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	<title>Arquivos Sally Hawkins - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Sally Hawkins - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Wonka</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Dec 2023 12:34:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O cinema vive um momento de grandes produções. Seja em orçamento, efeitos especiais, cenas de perseguição ou explosão, há muito que não se vê uma produção que carrega qualidade técnica e narrativa ao mesmo tempo que abraça o espectador. A sétima arte parece estar acompanhando a intensa velocidade da contemporaneidade, deixando de lado esse tipo de projeto que tira o público dessa aceleração e o embala num outro ritmo. O mais novo lançamento da Warner Bros, que chega nesta quinta-feira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema vive um momento de grandes produções. Seja em orçamento, efeitos especiais, cenas de perseguição ou explosão, há muito que não se vê uma produção que carrega qualidade técnica e narrativa ao mesmo tempo que abraça o espectador. A sétima arte parece estar acompanhando a intensa velocidade da contemporaneidade, deixando de lado esse tipo de projeto que tira o público dessa aceleração e o embala num outro ritmo. O mais novo lançamento da Warner Bros, que chega nesta quinta-feira aos cinemas (7), no entanto, leva o espectador para esse tipo de jornada. <strong><em>Wonka</em></strong> desacelera a realidade do cotidiano do público para que ele possa mergulhar num universo de possibilidades.</p>
<p>A leveza e doçura do longa-metragem encanta desde seus primeiros minutos com o universo fantástico dos doces e sonhos que virá pela frente. O filme, dirigido por Paul King (<em>As Aventuras de Paddington 1 e 2</em>, respectivamente, de 2014 e 2017), é o tipo de produção que se precisa todo ano para renovar as energias e, especialmente, lembrar ao público o quanto é importante sonhar. O universo de fantasia criado em <strong><em>Wonka</em></strong> vai além do evidente empenho técnico dos departamentos de arte e fotografia. Essa empreitada parece vir de um desejo de preencher corações neste período festivo de fim de ano com a renovação do que há de mais precioso nas pessoas: a capacidade de acreditar.</p>
<p>O roteiro co-escrito por King e Simon Farnaby se inspira no conhecido personagem de Roald Dahl para costurar as canções e ações que guiam a narrativa de <em><strong>Wonka</strong></em>. É inevitável que os dois filmes sobre a <em>Fantástica Fábrica de Chocolate</em> (1971 e 2005) venham à mente, no entanto, é importante se afastar dessas imagens para que se aproveite ao máximo a nova experiência proposta neste longa. Os méritos das produções anteriores não são anulados com isso, é apenas necessário que se esteja aberto a ver esse universo já conhecido pelos olhos dos novos criadores. E, acredite, vale a pena dar uma chance para conhecer a história pregressa de como o mais conhecido <em>chocolatier</em> da literatura se tornou o famoso Willy Wonka.</p>
<p>Todos já conhecem a história da Fantástica Fábrica de Chocolate, mas está na hora de conhecer como Willy Wonka se tornou o maior criador de chocolates do mundo. Para isso, é preciso observar os primeiros momentos de sua carreira, enquanto ele começou a vender seus criativos e mágicos chocolates. Wonka (interpretado por Timothée Chalamet) precisará da ajuda e confiança de seus amigos, especialmente da jovem Noodles (interpretada por Calah Lane), para enfrentar o Cartel do Chocolate (interpretados por Paterson Joseph, Matt Lucas e Mathew Baynton) e enfim mostrar ao mundo do que é feito o seu sonho.</p>
<figure id="attachment_17543" aria-describedby="caption-attachment-17543" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-17543" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-750x500.jpg" alt="Wonka (2023)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3.jpg 1080w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17543" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet em cena de &#8216;Wonka (2023)&#8217; / Divulgação</figcaption></figure>
<p>Através de uma roupagem fantasiosa e repleta de canções, <strong><em>Wonka</em></strong> embala o público numa jornada doce e encantadora. A fantasia está representada em sua forma mais pura: através da imaginação e crença de uma mente infantil. Ainda que Willy não seja tão novo assim, suas intenções e desejos carregam a pureza da infância na tentativa de aproximar o espectador desse universo fantástico e musical que guia o longa. Essa união de forças e de gêneros cinematográficos resultam numa história divertida, leve, engraçada e carregada de afeto, capaz igualmente de emocionar e inspirar o público.</p>
<p>Essa pulsante vontade de gerar o potencial de acreditar em quem assiste parece ser a força motriz do projeto. <strong><em>Wonka</em></strong>, desde sua abertura, é construído com sucessíveis visuais de tirar o fôlego. Essa construção visual, guiada pelo desejo do roteiro de fazer com que o público acredite na fantasia, também é expressa na trilha sonora composta por Joby Talbot e nas canções originais de Neil Hannon. Os números musicais agradarão tanto os fãs de musicais como os espectadores mais resistentes aos mesmos por seu caráter imersivo nos acontecimentos da narrativa e pelo espaçamento entre uma canção e outra.</p>
<p>O projeto como um todo é extremamente coeso em sua missão de gerar encantamento enquanto se cria um espaço para acreditar. O elenco, por exemplo, é um dos principais promotores dessa força em <strong><em>Wonka</em></strong>. Comandados pelo jovem Chalamet (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><em>Duna</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ate-os-ossos/"><em>Até os Ossos</em></a>, de 2023), o restante dos atores e atrizes do filme &#8211; sejam eles mocinhos ou vilões &#8211; dão continuidade à mescla de excentricidade, desconexão da realidade e pureza expressados pela interpretação de Timothée. Vale ainda destacar as contribuições excepcionais de Calah Lane, Paterson Joseph, Keegan-Michael Key (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-super-mario-bros-o-filme/"><em>Super Mario Bros. O Filme</em></a>, de 2023), Tom Davis, Olivia Colman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-favorita/"><em>A Favorita</em></a>, de 2018) e Hugh Grant (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dungeons-dragons/"><em>Dungeons &amp; Dragons: Honra Entre Rebeldes</em></a>, de 2023).</p>
<p><em><strong>Wonka</strong></em> é uma jornada fantástica sobre o que a habilidade de sonhar e acreditar em seus sonhos pode fazer. É um filme que inspira algo sensível e doce no público e é a mensagem que se precisa para encerrar o ano bem. O projeto é a dose certa de excentricidade com o irônico para construir uma história cativante e crível para um dos personagens mais conhecidos da literatura fantástica infantil. Chalamet consegue honrar as interpretações anteriores sem perder de vista a sua própria potencialidade individual. E é essa receita de exageros controlados que fazem de <strong><em>Wonka</em></strong> o filme que muitos duvidaram, mas todos precisávamos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Paul King</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Timothée Chalamet, Calah Lane, Keegan-Michael Key, Paterson Joseph, Matt Lucas, Mathew Baynton, Sally Hawkins, Rowan Atkinson Jim Carter, Tom Davis, Olivia Colman e Hugh Grant</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/8Hpz6B4FODM?si=RmKipqsby6ot3tsd" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Godzilla II: Rei dos Monstros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 May 2019 17:33:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dando continuidade ao projeto da Warner de compor um conjunto de filmes protagonizados por monstros clássicos do cinema &#8211; e que deve culminar num encontro entre Kong e Godzilla -, Godzilla II: Rei dos Monstros é a continuação de Godzilla de 2014. Aparando alguns deslizes do filme anterior e insistindo em aspectos que já se mostraram vacilantes na franquia, o filme recompensa e frustra o espectador em iguais medidas. Dessa vez dirigido por Michael Dougherty, o mesmo de Krampus: O [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dando continuidade ao projeto da Warner de compor um conjunto de filmes protagonizados por monstros clássicos do cinema &#8211; e que deve culminar num encontro entre Kong e Godzilla -, <em><strong>Godzilla II: Rei dos Monstros</strong> </em>é a continuação de <em>Godzilla</em> de 2014. Aparando alguns deslizes do filme anterior e insistindo em aspectos que já se mostraram vacilantes na franquia, o filme recompensa e frustra o espectador em iguais medidas. Dessa vez dirigido por Michael Dougherty, o mesmo de <em>Krampus: O Terror do Natal</em>, o longa finalmente investe no seu propósito, os monstros, mas persiste em entupir sua trama de protagonistas humanos com dramas e personalidades desinteressantes.</p>
<p>O filme tem início nos apresentando a uma família encabeçada pelos personagens de Vera Farmiga e Kyle Chandler, que perdem um de seus filhos no episódio protagonizado por Godzilla no filme de 2014. Em meio ao aparecimento de novas criaturas, a humanidade tenta encontrar formas de estabelecer uma nova ordem a fim de que exista algum tipo de equilíbrio na Terra e Godzilla parece ser peça fundamental para a manutenção de uma certa ordem no planeta.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10625" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/1269019.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/1269019.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/1269019.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/1269019.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O longa de Dougherty mostra-se superior ao filme anterior por assumir-se enquanto filme de monstros e não ter vergonha de ser alicerçado em ambiciosas cenas de lutas entre as criaturas (dessa vez, o Godzilla se depara com três delas). Visualmente, inclusive, todas essas sequências são bastante inspiradas utilizando os poderes dos monstros como lança raios ou chamas coloridas para criar um jogo de cores rico em cada plano.</p>
<p>É uma pena que, assim como o filme de 2014, <em><strong>Godzilla II: Rei dos Monstros</strong></em> insista em rasos dramas familiares. Se antes tínhamos o jovem casal protagonizado por Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen, aqui ficamos com uma família enlutada formada por Farmiga, Chandler e Millie Bobby Brown. O conflito desses personagens é desinteressante pelo &#8220;lugar comum&#8221; de seus propósitos na história, apelando para uma dúzia de clichês de tramas de filmes catástrofes. Entre os humanos, Ken Watanabe revela-se como a figura mais interessante com sua singular relação com o monstro Godzilla e por representar o único elemento forte de cultura oriental presente na história.</p>
<p>Acertando ao não ter medo de exibir a sua criatura e abraçar suas origens (Godzilla é mostrado de corpo inteiro e não vergonhosamente em partes como no anterior), <strong>Godzilla II: Rei dos Monstros</strong> ainda insiste em cacoetes melodramáticos que já deveriam ter sido dispensados. Deve agradar aos fãs do monstro japonês, mais bem que merecia um segundo polimento.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Michael Dougherty<br />
<strong>Elenco:</strong> Kyle Chandler, Vera Farmiga, Millie Bobby Brown, Charles Dance, Ken Watanabe, Ziyi Zhang, Bradley Whitford, Sally Hawkins</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Cve9ouQp0tE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Forma da Água</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jan 2018 21:21:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Forma da Água]]></category>
		<category><![CDATA[Guillermo Del Toro]]></category>
		<category><![CDATA[Octavia Spencer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Normalmente, cineastas com larga reputação no cinema blockbuster como Steven Spielberg ou Christopher Nolan têm que fazer algumas &#8220;concessões&#8221; ou buscar novas chaves de comunicação com o público e preocupações temáticas em seus filmes para serem bem recepcionados no Oscar. Não estou fazendo esta observação com o intuito de alegar que filmes como A Lista de Schindler de 1993 (Spielberg) ou o recente Dunkirk (2017) tenham partido de movimentos calculados dos seus diretores, mas é fato amplamente conhecido que a Academia só costuma reconhecer esses [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Normalmente, cineastas com larga reputação no cinema <i>blockbuster </i>como Steven Spielberg ou Christopher Nolan têm que fazer algumas &#8220;concessões&#8221; ou buscar novas chaves de comunicação com o público e preocupações temáticas em seus filmes para serem bem recepcionados no Oscar. Não estou fazendo esta observação com o intuito de alegar que filmes como <i>A Lista de Schindler </i>de 1993 (Spielberg) ou o recente <i>Dunkirk (</i>2017) tenham partido de movimentos calculados dos seus diretores, mas é fato amplamente conhecido que a Academia só costuma reconhecer esses cineastas quando eles saem do fantástico. Não foi o caso de Guillermo Del Toro com <i>A Forma da Água. </i>Ainda que o realizador de filmes como <i>O Labirinto do Fauno</i>, <i>A Espinha do Diabo </i>e <i>Hellboy</i> traga em seu novo filme referências ao cinema canonizado e flerte com alguns gêneros bem queridos pela Academia (drama, musical, espionagem, romance etc), del Toro não teve que realizar um movimento de 180º para fazer com que <i>A Forma da Água </i>conquistasse o número de indicações ao Oscar que conseguiu, 13 no total.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">É certo que o filme &#8220;conversa&#8221; com preocupações do nosso tempo ao trazer pra dentro da sua história um evidente embate entre personagens oprimidos socialmente (uma muda, um homossexual, uma negra e um estrangeiro) contra um grande vilão americano. É um cinema da era Trump, como alguns têm dito. Contudo, também é louvável que del Toro consiga fazer isso com um tipo de cinema que sempre fez.  <i>A Forma da Água </i>funciona dentro dos termos no qual a obra do cineasta sempre operou, sendo até mais coerente com sua filmografia pregressa do que o <i>blockbuster Círculo de Fogo</i> que dirigiu em 2013, por exemplo. <i>A Forma da Água </i>recepciona elementos do horror, romance, conto de fadas, espionagem e musicais porque sua história centrada na relação entre uma faxineira muda de um laboratório americano e um monstro marinho acaba ocasionalmente solicitando elementos desses gêneros, como na cena em que a protagonista consegue expressar fantasiosamente seus sentimentos pela criatura através de um grande número musical da era de ouro de Hollywood ou no constante (e necessário) clima de conspiração propiciado por uma trama de espionagem da Guerra Fria que atravessa a história central do filme, e tudo é muito natural, orgânico&#8230; Ainda assim, é interessante notar como <i>A Forma da Água </i>tem semelhanças e sustentações muito sólidas na filmografia do seu próprio cineasta. O filme surge como um movimento natural na sua carreira, não como um desvio completo.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O filme se passa na década de 1960 e traz um grande e secreto laboratório americano que recebe em suas instalações uma criatura marinha objeto de estudos e experimentos do governo americano. Uma das faxineiras do local, a muda Elisa (Sally Hawkins, de <i>Blue Jasmine</i>), começa a se afeiçoar pela criatura e passa a estabelecer uma relação de muita cumplicidade com ela. Ao perceber que o monstro passa a ser vítima de maus tratos por homens mal intencionados, Elisa arquiteta um plano junto com seus amigos para tirar a criatura do laboratório e devolvê-la a seu <i>habitat</i> natural.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8651" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/01/The-Shape-of-water.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Sustentado na habilidade com que Guillermo del Toro transita entre a poesia cinematográfica e o bizarro universo dos seus personagens através da estranha hipótese de um relacionamento entre uma mulher e um monstro aquático, <i>A Forma da Água</i> é um longa capaz de oferecer ao espectador sensações muito díspares em questão de segundos. Trazendo como preocupação um olhar para excluídos sociais e a maneira que todos encontram de burlar os esquemas orquestrados por um vilão interpretado por Michael Shannon (<i>Animais Noturnos</i>), uma representação propositalmente estereotipada de um americano médio (machista, cheio de complexos e recalques), o longa de del Toro quer, no fundo, abordar o desejo que todos nós temos de sermos aceitos socialmente.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Os atores brilham nesse filme, talvez mais do que em nenhum outro exemplar da carreira de del Toro. Sally Hawkins consegue ser a alma do filme ao interpretar uma mulher que pela sua deficiência física e por conseguir se relacionar com pouquíssimas pessoas vive boa parte do tempo na solidão. Hawkins constrói um gradual desabrochar dessa heroína na medida em que a mesma se descobre como mulher e se sente parte do mundo ao encontrar alguém que se comunica como ela  &#8211; e como é interessante ver uma mulher como Hawkins, uma atriz bem distante do padrão de beleza hollywoodiano, ser sexualizada e não erotizada com o seu corpo nu em cena. A atriz tem ótimos coadjuvantes, como Richard Jenkins, que interpreta o melhor amigo da protagonista, um homossexual que enfrenta a dificuldade de se relacionar afetivamente na maturidade, a colega de trabalho vivida pela sempre divertida Octavia Spencer ou ainda o cientista infiltrado interpretado pelo versátil Michael Stuhlbarg.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Ao transitar pelas diversas possibilidades de comunicação da sua história, Guillermo del Toro pode até não fazer um filme perfeito, mas chega perto e conquista o espectador com uma jornada bem construída para a sua protagonista e com o desempenho exemplar do seu talentoso elenco. <i>A Forma da Água </i>é exemplo de como a fantasia tem muito a dizer sobre a realidade ao apontar para uma série de possíveis leituras contemporâneas da sociedade no nosso tempo. Numa época em que as pessoas parecem buscar uma involução da humanidade com uma crescente intolerância e violência (física e verbal), uma história sobre pessoas à margem da sociedade lutando contra os mecanismos ciclicamente criados para tolher direitos consegue encontrar uma potência comunicativa fora dos estratagemas do realismo. É mágica que nos conecta à realidade e nos faz olhar para aquilo que nos faz seres humanos: a capacidade de dar, acolher e retribuir afeto.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/-DTVuQTZr3E" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Guia Oscar 2014: Atrizes Coadjuvantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2014 19:42:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jennifer Lawrence &#8211; Trapaça Atual queridinha de Hollywood, Jennifer Lawrence foi o grande nome da indústria em 2013: ganhou um Oscar de melhor atriz por O Lado Bom da Vida no início do ano e conseguiu levar Jogos Vorazes: Em Chamas ao topo das bilheterias como o primeiro filme em anos protagonizado por uma mulher a conseguir tal façanha. Trapaça foi a cereja do bolo de Jennifer no final do ano passado. Em um filme com uma constelação de estrelas e novamente dirigida por David O. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/american-hustle-jennifer-lawrence.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-213 aligncenter" alt="american-hustle-jennifer-lawrence" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/american-hustle-jennifer-lawrence-620x387.jpg" width="620" height="387" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Jennifer Lawrence &#8211; </strong><em>Trapaça</em></p>
<p>Atual queridinha de Hollywood, Jennifer Lawrence foi o grande nome da indústria em 2013: ganhou um Oscar de melhor atriz por <em>O Lado Bom da Vida </em>no início do ano e conseguiu levar <em>Jogos Vorazes: Em Chamas </em>ao topo das bilheterias como o primeiro filme em anos protagonizado por uma mulher a conseguir tal façanha. <em>Trapaça</em> foi a cereja do bolo de Jennifer no final do ano passado. Em um filme com uma constelação de estrelas e novamente dirigida por David O. Russell (o diretor de <em>O Lado Bom da Vida</em>), Lawrence praticamente rouba a cena na pele da instável Rosalyn. Não fosse sua vitória no ano passado, talvez vencesse fácil a estatueta pelo filme. Contudo, não fiquem surpresos se Lawrence levar a melhor, esse é o momento dela.</p>
<p><strong>Vitórias anteriores:</strong> Melhor atriz por <em>O Lado Bom da Vida</em> (2013)</p>
<p><strong>Indicações anteriores: </strong>Melhor atriz por <em>Inverno da Alma </em>(2011)</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/HT_julia_roberts_august_osage_county_lpl_131129_16x9_992.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-214 aligncenter" alt="HT_julia_roberts_august_osage_county_lpl_131129_16x9_992" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/HT_julia_roberts_august_osage_county_lpl_131129_16x9_992-620x348.jpg" width="620" height="348" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Julia Roberts &#8211;</strong> <em>Álbum de Família</em></p>
<p style="text-align: left;">Desde sua vitória em 2001 como melhor atriz por <em>Erin Brokovich &#8211; Uma Mulher de Talento, </em>Julia Roberts não era lembrada pela Academia. Talvez não merecesse tanto assim por trabalhos como <em>Duplicidade </em>e <em>Jogos de Poder</em>. Já por seu desempenho em <em>Álbum de Família</em>, a <em>pretty woman </em>chega com autoridade na temporada. No entanto, por uma daquelas razões curiosas que só as campanhas para o Oscar nos rendem, a atriz foi indicada como coadjuvante quando o seu papel é o verdadeiro fio condutor de toda a trama. Tem boas chances já que sua performance tem rendido comentários mais elogiosos que aqueles conferidos a sua colega de cena, a &#8220;incontestável&#8221; Meryl Streep, mas terá que encontrar espaço no duelo Lawrence X Nyong&#8217;o, que polarizou as demais premiações da temporada.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Vitórias anteriores: </strong>Melhor atriz por <em>Erin Brokovich &#8211; Uma Mulher de Talento </em>(2001)</p>
<p><strong>Indicações anteriores: </strong>Melhor atriz por <em>Uma Linda Mulher </em>(1992), melhor atriz coadjuvante por <em>Flores de Aço </em>(1990)</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/june-squibb-nebraska.jpg-w620.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-215 aligncenter" alt="NEBRASKA" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/june-squibb-nebraska.jpg-w620-620x348.jpg" width="620" height="348" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>June Squibb</strong> &#8211; <em>Nebraska</em></p>
<p style="text-align: left;">Squibb é um daquelas veteranas que enfim ganham um reconhecimento em sua carreira com uma indicação ao Oscar. Cria do circuito off-Broadway, a atriz já esteve em filmes <em>A Época da Inocência</em>, <em>Perfume de Mulher </em>e <em>Encontro Marcado</em>. <em>Nebraska </em>é seu reencontro com o diretor Alexander Payne, que a dirigiu em <em>As Confissões de Schimidt</em>. A indicação em si já é um reconhecimento para Squibb, que vem conquistando a crítica desde o Festival de Cannes por sua interpretação nessa fita.  Tem poucas chances de levar o prêmios, mas está na disputa.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Vitórias anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Indicações anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/Lupita-Nyong-o-12-Years-a-Slave-size-620.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-216 aligncenter" alt="Lupita-Nyong-o-12-Years-a-Slave-size-620" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/Lupita-Nyong-o-12-Years-a-Slave-size-620.jpg" width="620" height="349" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Lupita Nyong&#8217;o</strong> &#8211; <em>12 Anos de Escravidão</em></p>
<p style="text-align: left;">Na batalha travada entre <em>Gravidade</em>, <em>12 Anos de Escravidão </em>e <em>Trapaça </em>pelas principais estatuetas, Lupita Nyong&#8217;o é a voz do seu filme com seus discursos em  premiações prévias. Com as sucessivas derrotas de seus colegas de cena Chiwetel Ejiofor e Michael Fassbender , a atriz teve a oportunidade de emocionar muitos votantes com seus discursos sobre a experiência transformadora e única que foi participar de <em>12 Anos de Escravidão</em>.  Nyong&#8217;o é a grande a favorita ao prêmio em sua estreia em longa metragens e pode prenunciar uma &#8220;chuva&#8221; de prêmios para <em>12 Anos de Escravidão</em>.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Vitórias anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Indicações anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/sally-hawkins-blue-jasmine.jpg-w1000h562crop1.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-217 aligncenter" alt="sally-hawkins-blue-jasmine.jpg w=1000&amp;h=562&amp;crop=1" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/sally-hawkins-blue-jasmine.jpg-w1000h562crop1-620x348.jpg" width="620" height="348" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Sally Hawkins</strong> &#8211; <em>Blue Jasmine</em></p>
<p style="text-align: left;">A Academia deve uma indicação a Sally Hawkins desde <em>Simplesmente Feliz</em>, de 2008, pelo qual, contrariando expectativas, foi esnobada na lista final das melhores atrizes do ano. A participação de Hawkins no novo filme de Woody Allen não chegou nem a ser especulada como uma das favoritas a estarem presentes na relação de indicadas, sobretudo porque os holofotes estavam todos voltados para sua parceira de cena Cate Blanchett, indicada a melhor atriz, mas também porque existiam outras candidatas que pareciam mais fortes como Oprah Winfrey, de <em>O Mordomo da Casa Branca</em>. É provável que não vença, mas sua presença na lista como a desencanada Ginger de <em>Blue Jasmine </em>é um bônus e uma reparação na sua carreira.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Vitórias anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Indicações anteriores: </strong>&#8211;</p>
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