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	<title>Arquivos Festival É tudo Verdade - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Festival É tudo Verdade - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>28º Festival É Tudo Verdade: Beleza Silenciosa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Apr 2023 15:36:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Beleza Silenciosa é uma produção que trata de um tema delicado e pesado. Todavia, diante de toda a dificuldade temática, a pauta é posta com bastante cuidado na tela. Apesar de alguns entraves qualitativos, o longa-metragem de Jasmín Mara López, procura convocar o tema central de forma direta, mas com tons poéticos em suas imagens e textos.  Neste contexto, é importante ressaltar que esta é uma história que tem como ponto de partida uma experiência pessoal da diretora, sobre o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><strong><em>Beleza Silenciosa</em></strong> é uma produção que trata de um tema delicado e pesado. Todavia, diante de toda a dificuldade temática, a pauta é posta com bastante cuidado na tela. Apesar de alguns entraves qualitativos, o longa-metragem de Jasmín Mara López, procura convocar o tema central de forma direta, mas com tons poéticos em suas imagens e textos.  Neste contexto, é importante ressaltar que esta é uma história que tem como ponto de partida uma experiência pessoal da diretora, sobre o abuso sexual que ela sofreu do avô, Gilberto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, à medida que ela investiga sobre este crime, do qual foi vítima no passado, a artista vai descobrindo que aquela realidade não era somente sua. </span><span style="font-weight: 400;">A maneira como a obra revela progressivamente o que aconteceu dentro da família de Jasmín ,com momentos de reflexão da artista e das cenas nas quais ela fala sobre as relações boas que possuiu/possui com alguns de seus parentes, é o ponto alto da obra. Ainda que os fatos mais perversos e angustiantes sejam complicados de acompanhar, os instantes mais leves trazem esse equilíbrio para a sessão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobretudo porque existem os instantes mais fortes do documentário, que são os telefonemas de Jasmín com Gilberto. O espectador escuta a ligação, enquanto lê uma legenda, com o que está sendo dito, mostrado em uma cartela preta. Esta estratégia reforça as palavras proferidas pelo abusador, que se acovarda diante do confronto, revelando a sua crueldade em se aproveitar de pessoas vulneráveis. A</span><span style="font-weight: 400;">o mesmo tempo, é notável a força da diretora e roteirista ao confrontar o seu assediador, quando ela detalha as ações dele, sendo direta e objetiva. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, é perceptível que a força da história e a sua relevância estejam mais presentes em seu conteúdo basilar, nos fatos que ele traz. </span>Já em termos de técnica cinematográfica, o filme peca e acaba deixando a sessão entediante, mostrando uma falta de consciência da equipe sobre cinema. A começar pela música, que deixa uma sensação de repetição. Há um tom monocórdico nas composições, o que pode ampliar no público a impressão de que ele está escutando o mesmo som o tempo inteiro.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16688" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5973_g.jpg" alt="Beleza Silenciosa" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5973_g.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5973_g-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5973_g-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5973_g-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Por fim, a escolha musical é ainda apelativa, remetendo a vídeos motivacionais, do início da era do Facebook, por exemplo. Mas, este artifício acaba por ter o efeito oposto. <span style="font-weight: 400;">Dificilmente o espectador irá se emocionar, justamente porque não tem distinção de tonalidades, reduzindo seu efeito. </span><span style="font-weight: 400;">No entanto, esta característica está presente para além da composição musical. Não há uma criação de progressão, de ritmo ou de noção de roteiro, direção e montagem aqui. As informações parecem colocadas sem pensar na lógica de efeitos para o espectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com intenções na mesma cadência, é difícil se conectar com o enredo e suas personagens, porque o enredo é posto de maneira demasiadamente linear, deixando uma ausência de gráficos de emoções, de uma noção concreta de narrativa mesmo &#8211; estabelecimento de conflito, clímax, desenlace etc. </span>Desta maneira, <strong><em>Beleza Silenciosa</em></strong> não é tanto um filme, mas sim um relato filmado.</p>
<p>Em toda a sua relevância temática e com toda a coragem da diretora, a sessão pode valer a pena para aqueles que conseguirem focar na produção. Para chegar até o final da sessão, um dica é não se concentrar na música repetitiva, que tenta ser melancólica e tocante. Centrar a atenção nos pontos positivos criado por <span style="font-weight: 400;">Jasmín Mara López, como no relacionamento dela com a parte boa da família pode ser uma saída. </span></p>
<p><strong>Direção:</strong> <span style="font-weight: 400;">Jasmín Mara López</span></p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Apr 2022 18:46:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em um pouco mais de uma hora de projeção, o espectador é convidado a mergulhar em uma história sobre amor e revolução em Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue. No início do século XX, Marcelle e Emma se conhecem em um colégio. Nesta época também, foi quando a França sofre um surto intenso de tuberculose, que se alastrava pelo país. Marcelle contrai a doença e, em um sanatório, forma uma gangue de meninas enfermas, porém cheias de vontades [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um pouco mais de uma hora de projeção, o espectador é convidado a mergulhar em uma história sobre amor e revolução em <strong><em>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</em></strong>. No início do século XX, Marcelle e Emma se conhecem em um colégio. Nesta época também, foi quando a França sofre um surto intenso de tuberculose, que se alastrava pelo país. Marcelle contrai a doença e, em um sanatório, forma uma gangue de meninas enfermas, porém cheias de vontades e desejos.</p>
<p>Somente pela premissa, o documentário desperta interesse e curiosidade. No entanto, ele possui diversas camadas, que fomentam a sua qualidade técnica e histórica. Emma, na realidade, é avó de Robin Hunzinger (<em>Vers la forêt de nuages</em>), diretor da obra. Quando ela faleceu, Robin e sua mãe – Claudie Hunzinger, que escreveu o roteiro junto com seu filho – encontraram cartas antigas trocadas por Marcelle e Emma.</p>
<p>A intimidade devido à proximidade com uma das figuras centrais do filme, mescladas com o distanciamento causado pela falta de conhecimento sobre esta relação é um dos maiores ganhos deste longa-metragem. Isto porque ao mesmo tempo em que a produção conta o que ocorreu com Emma, Marcelle e sua gangue, ela parece investigar e analisar as relações construídas por estas mulheres.</p>
<p>Boa parte desta característica se dá pela narração, que em seu texto e interpretação constrói uma mistura sagaz de reconstituição dos fatos e um quê de ficção. Intercalando trechos das missivas trocadas pelas duas garotas e reflexões sobre este passado, o público vai criando uma proximidade e certa intimidade com aquele enredo, com aquelas vivências.</p>
<p>É nesta lógica que se expande a sensibilidade e a inteligência presentes no roteiro e na direção do longa. É possível compreender em cada relato e em cada pensamento sobre ele o quanto havia amor entre Marcelle e Emma, mas também todos os receios das jovens, sendo de um lado, o medo da perda, da morte, do abando e, do outro, a preocupação com o mundo e com as aparências.</p>
<p>Existem aqui muito mais palavras de Marcelle do que de Emma, mas o silêncio da avó de Hunzinger também diz bastante sobre o relacionamento deste casal, interrompido por uma doença que marcou tanto um período. Contudo, este é um doc que vai além das aflições e ligações de duas apaixonadas e é notável toda a intensidade de Marcelle e como ela estabelece seu grupo de enfermas dentro do sanatório, com objetivo de romper com os seus conflitos internos e de afastar a solidão.</p>
<p>Estas integrantes ganham vida não apenas pela voz que narra as suas trajetórias, mas também por imagens que saltam na tela. Aqui, vê-se outro elemento constitutivo de <em>Ultravioleta</em>: a presença e o uso das imagens de arquivo. Para ilustrar e fazer com que quem acompanha a sessão possa visualizar estas meninas, suas emoções e locais que ocupavam, a equipe convoca sequências de outros filmes, fotografias e filmagens antigas.</p>
<p>Assim, encontram-se mulheres dos anos 1920/1930, em atividades comuns ou não, bem como, por exemplo, cenas de <em>Tramas do Entardecer</em>, de Maya Deren. A estratégia, além de criativa, tem um efeito intenso de dar vida e movimento para uma escrita de um outrora tão longínquo. É nesta junção de narração com imagens representativas que se elabora esta intimidade com as personagens. E é por esta razão que o filme provoca esta sensação de presença do ficcional.</p>
<p>Porque é através desta sobreposição de recurso, que uma narrativa de início, meio e fim é criada, pensando no formato clássico. Desta maneira, <strong><em>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</em></strong> apresenta um resultado geral equilibrado, conseguindo dinamizar um material, teoricamente, simples em seu formato – mas, tão profundo em seu conteúdo –, criando pontos de construção de progressão, com clímax, desenlace e imprimindo no texto verbal um colorido tonal que cobre as imagens em preto e branco. Este é um trabalho forte e apaixonante!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robin Hunzinger</p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: Quando Falta o Ar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2022 21:06:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma das fases de ápice da pandemia do Coronavírus, as diretoras Ana e Helena Petta embarcam em uma trajetória em Quando Falta o Ar, na qual acompanham trabalhadores do SUS (Sistema Único de Saúde), em cinco estados do país. Amazonas, Bahia, Pará, Pernambuco e São Paulo, em cada local visitado pelas câmeras das Petta, o espectador acompanha a angústia de pacientes contaminados, o labor dos funcionários de saúde pública e todo significado político e social presente em toda esta [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em uma das fases de ápice da pandemia do Coronavírus, as diretoras Ana e Helena Petta embarcam em uma trajetória em <em><strong>Quando Falta o Ar</strong></em>, na qual acompanham trabalhadores do SUS (Sistema Único de Saúde), em cinco estados do país. Amazonas, Bahia, Pará, Pernambuco e São Paulo, em cada local visitado pelas câmeras das Petta, o espectador acompanha a angústia de pacientes contaminados, o labor dos funcionários de saúde pública e todo significado político e social presente em toda esta realidade.</p>
<p>O documentário propõe discutir, dentro de toda a situação alarmante e desesperadora da Covid-19, o trato e o cuidado de enfermeiras, médicas e agentes do SUS, que pensam não apenas no estado físico, mas também mental de cada indivíduo que atendem. Assim, o público pode ver imagens impactantes de infectados em seus leitos, de idosos em situação precária de moradia, de presidiários que lutam por sua sobrevivência. Contudo, o grande ganho do longa-metragem é que ele também fala sobre esperança e resistência.</p>
<p>Ao tratar sobre uma temática tão dolorosa e complicada, sobretudo em país comandado por um genocida e em um período que ainda não havia vacinas disponíveis – as filmagens ocorreram entre outubro de 2020 e janeiro de 2021 –, a produção consegue equilibrar seu peso com músicas emblemáticas, fortes e/ou suaves, indo de Emicida até Billie Holiday. O olhar das Petta é embebido de respeito e até possui certa dose de suavidade, principalmente quando seguem os gestos de cuidado das equipes médicas do SUS.</p>
<p>As inserções de entrevistas ou de diálogos entre pacientes e médicos ajudam a conduzir esta observação e são bastante precisas. Isto porque a decupagem e a montagem de <em><strong>Quando Falta o Ar</strong></em> são pensadas para que haja uma imersão em cada uma daquelas realidades e as vozes chegam como uma espécie de despertar para a realidade, vinda dos discursos. Discursos estes que são postos ou não diretamente para a câmera, porém que sacodem o público que é colocado nesta observação profunda das ações de prevenção ou de combate ao Corona.</p>
<p>Existe um tempo de tela estendido para esta observação das jornadas, nas quais a câmera se movimenta de maneira em que há uma dinâmica pulsante que salta durante a projeção. O quadro parado também comunica bastante. É assim, utilizando dos recursos possíveis que a direção de audiovisual oferta, que Ana e Helena jogam o foco para o que desejam. Em alguns momentos, é necessário esperar um tanto para compreender o que a dupla quer, quando um plano reside longamente no ecrã, porém esta é a forma de “jogar luz” e deixar que quem assiste olhe ou escute algo com mais atenção.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15413" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/QFA_Recife_Victor-Juca_001.jpg" alt="Quando Falta o Ar" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/QFA_Recife_Victor-Juca_001.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/QFA_Recife_Victor-Juca_001-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/QFA_Recife_Victor-Juca_001-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/QFA_Recife_Victor-Juca_001-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Um exemplo é a sequência de atendimento a um presidiário. O rosto dele não é visto, mas há um enquadramento de um celular, que toca uma música. Ao olhar para aquela imagem, a canção amplia seu significado, preenchendo a cena de sentidos maiores e mais palpáveis. Aquela situação de enfermidade e medo de convalescer da doença vêm preenchidos de outros contextos, cheio de situações sociais e políticas pregressas ao vírus, que colocam aquele paciente naquele local, daquele jeito.</p>
<p>Está tudo ali, na fala das enfermeiras e médicas, dos doentes, dos que se livraram da Covid, na arte, na cultura, em cada minuto da exibição de <em><strong>Quando Falta o Ar</strong></em>. No entanto, talvez, as Petta pudessem ter um pouco mais de preocupação com algumas passagens, que têm uma carga demasiadamente violenta aos olhos. Apesar de ser compreensível a sede pelo registro de um fato histórico e das condições tristes que esta praga causou, há de se pensar o quão recente são todos estes fatos. Afinal, ver um corpo estirado, sendo levado ao hospital ou covas sendo cavadas, geram um mal estar profundo.</p>
<p>Este fator não compromete a produção em sua totalidade, porém revela um ponto, que vai saltando aos olhos, lentamente, enquanto se assiste este trabalho. Talvez, por conta de serem acontecimentos novos, com novidades que estouravam o tempo inteiro, tenha havido pouco planejamento na execução do longa. Falta nele algum fio condutor. De fato, o documentário mostra todo o trabalho do SUS diante de uma calamidade. Todavia, veem-se mais recortes soltos de ocorridos semelhantes.</p>
<p>É uma união pela dor e pela luta, porém estes são fatos postos e um desenvolvimento maior dos objetivos da equipe iria gerar um direcionamento mais preciso, como no caso das cenas impactantes.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ana e Helena Petta</p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: Sinfonia de um Homem Comum</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2022 20:47:38 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[É tudo verdade]]></category>
		<category><![CDATA[É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há uma habilidade em Sinfonia de um Homem Comum em mostrar para o espectador, de uma maneira bastante geral, quem é seu protagonista. Em seus minutos iniciais, antes de adentrar no tema central da obra, é possível acompanhar um pedaço da rotina da personagem principal e já ali entender como é a sua personalidade, seu jeito de lidar com as situações e a sua exigência intensa. José Maurício Bustani é posto como um homem que quer sempre fazer o melhor. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma habilidade em <strong><em>Sinfonia de um Homem Comum</em></strong> em mostrar para o espectador, de uma maneira bastante geral, quem é seu protagonista. Em seus minutos iniciais, antes de adentrar no tema central da obra, é possível acompanhar um pedaço da rotina da personagem principal e já ali entender como é a sua personalidade, seu jeito de lidar com as situações e a sua exigência intensa. José Maurício Bustani é posto como um homem que quer sempre fazer o melhor.</p>
<p>Diplomata brasileiro, Bustani é trazido ao longa-metragem para tratar de seus tempos de serviço no cargo de diretor-geral da Organização de Proibição de Armas Químicas (Opaq). A sua gestão foi de 1997 até 2001 e se encerrou após uma polêmica forte com o governo dos Estados Unidos, que possuía George W. Bush como presidente. Para Bustani o Iraque não tinha armas químicas e, para os EUA, o país não só estava em posse deste armamento como iria utilizá-lo com força.</p>
<p>Aqui o discurso é muito nítido: José Bustani foi um herói em sua época de diretor da Opaq. No entanto, apesar de todo este direcionamento incisivo e de tom quase ficcional – no sentido de que há esta insistência em falar sobre a competência do diplomata –, a obra é eficiente na diversidade de fontes que traz e como as traz. Entre imagens de arquivos, com jornais impressos e telejornais, entrevistas face a face ou via skype, há uma busca por ouvir envolvidos na saída de Bustani da Opaq, seus defensores e ocupantes de cargos altos no Brasil daquele tempo.</p>
<p>Assim, uma mescla de análises do ocorrido é impressa na tela de <strong><em>Sinfonia de um Homem Comum</em></strong>. O público se depara com depoimentos dos ex-presidentes José Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, com integrantes da família de Bustani ou com personalidades como ex-secretário de Estado de Bush, Richard Boucher. São múltiplas as vozes selecionadas para o longa e esta gama de pontos de vista acaba por fomentar o argumento que está sendo discutido durante a exibição.</p>
<p>Este debate vem justamente para tratar sobre o alerta insistente de Bustani: a inexistência das armas no Iraque, o que poderia ter evitado a guerra neste país e milhares de mortes. Ainda há no doc a consciência da necessidade de respiros, pois esta é uma história cheia de meandros e de idas e vindas estratégicas, de ambos os lados. A música tocada por Bustani e as panorâmicas do Rio de Janeiro cumprem esta função de oxigenar a mente de quem assiste, principalmente daqueles que acabam por concordar com o que é dito no documentário.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15409" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a_simphony_for_a_common_man_01.jpg" alt="Sinfonia de um Homem Comum" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a_simphony_for_a_common_man_01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a_simphony_for_a_common_man_01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a_simphony_for_a_common_man_01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a_simphony_for_a_common_man_01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Quem desconfia/sabe que o ataque do 11 de setembro às Torres Gêmeas &#8211; e todas as ações subsequentes para a concretização da Guerra no Iraque &#8211; foi um golpe por petróleo, pode se sentir um tanto irritadiço e necessitar destas breves pausas de contemplação musical ou visual. Neste sentido, também é marcante a sagacidade da montagem de Jordana Berg (<em>Democracia em Vertigem</em>), que insere as transições de forma pontual, revelando discursos incoerentes de estadunidenses e da mídia em geral.</p>
<p>Também são revelados relacionamento políticos comprometedores em <strong><em>Sinfonia de um Homem Comum</em></strong>. Um exemplo é toda a sequência que traz a figura de John Bolton, um ex-militar e diplomata, que foi contra a Bustani no início dos anos 2000. Recentemente, Bolton esteve dentro do governo de Donald Trump e elogiou a vitória do presidente Jair Bolsonaro, em 2018, tecendo diversos elogios para o genocida, em rede nacional dos EUA.</p>
<p>Jordana explora o desvio de caráter de Bolton, suas mentiras, incoerências e apoios imorais através de sua edição veloz, que deixa que as transições, as trocas de cenas e sobreposições de imagens digam mais do que o próprio texto falado presente na narração durante a sessão. Desta forma, entre passagens do amor de Bustani pela música e seu aparente compromisso com a execução precisa de qualquer função que assuma, o diretor José Joffily constrói a imagem deste herói nacional, que viveu uma injustiça em solo imperialista.</p>
<p>Este é um filme sobre o tempo, sobre verdades manipuladas e as respostas que o futuro entrega. Ainda que seja tão afirmativo em defender um nome e provocar acusações – mesmo que legítimas e comprovadas –, esta é uma projeção fluida e conduzida com habilidade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> José Joffily</p>
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		<title>Festival é Tudo Verdade: Zimba</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Apr 2021 16:20:20 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Camila Amado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Contando a trajetória do ator e diretor Zbigniew Ziembinski, o documentário Zimba procura trazer um apanhado geral da vida do artista. Seja por momentos mais práticos – nos quais pedaços da sua vinda para o Brasil e todas as consequências disso aparecem –, ou nos instantes mais etéreos, com detalhes e sensações de sua produção, existe aqui um cuidado narrativo em tentar ambientar o espectador. Através de um roteiro conciso, no geral, o filme transmite, majoritariamente, o que ele parece [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Contando a trajetória do ator e diretor Zbigniew Ziembinski, o documentário <strong><em>Zimba</em></strong> procura trazer um apanhado geral da vida do artista. Seja por momentos mais práticos – nos quais pedaços da sua vinda para o Brasil e todas as consequências disso aparecem –, ou nos instantes mais etéreos, com detalhes e sensações de sua produção, existe aqui um cuidado narrativo em tentar ambientar o espectador. Através de um roteiro conciso, no geral, o filme transmite, majoritariamente, o que ele parece desejar: toda a complexidade criativa de Ziembinski, seu talento e a sua paixão pelo teatro e pelo cinema.</p>
<p>Ziembinski possui uma grande relevância para as artes cênicas do país e é considerado como um dos criadores do Teatro Moderno brasileiro. Para contar isto para o público, a projeção utiliza alguns recursos positivos, que constroem e elevam uma atmosfera do ambiente teatral, algo importante pelo fato das Artes Cênicas estarem presentes em sua carreira. Assim, há um bom uso de intérpretes entrevistadas, juntamente com outros atores que representam personagens de obras dirigidas pelo encenador. A iluminação é o ponto alto aqui, pois ela direciona o olhar para a cena e aumenta a potencialidade sensível, seja pelo o próprio tom  melancólico selecionado (azul) ou como o foco é trabalhado, por vezes iluminando toda a mise-en-scène ou parte dela.</p>
<p>O segundo elemento destacável em <em><strong>Zimba</strong> </em>são as narrações e os depoimentos feitos por três nomes conhecidos do audiovisual e/ou dos palcos, sendo elas: Nathália Timberg, Nicette Bruno e Camila Amado. Por elas serem atrizes experientes, é perceptível o trato que elas dão para as suas leituras e como contam cada história . Este fato é ainda mais presente em Amado. A textura que ela dá aos textos, incluindo quando ela diz alguns pedaços de obras dramatúrgicas, revelando a sua consciência de criação de imagem através da fala. A dinâmica do trio, que aparece separadamente, faz as sensações crescerem e emocionam e empolgam quem assiste.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14039" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/zimba-documentario-imagem.jpg" alt="Zimba" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/zimba-documentario-imagem.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/zimba-documentario-imagem-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/zimba-documentario-imagem-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/zimba-documentario-imagem-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Por fim, pode-se falar sobre como a escolha das imagens de arquivo, juntamente com a forma como estas são colocadas, contribuem para a compreensão do estilo artístico de Ziembinski, bem como funcionavam seus processos. Além disso, fica nítida a amplitude de seu trabalho, quando são mostradas cenas e sequências de suas performances como ator, deixando para gerações novas, ou para quem o desconhecia, um material cuidadoso e extenso, que consegue abarcar esta pluralidade de <strong>Zimba</strong>.</p>
<p>No entanto, duas questões são incômodas aqui. A começar pelo trato um tanto plano sobre a figura de Ziembinski. É compreensível que agora ele seja visto como um mito do teatro ou, talvez seja intencional esta perspectiva mítica. No entanto, as suas emoções são poucos exploradas. As relações de Ziembinski com a família e amigos são mencionadas, mas sem a mesma profundidade do restante.</p>
<p>Assim, a decisão de colocar a sua vida pessoal no documentário poderia ser distinta. Manter seu passado na seara mais íntima, mas realmente falando dele ou retirá-lo. O fato é que chega raso em quem assiste. Com esta ausência de equilíbrio na abordagem dos aspectos da jornada de Ziembinski, o final da projeção chega um tanto truncado. Sem uma amarração mais efetiva, a sessão termina abruptamente e deixa uma sensação de que não houve uma conclusão ali. Esta não haveria de ser óbvia ou qualquer coisa semelhante. Ou poderia existir uma espécie de continuidade deixada no ar. Contudo, não parece proposital a falta de mão para terminar o longa.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Joel Pizzini</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/p59FWpxcAnk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: Gorbachev.Céu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Apr 2021 21:16:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mikhail Gorbachev é uma figura extremamente conhecida e comentada no percurso da história mundial. Com a  criação da Glasnost e Perestroika, o estadista da antiga União Soviética assumiu o poder da região por seis anos. Até os dias de hoje, existem diversas contradições e pensamentos divergentes e/ou misturados sobre Gorbachev. Neste documentário de Vitaly Mansky (Sob o Sol), toda esta complexidade é transmitida, através de cada fala, ação e movimento feitos pelo próprio ex-líder russo. Este é um filme que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mikhail Gorbachev é uma figura extremamente conhecida e comentada no percurso da história mundial. Com a  criação da Glasnost e Perestroika, o estadista da antiga União Soviética assumiu o poder da região por seis anos. Até os dias de hoje, existem diversas contradições e pensamentos divergentes e/ou misturados sobre Gorbachev. Neste documentário de Vitaly Mansky (<em>Sob o Sol</em>), toda esta complexidade é transmitida, através de cada fala, ação e movimento feitos pelo próprio ex-líder russo.</p>
<p>Este é um filme que abre espaço para que Gorbachev seja investigado de perto, sendo ouvido cada relato do próprio político. Já em uma idade avançada, aos 90 anos, ele demonstra suas fragilidades, incertezas e confusões para a câmera, que procura analisar e revelar cada ângulo de sua personagem principal. Este desejo de expor facetas e multiplicidades de pontos de vista de uma mesma pessoa é trazido pela direção em sua decupagem. Colocando-o em diversos espaços do ecrã e utilizando várias lentes, Mansky imprime imageticamente o que está sendo reproduzindo na condução das perguntas feitas para Gorbachev.</p>
<p>Dentro deste contexto, porém, é importante ressaltar como o discurso, as lembranças e relatos são todos pela perspectiva de Gorbachev. Sem que este elemento seja avaliado, aqui, qualitativamente, é inegável que, além da narração e dos questionamentos feitos por Mansky, o público acompanha o seu pensamento, quase que exclusivamente. A partir deste observação, também é possível apontar que, neste cenário, poucos recursos são explorados. O longa não é inventivo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14017" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/critica-gorbachev.ceu-1.jpg" alt="Gorbachev" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/critica-gorbachev.ceu-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/critica-gorbachev.ceu-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/critica-gorbachev.ceu-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/critica-gorbachev.ceu-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Passado, praticamente, quase inteiramente dentro da casa de Gorbachev – com exceção de algumas saídas daquele ambiente –, a reconstrução dos marcos da carreira do protagonista e todas as suas polêmicas poderiam ter sido ilustradas com outras estratégias, que são até comuns no gênero. Talvez, mais imagens de arquivo, recortes de periódicos, outras sonoras. A clausura na residência de Gorbachev é relevante para a instalação de atmosfera da produção e para fomentar esta necessidade que parece existir de entrar na intimidade do político. No entanto, estes outros elementos distintos dos utilizados na obra dariam respiros a ela.</p>
<p>Após quase 30 anos do final da União Soviética, assistir a uma sessão com aquele que foi responsabilizado pela dissolução do local, escutando sua perspectiva dos acontecimentos é, de toda maneira, um certo privilégio. Ainda que tenha faltado preencher a exibição com outras formas de se contar uma história, há uma busca por trazer enquadramentos criativos e olhar de perto uma figura pública tão relevante, deixando um registro importante para o futuro.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Vitaly Mansky</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/kQ-ZUVyPtI0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: Máquina do Desejo – Os 60 Anos do Teatro Oficina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Apr 2021 15:18:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em quase duas horas de projeção, o espectador de Máquina do Desejo – Os 60 Anos do Teatro Oficina se vê imerso na história da Companhia Teatro Oficina. Fundado em 1958, o grupo possui uma forte tradição e nome no teatro brasileiro e conta com uma força artística e inventiva de grande intensidade. Estas características da Oficina conseguem ser transmitidas neste documentário, que procura traduzir não apenas a trajetória formal, com detalhes sobre espetáculos, entraves para a manutenção do coletivo, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em quase duas horas de projeção, o espectador de<em><strong> Máquina do Desejo – Os 60 Anos do Teatro Oficina</strong></em> se vê imerso na história da Companhia Teatro Oficina. Fundado em 1958, o grupo possui uma forte tradição e nome no teatro brasileiro e conta com uma força artística e inventiva de grande intensidade. Estas características da Oficina conseguem ser transmitidas neste documentário, que procura traduzir não apenas a trajetória formal, com detalhes sobre espetáculos, entraves para a manutenção do coletivo, questões políticas e sociais, mas também passar para o espectador toda a complexidade e sensações de quem assiste as produções culturais feitas pela companhia.</p>
<p>Para imprimir estas emoções palpáveis, o filme traz elementos técnicos que se destacam qualitativamente e elevam o potencial narrativo. Talvez, o principal aspecto destacável seja o som do longa. Em sua edição e mixagem, feita por Edson Secco, as tensões e sentimentos em relação ao enredo crescem. Seja em uma batida grave, nas entradas e saídas de depoimentos ou nos ruídos &#8211; que sobem ou diminuem, progressivamente, à medida que a projeção acontece -, existem provocações aqui. Há uma consciência de Secco sobre a relevância do que está sendo contado.</p>
<p>A partir disto, Secco brinca com sonoridades, transmitindo, quase com exatidão, o que é estar na plateia das encenações do Teatro Oficina e, aparentemente, até mesmo do que é estar em cena, fazendo parte do coletivo. Desde o início da exibição, e em seu encaminhamento para o final, as tonalidades sonoras desenham os momentos passados por artistas cênicos, seja no labor do processo de criação ou em brigas pela manutenção dos espaços culturais e no anseio para expor pensamentos políticos e sociais.. As entradas e saídas de vozes e/ou ruídos – incluindo a mistura de sons também – denotam uma habilidade de Secco em passar ideias e reflexões, através de seu trabalho editando e mixando.</p>
<p>Algo que casa bem com estes sons que se sobressaem é a montagem. Os cortes apresentam dinâmica. O montador sabe dosar, com todas as imagens de arquivo e relatos, os respiros, as intensidades de velocidade e os instantes que precisam ser de contemplação imagética. Um exemplo é uma passagem na qual o início de uma peça é mostrada e quem assiste consegue contemplar os acontecimentos revelados ali, sem cortes. Outra estratégia que chama atenção é o fato de que não são vistos os rostos das pessoas que contam, no presente, sobre suas relações com o Teatro Oficina. Entre fotografias e filmagens de arquivo, não se sabe, ao certo, quem são os indivíduos que narram suas experiências. Aqui, nesta produção especificamente, a escolha expande o horizonte criativo, o seu próprio potencial estético e a lógica rítmica. A imersão no contexto ganha impulso quando estes registros recebem análises circunstanciais.</p>
<p>No entanto, apesar de toda uma construção elaborada, há uma pequena perda de qualidade do segundo ato até o início do terceiro. É compreensível que se tratando de um grupo com uma estrada tão rica e importante, a probabilidade de que a seleção do que retirar e manter ter sido complexa seja alta. Contudo, as questões voltadas para a briga para a continuidade da existência do Teatro que abrigava o grupo, a sua compra e reforma são demasiadamente esgarçadas. O tempo de tela para esta época da Oficina é extenso e ainda conta com um pequeno desaparecimento da utilização perspicaz do som e montagem. A crueza soa intencional, porém deixa no ar uma quebra com o que havia sido feito anteriormente.</p>
<p>Ainda assim, a narrativa, em sua composição geral, possui uma dinamicidade, um desenvolvimento e uma progressão que faz com que esta breve queda não comprometa o resultado total. Desta maneira, <strong><em>Máquina do Desejo – os 60 anos do Teatro Oficina</em> </strong>é uma obra essencial, pois aborda um coletivo fundamental para o teatro do Brasil e o faz com efetividade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Lucas Weglinski e Joaquim Castro</p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: Glória à Rainha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Apr 2021 15:04:27 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Anna Khazaradze]]></category>
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		<category><![CDATA[Tatia Skhirtladze]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Revelando a trajetória de quatro jogadoras de xadrez da Geórgia, Glória à Rainha busca intercalar as vivências delas, com a repercussão que causaram no país. Nona Gaprindashvili, Nana Alexandria, Maia Chiburdanidze e Nana Ioseliani possuíram o auge de suas carreiras durante o período no qual a União Soviética existia e as tensões da Guerra Fria, juntamente com os preconceitos de gênero,  faziam com que elas precisassem fazer concessões e tomar riscos para que pudessem construir o que desejavam. Aqui, é [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Revelando a trajetória de quatro jogadoras de xadrez da Geórgia, <strong><em>Glória à Rainha</em></strong> busca intercalar as vivências delas, com a repercussão que causaram no país. Nona Gaprindashvili, Nana Alexandria, Maia Chiburdanidze e Nana Ioseliani possuíram o auge de suas carreiras durante o período no qual a União Soviética existia e as tensões da Guerra Fria, juntamente com os preconceitos de gênero,  faziam com que elas precisassem fazer concessões e tomar riscos para que pudessem construir o que desejavam.</p>
<p>Aqui, é possível encontrar uma tentativa de criar dinamicidade e coesão, através de idas e vindas das histórias das personagens centrais, o roteiro convoca o espectador a também conhecer um pouco sobre mulheres do país que ganharam seus nomes em homenagem às enxadristas. No entanto, apesar da estratégia em si ser um tanto criativo e elevar o entendimento sobre a importância das jogadoras para a Geórgia, o recurso de misturar tantas subtramas ao enredo acaba ficando repetitivo e cansativo, à medida que a projeção avança.</p>
<p>Sem seguir uma linha narrativa fluida, a cada mudança de depoimento, o público pode se sentir desconectado com a obra e até se desligar do que está sendo contado. Ainda existe outro elemento que fomenta esta sensação. Entre os depoimentos e conversas entre o quarteto, imagens do passado são mostradas e narradas em alemão. Há uma ausência de ligação dos momentos prévios e posteriores, nesta mistura temporal e contextual, o ritmo se esvai.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13995" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/maxresdefault.jpg" alt="Glória à Rainha" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/maxresdefault.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/maxresdefault-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/maxresdefault-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/maxresdefault-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Além disto, através de cortes secos, a troca repentina de cena e atmosfera aumenta a impressão de rupturas recorrentes. A decupagem também parece atrapalhada. Os deslocamentos e os planos fixos não se justificam, um exemplo é a sequência em que uma das entrevistadas fala calmamente sobre seu passado, parada, mas a câmera está na mão e a imagem treme um pouco. Isto acaba por passar uma ideia oposta ao que está acontecendo de fato. Não é exatamente a falta do uso de uma <em>steadicam</em> que incomoda, porém a falta de compreensão – ou preocupação, talvez – da direção em decupar filme pensando nos sentidos de cada sequência.</p>
<p>Ainda assim, a força das próprias personagens centrais reduz os danos gerais da produção. Com uma espécie de carisma, mesclado com humor ácido, Gaprindashvili, Chiburdanidze, Ioseliani e Alexandria, em suas diferenças e aproximações engajam quem assiste a acompanhar suas ideias, conquistas e recordações. <strong><em>Glória à Rainha</em></strong> é, de fato, irregular. Com uma dinâmica entrecortada, é difícil acompanhar até o final sem cansaço, porém, com um esforço, é possível se entreter com as figuras principais, conhecer um pouco mais do país Geórgia, suas tradições e transformações.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Tatia Skhirtladze, Anna Khazaradze</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/xWKBkGnbdRk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p><strong>Confira nossas críticas de festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/"><em>aqui</em></a>!</strong></p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: Meu Querido Supermercado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2020 20:38:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um dado momento, uma das personagens de Meu Querido Supermercado fala sobre física quântica e como as partículas se movimentam diferentemente quando estão ou não sendo observadas. Neste documentário, dirigido por Tali Yankevich (The Perfect Fit), é quase isto que acontece. É como se, a partir do momento que as câmeras foram direcionadas para aquelas pessoas, todo um universo de histórias passassem a acontecer. Contudo, elas estão ali, todos os dias, enquanto as pessoas fazem compras. Nesta lógica, é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um dado momento, uma das personagens de <strong><em>Meu Querido Supermercado</em></strong> fala sobre física quântica e como as partículas se movimentam diferentemente quando estão ou não sendo observadas. Neste documentário, dirigido por Tali Yankevich (<em>The Perfect Fit</em>), é quase isto que acontece. É como se, a partir do momento que as câmeras foram direcionadas para aquelas pessoas, todo um universo de histórias passassem a acontecer. Contudo, elas estão ali, todos os dias, enquanto as pessoas fazem compras.</p>
<p>Nesta lógica, é possível notável o esforço da direção em evidenciar os traços mais marcantes, divertidos e curiosos daqueles funcionários. A projeção deixa  um pensamento sobre este local e tantos outros lugares cheios de indivíduos trabalhando coletivamente. Quantos bons enredos poderiam surgir a partir da observação de espaços que passamos despretensiosamente todos os dias? Mas, não é apenas este ganho que a projeção tem. As conexões criadas entre cada narrativa que aparece na tela chegam como ganchos temáticos e imagéticos. Um exemplo é o momento em que um rapaz conta sobre o surgimento da maquiagem na civilização e, em seguida, o plano mostra uma jovem passando delineador. Estes fio condutores deixam a projeção mais leve e redonda, pois imprimem fluidez e ritmo.</p>
<p>A dinâmica da obra também é estabelecida pela banda sonora. Há no tom das músicas selecionadas um ar cômico, leve e lúdico, que diverte e fomenta a ambientação alegre e engraçada que o longa parece querer evocar. No entanto, ela surge insistentemente, numa repetição que, apesar de fomentar o discurso sobre o trabalho repetitivo, torna a fruição uma jornada cansativa. Esta estratégia acaba ressoando na produção como um todo.</p>
<p><img decoding="async" class="size-full wp-image-13271 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MONTA_1.00_03_35_20.Still002.jpg" alt="Meu Querido Supermercado" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MONTA_1.00_03_35_20.Still002.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MONTA_1.00_03_35_20.Still002-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MONTA_1.00_03_35_20.Still002-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/MONTA_1.00_03_35_20.Still002-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Depois que as personagens são apresentadas, suas opiniões sobre os seus cotidianos e a lógica daquele ambiente já é conhecida, o filme emperra e carece de trazer outras perspectivas e abordagens. Mesmo que em algumas partes surjam respiros, como no flerte com a criação de uma atmosfera de terror e casos de assombração, isto é logo deixado de lado, sem maiores aproveitamos. Não ocorre, também, relato algum de descontentamento e todos contam somente que amam o emprego. O que é, no mínimo, estranho em qualquer situação.</p>
<p>Neste clima monocórdico, o equilíbrio das velocidades e alguns rumos mais distintos só chegam em seu desfecho, quando há uma boa conclusão para a exibição. Talvez fosse preciso avaliar se era necessário a realização de um longa-metragem ou houvesse a necessidade do montador olhar para o material bruto e encontrar novos ângulos que trouxesse sentido para 90 minutos de exibição.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Tali Yankevich</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Mkw2TdmTGSE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>Confira a crítica de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/festival-e-tudo-verdade-collective/"><em>Collective</em></a>, também do <strong><em>Festival É Tudo Verdade</em></strong>!</p>
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