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	<title>Arquivos Jonah Hill - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Jonah Hill - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Certas Pessoas (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2023 21:03:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre falhas e acertos, a nova comédia romântica da Netflix consegue entregar como resultado um filme, majoritariamente, divertido e que conta com um ship central com muita química. A maior questão de Certas Pessoas é que, dentro do grande desafio de, a partir de todas tensões presentes em seu tema central permanecer sendo uma comédia, a atmosfera pesa. Além disso, a resolução soa como repentina demais. É neste universo que o longa-metragem traz Ezra e Amira, um casal que se [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Entre falhas e acertos, a nova comédia romântica da Netflix consegue entregar como resultado um filme, majoritariamente, divertido e que conta com um ship central com muita química. A maior questão de<strong><em> Certas Pessoas</em></strong> é que, dentro do grande desafio de, a partir de todas tensões presentes em seu tema central permanecer sendo uma comédia, a atmosfera pesa. Além disso, a resolução soa como repentina demais. É neste universo que o longa-metragem traz Ezra e Amira, um casal que se apaixona tão profundamente que decide se casar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, Amira é negra e Ezra é branco e os conflitos por conta disso acabam surgindo para ambos. Aqui, vale ressaltar que por mais que a obra tente colocar a balança no meio, por trazer a figura de Akbar, pai de Amira (Eddie Murphy, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-meu-nome-e-dolemite/"><em>Meu Nome é Dolemite</em></a>), como desconfiado e Shelley, mãe de Ezra (Julia Louis-Dreyfuss, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dois-irmaos-uma-jornada-fantastica/"><em>Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica</em></a>), como sem noção, a temática do filme não é qualquer querela trivial típica de romcoms. O ponto tocado aqui é grave e profundo. Não tem como equilibrar estas duas figuras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, mesmo que tropeçando neste quesito, a produção leva o fato de que a dupla principal está em um namoro interracial a sério.</span><span style="font-weight: 400;"> Inclusive, a partir do terceiro ato o tom da seriedade se eleva tanto que, mesmo sendo à toa, é neste ponto que a obra se perde e se apressa. Se Ezra e Amira iriam ou não terminar juntos não era o que realmente importava, no final das contas. O como a narrativa traria essa escolha dentro da sua conclusão era a chave de tudo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro deste contexto, o que acontece com <strong><em>Certas Pessoas</em></strong> é o que acaba aparecendo em muitos filmes do gênero: conclusão repentina com solução simples.  </span><span style="font-weight: 400;">De repente, todos os problemas se dissolvem. Shelley ganha um letramento social instantâneo e Akbar vê que, na verdade, apesar de Ezra ter diversos comportamentos que o incomodam, ele é um homem bom para a sua filha. Assim, em três cenas, o que foi construído de tensão, progressivamente, com estabelecimento de uma incompatibilidade tão intensa que o rompimento dos protagonistas é determinado, desaba para dar espaço ao casamento alegre dos dois.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16395" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/certas-pessoas-filme-netflix-02.jpg" alt="Certas Pessoas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/certas-pessoas-filme-netflix-02.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/certas-pessoas-filme-netflix-02-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/certas-pessoas-filme-netflix-02-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/certas-pessoas-filme-netflix-02-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um tanto desagradável acompanhar esse encerramento? </span>É. Todavia, também vale ressaltar que boa parte da sessão diverte e conta com diálogos engraçados. Uma grande qualidade do longa vem do trabalho do elenco. Os dois núcleos contam com interpretações que convocam organicidade para um texto que poderia cair em algo artificial e morno. O maior exemplo disso é na sequência do jantar, no qual as mães e os pais de Amira e Ezra discutem sobre um assunto delicadíssimo.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que seja óbvia a resposta para o dilema posto à mesa, os atores conseguem, dentro de todo constrangimento que as ações e falas podem causar no espectador, imprimir comicidade. A movimentação corporal é mínima ali, mas ela também entra para fomentar a lógica cômica. Esta contenção, na verdade, preenche toda a sessão, mas de uma forma positiva. Isto porque os instantes fortes para a trama ganham mais força e geram risos maiores, quando há uma seleção maior do que ganhará destaque na narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse mérito vem também do roteiro de Kenya Barris &#8211; que também é o diretor &#8211; com Jonah Hill (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-olhe-para-cima-netflix/"><em>Não Olhe Para Cima</em></a>), porque a montagem e as inserções gráficas quebram um pouco do ritmo e do estabelecimento da própria conexão do público com as personagens. Em alguns momentos, certas emoções são perdidas, pelas quebras da edição, que são seguidas desta espécie de vinheta, que ronda o longa inteiro. </span>Apesar de tudo, isso não é algo que compromete tanto quanto a finalização da narrativa, mas que poderiam ser elementos melhor executados.</p>
<p>Assim, <em><strong>Certas Pessoas</strong></em> vale por entreter ali em suas quase duas horas. Poderia ser melhor? Sim, porém na maior parte de sua duração ele é efetivo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kenya Barris</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jonah Hill, Lauren London, Eddie Murphy, Julia Louis-Dreyfus, Nia Long, David Duchovny, Sam JayMolly Gordon</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/amfSSqTJqB4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Não Olhe para Cima (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Dec 2021 20:54:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alguns dos filmes mais recentes de Adam McKay possuem uma marca registrada. Enquanto o artista fala sobre política, ele critica a sociedade, com um tom sarcástico bastante particular. Cartelas e recursos gráficos são impressos na tela, realizando quebras que proporcionam um respiro para o espectador. Ao mesmo tempo, a estratégia revela como o próprio McKay não se leva a sério, elevando o grau de complexidade de suas obras, com pautas relevantes, certeiras, mas com o humor sempre ali. Vindo da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns dos filmes mais recentes de Adam McKay possuem uma marca registrada. Enquanto o artista fala sobre política, ele critica a sociedade, com um tom sarcástico bastante particular. Cartelas e recursos gráficos são impressos na tela, realizando quebras que proporcionam um respiro para o espectador. Ao mesmo tempo, a estratégia revela como o próprio McKay não se leva a sério, elevando o grau de complexidade de suas obras, com pautas relevantes, certeiras, mas com o humor sempre ali.</p>
<p>Vindo da comédia, o roteirista e diretor, sabe como jogar com a dinâmica da suspensão, do absurdo e do timing cômico. O resultado, geralmente, é um nó na garganta. Talvez, o título que havia chegado mais perto de alcançar este efeito com êxito, anteriormente, tenha sido o seu <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-grande-aposta/"><em>A Grande Aposta</em></a>. Agora, com <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong>, Adam McKay aumenta o seu potencial de contar histórias e dosa com uma habilidade mais intensa os efeitos colocados na tela, seja em sua direção ou nos encaminhamentos da sua narrativa.</p>
<p>A inserção e retirada de diálogos e a maneira como os textos podem chegar entrecortados são os maiores ganhos do enredo. Há toda uma gama de sentidos criados entre o não dito e o que é explicitado verbalmente, inclusive com gritos. Esta estrutura revela a compreensão de McKay sobre a própria condição humana, seja por sua tolice e egoísmo, ou por seu caráter forte, mesclado ao desejo de sacudir o mundo e clamar para ser escutado de uma vez só.</p>
<p>Além disso, é curioso de observar como, ainda que não realize uma progressão linear de ações nítidas – existem idas e vindas de intensidade nos acontecimentos da trama –, a obra vai se tornando cada vez mais angustiante para quem assiste. Aqui, novamente, pode-se abordar a consciência sobre o uso da comicidade. Gradativamente e sutilmente, a graça se transforma em riso nervoso para, em seguida, virar melancolia e pânico.</p>
<p>Mesmo rindo de si e da humanidade, o desprezo por uma parte da sociedade e o respeito por outra, ganha espaço e não há retorno dentro da história. É notável – e até óbvio – o que McKay deseja convocar em seu longa-metragem. Este é sim um retrato de um país tolo e autocentrado, que enxergou um pouco da verdade sobre si, a partir de 2016. Ao invés dos grandes heróis, salvadores do Planeta, este é um reduto de diversos tolos, ignorantes políticos, preconceituosos e egocêntricos.</p>
<p>O que McKay desconhece é que esta realidade se assemelha a de múltiplos locais da Terra, incluindo o Brasil, com seu presidente genocida e seus apoiadores cruéis e desonestos. Ao se deparar com a sessão de<i> <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong></i>, seu público pode sim se identificar com todo aquele conteúdo, por mais insano que seja o <em>plot</em>, seu desenvolvimento e desfecho. É justamente isto que Adam faz em sua produção: toma posse do impossível para retratar as pessoas da contemporaneidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14991" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01.jpg" alt="Não Olhe para Cima" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todavia, o que falta nele é uma visão menos “estadunidense centrada”, por assim dizer. Com um olhar tão voltado para si, ainda que seja para abordar seu país com um olhar cheio de ironia, a salvação de todos os seres humanos continua nas mãos de um único lugar: os Estados Unidos. Nenhum outro local foi capaz de encontrar uma solução eficaz para a catástrofe anunciada.</p>
<p>Além disso, ainda que a tragédia afete a humanidade inteira, somente uma nação é retratada. Este é um incômodo intenso em <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong>, visto que este umbiguismo é recorrente no audiovisual hollywoodiano, desde a sua criação. No entanto, apesar deste engasgo, vale ressaltar outras qualidades presentes no longa. A direção de McKay fomenta a qualidade do projeto.</p>
<p>A decupagem serve ao que está sendo contado com precisão e provoca sensações precisas no público, como na escolha em fechar mais certos planos e utilizar câmera na mão, nos instantes nos quais Kate (Jennifer Lawrence) e Randall (Leonardo Di Caprio) se sentem pressionados ou em pânico. Os enquadramentos e movimentos, juntamente com uma mise-en-scène – que mistura uma marcação caótica e desorganizada, com extremamente limpa ou diversos objetos, com pouquíssimos elementos de cena – contribuem para as interpretações.</p>
<p>As atuações de Meryl Streep (<em>Mamma Mia!</em>) e Di Caprio (<em>Titanic</em>) – que vinham pesando a mão nas suas construções, nos últimos tempos –, chegam aqui firmes e sutis. O jogo de câmera, bem como a montagem de Hank Corwin (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/"><em>Vice</em></a>), barram certos exageros que a dupla poderia cometer. Neste sentido, também é necessário dar créditos para Streep e Di Caprio, veteranos talentosos, ainda que passem do ponto em alguns de seus papéis. Aqui, ambos imprimem tônus no corpo e na voz, se pôr peso ou sujeira em seus movimentos.</p>
<p>Ambos captam com segurança as intenções do roteiro e criam nuances e camadas para suas personagens. Talvez, este destaque seja tão visível por estas serem as figuras mais complicadas no filme, por possuírem características um tanto estereotipadas, mas que são bem conduzidas, suavizando estes tipos: o cientista estressado e a política egocêntrica. Contudo, Cate Blanchett (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-carol/"><em>Carol</em></a>) e Jennifer Lawrence (<em>Jogos Vorazes</em>) também trazem boas performances, que geram repulsa ou empatia, a depender da personalidade de cada uma delas.</p>
<p>Em seu resultado geral, <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong> é eficiente em registrar e analisar a contemporaneidade, em todo o seu ilogismo, suas compulsões, suas vaidades. Com uma equipe talentosa, quase nada de seu potencial é desperdiçado. Para ser completo, de verdade, bastava apenas erradicar o pensamento tão alto centrado dos EUA.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Adam McKay</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jennifer Lawrence, Leonardo Di Caprio, Meryl Streep, Jonah Hill, Cate Blanchett, Mark Rylance, Tyler Perry, Ariana Grande, Rob Morgan, Timothée Chalamet</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/c1nToClX_3w" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Anos 90</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 May 2019 19:30:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O ator Jonah Hill estreia como diretor no longa Anos 90, que, segundo ele, traz muito da suas experiências na infância e pré-adolescência. Ele também é responsável pelo roteiro do longa, que fala sobre a descoberta de um novo mundo para um jovem na década de 1990. Sunny Suljic (O Sacrifício do Cervo Sagrado) é Stevie, um jovem de 13 anos que se divide entre os problemas familiares e as aventuras e descobertas que vive ao lado de um grupo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O ator Jonah Hill estreia como diretor no longa <em><strong>Anos 90</strong></em>, que, segundo ele, traz muito da suas experiências na infância e pré-adolescência. Ele também é responsável pelo roteiro do longa, que fala sobre a descoberta de um novo mundo para um jovem na década de 1990.</p>
<p>Sunny Suljic (<em>O Sacrifício do Cervo Sagrado</em>) é Stevie, um jovem de 13 anos que se divide entre os problemas familiares e as aventuras e descobertas que vive ao lado de um grupo de skatistas durante um verão em Los Angeles.</p>
<p>O mote principal da história é a descoberta de si próprio do protagonista, que passeia por diversos sentimentos e emoções para ser aceito por aqueles que admira e se sentir minimamente pertencente àquele mundo. É muito fácil se identificar com Stevie, mesmo que ele tenha uma realidade não tão comum para todos. Fruto de uma família sem lastro emocional, uma mãe jovem que não dá suporte para o garoto e um irmão agressivo, ele busca na rua tudo aquilo que não tem em casa.</p>
<p>As experiências que ele vai vivenciando a partir do envolvimento com o grupo de skatista molda toda sua personalidade, ainda volúvel. Os garotos são um pouco mais velhos que ele, em torno de 16 e 17 anos, mas isso é um diferença imensa nesta idade. Eles já sabem de coisas que Stevie nem imagina e não têm a inocência do protagonista.</p>
<p>O grupo é diverso, marcado pelo privilegiado que se &#8220;revolta&#8221; contra a sua própria condição e decide transgredir as regras; o deslocado que está lá apenas para ter com quem sair; o garoto que também quer se sentir pertencente à algum lugar, já que tem uma mãe drogada e violenta em casa; o líder admirado, que é fruto de uma realidade mais hostil e tem a consciência de que precisa buscar um futuro melhor para si.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10614" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/1915155.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/1915155.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/1915155.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/1915155.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todos querem ter o seu nível de importância no grupo, que vai se dando a partir de nomes e apelidos. Além disso, o próprio skate representa uma ascensão social, passando também pela forma como se vestem. Enquanto lida com a carência afetiva do lar, Stevie encontra no grupo a espécie de família possível e improvável. Começa a experimentar frutos proibidos, como drogas, álcool e sexo. Tudo isso enquanto mantém seu tom infantil e sorriso ingênuo.</p>
<p>Jonah vem de um crescimento justo na carreira. Além de se firmar cada vez mais como ator, a exemplo de <em>Django Livre</em> e <em>O Lobo de Wall Street</em>, ele já assinou ótimos roteiros, como é o caso de <em>Anjos da Lei</em> e <em>Festa da Salsicha</em>. Chegando pela primeira vez na direção de um longa, ele não fez feio. Mostrou que o mesmo apreço que tem pela comédia, atuação e roteiro, ele pode ter pelo cargo de diretor. Cuidadoso, meticuloso e sensível, conseguiu nos apresentar um trabalho aparado e maduro, digno de alguém com mais experiência na área.</p>
<p>Ele faz uso de câmeras e técnicas que fazem com o que o filme não seja apenas sobre os anos 90, como pareça que pertence a ele. Técnicas de envelhecimento do material, evitando o uso de tecnologia atual e tornando a experiência muito mais de imersão para o espectador. Ainda assim, tudo isso acontece de maneira natural e orgânica, sem parecer que há um esforço por parte do roteiro de causar certa nostalgia no público.</p>
<p>A escolha de elenco foi acertada, especialmente quando falamos de Ray, interpretado pelo novato Na-kel Smith. Ele segue a ideia de líder paternal e nos apresenta cenas importantes com ótimos diálogos. Uma excelente estreia nas telonas. Temos ainda Lucas Hedges (<em>O Retorno de Ben</em>) e Katherine Waterston (<em>Animais Fantásticos e Onde Habitam</em>), no papel de irmão mais velho e mãe do protagonista. Embora tenham pouco espaço na trama (o objetivo é esse), eles representam um contra-ponto importante às inconsequentes descobertas do grupo de garotos.</p>
<p><em><strong>Anos 90</strong> </em>é um filme que representa a transformação de uma criança em jovem, a descoberta de sua sexualidade, através de experiências vividas com um grupo de amigos inconsequentes, mas que acabam se tornando sua família e &#8220;lar seguro&#8221; (emocionalmente). Jonah Hill nos apresenta um trabalho cuidadoso e audacioso, com excelente resultado em tela. Vale a pena conferir!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jonah Hill<br />
<strong>Elenco:</strong> Sunny Suljic, Katherine Waterston, Lucas Hedges, Na-Kel Smith, Olan Prenatt, Gio Galicia</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/XgFIK5wBsk8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Festa da Salsicha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Oct 2016 21:16:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Evan Goldberg]]></category>
		<category><![CDATA[Festa da Salsicha]]></category>
		<category><![CDATA[Jonah Hill]]></category>
		<category><![CDATA[Kristen Wiig]]></category>
		<category><![CDATA[Seth Rogen]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pense no cenário atual. O setor de alimentos industrializados crescendo assustadoramente a cada ano no mesmo compasso do aumento dos índices de obesidade. Ao mesmo tempo, a gastronomia anda em alta com reality shows e a proliferação de cursos no ramo, que angariam cada vez mais futuros chefs, pessoas que até ontem tinham a culinária apenas como hobby. Nessa mesma sociedade, através de mídias sociais como o Instagram ou o Facebook, gourmetiza-se tudo, um simples hamburguer vira um similar visualmente sofisticado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Pense no cenário atual. O setor de alimentos industrializados crescendo assustadoramente a cada ano no mesmo compasso do aumento dos índices de obesidade. Ao mesmo tempo, a gastronomia anda em alta com <i>reality shows </i>e a proliferação de cursos no ramo, que angariam cada vez mais futuros chefs, pessoas que até ontem tinham a culinária apenas como <i>hobby.</i> Nessa mesma sociedade, através de mídias sociais como o Instagram ou o Facebook, <i>gourmetiza</i>-se tudo, um simples hamburguer vira um similar visualmente sofisticado da alta gastronomia, tem-se prazer (muito prazer) com essas imagens dessa cultura <em>junk food</em>. É esse contexto que inspira a criação das personagens e do universo da animação adulta <i>Festa da Salsicha</i>.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Entre embutidos e frutas, <i>Festa da Salsicha </i>leva o termo <i>food porn</i> às últimas consequências com um filme de conteúdo ácido e &#8220;politicamente incorreto&#8221;, dando um novo sentido ao termo &#8220;orgia gastronômica&#8221;, algo bastante popularizado hoje em dia, por sinal. Pela via da irreverência, a comédia é genial em sua crítica à sociedade e sua incessante busca por válvulas de escape para aliviar as angustias e incertezas terrenas. Assim, os alimentos da animação cultivam uma veneração irrefreada pelo Deus humano, que imaginam levar todos para uma espécie de paraíso, quando na verdade o que ocorre é um verdadeiro extermínio durante as refeições.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>No filme, os alimentos de um grande supermercado sonham em sair da prateleira das suas seções por pensarem que distantes dali terão uma vida melhor. Cultivando uma adoração pelos humanos, eles mal sabem que da porta para fora serão devorados sem a menor piedade por aqueles que consideram divinos (e como os deuses podem ser cruéis!). Nesse cenário, uma salsicha e uma baguete conseguem acidentalmente escapar das suas respectivas embalagens e unem forças com outros alimentos para revelarem aos demais a verdade por trás da passagem dos humanos pelo supermercado. Assim promete ter início uma grande rebelião das comidas contra os seus algozes, os homens e as mulheres que, famintos, lotam seus carrinhos de compras.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Roteirizado pela trupe de Seth Rogen (<i>Vizinhos 2</i>), <i>Festa da Salsicha </i>é uma criação do próprio ator, que dubla o protagonista Frank, Jonah Hill (<i>O Lobo de Wall Street</i>), que dá voz a salsichinha Carl, e Evan Goldberg, diretor de <i>A Entrevista </i>e <i>É o Fim</i>. A ideia era fazer uma comédia animada voltada para adultos repleta de piadas de cunho explicitamente sexual com alimentos típicos da indústria do <i>fast food </i>como protagonistas<i>, </i>realizando provocações, através das linhas do seu roteiro, à sociedade em suas mais diversas frentes, mas, sobretudo, na sua relação com a fé (por uma religião, ideologia etc.) e como isso interfere na expressão individual dos sujeitos que fazem parte desse coletivo. No filme, em particular, interessa entender como isso é articulado com a sexualidade, mas podemos associar essa repressão e a posterior libertação de crenças a outras dimensões das nossas vidas.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6771" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/10/salsicha.jpg" alt="salsicha" width="610" height="348" /></p>
<p>No território entre o sagrado e o profano que destinamos aos nossos lanches (reforçando, temos prazer orgástico e consideramos sacros nossos momentos com eles), <i>Festa da Salsicha </i>tem um olhar anárquico para uma sociedade que deposita sua fé em toda sorte de crença. A leitura central que podemos ter do filme versa em torno da sua crítica ao fanatismo religioso e quão libertador pode ser se desvencilhar dele a depender das circunstâncias, basta percebermos como as personagens, principalmente as femininas, são sexualmente reprimidas no início do longa por seu temor às regras do Deus humano e, ao final do filme, todos são libertados disso a partir de uma revelação. Nesse momento, salsichas, baguetes e tacos se entregam aos seus prazeres carnais e&#8230; Bem, é melhor assistirem para ver o que ocorre.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Pelo ponto de vista narrativo, o filme aparenta ter seus percalços, mas <i>Festa da Salsicha </i>não tem como forte a construção de arcos complexos e &#8220;redondinhos&#8221; para os seus personagens já que o que pretende mesmo é levar sua sátira aos extremos das associações. Nesse sentido, prevalecem o <em>non sense </em> e os referenciais. Prova disso são três momentos geniais do longa: a cena em que Frank e Brenda saem das suas embalagens e são abandonados no mercado, uma sequência que nos faz lembrar filmes de guerra como <i>O Resgate do Soldado Ryan</i>, com direito a farinha de trigo fazendo as vezes de fumaça e dando um efeito acinzentado na fotografia; a revolta dos alimentos contra os humanos no mercado, que nos remete às cenas de grandes batalhas épicas em produções como <i>O Senhor dos Anéis </i>ou <i>Game of Thrones; </i>a &#8220;confraternização&#8221; final entre as comidas, que me fez lembrar do famigerado <i>Calígula</i>, polêmica co-produção da Penthouse com Malcolm McDowell e Helen Mirren no elenco.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>É uma pena que comédias, sobretudo comédias com um teor tão corrosivo quanto esta, não tenham o mesmo <i>status </i>de outros gêneros cinematográficos, o que promete relegar a <i>Festa da Salsicha </i>apenas as notas de rodapé do ano de 2016. Mesmo que venha na embalagem de um grande besteirol tipicamente americano, o filme possui chaves de leitura complexas, o que evidencia a sofisticação do seu roteiro. Claro que uma sofisticação que vem pela via daquilo que beira o vulgar. E se a gente pensar que estamos falando de um universo no qual a fé estabelece um regime de proibições e tais interdições estão relacionadas com a sexualidade das personagens, nada mais natural do que um filme que apele o tempo inteiro para piadas em torno do sexo. Em um ambiente de castrações, o que está mais presente nas conversas e nas relações dos sujeitos é justamente aquilo que se proíbe. Assim, a hiper sexualização das personagens e de toda a história é bastante coerente e está à serviço das pretensões críticas dos seus realizadores.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p> O longa de animação é uma curiosa realização de Seth Rogen e cia., que parecem não esgotar a capacidade de nos surpreender a cada instante com algumas das mais interessantes pérolas do absurdo que um produto do seu nicho pode proporcionar. Da associação do inanimado com situações do mundo real (imaginem, por exemplo, o que eles conseguem fazer com um chiclete e até mesmo com fezes!) ao seu olhar ácido para o que tem levado pelo cabresto a sociedade contemporânea, uma crença em qualquer coisa que nos castra, <i>Festa da Salsicha </i>é um filme que berra, muitas vezes grosseira e graficamente, a sua genialidade.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/wRkw7BxKBFo" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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		<title>Crítica: Ave, César!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2016 20:27:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Alden Ehrenreich]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O cinema dos irmãos Joel e Ethan Coen é daquele tipo que possui características tão constantes que até mesmo o público eventual consegue reconhecer as marcas dos títulos do diretor se ao menos teve contato com um de seus filmes. Do irônico, discreto e corrosivo humor com que os cineastas constroem os seus personagens e as situações nas quais eles são inseridos, até às suas incisivas críticas a valores e ciclos da sociedade norte-americana, filmes como Fargo, O Grande Lebowski, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema dos irmãos Joel e Ethan Coen é daquele tipo que possui características tão constantes que até mesmo o público eventual consegue reconhecer as marcas dos títulos do diretor se ao menos teve contato com um de seus filmes. Do irônico, discreto e corrosivo humor com que os cineastas constroem os seus personagens e as situações nas quais eles são inseridos, até às suas incisivas críticas a valores e ciclos da sociedade norte-americana, filmes como <i>Fargo</i>, <i>O Grande Lebowski</i>, <i>Inside Llewyn Davis &#8211; Balada de um Homem Comum</i> e até empreitadas mais &#8220;sérias&#8221; dos realizadores como o vencedor do Oscar <i>Onde os fracos não têm vez </i>são títulos unificados e singularizados na recente filmografia norte-americana por apresentarem propostas estilísticas e narrativas bem peculiares dos diretores. <i>Ave, César!</i>, mais recente longa da dupla, claro, segue o mesmo caminho. Portanto, não decepciona em nada os fãs dos cineastas.</p>
<p>No filme, os Coen nos insere nos bastidores do cotidiano dos estúdios de cinema Capitol Pictures na Hollywood dos anos de 1950. Em meio às filmagens de produções grandiosas da época de ouro do cinema norte-americano e o temperamento instável de estrelas e diretores de cinema, acompanhamos a rotina de Edward Mannix (vivido por Josh Brolin), &#8220;cabeça&#8221; do estúdio que, entre suas várias funções, afasta as principais atrações da casa de escândalos midiáticos que possam arruinar suas carreiras e manchar a imagem da Capitol Pictures. Acontece que Mannix não terá um dia de trabalho nada fácil quando descobre que o famoso astro da produção épica &#8220;Ave, César!&#8221;, cujas filmagens estão em andamento, desapareceu misteriosamente após uma ação bem sucedida de uma organização secreta chamada &#8220;Futuro&#8221;.</p>
<p>Funcionando muito bem em duas frentes específicas, a comédia e o suspense policial (ambos adaptados às perspectivas que os cineastas possuem dos dois gêneros, claro), <i>Ave, César! </i>é uma verdadeira ode ao cinema do período que pretende retratar. Além dos gêneros com os quais sua trama central dialoga, <i>Ave, César! </i>oferece ao espectador uma compilação de homenagens interessantes a produções populares do período, como os <i>westerns</i>, os musicais com sapateado, os épicos históricos/religiosos, os melodramas, os filmes com acrobacias e coreografias aquáticas etc. Tudo está em <i>Ave, César! </i>na medida em que acompanhamos a rotina da Capitol Pictures em sequências produzidas com disciplina pelos Coen (cujo estudo de elementos como a fotografia, o tipo de performance dos atores etc. é visível na execução dessas cenas), que contam com o suporte do competente diretor de fotografia Roger Deakins, da equipe de direção de arte e dos figurinos de Mary Zophres.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5899" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/04/HAIL-CAESAR-12Outubro2015-3.jpg" alt="HAIL-CAESAR-12Outubro2015-3" width="610" height="348" /></p>
<p>Acontece que tudo isso é adorno &#8211; um belíssimo e interessante adorno, é preciso reconhecer &#8211; diante do que parece ser a força motriz de <i>Ave, César!</i>. Através da sua trama policial, os Coen, com a inteligência e perspicácia que lhes são peculiares, nos insere em uma rede de conspirações a respeito dos &#8220;braços&#8221; comunistas que se &#8220;infiltraram&#8221; nos estúdios naquela época, os roteiristas. Nesse mesmo ano, o tema foi tratado no filme que rendeu uma indicação ao Oscar para Bryan Cranston, <i>Trumbo</i>, de uma maneira bem burocrática, é verdade, mas em <i>Ave, César! </i>ganha um tratamento mais interessante e inusitado. A fusão entre a homenagem à era de ouro de Hollywood e o deboche dos realizadores com a paranoia comunista que tomou conta dos EUA naquele período faz de <i>Ave, César! </i>um interessante mosaico sobre a produção cinematográfica do período, mas também da sociedade norte-americana da época e o do <i>modus operandi </i>dos estúdios de cinema.</p>
<p>Com um elenco muito bem em cena, composto por antigos colaboradores dos diretores, como George Clooney (funcionando sempre na medida para os tipos que os realizadores costumam escalá-lo), Josh Brolin, Scarlett Johansson (cada vez mais saindo da moldura na qual foi colocada nos primeiros anos da sua carreira), Frances McDormand e Tilda Swinton, como também novas adições em seus currículos, é o caso de Ralph Fiennes, Christopher Lambert (!!!!), Jonah Hill e Channing Tatum (excelente em sua breve mas importante participação), o destaque ficou para o novato do grupo, o jovem ator de nome praticamente impronunciável, Alden Ehrenreich, conhecido por sua participação em <i>Tetro</i>, filme de Francis Ford Coppola de 2009. Ehrenreich interpreta uma jovem estrela de <i>westerns</i>, marcada por sua inocência e pela sua dificuldade de interpretar, mas que passa a ser a &#8220;galinha dos ovos de ouro&#8221; da Capitol Pictures dirigida pelo personagem de Josh Brolin. Alden Ehrenreich faz um tipo interessante que não só funciona bem no universo dos Coen, atuando na mesma voltagem dos restante dos personagens do filme, como também consegue conferir uma dimensão humana ao criar uma forte empatia com o público desde a sua primeira sequência.</p>
<p>Entre a reverência à antiga Hollywood e a crítica à paranoia comunista, <i>Ave, César! </i>consegue ser mais um acerto de Joel e Ethan Coen. Nada fora da curva, mas nem precisava ser. O filme é coerente com tudo o que os realizadores têm feito até aqui com seus comentários irônicos sobre a sociedade americana e com suas apropriações bem particulares da gramática cinematográfica. É preciso ter muito fôlego, coragem e repertório para chegar tão longe e com tanta maturidade na constância produtiva que os Coen vêm apresentando desde que surgiram no cinema e <i>Ave, César! </i>é outro momento muito bom dos realizadores.</p>
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		<title>Assista ao trailer de Hail, Caesar!, novo filme dos Coen com grande elenco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2015 17:31:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Previsto para estrear no primeiro semestre de 2016, a nova comédia dos irmãos Coen Hail, Caesar! acaba de ganhar o seu primeiro trailer. No longa, Clooney vive um homem especializado em proteger celebridades de escândalos da imprensa na Hollywood da década de 1950. Ele é contratado pelos grandes estúdios, interessados em não sujar a carreira dos seus filmes com notícias negativas sobre as suas principais estrelas. Entre velhos conhecidos e novas parcerias dos realizadores, o trailer de Hail, Caesar! dá o devido destaque ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/85342243_everest.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3788" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/85342243_everest-620x305.jpg" alt="_85342243_everest" width="620" height="305" /></a></p>
<p>Previsto para estrear no primeiro semestre de 2016, a nova comédia dos irmãos Coen <strong><em>Hail, Caesar!</em> </strong>acaba de ganhar o seu primeiro trailer. No longa, Clooney vive um homem especializado em proteger celebridades de escândalos da imprensa na Hollywood da década de 1950. Ele é contratado pelos grandes estúdios, interessados em não sujar a carreira dos seus filmes com notícias negativas sobre as suas principais estrelas.</p>
<p>Entre velhos conhecidos e novas parcerias dos realizadores, o trailer de <em>Hail, Caesar!</em> dá o devido destaque ao seu elenco de atores do primeiro escalão do cinema: George Clooney, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Josh Brolin, Channing Tatum, Ralph Fiennes, Frances McDormand e Jonah Hill.</p>
<p>O filme tem previsão de chegar aos cinemas brasileiros em fevereiro de 2016.</p>
<p>Veja o trailer abaixo:</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/kMqeoW3XRa0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/assista-ao-trailer-de-hail-caesar-novo-filme-dos-coen-com-grande-elenco/">Assista ao trailer de Hail, Caesar!, novo filme dos Coen com grande elenco</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Guia Oscar 2014: Atores Coadjuvantes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2014 18:57:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Premiações]]></category>
		<category><![CDATA[Barkhad Abdi]]></category>
		<category><![CDATA[Bradley Cooper]]></category>
		<category><![CDATA[Guia]]></category>
		<category><![CDATA[Indicação]]></category>
		<category><![CDATA[Jared Leto]]></category>
		<category><![CDATA[Jonah Hill]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Ator Coadjuvante]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Fassbender]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Barkhad Abdi &#8211; Capitão Phillips Ator somali que estreou em grande estilo no cinema hollywoodiano. Ele nasceu na cidade de Mogadishu, na Somália, mas mudou-se com a família para os Estados Unidos quando tinha 14 anos. A história dele mostra superação. Assim que chegou ao país, ele trabalhou como motorista de limousine e DJ para ajudar nos estudos. Abdi chegou a ser preso e acusado por posse de drogas há pouco mais de um ano e foi condenado à prisão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/392f7b33-93ad-4205-8d2a-2e53cfaa5835_Barkhad_Abdi_Capitan_Phillips1.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-238 aligncenter" alt="" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/392f7b33-93ad-4205-8d2a-2e53cfaa5835_Barkhad_Abdi_Capitan_Phillips1.jpg" width="620" height="348" /></a><strong>Barkhad Abdi &#8211; </strong><em>Capitão Phillips</em></p>
<p style="text-align: left;"><em></em>Ator somali que estreou em grande estilo no cinema hollywoodiano. Ele nasceu na cidade de Mogadishu, na Somália, mas mudou-se com a família para os Estados Unidos quando tinha 14 anos. A história dele mostra superação. Assim que chegou ao país, ele trabalhou como motorista de limousine e DJ para ajudar nos estudos. Abdi chegou a ser preso e acusado por posse de drogas há pouco mais de um ano e foi condenado à prisão duas vezes. Ainda assim, ele deu a volta por cima e conseguiu o papel que mudaria sua vida. Ao tentar na seleção para o filme de Paul Greengrass (“A Supremacia Bourne”), ele ficou surpreso ao passar no teste. Apesar de ser seu primeiro filme, Barkhad dá um show de atuação em “Capitão Phillips”. Sua performance mostra que existem muitos talentos ocultos no mundo e que não é preciso cursos e escolas de teatro para tornar alguém um bom artista. Abdi foi muito elogiado pela crítica especializada e teve a honra de ser indicado em várias premiações como o BAFTA, SAG Awards, Globo de Ouro e o Oscar. Embora não seja o favorito para ganhar na categoria, sua indicação certamente foi o suficiente para mudar sua vida.</p>
<p><strong>Vitórias anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p><strong>Indicações anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/bradley_cooper_beard_curls_richie_dimaso_american_hustle_film.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-241" alt="bradley_cooper_beard_curls_richie_dimaso_american_hustle_film" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/bradley_cooper_beard_curls_richie_dimaso_american_hustle_film.jpg" width="620" height="348" /></a><strong style="line-height: 1.5em;">Bradley Cooper &#8211; </strong><em>Trapaça</em></p>
<p><span style="line-height: 1.5em;">O ator está provando que é muito mais do que um rostinho bonito. Apesar de ser bastante conhecido por sua performance em “Se Beber Não Case”, o artista tem mudado suas escolhas profissionais e guiado para um caminho onde ele pode mostrar muito melhor sua capacidade de atuação. Um exemplo disso é seu espetacular desempenho em “O Lado Bom da Vida”, que lhe rendeu indicações a diversas premiações do ano passado. Por coincidência ou não, ele repete a dobradinha com Jennifer Lawrence (“Jogos Vorazes – Em Chamas”) este ano. Apesar de não se cruzarem em “Trapaça”, os dois são excelentes e recebem novas indicações. Ainda assim, por melhor que ele esteja no filme, não acredito que seja digno de ganhar o Oscar. Ele tem uma questão importante com relação a brilho próprio. Cooper tende a deixar outros colegas roubarem seu momento, passando meio de plano de fundo em algumas cenas. Talvez sua indicação seja válida, mas ele certamente não está entre os favoritos. Vamos torcer e esperar pelo momento em que ele assuma o leme do navio e arrase com toda sua capacidade.</span></p>
<p><strong>Vitórias anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p><strong>Indicações anteriores: </strong>Melhor Ator por<em> O Lado Bom da Vida</em> (2013)</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/Jared_Leto_Dallas_Buyers_Club_a_l.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-242" alt="Jared_Leto_Dallas_Buyers_Club_a_l" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/Jared_Leto_Dallas_Buyers_Club_a_l.jpg" width="620" height="348" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Jared Leto &#8211; </strong><em>Clube de Compras Dallas</em></p>
<p>Jared está simplesmente maravilhoso em “Clube de Compras Dallas”. Além de ser um ótimo cantor, com sua banda 30 Seconds to Mars, ele consegue equilibrar sua vida artística de forma a ser excelente em tudo que faz. A dedicação na sua carreira é impressionante. Assim como aconteceu no filme “Réquiem Para Um Sonho”, neste Leto perdeu muitos quilos para interpretar o travesti Rayon. A sua magreza impressiona, comove e incomoda durante todo o longa. Auxiliado por sua genética, que lhe concedeu traços finos, Jared não apenas se veste como mulher, como fica idêntico a uma e muito bonita. É incrível quando ele surge no filme e simplesmente rouba todos os holofotes para ele (o que pode ser um grande problema, inclusive, para Matthew McConaughey [“Como Perder Um Homem em 10 Dias”], que perde brilho durante o filme). A primeira cena em que aparece, seu prêmio no Globo de Ouro já é completamente justificado. E não acho que seja presunção ao dizer que tenho certeza que Leto levará o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. E será completamente merecido.</p>
<p><strong>Vitórias anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p><strong>Indicações anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/21045914_20131002112033649.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-243" alt="21045914_20131002112033649" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/21045914_20131002112033649.jpg" width="620" height="348" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Michael Fassbender &#8211; </strong><em>12 Anos de Escravidão</em></p>
<p>O ator irlandês interpreta o impiedoso senhor de escravos em “12 Anos de Escravidão”, onde espanca e estupra sua escrava favorita, interpretada por Lupita Nyong’o. Não que sua performance não seja boa, mas ele apenas deu o azar de cair em um ano muito difícil. Em um ano onde Jared Leto (“Réquiem Para Um Sonho”) deixou poucas chances para os concorrentes. Ainda assim, Fassbender demonstra toda sua naturalidade e maestria ao entrar em cena. Ele consegue se impor, ter presença,o que casa perfeitamente com o personagem que interpreta. Ele é, de fato, um senhor de escravos e consegue transmitir todo seu desprezo com um único olhar. Essa é sua terceira parceria com o diretor Steve McQueen (“Shame”) e todas se mostraram acertadas, como o ninfomaníaco em “Shame” e o prisioneiro que inicia uma greve de fome em “Hunger”. Em todos esse trabalhos, Fassbender “mostra para o que veio” e consegue atrair os holofotes para si. O problema que pode realmente levá-lo a perder o Oscar é a presença espetacular de Jared Leto.</p>
<p><strong>Vitórias anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p><strong>Indicações anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/the-wolf-of-wall-street-jonah-hill.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-244" alt="???????????????????????" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/the-wolf-of-wall-street-jonah-hill.jpg" width="620" height="348" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Jonah Hill &#8211; </strong><em>O Lobo de Wall Street</em></p>
<p>Hill está excelente em “O Lobo de Wall Street”. Para quem está acostumado a vê-lo em filmes de besteirol como “Zoolander” e “Superbad – É Hoje”, não acredita que ele realmente tenha um potencial além da comédia debochada. Ele está fantástico em muitas cenas do filme e a dentadura utilizada dá o tom perfeito no seu papel de superficialidade e preocupação com sustentar uma imagem que não existe. Principalmente as cenas em que ele aparece se drogando com Leonardo DiCaprio (“A Origem”), Hill mostra uma naturalidade impressionante e um potencial escondido. Ele continua sustentando uma posição de comédia, mas pode ser levado à sério ao mesmo tempo. Surpreende, realmente, a qualidade de sua participação no filme. O problema com relação ao tão sonhado Oscar, no entanto, é o brilho roubado por seu colega de trabalho. DiCaprio atrai todos os olhares o tempo todo e isso dificulta a percepção dos desempenhos dos demais integrantes do elenco, como o próprio Hill. Ainda assim, além da indicação, vale a descoberta de um talento verdadeiro.</p>
<p><strong>Vitórias anteriores: </strong>&#8211;</p>
<p><strong>Indicações anteriores: </strong>Melhor Ator Coadjuvante por <em>O Homem que Mudou o Jogo</em> (2011)</p>
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