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	<title>Arquivos Melhor Filme - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Melhor Filme - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Especial: Entenda porque Babilônia não tem chances de ganhar Oscar de Melhor Filme</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Jan 2023 12:30:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O novo longa de Damien Chazelle chega nesta quinta-feira (19) aos cinemas brasileiros e, apesar do esforço do diretor, a produção não é capaz de atravessar como primeira na linha de chegada. Mas o que fez Babilônia, um filme tão a cara do Oscar, se distanciar tanto da tão almejada consagração cinematográfica? A trajetória sob os holofotes de Hollywood do diretor, produtor e roteirista franco-americano explica isso. Chazelle começou a sua carreira com longas-metragens no topo. Logo em seu primeiro [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-babilonia/">Especial: Entenda porque Babilônia não tem chances de ganhar Oscar de Melhor Filme</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O novo longa de Damien Chazelle chega nesta quinta-feira (19) aos cinemas brasileiros e, apesar do esforço do diretor, a produção não é capaz de atravessar como primeira na linha de chegada. Mas o que fez <b><i>Babilônia</i></b>, um filme tão a cara do Oscar, se distanciar tanto da tão almejada consagração cinematográfica? A trajetória sob os holofotes de Hollywood do diretor, produtor e roteirista franco-americano explica isso.</p>
<p>Chazelle começou a sua carreira com longas-metragens no topo. Logo em seu primeiro projeto não independente, ele conquistou nomeações no Oscar em diversas categorias, inclusive “Melhor Direção” e “Melhor Roteiro Adaptado”. <i>Whiplash: Em Busca da Perfeição</i> (2014) fez com que o jovem cineasta iniciasse a sua vida na grande Hollywood de forma estratosférica.</p>
<p>Seu filme seguinte, o premiado <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-la-la-land-cantando-estacoes/"><i>La La Land &#8211; Cantando Estações</i></a> (2016), conquistou um espaço ainda maior e concedeu a Chazelle o seu primeiro Oscar. Apesar do inesquecível erro do prêmio de “Melhor Filme” ter sido anunciado para <i>La La Land</i>, o segundo longa de Damien não conquistou a estatueta. Assim, ele saiu da maior premiação do cinema, mais uma vez, sem esse louro.</p>
<p>A terceira produção do diretor claramente foi uma resposta dele para a Academia, uma investida para conquistar os votantes na empreitada de alcançar o que quase conseguiu na cerimônia de 2017. No entanto, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-primeiro-homem/"><i>O Primeiro Homem</i></a> (2018) foi uma tentativa falha e se tornou o filme mais esquecível da carreira de Chazelle. <b><i>Babilônia</i></b>, no entanto, pareceu ter vindo como uma outra chance. A cartada final do cineasta em busca do desejado reconhecimento pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.</p>
<p>O problema do novo truque de Damien em direção aos principais prêmios do Oscar está justamente em seu desejo. <b><i>Babilônia</i></b> funciona como uma orgia intelectual de amantes do cinema. Tudo no filme é pretensioso. Desde os elementos que deveriam até os que se tornam um erro. A dramédia sobre o período de transição do cinema muda para o falado, tenta mirar sua estética num visual absurdo e exagerado, tal qual foi feito por Baz Luhrmann em <i>Moulin Rouge &#8211; Amor em Vermelho</i> (2001) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><i>Elvis</i></a> (2022), mas se torna uma produção de excessos que cansa o espectador.</p>
<p>Diferente dos feitos de Luhrmann, Chazelle usa essa estética do absurdo em cada segundo dos longos 189 minutos de duração. Não apenas mantém esse exagero presente o tempo inteiro como também o utiliza em cada etapa e processo da produção. Por um lado, ele conseguiu entregar ao público um filme deslumbrante do ponto de vista visual e com uma unidade clara. Por outro, Chazelle fez <b><i>Babilônia</i></b> se perder.</p>
<figure id="attachment_16358" aria-describedby="caption-attachment-16358" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-16358" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-750x500.jpg" alt="Babilônia (2022)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-2048x1365.jpg 2048w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-1400x933.jpg 1400w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16358" class="wp-caption-text">Margot Robbie em cena de &#8220;Babilônia&#8221; (2022)</figcaption></figure>
<p>O que era para ser o maior filme de sua carreira &#8211; superando até mesmo o brilhante <i>Whiplash</i> &#8211; se tornou um dos mais exaustivos. É verdadeiramente cansativo passar pelas três horas de duração do filme. E uma vez sabendo onde Chazelle queria chegar, o tempo da sessão de <b><i>Babilônia</i></b> se mostra ainda mais desnecessário. O roteiro se perde na tragédia de erros dos artistas. O drama existencial e a discussão das dificuldades adaptativas do mercado são trocados por um pastiche cômico sem razão.</p>
<p>Com isso, Chazelle mostrou que nem sempre sabe como concluir uma narrativa. Diferente do seu primeiro longa-metragem ou de <i>La La Land</i>, o final do novo filme do diretor se arrasta por cerca de 30 minutos, o que faz com que a sensibilidade de sua apoteótica montagem final perca a força. <b><i>Babilônia</i></b> seria outro filme se o desejo de chegar no Olimpo das premiações não estivesse dominando as decisões do cineasta.</p>
<p>Ao menos uma coisa é certa, Damien Chazelle não errou o título do seu novo projeto. <b><i>Babilônia</i></b> é o nome perfeito para descrever a essência do filme. O que é vista em tela pelo espectador é uma profusão de informações. Sejam elas estéticas, visuais ou sonoras, o projeto é uma experiência de excessos do início ao fim. Chazelle até tenta associar essa escolha aos eventos narrados, uma pena que isso não é o suficiente para sustentar a ideia.</p>
<p>No fim da equação, <b><i>Babilônia</i></b> passa da conta com uma quantidade exagerada de artifícios. Ainda que tenha uma fotografia, direção de arte, maquiagem e figurinos excepcionais, a montagem, trilha e o roteiro se perdem. Com isso, a própria direção de Chazelle não consegue ser um dos pontos altos do longa-metragem. A ânsia de fazer um filme metalinguístico que serve de ode ao início do cinema que conhecemos hoje cai por terra por conta desse vislumbre no prêmio.</p>
<p><b><i>Babilônia</i></b> deve ser lembrado no Oscar, mas nas categorias relacionadas ao departamento de arte (“Melhor Design de Produção”, “Melhor Figurino” e “Melhor Cabelo e Maquiagem”) e, talvez, uma indicação pela fotografia. Desses, os prêmios mais possíveis estão na arte. É claro que o nome do longa pode sair entre os indicados a “Melhor Filme”, mas é um candidato muito fraco e não hegemônico entre os votantes para ganhar. Parece que o desejo excessivo em realizar o que quase conseguiu em 2017 atrapalhou a direção e o que seria mais um roteiro inteligente e criativo de Chazelle. Assim, o projeto entra no doloroso <i>hall</i> de filmes que tinham o potencial de alcançar os voos mais altos, mas desabaram do alto.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Damien Chazelle</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Brad Pitt,  Margot Robbie,  Diego Calva,  Jean Smart,  Jovan Adepo e  Li Jun Li</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=kHRxUylmwqs]</p>
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		<title>Especial Oscar 2019: Melhor Filme</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Feb 2019 14:52:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A principal categoria da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas sempre dividiu opiniões entre as apostas dos críticos e fãs de cinema – em especial nas últimas 9 edições onde o número de concorrentes variou entre 8 a 10 indicados. Para não fugir dessa normalidade, a 91ª cerimônia do Academy Awards traz múltiplas incertezas. O ano de 2019 foi marcado por algumas reviravoltas nos inúmeros prêmios do cinema – sejam nas categorias correspondentes ao Oscar de “Melhor Filme” ou não. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A principal categoria da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas sempre dividiu opiniões entre as apostas dos críticos e fãs de cinema – em especial nas últimas 9 edições onde o número de concorrentes variou entre 8 a 10 indicados. Para não fugir dessa normalidade, a 91ª cerimônia do Academy Awards traz múltiplas incertezas. O ano de 2019 foi marcado por algumas reviravoltas nos inúmeros prêmios do cinema – sejam nas categorias correspondentes ao Oscar de “Melhor Filme” ou não. A constante da dúvida se manterá suspensa até o último minuto, momento no qual o ganhador será revelado. Até lá, os espectadores acompanharão a cerimônia com tensão diante do resultado.</p>
<p>Mas o que pode justificar o clima apreensivo diante do resultado do Oscar? A resposta está ligada ao histórico de absurdos e retrocessos cometidos pela premiação. Conhecida por cometer, ano após ano, algum tipo de escolha equivocada – ora sendo omissa aos escândalos de artistas, ora excluindo artistas negros das indicações – a Academia continua a viver um processo de perda da credibilidade com suas decisões. Nessa cerimônia, em específico, os organizadores já voltaram atrás em diversas deliberações por conta das críticas recebidas em plataformas digitais. A descrença no olhar retrógrado desse prêmio leva a questionamentos quanto a validade de sua autoridade dentro do próprio meio. O Academy Awards é uma das instituições hollywoodianas mais antigas que parece, em algumas situações, ter parado no tempo. Os artistas e o público, contudo, clamam por mudanças reais em suas atitudes arbitrárias.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10024" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/cinema-filme-pantera-negra-20180219-009.jpg" alt="pantera negra" width="610" height="348" /><br />
<strong>Pantera Negra</strong></p>
<p style="text-align: center;">A competição desse ano começa em fevereiro de 2018 com a estreia de uma das presenças mais surpreendentes da temporada de premiações. <em>Pantera Negra</em> chega aos cinemas para mostrar, de forma ampla e avassaladora, o quanto a sociedade, o universo cinematográfico e das hqs marginalizam uma parcela da sociedade. A expressão artística, social e representativa intrínseca à <em>Black Panther</em> (título original) abrem portas para infinitas discussões sobre local de fala, oportunidades, respeito e amor as memórias históricas e culturais de um povo. O longa-metragem é considerado um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos porque ele se preocupa com a vida real. <em>Pantera Negra</em> não é uma produção feita exclusivamente para lucrar mais alguns bilhões para a Marvel. O filme se sustenta como uma obra cujas nuances e perspectivas englobam questões estéticas e técnicas do fazer cinematográfico. Ao mesmo tempo, se debruçam sobre situações sociais bem trabalhadas no roteiro dentro da exposição das novas possibilidades de figuras do herói – expandindo as vias de representatividade nas telonas.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9577" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/11/Infiltrado-na-Klan.jpg" alt="infiltrado na klan" width="610" height="348" /><br />
<strong>Infiltrado na Klan</strong></p>
<p style="text-align: center;">Ao continuar a lista de indicados, o público se depara com outra obra que faz reflexões sobre o racismo. O novo filme de Spike Lee é uma cinebiografia inacreditável que retrata os absurdos do preconceito com uma inteligência inigualável. <em>Infiltrado na Klan</em> tem a capacidade de envolver o espectador nessa jornada satírica sobre o policial negro que enganou a Ku Klux Klan a partir de um retrato crítico e intenso da realidade. A única sensação possível após assistir <em>BlacKkKlansman</em> (título original) é a incompreensão diante da verdade confrontada na sala de cinema. A sacada da película é forma amena como a história é retratada seguida por sucessivos choques de realidade que petrificam o espectador.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9427" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/10/1457802.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="nasce uma estrela" width="610" height="348" /><br />
<strong>Nasce Uma Estrela</strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>Nasce uma Estrela</em> e <em>Bohemian Rhapsody</em> são as aparições musicalizadas desse ano. Seja pela reelaboração de uma história conhecida pelo cinema ou pela representação do percurso de uma das bandas mais marcantes da história da música, ambos os filmes usam a ferramenta musical como seu pilar de sustentação. O primeiro longa é uma demonstração surpreendente de reinvenção. O roteiro e a performance de Bradley Cooper e Lady Gaga provam o empenho da produção em tornar essa obra memorável. É fascinante a forma como a narrativa é conduzida e moldada pelas músicas. O ponto forte do longa está diretamente ligado à sua capacidade de promover uma história comum – a qual, em outro contexto, é extremamente esquecível – através de uma construção musicalizada do drama das personagens. O maior acerto da produção e, consequentemente, da direção de Cooper é a sutileza envolvente da obra que se fez capaz de entreter e prender a atenção do público apesar da frágil essência temática.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9504" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/10/1099139.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="crítica bohemian rhapsody" width="610" height="348" /><br />
<strong>Bohemian Rhapsody</strong></p>
<p style="text-align: center;">Em contraponto à <em>A Star is Born</em> (título original), <em>Bohemian Rhapsody</em> não executa uma narrativa tão verossímil e cativante, mas investe no apelo afetivo do espectador. O enredo do longa por vezes é monótono e perde a força atrativa. São nessas brechas que os realizadores do projeto percebem a necessidade do uso das memórias afetivas para alavancar a obra. A produção carrega a sua ideia com o encantamento que o mundo tinha pelo Queen. <em>Bohemian</em> trabalha magistralmente a consagração de seus homenageados e é assim que o longa capta de volta o interesse do público. A contemplação do acontecimento incomum que foi Freddie Mercury e o Queen se personifica durante o filme e o sustenta. O longa-metragem usou a força de sua temática e investiu nos quesitos técnicos para alavancar sua proposta um tanto delicada.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9831" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/1171710.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="green book" width="610" height="348" /><br />
<strong>Green Book: O Guia</strong></p>
<p style="text-align: center;">A presença de <em>Green Book: O Guia</em> nas premiações é, por si só, polêmica. O longa-metragem retrata de maneira leve e sutil a jornada de autoconhecimento e transformação das personagens vividas por Viggo Mortensen e Mahershala Ali. Os problemas do filme começam com a observação dos seus acontecimentos e abordagens. Apesar de levantar a pauta do racismo dos EUA na década de 1960, a produção apenas pincela essa situação como pano de fundo para um contexto mais existencial sobre a essência e vida das personagens principais. Além dessa problemática, membros da produção da película estão envolvidos em casos de assédio e xenofobia. Ou seja, existe uma contradição entre o que é pregado pelo filme e a realidade de sua criação que é impossível de se ignorar. A falta de aprofundamento nas questões intrínsecas ao projeto e a sua má fama por conta do diretor e produtor executivo, criam um dispendioso embargo para que o longa alcance o seu ápice em conteúdo, qualidade e prêmios.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9812" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/4303242.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="roma" width="610" height="348" /><br />
<strong>Roma</strong></p>
<p style="text-align: center;">O ponto fora da curva dessa premiação é o produto mexicano da Netflix. A plataforma de <em>streaming</em> deu ao Oscar a desagradável obrigação de indicar um produto não convencional a 10 categorias. <em>Roma</em> está entre os indicados mais cotados por sua representação dentro e fora da tela. A obra de Alfonso Cuarón é uma peça de arte perfeitamente lapidada. A concepção, execução e essência do longa transformam ele num projeto completo e diferente. Os quesitos técnicos, estéticos e humanísticos são contemplados com uma maestria impressionante. <em>Roma</em> é uma obra-prima sensível que, com muita simplicidade e despretensão, toca o coração do espectador pela sua delicadeza sem igual. A narrativa envolvente carrega o público do início ao fim diante das vivências mais cotidianas do ser humano sem nunca perder a sua beleza. Cuarón deu vida a obra perfeita que a Academia não pôde ignorar.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9827" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/Crítica-A-Favorita.jpg" alt="a favorita" width="610" height="348" /><br />
<strong>A Favorita</strong></p>
<p style="text-align: center;">Outro produto magistral de 2018 foi o drama histórico de Yorgos Lanthimos. <em>The Favourit</em>e (título original) carrega uma essência extremamente versátil. A linguagem do filme incorpora os traços fundamentais de Yorgos com muita sutileza. O exagero e a extrapolação do diretor estão presentes em medidas exatas para arrebatar a atenção do espectador. Através de uma espécie de tragédia cômica, o longa-metragem constrói sua sólida plataforma de criações dignas de elogios. Assistir ao longa é uma experiência estética e narrativa sensacional. Com 9 indicações, <em>A Favorita</em> transporta o público para um cinema original, onde o conteúdo não sobressai o conceito e nem por isso a última deixa de ser trabalhada da melhor forma.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9869" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/Vice-Movie-Cast-Real-People.jpg" alt="Vice" width="610" height="348" /><br />
<strong>Vice</strong></p>
<p>A última estreia da lista de indicados a “Melhor Filme” foi a nova cinebiografia de Adam McKay. <em>Vice</em> é fruto do trabalho singular de McKay. Metalinguístico, irônico e cheio de informações; esse é o resumo do que o longa carrega em sua essência. Toda essa elaboração diferenciada atrelada ao roteiro inteligente tornam o resultado semântico e visual do filme algo sem igual. A expressão cinematográfica do diretor causa estranheza por sua montagem não convencional e pelas características já citadas. Essas são, contudo, algumas das razões que destacam a produção e fazem dela uma das indicadas ao maior prêmio do cinema.</p>
<p>Diante desse cenário, existem três polos de força nessa corrida pela estatueta. <em>Infiltrado na Klan</em>, <em>A Favorita</em> e <em>Roma</em> representam os principais concorrentes ao prêmio de “Melhor Filme”, cada um com seus pontos mais fortes. <em>BlacKkKlansman</em> representa um filme contundente regado de conteúdo e crítica social sobre realidades similares do passado e presente. <em>The Favourite</em> ocupa a posição de produção acessível que retrata os deslumbres humanos, o caos e a ignorância das guerras e os jogos de sedução e poder que permeiam as relações interpessoais – tudo isso tendo a Inglaterra do século XVIII como pano de fundo. <em>Roma</em>, por sua vez, está encarregado do lugar de obra-prima – a qual contém um valor artístico e social indiscutível – levando a crer que o seu nome seja anunciado ao final da cerimônia. As questões circunstanciais e convenientes da Academia deixam, no entanto, incertezas apesar da unanimidade de vitórias que <em>Roma</em> teve em outras premiações. A espera só cessará no domingo (24) quando o Oscar for entregue ao seu próximo escolhido. O único fator que se espera do Academy Awards é que ele não se mostre mais omisso a nada do meio cinematográfico e que ele escolha o vencedor de 2019 por seu merecimento de acordo com critérios exclusivamente técnicos e artísticos.</p>
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		<title>Especial Oscar 2018 &#8211; Melhor Filme</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Mar 2018 23:23:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Oscar 2018]]></category>
		<category><![CDATA[Premiação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como de costume, os indicados para a categoria mais importante do Oscar são extremamente diferentes em temáticas, abordagens e gêneros. A edição de 2018 tem algumas características que vão além dessa variedade usual. Nunca houve uma lista de indicados na categoria de &#8220;Melhor Filme&#8221; com uma representatividade tão grande. Mas por que isso? Talvez porque a Academia finalmente entendeu que ela precisa desconstruir seus preconceitos e seu jeito conservador. Ou talvez porque não aguente passar por mais uma avalanche de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Como de costume, os indicados para a categoria mais importante do Oscar são extremamente diferentes em temáticas, abordagens e gêneros. A edição de 2018 tem algumas características que vão além dessa variedade usual. Nunca houve uma lista de indicados na categoria de &#8220;Melhor Filme&#8221; com uma representatividade tão grande. Mas por que isso? Talvez porque a Academia finalmente entendeu que ela precisa desconstruir seus preconceitos e seu jeito conservador. Ou talvez porque não aguente passar por mais uma avalanche de críticas como aconteceu durante a premiação em 2016 com a tag &#8220;#OscarSoWhite&#8221;. Seja pelo motivo que for, a 90ª edição dá visibilidade para os que ainda lutam para falar em alto e bom som.</p>
<p>Os filmes mais antigos a serem indicados nessa categoria foram os trabalhos de Christopher Nolan e Jordan Peele. O primeiro diretor trouxe para as telonas, mais uma vez, suas cenas de impacto com a presença de apetrechos sonoros ensurdecedores. Não fugindo do usual, Nolan segue sem conseguir tocar o público de outras formas que não sejam o som ou as suas cenas brilhantes de ação. Para ganhar um prêmio como esse, contudo, é preciso muito mais do que sequências de guerra eletrizantes com uma mixagem de som fantástica. <em>Dunkirk</em> é, portanto, o filme menos cotado dentre os competidores. Já a produção da Blumhouse, <em>Corra!</em>, é um trabalho primoroso. Peele se mostrou muito talentoso em sua estreia como diretor. Ele, ao contrário de Nolan, conseguiu entregar ara o espectador o que foi proposto pelo filme e muito mais. Um thriller psicológico que honra o verdadeiro terror que faz as pessoas saltaram da cadeira de medo. Com interpretações incríveis e uma narrativa envolvente e inteligente – uma vez que a essa é incumbida de uma crítica social absurda – a estreia de Jordan Peele se põe como um dos favoritos.</p>
<p>Dois outros concorrentes são cinebiografias. Um dos relatos biográficos é sobre Churchill e sua ascensão como Primeiro-Ministro britânico durante um dos períodos mais conturbados da II Guerra Mundial. Dirigido pelo artístico Joe Wright, <em>O Destino de Uma Nação</em> é uma obra que emociona gerações ao narrar os acontecimentos históricos que assombraram o mundo durante a Segunda Guerra. Através do estilo único de Wright, a estética do filme é construída de uma maneira impecável e, atrelado a isso, o elenco majestoso faz com que o longa-metragem ganhe ainda mais força. Gary Oldman estava simplesmente magnífico em sua performance como Churchill.</p>
<figure id="attachment_8738" aria-describedby="caption-attachment-8738" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-8738" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/03/frances-mcdormand-tres-anuncios-para-um-crime-filme.jpg" alt="" width="610" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-8738" class="wp-caption-text">Três Anúncios Para Um Crime é um dos filmes que está na frente na corrida desta categoria</figcaption></figure>
<p>A outra narrativa baseada em fatos reais conta o processo de luta pela liberdade de imprensa nos EUA durante a Guerra do Vietnã, uma vez que o mundo teve acesso a aterradora verdade sobre a fracassada investida americana. Spielberg, Meryl e uma temática feita para incomodar um governo com atitudes tirânicas. Essa é uma singela dissecação acerca do grandioso <em>The Post &#8211; A Guerra Secreta</em> e como ele foi construído. Sob o comando do brilhante Steven Spielberg e estrelado pela extraordinária Meryl Streep, o longa tem uma função social e política. Ao relatar os acontecimentos que levaram à luta pela liberdade de impressão, o filme traz a memória de uma nação que passa por uma situação muito semelhante. Com 40 anos separando a ficção da realidade, um outro presidente dos EUA tenta impedir que o jornalismo cumpra com sua função social. A obra de Spielberg é uma linda forma de relembrar ao mundo sobre a nobre jornada jornalística pela procura dos fatos para contar a verdade.</p>
<p>Um dos indicados mais polêmicos foi <em>Trama Fantasma,</em> película escrita, produzida e dirigida pelo gênio Paul Thomas Anderson. Apesar da estética perfeita – coisa comum nos filmes de Paul Thomas – resultado apresentado pelo diretor foi abaixo do esperado. A narrativa do filme se mostra incompleta diante da temática proposta. O que poderia ser um drama fortíssimo sobre relacionamentos tóxicos, se torna um show de ego e obsessão entre as personagens de Daniel Day-Lewis e Vicky Krieps.</p>
<p>Além de <em>Corra!</em>, outro ponto de representatividade é o filme da estreante Greta Gerwig.<em> Lady Bird &#8211; A Hora de Voar</em> é uma obra fílmica dirigido e roteirizado por uma mulher, com duas mulheres estrelando a trama e uma temática que mostra todo o poder delas. Como um relato de um diário, a produção da A24 encantar o público por sua simplicidade e verdade transmitida em cada cena. Com as atuações de Saoirse Ronan e Laurie Metcalf, Lady Bird é uma mostra do talento de Greta, além de ser uma forma de fundamentar a luta pela igualdade que está acontecendo em Hollywood, afinal Greta Gerwig se mostrou mais talentosa e capaz do que muitos que já tiveram espaço no universo da sétima arte.</p>
<p>O ápice da representação está no lindo filme <em>Me Chame Pelo Seu Nome</em>, dirigido por Luca Guadagnino e inspirado no livro de André Aciman. A história de descoberta e desejo do jovem Elio (interpretado magistralmente por Timothée Chalamet) ao se relacionar por Oliver (vivido por Armie Hammer) é uma delicada e emocionante história de amor. O espectador se sente tocado ao ver cada uma daquelas belíssimas sequências com as cidades italianas como pano de fundo. Um filme muito diferente do que o que a Academia costuma validar, mas a magnitude de sua qualidade artística é muito maior do que qualquer preconceito existente entre o conselho da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.</p>
<figure id="attachment_8737" aria-describedby="caption-attachment-8737" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-8737" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/03/a-forma-da-água-bode-na-sala-1.jpg" alt="" width="610" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-8737" class="wp-caption-text">A Forma da Água é outro favorito a ganhar o Oscar de Melhor Filme este ano</figcaption></figure>
<p>Por fim, as duas películas que faltam são os queridinhos do Oscar 2018. <em>Três Anúncios Para Um Crime</em>, de Martin McDonagh, e <em>A Forma da Água</em>, de Guillermo del Toro, foram apresentadas de forma primorosa. A perfeição de ambas as películas em todos os aspectos cinematográficas torna elas as concorrentes diretas pela estatueta. O filme de McDonagh é um drama sátiro que tem como atriz principal a extraordinária Frances McDormand incorporando o símbolo americano do feminismo (Rosie, &#8220;the riveter), num lugar onde o cenário de fundo ainda critica o racismo enraizado nos estados sulistas dos EUA. O simples fato de unir essa atriz sem igual num cenário como esses e deixá-la fazer o que só ela sabe é o suficiente para se imaginar a garra, inteligência e relevância que está incumbida na história. O conjunto roteiro, elenco e temática tornam esse filme o favorito para ganhar a estatueta mais cobiçada da noite de domingo. Sem sombra de dúvidas esse trabalho pôs McDonagh em um outro patamar de criatividade.</p>
<p>O concorrente direto de <em>Três Anúncios Para Um Crime</em> é o conto de fadas sombrio de del Toro. Dessa vez com uma história de amor improvável, Guillermo encanta o público com a beleza ofuscante de seu universo fantástico e suas criaturas. O seu longa funciona como uma belíssima homenagem aos marginalizados pela sociedade. Com todo o talento e visão do diretor mexicano,<em> A Forma da Água</em> se tornou uma das suas obras mais belas e perfeitas. A delicadeza e sensibilidade presentes na película tornam ela uma obra prima da sétima arte. Quando um filme é dirigido e roteirizado por um mexicano; tem suas personagens principais sendo uma muda, um gay, uma negra e uma criatura não-humana e todos eles são representados com tamanha força, significância e representatividade; e esse mesmo filme ainda ganha um espaço absurdo num mundo onde ainda há, infelizmente, tanto preconceito, essa obra merece um destaque estratosférico. Afinal, num ano de tanta luta e podridão sendo exposta, temáticas como essas são fundamentais. E seja qual for o vencedor da noite do dia 4 de março, o universo cinematográfico estará ganhando um legado muito maior do que mais um registro de vencedores; ele estará dando um passo para um futuro melhor.</p>
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