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	<title>Arquivos Festival de Gramado - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Festival de Gramado - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Festival de Gramado: Homem Onça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Aug 2021 00:04:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre metáforas e um discurso direto, Homem Onça traz um retrato bastante específico de uma parte da população brasileira. Acompanha-se aqui, as desventuras de um homem branco, de classe média, que possuía um cargo alto, em uma estatal nacional, mas que vê o seu destino ir se modificando com o processo de privatização da instituição. No final da década de 1990, este situação foi bastante recorrente, com casos como o da Cia. Vale do Rio Doce e a Telebrás. Mostrar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre metáforas e um discurso direto,<strong> <em>Homem Onça</em></strong> traz um retrato bastante específico de uma parte da população brasileira. Acompanha-se aqui, as desventuras de um homem branco, de classe média, que possuía um cargo alto, em uma estatal nacional, mas que vê o seu destino ir se modificando com o processo de privatização da instituição. No final da década de 1990, este situação foi bastante recorrente, com casos como o da Cia. Vale do Rio Doce e a Telebrás. Mostrar as consequências desta realidade é um dos objetivos deste longa-metragem.</p>
<p>Para falar sobre o tema, o roteiro – de Vinícius Reis (<em>Noites de Reis</em>), ao lado de Flávia Castro (<em>Deslembro</em>) e Fellipe Barbosa (<em>Sangue Azul</em>) – consegue abarcar todas as dinâmicas de seu protagonista, Pedro (Chico Díaz). Há um equilíbrio dentro da narrativa. O espaço destinado à relação de Pedro com sua família nuclear, com seus colegas de trabalho, o seu melhor amigo, o seu amor do passado e até mesmo o seu afeto por um emprego que fez parte de sua vida por 25 anos são trazidos com profundidade.</p>
<p>São subtemas múltiplos para abordar uma mesma questão: como a personagem principal reage diante das injustiças do mundo capitalista e as saídas que ele procura encontrar para sobreviver mentalmente em todas estas situações. O que chama atenção aqui é o entrelaçamento de cada seara do cotidiano de Pedro, como as histórias são bem amarradas e todos os coadjuvantes, mesmo com pouco tempo de tela, conseguem ser explorados dentro do enredo. Mais do que revelar como as ações individuais de cada um refletem em Pedro, há o caminho inverso e o público consegue experienciar como suas atitudes refletem no mundo que o cerca.</p>
<p>Neste sentido, a interpretação de Díaz fomenta na construção deste papel e no universo ficcional ali criado. Chico tem uma tendência a subir o tom alguns degraus em sua interpretação, ele é um ator intenso. Aqui, ele consegue dimensionar os instantes nos quais as suas explosões de olhares e movimentos são necessários, imprimindo todo o desespero de seu Pedro. Ao mesmo tempo, ele também contém e internaliza algumas emoções, complexificando os sentimentos daquele homem, que se via tão encontrado e agora está perdido. As dinâmicas de contracena também funcionam apropriadamente<a href="https://centrodecirurgiagenital.com.br/">.</a></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14478" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/homem_onca-2.jpg" alt="Homem Onça" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/homem_onca-2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/homem_onca-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/homem_onca-2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/homem_onca-2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A velha história sobre atuar ser um constante jogo aparece em <strong><em>Homem Onça</em></strong>. Os intérpretes parecem conscientes das funções de suas personagens na trama. Há também uma atenção do diretor Vinícius Reis com a mise-en-scène, e os espaços ocupados pelos atores no ecrã empregam uma camada a mais a obra. Seja pelos planos mais fechados, em locais apertados e sufocantes, quando Pedro ainda está na cidade e todos estão numa proximidade bem intensa ou quando ele vai para o interior e é possível perceber a liberdade nitidamente, com quadros mais abertos e os indivíduos mais distantes ou colocados ao canto da imagem.</p>
<p>Assim, são perceptíveis como as dinâmicas das ambientações alimentam as emoções de Pedro e a potencialidade da gravidade de cada situação proposta no filme. Por fim, há também uma coesão entre os elementos da Arte do longa, que dialogam diretamente com esta percepção de Pedro sobre as figuras e encaminhamentos que estão ao seu redor. Seja na iluminação, nos detalhes do figuro ou nos objetos de cena, é possível notar a intenção de contar mais sobre as personagens, seus passados e presentes, através das cores e de coisas como um violão pendurado ou uma bola de futebol que ficou no jardim.</p>
<p>Desta maneira, pode-se dizer que o resultado geral de <strong><em>Homem Onça</em></strong> é coerente. Em sua mistura em falar do político geral para o interior das relações e como elas são afetadas pelas decisões do Estado, talvez, o único incômodo seja entre o início de seu terceiro ato até seu desfecho. Após reunir toda a sua argumentação, convocar os extremos de Pedro e contar um pouco do que acabou se tornando a vida de seus entes queridos, há uma espécie de perda de decisão de como Pedro deve terminar sua jornada ali. Este fator esta longe de comprometer tudo que fora feito durante a projeção. No entanto, reduz um pouco de sua qualidade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Vinícius Reis</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Chico Diaz, Sílvia Buarque, Bianca Byington</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/OthMOSArxkc" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Festival de Gramado: Animais na Pista</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Aug 2021 20:53:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com um plano sequência que mostra todo o caos de uma acidente de carro em uma estrada, Animais na Pista tem um grande mérito: conseguir transmitir sensações intensas em poucos minutos. Nesta estratégia de deslocar os atores rapidamente pelo espaço, performando ações velozes e no uso da subjetiva, há muito que se capturar em poucos instantes. A partir da escolha realizada na abertura do filme existe também certa frustração ao final da sessão. Após a ambientação inicial e de conseguir [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com um plano sequência que mostra todo o caos de uma acidente de carro em uma estrada, <strong><em>Animais na Pista</em></strong> tem um grande mérito: conseguir transmitir sensações intensas em poucos minutos. Nesta estratégia de deslocar os atores rapidamente pelo espaço, performando ações velozes e no uso da subjetiva, há muito que se capturar em poucos instantes. A partir da escolha realizada na abertura do filme existe também certa frustração ao final da sessão.</p>
<p>Após a ambientação inicial e de conseguir tirar o fôlego de quem assiste, a produção decide se encaminhar para um rumo um tanto simplório, pois seleciona justamente o tom apelativo. Os detalhes dos objetos que rementem a perda da vida de uma criança são repetitivos. A informação da morte do garoto é capturada em questão de segundos. O reforço disto deixa a impressão de uma necessidade exagerada de tocar o espectador, o que vai de encontro até mesmo com o estabelecimento da atmosfera criada anteriormente.</p>
<p>A combinação do começo frenético com a pausa de tudo isto para trazer o menino fantasma observando a sua partida é desconexo. Há, é bem verdade, um ponto positivo em colocá-lo em cena, pois isto localiza de quem é aquele olhar durante toda a confusão causada pela batida do carro. Mas, o cerne do problema está no como esta figura é posta na tela. É quase como um desespero em pôr tão incisivamente uma questão moral, que se esvazia neste apelo desmedido. Talvez, soe como uma lição, que reduz a amplitude do próprio potencial imagético elaborado e textual (não falado!!!) para a obra.</p>
<p>O vigor como os transeuntes cortam o corpo de uma vaca que está jogada, sem vida, por exemplo, conta mais sobre as prioridades humanas e todo o seu egoísmo, o que poderia direcionar a discussão do enredo para outro lugar, um mais impactante, talvez. Desta maneira, o que existe aqui não é exatamente um curta ruim em si, porém uma falta de olhar apurado para enxergar o próprio potencial narrativo e visual de algo que conseguiria ser mais profundo e menos expositivo em sua conclusão.</p>
<p>Pelo menos, houve um certo alívio nos créditos finais de <em><strong>Animais na Pista</strong></em>, quando nenhuma cartela foi inserida. Resta pensar se a ausência de um aviso escrito reduz todo sentimento de estar vendo uma propaganda do governo sobre os perigos e os cuidados que se deve ter no trânsito, nas estradas.<a href="https://centrodecirurgiagenital.com.br/">.</a>.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Otto Cabral</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Kassandra Brandão, Thardelly Lima, Servilio de Holanda</p>
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		<title>Festival de Gramado: Entre Nós e o Mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Aug 2021 13:57:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Neste curta-metragem, aparentemente, singelo, Fábio Rodrigo traz uma intensa, comovente e triste história de alguns integrantes de sua família. Deixando que sua câmera tome o tempo necessário em Entre Nós e o Mundo para investigar movimentações cotidianas da Vila Ede, é possível, juntamente com as imagens, escutar o relato de Erika, jovem mãe que perdeu um de seus filhos, Theylor, que foi assassinado pela polícia, aos 17 anos. Ouve-se também outras vozes de parentes, como a avó de Theylor. Entre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Neste curta-metragem, aparentemente, singelo, Fábio Rodrigo traz uma intensa, comovente e triste história de alguns integrantes de sua família. Deixando que sua câmera tome o tempo necessário em <strong><em>Entre Nós e o Mundo</em></strong> para investigar movimentações cotidianas da Vila Ede, é possível, juntamente com as imagens, escutar o relato de Erika, jovem mãe que perdeu um de seus filhos, Theylor, que foi assassinado pela polícia, aos 17 anos. Ouve-se também outras vozes de parentes, como a avó de Theylor.</p>
<p>Entre os momentos felizes capturados, da nova gestação de Erika, o público jamais perde de vista as recordações de um passado cruel e injusto. É focando nesta ambientação da trivialidade cotidiana, com as narrações que falam das preocupações com as invasões policiais violentas e vivências, geralmente, tradicionais da sociedade é que Rodrigo encontra seu equilíbrio. A vontade de seguir e a impossibilidade de esquecer a realidade dos fatos que circunda as personagens estão presentes durante toda a projeção.</p>
<p>Em um dos muros da Ede, uma frase forte ilustra o argumento central do filme: “Nada Muda”. Se não há transformação, como não se preocupar com todos aqueles que os cercam? Qual será o futuro desta nova vida que surge ali aos olhos do espectador? Qual será o destino de Alícia, recém-nascida de Erika? Estas perguntas não são postas nos diálogos diretos, porém se espalham pela mente de quem assiste a sessão. Esta característica vem justamente do direcionamento das perguntas de Rodrigo para Erika, que são feitas de forma não enviesada.</p>
<p>É na conversa costumeira, que poderia ser um papo comum do dia a dia, que são retirados os instantes mais fortes. O ponto alto aqui está na sequência na qual se vê o quarto de Alícia, durante uma conversa da dupla. Entre planos que revelam os detalhes daquele espaço tão meigo, a lembrança da vida de Theylor se tornam ainda mais impactantes<a href="https://centrodecirurgiagenital.com.br/">.</a> Dentro de todo este contexto, <strong><em>Entre Nós e o Mundo</em></strong> mostra, com simplicidade e cuidado, a mais profunda verdade inserida em seu título, há muito para ser aproveitado e conhecido, porém existe também a constante luta pela sobrevivência daqueles que moram em favelas, que estão marcados para morrer por um Estado racista e devastador, que interrompe a felicidade, a jornada e a juventude de uma parte bem específica da população. Até quando?</p>
<p><strong>Direção:</strong> Fábio Rodrigo</p>
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		<title>Festival de Gramado: O Que Há em Ti</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Aug 2021 22:49:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“Bolsonaro, você não é presidente mais”. A frase que todes desejam dizer e escutar foi dita por um haitiano, até então anônimo, em uma manifestação pró-Bolsonaro, em 2020, em meio a, até então, recém crise da pandemia do coronavírus. É com este ponto de partida, que o cineasta Carlos Adriano (Militâncias) traz em seu cinepoema O Que Há em Ti um retrato duro sobre acontecimentos políticos e sociais acontecidos no Haiti, juntamente com a responsabilidade do Brasil na Minustah, Missão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“Bolsonaro, você não é presidente mais”. A frase que todes desejam dizer e escutar foi dita por um haitiano, até então anônimo, em uma manifestação pró-Bolsonaro, em 2020, em meio a, até então, recém crise da pandemia do coronavírus. É com este ponto de partida, que o cineasta Carlos Adriano (<em>Militâncias</em>) traz em seu cinepoema <em><strong>O Que Há em Ti</strong></em> um retrato duro sobre acontecimentos políticos e sociais acontecidos no Haiti, juntamente com a responsabilidade do Brasil na Minustah, Missão das Nações Unidas, que possuía, teoricamente, o objetivo de pacificar o local.</p>
<p>Ficando em missão por lá de 2004 até 2017, as tropas brasileiras causaram forte impacto no país, por terem praticado múltiplos massacres. Dentro deste contexto, Augusto Heleno, o atual ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional, do governo de Jair Bolsonaro, fora, na época um dos comandantes na Minustah. É a partir destas informações ofertadas durante a projeção que a compreensão sobre o presente e o passado se encontram.</p>
<p>Aqui, tem-se uma provável explicação direta da presença do misterioso haitiano no Palácio da Alvorada: a sua mãe fora assassinada em na Operação Punho de Aço, em 2005, comandada por Heleno. Para explicitar o grau de tanta dor e desmazelo, Adriano mescla imagens de arquivo extremamente fortes, nas quais são vistas amplas referências, desde a própria chacina em Cité Soleil, em 2006, até a Revolução Haitiana.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o diretor traz músicas nacionais e passagens que ilustram um pouco da cultura do Haiti. É neste equilíbrio de engasgo e relaxamento que está a força do curta-metragem. Este documento histórico e provocativo, que convoca o espectador a compreender a complexidade do que está sendo mostrado, bem como as mazelas dos dois países tão imbricados e até comparados na famosa canção de Gilberto Gil (“O Haiti é aqui”), tocada também na exibição<a href="https://centrodecirurgiagenital.com.br/">.</a></p>
<p>São nestas comparações, nestas idas e vindas que Adriano consegue entregar um resultado criativo e, ao mesmo tempo, potente. A ausência de uma linha temporal “lógica” contribui mais intensamente para elevar a força do que está sendo mostrado. A repetição da fala do haitiano, juntamente com as consequências da Minustah e o histórico do Haiti se complementam.</p>
<p>Há uma consciência de <em><strong>O Que Há em Ti</strong></em> de que cada circunstância foi precedida de ações anteriores que levaram a consequências posteriores. Relembrar o antes e o agora faz com que o futuro seja imaginado e todo o discurso ali proferido ganhe uma coerência mais incisiva. No final da sessão, a sensação é de ter presenciado uma poesia coberta de sangue e uma provável esperança vinda da cultura. Talvez.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Carlos Adriano</p>
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		<title>Festival de Gramado: Quanto Pesa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Aug 2021 18:31:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre ruídos e planos detalhes de uma peixaria, o espectador se depara com um protagonista, imersa em sua rotina de trabalho, em Quanto Pesa. Não há muito texto falado aqui. As suas emoções estão diretamente ligadas às suas ações físicas, seus semblantes e olhares. Através desta estratégia é que o diretor e roteirista Breno Nina (Alcibíades) consegue transmitir uma conexão intensa com a história que ele está contando. Entre todas as aproximações, sentidas nesta observação cuidadosa da câmera com o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Entre ruídos e planos detalhes de uma peixaria, o espectador se depara com um protagonista, imersa em sua rotina de trabalho, em <em><strong>Quanto Pesa</strong></em>. Não há muito texto falado aqui. As suas emoções estão diretamente ligadas às suas ações físicas, seus semblantes e olhares. Através desta estratégia é que o diretor e roteirista Breno Nina (<em>Alcibíades</em>) consegue transmitir uma conexão intensa com a história que ele está contando.</p>
<p>Entre todas as aproximações, sentidas nesta observação cuidadosa da câmera com o universo ali apresentado, é que pode ser feita a relação entre a personagem principal, seus desejos e decepções, com quem assiste a obra. A dor da perda de um amor ou a insistência dos dias repetidos de labor, que são necessários viver, enquanto a vontade é de que tudo queime.</p>
<p>Ao mesmo tempo que os recursos sonoros e seus quadros fechados evoquem esta proximidade, eles também afastam ao provocar sensações de angústia ou nojo, através de enquadramentos dos insetos e animais dentro da peixaria. O que eleva a potencialidade destas imagens, além de seu som, é a escolha de mesclar estes momentos com baratas, formigas e ratos com cenas dos funcionários da peixaria, que almoçam costumeiramente<a href="https://centrodecirurgiagenital.com.br/">.</a></p>
<p>Há um mérito não apenas da decupagem da produção de <em><strong>Quanto Pesa</strong></em>, mas também de sua montagem. A curiosidade e a vontade de permanecer olhando para o ecrã a cada instante cênico é seguido de uma surpresa do que será  mostrado mais adiante, o que torna a experiência intensa, no geral. Ainda assim, apesar de conter tantos elementos sensoriais e imagéticos que conectam o público com a narrativa, talvez, falte aqui uma liga maior entre os acontecimentos do enredo. Isto não é algo que comprometa a sua totalidade, longe disso. Contudo, o impacto estético é tão intenso que o restante sobra, é menos cuidado.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Breno Nina</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Dona Rai, Tieta Macau, Antônio Rodrigues</p>
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		<title>Festival de Gramado: A Suspeita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Aug 2021 10:58:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A mente humana pode contar com diversas questões complexas, que direcionam o olhar para certas situações, apaga ou modifica momentos etc. Um das tentativas de A Suspeita é trazer um drama policial que trata sobre os enganos e confusões mentais, a partir de uma doença que ainda assusta profundamente o mundo: Alzheimer. No entanto, ainda que seja verbalizado que a protagonista, Lúcia (Glória Pires), sofre desta condição, o filme parece se perder em sua proposta e apresentar isto – e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A mente humana pode contar com diversas questões complexas, que direcionam o olhar para certas situações, apaga ou modifica momentos etc. Um das tentativas de <strong><em>A Suspeita</em></strong> é trazer um drama policial que trata sobre os enganos e confusões mentais, a partir de uma doença que ainda assusta profundamente o mundo: Alzheimer. No entanto, ainda que seja verbalizado que a protagonista, Lúcia (Glória Pires), sofre desta condição, o filme parece se perder em sua proposta e apresentar isto – e algumas outras coisas mais – de maneira frouxa e confusa.</p>
<p>A começar pelo fato de que Lúcia demonstra, inicialmente, sintomas de transtorno de ansiedade, como tremedeiras e falta de ar. O desenho de som e a decupagem levam o espectador a compreender a situação da personagem desta forma até dado momento da trama. Após Lúcia ir ao médico e escutar seu diagnóstico é que descobrimos qual é o seu quadro de fato. Estes encaminhamentos são pistas para a visão de que aqui há um enredo mal trabalhado. Talvez, durante a escrita os autores, Newton Cannito (<em>Reza a Lenda)</em>, Thiago Dottori (<em>VIPs</em>) e Luiz Eduardo Soares (<em>Tropa de Elite)</em>, tenham esquecido de revisar estes detalhes ou investigar com mais propriedade as reações causadas por Alzheimer<a href="https://centrodecirurgiagenital.com.br/">.</a></p>
<p>O que importa aqui em <strong><em>A Suspeita</em></strong> é observar como os caminhos e elementos do enredo são desconexos. Há uma ambição de muito contar, deixando alguns pontos  pouco explorados. A relação de Lúcia com seu chefe, Avelar (Charles Fricks), por exemplo, ganha algum espaço durante a projeção, mas não há uma construção firme que justifique a intensidade do diálogo da dupla no desfecho da obra. Durante a sessão, o tempo de tela e as situações vividas entre eles são bem semelhantes ao que acontece entre Lúcia e Gouveia (Gustavo Machado).</p>
<p>Não é o antigo romance de Lúcia e Avelar que parece ser o foco e sim opressão masculina branca  bem como o costumeiro gaslight que estes homens operam para conseguir alcançar o que desejam. Neste aspecto, o longa consegue ser mais feliz, ao imprimir nitidamente como as tensões e privilégios desta parte da sociedade faz com que estes sujeitos saiam, na maioria das vezes, impunes de suas ações inescrupulosas. A atuação de Glória Pires vem como um fomento para este discurso. Ainda que o roteiro de <strong><em>A Suspeita </em></strong>peque em decidir exatamente o que quer falar, no geral, e como irá fazê-lo, Pires conduz sua Lúcia com consciência e tecnicidade apuradas.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14426" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2112649.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Suspeita" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2112649.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2112649.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2112649.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2112649.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Através do controle do tônus corporal, a intérprete transmite as emoções de sua personagem com gestos calculados, deixando orgânicas as tremedeiras, os olhares nervosos e a perda do fluxo de consciência, quando Lúcia sofre as suas perdas de memória. Muitas vezes, o público pode até ligar este papel com o de outra policial ficcional recente. A Lúcia de Glória Pires é quase uma Mare, de <em>Mare of Easttown</em> (HBO, 2021), feita por Kate Wisnlet. A mescla das fragilidades com a dureza provocada pela profissão e a intuição potente são marcas de Lúcia e toda esta complexidade é fruto da interpretação cuidadosa de Pires.</p>
<p>Juntamente com sua atuação, a montagem de Joana Collier (<em>Pacarette</em>) é precisa e chega para aliviar alguns tropeços da direção. O cineasta Pedro Peregrino (<em>Segredos de Justiça</em>) se perde na própria premissa da produção. Com intuito de evocar esta ausência de Lúcia em recordar os fatos, Peregrino utiliza muita imagem desfocada e deixa de fora do ecrã momentos cruciais da narrativa. Esta estratégia poderia ter funcionado, porém o que acaba acontecendo é uma falta de conexão de quem assiste com a história e as lacunas entregam uma sensação de falta de respostas sobre o que ocorre ali dentro, como a razão da doença precoce de Lúcia ou se no confronto dela e Avelar ela estava performando ausência de lucidez ou não ou, até mesmo, na morte de Beto (Daniel Bouzas), quando é quase impossível enxergar as ações que levaram a este fato.</p>
<p>Neste sentido, é que a edição vem para sanar alguns destes incômodos, aumentando a dinâmica das cenas e trazendo um pouco mais de sentido para as ações. Desta maneira, pode-se dizer que <strong><em>A Suspeita</em></strong> apresenta toda uma intencionalidade positiva e até possui algumas partes técnicas bem realizadas. Contudo, o seu resultado, como um todo, é solto e perdido.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Pedro Peregrino</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Glória Pires, Charles Fricks, Gustavo Machado</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/y7GJO07z9to" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Festival de Gramado: Todos os Mortos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2020 14:36:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em um período no qual a abolição da escravatura era ainda mais recente, um pouco mais de dez anos, os brancos continuavam enxergando os negros como suas propriedades. Neste contexto é que se passa a história de Todos os Mortos, novo filme de Marco Dutra (As Boas Maneiras) e Caetano Gotardo (O Que Se Move). Dentro da trama, a partir das tensões raciais, é possível notar uma tentativa de crítica social à branquitude e suas ações egoístas e perversas. Ao [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um período no qual a abolição da escravatura era ainda mais recente, um pouco mais de dez anos, os brancos continuavam enxergando os negros como suas propriedades. Neste contexto é que se passa a história de <strong><em>Todos os Mortos</em></strong>, novo filme de Marco Dutra (<em>As Boas Maneiras</em>) e Caetano Gotardo (<em>O Que Se Move</em>). Dentro da trama, a partir das tensões raciais, é possível notar uma tentativa de crítica social à branquitude e suas ações egoístas e perversas.</p>
<p>Ao mesmo tempo, é perceptível a busca por situações vivenciadas por negros neste período, trazendo personagens como João (Thomas Aquino). Ele é um jovem miscigenado, que procura seu lugar na sociedade racista e elitista; Iná (Mawusi Tulani), uma mãe, que precisa proteger seu filho e que conhece bem a família branca retratada, pois já foi escravizada por eles; ou João (Agyei Augusto), um menino que, ainda desconhece os perigos de conviver com racistas e vive no meio destas tensões raciais.</p>
<p>Apesar de existir este trabalho no roteiro na construção de personagens complexas para os negros, trazendo uma representação um tanto menos genérica do que aquela que o audiovisual costuma empregar, há um incômodo com os rumos que a trama apresenta. Me colocando como mulher branca, que precisa escrever sobre esta obra, procurarei expor meu olhar ao relatar a indisposição que tive durante a projeção, posso afirmar que aqui fica um engasgo no momento no qual o longa não consegue avançar e ter coragem para colocar o poder de ação nas personagens negras.</p>
<p><img decoding="async" class="size-full wp-image-13253 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos.jpg" alt="Todos os Mortos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Enquanto o clima de suspense é estabelecido, o clímax se aproxima e são os brancos que dominam o destino e encaminhamento dos conflitos e finalizações. Um exemplo é quando João, que deseja se casar com Ana, caucasiana, recita um poema e comenta como Cruz e Sousa parece francês. A jovem diz que não concorda com ele, pois viu uma foto do escritor no jornal. O poeta é negro e foi isso que Ana quis elucidar para João. Será que a branca precisava mesmo ocupar esse lugar, dizendo isto para um rapaz negro?</p>
<p>Partido para os aspectos da forma, <strong><em>Todos os Mortos</em></strong> consegue estabelecer uma atmosfera de terror, principalmente em relação às questões sociais e de raça. Há uma suspensão no ar, onde a qualquer momento algo pode vir a acontecer. Até o seu segundo ato, o filme também apresenta uma progressão e os acontecimentos chegam lentamente, até alcançar em seu ápice. A mise-en-scène colabora com esta construção da opressão e dos embates expostos ali.</p>
<p>No entanto, o clímax ocorre um tanto antes do necessário e, em seguida, ele não consegue manter a sua dinâmica e passa a se tornar cansativo. No geral, a projeção tem bons momentos, como a sequência do piano ou no retorno de Iná para a sua religião. Contudo, há desequilíbrio de ritmo, evocando a aceleração e os respiros em momentos descasados, bem como na visão determinista, que retira o poder das personagens negras.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Marco Dutra e Caetano Gotardo<br />
<strong>Elenco</strong>: Mawusi Tulani, Agyei Augusto, Carolina Bianchi</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ftTjVfAns1g" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Festival de Gramado: Por Que Você Não Chora?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2020 13:43:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na noite desta última sexta-feira (18), começaram as exibições dos filmes da Mostra Competitiva de Curtas e Longas brasileiros e Ibero-americanos do 48º Festival de Cinema de Gramado, um dos mais tradicionais do país. O longa brasileiro de abertura foi Por Que Você Não Chora?, da diretora Cibele Amaral e com Carolina Monte Rosa, Bárbara Paz e Elisa Lucinda no elenco.  Logo no início da projeção, o filme traz uma cartela com a informação do contato para o CVV (Centro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na noite desta última sexta-feira (18), começaram as exibições dos filmes da Mostra Competitiva de Curtas e Longas brasileiros e Ibero-americanos do <em>48º Festival de Cinema de Gramado</em>, um dos mais tradicionais do país. O longa brasileiro de abertura foi <strong><em>Por Que Você Não Chora?</em></strong>, da diretora Cibele Amaral e com Carolina Monte Rosa, Bárbara Paz e Elisa Lucinda no elenco. </p>
<p>Logo no início da projeção, o filme traz uma cartela com a informação do contato para o CVV (Centro de Valorização da Vida). Este dado já revela para o espectador que o suicídio poderá ser tratado. Por ser um assunto delicado e difícil de ser abordado, a apreensão do que estar por vir já pode ser instalada desde o início do longa. No entanto, dificilmente alguém poderá imaginar como o tema vai ser abordado de maneira tão ruim e, para completar, com questões problemáticas praticamente em todos os quesitos da obra.</p>
<p>A começar pela construção da imagem da saúde mental e das doenças psicológicas. O tom de distanciamento e a caricatura deste tipo de paciente são incômodos até para quem não é da área de saúde. A composição dos corpos em cena e a maneira como os textos são ditos compõem uma caricatura. Além disso, quando os professores de psicologia dentro da trama falam seus textos são intensamente aleatórios e dificilmente sairiam da boca de pessoas da vida real. Pelo menos não daquela maneira. Há quase uma atmosfera de deboche.</p>
<p><img decoding="async" class="size-full wp-image-13221 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/whatsapp-image-2020-09-18-at-170910.jpg" alt="Por Que Você Não Chora?" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/whatsapp-image-2020-09-18-at-170910.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/whatsapp-image-2020-09-18-at-170910-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/whatsapp-image-2020-09-18-at-170910-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Outro ponto que chama atenção é a falta de habilidade do roteiro de <em><strong>Por Que Você Não Chora?</strong> </em>em saber que história deseja contar. Após passar boa parte da narrativa com o foco no <em>plot</em> de Bárbara (Bárbara Paz), este enredo desaparece, sem ao menos que os conflitos sejam resolvidos para seguir adiante. Há todo uma tensão entre ela e a protagonista, Jéssica (Carolina Monte Rosa), desperdiçada. Em seguida, há um estalo em Jéssica e ela parte por outro caminho completamente diferente, sem que aqueles traços tivessem sido totalmente construídos anteriormente.</p>
<p>Existem também as analogias da relação dela com a mãe e com seu passado inseridas durante toda a exibição, mas estas nunca investigadas ou postas com um propósito palpável. Diversos de seus sonhos são colocados e parecem mais uma tentativa de criar um efeito do que uma forma de deixar a personagem mais complexa e com camadas. Para completar, os diálogos são expositivos e subestimam a capacidade do espectador de compreender um enredo básico.</p>
<p>Ao final de <em><strong>Por Que Você Não Chora?</strong></em>, a única coisa que se salva em toda produção é a interpretação de Bárbara Paz, que parece lutar arduamente para criar uma figura menos estereotipada e rasa. A atriz domina o espaço cênico e consegue transmitir algumas emoções pontuais que deixam mais crível as situações postas na tela. Mesmo que as palavras ditas sejam descuidadas, ela parecer ter trabalhando em uma construção de personagem, enquanto as suas colegas de cena, infelizmente, demonstram ter apenas entrado no automático e usado algum tipo de chave de interpretação, para buscar uma mínima dignidade.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Cibele Amaral</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Carolina Monte Rosa, Bárbara Paz, Elisa Lucinda</p>
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