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	<title>Arquivos Olivia Colman - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Olivia Colman - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Wonka</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Dec 2023 12:34:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O cinema vive um momento de grandes produções. Seja em orçamento, efeitos especiais, cenas de perseguição ou explosão, há muito que não se vê uma produção que carrega qualidade técnica e narrativa ao mesmo tempo que abraça o espectador. A sétima arte parece estar acompanhando a intensa velocidade da contemporaneidade, deixando de lado esse tipo de projeto que tira o público dessa aceleração e o embala num outro ritmo. O mais novo lançamento da Warner Bros, que chega nesta quinta-feira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema vive um momento de grandes produções. Seja em orçamento, efeitos especiais, cenas de perseguição ou explosão, há muito que não se vê uma produção que carrega qualidade técnica e narrativa ao mesmo tempo que abraça o espectador. A sétima arte parece estar acompanhando a intensa velocidade da contemporaneidade, deixando de lado esse tipo de projeto que tira o público dessa aceleração e o embala num outro ritmo. O mais novo lançamento da Warner Bros, que chega nesta quinta-feira aos cinemas (7), no entanto, leva o espectador para esse tipo de jornada. <strong><em>Wonka</em></strong> desacelera a realidade do cotidiano do público para que ele possa mergulhar num universo de possibilidades.</p>
<p>A leveza e doçura do longa-metragem encanta desde seus primeiros minutos com o universo fantástico dos doces e sonhos que virá pela frente. O filme, dirigido por Paul King (<em>As Aventuras de Paddington 1 e 2</em>, respectivamente, de 2014 e 2017), é o tipo de produção que se precisa todo ano para renovar as energias e, especialmente, lembrar ao público o quanto é importante sonhar. O universo de fantasia criado em <strong><em>Wonka</em></strong> vai além do evidente empenho técnico dos departamentos de arte e fotografia. Essa empreitada parece vir de um desejo de preencher corações neste período festivo de fim de ano com a renovação do que há de mais precioso nas pessoas: a capacidade de acreditar.</p>
<p>O roteiro co-escrito por King e Simon Farnaby se inspira no conhecido personagem de Roald Dahl para costurar as canções e ações que guiam a narrativa de <em><strong>Wonka</strong></em>. É inevitável que os dois filmes sobre a <em>Fantástica Fábrica de Chocolate</em> (1971 e 2005) venham à mente, no entanto, é importante se afastar dessas imagens para que se aproveite ao máximo a nova experiência proposta neste longa. Os méritos das produções anteriores não são anulados com isso, é apenas necessário que se esteja aberto a ver esse universo já conhecido pelos olhos dos novos criadores. E, acredite, vale a pena dar uma chance para conhecer a história pregressa de como o mais conhecido <em>chocolatier</em> da literatura se tornou o famoso Willy Wonka.</p>
<p>Todos já conhecem a história da Fantástica Fábrica de Chocolate, mas está na hora de conhecer como Willy Wonka se tornou o maior criador de chocolates do mundo. Para isso, é preciso observar os primeiros momentos de sua carreira, enquanto ele começou a vender seus criativos e mágicos chocolates. Wonka (interpretado por Timothée Chalamet) precisará da ajuda e confiança de seus amigos, especialmente da jovem Noodles (interpretada por Calah Lane), para enfrentar o Cartel do Chocolate (interpretados por Paterson Joseph, Matt Lucas e Mathew Baynton) e enfim mostrar ao mundo do que é feito o seu sonho.</p>
<figure id="attachment_17543" aria-describedby="caption-attachment-17543" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-17543" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-750x500.jpg" alt="Wonka (2023)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3.jpg 1080w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17543" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet em cena de &#8216;Wonka (2023)&#8217; / Divulgação</figcaption></figure>
<p>Através de uma roupagem fantasiosa e repleta de canções, <strong><em>Wonka</em></strong> embala o público numa jornada doce e encantadora. A fantasia está representada em sua forma mais pura: através da imaginação e crença de uma mente infantil. Ainda que Willy não seja tão novo assim, suas intenções e desejos carregam a pureza da infância na tentativa de aproximar o espectador desse universo fantástico e musical que guia o longa. Essa união de forças e de gêneros cinematográficos resultam numa história divertida, leve, engraçada e carregada de afeto, capaz igualmente de emocionar e inspirar o público.</p>
<p>Essa pulsante vontade de gerar o potencial de acreditar em quem assiste parece ser a força motriz do projeto. <strong><em>Wonka</em></strong>, desde sua abertura, é construído com sucessíveis visuais de tirar o fôlego. Essa construção visual, guiada pelo desejo do roteiro de fazer com que o público acredite na fantasia, também é expressa na trilha sonora composta por Joby Talbot e nas canções originais de Neil Hannon. Os números musicais agradarão tanto os fãs de musicais como os espectadores mais resistentes aos mesmos por seu caráter imersivo nos acontecimentos da narrativa e pelo espaçamento entre uma canção e outra.</p>
<p>O projeto como um todo é extremamente coeso em sua missão de gerar encantamento enquanto se cria um espaço para acreditar. O elenco, por exemplo, é um dos principais promotores dessa força em <strong><em>Wonka</em></strong>. Comandados pelo jovem Chalamet (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><em>Duna</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ate-os-ossos/"><em>Até os Ossos</em></a>, de 2023), o restante dos atores e atrizes do filme &#8211; sejam eles mocinhos ou vilões &#8211; dão continuidade à mescla de excentricidade, desconexão da realidade e pureza expressados pela interpretação de Timothée. Vale ainda destacar as contribuições excepcionais de Calah Lane, Paterson Joseph, Keegan-Michael Key (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-super-mario-bros-o-filme/"><em>Super Mario Bros. O Filme</em></a>, de 2023), Tom Davis, Olivia Colman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-favorita/"><em>A Favorita</em></a>, de 2018) e Hugh Grant (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dungeons-dragons/"><em>Dungeons &amp; Dragons: Honra Entre Rebeldes</em></a>, de 2023).</p>
<p><em><strong>Wonka</strong></em> é uma jornada fantástica sobre o que a habilidade de sonhar e acreditar em seus sonhos pode fazer. É um filme que inspira algo sensível e doce no público e é a mensagem que se precisa para encerrar o ano bem. O projeto é a dose certa de excentricidade com o irônico para construir uma história cativante e crível para um dos personagens mais conhecidos da literatura fantástica infantil. Chalamet consegue honrar as interpretações anteriores sem perder de vista a sua própria potencialidade individual. E é essa receita de exageros controlados que fazem de <strong><em>Wonka</em></strong> o filme que muitos duvidaram, mas todos precisávamos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Paul King</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Timothée Chalamet, Calah Lane, Keegan-Michael Key, Paterson Joseph, Matt Lucas, Mathew Baynton, Sally Hawkins, Rowan Atkinson Jim Carter, Tom Davis, Olivia Colman e Hugh Grant</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/8Hpz6B4FODM?si=RmKipqsby6ot3tsd" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Filha Perdida (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jan 2022 19:47:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua estreia na direção de longas-metragens, Maggie Gyllenhaal (Feito em Casa) convida os espectadores a entrarem em um mundo ficcional de narrativa não linear e que transmite sensações múltiplas e complexas. É possível dizer que A Filha Perdida trata sobre diversos temas. Ela é uma produção sobre maternidade, sobre um peso específico que as mulheres cis carregam, sobre as relações humanas ou tudo isto junto também. É preciso encarar, no entanto, que esta não é uma obra fácil. Mas, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em sua estreia na direção de longas-metragens, Maggie Gyllenhaal (<em>Feito em Casa</em>) convida os espectadores a entrarem em um mundo ficcional de narrativa não linear e que transmite sensações múltiplas e complexas. É possível dizer que<strong><em> A Filha Perdida</em></strong> trata sobre diversos temas. Ela é uma produção sobre maternidade, sobre um peso específico que as mulheres cis carregam, sobre as relações humanas ou tudo isto junto também. É preciso encarar, no entanto, que esta não é uma obra fácil.</p>
<p>Mas, em que sentido especificamente? Adaptação da obra homônima de Elena Ferrante – feita pela própria Gyllenhaal –, há aqui uma atmosfera desconfortável criada, seja como consequência da decupagem ou por marcas imagéticas simbólicas. A começar pela seleção de planos extremamente fechados, com câmera na mão, que passam esta impressão de sufocamento vivido pelas personagens e, principalmente, por sua protagonista, Leda (Olivia Colman/Jessie Buckley).</p>
<p>A iluminação fomenta a sensação de aprisionamento presente naquele contexto mostrado e  se enxerga mais do que as cercam do que elas mesmo.  Não há luz alguma em seus rostos, nestes closes completamente fechados, por exemplo Imediatamente depois, Gyllenhaal abre o quadro para o geral e é possível ver com mais nitidez o que esta acontecendo na cena.</p>
<p>Esta estratégia parece pensada para causar este impacto entre o que há de interno e externo nas personagens e a dinâmica se mantém até o desfecho da projeção, aumentando o potencial das metáforas e significados passados na tela. Outro ponto destacável é a presença de elementos que podem criar certa repulsa, como as frutas podres ou o inseto que está no travesseiro de Leda.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15021" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/a-filha-perdida-netflix-0122-1400x800_6.jpg" alt="A Filha Perdida" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/a-filha-perdida-netflix-0122-1400x800_6.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/a-filha-perdida-netflix-0122-1400x800_6-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/a-filha-perdida-netflix-0122-1400x800_6-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/a-filha-perdida-netflix-0122-1400x800_6-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Este fator, juntamente com as seleções da direção, constroem um filme de terror em cada minuto de exibição, inclusive desde o seu início, quando Leda é colocada em uma situação de perigo intenso. A linguagem do gênero, combinada ao drama vivenciado por Leda, seja no presente ou no passado, complexificam a estrutura do enredo e criam uma suspensão durante a sessão.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que há esta elaboração de suspense e medo do que está por vir na vida de Leda, as emoções dela e de seus coadjuvantes vão sendo exploradas. Existe um tempo para que as ações ocorram. Os olhares, gestos e movimentações dos intérpretes são investigados pela câmera que, mesmo em movimento, revela os sentimentos plurais de cada figura posta ali. O trabalho do elenco contribui ainda mais para esta característica, principalmente os das atrizes Olivia Colman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-meu-pai/"><em>Meu Pai</em></a>), Jessie Bluckey (<em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em>) e Dakota Johnson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cinquenta-tons-de-cinza/"><em>50 Tons de Cinza</em></a>).</p>
<p>Há todo um foco em emitir mais sentido no silêncio aqui. Desta maneira, as respirações e olhares são utilizados de forma meticulosa. O texto falado, em diversas sequências, é dito quase casualmente, pois são as expressões faciais que contam direta e fortemente o que estas mulheres estão pensando. São nestes detalhes que o longa cria todo um universo repleto de camadas e força.</p>
<p>Talvez, o único incômodo em<em> <strong>A Filha Perdida</strong></em> seja a repetição dos artifícios criados pela direção e pela fotografia. É bem verdade que eles funcionam, porém a partir do final do segundo ato e início do terceiro, a reincidência desta lógica cansa um pouco, pois deixa a trama empacada, girando em círculos. No entanto, o seu desfecho é amarrado, diminuindo o impacto desta demora.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Maggie Gyllenhaal</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Olivia Colman, Dakota Johnson, Jessie Buckley, Ed Harris, Peter Sarsgaard, Dagmara Dominczyk, Paul Mescal</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/8y2Tz6iFetI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 May 2021 14:41:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Escrito e dirigido por Michael Rianda e Jeff Rowe, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas chega ao Brasil, através da distribuição da Netflix. Rianda e Rowe possuem comum a participação na equipe de roteiristas da série animada Gravity Falls. Para quem conhece a produção, este já é um indício em si de que o público poderia encontrar neste novo projeto uma obra que assume riscos e procura ser descolada, jovial e bastante bem humorada. Estas expectativas são, no [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Escrito e dirigido por Michael Rianda e Jeff Rowe, <strong><em>A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</em> </strong>chega ao Brasil, através da distribuição da Netflix. Rianda e Rowe possuem comum a participação na equipe de roteiristas da série animada <em>Gravity Falls</em>. Para quem conhece a produção, este já é um indício em si de que o público poderia encontrar neste novo projeto uma obra que assume riscos e procura ser descolada, jovial e bastante bem humorada. Estas expectativas são, no geral, atendidas aqui. Com quase 2 horas de projeção, há no filme uma dinâmica rítmica eficaz que prende, em grande parte, o espectador no acompanhamento da narrativa, bem como diverte e cria empatia com suas personagens. A questão familiar é um gancho certeiro para causar esta aproximação.</p>
<p>Para que tal intento seja alcançado, algumas estratégias são utilizadas. Estas já aparecem nos primeiros minutos de projeção. Com efeitos visuais que lembram colagens e montagens vistas na internet, na contemporaneidade, a protagonista, Katie (Abbi Jacobson), conta e ilustra quem ela é, como sua família é um tanto disfuncional e que uma espécie de apocalipse está instalado no mundo. O fato de cada membro dos Mitchell possuir um traço característico de personalidade (como a mãe conciliadora, o pai turrão ou a filha nerd) funcionam porque evocam referências reconhecidas, seja aqueles do próprio cotidiano do consumidor ou vindos de outros produtos midiáticos –  ainda que as características sejam meio antiquadas, por serem estereótipos típicos de familiares pautados em padrões normativos da sociedade.</p>
<p>Outros elementos que funcionam são as <em>gags</em> e as tiradas inspiradas em conteúdos vistos em plataformas como <em>Youtube</em> e <em>Tiktok. </em>Elas também dão o tom geral do longa-metragem criando, assim, uma localização imediata para o público de como a personagem principal enxerga o mundo e as pessoas ao seu redor. Este fator, mostrado desde o início da exibição, é importante para cada construção e resolução dos conflitos inseridos do enredo, até o seu desfecho total. Desta maneira, a criação e a manutenção da atmosfera é um dos seus pontos altos. No entanto, vale ressaltar que esta dinâmica acaba por ser cansativa em alguns momentos. O reforço de linguagem quebra as lógicas de velocidade, podendo tornar certos trechos enfadonhos ou óbvios. Um exemplo é a sequência após a ação dentro do shopping.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14071" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CON_klm410.1057_lm_v2-scaled-1.jpg" alt="A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CON_klm410.1057_lm_v2-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CON_klm410.1057_lm_v2-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CON_klm410.1057_lm_v2-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/CON_klm410.1057_lm_v2-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dois fatores contribuem para este esgarçamento. O primeiro é o fato de que um ápice é atingido, seguido de uma queda significativa. Entre a ideia do novo plano, execução dele e o <em>plot twist </em>que ocorre antes do final da trama, a sensação que resta é de que o roteiro tenta enrolar quem assiste, pois o plano B já parecia o A, tornando os caminhos aqui previsíveis. O segundo fator é que, para tentar manter o que fora previamente construído, recursos semelhantes à primeira metade do longa são usados. Contudo, se havia um crescimento exponencial – e, talvez, se existissem mais respiros anteriormente o peso da progressão fosse mais controlado –, ao voltar para instantes parecidos com seu início, tudo soa bastante repetitivo.</p>
<p>No entanto, esta questão não compromete tanto o resultado geral de <em><strong>A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</strong>,</em> porém reduz a sua potencialidade. Isto porque se a sua chave principal é o divertimento, quando o tédio se instala, o seu aparente objetivo é perdido, mesmo que por pouco tempo. Ainda assim, ainda é possível apontar outro aspecto positivo dentro de todo este contexto. As dublagens da versão original são bastante criativas e fomentam o tom da produção. Neste cenário, existem dois destaques de interpretação: Maya Rudolph, como Linda e Olivia Colman, como PAL.</p>
<p>Maya se pauta em buscar as transformações de personalidades todo o incidente causa em Linda, na perspectiva de trabalhar com múltiplos tipos de agudos, desde alegria e reconfortante até assustador e imponente. Já Olivia, se encaminha para o jogar com sarcasmo e ironia, deixando espaço para transmitir certas fragilidades de sua personagem – uma inteligência artificial de telefone, algo como a Siri, da Apple. Apostando, majoritariamente no grave, as quebras tonais, fomentam os momentos de preocupação de PAL. Por estas razões, é notável o esforço de Rianda e Rowe em entregar um projeto criativo, que busca dialogar, principalmente, com a juventude atual. Mesmo que com alguns tropeços, segurando as expectativas, esta pode ser uma sessão agradável.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Michael Rianda e Jeff Rowe</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Abbi Jacobson, Maya Rudolph, Olivia Colman, Danny McBride</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/_8kRAlYnmvU" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-familia-mitchell-e-a-revolta-das-maquinas/">Crítica: A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: Meu Pai</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Apr 2021 21:17:42 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que fazer quando a mente começa a falhar e a dúvida sobre a realidade passa a ser intensa? A partir da perda da lucidez, Anthony (Anthony Hopkins, Dois Papas) começa a se sentir completamente perdido no tempo e espaço, principalmente em relação aos eventos atuais e passados e sobre os sentimentos que a sua família tem por ele.  É com esta premissa que Meu Pai se desenvolve. O longa chega nas plataformas digitais Now, Itunes (Apple TV) e Google [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que fazer quando a mente começa a falhar e a dúvida sobre a realidade passa a ser intensa? A partir da perda da lucidez, Anthony (Anthony Hopkins, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-oscar-2020-melhor-ator/"><em>Dois Papas</em></a>) começa a se sentir completamente perdido no tempo e espaço, principalmente em relação aos eventos atuais e passados e sobre os sentimentos que a sua família tem por ele.  É com esta premissa que <strong><em>Meu Pai</em></strong> se desenvolve. O longa chega nas plataformas digitais Now, Itunes (Apple TV) e Google Play, disponível para compra, a partir do dia 09 de abril. Baseado na peça francesa Le Père, de Florian Zeller (<em>O Que Eu Fiz Para Merecer Isso</em>), aqui, vê-se o autor da obra também na cadeira da direção. Para contar esta história são criadas estratégias eficientes, que fazem com que o espectador se sinta imerso dentro da perspectiva do protagonista.</p>
<p>Enquanto as situações de outrora e do presente parecem confusas para Anthony, elas são entregues da mesma maneira para o público. Elipses temporais e momentos deslocados são evocados na tela. A montagem é certeira ao deixar que as sequências se tornem tão fluidas ao ponto de soarem como uma grande cena única, mas também repleta de fragmentos de memória. Um exemplo é a cena do jantar, quando Anthony chega à sala e escuta uma conversa de sua filha Anne (Olivia Colman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-favorita/"><em>A Favorita</em></a>) e o marido dela, Paul (Rufus Sewell, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-judy-muito-alem-do-arco-iris/"><em>Judy &#8211; Muito Além do Arco-Íris</em></a>).</p>
<p>A ordem cronológica dos acontecimentos é desconstruída e a junção das sequências fomenta esta sensação de Anthony. Isto vem juntamente com outro recurso valioso dentro da narrativa. Com o uso das repetições, sejam elas quase idênticas ou com algumas modificações, os diálogos e movimentações dos intérpretes vão ganhando, cada vez mais, sentidos mais complexos e profundos. Há esta perda da conexão com o presente, sofrida por Anthony, e ela é sentida mais fortemente por quem assiste, como se, paulatinamente, a ausência de saída ficasse estabelecida.</p>
<p>É como se existisse uma revelação das emoções e fluxo de pensamentos de Anthony, mas também uma justificativa para as ações finais de Anne, que fica sem ideias palpáveis para auxiliar o seu pai. A produção imprime, assim, as capacidades e perigos da mente humana, mas, além disso, deixa transparecer como as marcas deixadas pelas relações, presenças e partidas, ainda que tudo esteja fragmentado e desarticulado, são impactantes para as pessoas, mesmo quando tudo se esvai, estes elementos ficam.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13945" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5111136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Meu Pai" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5111136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5111136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5111136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/5111136.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No meio deste discurso, impresso sutil e progressivamente, a decupagem mostra como a direção deseja ser pontual e cuidadosa ao efetuar qualquer tipo de movimentação de câmera. Em ocasiões específicas, são utilizados <em>travellings</em> ou <em>zooms</em>. Geralmente, eles aparecem nos ápices dos conflitos internos e externos de Anthony ou de Anne. Nas incertezas e hesitações, o movimento chega como um respiro de demasia inseguranças da dupla.</p>
<p>Quanto mais os dois se distanciam, pela própria condição do pai, mais os zooms são recorrentes. Anne procura se reconectar com ele, porém vai desconhecendo a figura que está ao seu lado. A mágoa e a insatisfação das personagens são ainda mais tangíveis pelas atuações de Colman e Hopkins. Em seu Anthony, que guarda rancor e certo teor de agressividade, Hopkins constrói o seu papel nos detalhes. Seja nos olhares perdidos ou nas relações táteis com objetos físicos, é preciso observar atentamente o ecrã para conseguir capturar todo o seu trabalho.</p>
<p>O ator mescla fragilidade, angústia e pavor através de tensionamentos e relaxamentos do corpo. As pausas do texto falado e dos gestos são outras ferramentas que elevam a potência do que ele deseja passar. O abandono da razão se configura mais fortemente quando ele evoca esta junção de frases ditas lentamente, enquanto ele se apoia em algum objeto de cena e seus olhos não focam em ninguém da contracena, mas no infinito.</p>
<p>Já Colman é um tanto menos expansiva e escolhe ir para um caminho um pouco mais minimalista. Com uma quantidade de deslocamentos reduzida, a base de Olivia Colman aqui é a elaboração de um corpo cansado e pesado, misturado com os olhares de incredulidade. A sua Anne apresenta um desespero contido e as micro expressões faciais ajudam a passar esta ideia de busca incessante pela quebra deste aprisionamento que Anne vive e seu desejo constante de reencontrar o seu pai que, ainda que esteja presente fisicamente, parece ter desvanecido.</p>
<p>Desta maneira, no geral, pode-se dizer que <em><strong>Meu Pai</strong></em> é um filme inventivo, que insere o espectador na lógica de seu protagonista com eficiência. Ao invés das sensações serem ouvidas, narradas ou vistas de fora, elas são sentidas diretamente, através de uma junção descolada de eventos, emoções e participações.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Florian Zeller</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Anthony Hopkins, Olivia Colman, Rufus Sewell, Imogen Poots, Mark Gatiss</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/yJW4szoZX1U" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial Oscar 2019: Melhor Atriz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Feb 2019 01:38:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>2019 pode ser o ano que consagrará uma das maiores atrizes que o cinema já teve e que nunca levou a estatueta do Oscar. Pode ser o ano também que terá como vencedora da estatueta uma estrela da música pop, seguindo os passos de Cher. Uma inglesa que surge aos holofotes ou uma popular comediante num papel dramático também podem ser as vencedoras da noite. A Academia também pode fazer história dando a estatueta para uma atriz mexicana descendente de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>2019 pode ser o ano que consagrará uma das maiores atrizes que o cinema já teve e que nunca levou a estatueta do Oscar. Pode ser o ano também que terá como vencedora da estatueta uma estrela da música pop, seguindo os passos de Cher. Uma inglesa que surge aos holofotes ou uma popular comediante num papel dramático também podem ser as vencedoras da noite. A Academia também pode fazer história dando a estatueta para uma atriz mexicana descendente de índios. Os cinco nomes que concorrem ao Oscar de melhor atriz em 2019 podem construir uma bela narrativa ao vencer o prêmio. Confira quem são elas e quais as suas chances:</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10010" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/blogib_a-esposa_feat.jpg" alt="Glenn Close" width="610" height="348" /><br />
<strong>Glenn Close, por <em>A Esposa</em></strong></p>
<p style="text-align: center;">Para os que acharam a vitória de Leonardo DiCaprio no Oscar por sua interpretação em <em>O Regresso </em>tardia, há mais de três décadas a veterana Glenn Close espera pelo prêmio. A atriz já foi indicada ao Oscar seis vezes antes de <em>A Esposa</em>, incluindo nessas menções dois de seus desempenhos mais reverenciados, em <em>Atração Fatal</em> de 1987, pelo qual perdeu a estatueta para Cher em <em>O Feitiço da Lua</em>, e <em>Ligações Perigosas </em>de 1988, numa edição do prêmio que deu a vitória para Jodie Foster em <em>Acusados</em>. No drama de Björn Runge, Close interpreta a esposa de um renomado escritor que viaja com o marido para Estocolmo  a fim de prestigiar a cerimônia de entrega do prêmio Nobel de literatura para ele. Gradualmente, essa mulher começa a questionar tudo aquilo que abdicou em nome desse matrimônio. Diferente dos seus desempenhos mais célebres, incluindo a icônica vilã Cruela DeVil de <em>101 Dálmatas</em>, a interpretação da atriz em <em>A Esposa </em>é marcada pela economia, pelas reações de suas personagens aos demais e pelo esboço de reações que contrariam aquilo que ela verdadeiramente sente. É discreto e algo que somente uma atriz do calibre de Close conseguiria transmitir. Tendo vencido o SAG Awards, premiação do sindicato dos atores, o Critic&#8217;s Choice e o Globo de Ouro, podemos dizer que, até o momento, Glenn Close está na dianteira da corrida pelo Oscar de melhor atriz.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10011" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/lady_gaga_nasce_uma_estrela.jpg" alt="Lady Gaga" width="610" height="348" /><br />
<strong>Lady Gaga, por <em>Nasce uma Estrela</em></strong></p>
<p style="text-align: center;">A principal concorrente de Close é Lady Gaga, que, assim como Cher em 1987, pode tirar o favoritismo da veterana. Estreando nos cinemas com a quarta versão para os cinemas de <em>Nasce uma Estrela</em> após vencer o Globo de Ouro de melhor atriz com a 5ª temporada de <em>American Horror Story</em>, Gaga vive Ally, uma personagem que tem paralelos com a própria trajetória da cantora. De revelação, a jovem compositora e cantora é lançada ao estrelato pop após ser descoberta por um músico interpretado por Bradley Cooper. Nessa mesma edição do Oscar, Gaga concorre ao prêmio de melhor canção pelo <em>hit </em>&#8220;Shallow&#8221; e deve levar esse prêmio, o que pode ser uma vitória de consolação na cabeça dos votantes, que se sentiriam desobrigados de premiá-la também como melhor atriz. A questão é que apesar de Close ser veterana na sua arte, não teve um nome mais presente na temporada de prêmios de 2019 que Lady Gaga, que se esforçou ao máximo para promover o seu filme em todas as circunstâncias na qual foi convocada para falar sobre sua experiência em <em>Nasce uma Estrela</em>, que, diferente de <em>A Esposa</em>, concorre ao prêmio de melhor filme. Poderia Gaga repetir o feito de Cher, conseguindo algo que Madonna e Beyoncé não conquistaram?</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10012" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/2228285.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Olivia Colman, <em>A Favorita</em></strong></p>
<p style="text-align: center;">Olivia Colman é daquelas atrizes amadas pelo circuito de festivais de cinema que o grande público finalmente conhece através de um desempenho indicado ao Oscar. Em <em>A Favorita </em>de Yorgos Lanthimos a inglesa interpreta a Rainha Anne, objeto de cobiça de duas mulheres (Rachel Weisz e Emma Stone) que cobiçam o poder através do estreitamento da relação com a monarca. Colman brilha na pele de uma mulher repleta de problemas físicos e emocionais cuja imaturidade era um traço típico dos reis de sua época, que assumiam uma grande responsabilidade, mas tinham pouquíssima experiência para carregá-la. Pelo seu desempenho em <em>A Favorita</em>, Colman venceu o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza, sendo um dos nomes que deu o pontapé na temporada de premiações em agosto de 2018, mês no qual os especuladores do Oscar já começaram a enxergá-la como provável indicada ao prêmio. Dito e feito. Após desempenhos marcantes e premiados como no drama <em>Tiranossauro </em>e participações em filmes como <em>A Dama de Ferro </em>e <em>Chumbo Grosso</em>, finalmente Olivia Colman ganha o destaque que merece. Pode correr por fora na disputa pois venceu os prêmios de melhor atriz em comédia ou musical no Globo de Ouro e no Critic&#8217;s Choice Awards.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10013" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/98522909-18f7-4e6c-8c50-91b3062e77e0-CYEFMMobile.max-2000x2000.jpg" alt="Melissa McCarthy" width="610" height="348" /><br />
<strong>Melissa McCarthy, <em>Poderia me Perdoar?</em></strong></p>
<p style="text-align: center;">Comediante popular em Hollywood, Melissa McCarthy não precisou esperar por um &#8220;drama sério&#8221; para enfim ser reconhecida pela Academia. Logo em 2012, a atriz conseguiu sua primeira indicação ao prêmio como melhor atriz coadjuvante por <em>Missão Madrinha de Casamento</em>, um <em>hit </em>de Paul Feig que a catapultou como um dos nomes mais rentáveis do gênero com longas como <em>A Espiã que Sabia de Menos </em>e <em>As Bem-Armadas. </em>Em <em>Poderia me Perdoar? </em>é que McCarthy exibe uma faceta mais dramática interpretando uma renomada escritora que entra para o mercado da falsificação de artigos para colecionadores de objetos relacionados ao universo das artes. Na pele de Lee Israel, McCarthy dá a complexidade necessária para a personagem, lidando com sua incapacidade de articular-se socialmente, por exemplo. O filme vem num bom momento da carreira da atriz, que, curiosamente, acaba de amargar o fracasso comercial de <em>Crimes em Happytime</em> e <em>Alma da Festa</em>, que lhe renderam indicações ao Framboesa de Ouro de pior atriz nesse mesmo ano do Oscar.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10014" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/2018-12-21-roma.jpg" alt="" width="610" height="348" /><br />
<strong>Yalitza Aparicio, <em>Roma</em></strong></p>
<p style="text-align: center;">A mexicana Yalitza Aparicio estreia no cinema em <em>Roma</em>, um dos grandes destaques do Oscar desse ano. Para muitos que esperavam nomes como Nicole Kidman (<em>O Peso do Passado)</em>, Charlize Theron (<em>Tully</em>) ou Emily Blunt (<em>O Retorno de Mary Poppins</em>) foi uma das surpresas da categoria, principalmente pela atriz ter sido pouco citada em outras premiações como o Critic&#8217;s Choice, Globo de Ouro ou SAG Awards, fortes indicadores do Oscar. No longa, Aparicio interpreta a funcionária doméstica de uma casa de família de classe média no México dos anos de 1970. Por sua indicação ao Oscar, Yalitza tem chamado a atenção no seu país natal, sendo agora cortejada por uma das maiores emissoras de TV, a Televisa, responsável por telenovelas populares aqui no Brasil como <em>Maria do Bairro </em>e <em>A Usurpadora</em>. Aparicio é a segunda mexicana a concorrer ao Oscar de melhor atriz, a primeira foi Salma Hayek por <em>Frida </em>em 2003, e a primeira indígena a estar na categoria. Acredita-se que seja a candidata com menos possibilidade de vitória na lista por ter sido o nome recepcionado com mais surpresa. A presença de Yalitza na lista, todavia, indica que a Academia gosta muito de <em>Roma </em>e que o filme pode ter chances concretas na categoria melhor filme.</p>
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		<title>Crítica: A Favorita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jan 2019 21:36:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Favorita]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Stone]]></category>
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		<category><![CDATA[Olivia Colman]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2019]]></category>
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		<category><![CDATA[Yorgos Lanthimos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aos olhos do cineasta grego Yorgos Lanthimos, A Favorita destaca o jogo de posições aspiradas por Abigail (Emma Stone) e Sarah (Rachel Weisz) na corte da rainha Anne (Olivia Colman) na Inglaterra do século XVIII. Debilitada física e psicologicamente, a monarca se divide entre as atenções que lhes são prestadas pelas duas criadas, que captam a carência emocional da rainha e enxergam nela uma oportunidade de sobreviver numa sociedade que não lhes dá outra alternativa. Bem diferente do filme anterior [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Aos olhos do cineasta grego Yorgos Lanthimos, <strong><em>A Favorita</em></strong> destaca o jogo de posições aspiradas por Abigail (Emma Stone) e Sarah (Rachel Weisz) na corte da rainha Anne (Olivia Colman) na Inglaterra do século XVIII. Debilitada física e psicologicamente, a monarca se divide entre as atenções que lhes são prestadas pelas duas criadas, que captam a carência emocional da rainha e enxergam nela uma oportunidade de sobreviver numa sociedade que não lhes dá outra alternativa.</p>
<p>Bem diferente do filme anterior do diretor (<em>O Sacrifício do Cervo Sagrado</em>), <strong><em>A Favorita</em></strong> é mais direto no seu diálogo com o público e retoma uma ironia comum ao realizador, desta vez, voltada para os hábitos da monarquia e seus ricos paparicadores. O filme é pouco dotado do hermetismo peculiar ao cineasta &#8211; como se cada passo da sua câmera evidenciasse seu anseio de mostrar eficiência no ofício -. Longe dos simbolismos, <strong><em>A Favorita</em></strong> é uma narrativa bem clara a respeito do que e de como quer dialogar com seu público.</p>
<p>O filme combina rigor estético na concepção visual de seus figurinos e cenários, bem como na utilização de luzes naturais para compor a sua fotografia. Ao mesmo tempo em que esses elementos transmitem o luxo do universo que Lanthimos está abordando em <strong><em>A Favorita</em> </strong>também estão em diálogo com a ironia do diretor na sua leitura sobre os personagens e algumas de suas situações.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9826" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/578XdFpbdZS0pRn5wZlXX1KsvAp.jpg" alt="a favorita" width="610" height="348" /></p>
<p>O destaque cabe mesmo ao seu elenco feminino. Emma Stone e Rachel Weisz estão bem como as duas criadas da rainha, mas parte do filme é mesmo tomada por Olivia Colman, que consegue fazer um retrato inteligente de Anne. Ao mesmo tempo que Colman adere sua composição à assinatura irônica do diretor, a atriz consegue compreender a melancolia de uma mulher insegura na sua posição e completamente marcada pela solidão afetiva. A fluidez com que Colman transita entre o humor e a tragédia da sua protagonista é um dos pontos altos do filme e Lanthimos sabe valorizar isso reservando planos que existem somente para destacar as expressões da atriz.</p>
<p>Mesmo realizando seu exemplar mais &#8220;palatável&#8221; com<strong><em> A Favorita</em></strong> (variando, inclusive, na autoria do seu roteiro, que aqui não é do seu parceiro habitual Efthymis Filippou), Yorgos Lanthimos segue fazendo um cinema interessante, marcado por personagens cheios de variantes. No fim das contas, o filme acaba se revelando uma comédia sobre a sociedade de uma época que flui de maneira carismática na maior parte do tempo e que pode surpreender com o peso da sua dramaticidade no desfecho. É um filme também de grandes desempenhos femininos, em especial, da inglesa Olivia Colman, que merece mais destaque no cinema depois daqui.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/et_9k6BU_is" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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