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	<title>Arquivos Mauricio Eça - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Mauricio Eça - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Maníaco do Parque</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Oct 2024 18:37:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de encerrar a trilogia sobre Suzane Von Richtofen no Amazon Prime Video com A Menina que Matou os Pais: A Confissão, o diretor Maurício Eça aposta em uma nova parceria com o serviço de streaming envolvendo um outro caso criminal de grande repercussão no Brasil, a história do serial killer Francisco Pereira em Maníaco do Parque. O caso ganhou uma extensa cobertura da imprensa em 1998 e chocou o país pelo teor da sua violência. Na ocasião, várias mulheres foram assassinadas em sequência e seus corpos eram [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de encerrar a trilogia sobre Suzane Von Richtofen no Amazon Prime Video com A Menina que Matou os Pais: A Confissão, o diretor Maurício Eça aposta em uma nova parceria com o serviço de streaming envolvendo um outro caso criminal de grande repercussão no Brasil, a história do serial killer Francisco Pereira em <em><strong>Maníaco do Parque</strong></em>.</p>
<p>O caso ganhou uma extensa cobertura da imprensa em 1998 e chocou o país pelo teor da sua violência. Na ocasião, várias mulheres foram assassinadas em sequência e seus corpos eram encontrados em um parque de São Paulo. Logo, a polícia e jornalistas chegaram ao nome de Francisco Pereira como o assassino dos casos. Francisco trabalhava como motoboy e era conhecido pelo seu comportamento introspectivo e por ser muito bom andando de patins. O filme acompanha a investigação do caso pela perspectiva de Elena, uma jovem jornalista do Notícias Populares responsável por batizar o serial killer de &#8220;maníaco do parque&#8221; na primeira manchete sobre o caso.</p>
<p>Em <em><strong>Maníaco do Parque</strong></em>, Maurício Eça apresenta-se como um diretor disposto a corrigir alguns problemas sentidos na trilogia Richtofen. O longa sobre o serial killer brasileiro distancia-se do olhar do assassino e traz como enfoque a investigação do caso pela leitura da jornalista Elena, interpretada por Giovanna Grigio, mesclando a misoginia inerente aos crimes com o sexismo vivenciado pela profissional na redação do jornal, estabelecendo uma conexão entre a repórter e as vítimas do &#8220;maníaco do parque&#8221;. Nas ações de Francisco existe um evidente ódio às mulheres enquanto Elena vive sendo descredibilizada pelos seus colegas, a maioria homens em cargos de chefia e com mais experiência que ela na profissão. Eça investe bastante nesses paralelos, ao menos na teoria.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-18846" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-750x501.png" alt="Maníaco do Parque" width="750" height="501" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-750x501.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-1536x1026.png 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-720x480.png 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-770x514.png 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-1400x935.png 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc.png 1600w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O problema do longa é todo o desenvolvimento da sua proposta. O roteiro de <em><strong>Maníaco do Parque</strong></em> não tem a profundidade psicológica ou a construção de análise sociológica que o filme requer. Como acontecia na trilogia Richtofen de Maurício Eça, o longa sobre o &#8220;maníaco do parque&#8221; é marcado pela ausência de sutileza, apelando para chavões do cinema de investigação jornalística e transformando seus personagens em estereótipos a fim de facilitar a leitura do público acerca de quem são os vilões e mocinhos da história .</p>
<p>O caminho adotado prejudica bastante as interpretações de Silvero Pereira (sempre muito bem, mas aqui parece um pouco over em algumas cenas) e Giovanna Grigio. Em especial, Grigio sai bastante prejudicada com uma personagem reduzida a sua profissão. A repercussão do caso na vivência pessoal da personagem só surge no último ato do filme. O roteiro do longa parece esquecer desse olhar sobre a experiência feminina durante toda a cobertura da jornalista para o caso, promovendo cenas catárticas para a atriz apenas no derradeiro confronto da sua personagem com Francisco Pereira na cadeia como uma forma de retomar sua temática e frisar uma tese nunca esmiuçada anteriormente, mas apenas lançada em sua introdução (o que faz, inclusive, a gente se perguntar se tal perspectiva não foi adicionada em regravações ou coisas do gênero)</p>
<p>Não foi com <em><strong>Maníaco do Parque</strong></em> que a Amazon Prime Video conseguiu converter o interesse crescente do público por true crimes em obras que de fato consigam dar a dimensão do que esses casos representaram e quem são de fato as pessoas envolvidas nesses crimes, sejam elas os criminosos, as vítimas ou terceiros envolvidos. Mais uma vez, temos um caso de manchetes policiais reduzido a uma dramatização superficial, um projeto que parece feito, primeiramente, para atender às tendências do algoritmo e pensar muito pouco na forma como esta demanda será cumprida.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mauricio Eça</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Silvero Pereira, Giovanna Grigio, Mel Lisboa</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/3759uEJ17gE?si=QJhvnzyRPzVR3yKE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Feb 2024 23:59:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois dos sucessos de Turma da Mônica: Laços (2019) e Turma da Mônica: Lições (2021), chega aos cinemas Turma da Mônica Jovem: Reflexos do medo. No entanto, apesar de ser uma adaptação do mesmo universo de personagens dos quadrinhos de Maurício de Souza, neste novo longa-metragem tudo mudou: o elenco, a direção e até mesmo a empresa produtora. Este fato é relevantíssimo, porque já barra o espectador de criar alguma expectativa de encontrar a mesma qualidade dos live actions anteriores. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Depois dos sucessos de </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-turma-da-monica-lacos/"><i><span style="font-weight: 400;">Turma da Mônica: Laços </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2019) e </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-turma-da-monica-licoes/"><i><span style="font-weight: 400;">Turma da Mônica: Lições </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2021), chega aos cinemas </span><strong><i>Turma da Mônica Jovem: Reflexos do medo</i></strong><span style="font-weight: 400;">. No entanto, apesar de ser uma adaptação do mesmo universo de personagens dos quadrinhos de Maurício de Souza, neste novo longa-metragem tudo mudou: o elenco, a direção e até mesmo a empresa produtora. Este fato é relevantíssimo, porque já barra o espectador de criar alguma expectativa de encontrar a mesma qualidade dos live actions anteriores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, ainda que o público consiga evitar comparações, a decepção será alta. </span><i><span style="font-weight: 400;">Reflexos do Medo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um grande imbróglio, com uma direção totalmente desconectada do que a narrativa precisa, um elenco fraco, uma pós-produção equivocada e um roteiro óbvio e preguiçoso. O cineasta Maurício Eça (</span><i><span style="font-weight: 400;">Carrossel: O Filme</span></i><span style="font-weight: 400;">) traz uma decupagem problemática em dois aspectos. O primeiro é que fica difícil se conectar com a turma como um grupo, quando os planos mais fechados são constantemente privilegiados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, quem assiste vê mais uma ou duas personagens em cena, quebrando a ideia de coletivo da TURMA da Mônica. O segundo fator é o uso exagerado do </span><i><span style="font-weight: 400;">establishment shot</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ok, é um longa para consumidores jovens, mas estamos falando de cinema aqui. O uso do plano de estabelecimento é recorrente na televisão e serve para localizar o espectador, que pode ter seu olhar dividido com as atividades de casa e ficar perdido com a história que está vendo na TV. No cinema a lógica é outra, porém o uso dele no cinema não é um crime. Mas, nesta obra, a utilização do recurso beira ao ridículo, com quadros longos de fachadas de prédios e locais públicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de não servir para a construção de sentido narrativo, subestima o público. Se o tempo de tela que Eça usa para establishment shots fosse revertido para as cenas de suspense, o filme já cresceria. Porque ainda existe este elemento que incomoda e interfere na fruição, que é uma pressa para mostrar as coisas, porém não são elementos qualitativos e sim  quantitativos: mais frames, porém frames de sentidos esvaziados. Esta é uma das escolhas que atrapalham a elaboração de suspensão. Mas, há também a falsa ideia de ritmo, que é empregada desde os primeiros minutos de projeção. </span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17675" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-6.png" alt="Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-6.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-6-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-6-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/01/image-6-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela milésima vez, preciso escrever isso em uma crítica: </span><b>velocidade não é ritmo! </b><span style="font-weight: 400;">Desde o princípio, as músicas e os cortes secos querem criar um clima de mistério. Todavia, a relação que a plateia precisava estabelecer com as personagens não tinha sido construída ainda. Por isso, que, sem respiros, a pessoa pode se sentir tragada para um universo que lhe é alheio e, por consequência, desinteressante. Neste sentido, o roteiro também não ajuda a salvar nenhum tipo de ação errônea que tenha sido feita no set ou na pós-produção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">a realidade, com um roteiro com tantas obviedades, sem trabalhar complexidades de personagens, retirando a personalidade das figuras ficcionais e exagerando somente em arquétipos, seria quase impossível transformar a produção em um bom longa. Provavelmente, com uma equipe mais talentosa, talvez fosse realizável uma obra razoável e/ou minimamente divertida. O que não é o caso aqui, porque até mesmo o elenco não tem força para enganchar a atenção. O quinteto principal é composto quase todo por atores artificiais, sem organicidade, que deixa a sensação de que se está vendo uma peça (fraca) do sexto ano do ensino fundamental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O único ator que se salva é Theo Salomão (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Escaravelho do Diabo</span></i><span style="font-weight: 400;">), que faz o Cascão. O jovem consegue operar milagres com um texto tão mal escrito, deixando ele fluido, principalmente nas sequências que Theo fala sobre seu tio e o vilão Cabeça de Balde. O colorido que ele dá para suas falas revela os seus sentimentos em relação ao seu tio e ao desaparecimento dele. O mesmo não pode ser dito Mateus Solano (</span><i><span style="font-weight: 400;">Benzinho</span></i><span style="font-weight: 400;">), que dá a vida a Licurgo. A atuação dele deixa vergonha alheia em quem acompanha a projeção. Caricato, o intérprete entrega uma composição monocórdica e sem nenhuma gradação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com todos estes erros, </span><strong><i>Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo </i></strong><span style="font-weight: 400;">deve ser evitado. É triste ter que dizer isso sobre uma produção brasileira, mas é que o grau de falta de qualidade é tão exacerbado, que dá pena de quem vá consumidor este produto sem estar avisado do que lhe espera. No mais, existem muitas produções nacionais excelentes, que estão esperando o público do Brasil para consumi-las. 2023 foi um ano com ótimas realizações (</span><i><span style="font-weight: 400;">Nosso Sonho</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tia-virginia/"><i><span style="font-weight: 400;">Tia Virgínia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-retratos-fantasmas/"><i><span style="font-weight: 400;">Retratos Fantasmas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Incompatível com a vid</span></i><span style="font-weight: 400;">a etc). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não deixem de ir ao cinema, consumir e privilegiar a arte do seu país, mas também existem limites para tudo. Agora, é apenas esperar que os próximos lançamentos envolvendo a turma da Mônica sejam relevantes e boas como muitas outras do passado, para que não percam a atenção do público e continuem a movimentar a economia e a cultura nacional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Mauricio Eça</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Sophia Valverde, Carol Roberto, Xande Valois</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/SJL9F2oWn5M?si=Vb0tvtGsXkARZlty" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Nov 2023 15:02:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lançados simultaneamente no catálogo do Amazon Prime Video em 2021, A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou meus Pais dramatizavam os eventos que culminaram com o chocante assassinato do casal von Richtofen em São Paulo arquitetado pela própria filha e pelo genro em 2002. Os longas de Maurício Eça narravam as versões de Suzane e de Daniel para o crime e resultaram em obras de gosto duvidoso que flertavam com a reconstituição barata do assassinato. Com [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lançados simultaneamente no catálogo do Amazon Prime Video em 2021, <em>A Menina que Matou os Pais</em> e <em>O Menino que Matou meus Pais</em> dramatizavam os eventos que culminaram com o chocante assassinato do casal von Richtofen em São Paulo arquitetado pela própria filha e pelo genro em 2002. Os longas de Maurício Eça narravam as versões de Suzane e de Daniel para o crime e resultaram em obras de gosto duvidoso que flertavam com a reconstituição barata do assassinato.</p>
<p>Com o sucesso do projeto, <strong><em>A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</em></strong> retoma o caso para abordar eventos que ficaram de fora da narrativa anterior, especificamente, o período que compreendeu o crime e a confissão de Suzane e dos Cravinhos. Maurício Eça retorna para a direção, assim como os atores Carla Diaz, Leonardo Bittencourt e Allan Souza Lima, além dos escritores Ilana Casoy e Raphael Montes, que depois de pesquisarem e escreverem livros sobre o assunto se dedicaram ao roteiro desse projeto.</p>
<p>O resultado de <strong><em>A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</em></strong> consegue ser pior que as empreitadas anteriores de Eça. Além de passar a sensação de que o realizador tenta tirar &#8220;leite de pedra&#8221; com o caso, dedicando uma hora e quarenta minutos de história para episódios que já estão mais do que esclarecidos para o grande público e que não justificam um retorno ao tema, A Confissão é um filme extremamente mal executado em diversas frentes.</p>
<p>Nos longas anteriores, os atores contavam com a justificativa das perspectivas para exagerarem nos traços negativos e positivos dos personagens, sobretudo de Suzane von Richtofen. Assim, ainda que soasse estranho o exagero com que Carla Diaz, por exemplo, retratava Suzane como uma menina ingênua em O Menino que Matou meus Pais (o ponto de vista dela para o caso) ou como uma psicopata em <em>A Menina que matou os Pais</em> (a versão de Daniel para o crime) a decisão de composição da personagem se justificava porque o projeto era centrado na disputa de narrativas entre Suzane e os Cravinhos durante o julgamento do crime.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17451" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Menina que Matou os Pais - A Confissão" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A Confissão não traz o mesmo background dos anteriores, não existem perspectivas a serem contrapostas. Há uma única versão, aquilo que de fato ocorreu. Contudo, estranhamente Diaz investe pesado no retrato de Suzane como uma vilã de novela mexicana, enfatizando caras e bocas e trejeitos de perturbação mental que apesar de a denunciarem como autora do crime a fazem passar despercebida pelos demais personagens da história. Suzane está sempre alterada em cena, com um tom acima do passável para alguém que quer disfarçar uma &#8220;culpa no cartório&#8221;, com olheiras profundas e tratando com rispidez ou ironia os demais personagens.</p>
<p>Talvez atriz, diretor e roteiristas tenham optado por esse caminho em A Confissão a fim de descartarem qualquer tipo de dubiedade acerca do caráter da personagem, algo que levantou polêmicas no projeto anterior com a necessidade de abordar o crime através das &#8220;perspectivas&#8221; dos seus agentes. No entanto, a decisão aqui faz o filme extrapolar os limites do risível. No esforço de enfatizar que não corroboram com uma visão que suaviza a culpa de Suzane, os envolvidos em A Confissão parecem apelar para um tratamento raso da personagem, subestimando a capacidade do público de ver nas telas um retrato mais complexo e crível dessa figura e não necessariamente aderir a suas ações através dessa experiência espectatorial. Enfatizar o &#8220;lugar&#8221; de Suzane no assassinato dos pais não significa necessariamente apelar para a representação mais superficial e estereotipada possível da sua personalidade. Falta nuances à interpretação de Diaz, que ofusca todos os demais parceiros de cena, inclusive Leonardo Bittencourt, que não faz muito dessa vez, com uma abordagem extremamente over.</p>
<p>O tom da performance de Diaz é acompanhado por uma direção que não economiza recursos repletos de canastrice, como os movimentos de câmera usados em momentos de intensa dramaticidade, a exemplo dos surtos de Suzane na cama ou quando o pai dos Cravinhos toma consciência da culpa dos filhos, talvez uma das cenas mais constrangedoras do filme. Essa roupagem da dramatização do caso como um produto barato e exagerado reforça e amplifica problemas já sentidos nos dois títulos anteriores, mas que, de alguma forma, ali eram represados. Talvez um dos poucos pontos passíveis de elogios do filme é o desempenho da atriz Bárbara Colen que interpreta a delegada responsável pela investigação, a única que parece dar algum tipo de credibilidade ao projeto e que surge sóbria em cena.</p>
<p>Se <em>A Menina que Matou os Pais</em> e <em>O Menino que Matou meus Pais</em> ainda geravam alguns pontos de dúvida sobre a natureza do projeto, com todo o seu tom exagerado, <strong><em>A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</em></strong> faz a iniciativa flertar abertamente com a exploração escancarada de um crime que legou tantas dores a vítimas ainda vivas, entre elas, o irmão de Suzane. O tratamento over do assunto, disposto a querer dar fôlego à protagonista como uma grande vilã de uma pretensa franquia (um true crime pop?), não é respeitoso com a seriedade que o caso exige. <strong><em>A Confissão</em></strong> transforma o crime dos von Richtofen em um folhetim barato com o que existe de pior nas possibilidades de exploração de um tema como este.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mauricio Eça</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Carla Diaz, Leonardo Bittencourt, Allan Souza Lima</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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