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	<title>Arquivos Mark Ruffalo - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Mark Ruffalo - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Projeto Adam (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 15:50:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Shawn Levy é um cineasta que sabe equilibrar o tom de aventura/ação com comédia em sua filmografia. Vindo de títulos como o recente Free Guy: Assumindo o Controle (2021) ou Uma Noite Fora de Série (2010) e Uma Noite no Museu (2006), o foco da sua direção parece ser sempre o de conduzir a mescla de tensão e relaxamento, misturado com certa dose de constrangimento para as personagens. Neste contexto, Levy entrega produções esquecíveis, mas divertidas e leves. Esta é [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Shawn Levy é um cineasta que sabe equilibrar o tom de aventura/ação com comédia em sua filmografia. Vindo de títulos como o recente <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-free-guy-assumindo-o-controle/"><em>Free Guy: Assumindo o Controle</em></a> (2021) ou <em>Uma Noite Fora de Série</em> (2010) e<em> Uma Noite no Museu</em> (2006), o foco da sua direção parece ser sempre o de conduzir a mescla de tensão e relaxamento, misturado com certa dose de constrangimento para as personagens. Neste contexto, Levy entrega produções esquecíveis, mas divertidas e leves.</p>
<p>Esta é a realidade de <em><strong>O Projeto Adam</strong></em>, nova estreia da Netflix, que fala sobre o encontro de dois Adams. Um é aquele vindo de 2050, que procura salvar a sua esposa, Laura (Zoe Saldaña). O outro é a sua versão de doze anos de idade, em 2022, que acabou de perder o seu pai, Loui (Mark Ruffalo), em um acidente. Sim, este é um longa-metragem que trata sobre viagem no tempo. Mas, o mais curioso aqui é notar como, mesmo inserido neste universo de ficção científica, ação e piadas, a história também confere espaço para explorar as relações entre suas personagens.</p>
<p>São muitas informações convocadas aqui, de fato, e muitas delas acabam se perdendo dentro da narrativa.  No entanto, as figuras ali investigadas são realmente trabalhadas e ganham certa complexidade. Até mesmo Maya, vilã caricata, feita por Catherine Keener (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-corra/"><em>Corra!</em></a>), tem nuances, porque a sua versão de 2022 todo o escrúpulo perdido em 2050. Desta maneira, através deste olhar para suas personagens, há todo um processo de identificação construído no enredo, que pode aproximar o espectador.</p>
<p>Neste sentido, as performances do elenco fomentam esta sensação. Este é um grupo coeso, que joga em cena e traz um dinamismo para o texto. Os diálogos ligeiros, porém preenchidos de afeto ou comicidade, são organizados para amortecer a quantidade de elementos científicos presentes no restante das falas. A sintonia entre os intérpretes cresce mais ainda na parceria entre Ryan Reynolds (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-deadpool/"><em>Deadpool</em></a>) e Walker Scobell, ambos no papel de Adam. O artista mirim impressiona por reter em sua construção trejeitos, velocidades e lógicas que habitam a interpretação de Ryan.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15351" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/o-projeto-adam-1.jpg" alt="O Projeto Adam" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/o-projeto-adam-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/o-projeto-adam-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/o-projeto-adam-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/o-projeto-adam-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Assim, há uma unidade na elaboração de Adam, independentemente da época. Ao mesmo tempo, a dupla consegue, separadamente, criar aspectos singulares, que revelam as marcas de cada período, seja na ingenuidade e sensibilidade do Adam de 2022 ou na agilidade física e senso de justiça do Adam de 2050. Estas características aqui elencadas são uma espécie de surpresa durante a sessão. Isto porque, ainda que este seja um material aparentemente despretensioso e até genérico, em alguma medida, existe um cuidado em como são tratadas as personagens dentro da trama.</p>
<p>Este olhar para elas é um dos pontos altos de <em><strong>O Projeto Adam</strong></em>, porque este zelo estabelece uma empatia e aumenta a conexão do espectador com o longa. No entanto, é preciso explicar que, no geral, não há nada de profundo ou complexo dentro da história. As saídas para o desenlace e os encaminhamentos narrativos são bastante óbvios. Além disso, a ação não se sustenta completamente. Tanto a decupagem quanto as coreografia das cenas de embates e lutas são bem semelhantes em seus arcos internos.</p>
<p>Por isso, elas soam repetitivas e vão se tornando cansativas todas as vezes que aparecem. Por esta razão, o cerne da questão é muito mais acompanhar as dinâmicas dos Adam, sua família e inimigos, do que todo o restante. Ainda assim, é notável a tentativa de introdução de uma mitologia deste mundo distópico futurístico, mesmo que a história se passe majoritariamente em 2022. Desta forma, <em><strong>O Projeto Adam </strong></em>não tem lá grandes pretensões e é um produto efêmero. Todavia, Shawn Levy e sua equipe garantem um resultado leve e divertido. Talvez, uma projeção de final de sábado, para assistir com amigues ou filhes, comendo pizza seja a melhor opção de consumo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Shawn Levy</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Ryan Reynolds, Walker Scobell, Catherine Keener, Jennifer Garner, Mark Ruffalo, Zoe Saldana</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/miycJHABS1w" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-projeto-adam-netflix/">Crítica: O Projeto Adam (Netflix)</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: O Preço da Verdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2020 02:13:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mesmo sendo conhecido por seu trabalho com melodramas como Longe do Paraíso, Carol e a minissérie da HBO Mildred Pierce, Todd Haynes é um cineasta bastante versátil e que dentro dessa versatilidade consegue preservar o DNA das suas histórias. Ele já contou uma biografia nada convencional de Bob Dylan com Não Estou Lá, já contou uma história sobre a infância em Sem Fôlego e já trafegou pela paranoia distópica em Mal do Século. O Preço da Verdade: Dark Waters é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo sendo conhecido por seu trabalho com melodramas como <em>Longe do Paraíso</em>, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-carol/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Carol</em> </a>e a minissérie da HBO <em>Mildred Pierce</em>, Todd Haynes é um cineasta bastante versátil e que dentro dessa versatilidade consegue preservar o DNA das suas histórias. Ele já contou uma biografia nada convencional de Bob Dylan com <em>Não<br />
Estou Lá</em>, já contou uma história sobre a infância em <em>Sem Fôlego</em> e já trafegou pela paranoia distópica em Mal do Século. <strong><em>O Preço da Verdade: Dark Waters</em></strong> é sua incursão no <em>thriller</em> jurídico com a história de um advogado que assume uma causa contra a DuPont, acusado a empresa de destruir o ambiente e gerar uma série de danos à saúde de pessoas ao longo da popularidade do teflon na criação de produtos.</p>
<p>O caso do advogado Rob Billot contra a Dupont durou décadas e só encontrou resolução nos anos 2010. O caso em si é surpreendente sobretudo por tomarmos ciência como esse empreendimento de pesquisas químicas de ponta atingem diversas frentes da nossa vida. De certa maneira, Haynes traz para <em><strong>O Preço da Verdade</strong></em> a mesma lógica de construção atmosférica claustrofóbica de Mal do Século. O personagem de Mark Ruffalo (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Vingadores: Ultimato</em></a>) gradualmente imagina a atuação imperceptível e destrutiva desse inimigo silencioso na rotina doméstica.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12437" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4371554.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Preço da Verdade" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4371554.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4371554.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4371554.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Mesmo encontrando como limitador um roteiro protocolar e genérico na construção do seu drama familiar e pragmático no tratamento dos meandros jurídicos do caso, Haynes consegue, com discrição e precisão cirúrgica, levar o longa para lugares insuspeitos. Isso ocorre, por exemplo, na maneira como o diretor utiliza a fotografia gélida dos arranha-céus dos escritórios de advocacia onde o caso é investigado &#8211; mais uma vez, uma excelente colaboração com Edward Lachman. Ao mesmo tempo, a paranoia é dimensionada pela dinâmica entre atores, sobretudo quando tem no centro das atenções Mark Ruffalo, em mais uma ótima interpretação.</p>
<p>O longa tem um claro apelo ao tom de denúncia e isso não lhe retira os méritos, pelo contrário, o engrandece. Em casos como esse, não tomar partido soa como negligente ao próprio propósito de contar uma trama tão grave como esta. <em><strong>O Preço da Verdade</strong></em> pode soar como algo deslocado na filmografia de Todd Haynes, mas acaba endossando os passos da sua carreira até aqui, um filme coeso, coerente com o seu gênero cinematográfico e capaz de ser contundente e preciso com a sua retórica.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Haynes<br />
<strong>Elenco:</strong> Mark Ruffalo, Anne Hathaway, Tim Robbins, Bill Camp, Bill Pullman, Victor Garber, Mare Winningham, William Jackson Harper, Louisa Krause</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/v7vNnxgYTzM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vingadores: Ultimato (SEM SPOILER)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Apr 2019 14:45:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A jornada do herói tem seu fim. Vingadores: Ultimato chega aos cinemas com o objetivo de impressionar os fãs do Universo Estendido da Marvel (MCU) a partir de uma narrativa cheia de surpresas e emoção. A grandiosidade do longa-metragem se apresenta desde a sua duração até as pomposas cenas de batalha. A produção tenta seguir a mesma linha de Guerra Infinita (2018) e trabalha a visualidade e a dinâmica dos acontecimentos de tal forma a prender o público desde seus [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A jornada do herói tem seu fim. <strong><em>Vingadores: Ultimato</em></strong> chega aos cinemas com o objetivo de impressionar os fãs do Universo Estendido da Marvel (MCU) a partir de uma narrativa cheia de surpresas e emoção. A grandiosidade do longa-metragem se apresenta desde a sua duração até as pomposas cenas de batalha. A produção tenta seguir a mesma linha de <em>Guerra Infinita</em> (2018) e trabalha a visualidade e a dinâmica dos acontecimentos de tal forma a prender o público desde seus primeiros minutos de tela.</p>
<p>A construção do MCU pode ser analisada através do conceito de Joseph Campbell de monomito – também conhecido como jornada do herói. O ciclo de Campbell é visto em cada uma das três fases do MCU – representando os três atos do caminho a ser trilhado pela figura heroica. A Fase Três da Marvel – iniciada em <em>Guerra Civil</em> (2016) – estabelece as mudanças significativas que desencadeariam os acontecimentos começados em <em>Infinity War</em> cuja conclusão só ocorre em <strong><em>Endgame</em></strong> (título original). O contraponto, a mudança e o confronto final são os focos desse último ato elaborado pela Marvel Studios. Todos os elementos criados até então foram pensados para que os Vingadores vivessem essa última tarefa.</p>
<p>Após Thanos (Josh Brolin) devastar metade da população do universo, os Vingadores encontram-se desmantelados. Os membros da equipe de super heróis que viveram ao estalo estão devastados com a perda da batalha. Mesmo com todo esse sentimento de culpa e dor e sem o Tony Stark (Robert Downey Jr.) – cujo está perdido no espaço com a Nebulosa (Karen Gillan) –, Capitão América (Chris Evans) e Viúva Negra (Scarlett Johansson) continuam a buscar pelo Titã louco para detê-lo e reverter o estrago feito pelas Joias do Infinito. Em meio a isso, a enigmática volta do Homem-Formiga (Paul Rudd) parece trazer uma nova solução para o problema e faz com que os Vingadores remanescentes se reúnam para uma tentativa final de consertar o erro.</p>
<p>No novo longa, o desenvolver do episódio final é dividido em dois momentos: a primeira parte é dinâmica, explicativa e chocante enquanto a segunda é lenta, emocional e cheia de reviravoltas. A narrativa se estabelece a partir da ideia de resolução das questões em aberto. Os primeiros 20 minutos de tela causam uma sensação de desnorteamento pela quantidade de incidentes ocorridos. Apesar do impacto positivo causado nessa espécie de prólogo, existem algumas saídas escolhidas para a história que são mal trabalhadas. O Homem-Formiga saindo do reino quântico e a salvação de Tony Stark e Nebulosa do espaço são exemplos de situações malfeitas. Os <em>plots twists</em>, contudo, conseguem superar esses defeitos da primeira parte do longa e podem acabar passando despercebidos para alguns.</p>
<p>Em seu segundo momento, a produção remonta a força de grandiosidade existente em <em>Guerra Infinita</em> e executa todas as soluções apresentadas pelas personagens. Com todos os percalços óbvios de uma jornada heroica, os Vingadores confrontam sua própria realidade. Existe uma preocupação do filme em amarrar e retomar todos os pontos subentendidos, mal resolvidos e esquecidos dos seus antecessores. A segunda parte do longa, portanto, se atenta com o esclarecimento dessas questões e com o tão esperado confronto final entre os heróis e seu maior inimigo.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10453" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="Vingadores: Ultimato" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely (<em>Guerra Civil</em> e <em>Guerra Infinita</em>) peca em alguns momentos. Diferente do capítulo anterior, nem todas as personagens são bem aproveitadas. Mais uma vez a Marvel insiste na mudança de estilo de Thor – a qual foi sucesso entre alguns fãs em <em>Ragnarok</em> (2017) –, da mesma forma o estúdio, novamente, subaproveitou a Capitã Marvel. Apesar da super heroína ter sido vendida como a solução para os problemas do outro filme, ela foi pessimamente explorada durante a produção. Além disso, existem dúvidas quanto a alguns acontecimentos pontuais dessa produção que ficam sem explicação. Independente dos 181 minutos de duração, a obra conseguiu deixar o público confuso com algumas de suas saídas mal explicadas.</p>
<p>O ritmo da narrativa, contudo, faz do filme uma experiência prazerosa. Apesar das falhas e questões mal trabalhadas no roteiro, o longa-metragem imprime uma qualidade que segue a linha das outras produções. O capítulo final não deixa de cumprir sua função para o universo e tampouco decepcionará os fãs – seja dos filmes ou quadrinhos. Os co-roteiristas souberam usar muito bem os momentos de embate e os <em>plots</em> para criar esse apego a trama. A emoção é constante e bem executada, as personagens que eles se propõem a trabalhar de verdade são bem desenvolvidas e o momento ápice da história carrega a essência dos últimos 11 anos de trabalhos da Marvel Studios.</p>
<p>Mais uma vez os irmãos Russo emplacam o que será, provavelmente, seu maior sucesso. <em><strong>Endgame</strong></em> abrange ideias e caminhos surpreendentes. A condução dessa narrativa é bem regida por Anthony e Joe e proporciona aos fãs um último vislumbre ao que eles conhecem. Os diretores souberam criar uma boa despedida. Existe um clima nostálgico e saudosista do início ao fim da película. A sensibilidade reina durante as três horas de filme – seja pelo teor das cenas, seja pela representatividade que a produção tem para o MCU – e ela conduz o espectador. O público é pego pelo coração pela forma como os irmãos elaboram as cenas, o desencadeamento das ações e a própria emoção.</p>
<p>Apesar das falhas com figuras como Capitã Marvel e Thor, <strong><em>Ultimato</em></strong> tem uma presença de personas maior que seu antecessor. Mesmo com esse desafio, os irmãos Russo e os co-roteiristas Markus e McFeely decidem por criar mininarrativas dentro do conflito maior. É como se dentro da jornada do herói existisse um embate particular que cada um deles precisa resolver. Gavião Arqueiro, Viúva Negra, Homem de Ferro e Capitão América são algumas das personagens destaque da narrativa cujo aproveitamento foi correto. Cada uma de suas ações e vivências durante o conflito final são extremamente representativas para o universo e para o futuro do MCU e das personagens.</p>
<p>Em meio a toda essa batalha dentro e fora das telonas, a produção acerta com outro trabalho que terá uma vida longa nos multiplex e arrecadará montanhas de dólares. É inevitável pontuar e impossível de não perceber os erros cometidos quando se pensa sob uma perspectiva do que seria uma criação cinematográfica completa. <strong><em>Vingadores: Ultimato</em></strong> finaliza a jornada do herói com alguns tropeços, mas, ainda assim, marcará o gênero. O longa é, entretanto, tecnicamente inferior a <em>Guerra Infinita</em> por comportar uma mesma grandiosidade de tempo, personagens e narrativas paralelas, porém o fazendo com alguma – mesmo que pequena – dificuldade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Joe Russo, Anthony Russo<br />
<strong>Elenco:</strong> Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Brie Larson, Paul Rudd, Don Cheadle, Karen Gillan, Josh Brolin, Gwyneth Paltrow, Jon Favreau, Chris Pratt, Elizabeth Olsen, Danai Gurira, Benedict Wong, Tessa Thompson, Anthony Mackie, Sebastian San, Chadwick Boseman, Dave Bautista, Evangeline Lilly, Tom Holland, Michelle Pfeiffer, Tilda Swinton, Letitia Wright, Linda Cardellini, Natalie Portman, Rene Russo, Zoe Saldana, Tom Hiddleston, Michael Douglas, Samuel L. Jackson, Stan Lee, Benedict Cumberbatch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/4QRdB4RAQMs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Spotlight &#8211; Segredos Revelados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jan 2016 01:12:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Liev Schreiber]]></category>
		<category><![CDATA[Mark Ruffalo]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Keaton]]></category>
		<category><![CDATA[Rachel McAdams]]></category>
		<category><![CDATA[Spotlight - Segredos Revelados]]></category>
		<category><![CDATA[Stanley Tucci]]></category>
		<category><![CDATA[Tom McCarthy]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2001, um grupo de jornalistas especializados em jornalismo investigativo do Boston Globe recebe do novo editor executivo do jornal a incumbência de desvendar alguns casos de pedofilia envolvendo padres da capital do estado de Massachusetts. A reportagem que inicialmente teria como protagonistas sete sacerdotes, chega a um número assustador de 90 padres acusados de molestar meninos e meninas de diferentes idades em casos que foram silenciados pela igreja, por advogados, pelo sistema judiciário e até mesmo por jornalistas. A [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Em 2001, um grupo de jornalistas especializados em jornalismo investigativo do Boston Globe recebe do novo editor executivo do jornal a incumbência de desvendar alguns casos de pedofilia envolvendo padres da capital do estado de Massachusetts. A reportagem que inicialmente teria como protagonistas sete sacerdotes, chega a um número assustador de 90 padres acusados de molestar meninos e meninas de diferentes idades em casos que foram silenciados pela igreja, por advogados, pelo sistema judiciário e até mesmo por jornalistas. A reportagem do grupo, cuja seção no jornal fora batizada de Spotlight, ganhou repercussão mundial, resultou em uma atenção maior ainda para os casos de pedofilia envolvendo a igreja católica e acabou ganhando o prêmio Pulitzer de jornalismo.</p>
</div>
<div>
<p>Conduzido com uma sobriedade admirável por Tom McCarthy, realizador cujos trabalhos mais marcantes até então vieram do circuito independente norte-americano, entre eles, <i>O Agente da Estação </i>e <i>O Visitante</i>, <i>Spotlight &#8211; Segredos Revelados </i>revive os passos da investigação empreendida pelos jornalistas do Boston Globe e<i> </i>é um filme cujo principal mérito é abordar um tema revoltante como a prática da pedofilia na igreja católica evitando qualquer tipo de sensacionalismo. Mesmo que adote uma abordagem quase que cerebral sobre o assunto, é preciso salientar que McCarthy não faz um filme frio, há um envolvimento emocional do diretor, do roteiro e dos personagens  na medida em que determinados fatos sobre os casos vêm à tona. Assim, há o jornalismo, mas o &#8220;sangue&#8221; está presente nas &#8220;veias&#8221; do longa-metragem.</p>
</div>
<p><figure id="attachment_4244" aria-describedby="caption-attachment-4244" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4244 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/111111111111111-620x349.jpg" alt="111111111111111" width="620" height="349" /><figcaption id="caption-attachment-4244" class="wp-caption-text">Tensão: Filme mantém o espectador preso no desenrolar da descoberta dos fatos</figcaption></figure></p>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Grande parte desse interessante equilíbrio encontrado por Tom McCarthy em <i>Spotlight</i> deve-se ao fato do realizador ter compreendido que a perspectiva lançada por sua obra era a da investigação jornalística e de que o olhar lançado para o caso era do grupo de profissionais do Boston Globe. Ao adotar esse ponto de vista, McCarthy ainda consegue fazer do seu filme, essencialmente verborrágico, uma trama investigativa enervante com ganchos que mantém o espectador atento e envolvido na dinâmica de trabalho do grupo de jornalistas do filme sem recorrer a elucubrações visuais. Tudo em <i>Spotlight </i>parece monocórdico e ter o seu próprio tempo, o que, curiosamente, em momento algum prejudica o ritmo do filme, pelo contrário, põe em evidência o trabalho investigativo que o longa quer destacar e mantém o espectador envolvido por horas nas descobertas feitas pelos personagens.</p>
</div>
<div>
<p>É como se o filme de McCarthy se transmutasse na própria reportagem cuja realização dramatiza. São raras no filme as sequências que não passam pelo crivo do olhar ou pela ação do seu grupo de jornalistas. Vivenciamos os horrores dos casos de pedofilia contados somente pela narrativa da investigação jornalística e todos os seus bastidores. Esta opção do realizador é o que sustenta o seu filme e evidencia as suas próprias pretensões: não apenas indignar o público com os crimes da igreja, mas destacar a função social  do jornalismo em casos como esse. Nesse sentido é que <i>Spotlight </i>consegue ser um filme sóbrio, porém evitando qualquer tipo de indiferença àquilo que está revelando a sua plateia.</p>
</div>
<p><figure id="attachment_4245" aria-describedby="caption-attachment-4245" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4245 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/2015-09-04-1441380921-1272728-Spotlight_film_2015-620x334.jpg" alt="2015-09-04-1441380921-1272728-Spotlight_film_2015" width="620" height="334" /><figcaption id="caption-attachment-4245" class="wp-caption-text">Harmonia: Interpretações do elenco são marcadas pelo equilíbrio, não existindo ator que destoe do outro em cena</figcaption></figure></p>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com a mesma sobriedade que Tom McCarthy conduz a sua história, ele dirige o seu elenco. Nesse sentido, seria injusto destacar esse ou aquele desempenho no seu filme porque todos os atores estão igualmente excelentes. Tal qual o trabalho da equipe do Spotlight do jornal Boston Globe, Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Stanley Tucci, só para citar alguns dos atores centrais do longa, trabalham harmonicamente como uma equipe, sem sobressalências ou interpretações em tons mais elevados, o que é coerente com o próprio propósito filme.</p>
</div>
<div>
<p>Além de expor toda uma estrutura de poder que acobertou e continua acobertando os casos de pedofilia da igreja católica, <i>Spotlight &#8211; Segredos Revelados </i>acaba mostrando-se ao público como uma narrativa que reforça a importância do jornalismo (não quele de fachada que parte das redações espalhadas por ai exercem) para a sociedade. Parece um pouco &#8220;lugar comum&#8221; dizer isso, mas em tempos de &#8220;copia e cola&#8221; e da busca insana pelo furo de reportagem, resultando em práticas irresponsáveis e marcadas pelo anti-profissionalismo e por apurações cada vez mais pobres, nunca é demais abrir um parênteses para esse potencial da obra. Além disso, o filme de Tom McCarthy, em seu próprio propósito de ser uma espécie de &#8220;bastidor de uma grande reportagem&#8221; confirma que para oferecer uma trama tensa, envolvente e emocionalmente engajada não é necessário recorrer a diálogos, trilhas ou cenas excessivamente expositivas e manipulatórias, a descoberta dos fatos é por si só um instrumento de envolvimento e fidelização do público à obra do início ao fim.</p>
</div>
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		<title>Dramas The 33 e Spotlight têm seus trailers divulgados!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2015 20:43:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Trailers]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Banderas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Oscar 2016]]></category>
		<category><![CDATA[Rachel McAdams]]></category>
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		<category><![CDATA[Spotlight]]></category>
		<category><![CDATA[The 33]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dois aguardados títulos do segundo semestre de 2015 tiveram seus trailers divulgados. O drama sobre os 33 mineiros chilenos soterrados por 69 dias em 2011, The 33, protagonizado por Antonio Banderas, Juliette Binoche e Rodrigo Santoro, e o suspense Spotlight sobre jornalistas de Boston envolvidos em uma investigação sobre padres pedófilos. The 33 tem direção de Patricia Riggen (de Sob a mesma lua) e tem como enfoque os dramas pessoais das famílias envolvidas no fato. Banderas interpreta o líder dos mineiros, enquanto Santoro vive [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/07/maxresdefault2.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3217" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/07/maxresdefault2-620x371.jpg" alt="maxresdefault" width="620" height="371" /></a></p>
<p>Dois aguardados títulos do segundo semestre de 2015 tiveram seus trailers divulgados. O drama sobre os 33 mineiros chilenos soterrados por 69 dias em 2011, <em>The 33</em>, protagonizado por Antonio Banderas, Juliette Binoche e Rodrigo Santoro, e o suspense <em>Spotlight</em> sobre jornalistas de Boston envolvidos em uma investigação sobre padres pedófilos.</p>
<p><em><strong>The 33</strong> </em>tem direção de Patricia Riggen (de <em>Sob a mesma lua</em>) e tem como enfoque os dramas pessoais das famílias envolvidas no fato. Banderas interpreta o líder dos mineiros, enquanto Santoro vive um homem que ficou responsável pelo resgate do grupo.</p>
<p>O filme tem estreia prevista para o dia 13 de novembro nos EUA e ainda não tem data de lançamento no Brasil.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/hOoIBOYqHyw" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/07/spotlight1.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3218" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/07/spotlight1-620x349.jpg" alt="spotlight" width="620" height="349" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Já <strong><em>Spotlight</em>,</strong> que como <a href="http://coisadecinefilo.com.br/festival-de-toronto-anuncia-sua-selecao-de-filmes/">anunciamos ontem faz parte da seleção oficial do Festival de Toronto</a>, traz um grande elenco encabeçado pelos indicados ao Oscar Michael Keaton e Mark Ruffalo e pela atriz Rachel McAdams. Os três interpretarão jornalistas do Boston Globe. Antes de ser exibido em Toronto, o filme passará pelo Festival de Veneza.</p>
<p>O longa estreia no dia 06 de novembro nos EUA, sem previsão de lançamento no Brasil também. A direção é de Tom McCarthy, o mesmo do independente <em>O Visitante</em>.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/EwdCIpbTN5g" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Foxcatcher &#8211; Uma História que chocou o Mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jan 2015 19:27:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bennett Miller]]></category>
		<category><![CDATA[Channing Tatum]]></category>
		<category><![CDATA[Foxcatcher]]></category>
		<category><![CDATA[Mark Ruffalo]]></category>
		<category><![CDATA[Sienna Miller]]></category>
		<category><![CDATA[Steve Carell]]></category>
		<category><![CDATA[Vanessa Redgrave]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Os acontecimentos de Foxcatcher &#8211; Uma História que chocou o Mundo têm como força condutora a insegurança do seu protagonista, o lutador Mark Schultz (Channing Tatum). O fio condutor desse filme sombrio de Bennett Miller é a carência desse personagem, suprida em níveis diferentes pelo seu irmão mais velho David Schultz (Mark Ruffalo) e pelo seu pretenso treinador, o milionário John du Pont (Steve Carell). Bennett Miller constroi toda a atmosfera necessária para fazer de Foxcatcher um filme denso [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>Os acontecimentos de <i>Foxcatcher &#8211; Uma História que chocou o Mundo </i>têm como força condutora a insegurança do seu protagonista, o lutador Mark Schultz (Channing Tatum). O fio condutor desse filme sombrio de Bennett Miller é a carência desse personagem, suprida em níveis diferentes pelo seu irmão mais velho David Schultz (Mark Ruffalo) e pelo seu pretenso treinador, o milionário John du Pont (Steve Carell). Bennett Miller constroi toda a atmosfera necessária para fazer de <i>Foxcatcher </i>um filme denso psicologicamente, além de intrincado e coerente como narrativa. As sensações criadas no espectador são fluidas, nada é antecipado, os personagens e suas relações são críveis e a condução é ritmada. Enfim, o melhor trabalho da carreira do diretor de <i>Capote </i>e <i>O Homem que mudou o Jogo</i>, até então.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p><i>Foxcatcher </i>tem início quando o jovem lutador de luta greco-romana Mark Schultz recebe um convite do milionário John du Pont. Ele deseja patrocinar o treino e a ida do atleta para as Olimpíadas de Seul em 1988. Schultz passa a morar na casa de du Pont e começa a criar uma certa veneração pela filosofia de sucesso do seu patrocinador e técnico de fachada. Em determinado momento da trama, du Pont começa a fazer pouco caso de Mark e decide trazer para a equipe o irmão do rapaz, David Schultz. A presença de David perturba a relação entre du Pont e Mark, fazendo com que tudo saia de controle.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/foxcatcher02.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2656" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/foxcatcher02-620x323.jpg" alt="foxcatcher02" width="620" height="323" /></a></p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p>Tudo em <i>Foxcatcher </i>sugere que Mark e John du Pont, de certa maneira, se complementam. Ambos são governados pelo sentimento de inferioridade, pela necessidade de corresponder e superar às próprias expectativas ou àquelas que pensam que terceiros tenham sobre eles. Isso os torna figuras destrutivas, uma característica potencializada pelo encontro dos dois na trama. Isso faz com que Miller e seu diretor de fotografia Greg Fraser optem por tonalidades mais acinzentadas, que os cortes sejam mínimos e que os movimentos de câmera sejam mais lentos, contrastando com a inquietação psíquica e física de Mark e com o silêncio imprevisível de John du Pont, tudo é muito perturbador de ser acompanhado por tanto tempo. Em contrapartida, a presença de David Schultz (Ruffalo) é um alento afetivo para a história, ironicamente, o personagem que acaba saindo lesado de toda a relação doentia entre Mark e John.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p>Na pele de John du Pont, Steve Carell provoca no espectador um misto de asco e pena. Carell compõe um tipo absolutamente imprevisível, uma bomba relógio ambulante, a partir de um olhar lânguido, pouquíssimos gestos, todos acompanhados com bastante atenção pela câmera de Miller. Já Channing Tatum tem aqui o melhor desempenho da sua carreira, sua interpretação é repleta de nuances e consegue equilibrar a sensibilidade, imaturidade e agressividade de Mark Schultz. Mark Ruffalo completa o elenco como o personagem mais admirável dos três, um sujeito comum e afetuoso, pai de família, irmão dedicado, profissional exemplar, enfim, tudo o que du Pont e Mark mais almejaram ser na vida.  David é uma espécie de fantasma dos protagonistas.</p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/AR-141127414.jpgMaxW650.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-2657" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/AR-141127414.jpgMaxW650-620x338.jpg" alt="AR-141127414.jpg&amp;MaxW=650" width="620" height="338" /></a></p>
</div>
<div style="text-align: justify;">
<p>Representando a maturidade da carreira de Bennett Miller, <i>Foxcatcher </i>é um filme de personagens e relações complicadas, algumas delas sombrias demais para quem não deseja ou tem medo de adentrar no que existe de pior nos recôncavos da nossa complicada psique. O filme é sólido dramaticamente, coerente como narrativa, utiliza ao máximo todos os recursos cinematográficos à sua disposição, oferecendo uma trama sobre ambição, relações familiares e homens complicados, ou seja, se inspira no que de melhor a cinematografia norte-americana já fez.No final das contas, <i>Foxcatcher </i>trata como tantos outros grandes filmes norte-americanos de um traço peculiar e doentio da cultura dos EUA, a obsessão pelo sucesso e pela figura do sujeito bem-sucedido, uma categoria que não necessariamente está associada à acumulação financeira, mas com o reconhecimento de uma trajetória por terceiros, sua publicização e a construção de um mito. No caso, o longa deixa bem claro que há dois caminhos, cada um deles optados por um dos personagens em questão: a completa escuridão ou a libertação desse ideal de felicidade e reconhecimento pleno, uma doença contemporânea.</p>
</div>
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		<title>Crítica: Mesmo se nada der certo</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-mesmo-se-nada-der-certo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Sep 2014 23:39:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[John Carney]]></category>
		<category><![CDATA[Keira Knightley]]></category>
		<category><![CDATA[Mark Ruffalo]]></category>
		<category><![CDATA[Mesmo se nada der certo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; John Carney está se tornando uma espécie de Cameron Crowe indie. Popularizado com o drama Apenas uma Vez, vencedor do Oscar de melhor canção em 2009 com &#8220;Falling Slowly&#8221;, o realizador não esconde sua paixão pela música e entende que essa forma de expressão é a que melhor define e retira da banalidade seus personagens comumente desajustados com o seu tempo e com os imperativos do mercado fonográfico. E se em Apenas uma Vez tínhamos o casal de desconhecidos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_1958" aria-describedby="caption-attachment-1958" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/begin-again.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1958 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/begin-again-620x303.jpg" alt="begin-again" width="620" height="303" /></a><figcaption id="caption-attachment-1958" class="wp-caption-text">Afinidades: Personagens de Mark Ruffalo e Keira Knightley compartilham suas músicas preferidas e suas neuroses sobre os tempos de industrialização das artes.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>John Carney está se tornando uma espécie de Cameron Crowe <em>indie</em>. Popularizado com o drama <em>Apenas uma Vez</em>, vencedor do Oscar de melhor canção em 2009 com &#8220;Falling Slowly&#8221;, o realizador não esconde sua paixão pela música e entende que essa forma de expressão é a que melhor define e retira da banalidade seus personagens comumente desajustados com o seu tempo e com os imperativos do mercado fonográfico. E se em <em>Apenas uma Vez </em>tínhamos o casal de desconhecidos Glen Hansard e Markéta Irglová, em <em>Mesmo se nada der certo </em>a dupla central é representada por Keira Knightley e Mark Ruffalo, que, de uma certa forma, apresentam preocupações semelhantes àquelas vivenciadas pelos personagens de Hansard e Irglová.</p>
<p><em>Mesmo se nada der certo </em>tem início quando um produtor musical chamado Dan (Ruffalo) vive uma de suas maiores crises pessoais e profissionais. A vida do sujeito está virada do avesso, separou-se da mulher, tem uma relação distante e complicada com a filha adolescente e está cansado dos ditames da indústria da música que lhe empurram &#8220;goela abaixo&#8221; jovens artistas sem o menor talento para a coisa. No outro polo do filme encontramos Gretta (Knightley), uma jovem inglesa que é uma brilhante compositora e cantora, mas que é avessa ao estrelato. Gretta está em Nova York acompanhada do namorado, cuja carreira musical é catapultada graças ao sucesso de uma de suas canções na trilha sonora de um filme. Contudo, Gretta descobre que o rapaz lhe traiu e decide abandoná-lo. Dan e Gretta se encontram e, diante das portas fechadas das gravadoras, ele propõe a ela gravar um álbum pelas ruas da cidade, a céu aberto. A experiência será transformadora para os dois personagens na medida em que descobrem suas afinidades musicais.</p>
<p><figure id="attachment_1959" aria-describedby="caption-attachment-1959" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/beginagain_.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1959 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/beginagain_-620x349.jpg" alt="beginagain_" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-1959" class="wp-caption-text">Gravação a céu aberto: Dan (Ruffalo) propõe a Gretta (Knightley) a gravação de um álbum em plena movimentação novaiorquina.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Estética e narrativamente, <em>Mesmo se nada der certo </em>não traz grandes saltos, até porque não é essa a ambição do seu realizador. John Carney investe na combinação entre o visual atraente dos arranha-céus de Nova York, o charme e a competência de Keira Knightley e Mark Ruffalo e uma trilha sonora certeira. O filme pode não priorizar uma profundidade maior dos seus temas ou mesmo tratar seus personagens com uma leve superficialidade, mas não resta dúvida de que, em diversos momentos, a simplicidade do realizador e de sua história tocam fundo o espectador.</p>
<p>Dan e Gretta parecem uma versão suave do Llewyn Davis do mais recente filme dos irmãos Coen. Dois sujeitos desajustados com a ordem de prioridades daqueles que estão ao seu redor. O encontro entre esses dois personagens selam a consciência de que não estão sós, de que não entrar em conformidade com a maioria não é estranho, traz uma calma para ambos, uma perspectiva até mais tolerante para com aqueles que entram na lógica industrial de produção musical. E se por um lado temos Mark Ruffalo em sua natural boemia, do outro temos uma Keira Knightley à flor da pele, uma espécie de boneca delicada, sensível, graciosa. Em torno dessas duas figuras, temos James Corden, Catherine Keener, Hailee Steinfeld e Adam Levine, todos dando conta do recado.</p>
<p><figure id="attachment_1960" aria-describedby="caption-attachment-1960" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/o-ADAM-LEVINE-KEIRA-facebook.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1960 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/o-ADAM-LEVINE-KEIRA-facebook-620x310.jpg" alt="" width="620" height="310" /></a><figcaption id="caption-attachment-1960" class="wp-caption-text">Gretta (Knightley) e o ex: Adam Levine do Maroon 5 faz uma participação no filme, e não faz feio.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em todo o filme, há um sentido de urgência pelo compartilhamento. Os personagens ouvem suas canções em iPods com entradas duplas para fones. A gravação da banda é feita ao ar livre em meio a correria rotineira de uma grande cidade. John Carney parece querer dizer que a vida e a experiência artística torna-se mais rica quando compartilhada, ela adquire sentido em contato direto com a energia pulsante da vida, das pessoas. É nesse encontro que cenas banais como as que são apontadas pelo personagem do Mark Ruffalo, em determinado momento do filme, ganham vida. Agradecemos a John Carney por compartilhar essa experiência conosco.</p>
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		<title>Para sentir o drama mesmo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Aug 2014 00:30:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Premiações]]></category>
		<category><![CDATA[Alfred Molina]]></category>
		<category><![CDATA[Jim Parsons]]></category>
		<category><![CDATA[Julia Roberts]]></category>
		<category><![CDATA[Mark Ruffalo]]></category>
		<category><![CDATA[Matt Bomer]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Murphy]]></category>
		<category><![CDATA[The Normal Heart]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; A produção original da HBO The Normal Heart tem fortes chances de faturar alguns Emmys no próximo dia 25 de agosto – foram onze indicações ao prêmio, entre elas, as de melhor filme para TV, melhor ator principal e coadjuvantes em filmes neste formato, assim como de direção e roteiro. O filme já foi discutido antes aqui, mas merece destaque nessa coluna. Dirigido por Ryan Murphy e escrito por Larry Kramer, o filme se baseia na peça teatral de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_1792" aria-describedby="caption-attachment-1792" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/normalh2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1792 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/normalh2-620x368.jpg" alt="normalh2" width="620" height="368" /></a><figcaption id="caption-attachment-1792" class="wp-caption-text">11 indicações: Telefilme chega ao Emmy com pinta de favorito aos prêmios das categorias nas quais concorre.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A produção original da HBO <em>The Normal Heart</em> tem fortes chances de faturar alguns Emmys no próximo dia 25 de agosto – foram onze indicações ao prêmio, entre elas, as de melhor filme para TV, melhor ator principal e coadjuvantes em filmes neste formato, assim como de direção e roteiro. O filme já foi discutido antes <a href="http://coisadecinefilo.com.br/critica-the-normal-heart-hbo/">aqui</a>, mas merece destaque nessa coluna.</p>
<p>Dirigido por Ryan Murphy e escrito por Larry Kramer, o filme se baseia na peça teatral de mesmo nome escrita por ele em 1985. Conduzidos pelo protagonista Ned Weeks, interpretado por Mark Ruffalo, acompanhamos o drama vivenciado pelas pessoas LGBT no início daquela década, quando os primeiros casos de AIDS começaram a atingir a população gay. Ao presenciar a morte dos amigos e o descaso do governo com aquela situação, cada vez mais agravante, Weeks, um escritor polêmico e combativo, que, inclusive, não é tão bem recebido pelo público gay por suas críticas aos comportamentos de liberdade sexual por julgá-los moralmente como promíscuos, junta forças com a Dra. Emma Brookner (Julia Roberts) para militar em busca de estudos sobre a doença que acabara de surgir assim como auxiliar e conscientizar a população atingida pela AIDS.</p>
<p><figure id="attachment_1794" aria-describedby="caption-attachment-1794" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-1794 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/julia-620x348.jpg" alt="julia" width="620" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-1794" class="wp-caption-text">Aliada: Médica vivida por Julia Roberts junta-se ao protagonista na luta da causa.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É interessante notar, então, as estratégias que o filme toma ao trazer a tensão constante existente dentro do grupo identitário composto pelos LGBT. Os diálogos monologais, possivelmente advindos da peça original, dão um tom de confissão e desabafo ao filme. Aqui, não é só a AIDS que é discutida, mas a própria condição sexual e a maneira que os indivíduos vivenciam suas realidades através dela.</p>
<p>Quando Weeks e a Dra. Brookner passam a reunir amigos e realizar reuniões para conscientizar os mais próximos da necessidade de controlarem seus impulsos sexuais, já que haviam indicações da transmissão sexual da doença, os gays não aceitam bem a ideia já que vinham, até então, defendendo a sua liberdade de se relacionarem abertamente sem temerem sua sexualidade.</p>
<p>O temperamento explosivo de Weeks e o modo com que milita pelo suporte daqueles gays contaminados pela AIDS, com suas polêmicas atitudes para chamar a atenção das autoridades, seja em público ou na mídia, passa a ser vista por alguns como uma maneira de autopromoção, de modo a questionarem as reais intenções do escritor.</p>
<p><figure id="attachment_1795" aria-describedby="caption-attachment-1795" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/the-normal-heart.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1795 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/the-normal-heart-620x319.jpg" alt="the-normal-heart" width="620" height="319" /></a><figcaption id="caption-attachment-1795" class="wp-caption-text">As duas vozes da causa: As abordagens da questão pelos personagens de Mark Ruffalo e Taylor Kitsch chamam a atenção.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por isso, os amigos, que no início o ajudam e inclusive, se juntam pra montar uma instituição de apoio, começam a se sentir cada vez mais incomodados com a combatividade de Weeks, gerando um desgaste crescente dentro do grupo. Ora, Weeks já não era tão bem aceito por suas ideias em suas obras, agora, alguns passam a enxergá-lo como uma ameaça às conquistas da comunidade ao defender uma forma de repressão dos desejos sexuais dos gays.</p>
<p>A lógica de alguns personagens pode até parecer rasa e simplista à primeira vista, mas é compreensível graças ao modo com que, talvez por ser derivada de uma peça teatral, o filme traz os diálogos bem dramáticas e, muitas vezes, com um tom monologal como afirmei mais acima – é muito difícil não se emocionar e compreender a dor do personagem Mickey Marcus (Joe Mantello), em um ponto chave e representativo deste conflito entre os personagens, quando realiza um desabafo em que demonstra ao mesmo tempo uma indignação com a realidade de descaso vivida por eles diante da falta de atenção das autoridades, a culpa sentida por ter lutado durante tempos para terem a liberdade de vivenciarem suas sexualidades e agora ter essa liberdade apontada como a causa pela contaminação dentro da comunidade e a discordância com os métodos e as ideias de Weeks.</p>
<p>Tal tensão também é percebida, por exemplo, quando nas reuniões para se eleger o representante da instituição, há claramente uma preferência por Bruce Miles (Taylor Kitsch) – este é justamente o oposto de Weeks; masculino, com um pé dentro do armário e com um discurso de assimilação e integração aos padrões heterossexuais, Miles é enxergado como um caminho mais tranquilo para se dialogar com as autoridades e conseguir o apoio necessário. No entanto, Miles tem justamente em Weeks o melhor amigo, que o escuta em todos os momentos de crise – inclusive quando ele começa a sentir o peso da suspeita de ter sido um dos vetores iniciais da doença, já que perde, sucessivamente, parceiros contaminados pela AIDS ao longo do filme, o que vai gerando uma instabilidade emocional crescente no personagem.</p>
<p><figure id="attachment_1796" aria-describedby="caption-attachment-1796" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/650_1000_140524-normal-heart-mark-struggling-1024.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1796 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/650_1000_140524-normal-heart-mark-struggling-1024-620x349.jpg" alt="650_1000_140524-normal-heart-mark-struggling-1024" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-1796" class="wp-caption-text">Alta tensão: Elevado teor emocional do protagonista dimensionam o problema para o espectador.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Entender como e o porquê Ned Weeks tem um temperamento explosivo é um processo que se dá a partir de seu relacionamento com o irmão Ben Weeks (Alfred Molina), com o namorado, o jornalista Felix Turner (Matt Bomer) e também, embora em uma quantidade de tempo menor no longa, mas não menos importante, com a Dra. Emma Brooks e Tommy Boatwright (Jim Parsons). É na interação com estes personagens que Ned nos é revelado quanto a sua personalidade e seus posicionamentos, assim como nota-se a força da atuação deste núcleo de personagens – especialmente os dois últimos citados, que marcam pela ausência e sempre roubam a cena quando surgem.</p>
<p>Em um diálogo fortíssimo (palmas para Mark Ruffalo e Alfred Molina), a indignação de Ned transparece numa catarse em que ele dá um ultimato ao irmão de que só irá considera-lo novamente, quando aquele o enxergar como igual. Embora sempre tenha apoiado o irmão, fica claro que Ben foi cúmplice da maneira com que a família tratou a sexualidade de Ned, levando a vários psicólogos que tentavam curá-lo de sua “doença”; no discurso de Ben, embora revelado em meio a confusão e a dor, fica claro também a sua incompreensão com a luta do irmão e o modo como ele ainda o enxerga como um doente, revelando assim a contradição que muitos familiares têm com seus parentes LGBT ao ficarem dividos entre o sentimento que têm por eles e sua não aceitação da sexualidade do outro.</p>
<p>Assim, surpreendentemente, é Felix Turner, que, ao final, surge como uma possibilidade de retorno ao contato entre os irmãos quando, em outro ponto chave, é responsável por esse restabelecimento. A interpretação reservada de Matt Bomer é um dos pontos fortes do filme – namorado de Ned, o personagem ganha profundidade com o avanço do longa e dá ao telespectador um elo que demonstra os medos e fraquezas do outro personagem, já que ele sempre parece em combate com os outros e, com Turner, tem, naturalmente, um comportamento amoroso e confessional, ao mesmo tempo que, a partir do momento em que se descobre contaminado pelo vírus, nos apresenta a triste realidade vivenciada pelo casal advinda da crescente piora de sua saúde.</p>
<p><figure id="attachment_1797" aria-describedby="caption-attachment-1797" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/normalh6.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1797 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/normalh6-620x348.jpg" alt="normalh6" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-1797" class="wp-caption-text">Jim Parsons: Ator de &#8220;The Big Bang Theory&#8221; é um dos destaques do projeto de Ryan Murphy.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Outros dois grandes destaques do filme, embora com pouco espaço na tela, são os personagens interpretados por Julia Roberts e Jim Parsons. A Dra. Emma Brookner é de longe a personagem mais interessante e complexa do filme – muito difícil entender suas motivações (fora aquelas alegadas explicitamente), visto que pouco nos é revelado sobre ela, a não ser o que a levou a paralisia foi a pólio em sua infância. Certo é que sempre rouba cena, seja pela personalidade arredia e ao mesmo tempo protetora, seja pelo esforço e paciência da personagem ao lidar com temperamentos, igualmente, difíceis como o próprio Ned Weeks, demonstrando, assim, um grande esforço de empatia. Destaque para a cena em que ela explode diante de uma comissão de apoio financeiro do Estado, que julga seu projeto para pesquisar a AIDS e nega o suporte.</p>
<p>A maior surpresa do filme, no entanto, fica a cargo de Jim Parsons. O ator, conhecido pelo seu papel na série de comédia The Big Bang Theory, traz um personagem, Tommy Boatwright, econômico e simples, mas que comunica pelo silêncio na mesma proporção que Ned Weeks comunica pelo grito. Solitário e reservado, o personagem apoia Weeks até os limites e surge como símbolo da amizade familiar existente entre os LGBT, já que muitas vezes estes têm de renunciar à vida no seio familiar dos laços de sangue pela discriminação sofrida pelos parentes e encontram nos amigos uma nova família. Vivendo sempre para os outros e para o trabalho, ele é incentivado por Ned ao longo do filme a buscar viver sua própria vida. Seu monólogo durante o enterro de um dos amigos do grupo é sem dúvida a cena mais forte e simbólica da dor e indignação sentida pelos LGBT, seja pela incapacidade de compreender o descaso e a assustadora circunstância em que eles se encontravam (e as outras vivenciadas nos dias atuais), assim como pela dificuldade em entender o porquê dele, seus amigos e aqueles que compartilhavam da mesma orientação sexual serem tão rejeitados, considerados abjetos e desumanizados pela sociedade.</p>
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		<title>Crítica: The Normal Heart (HBO)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2014 00:31:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Julia Roberts]]></category>
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		<category><![CDATA[Matt Bomer]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Murphy]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; A década de 1980 não foi um período muito fácil para a &#8220;comunidade&#8221; gay norte-americana &#8211; e coloco esse comunidade entre aspas pois não gosto muito da definição, restringe um grupo a um gueto ao invés de incluí-lo na sociedade. Era o auge da epidemia da Aids e os primeiros casos noticiados envolviam homossexuais do sexo masculino. Somando o estigma de &#8220;grupo de risco&#8221; ao preconceito que os gays já sofriam &#8211; se hoje é perceptível, imagina na época [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_1085" aria-describedby="caption-attachment-1085" style="width: 598px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/0001.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1085" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/0001-620x308.jpg" alt="0001" width="598" height="297" /></a><figcaption id="caption-attachment-1085" class="wp-caption-text">Causa humana: Movimento gay a favor de uma cura da Aids é o tema de telefilme da HBO.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A década de 1980 não foi um período muito fácil para a &#8220;comunidade&#8221; gay norte-americana &#8211; e coloco esse comunidade entre aspas pois não gosto muito da definição, restringe um grupo a um gueto ao invés de incluí-lo na sociedade. Era o auge da epidemia da Aids e os primeiros casos noticiados envolviam homossexuais do sexo masculino. Somando o estigma de &#8220;grupo de risco&#8221; ao preconceito que os gays já sofriam &#8211; se hoje é perceptível, imagina na época -, o governo não teve intenção alguma de conter o avanço do contágio. Nesse cenário, os primeiros grupos politizados de homossexuais começaram a se organizar criando organizações de amparo às vítimas da Aids e buscando uma cura para o  que foi taxado de &#8220;câncer gay&#8221;.</p>
<p><em>The Normal Heart</em>, produção original da HBO, faz um panorama dessa época com ecos ainda sentidos no presente através da homofobia e da penumbra que insiste em rondar a Aids. O homem por trás desse telefilme é Ryan Murphy, realizador de <em>Comer Rezar Amar</em>, mas que marcou seu nome mesmo ao conceber as séries <em>Nip/Tuck </em>e <em>Glee</em>. Mas aqui o tema não é tão suave, Murphy tem em mãos um material extremamente delicado. O roteiro de Larry Kramer aborda o envolvimento de Ned Weeks na luta pela tolerância gay em função das sucessivas perdas em sua vida. Muitos amigos de Ned morrem vítimas da Aids e ele e outros companheiros fundam uma organização de amparo às vítimas. No entanto, Ned quer mais do que ser um porto seguro para doentes terminais, quer que a cura da epidemia seja objeto de pesquisas para que ele e seus amigos possam relacionar-se sem o receio de contrair o vírus.</p>
<p><figure id="attachment_1086" aria-describedby="caption-attachment-1086" style="width: 588px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/normalheart1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1086" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/normalheart1.jpg" alt="The Normal Heart Mark Ruffalo, Matt Bomer" width="588" height="328" /></a><figcaption id="caption-attachment-1086" class="wp-caption-text">Humanidade à flor da pele: A construção de relações de carne e osso pelo realizador e pelo seu elenco é um dos principais méritos do projeto. Interpretando o namorado do personagem de Mark Ruffalo, Matt Bomer é a revelação do projeto.</figcaption></figure></p>
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<p>Ryan Murphy conseguiu abordar com muita sensibilidade os relacionamentos que preenchem esse filme, seja a relação de Ned com seu namorado, o jornalista do New York Times Felix Turner (Matt Bomer), seja sua afetuosa relação com o irmão mais velho, um amparo familiar que lhe trouxe bastante segurança e conforto para lidar com a sua sexualidade. Há muita sinceridade em torno dessas relações e por isso Murphy consegue trazer para seu filme um cenário em que o espectador se importa com o destino dos seus personagens, se envolva com suas histórias e desperte a consciência para a dimensão da sua causa. O tom panfletário do longa é notório e inevitável ao projeto, mas está longe de ser impertinente e forçado como algumas outras obras de cunho político ou social já foram. Por se apoiar no aspecto humano da causa, o tom de discurso em praça pública de <em>The Normal Heart </em>se justifica e se impõe ao espectador.</p>
<p>Como o protagonista do longa, Mark Ruffalo poderia ser uma das principais &#8220;vítimas&#8221; desse tom panfletário. Eventualmente, seu personagem surge em cena aos berros com outros personagens, causando uma certa irritação pelo tom constante de confronto, como já dito um traço do projeto que o diretor consegue controlar através das relações humanas que estabelece ao longo da fita. Por estar na linha de frente, Ruffalo acaba sendo prejudicado por esse aspecto inerente ao projeto, mas nada que prejudique a obra e o trabalho do ator. Sempre respeitoso com o personagem e com o contexto que o cerca, Ruffalo evita transformar Ned em uma alegoria histérica, evitando qualquer tipo de estereotipação ou afetação em sua composição.  No entanto, apesar de ser protagonista, Ruffalo acaba sendo ofuscado por seus colegas que oferecem ao público performances irretocáveis, entre eles Matt Bomer (uma grata revelação), intérprete do parceiro de Ned, que se transforma física e psicologicamente ao longo da narrativa; Julia Roberts, interessante como a pragmática porém humana Dra. Emma Brookner; Alfred Molina, comovente como o irmão do protagonista em uma cena definitiva para a obra; e Jim Parsons (de <em>Big Bang Theory</em>), com um pequeno personagem muito bem defendido pelo ator.</p>
<p><figure id="attachment_1072" aria-describedby="caption-attachment-1072" style="width: 568px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/normalh5.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1072" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/normalh5-620x335.jpg" alt="normalh5" width="568" height="307" /></a><figcaption id="caption-attachment-1072" class="wp-caption-text">Explosões: Tom panfletário do projeto é justificado pela dimensão do drama vivido pelos personagens. Julia Roberts tem uma das interpretações mais sólidas do filme.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se <em>The Normal Heart </em>é uma obra panfletária e mergulha fundo no seu próprio tristeza é porque não havia outro meio para contar essa narrativa. Não há um momento particular de alegria nesse capítulo dos anos de 1980. Ryan Murphy justifica todo esse tom orgânico da sua obra através de personagens humanos com relacionamentos concretos, reais, de carne e osso. Por contar com atores que souberam sustentar esse aspecto da obra e por conduzí-los a nuances tão interessantes essa nova produção da HBO está entre uns dos seus melhores trabalhos nesse primeiro semestre, tão forte quanto <em>Behind the Candelabra </em>e <em>Temple Grandin </em>em anos passados . É um dos raros casos em que a emoção transcende qualquer esquema objetivo de avaliação crítica.</p>
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