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	<title>Arquivos Matthias Schoenaerts - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Matthias Schoenaerts - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: The Old Guard (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2020 19:39:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Existem múltiplos tipos de obras audiovisuais. Algumas são impecáveis esteticamente e cumprem sua função de forma plena. Outras, por mais que tentem imprimir qualidade técnica, falham por não funcionarem na tela de certa maneira, como em uma falta de estabelecimento de tensão em um suspense ou ter o tempo certo em uma comédia. Ainda existem aqueles que, por mais equívocos que possuam aqui e ali, divertem, elencam quesitos positivos e, mesmo que não sejam brilhantes, acabam entregando um resultado aceitável. [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Existem múltiplos tipos de obras audiovisuais. Algumas são impecáveis esteticamente e cumprem sua função de forma plena. Outras, por mais que tentem imprimir qualidade técnica, falham por não funcionarem na tela de certa maneira, como em uma falta de estabelecimento de tensão em um suspense ou ter o tempo certo em uma comédia. Ainda existem aqueles que, por mais equívocos que possuam aqui e ali, divertem, elencam quesitos positivos e, mesmo que não sejam brilhantes, acabam entregando um resultado aceitável. Este último caso é o de <strong><em>The Old Guard</em></strong>, nova produção da Netflix, estrelada por Charlize Theron (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casal-improvavel/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Casal Improvável</em></a>).</p>
<p>Começando pelo o que há de melhor no filme, é possível destacar fortemente o desenvolvimento das personagens, principalmente como isto cria um elo de conexão do espectador com a obra. A forma como a vida pregressa das personagens é contada de maneira orgânica e pontual. Depois, traços de suas personalidades apareçam em momentos de conflitos e batalhas é um ganho aqui. O público acaba conseguindo alcançar uma sensação de proximidade com aquelas personas ficcionais e suas escolhas também fazem mais sentido por isso. Como foram muitos séculos de existência, as suas trajetórias ganham força, seja em frases que parecem soltas em cenas espaçadas ou em situações nas quais tudo cessa para que se possa mergulhar no passado. Isto faz com que, ao final da projeção, um senso forte de empatia seja atingido.</p>
<p>Outro fator que chama a atenção é a mescla equilibrada entre enquadramentos com a câmera parada e os que utilizam amplamente diversos movimentos, fomentando as sequências de ação e criando um clima mais intimistas nos instantes de conversa. Como se é sabido, é crucial neste tipo de gênero os respiros bem feitos, daqueles não façam com que o fôlego se perca. Dessa maneira, a diretora Gina Prince-Bythewood (<em>A Vida Secreta das Abelhas</em>) sabe quando priorizar o foco dos momentos introspectivos e das revelações sobre outras épocas, deixando que estas partes sejam realmente dos atores. Já nas batalhas e brigas, panorâmicas, <em>tilts</em>, <em>trackings</em> etc aparecem bastante. Esta dinâmica, inclusive, é acentuada pela iluminação, pelo figurino e o cenário, que têm uma sobriedade maior, com cores mais neutras e/ou lisas, direcionando sempre o olhar para o que está sendo mostrado.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13020" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/07/1244995.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="The Old Guard" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/07/1244995.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/07/1244995.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/07/1244995.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No entanto, o roteiro desenvolve bons <em>backgrounds</em> das personagens, mas falta um tanto de vontade em não subestimar o público na construção das relações. Além de uma narração de Theron &#8211; que se perde no meio da exibição &#8211; os diálogos são, muitas vezes, expositivos. Eles explicam e reexplicam elementos que já foram compreendidos ou que poderiam ficar subentendidos. Outro incomodo da narrativa é a quantidade de <em>plots</em> em um único longa. O desespero em colocar premissas que deixem ganchos para uma continuação faz com que o rumo daquele episódio fique um tanto turvo.</p>
<p>O que é extremamente estranho já que quem assina o roteiro é Greg Rucka, criador da HQ que inspirou a adaptação de <strong><em>The Old Guard</em></strong>.  Há muita informação e, até a conclusão do conflito principal, fica uma suspensão estabelecida, porque existem dois caminhos claros que poderiam ser seguidos. E eles ficam se espremendo constantemente, procurando um espaço para ocorrerem com tranquilidade. Esta sede por inserir muitas subtramas diminui o impacto do que está sendo contado, porém, o seu resultado final é uma sessão divertida e empolgante.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Gina Prince-Bythewood </p>
<p><strong>Elenco</strong>: Charlize Theron, Charlize Theron, Harry Melling, Kiki Layne, Chiwetel Ejiofor, Veronica Ngo, Matthias Schoenaerts</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/x4_EAlRLY_E" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-the-old-guard-netflix/">Crítica: The Old Guard (Netflix)</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: Uma Vida Oculta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Feb 2020 00:59:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Terra de Ninguém (Badlands) — a estreia de Terrence Malick como diretor — o personagem de Martin Sheen passa a história fugindo das consequências de um único ato. O protagonista, um jovem inconsequente e rebelde, havia cometido um assassinato e não sabia nem muito bem o peso que carregava tal ação. Ou seja, o poder e a irreversibilidade em tirar a vida de alguém. Aquele jovem sedutor representava uma geração no pós-guerra que vivia perdida, sentia a necessidade de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra de Ninguém </span></i><span style="font-weight: 400;">(<em>Badlands</em>) — a estreia de Terrence Malick como diretor — o personagem de Martin Sheen passa a história fugindo das consequências de um único ato. O protagonista, um jovem inconsequente e rebelde, havia cometido um assassinato e não sabia nem muito bem o peso que carregava tal ação. Ou seja, o poder e a irreversibilidade em tirar a vida de alguém. Aquele jovem sedutor representava uma geração no pós-guerra que vivia perdida, sentia a necessidade de ser livre e que não entende muito bem o poder que ela carregava. Inicio a crítica de </span><b><i>Uma Vida Oculta</i></b><span style="font-weight: 400;"> remetendo ao longa de 1973 justamente porque, apesar de protagonistas extremamente opostos, há similaridades nas duas obras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No interior da Áustria, em 1939, Franz (August Diehl) é um agricultor que vive uma vida pacata com sua mulher (Valerie Pachner) e três filhas. Um dia, ele é chamado para servir sob o comando de Hitler e do Terceiro Reich. Convocado uma vez e tendo visto os horrores da guerra, ele afirma que, caso seja chamado de novo, se negará a fazer o juramento de lealdade ao ditador alemão. Quando isso acontece, Franz é preso por traição e tem a chance de se livrar da pena de morte ao ser ajudado por um advogado. Para isso, ele deveria fazer os votos que anteriormente havia negado. Todavia, ele reluta em agir contra seus valores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Portanto, </span><b><i>Uma Vida Oculta </i></b><span style="font-weight: 400;">também é sobre encarar as consequências de sua própria decisão e de seguir até o fim com seus valores. Aqui, no caso, não se trata mais um espírito selvagem indomável, mas de um homem que acredita fielmente em seus valores religiosos e que ele não pode compactuar com a maldade. Desta vez, curioso que o que move a trama não é mais um ato (o assassinato em </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra de Ninguém</span></i><span style="font-weight: 400;">), mas a abstenção em agir (o juramento de lealdade). O próprio advogado e o padre que aconselham Franz clamam para que ele diga aquelas palavras, já que serão jogadas ao vento. Contudo, a única coisa que parece importar para ele é estar bem consigo mesmo e de um julgamento divino.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Justamente por ser uma história tão conectada com a fé e que propõe um contato direto entre o homem e o divino, os artifícios </span><i><span style="font-weight: 400;">malickianos </span></i><span style="font-weight: 400;">nunca estiveram tão bem conectados com a temática de um de seus filmes quanto aqui. Boa parte das falas acontecem através da leitura de cartas entre Franz e sua mulher, por meio de narrações em </span><i><span style="font-weight: 400;">off</span></i><span style="font-weight: 400;">, e que reforçam uma intrínseca ligação entre amor e espiritualidade. Mesmo separados por uma grande distância e estando um deles preso, a força daquele amor é tão poderosa que é como se um ouvisse o outro por intermédio da fé. Aquela relação é tão pura que não reconhece barreiras. Não só isso, mas, através de </span><i><span style="font-weight: 400;">contra-plongées </span></i><span style="font-weight: 400;">e planos gerais, Malick cria um paradoxo, uma vez que ora Franz está imenso diante dos céus, ora está tão pequeno diante das forças da natureza, algo que reflete os sentimentos do personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo estudado Filosofia em Harvard, não me espanta que Malick </span>traga <span>aqui um filme que possa ser abordado através de diversas perspectivas dentro desta área. Dentre os olhares existentes, um daqueles possíveis sobre </span><b><i>Uma Vida Oculta</i></b><span> pode ser feito sob a ótica do Existencialismo Cristão de Kierkegaard. Para o filósofo, a relação do homem com o divino está acima de qualquer outra norma imposta pelo coletivo que vive. Assim, a pessoa deve se comprometer com uma escolha para agradar Deus e seguir até o fim, passando por uma enorme angústia antes de realizar o tal salto da fé. </span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12505" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/2556096.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Uma Vida Oculta" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/2556096.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/2556096.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/2556096.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até por isso, justificam-se as três horas de duração e as sequências em que a mulher de Franz sofre repressão dos moradores locais. Tudo isso engrandece o sacrifício e torna ainda mais agonizante a escolha do protagonista. Voltando a Kierkegaard, não se trata mais de levar uma vida estética e que segue as convenções sociais — no caso, a aceitação do nazismo. Trata-se de se elevar ao plano ético  — não faço porque não concordo. Consequentemente, chega-se ao plano religioso, no qual alcança a liberdade. Neste sentido, a atuação de August Diehl é fundamental. Mesmo com seu corpo sofrendo cada vez mais as consequências do encarceramento, ele consegue transmitir um nível de tranquilidade e convicção naquilo que acredita. Quanto mais seu corpo é preso, mais sua mente parece se salvar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o personagem vivido por Martin Sheen em </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra de Ninguém </span></i><span style="font-weight: 400;">foge de seus próprios atos até o fim do filme, em </span><b><i>Uma Vida Oculta</i></b><span style="font-weight: 400;">, Franz abraça eles desde o início. Enquanto um busca a liberdade mundana e carnal, o outro busca a salvação divina. Até por isso, não faz sentido fugir de seu destino na Terra. Algo que se assemelha nas duas obras é esta recusa em se adaptar ao sistema vigente no qual vivem e jamais sacrificando seus ideais. Para Franz, a salvação vem através de sua convicção do que é certo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que muito tenha falado de Kierkegaard e o Existencialismo Cristão, a citação com que Malick decide trazer antes dos créditos também pode remeter ao Imperativo Categórico de Kant. Parafraseando George Eliot, a mensagem trazida é de que o bem crescente no mundo reside nos pequenos atos daqueles que viveram vidas ocultas. Uma visão individualista </span><i><span style="font-weight: 400;">kantiana </span></i><span style="font-weight: 400;">de que se todos fizerem aquilo que eles acreditam ser o certo, independente dos outros, poderíamos ter uma sociedade melhor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não à toa, ao final do filme, a Igreja está sendo pintada novamente, as pessoas voltaram a ser amigas e as plantações estão rendendo. Diante da ameaça nazi-fascista, o melhor modo de se combatê-la é através dos gestos individuais e dos pequenos sacrifícios. De bondade em bondade, os homens inspirarão uns aos outros a tomarem as mesmas atitudes. Assim, uma revolução partirá do micro pro macro. Não é a sociedade que salva o indivíduo, mas o indivíduo que salva a si próprio. </span></p>
<p><strong>Direção:</strong> Terrence Malick<br />
<strong>Elenco:</strong> August Diehl, Valerie Pachner, Michael Nyqvist, Jurgen Prochnow, Matthias Schoenaerts, Bruno Ganz, Martin Wuttke, Tobias Moretti, Alexander Fehling, Franz Rogowski</p>
<p><strong>Assista ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/category/trailers/">trailer</a>!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/qVtdkxr2jRE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Kursk &#8211; A Última Missão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jan 2020 17:40:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Kursk &#8211; A Última Missão narra os eventos que aconteceram com as famílias de um grupo de marinheiros vítima de uma tragédia no mar de Barents. Em 2000, um submarino para o qual trabalhavam chamado Kursk afundou e levou todos a uma situação de grande risco. A produção conta com a direção do premiado Thomas Vinterberg, de Festa de Família e A Caça. É preciso frisar, entretanto, que Kursk &#8211; A Última Missão está longe de ser um exemplar autêntico [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Kursk &#8211; A Última Missão</strong> </em>narra os eventos que aconteceram com as famílias de um grupo de marinheiros vítima de uma tragédia no mar de Barents. Em 2000, um submarino para o qual trabalhavam chamado Kursk afundou e levou todos a uma situação de grande risco. A produção conta com a direção do premiado Thomas Vinterberg, de <em>Festa de Família</em> e <em>A Caça</em>.</p>
<p>É preciso frisar, entretanto, que <em><strong>Kursk &#8211; A Última Missão</strong></em> está longe de ser um exemplar autêntico da carreira do cineasta, apesar de que sem a presença dele por trás do projeto, possivelmente o resultado seria ainda mais enfadonho ou até desastroso. O projeto parece um daqueles títulos comerciais que buscam realizadores como Vinterberg apenas para trazer algum tipo de &#8220;grife&#8221; ao produto.</p>
<p>O drama é o mais estandardizado possível. Ao longo das suas duas horas de projeção, o espectador acompanhará o drama dos marinheiros presos no submarino no fundo do mar, a dor das suas famílias e as tentativas delas buscarem algum tipo de suporte no resgate de passivas e frias autoridades. Como trama, <em><strong>Kursk &#8211; A Última Missão</strong></em> é extremamente burocrático e segue os passos da maioria dos seus similares.</p>
<p>Vinterberg intervém pouco nessa rigidez e inflexibilidade do projeto a qualquer ideia que fuja um pouco do protocolo. A ação em <em>Kursk</em> é bem mais interessante fora do submarino do que dentro dele. Nesse sentido, o trabalho do diretor ganha destaque quando dá suporte aos momentos de atrito entre as esposas das vítimas do naufrágio, representadas pela excelente Léa Seydoux (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-007-contra-spectre/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>007 Contra Spectre</em></a>), e a autoridade representada pelo personagem de Max von Sydow. No mais, <strong><em>Kursk &#8211; A Última Missão</em></strong> acaba se revelando um projeto tolhido por cartilhas comerciais que não trazem absolutamente nenhum novo sabor para esse tipo de narrativa.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Thomas Vinterberg<br />
<strong>Elenco:</strong> Matthias Schoenaerts, Léa Seydoux, Colin Firth</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Nu9FVb7c_5M" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Lavanderia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Oct 2019 22:14:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;O mundo é feito de homens escondidos atrás de pilhas de papel&#8221;. Ao longo de A Lavanderia, Jürgen Mossack (Gary Oldman, O Destino de uma Nação) e Ramón Fonseca (Antonio Banderas, Dor e Glória) tentam nos convencer que essa frase é uma mentira. Aliás, esses sobrenomes soam familiares? Se sim, é porque provavelmente você estava assistindo qualquer noticiário em 2016. Em um dos maiores vazamentos jornalísticos da história, descobriu-se que a sociedade advocatícia Mossack Fonseca estava envolvida com empresas de paraísos fiscais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;O mundo é feito de homens escondidos atrás de pilhas de papel&#8221;</em>. Ao longo de <em><strong>A Lavanderia, </strong></em>Jürgen Mossack (Gary Oldman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-destino-de-uma-nacao/"><em>O Destino de uma Nação</em></a>) e Ramón Fonseca (Antonio Banderas, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dor-e-gloria/"><em>Dor e Glória</em></a>) tentam nos convencer que essa frase é uma mentira. Aliás, esses sobrenomes soam familiares? Se sim, é porque provavelmente você estava assistindo qualquer noticiário em 2016. Em um dos maiores vazamentos jornalísticos da história, descobriu-se que a sociedade advocatícia <em>Mossack Fonseca</em> estava envolvida com empresas de paraísos fiscais (<em>offshores</em>) para evasão fiscal. Entre seus clientes, além de de vários chefes de governo, estava também a empresa brasileira de construção <em>Odebrecht</em>. Lembrou?</p>
<p>Dirigido pelo prolífico Steven Soderbergh (<em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-logan-lucky-roubo-em-familia/">Logan Lucky</a>, Magic Mike, Onze Homens e um Segredo</em>), <em><strong>A Lavanderia </strong></em>constantemente dialoga conosco. Quando começa, Mossack e Fonseca — quebrando a quarta parede e olhando diretamente para a câmera — explicam didaticamente o processo evolutivo daquilo que chamamos de dinheiro. Ao longo do filme, nas transições entre seus episódios, os sócios explicam todo o <em>juridiquês</em> da história, além de se defenderem das acusações, de maneira cômica, sempre em cenários e com figurinos pomposos e exagerados — Soderbergh chega até a experimentar com animações visuais. Tudo isso contribui para esse tom carnavalesco que serve para mostrar como aquele teatro de aparências é ridículo.</p>
<p>Adicionalmente, no meio de toda esta comédia de Banderas e Oldman, há um drama. Logo, eis que surge Ellen Martin (Meryl Streep, <em>The Post</em>). Após perder seu marido em um passeio de barco nas férias, a viúva decide processar a empresa responsável. Em seguida, ao decidir investigar a situação mais a fundo, acaba se vendo no meio de um esquema de fraudes muito maior do que imaginava.</p>
<p>Todavia, o protagonismo assumido pela veterana atriz rapidamente é mitigado por novos personagens que surgem ao longo de <em><strong>A Lavanderia</strong></em>. Por um lado, essas histórias paralelas funcionem individualmente, reafirmando o ponto de que a corrupção está por todo lugar — seja uma família norte-americana; africana ou chinesa — e que segue um fluxo aleatório, assim como a circulação de dinheiro (afinal, não há nada que conecte essas famílias, além da <em>Mossack Fonseca</em> e da ganância). Por outro, o roteiro de Scott Z. Burns (<i>Terapia de Risco</i>) fica indeciso entre adotar uma estrutura antológica ou uma organicidade investigativa que têm Streep como órgão vital, o que prejudica o ritmo do filme.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11615" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Lavanderia2-750x500.jpg" alt="A Lavanderia" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Lavanderia2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Lavanderia2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Lavanderia2-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda sobre o roteiro, há uma certa lógica arbitrária em seus acontecimentos que mostram como a corrupção entra em uma bola de novo tão grande que se torna incontrolável pelo homem, se tornando uma entidade própria. Assim como um jogo de dominó, é em virtude dessa força natural que a <em>Mossack Fonseca </em>cai. Sua queda passa desde um naufrágio de um pequeno barco até um choque de fio elétrico causado por uma batida de carro.</p>
<p>Certamente, outro problema causado pela estrutura episódica é a falta de aprofundamento de seus personagens. Além do mais, ter um elenco repleto de estrelas é tanto um acerto quanto um erro. Primeiramente, um acerto, porque nomes como: David Schwimmer (Ross de <em>Friends</em>); Jeffrey Wright (franquia <em>Jogos Vorazes</em>); Will Forte (<em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-fora-de-serie/">Fora de Série</a>); </em>Sharon Stone (<em>Casino</em>); Matthias Schoenaerts (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-operacao-red-sparrow/"><em>Operação Red Sparrow</em></a>); Melissa Rauch (Bernadette de <em>The Big Bang Theory</em>); e Nonso Anozie (Xaro Xhoan Daxos em <em>Game of Thrones</em>) — UFA! — fazem milagre com seus personagens em tão pouco tempo. Contudo, é frustrante demais ter tantos profissionais bons no elenco para aparições mínimas.</p>
<p>Da mesma forma, Meryl Streep, como sempre, é excelente quando Ellen Martin está em cena. Ela consegue trazer luto, ressentimento e nostalgia nos pequenos gestos e falas, seja ao relembrar das memórias com o marido ou quando deixa transparecer a injustiça do descaso com sua morte. Em particular, sem entrar na zona de <em>spoilers</em>, há, no terceiro ato, uma cena no qual Meryl, em um plano sequência, interpreta com enorme naturalidade e facilidade três personalidades diferentes. Enquanto isso, Banderas e Oldman dão um show à parte em seus papéis, abraçando um lado caricatural. Para isso, ambos usam sotaques acentuados, falas pontuadas e um gestualidade até sensual.</p>
<p>Em suma, <em><strong>A Lavanderia </strong></em>acaba sendo uma mistura de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-grande-aposta/"><em>A Grande Aposta</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-relatos-selvagens/"><em>Relatos Selvagens</em></a>. Em vez da crise de 2007 e antologias de ódio, temos <em>Panama Papers </em>e episódios de ganância. Logo, se alguém demorar a perceber que o protagonista não é Meryl Streep, mas o próprio dinheiro, é provável uma enorme decepção. Por fim, Steven Soderbergh, brincando com a metalinguagem, deixa claro que, apesar dos dois advogados se acharem os donos do mundo, eles são, na verdade, apenas atores de um jogo de poder muito maior, com raízes por todas as instituições.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Steven Soderbergh<br />
<strong>Elenco:</strong> Meryl Streep, Antonio Banderas, Gary Oldman, David Schwimmer, Jeffrey Wright, Will Forte, Sharon Stone, Matthias Schoenaerts, Melissa Rauch, Nonso Anozie</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong><br />
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ol58GiV_SmI&amp;w=750&amp;h=500]</p>
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