século, ela morre de tuberculose, uma outra doença muitas vezes fatal e que poderia ser um atestado de óbito em vida.</p>
<p>Gloria também é a imagem da diva sublime, que circunda o universo Queer, como fonte de admiração. A ideia poderia ser excelente e até mesmo quase genial.</p>
<p>Porque essa lógica traria a ideia de criação de símbolos e perpetuação da dor de classes minoritárias, porém falta liga para conectar o enredo com essa estratégia.</p>
<p>O paralelismo falha quando os diálogos não trabalham as ligações entre as épocas, nem que são essas duas figuras, Gloria e o protagonista Beau (Éanna Hardwicke).</p>
<p>Gloria vira somente um artefato perdido em cena, o que reforça o estereótipo que a obra parece querer quebrar. A presença de Hendricks é imponente, mas ela não se sustenta por si só na tela.</p>
<p>Mesmo que ela e Éanna se esforcem para contracenar e criar um sentido para as sequências, a interação não funciona. O mesmo pode ser dito do relacionamento de Beau com Tiny (Jack Wolfe)</p>
<p>A produção tenta ser sobre o envolvimento da dupla e a tragédia shakespeariana que foi a separação dos dois pela morte, causada pela doença.</p>
<p>Está tudo ali na cabeça do diretor, que se não sabia ainda quem eram esses homens em 1h46 de projeção, que fizesse um curta-metragem. Diversos cineastas primeiro criam uma obra de duração menor sobre um tema e depois expandem um dado universo.</p>
<p>Após essa compreensão da trama e seus envolvidos, eles partem para aumentar o tempo dos seus filmes. Falta tratamento de roteiro, mesa de discussão de decupagem, maturidade fílmica.</p>
<p>Por estas razões, <em>Ancestors</em> é um projeto ambicioso, que precisa de mais maturação. Ele tem boas intenções ao desejar preservar a memória de um tempo avassalador para o mundo.</p>
<p>Entre perdas e partidas, faltou Turpin enxugar suas ideias, criar coesão dentro do longa. Ao invés de abusar de repetições, dar tempo de tela para as explorar as personagens interessantes que ele mesmo criou seria o ideal.</p>
<p>Seja no silêncio ou em diálogos, Beau e Tiny mereciam mais. Inclusive, Turpin poderia até manter as reiterações se dentro delas fossem trabalhadas as emoções e personalidades das figuras em cena.</p>
<p>Novamente, o relacionamento de Tiny e Beau nao sai da mesma dinâmica. Beau trata Tiny mal. O homem gay mais feminino sendo oprimido por uma masculinidade do gay, que performa uma austeridade falsa é ainda um clichê dentro da ficção e da vida real.</p>
<p>Tudo isso é verdadeiramente uma pena, porque a equipe poderia, junta, subverter os clichês, o ar de déjá vu e investir na complexidade e força de uma temática que jamais pode ser esquecida.</p>
<p><strong>Direção</strong>: David Turpin</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Éanna Hardwicke, Jack Wolfe, Christina Hendricks</p>
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		<title>51º TIFF: Purgatory</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 14:07:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um leve e divertido coming of age, Purgatory é uma mescla de previsibilidade com fofura, que o torna um tanto adorável. Mesmo que entediante em algumas partes, o entrosamento do elenco pode cativar o público garantindo uma sessão agradável.  Principalmente no núcleo da família central, os quatro atores jogam em cena, valendo-se de improvisos e cacoetes, que estabelecem uma intimidade com o espectador, o que gera interesse na própria história do longa-metragem.  Os pais de Beatrice Gravel (Ruby McGurrin) se [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;"><span>Um leve e divertido coming of age, </span><i><span>Purgatory</span></i><span> é uma mescla de previsibilidade com fofura, que o torna um tanto adorável. Mesmo que entediante em algumas partes, o entrosamento do elenco pode cativar o público garantindo uma sessão agradável. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Principalmente no núcleo da família central, os quatro atores jogam em cena, valendo-se de improvisos e cacoetes, que estabelecem uma intimidade com o espectador, o que gera interesse na própria história do longa-metragem. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Os pais de Beatrice Gravel (Ruby McGurrin) se separam, nos anos 1980. A adolescente  estuda em uma escola católica e se sente pressionada com toda a situação. A premissa em si é tão básica, que poderia ser qualquer filme teen de sessão da tarde, do passado ou de agora. </span></p>
<p>Neste sentido, visual e narrativamente, a produção entrega algo genérico. A diretora Lindsay Lanzillotta (Ginormo)  poderia ter investido em alguns elementos para elevar a potencialidade do roteiro da estreante Christine Speer.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Mesmo que de maneira simples, transformações na luz e enquadramentos menos básicos seriam ferramentas interessantes para estabelecer uma atmosfera própria. E como fazer isso? De diversas maneiras. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por exemplo, Lindsay poderia aumentar a profundidade de campo, colocando o olhar da protagonista no quadro. Através de angulação ou algum efeito de câmera, as emoções de Beatrice poderiam ser exploradas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Outro elemento que auxiliaria: utilização de texturas. Dentro da direção de arte, algumas das frentes poderiam ser mais ousadas e deixar a produção visualmente mais interessante. Mas, qualquer característica que diferenciasse o longa de qualquer outro , já ajudaria.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><i><span style="font-weight: 400;">Purgatory</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode querer ser como qualquer outro longa </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;"> sim, mas no custo de ser aquela exibição leve e emotiva, que será logo esquecida. Porque nenhuma dessas sugestões são obrigatórias e uma direção tradicional não é um problema. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A questão é que, para além do elenco talentoso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Purgatory</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tem muito para entregar. O relacionamento dos pais de Beatrice não tem tensão o suficientemente para ser difícil e nem amigável para ser tranquilo.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Speer parece ter medo de decidir o filme que quer contar. Ela não consegue aprofundar o caos que é uma separação ou como o divórcio pode ser mais fácil com dois agentes cooperadores. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">No quesito vida pessoal de Beatrice, as amizades da jovem não são das melhores. Não existe espaço para a figura central da trama se expandir. O que resta de local para esse desenvolvimento mínimo é a amizade dela com o padre Malone (JK Simmons).</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">As primeiras sequências de Beatrice se confessando são as pistas mais profundas de quem a garota é. E essa estratégia de diálogos complexos com Malone poderia até funcionar em toda a projeção. Mas, até esses momentos acabam se tornando óbvios e repetitivos. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Isso ocorre pela própria estrutura das cenas. Os diálogos dão uma sensação de déjà vu. Ainda que o texto em si seja sensível e com reflexões apropriadas para pré-adolescentes. </span></p>
<p>Desta forma, Purgatory pode ser uma boa pedida para ver com a meninada da sua família, em um sábado à tarde ou um domingo de manhã. Sem grandes surpresas, de direção ou roteiro, o elenco segura a onda e entrega personagens que sofrem transformações.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além do mais, para o primeiro longa, Lindsay Lanzillotta escolhe fazer o que ela aprendeu vendo outros que vieram antes dela. É seguro e pode não impressionar, mas ela apresenta uma técnica coesa, com uma decupagem limpa.</span></p>
<p style="font-weight: 400;">Direção: Lindsay Lanzillotta</p>
<p>Elenco:</p>
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		<title>51º TIFF: Stuffed</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 20:43:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A urgência de ser relevante para quem não tem problemas de verdade deve ser realmente algo especial. Stuffed aposta em uma premissa na qual as personagens centrais parecem estar desesperadas para serem esquisitas, mas não o suficiente. A artificialidade e o medo de arriscar totalmente tornam a sessão entediante. É bem verdade que existem qualidades no longa-metragem de Theo Rhys. O diretor, que já tinha feito um curta homônimo, aposta nas coreografias como destaque. São nesses momentos que a decupagem [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">A urgência de ser relevante para quem não tem problemas de verdade deve ser realmente algo especial. Stuffed aposta em uma premissa na qual as personagens centrais parecem estar desesperadas para serem esquisitas, mas não o suficiente.</p>
<p>A artificialidade e o medo de arriscar totalmente tornam a sessão entediante. É bem verdade que existem qualidades no longa-metragem de Theo Rhys. O diretor, que já tinha feito um curta homônimo, aposta nas coreografias como destaque.</p>
<p>São nesses momentos que a decupagem se torna mais elaborada, com movimentos de câmera e angulações mais plurais. Além disso, os movimentos coreografados por Stephanie McMann, convocam fluidez para as cenas.</p>
<p>O universo de Stuffed em coeso dentro de si mesmo, o que faz com que o espectador seja ambientado e mergulhe naquele horizonte ficcional Os gestos dançados têm um grande poder aqui de criar a contraposição da música sombria, com os movimentos energizados.</p>
<p>É estabelecida, assim, uma complexidade nas cenas. Isto porque uma organicidade habita os corpos do elenco e a preparação parece ter sido cuidadosa neste sentido. Existe uma unicidade dos gestos e uma forte tonicidade, que destaca as emoções das personagens.</p>
<p>Desta maneira, os atores parecem mais presentes em cena, o que fomenta o estabelecimento e a manutenção da atmosfera. Ao mesmo tempo, esse desejo de ser esquisito que Rhys, diretor e roteirista, parece não se sustentar durante toda a sessão.</p>
<p>Existe uma frase soteropolitana que diz “lá na Estação da Lapa não se fala em outra coisa”. Filmes assim dão vontade de pegar as mãozinhas da equipe e levar todes para uma excursão para o mundo real.</p>
<p>Claro que cada um tem a sua dor, mas para transformar aquele sofrimento terrivelmente específico em algo mundial, Rhys precisava demais. Além disso, cada dor imprime algo no ecrã. A mostrada por Stuffed existe de alguma maneira, porém apenas como um flerte:</p>
<p>Quando Rhys precisa mergulhar no tenebroso e sombrio verdadeiramente, ele recua. A convencional historinha de amor rouba o protagonismo da bizarrice. Então, qual é mesmo a questão das figuras centrais? Uma louça para lavar ou uma alma sombria incontrolável?</p>
<p>Araminta (Jodie Comer) e Bernie (Harry Melling) não precisavam ser nada além de amigos. Ainda que fossem paquerinhas, o que realmente é relevante para a narrativa é o fato de que ela é quem vai empalhar o jovem, depois dele tomar um copo de veneno.</p>
<p>Neste sentido, o longa vai perdendo tanto a sua personalidade durante a projeção que até mesmo as músicas vão se tornando escassas. Sim, Stuffed queria ser um Sweeney Todd, mas não consegue.</p>
<p>Não por falta de potencial, porém para alcançar tal intento é necessário mais coragem, doses de violência investigação de personagem. Araminta viveu com a mãe morta por semanas. Isso rende sequências e diálogos complexos.</p>
<p>Se as profundezas das feridas das figuras centrais fossem realmente investigadas, a produção cresceria. Ou, o fato do pai de Bernie ser ausente é incômodo para ele, mas esse fato não é trabalhado.</p>
<p>Até mesmo o fato de que eles não tiveram outros relacionamentos amorosos poderia render investigação de personagem. Qualquer coisa, que saísse da reiteração de que eles são estranhos. Ainda assim, a dupla central funciona por conta do talento dos intérpretes.</p>
<p>Apesar dos diálogos não ajudarem tanto, porque são óbvios, os dois conseguem sair dessa cilada. Isso ocorre justamente porque os dois focam na fisicalidade das personagens. Através dos gestos, uma nova dramaturgia é criada e revela a conexão entre Araminta e Bernie.</p>
<p>Assim, <em>Stuffed</em> é um filme que quase chega lá. Ele quase diverte, quase emociona, quase empolga… Falta Rhys realmente pensar: o que mexe com ele? Esse é seu primeiro longa e muito potencial está ali, em seu trabalho. Quando o realizador perder o medo de enfrentar as suas sombras, pode ser que o resultado apareça imediatamente na narrativa.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Theo Rhys</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Jodie Comer, Harry Melling, Claire Novelli</p>
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		<title>51º TIFF: Arne goes to space</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 02:07:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua primeira direção de longa-metragem, Lars Vega (Looking for joy) em convocar uma linguagem cinematográfica tradicional e foca na investigação das relações humanas como fator de complexidade para a sua obra. É nessa estratégia que ele é sólido e eficiente. Lars fala sobre uma sociedade convencional e sentimentos humanos comuns, através da contraposição do cotidiano com o extracotidiano. Ao inserir a figura do alienígena Roland (Kiran Shah), a produção comprova que aquele vilarejo não é contra o diferente e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Em sua primeira direção de longa-metragem, Lars Vega (<em>Looking for joy</em>) em convocar uma linguagem cinematográfica tradicional e foca na investigação das relações humanas como fator de complexidade para a sua obra. É nessa estratégia que ele é sólido e eficiente.</p>
<p>Lars fala sobre uma sociedade convencional e sentimentos humanos comuns, através da contraposição do cotidiano com o extracotidiano. Ao inserir a figura do alienígena Roland (Kiran Shah), a produção comprova que aquele vilarejo não é contra o diferente e possui uma amabilidade muito maior do que eles mesmos imaginam.</p>
<p>Em todo seu singelo exercício audiovisual, Lars traz referências visuais para fomentar este discurso. Com inspirações em <em>E.T</em>. (1982) e <em>Star Wars</em> (1977), a obra aproxima o público de uma história sobre uma vila na Suécia, que tem uma cultura não será conhecida por muitos.</p>
<p>Para além da metáfora, nas referências são criados laços de familiaridade com quem assiste. Lars também ambienta o espectador no cotidiano de dois irmãos, Arne Nymam (Rolf Lassgård) e Stefan (<span class="hero__primary-text" data-testid="hero__primary-text">Lennart Jähkel</span>), mostrando o íntimo do dia a dia dos dois.</p>
<p>Essa estratégia é mais um ponto de conexão emocional da plateia com a narrativa. Para realizar tal intento, Lars mostra as tarefas da dupla, em quadros mais abertos. Os momentos de relaxamento dos dois têm planos médios e closes.</p>
<p>Desta maneira, nota &#8211; se como os quadros vão fechando quando emoções mais profundas são mostradas, criando olhares plurais para esses dois, mas mexendo com os sentimentos do público também.</p>
<p>Assim, a direção educa seu público, mostrando como ele deve se sentir durante a projeção. Esse elemento de aproximação se dá também pelo o uso de apelidos para as personagens da pequena vila.</p>
<p>Entre arquétipos das figuras dramáticas e o jogo de temperaturas claras e escuras, quando a plateia se ambienta, o extraterrestre Roland é introduzido na trama. A figura nao é apenas um ponto de tensão entre Arne e Stefan, mas também o único elemento “estranho” dentro da narrativa.</p>
<p>Todavia, o pequeno Roland se integra ao ambiente. O que mais preocupa as personagens centrais é a doença de Arne. Ao inseriri um alienígena nesse contexto, Lars provoca uma reflexão curiosa, na qual ele fundamenta seu argumento de que as relações humanas são o que verdadeiramente importam.</p>
<p>Além disso, através das suas escolhas de encenação, principalmente planificações, ele gera essa empatia e imersão que criam um laço irrompível com quem assiste, até o final da exibição. Assim, Vega não inventa a roda, mas ele usa bem essa traquitana que é o cinema.</p>
<p>É bem verdade que ele faz planos de novato, mas nada que comprometa a totalidade de seu longa. Um exemplo é quando o cineasta faz quadros de observação como se alguém visse de fora. Contudo, essa escolha não está imbricada com a trama.</p>
<p>Essa ideia de imagem distanciada soa como um comentário distante. Por que filmar Arne e Stefan pela janela se ninguém estava os vendo? Momentos assim quebram levemente a sofisticação da produção.</p>
<p>Ainda assim, <em>Arne goes to space</em> é um filme que acerta ao falar sobre um contexto que o diretor conhece, com as ferramentas que a equipe domina, mesmo que não seja um espetáculo ou passe longe de ser disruptivo. Lars prova isso, na realidade, a arte de contar historias é muito mais relacional do que inventiva!</p>
<p><strong>Direção</strong>: Lars Vega</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Rolf Lassgård, Lennart Jähkel, Kiran Shah</p>
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