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	<title>Arquivos Luca Guadagnino - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Luca Guadagnino - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Queer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jan 2025 15:37:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos cineastas mais produtivos da atualidade, o italiano Luca Guadagnino entrega Queer no mesmo ano do excelente Rivais. O mais recente trabalho do diretor é protagonizado por Daniel Craig na pele de um escritor estadunidense na Cidade do México nos anos 1940. Enquanto tem encontros sexuais descompromissados com alguns rapazes, o protagonista acaba se apaixonando perdidamente por um jovem misterioso vivido por Drew Starkey, ator mais conhecido pela sua participação na série Outer Banks da Netflix. Queer é uma adaptação do romance homônimo de William [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos cineastas mais produtivos da atualidade, o italiano Luca Guadagnino entrega <em><strong>Queer </strong></em>no mesmo ano do excelente Rivais. O mais recente trabalho do diretor é protagonizado por Daniel Craig na pele de um escritor estadunidense na Cidade do México nos anos 1940. Enquanto tem encontros sexuais descompromissados com alguns rapazes, o protagonista acaba se apaixonando perdidamente por um jovem misterioso vivido por Drew Starkey, ator mais conhecido pela sua participação na série Outer Banks da Netflix.</p>
<p><em><strong>Queer </strong></em>é uma adaptação do romance homônimo de William S. Burroughs e leva em seu título a denominação atribuída a pessoas que não se identificam com a heteronormatividade. Comumente, &#8220;queer&#8221; também é um termo associado a homens gays, é, por exemplo, uma denominação que não sai da boca da maioria dos personagens desse longa para fazer referência uns aos outros.</p>
<p>Dividido em três capítulos, a nova obra de Guadagnino é mais bem-sucedida em seu início do que no seu desenvolvimento e desfecho, reservando à primeira parte os melhores e mais promissores momentos de toda a história. Está longe de ser um filme ruim, mas é uma narrativa que perde sua vitalidade gradualmente.</p>
<p>Toda a primeira parte de <em><strong>Queer</strong></em>, reservada ao início do relacionamento entre o escritor William Lee e o jovem Eugene é espetacular: psicologicamente bem desenvolvida, guarda um erotismo muito bem dosado e ambienta muito bem a trama temporal e geograficamente. No entanto, o longa perde bastante em seus segmentos seguintes. Há uma sensação de prolongamento desnecessário do tempo de duração dessa história e Guadagnino se perde em meio a metáforas visuais do universo interno do seu protagonista como um esforço de representar suas principais emoções em imagens, algumas iniciativas são interessantes, outras são redundantes, mas existem algumas bem dispensáveis.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19074" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-3.png" alt="Queer" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-3.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-3-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-3-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Não resta dúvidas que em <em><strong>Queer</strong></em>, o público terá contato com a interpretação mais madura da carreira do ator Daniel Craig. Como William Lee, Craig vive um homem que se contenta com suas relações casuais até ser consumido pela paixão por um jovem extremamente misterioso. Interpretando a outra parte dessa relação, Drew Starkey também está ótimo como Eugene, um rapaz escorregadio e reticente, cuja sexualidade é envolta por um mistério que fascina e destrói Lee. A partir desses personagens, Guadagnino traça um olhar complexo para relações marcadas pela dificuldade de comunicação decorrente das diferentes expressões da sexualidade de Lee e Eugene, elaborando uma interessante análise sobre a experiência sexual e afetiva de um homem gay.</p>
<p>Craig interpreta um sujeito disponível, capaz de qualquer coisa pela atenção de Eugene, sendo em alguns momentos excessivamente submisso, completamente fascinado por aquele rapaz. Enquanto isso Starkey vive Eugene com um minimalismo extremamente sedutor, enigmático, fazendo o público entender o porquê do personagem de Craig se apaixonar de forma tão intensa por aquele sujeito. No primeiro capítulo do filme, a dinâmica entre eles é captada por Guadagnino através de gestos singelos, as iniciativas e os desejos reprimidos de ambos. Isso é um grande acerto do longa, entender que, nessa relação, os detalhes mais sutis dizem muito sobre ambos e sobre o relacionamento que está sendo formado.</p>
<p>O problema é que <em><strong>Queer </strong></em>tem um desenvolvimento emperrado no segundo capítulo sobre a passagem de Lee e Eugene pela América Latina e um momento ainda mais complicado quando o casal passa pela Amazônia para encontrar uma estudiosa de ervas interpretada por uma irreconhecível Lesley Manville, atriz britânica nomeada ao Oscar pelo seu desempenho em Trama Fantasma. Na terceira parte da história, o personagem de Craig está interessado em usar uma erva para acessar aquilo que desde sempre lhe pareceu impenetrável, a cabeça de Eugene. A ideia do terceiro capítulo é boa, mas na prática resulta em diversos momentos lisérgicos dos personagens de Craig e Starkey que só prejudicam a experiência do espectador.</p>
<p><em><strong>Queer </strong></em>tem rendido muitas menções a prêmios para o ator Daniel Craig, eleito o melhor desempenho de um protagonista masculino em 2024 pelo National Board of Review e indicado ao Globo de Ouro de melhor ator em um filme drama, vislumbrando um potencial para render a primeira indicação do ator ao Oscar. É um reconhecimento merecido, ainda que a escalação do ator (um homem conhecidamente hétero, um ex-James Bond) para interpretar um homem gay tenha um &#8220;q&#8221; de chamariz midiático. Craig faz um belo trabalho em <em>Queer</em>.  Nesse novo longa de Guadagnino, a interpretação dele e de Drew Starkey merecem destaque. O filme como um todo, no entanto, representa um ponto vacilante na carreira de um diretor que até então vinha realizando obras surpreendentes ano após ano. Acontece, não se pode ser excelente o tempo todo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Luca Guadagnino</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Daniel Craig, Drew Starkey, Jason Schwartzman</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/KJ0bfJPrnKg?si=W6exRPUsedtNoHrZ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Rivais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Apr 2024 00:51:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor, produtor e roteirista italiano Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome, de 2017, e Até os Ossos, de 2022) está de volta aos cinemas. Desta vez, ele aposta em um romance esportivo frenético e sensual que testa os limites da manipulação. Rivais chega aos cinemas nesta quinta-feira (25) com a promessa de ser um sucesso de público, crítica e um forte candidato na campanha da próxima temporada de premiações. Estrelado por Zendaya (Duna: Parte 2, de 2024), Mike [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O diretor, produtor e roteirista italiano Luca Guadagnino (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2017, e </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ate-os-ossos/"><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2022) está de volta aos cinemas. Desta vez, ele aposta em um romance esportivo frenético e sensual que testa os limites da manipulação. </span><b><i>Rivais</i></b><span style="font-weight: 400;"> chega aos cinemas nesta quinta-feira (25) com a promessa de ser um sucesso de público, crítica e um forte candidato na campanha da próxima temporada de premiações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estrelado por Zendaya (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2024), Mike Faist (</span><i><span style="font-weight: 400;">West Side Story</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2021) e Josh O’Connor (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-emma-now/"><i><span style="font-weight: 400;">Emma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2020), </span><b><i>Rivais</i></b><span style="font-weight: 400;"> não é como qualquer outro filme esportivo. O tênis é utilizado como pano de fundo e medidor de dinâmicas do texto e dos personagens. O cerne da narrativa é justamente a forma como os três se relacionam e agem. Assim como em uma partida, a relação deles ao longo dos anos é guiada por desejo, calculismo e jogos mentais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><b><i>Rivais</i></b><span style="font-weight: 400;">, Tashi Duncan (Zendaya) é uma tenista em ascensão que se torna alvo de disputa de dois amigos de infância, Patrick Zweig (Josh O&#8217;Connor) e Art Donaldson (Mike Faist). Após um acidente durante uma partida, Tashi é obrigada a parar de jogar e se torna treinadora de Art, seu futuro marido. Entre idas, vindas e mentiras, os três se reencontram, anos depois, em um torneio onde Art e Patrick, ex-namorado de Tashi, disputarão (de novo) mais do que apenas uma partida de tênis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como de costume, Luca Guadagnino utiliza os elementos constitutivos da narrativa de </span><b><i>Rivais</i></b><span style="font-weight: 400;"> para criar as imagens de um relacionamento. Desta vez, contudo, é um frenético e traiçoeiro triângulo amoroso. A partir do roteiro de Justin Kuritzkes, o cineasta cria uma disputa em tela extremamente sensual. Os embates pela personagem de Zendaya, os olhares, os </span><i><span style="font-weight: 400;">close-ups</span></i><span style="font-weight: 400;">, os planos-detalhe, a montagem dinâmica, a contraposição dos dois atores; todos esses são elementos que constituem essa cama de gato pulsante que é o relacionamento do trio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que seja um filme esportivo sobre o relacionamento dos três personagens principais, </span><b><i>Rivais</i></b><span style="font-weight: 400;"> é rápido, preciso e viciante. O longa usa a dinamicidade de uma partida de tênis de altíssima qualidade para dar ritmo e força a sua história. Aliás, como o próprio personagem de Mike Faist fala, o jogo posto em tela é maior do que o esporte: “Não parecia nem tênis. Parecia um jogo completamente diferente”. Esse momento sintetiza o verdadeiro cerne do filme: o jogo de verdade é o desejo que te move a disputar por determinado objetivo.</span></p>
<figure id="attachment_17997" aria-describedby="caption-attachment-17997" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-17997" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Rivais-1-750x500.jpg" alt="Rivais (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Rivais-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Rivais-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Rivais-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Rivais-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Rivais-1-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Rivais-1.jpg 1500w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17997" class="wp-caption-text">Zendaya e Josh O&#8217;Connor em cena de &#8216;Rivais&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E, se tem uma coisa que não falta na produção, é entrega. O público sente o desejo entre os personagens, sente a disputa fervorosa pela partida, pela fama e pelos corpos. O trio está espetacular. A cada cena e mergulho na vida e relação dos três, o público fica cada vez mais hipnotizado. A narrativa de </span><b><i>Rivais</i></b><span style="font-weight: 400;"> é inteligente, sensual e extasiante. A única opção é sair da sessão completamente perturbado(a) e apaixonado(a) por Zendaya, Mike Faist e Josh O’Connor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto Mike como Josh  se contrapõem de forma potente durante a sessão. Os dois estão muito bem em cena e merecem reconhecimento por isso, agora o que Zendaya entrega é de outro mundo. Ela está hipnotizante. A atriz nunca esteve tão poderosa, sexy e cheia de si. Tudo isso criado com propósito e respeito, ainda mais que ela é uma das produtoras do longa. Mas a história de </span><b><i>Rivais</i></b><span style="font-weight: 400;"> é sobre isso: uma constante disputa material, carnal e de status, comandada por Tashi. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem de Zendaya tenta, o tempo inteiro, centralizar e controlar as disputas e dinâmicas estabelecidas pelo trio com sua inteligência diabólica e atração magnética. Ela não apenas consegue, por boa parte do filme, fazer isso com os dois personagens masculinos como também faz isso com o público. Afinal, o trio central de </span><b><i>Rivais</i></b><span style="font-weight: 400;"> têm atitudes questionáveis ao longo da produção, mas Tashi nos encanta e hipnotiza ainda assim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O novo projeto de Guadagnino se apresenta como uma êxtase do poder. A sexualidade e sensualidade da disputa por afeto elevada à sua máxima potência. Tudo isso envelopado por trabalhos magníficos dos departamentos de arte e fotografia. As imagens, os ambientes e figurinos são criados para colocar o público neste lugar de desejo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As disputas, as trocas, as manipulações e as experiências do que é mostrado em tela se misturam com os desejos de quem está observando a narrativa. Ao final da sessão, o espectador está tão investido nos três como se fosse um dos personagens. </span><b><i>Rivais</i></b><span style="font-weight: 400;"> se despede com um grito de desejo tão potente como um saque de tênis que acerta o público e marca todos os pontos que precisa.</span></p>
<p><strong>Direção:</strong> Luca Guadagnino</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Zendaya, Josh O&#8217;Connor e Mike Faist</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/5bpSCdI7KV4?si=uTk9xtTPTWgSg-Rk" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Até os Ossos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Nov 2022 14:10:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Até os Ossos, Luca Guadagnino aposta no romance entre dois canibais para construir um filme que tensiona o tempo inteiro sensibilidade e violência. Na história, Maren (a excelente Taylor Russell) é uma jovem que descobre desde cedo uma vontade incontrolável de se alimentar de carne humana. Abandonada pelo pai, Maren vive à margem da sociedade e acaba encontrando companhia em Lee, um rapaz que também é canibal e que, assim como ela, teve que aprender desde cedo a lidar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>Até os Ossos</strong></em>, Luca Guadagnino aposta no romance entre dois canibais para construir um filme que tensiona o tempo inteiro sensibilidade e violência. Na história, Maren (a excelente Taylor Russell) é uma jovem que descobre desde cedo uma vontade incontrolável de se alimentar de carne humana. Abandonada pelo pai, Maren vive à margem da sociedade e acaba encontrando companhia em Lee, um rapaz que também é canibal e que, assim como ela, teve que aprender desde cedo a lidar com a solidão que sua condição lhe traz. Assim, todo o contexto do canibalismo, através desses personagens marginalizados pela sociedade em função das suas próprias condições, serve para <em>Até os Ossos</em> compor um conto cheio de sensibilidade sobre a solidão, ou o lugar sombrio e melancólico para onde ela nos leva, e a importância do encontro e da partilha com um semelhante para nossa saúde e nosso desenvolvimento pessoal.</p>
<p>Em mais um flerte com o gore (o diretor foi responsável pelo remake de <em>Suspiria</em>), Luca Guadagnino faz um filme cheio de sensibilidade como seu popular <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><em>Me Chame pelo seu Nome</em></a> trazendo para o centro do seu conflito um casal principal que representa estratos sociais apartados do convívio em sociedade. Maren e Lee sentem vergonha e repulsa por se alimentarem de carne humana, aliás, são poucos os canibais apresentados no filme que convivem em paz com esse traço de identidade dado pela própria natureza. Nesse sentido, <strong><em>Até os Ossos</em></strong> serve para Guadagnino falar sobre a rejeição em diversas esferas: social, familiar e, claro, a auto rejeição. Aqui, o encontro amoroso entre Maren e Lee é uma espécie de tábua de salvação para uma vida aparentemente condenada a condições precárias de existência.</p>
<p>No filme, Guadagnino explora o gore de maneira ostensiva. O diretor não poupa sangue e vísceras em cada cena na qual os canibais atacam suas vítimas. No entanto, o cineasta provoca e explora bastante todas as reverberações desse seu flerte com o fantástico em uma realidade prática. Assim, ao mesmo tempo que <strong><em>Até os Ossos</em></strong> causa asco com suas cenas nas quais os canibais parecem urubus em torno dos corpos que lhes servem de alimento, também é capaz de muita ternura e empatia ao construir dores muito palpáveis para seus protagonistas. O sentimento de solidão e os conflitos morais em torno do canibalismo presentes em toda a jornada de Maren e Lee são críveis para o espectador, é possível senti-los e se colocar no lugar desse casal.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16184" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01.jpg" alt="Até os Ossos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Dada a fama de Timothée Chalamet e sua parceria pregressa com Guadagnino em <em>Me Chame pelo seu Nome</em>, o ator tem sido o chamariz da campanha de marketing do filme, mas é a atriz Taylor Russell quem se destaca nesse mais recente longa do diretor. Chalamet está ótimo como Lee, uma escalação impecável, não resta dúvidas, mas a alma e o coração de <em><strong>Até os Ossos</strong> </em>é Taylor Russell, revelada para o grande público no drama <em>As Ondas</em>, pouco visto no Brasil por problemas de distribuição. A atriz desenvolve gradativamente e com muita maturidade toda a jornada da sua personagem no filme. Há participações especiais de nomes conhecidos -Michael Stuhlbarg e Chlöe Sevigny, por exemplo -, mas cabe uma menção de destaque entre os coadjuvantes de <em>Até os Ossos</em> para Mark Rylance. O ator interpreta Sully, um canibal que cria uma perturbadora afeição por Maren desde o início da história, levando a relação a extremos ao longo do filme.</p>
<p><strong><em>Até os Ossos</em></strong> é um filme comprometido com a experiência emocional do espectador, mas não se entrega a caminhos óbvios. Flertando com o horror, o romance entre canibais de Luca Guadagnino é mais um ótimo momento de um cineasta que depois do sucesso de <em>Me Chame pelo seu Nome</em> parece não querer se reduzir a um diretor que mira no gosto das grandes premiações, mas que se desafia em histórias que, até então, parecem muito diferentes umas das outras, conversando com gêneros não tão consagrados assim pelas instâncias mais visadas de consagração.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Luca Guadagnino</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Timothée Chalamet, Taylor Russell, Mark Rylance, Michael Stuhlbarg, Andre Holland, Chloë Sevigny, David Gordon Green, Jessica Harper</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/LTPCgWWwTXI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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