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	<title>Arquivos Sadie Sink - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Sadie Sink - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: A Baleia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Mar 2023 22:55:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Baleia é um dos longas indicados ao Oscar 2023 e o favorito para ganhar a categoria de Melhor Ator pela atuação primorosa de Brendan Fraser (A Múmia). E já aviso logo aqui que esse não é o tipo de filme que agrada todo mundo, nem que deve ser visto por todo mundo. Isso porque a temática extremamente pesada da produção pode despertar uma série de gatilhos em alguns espectadores. É preciso estar atento a isso, antes de entrar na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>A Baleia</strong></em> é um dos longas indicados ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/saiu-a-lista-de-indicados-ao-oscar-2023-confira/"><em>Oscar 2023</em></a> e o favorito para ganhar a categoria de Melhor Ator pela atuação primorosa de Brendan Fraser (<em>A Múmia</em>). E já aviso logo aqui que esse não é o tipo de filme que agrada todo mundo, nem que deve ser visto por todo mundo. Isso porque a temática extremamente pesada da produção pode despertar uma série de gatilhos em alguns espectadores. É preciso estar atento a isso, antes de entrar na sala da cinema.</p>
<p>O diretor Darren Aronofsky (<em>Cisne Negro</em>) traz para o cinema o roteiro de uma peça de teatro homônima e conta com o suporte do dramaturgo Samuel D. Hunter, que assina o roteiro e também foi o criador da produção teatral. Então já podemos imaginar que este é um filme de poucos cenários e muita troca de falas. Ainda assim, isso é uma composição da própria situação do personagem e suas limitações da rotina do dia a dia.</p>
<p>Acompanhamos Charlie (Fraser), um professor de literatura inglesa que vive na reclusão de sua casa por conta do quadro de obesidade severa. Ele apresenta várias patologias associadas e conta com a ajuda da amiga Liz (Hong Chau, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-menu/"><em>O Menu</em></a>), uma enfermeira, para cuidar minimamente de sua saúde, já que ele afirma não ter dinheiro para ir ao hospital. O filme já começa com o desespero de um quase infarto por conta de uma atividade comum, algo que já é muito difícil para ele.</p>
<p>Rapidamente percebemos, em <strong><em>A Baleia</em></strong>, que estamos acompanhando os últimos dias de sua vida, algo que ele demonstra não se importar. A forma como Charlie se acalma através da leitura (que descobrimos ao final do que se trata), mostra que ele ainda tem algum lampejo de gosto pela vida. Nos demais momentos, é a decadência da vontade de viver que o move diariamente aos hábitos totalmente contrários à sua saúde.</p>
<p>Enclausurado, o filme faz questão de passar essa sensação para o espectador. Falta iluminação natural, o tempo é sempre chuvoso, ele está sempre meio suado. É uma percepção de abafamento e angústia que nos preenche, exatamente tal qual acontece com o protagonista. Aronofsky é muito certeiro nesta criação real. Para o bem e para o mal, vamos sentindo as emoções do personagem e mergulhando na dor de privação dele.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16478" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/2577455.jpg" alt="A Baleia" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/2577455.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/2577455-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/2577455-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/2577455-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É um filme extremamente depressivo que trata de suicídio, desistência, morte, angústia, decepção, entre outras temáticas bem difíceis. Então, é bastante possível que o espectador caia em um ou mais gatilhos. Por isso, recomendo fortemente que só assista se estiver num bom dia pois, se assim não for, pode acabar te levando para um lugar obscuro.</p>
<p>Dado o alerta, voltamos ao filme em si. Brendan dá absolutamente tudo de si na atuação. Ele varia entre todas emoções que seu personagem solicita, sem parecer que está atuando efetivamente. É um dor que vem de sua alma e que ele consegue transmitir perfeitamente ao espectador. Confirmo que ele é o favorito ao Oscar deste ano e acrescento que será extremamente decepcionante se não ganhar. Sua performance está irretocável!</p>
<p>A inserção da filha de Charlie, Ellie (Sadie Sink, <em>Stranger Things</em>) só comprova os caminhos que o levaram até ali. Ele é um homem que carrega muitas dores e culpas, algo que o consumiu ao longo de anos, o levando até aquele estado. Ele come para engolir as emoções e tentar se sufocar com elas. Essa é a sensação que temos a todo momento e que comprovamos no final. O suicídio pela comida o coloca no lado oposto do que aconteceu com seu companheiro, como se o protagonista o desafiasse na morte.</p>
<p>Ainda que algumas pessoas possam ter a percepção de que <strong><em>A Baleia</em></strong> é um filme que trata da obesidade com um olhar muito enviesado, acredito que várias leituras podem ser feitas. Do meu lado, entender os caminhos que o levaram até ali, humanizar o personagem e suas dores, assim como tirar o elemento &#8220;vilão&#8221; da narrativa, faz com que sejam possíveis reflexões importantes sobre a temática.</p>
<p>Aronofsky nos presenteia, mais uma vez, com um longa difícil de engolir, mas não por sua qualidade, que considero excelente. Mas por tocar em pontos que claramente não queremos pensar no dia a dia. Além disso, ele consegue ainda dar algumas alfinetadas no sistema de saúde estadunidense, assim como nos preconceitos enraizados na sociedade sobre as pessoas fora do padrão que precisam de ajuda e atenção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Darren Aronofsky</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Brendan Fraser, Sadie Sink, Samantha Morton, Ty Simpkins, Hong Chau</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/vqi1OuxQtJ8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Rua do Medo: 1978 – Parte 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Jul 2021 15:16:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Rua do Medo: 1978 - parte 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após os eventos acontecidos na primeira parte de Rua do Medo, o espectador é levado para uma história pregressa, para o ano 1978. A data marca, dentro deste universo ficcional, a chacina acontecida no acampamento de Nightwing. Shadyside é uma cidade marcada por assassinatos trágicos, que ocorrem de geração em geração, desde 1666. Então, dentre as várias épocas selecionadas, por que escolher juntamente retornar para 1978? A resposta inicial para esta pergunta é simples: este é o tempo que mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Após os eventos acontecidos na primeira parte de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rua-do-medo-1994-parte-1/"><em>Rua do Medo</em></a>, o espectador é levado para uma história pregressa, para o ano 1978. A data marca, dentro deste universo ficcional, a chacina acontecida no acampamento de Nightwing. Shadyside é uma cidade marcada por assassinatos trágicos, que ocorrem de geração em geração, desde 1666. Então, dentre as várias épocas selecionadas, por que escolher juntamente retornar para 1978? A resposta inicial para esta pergunta é simples: este é o tempo que mais possuem pessoas vivas na adolescência de Deena (Kiana Madeira) e que podem ajudar a resolver o seu conflito central.</p>
<p>Como fora visto em 1994, foi nos final dos anos 1970, que uma única pessoa sobreviveu: C. Berman (Gillian Jacobs). Ela é a aparente chave para Deena, protagonista do longa-metragem anterior, que vai começar a juntar as peças para desvendar o mistério Sarah Fier, bruxa que amaldiçoou o local onde ela mora. Ainda que a continuação da trilogia possua alguns dos mesmos incômodos de seu anterior – como o exagero da serialização, desconectando-o de uma linguagem própria cinematográfica, por assim dizer –, alguns avanços são alcançados aqui.</p>
<p>A começar pela ambientação temporal. Mesmo não buscando um retrato tão fiel dos anos 1970, <em><strong>Rua do Medo: 1978 – Parte 2</strong></em> vai além das canções e propõe uma atmosfera das obras de terror setentistas. Com uma coragem mais intensa em apostar no gore, é possível notar referências em sua estilística, como <em>O Massacre da Serra Elétrica</em> (1974),<em> Carrie – A estranha</em> (1976) e <em>Halloween</em> (1978). Os elementos do slasher continuam aqui também: a presença da final girl, a morte com dilaceração, um assassino mascarado que carrega uma faca etc. Leigh Janiak demonstra um desejo de celebração do gênero através destas marcas de estilo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14332" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/33cf8447980cf4dfc9c53aa0a354b856.jpg" alt="Rua do Medo: 1978 – Parte 2" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/33cf8447980cf4dfc9c53aa0a354b856.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/33cf8447980cf4dfc9c53aa0a354b856-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/33cf8447980cf4dfc9c53aa0a354b856-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/33cf8447980cf4dfc9c53aa0a354b856-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Contudo, o mais curioso de observar aqui é a tentativa genuína de avançar em algumas perspectivas costumeiras do subgênero, indo para além dos clássicos e subvertendo a lógica presente neles. Durante toda a projeção, o público é levado a pensar que C. Berman é Cindy (Emily Rudd), irmã de Ziggy (Sadie Sink). No entanto, não é isto que ocorre no enredo. Com um plot twist, já no final da sessão, quem assiste é pego de surpresa. A partir de estratégias como esta, a atmosfera de tensão é fomentada, quebrando certa barreira dos limites de que vai surgir na tela e de quem vai  ser o próximo morto. Desta forma, o roteiro apresenta soluções e encaminhamentos que o deixam divertido e menos óbvio .</p>
<p>Além disto, ainda que a aposta em <em><strong>Rua do Medo: 1978 – Parte 2 </strong></em>seja trazer um filme mais gráfico, que investe também em uma quantidade superior de <em>jump scares</em>, há espaço para a construção das relações. Enquanto o clima do acampamento passa de solar e de cores quentes para sombrio, com sangue espalhado por todo canto, a trama trabalha o envolvimento de Ziggy com o morador de Sunnyside, Nick Goode (Brandon Spink) – que, em 1994, é visto como delegado. A parceria da dupla possui organicidade e uma delicadeza de uma paixão juvenil.</p>
<p>A maneira como a relação do casal é imbricada com a narrativa geral também chama atenção. Entre as distrações das emoções, aparentemente, genuínas entre eles, alguns mistérios são dissolvidos ou expandidos a partir da interação dos dois. Ao mesmo tempo, Ziggy e a irmã Cindy também ganham terreno para transformar o relacionamento delas e, ainda, impulsionar as motivações futuras de Ziggy, impactando no resultado direto da premissa e desenlace de 1666, terceira parte de <em>Rua do Medo</em>. Por fim, 1978 consegue escapar de um perigo que poderia ser esperado aqui.</p>
<p>Com novas personagens e contextos sendo postos, mas com a missão de dar continuidade ao conteúdo total da trilogia, o longa não cai em uma confusão provável de aparecer quando há muito para se contar e resolver. Em menos de duas horas, <em><strong>Rua do Medo: 1978 – Parte 2</strong></em> dá conta de imprimir uma ambientação própria, evocar o problema da vez e não perder de vista o todo. A única questão que fica no meio do caminho é esta necessidade de ser um seriado, com <em>previously</em> e <em>cliffhanger</em>, algo que destoa do seu formato dentro do audiovisual, porém que aqui não compromete a qualidade geral. Ainda assim, ele ganharia mais como um material unitário, sem as interrupções que fazem recordar a todo instante que se trata de uma produção aberta, que ainda não foi finalizada, reduzindo ela a uma simples meiota.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Leigh Janiak</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Sadie Sink, Emily Rudd, Kiana Madeira</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/uohgm0__5Es" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Eli</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Oct 2019 15:49:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;A testemunha falsa não ficará sem castigo, e aquele que despeja mentiras perecerá (Provérbios 19:9)&#8221;.  Provavelmente esta frase colada no outdoor que aparece nos dez primeiros minutos de Eli tenha passado desapercebida por muitos. Outra curiosidade que talvez passe batida é que o nome do protagonista significa &#8220;elevadíssimo&#8221;, de origem hebraica e associado ao deus grego do Sol, Hélio. Primeiramente, a trama de Eli parece simples. O menino que carrega o título do filme (Charlie Shotwell, Capitão Fantástico) possui uma rara doença autoimune, fazendo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;A testemunha falsa não ficará sem castigo, e aquele que despeja mentiras perecerá (Provérbios 19:9)&#8221;</em>.  Provavelmente esta frase colada no <em>outdoor</em> que aparece nos dez primeiros minutos de <strong>Eli </strong>tenha passado desapercebida por muitos. Outra curiosidade que talvez passe batida é que o nome do protagonista significa &#8220;elevadíssimo&#8221;, de origem hebraica e associado ao deus grego do Sol, Hélio.</p>
<p>Primeiramente, a trama de <strong>Eli </strong>parece simples. O menino que carrega o título do filme (Charlie Shotwell, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-capitao-fantastico/?utm_source=rss&amp;utm_medium=rss"><em>Capitão Fantástico</em></a>) possui uma rara doença autoimune, fazendo ele queimar ao entrar em contato com o ar o Sol — não fica muito claro o que é exatamente. Por isso, sua maior parte da vida é dentro de casa e, quando precisa sair, usa um uniforme quase de astronauta. Entretanto, sua mãe, Rose (Kelly Reilly, <em>Sherlock Holmes</em>), e o pai, Paul (Max Martini, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cinquenta-tons-de-cinza/"><em>Cinquenta Tons de Cinza</em></a>), decidem levá-lo para um tratamento alternativo em uma casa isolada com a Dra. Horn (Lili Taylor, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-freira/"><em>A Freira</em></a>). Assim, à medida que seu tratamento avança, Eli começa a ver coisas bem estranhas.</p>
<p>Certamente, o que salva o longa dirigido por Ciarán Foy (<em>A Entidade 2</em>) de ser mais um terror genérico é a virada surpreendente em seu rumo. Neste sentido, o roteiro coescrito por Chirchirillo, Naing e Goldberg consegue desviar a atenção do espectador eficientemente, apesar das pequenas dicas dadas. De resto, <strong>Eli </strong>é apenas um exercício de gênero funcional, com seus <em>jumpscares </em>ocasionais e um crescente clima de paranoia. Assim como a criança, o espectador se vê confuso em relação ao que é real ou não, sendo esta ambiguidade marcada principalmente pela misteriosa figura de Haley (Sadie Sink, <em>Stranger Things</em>), que conversa com o rapaz pelo vidro da casa.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11645" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Eli1.jpg" alt="Eli" width="674" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Eli1.jpg 674w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Eli1-610x453.jpg 610w" sizes="(max-width: 674px) 100vw, 674px" /></p>
<p>Todavia, este mesmo roteiro possui seus altos e baixos no que se refere a sua lógica interna e as construções de personagens. Visto que não entrarei em território de <em>spoilers</em>, cabe apenas dizer que muitas atitudes pretéritas dos pais soam contraditórias uma vez que a narrativa é esclarecida. Além disso, diversas subtramas são flertadas mas jamais assumidas, como a relação conturbada entre Rose e Paul. O diretor Foy tenta ao máximo estabelecer isso de maneira gestual e posicional em sua <em>mise-en-scène,</em> como as mãos que se desentrelaçam e as costas viradas.</p>
<p>Por outro lado, todos os atores estão excelentes em seus papéis. Ainda no início, quando Eli tira o uniforme ao entrar na casa hermeticamente fechada, as emoções dele e da mãe soam genuínas. Tanto a atuação de Shotwell quanto de Reilly passam o peso de como um mísero furo no uniforme do garoto pode ser fatal. Aliás, o ator mirim está excelente, mostrando como é multifacetado, evoluindo de um estado de inocência até a pura loucura. Já a escalação de Max Mardini e Sadie Sink mostram-se um acerto, pois casam perfeitamente nos papéis clichês do pai durão e da garota misteriosa, respectivamente. Similarmente, Lili Taylor abraça o mistério que é a doutora, deixando uma dúvida de suas intenções.</p>
<p>Por fim, <strong>Eli </strong>tem até algo a dizer sobre excessos no cuidado parental e da negação da ciência pela fé, mas nada muito complexo. Com uma tensão baseada nos típicos sustos de alguma coisa aparecendo no reflexo do espelho, é um terror esquecível. No fundo, o que mantém o espectador até o final do filme é a curiosidade sobre o que de fato está acontecendo naquela casa. Assim, somado as fortes atuações, sua inventividade no roteiro permite que esta produção da Netflix não seja um completo desperdício de tempo. Em um momento do filme, Haley chama Eli de Houdini, pois o garoto gosta de brincar de mágica. E no fundo, o diretor Foy é um grande ilusionista também, fazendo com que você olhe para sua mão direita enquanto seu grande truque está na esquerda.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Ciarán Foy</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Charlie Shotwell, Lili Taylor, Max Martini, Sadie Sink, Kelly Reilly</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=qfSTiAw1rkM&amp;w=750&amp;h=500]<br />
&nbsp;</p>
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