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	<title>Arquivos Stephen McKinley Henderson - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Stephen McKinley Henderson - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Guerra Civil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Apr 2024 21:50:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua semana de estreia nos Estados Unidos, o novo filme da A24 gerou expectativas altas no restante do mundo por seu sucesso de bilheteria em seu primeiro final de semana. Guerra Civil, o novo projeto da produtora, arrecadou mais de 25 milhões de dólares em sua estreia nacional &#8211; o que marca um novo recorde para a A24. Com isso, o longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19), já chega com um burburinho potente. O fascínio gerado [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Em sua semana de estreia nos Estados Unidos, o novo filme da A24 gerou expectativas altas no restante do mundo por seu sucesso de bilheteria em seu primeiro final de semana. <em><strong>Guerra Civil</strong></em>, o novo projeto da produtora, arrecadou mais de 25 milhões de dólares em sua estreia nacional &#8211; o que marca um novo recorde para a A24. Com isso, o longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19), já chega com um burburinho potente.</p>
<p>O fascínio gerado pelo novo longa está em sua história. O roteiro de Alex Garland (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aniquilacao/"><em>Aniquilação</em></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-men-faces-do-medo/"><em>Men &#8211; Faces do Medo</em></a>, de 2022) conta a história de quatro jornalistas (Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen McKinley Henderson) que embarcam numa viagem de carro de Nova York até a capital estadunidense para reportar a guerra civil que está escalando para um fim iminente. A trama de <strong><em>Guerra Civil</em></strong> é brilhantemente costurada pelas visões dos personagens de Kirsten, Wagner, Cailee e Stephen. A partir das experiências, vivências e paixões de cada um pela profissão, o espectador vislumbra uma história que narra os horrores da vida real.</p>
<p>Assim, <strong><em>Guerra Civil</em></strong> se coloca como um senhor soco no estômago. Desta vez, fora do universo do terror, o diretor e roteirista, Alex Garland, consegue trazer o horror da vida real para um <em>road movie</em> jornalístico. É potente e, ao mesmo tempo, doloroso. E, o pior de tudo, é real. A dureza do cotidiano do jornalismo obriga os seus a criarem essa carapaça para o que há de pior no mundo. O que é monstruoso pode se banalizar. E, nesse filme, a desumanidade da guerra &#8211; especificamente numa ‘nação patriótica’ que diz sempre lutar pelos seus &#8211; é escancarada de forma avassaladora. Sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes focados em jornalismo desde <em>Todos os Homens do Presidente (1976)</em>.</p>
<p>Tendo em vista a potência e importância do trabalho de Garland &#8211; seja no texto quanto na direção -, é necessário abrir um parênteses para aplaudir o trabalho do elenco central. Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen McKinley Henderson estão hipnotizantes. O quarteto carrega o espectador do início ao fim desse mergulho tortuoso de um futuro horrendo (porém possível). <strong><em>Guerra Civil</em></strong> merece louros por inúmeras partes de sua produção, mas o casting foi verdadeiramente divino.</p>
<p>Cada um dos quatro personagens vive uma fase profissional diferente &#8211; desde Jessie aspirando ser uma renomada fotojornalista até Sammy, um cansado veterano do New York Times. Essa fluidez de experiências gera uma troca arrebatadora para a narrativa. É de tirar o fôlego perceber as diferentes perspectivas sendo pressionadas nos momentos de maior tensão em meio ao caos. <strong><em>Guerra Civil</em></strong> é um momento para ver o jornalismo real sendo posto à prova.</p>
<figure id="attachment_17949" aria-describedby="caption-attachment-17949" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-17949" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-750x500.jpg" alt="Guerra Civil (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2.jpg 1013w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17949" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Guerra Civil&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>Ainda que os quatro se destaquem e conduzam <strong><em>Guerra Civil</em></strong> muito bem, falar sobre como Kirsten Dunst (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-estranho-que-nos-amamos/"><em>O Estranho que Nós Amamos</em></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ataque-dos-caes/"><em>Ataque dos Cães</em></a>, de 2021) abraça o projeto é inevitável. Cada olhar de Lee, toque na sua câmera ou diálogo é perfeitamente colocado para fazer com que o mundo do público desmorone ainda mais. A contenção da personagem e o peso que ela carrega são sua força cênica. Lee transborda as dores e as marcas que a cobertura de guerra lhe causaram.</p>
<p>Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sergio/"><em>Sergio</em></a>, de 2020, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-agente-oculto-netflix/"><em>Agente Oculto</em></a>, de 2022) é outro ponto de atenção em <strong><em>Guerra Civil</em></strong>. Ainda que seu personagem, Joel, seja um tanto quanto caricatural em momentos de maior euforia, Wagner brilha na hora certa, complementando a potência de sua colega de cena. Ele caminha pelo lugar da euforia que o jornalismo lhe dá, ainda que consciente do infortúnio que todos estão vivendo.</p>
<p>O veterano Stephen McKinley Henderson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><em>Duna</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-passagem-apple-tv/"><em>Passagem</em></a>, de 2022), por sua vez, é o contraponto da serenidade, da experiência. Com suas limitações de idade e manias, o seu personagem domina a cena como uma figura paternal, uma vez que Sammy foi o mentor dos personagens de Dunst e Moura. Sua presença em <strong><em>Guerra Civil</em></strong> completa o ciclo de experiências e aprofunda as camadas de relações dos personagens.</p>
<p>No seu extremo oposto está Jessie, a personagem de Cailee Spaeny (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/"><em>Vice</em></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-priscilla/"><em>Priscilla</em></a>, de 2023) em <strong><em>Guerra Civil</em></strong>. A jovem, que sonha em ser uma renomada fotojornalista de guerra como Lee, representa possibilidades de fases da carreira de muitos que seguem essa árdua jornada de relatar os horrores do mundo. Tudo isso feito com uma força e sensibilidade extremas.</p>
<p>Para além do texto, direção e atuações, outros departamentos de <strong><em>Guerra Civil</em></strong> merecem louros, como a fotografia, a arte e o som. Cada uma dessas equipes potencializa a força do que está sendo discutido em tela &#8211; e isso não é fácil. Afinal, o que o texto de Garland expõe é o maior temor de uma civilização democrática atualmente: o medo constante do fantasma autoritário, extremista e sangrento.</p>
<p>Apesar de parecer óbvio que um filme de guerra envolve uma presença poderosa e constante de ruídos &#8211; e o longa tem seus momentos -, o projeto triunfa no silêncio. Cenas com apenas trocas de olhares ou momentos mais intimistas entre os personagens em seus anseios, dores e desejos avassalam o público por tornar palpável o horror posto em tela. <strong><em>Guerra Civil</em></strong> veio para despontar como uma das obras mais interessantes do ano. A dualidade de achar a sensibilidade e a delicadeza no olho do furacão é um mérito gigante da equipe. Se essa for, de fato, a última assinatura de Alex Garland como diretor, ele sairá em sua melhor forma, tendo chances de uma possível nomeação na campanha pelo Oscar.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Alex Garland</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny, Stephen McKinley Henderson, Sonoya Mizuno, Nick Offerman</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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		<title>Crítica: Ferida (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Dec 2021 13:38:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Única negra a vencer o Oscar de melhor atriz (em 2002, pelo drama A Última Ceia), Halle Berry esteve no topo em Hollywood como uma das estrelas mais bem pagas da indústria. Como contrapartida, Berry se meteu em uma série de produções ruins que prejudicaram o olhar público sobre seu trabalho, como Na Companhia do Medo (2003) e o famigerado Mulher-Gato (2004), que lhe rendeu o Framboesa de Ouro de pior atriz. Isso sem falar de longas posteriores a esse período como Kings: Los Angeles em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Única negra a vencer o Oscar de melhor atriz (em 2002, pelo drama <em>A Última Ceia</em>), Halle Berry esteve no topo em Hollywood como uma das estrelas mais bem pagas da indústria. Como contrapartida, Berry se meteu em uma série de produções ruins que prejudicaram o olhar público sobre seu trabalho, como <em>Na Companhia do Medo</em> (2003) e o famigerado <em>Mulher-Gato</em> (2004), que lhe rendeu o Framboesa de Ouro de pior atriz. Isso sem falar de longas posteriores a esse período como <em>Kings: Los Angeles em Chamas</em> (2017), <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-sequestro/"><em>O Sequestro</em></a> (2017), <em>A Viagem</em> (2012), <em>Maré Negra</em> (2012) e <em>Noite de Ano Novo</em> (2011). Chegando na sua maturidade, as oportunidades minguaram e as expectativas deixadas pelo seu Oscar inédito ficaram ainda mais amargas se constatarmos que nos últimos anos Berry fez praticamente figuração de luxo pouco creditada pelo marketing de produções como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-john-wick-3-parabellum/"><em>John Wick 3: Parabellum</em></a> (2019) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-kingsman-o-circulo-dourado/"><em>Kingsman: O Círculo Dourado</em></a> (2017).</p>
<p>No entanto, como sua protagonista em <em><strong>Ferida </strong></em>(2021), sem perder o fôlego, Halle Berry segue buscando novas oportunidades e formas de se reinventar em uma indústria que &#8220;mastigou&#8221; o quanto pôde sua imagem e depois a descartou. Talvez este pequeno filme lançado recentemente pela Netflix seja o maior paralelo entre uma personagem que a atriz interpretou e sua própria carreira. Aqui, Halle Berry se dirige como a lutadora de MMA Jackie Justice. A protagonista de Ferida vive o seu pior momento: longe dos ringues e lidando com a depressão, tem que assumir a responsabilidade de criar um filho deixado para trás.</p>
<p>Em <em><strong>Ferida </strong></em>, Halle Berry aproveita com muita força a oportunidade de exibir em cena uma bela interpretação na pele desta mulher. <em><strong>Ferida </strong></em>em nada lembra os trabalhos anteriores da atriz, ao mesmo tempo que também é muito familiar. Assim como a Leticia de<em> A Última Ceia</em>, Jackie de <em><strong>Ferida </strong></em>é uma mulher testada pela aspereza da vida tendo que contornar uma situação aparentemente incontornável. Ao mesmo tempo, mais madura, Halle é capaz de exibir uma das interpretações mais low profile e intensas da sua carreira, conferindo uma gradual vitalidade para sua protagonista sem soar que está se esforçando muito para fazer isso.  Berry interpreta Jackie como uma figura introspectiva, parte pela sua personalidade, mas também por já ter sido muitas vezes machucada em diversas esferas da sua existência, e que gradualmente se redescobre e se reinventa como mulher pelas relações que passa a estabelecer.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14871" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ferida-halleberry-netflixfilmee.jpg" alt="Ferida " width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ferida-halleberry-netflixfilmee.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ferida-halleberry-netflixfilmee-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ferida-halleberry-netflixfilmee-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/ferida-halleberry-netflixfilmee-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Os vínculos que Jackie cria com o garoto Manny e com a treinadora Buddhakan, a ótima Sheila Atim, acabam sendo oportunidade para a atriz desenvolver uma jornada de transformação para esta personagem sem que isso soe como uma busca desesperada pelas lágrimas do espectador. Aqui talvez seja o maior acerto de Berry como diretora e que, inclusive, aproxima <em><strong>Ferida </strong></em>de outro filme ambientado no mundo dos esportes lançado recentemente, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-king-richard-criando-campeas/"><em>King Richard</em></a> com Will Smith. No lugar do protocolar aprendizado com os obstáculos da vida e a oferta das glórias por uma vitória no esporte, ambos optaram por encerrarem suas histórias (<strong>SPOILER! SPOILER!</strong>) com uma derrota dos seus personagens para assim, na contramão de filmes do gênero, mostrarem como as transformações nos seus protagonistas são mais sutis e processuais do que um êxito vivenciado pontualmente em uma competição.</p>
<p>É verdade que, como obra, <em><strong>Ferida </strong></em>não é impecável &#8211; assim como não é <em>King Richard</em>. O longa de Halle Berry tem uma certa dificuldade para aproveitar os gancho de virada na vida da sua protagonista ou para desenvolvê-los de forma mais gradual. Algumas passagens são abruptas demais e tomam o espectador de assalto, como a primeira situação apresentada na qual Jackie Justice sai de um emprego de faxineira após bater no filho dos patrões ou a transformação do seu namorado em uma figura abusiva. Ainda assim, sobressai em <em><strong>Ferida </strong></em>a sensibilidade de algumas decisões tomadas e a composição sensível presente na interpretação de Halle Berry.</p>
<p><em><strong>Ferida </strong></em>foi uma produção independente lançada no Festival de Toronto, despertando posteriormente o interesse da Netflix, empresa que se tornou distribuidora do longa pelo mundo em sua plataforma. A recompensa pelo êxito de Halle Berry nesta iniciativa independente foi revelada recentemente com o anunciou de que a atriz firmou parceria com o streaming para outros projetos. Independente do que virá pela frente na carreira de Halle Berry, <em><strong>Ferida </strong></em>já é prova de que ela continuará lutando, sublinhando que sua vitória no Oscar lá em 2002 não foi por acaso e que seu talento está disponível para a indústria, esta é que por muito tempo não soube ou não quis aproveitá-lo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Halle Berry</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Halle Berry, Adan Canto, Sheila Atim, Adriane Lenox, Lela Loren, Denny Dillon, Stephen McKinley Henderson, Shamier Anderson</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/bugSLvZgfh8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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