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	<title>Arquivos Jesse Plemons - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Jesse Plemons - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>39º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara: Tipos de Gentileza</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jul 2024 23:05:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há quem ame Yorgos Lanthimos. Há quem não o suporte. Intenso, provocativo e inventivo, o cineasta grego é um dos nomes pontuais do cinema hollywoodiano contemporâneo. Com uma produção vasta, que ocupa festivais e premiações globais, bem como as salas de bilheteria (Pobres Criaturas, por exemplo, custou $35 milhões e faturou $10 milhões), suas produções mais conhecidas são certamente renomadas, indo de Dente Canino (2009), passando por O Lagosta (2015) e A Favorita (2018), até Pobre Criaturas (2023), seu cinema [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há quem ame Yorgos Lanthimos. Há quem não o suporte. Intenso, provocativo e inventivo, o cineasta grego é um dos nomes pontuais do cinema hollywoodiano contemporâneo. Com uma produção vasta, que ocupa festivais e premiações globais, bem como as salas de bilheteria (Pobres Criaturas, por exemplo, custou $35 milhões e faturou $10 milhões), suas produções mais conhecidas são certamente renomadas, indo de <em>Dente Canino</em> (2009), passando por <em>O Lagosta</em> (2015) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-favorita/"><em>A Favorita</em></a> (2018), até <em>Pobre Criaturas</em> (2023), seu cinema é marcado pelo o uso da grande angular, da exploração de trocas repentinas de enquadramento, luz e temperatura, bem como pelo amor para com as histórias peculiares e extracotidianas.</p>
<p>Gostando ou não de Lanthimos, é impossível dizer que suas obras passam despercebidas. É por este motivo que uma expecatativa foi criada em torno de seu novo longa-metragem: <strong><em>Tipos de Gentileza</em></strong>. No entanto, aparentemente confuso com sua própria estética e seu grande desejo de transformar roteiros em imagens, talvez tenha faltado ao diretor se perguntar se não seria um bom momento para tirar umas férias, respirar e criar apenas quando estivesse refrescado e respirado. Isto porque tanto em sua direção, quanto em seu roteiro &#8211; escrito ao lado de Efthimis Filippou -, falta respiro, seja criativo ou técnico.</p>
<p>Contando três histórias distintas, mas repetindo o mesmo elenco em todas elas, as três tramas carecem de progressão e uma própria noção do que quer ser contado. Por esta razão, as personagens se tornam planas, bem como as suas motivações soam como esvaziadas. Falta tempo de tela, e de reflexão dos próprios autores da produção, sobre gênesis das figuras dramáticas e as relações que elas estabelecem entre si. Desta maneira, toda a concepção visual elaborada por Yorgos, ainda que estimulante em termos estéticos, não ganha a força que geralmente possui, justamente porque a decupagem não está à serviço da história.</p>
<p>O espectador aqui acompanha somente trajetórias focadas em efeitos e não em investigação. E o que tudo isso quer dizer? A ficção, antes de mais nada, em sua maioria, é sobre humanos, ainda que com metáforas e outros recursos que possam ser utilizados. Se não há uma profundidade no enredo e nas personagens, o imagético se esvazia. Mesmo que possam haver trabalhos artísticos que tenham apenas esta função (e isto é raro), sobretudo no cinema e, mais ainda, no cinema de Lanthimos, é preciso imbricar técnica e discurso. No longa, ainda que ele busque lançar um olhar sob as facetas mais sombrias, irônicas, hipócritas, egoístas e perversas da sociedade, a multiplicidade destas personalidades não são inseridas nelas.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18427" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1.png" alt="Tipos de Gentileza" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>De certa maneira, quando são postas no ecrã situações extremas de violência verbal e física, esse lado da humanidade emerge. No entanto, para inserir três curtas e chamar eles de longa, seria preciso criar uma unidade entre elas e que as mesmas fossem redondas, bastando-se em termos narrativos. A primeira necessidade se cumpre, pois em termos de argumentação e identidade visual, <strong><em>Tipos de Gentileza</em></strong> se completa em si. Já a segunda parte não acontece, porque são produtos inacabados que Yorgos oferta para o público. A sensação ao final da sessão é um vazio que se alastra.</p>
<p>Se personagens dependentes emocionalmente, que se submetem à condiçõe humilhantes, porque precisam da aprovação de alguém &#8211; de uma seita, do chefe, da esposa etc. -, o relacionamento do opressor com o oprimido tem que ser retratado em cena. O jogo de mise-en-scène, dos diálogos e textos não verbais devem marcar esta estratégia, porém para além dos rompantes e das reviravoltas. Falta uma jornada nestes cenários disruptivos, uma Bella Baxter, que descobre o mundo, um David, que quer curar seu coração partido para se encaixar no planeta, uma Abigail, que quer vencer na vida, porque a pobreza lhe convoca desconforto.</p>
<p>Falta Yorgos dentro do próprio Yorgos. Falta a mágica de ver personagens desabrocharem, falharem, tramarem, mas com um objetivo certeiro, que se desenha no ecrã, tal qual uma pintura, criada ao vivo para o comprador. Ainda que Hollywood exija de seus supostos gênios uma produtividade incessante e que Lanthimos seja portador de um dom para instaurar e/ou subverter lógicas do cinema dos Estados Unidos, com toda a sua mente estrangeira, o esgotamento alcança até o mais talentoso artista. Por isso que <strong><em>Tipos de Gentileza</em></strong> é um exercício árduo de espectatorialidade.</p>
<p>A plateia não tem tempo hábil de se conectar com nada que está sendo colocado em cada sequência do filme. Sem digerir uma peripécia mal contada, logo é exposto para a próxima e para a próxima aventura tola, que poderia sim ser um acontecimento cinemaográfico, caso fosse não um, mas três filmes, pensados, estudados, calmamente desenvolvidos. Uma pena&#8230;sobretudo para Jesse Plemons que esbanja talento em cada aparição apresentada, sendo o único a criar papéis realmente distintos entre si.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Yorgos Lanthimos</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jesse Plemons, Emma Stone, Williem Dafoe, Margaret Qualley, Hong Chau, Joe Alwyn, Mamoudou Athie, Hunter Schafer</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/iO_w4L662ac?si=c8zf4jteEgDk_ngL" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Assassinos da Lua das Flores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Oct 2023 15:48:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Assassinos da Lua das Flores é o mais novo filme do cineasta Martin Scorsese (Silêncio) que chega aos cinemas com elenco de peso. Seu ator favorito Leonardo DiCaprio (Era uma Vez em&#8230; Hollywood) encabeça o protagonista Ernest Burkhart, um homem de pouca instrução que vai morar junto com o irmão, Byron Burkhart (Scott Shepherd, X-Men: Fênix Negra) e o tio, William Hale (Robert De Niro, O Irlandês) próximo à tribo indígena de Osage, uma terra rica em petróleo. Na localidade, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Assassinos da Lua das Flores</strong> é o mais novo filme do cineasta Martin Scorsese (Silêncio</em>) que chega aos cinemas com elenco de peso. Seu ator favorito Leonardo DiCaprio (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-hollywood/"><em>Era uma Vez em&#8230; Hollywood</em></a>) encabeça o protagonista Ernest Burkhart, um homem de pouca instrução que vai morar junto com o irmão, Byron Burkhart (Scott Shepherd, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-x-men-fenix-negra/"><em>X-Men: Fênix Negra</em></a>) e o tio, William Hale (Robert De Niro, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/"><em>O Irlandês</em></a>) próximo à tribo indígena de Osage, uma terra rica em petróleo. Na localidade, são os indígenas que possuem o dinheiro e o poder, se tornando alvo de brancos interesseiros.</p>
<p>Inspirado no best-seller homônimo do escritor David Grann (que usou uma história real como base), o filme segue traçando todos os detalhes do caminho que levam Ernest a casar com uma indígena muito rica e de sangue puro, algo muito almejado naquela região. Em meio a isso, uma série de assassinatos misteriosos acontecem na região, sem que ninguém dê bola aos fatos, já que a maioria são pessoas de pouca importância. A coisa começa a tomar outro rumo quando as mortes chegam na família de Mollie (Lily Gladstone, <em>Certas Mulheres</em>), a nova esposa do nosso protagonista.</p>
<p>O que vemos à seguir em tela é uma trama sendo criada em cima da ambição daqueles homens brancos em querer enriquecer às custas das indígenas e suas caras heranças do petróleo. Embora Ernest tenha um perfil trambiqueiro duvidoso, ele realmente se envolve emocionalmente com Mollie, o que podemos ver na maior parte do tempo com o cuidado dele com a saúde da esposa. Por isso é tão difícil para ela perceber quando ele começa a aplicar o golpe mais absurdo por sua fortuna, já que no dia a dia ele é um bom marido (na medida das possibilidades da época).</p>
<p>Seu tio, por outro lado, não tem qualquer tipo de escrúpulo ao determinar mortes que lhes sejam proveitosas. Ele vive por nutrir uma boa relação com os indígenas, o que faz com que eles não suspeitem nem um pouco de suas reais intenções por traz daqueles falsos sorrisos. Pelas costas, é racista. Ele faz todos de marionetes no seu tabuleiro sangrento (inclusive Ernest), cujo único objetivo é o enriquecimento.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17380" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528.jpg" alt="Assassinos da Lua das Flores" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O que Scorsese nos apresente é uma dualidade constante no casal protagonizado brilhantemente por DiCaprio e Gladstone, onde vemos uma teia de amor e traição que está sempre em cima de uma linha tênue da moralidade. A ambição leva o marido de colocar a família da esposa como alvo, ainda que ele não esteja completamente de acordo com aquilo. A sua incapacidade de conduzir a própria vida e tomar decisões sem influências só mostra o quanto ele é fraco de espírito. Pelo menos, até o final.</p>
<p>O ritmo de <em><strong>Assassinos da Lua das Flores</strong> </em>é algo que requer uma boa atenção. Para um filme de 3h26 de duração, acredito que ele consegue manter o espectador entretido. Tenho uma ressalva durante cerca de 40 minutos que são dedicados aos criminosos e suas tramoias, que faz com que a energia caia drasticamente. Algo que é recuperado na sequência, mas que incomoda. O fato é que o auge do longa é o casal e a sua história. Quando eles não estão no foco, a trama fica meio sem gosto.</p>
<p>Nada que prejudique o resultado final, por certo. É muito interessante ver como a relação de interesses é estabelecida desde o começo. Mollie percebe o olho grande de Ernest em sua herança, mas ele surge como a possibilidade dela ser cuidada e criar uma família. Ela entende que o seu estado de saúde convoca companhia e ele está disposto a oferecer aquilo (por dinheiro). Então, não há nenhum traço de ingenuidade quando a indígena concorda em seguir em frente.</p>
<p>O enredo é ainda muito contundente em mostrar a toxicidade como foi estabelecida a relação entre brancos e indígenas nos EUA e toda a apropriação cultural e de terras que se desdobrou a partir daí. Scorsese faz uma minuciosa análise do período, com fotografia incrível e figurino cuidadoso. A caracterização de <em><strong>Assassinos da Lua das Flores</strong></em> faz toda a diferença no seu resultado final. Aliás, no fim, é como se as 3h26 passassem rápido (o que não te impede de levar um lanchinho &#8211; fica a sugestão). Vale muito a pena conferir diretamente nos cinemas!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Martin Scorsese</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Leonardo DiCaprio, Lily Gladstone, Robert De Niro, Jesse Plemons, John Lithgow, Brendan Fraser, William Belleau, Tatanka Means</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/T22WRjooZn4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Ataque dos Cães</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Feb 2022 19:43:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ataque dos Cães chegou no catálogo da Netflix já com uma boa promessa de que seria um longa premiável e de destaque dentro da plataforma. Com Benedict Cumberbatch (Homem-Aranha: Sem Volta para Casa) e Kirsten Dunst (O Estranho que Nós Amamos) no elenco principal, o filme conta a trama de dois irmãos completamente diferentes, sendo um mais refinado e polido, enquanto o outro é um bruto fazendeiro. A dinâmica entre eles já é sensível o suficiente e piora com o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Ataque dos Cães</em></strong> chegou no catálogo da Netflix já com uma boa promessa de que seria um longa premiável e de destaque dentro da plataforma. Com Benedict Cumberbatch (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-sem-volta-para-casa-sem-spoilers/"><em>Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</em></a>) e Kirsten Dunst (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-estranho-que-nos-amamos/"><em>O Estranho que Nós Amamos</em></a>) no elenco principal, o filme conta a trama de dois irmãos completamente diferentes, sendo um mais refinado e polido, enquanto o outro é um bruto fazendeiro. A dinâmica entre eles já é sensível o suficiente e piora com o surgimento da nova esposa do irmão mais educado. Viúva, ela se torna um incômodo imediato na vida de Phil Burbank (Cumberbatch), que começa a querer infernizar a vida do casal, pela simples inveja.</p>
<p>É simplório demais reduzir a trama de <strong><em>Ataque dos Cães </em></strong>a esta pequena sinopse, pois o filme tem desdobramentos que o tornam difícil de definir com um gênero específico. Ao começo, achamos que o foco será na dupla que mencionei acima, mas isso vai mudando aos poucos a medida que outros personagens surgem. Peter (Kodi Smit-McPhee, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-meu-nome-e-dolemite/"><em>Meu Nome é Dolemite</em></a>) é o filho da viúva. Um rapaz sensível e delicado, o que causa constrangimento aos machões que vivem naquela vila do interior, lá nos idos de 1925. Seu jeito incomoda e é motivo de chacota. Ele parece se importar com isso e prefere a reclusão. A sua fragilidade é bem pontuada no início do texto, através da metáfora da flor de papel que ele produz com tanto cuidado.</p>
<p>A medida que o enredo toma novos rumos, Peter vai crescendo em termos de importância na história. Seu pai se suicidou há alguns anos, o que faz com que ele seja extremamente protetor com a mãe, que possui o emocional muito fragilizado. Quando Phil começa a aterrorizar a convivência da nova família (eles agora moram todos juntos na mesma casa), Rosa volta a beber compulsivamente e ter comportamentos arredios. A diretora Jane Campion passeia por várias nuances no longa, pontuando a questão da inveja e dos desejos reprimidos, de maneira muito sutil e assertiva. Como disse, o filme não se define como gênero a maior parte do tempo, se tornando é mais um elemento interessantíssimo da forma como o roteiro evolui.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15219" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1_3vvNFLk4-JB2Ged_CU6rvg@2x.jpeg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1_3vvNFLk4-JB2Ged_CU6rvg@2x.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1_3vvNFLk4-JB2Ged_CU6rvg@2x-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1_3vvNFLk4-JB2Ged_CU6rvg@2x-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/1_3vvNFLk4-JB2Ged_CU6rvg@2x-720x480.jpeg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>Ataque dos Cães </em></strong>é cheio de detalhes e nuances que vão sendo pegas aos poucos pelo espectador. Mas consigo afirmar ainda que somente ao final da projeção é que algumas pontas são conectadas. É o tipo de filme que vale a pena ver duas vezes para pegar as sutilezas. A masculinidade tóxica de Phil é apenas um ardil para esconder todas as fraquezas que lhe são peculiares, mas que a sociedade machista local não permite que sejam expostas. Então ele é bruto, violento, ignorante, pois isso se torna uma carapaça mais fácil de lidar. A narrativa vai aos poucos mostrando suas dores e questões internas.</p>
<p>Num cenário de belas paisagens e trilha sonora cuidadosa, assistimos a atuações impecáveis de Benedict Cumberbatch e Kirsten Dunst. Ele se desmonta de qualquer papel anterior para nos apresentar um personagem difícil de aturar e com várias nuances. Já ela encarna o papel da mulher forte que lidou com a morte do primeiro marido e cria o filho sozinha na sociedade machista, mas que acaba se afetando emocionalmente pela inveja direcionada pelo cunhado. Destaque aqui para o jovem Kodi Smit-McPhee que soube dar o tom correto a interpretação de Peter, deixando o espectador em completa dúvida sobre o comportamento do personagem.</p>
<p><strong><em>Ataque dos Cães </em></strong>é um filme de altíssima qualidade pois consegue se provar em diversas nuances, desde o roteiro e atuações, até os detalhes técnicos como a fotografia. Vale todas as 12 indicações que teve no Oscar 2022 e arrisco dizer que é um dos favoritos da premiação, especialmente nas categorias de Roteiro e Melhor Filme.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jane Campion</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Benedict Cumberbatch, Kirsten Dunst, Jesse Plemons, Kodi Smit-McPhee, Thomasin McKenzie, Keith Carradine, Frances Conroy, Genevieve Lemon</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/ZwXNDdiSAsE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Irlandês</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2019 19:29:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando O Irlandês (The Irishman) acabou, sua trama e as três horas e meia — que fluem organicamente — acabaram sendo um mero detalhe. Não que a história tenha sido fraca, pelo contrário, mas a única coisa que eu conseguia assimilar era como este filme é uma grande carta aberta e sentimental de Martin Scorsese. Aos 77 anos, ele reflete sobre a morte, seu legado e o futuro do cinema. O Irlandês abre com Frank Sheeran (Robert De Niro, Coringa), em um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando <em><strong>O Irlandês </strong>(The Irishman) </em>acabou, sua trama e as três horas e meia — que fluem organicamente — acabaram sendo um mero detalhe. Não que a história tenha sido fraca, pelo contrário, mas a única coisa que eu conseguia assimilar era como este filme é uma grande carta aberta e sentimental de Martin Scorsese. Aos 77 anos, ele reflete sobre a morte, seu legado e o futuro do cinema.</p>
<p><em><strong>O</strong></em> <em><strong>Irlandês</strong> </em>abre com Frank Sheeran (Robert De Niro, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>), em um asilo, narrando sua trajetória de vida. Ele volta aos tempos de seu serviço militar na 2ª Guerra Mundial e vai até sua ascensão na Máfia. Sua passagem pela ilegalidade começou quando passou a se envolver em um esquema de desvio de caminhões de carne para <em>gangsters</em>.</p>
<p>Isso fez com que ele conhcesse Russell (Joe Pesci, <em>Os Bons Companheiros</em>), um chefe local, com quem desenvolve uma grande amizade. Realizando bicos como assassino e cobrando dívidas locais, ele também passa a se relacionar com o poderoso Jimmy Hoffa (Al Pacino, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Era uma Vez em Hollywood</em></a>), líder sindical de personalidade forte. Quando Hoffa começa a ter seus problemas com o resto da Máfia, Sheeran precisa escolher sua lealdade.</p>
<p>Retornando ao subgênero do drama de máfia já visto em <em>Os Bons Companheiros </em>e <em>Cassino</em>, Scorsese adota uma abordagem diferente. Não há a brutalidade visceral do passado, mas uma espécie de distanciamento. A violência  é seca e fria, não se prolongando demais. Ela interrompe a trama abruptamente — como se não fosse convidada ou nem incentivada — mas rapidamente vai embora.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11872" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês.jpg" alt="O Irlandês" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Assim, é quase como se a câmera afastada estivesse julgando aqueles atos, indicando um amadurecimento no próprio diretor, que olha para seu filme de uma maneira muito mais intimista e familiar, com a máfia sendo só mais um pano de fundo daquele enredo. Quando o personagem de De Niro começa a envelhecer, apesar de suas palavras ecoarem as glórias do passado, vai ficando visível que não sobrou nada. O tempo levou tudo. E de que adiantou aquela jornada de sangue? Não que Scorsese glorificasse os foras-da-lei em suas obras anteriores, mas acaba sendo uma visão muito mais cética e madura daquele submundo.</p>
<p>A complexidade política de <em><strong>O</strong> <strong>Irlandês</strong></em> — que envolve até o assassinato do presidente Kennedy — e todo aquele jogo de ameaças trocadas por homens de terno acabam sendo um grande desvio para os momentos mais marcantes do longa. Mesmo com pouco tempo de tela, a relação de Sheeran com sua família e, principalmente sua filha, Peggy (Anna Paquin, <em>X-Men</em>), é muito significante. Sem precisar dizer muitas palavras, Peggy faz esse julgamento silencioso do pai e seu estilo de vida, valendo mais do que qualquer diálogo do filme. A personagem é esta espécie de bússola moral para o público, que, à primeira vista, pode glorificar a violência do protagonista em certas situações (até pelo carisma de De Niro), mas rapidamente é lembrado de que os fins não justificam os meios.</p>
<p>Conforme o fim vai se aproximando, fica clara a aproximação de <em><strong>O Irlandês</strong></em> com a espiritualidade e a religiosidade. Logo, é muito difícil não pensar no próprio Scorsese. Como católico, ele sente o peso e o valor da família. Há este sentimento de culpa cristã acumulado por uma vida inteira. Seria possível um homem, que cometeu diversos pecados ao longo da vida, ser perdoado na reta final?</p>
<p>Recentemente envolvido em opiniões controversas sobre o que seria cinema ou não, Scorsese acaba que traz um pouco disso ao seu novo projeto. Amadurecido, ele busca entender o mundo atual e o lugar de sua filmografia dentro dele. Ele sabe que as tradições não são mais respeitadas e estão sendo desafiadas, algo personificado no próprio Tony Pro (Stephen Graham, <em>Hellboy),</em> personagem caricato que está sempre atrasado e com roupas inapropriadas para os encontro da Máfia, algo que tira Jimmy Hoffa do sério.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11928" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Irlandês" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Justamente aí que entra a função da tecnologia de rejuvenescimento em <em><strong>O Irlandês</strong></em>. Trazendo um estranhamento visual de início, ela rapidamente se torna natural ao olho humano (o que é beneficiado pela longa duração). Ao mesmo tempo que Scorsese assimila as novas tecnologias disponíveis na produção cinematográfica, existe uma próprio sentido em sua existência no filme. Não só Frank Sheeran parece fugir dos pensamentos sobre a proximidade e a inevitabilidade da morte, neste fluxo entre passado e presente, mas é o próprio Scorsese que, com o rejuvenescimento, remete a aparência dos atores em seus tempos de glória. Infelizmente, não dá mais para voltar aos tempos de <em>Os Bons Companheiros</em>.</p>
<p>Para um longa que fala tanto sobre morte, <strong><em>O Irlandês </em></strong>é uma digna resposta para os que dizem que o crescente uso dos efeitos especiais irá matar o cinema. Aqui, o renomado diretor consegue utilizá-la, não só de um ponto de vista impecável tecnicamente, como também para mostrar que ela pode ser uma enorme aliada do enredo, sendo muito mais do que adereço para enfeitar o filme através de um embelezamento artificial.</p>
<p>Portanto, Scorsese está reinventando, ressignificando, experimentando e até quebrando os próprios estigmas de sua filmografia. Por exemplo, quem diria que Joe Pesci, em uma atuação tocante, traria um dos personagens mais sensíveis e delicados de toda a carreira de Scorsese.</p>
<p>Próximo do fim de sua vida, é possível que Martin Scorsese esteja com medo do legado que deixará quanto se for. O que não deixa de ser irônico, pois sua própria modéstia — e até uma visão pessimista e humilde de si mesmo — apenas reforça seu nome como um dos maiores cineastas da história ao trazer mais uma obra de arte.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Martin Scorsese</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Al Pacino, Robert De Niro, Joe Pesci, Harvey Keitel, Ray Romano, Jesse Plemons, Anna Paquinn, Boby Cannavale</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ZxuTltUvvkI&amp;w=750&amp;h=500]</p>
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