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	<title>Arquivos CineOP - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos CineOP - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Mostra de Cinema de Ouro Preto: A Senhora que Morreu no Trailer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jul 2021 19:28:18 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Mostra de Cinema de Ouro Preto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com uma suposta premissa de contar a história da dançarina e faquiresa Suzy King, A Senhora que Morreu no Trailer procura convocar formas múltiplas de encenar esta trama. Entre performances de artistas de diversas áreas – como músicos, atrizes e performers – a obra também mescla depoimentos sobre o passado de King, com entrevistados que a conheceram. No entanto, o documentário, por mais que tente trazer criatividade para a tela, perde-se e se esgarça, perdendo o foco principal de seu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com uma suposta premissa de contar a história da dançarina e faquiresa Suzy King, <strong><em>A Senhora que Morreu no Trailer</em></strong> procura convocar formas múltiplas de encenar esta trama. Entre performances de artistas de diversas áreas – como músicos, atrizes e performers – a obra também mescla depoimentos sobre o passado de King, com entrevistados que a conheceram. No entanto, o documentário, por mais que tente trazer criatividade para a tela, perde-se e se esgarça, perdendo o foco principal de seu plot central.</p>
<p>Na aparente tentativa de traçar os passos, sentimentos, as relações e a morte de Suzy King, o filme acaba se alongando em sequências nas quais o público acompanha cenas extensas que se esvaziam por não serem tão enxutas, fazendo com que seja notados tanto os problemas de direção quanto de roteiro. Um exemplo são as caminhadas intermináveis das personagens, como nas aparições da atriz Helena Ignez. Ela vaga pela cidade e há até uma boa atuação de Ignez, com tônus e intenções bem demarcadas, pela sua construção corporal.</p>
<p>No entanto, estes instantes não parecem possuir um objetivo nítido, tão pouco fomentam a narrativa. Talvez, se esta estratégia surgisse uma ou duas vezes, com uma duração um pouco menor, o efeito desejado fosse alcançado. Mas, o que ocorre é justamente o oposto. Neste sentido, outros momentos, nos quais artistas dão vida à King, a sensação é bastante semelhante. No monólogo realizado por Divina Valéria há uma ausência de condução da direção e de um encaminhamento mais cuidadoso.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14251" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/bd9bdc02c1da2d16f8535c38b5eb0711_1616763038837_1416649818.jpg" alt="A senhora que morreu no trailer" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/bd9bdc02c1da2d16f8535c38b5eb0711_1616763038837_1416649818.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/bd9bdc02c1da2d16f8535c38b5eb0711_1616763038837_1416649818-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/bd9bdc02c1da2d16f8535c38b5eb0711_1616763038837_1416649818-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/bd9bdc02c1da2d16f8535c38b5eb0711_1616763038837_1416649818-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Além da interpretação de Valéria ser um tanto artificial, por se basear na externalização das emoções, mais do que no sentido do texto propriamente dito, causando um afastamento de sentimentos críveis, a luz está bastante chapada e a direção de arte sem apuro estético. Esta combinação de características deixa que o longa-metragem fique sem um tratamento necessário para ser uma obra audiovisual, de fato. <strong><em>A Senhora que Morreu no Trailer</em></strong> é um documentário, mas que utiliza o ficcional para ilustrar as suas passagens. Então, artifícios técnicos elevariam a qualidade das cenas, deixando-as mais fluídas e orgânicas.</p>
<p>Uma possibilidade para a existência destes incômodos pode residir no fato de que os realizadores, Alberto Camarero e Alberto de Oliveira, fizeram todas estas funções. Na divisão da atenção, diante de tanto elementos, esta redução qualitativa acabou acontecendo. De todo modo, a produção termina entregando um resultado visual e narrativamente insatisfatório. Isto porque, para completar, o roteiro, em suas idas e vindas, carece em focar na trajetória de sua protagonista, deixando mais tempo para as pequenas encenações de ficção, que também são trabalhadas de maneira precária.</p>
<p>A personalidade de King e os acontecimentos que envolvem sua vida talvez sejam cheias de filigranas, de mistérios e camadas de profundidades. Contudo, estas características se perdem na sessão, pois, nesta falta de organização, o conteúdo entregue soa improvisado demasiadamente, deixando pouco espaço para que a figura de Suzy King seja conhecida.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Alberto Camarero e Alberto de Oliveira</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/T3BBCHJag6E" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Mostra de Cinema de Ouro Preto: O Amor Dentro da Câmera</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jul 2021 19:51:34 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Tá chorando de alegria?”, pergunta Orlando Senna. “De amor”, responde Conceição Senna. Este momento da projeção resume um pouco do que é O Amor Dentro da Câmera, produção dirigida por Jamille Fortunato e Lara Beck Belov. Durante a sessão, o público se depara com toda afetividade presente no relacionamento de Orlando e Conceição, bem como o sentimento que possuem em relação ao cinema e a cultura. Em sua estética de documentário de ensaio, é curioso observar como as dinâmicas entre [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Tá chorando de alegria?”, pergunta Orlando Senna. “De amor”, responde Conceição Senna. Este momento da projeção resume um pouco do que é <strong><em>O Amor Dentro da Câmera</em></strong>, produção dirigida por Jamille Fortunato e Lara Beck Belov. Durante a sessão, o público se depara com toda afetividade presente no relacionamento de Orlando e Conceição, bem como o sentimento que possuem em relação ao cinema e a cultura. Em sua estética de documentário de ensaio, é curioso observar como as dinâmicas entre o cotidiano e o poético se encontram na tela.</p>
<p>Os dois artistas são filmados em momentos comuns, como seus cafés da manhã, nos quais dialogam sobre suas vidas, seus hábitos, sobre política e arte. A direção consegue captar a intimidade da dupla e aproximar o espectador destas figuras tão emblemáticas para o cinema nacional. O balanço entre a demonstração de fragilidades causadas pelo tempo, em seus corpos e mentes, juntamente com imagens de arquivo que contam a história e a relevância dos Senna para o audiovisual, é algo que equilibra a narrativa e tornam mais complexas as personagens deste enredo.</p>
<p>Conceição e Orlando também contribuem para esta construção de camadas. É bem verdade que este fator se dá pela própria personalidade deles, mas é um elemento importante a se apontar. Enquanto ela é mais explosiva e expõe abertamente suas emoções e conflitos mais profundos, ele traz uma serenidade e parece calcular o que vai ser dito. Além disso, a própria experiência dos dois com cinema parece transformar a obra enquanto ela é produzida. Entre um take e outro, o público se depara com as opiniões fortes e/ou incisivas do casal sobre alguma sequência e o acolhimento da equipe em relação a estes pensamento e reflexões trazidos por eles.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14247" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/maxresdefault.jpg" alt="O Amor Dentro da Câmera" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/maxresdefault.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/maxresdefault-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/maxresdefault-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/maxresdefault-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A escolha de deixar estes instantes no último corte me parece acertada. Toda a lógica construída ali serve, no final das contas, para fomentar esta multiplicidade de olhares para Conceição e Orlando, enriquecendo o enredo. A partir desta concepção, no entanto, o longa-metragem fica tão preso em sua própria estilística e linguagem, que não consegue avançar ou desenvolver as suas questões. As repetições de circunstâncias e falas chegam para edificar a criação da sua proposta, mas, a partir de sua metade, esta estratégia passa a ser cansativa, por sua obviedade e ausência de exploração do que está sendo dito.</p>
<p>Talvez, o fato de que a câmera, majoritariamente, está somente observando o par, durante as gravações, deixe a sensação de que direcionamentos e perguntas poderiam ampliar algumas discussões, como quando Conceição aborda o seu impasse sobre ser convidada apenas para papéis de puta e sertaneja ou quando o casal começa a se desentender. Estes são apenas alguns exemplos. O que vale ressaltar é que a retirada de algumas reiterações poderia abrir espaço para tensões, que soam como evitadas pelas diretoras.</p>
<p><em><strong>O Amor Dentro da Câmera</strong></em> é um filme sobre amor e nem sempre ele é fácil ou de experiências corriqueiras. Por isso, além do tom repetitivo cansar o espectador, ele o leva sempre para inícios de histórias que acabam por ficar incompletas. Apesar deste fator, o resultado geral não fica comprometido, justamente pelo carisma e importância de Conceição e Orlando, fazendo com que a exibição seja agradável, em sua maior parte. A dupla instiga a curiosidade e há uma necessidade em pôr em destaque na cena pessoas mais velhas, lembrando para a sociedade que a paixão pode habitar os corações amadurecidos, seja de indivíduo para indivíduo ou deles paraseus labores tão queridos.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Jamille Fortunato e Lara Beck Belov</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Conceição Senna, Orlando Senna</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Sqyq9sPlntA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<item>
		<title>Mostra de Cinema de Ouro Preto: Amarelo Manga</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Jun 2021 17:56:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Intenso. Esta seria a melhor palavra para descrever Amarelo Manga, filme de Cláudio Assis (Baixio das Bestas), de 2002. Em um tom que mescla violências verbais e físicas com sentimentos extremos, o espectador se depara com emoções humanas à flor da pele, no meio de cenários urbanos cotidianos. A partir das características impressas apresentadas na tela, existem acertos e incômodos durante a projeção. Com esta escolha de revelar situações fortes, em alguns momentos, o filme se perde e se encontra. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Intenso. Esta seria a melhor palavra para descrever <strong><em>Amarelo Manga</em></strong>, filme de Cláudio Assis (<em>Baixio das Bestas</em>), de 2002. Em um tom que mescla violências verbais e físicas com sentimentos extremos, o espectador se depara com emoções humanas à flor da pele, no meio de cenários urbanos cotidianos. A partir das características impressas apresentadas na tela, existem acertos e incômodos durante a projeção. Com esta escolha de revelar situações fortes, em alguns momentos, o filme se perde e se encontra.</p>
<p>Em sua direção, há bastante precisão e um descortinamento das personagens a partir dela. As movimentações de câmera contribuem para o aumento das potencialidades das emoções das figuras em cena, revelando as suas dúvidas, solidões, angústias, pensamentos e seus atos questionáveis. Um exemplo pode ser o monólogo de Dunga (Matheus Nachtergaele), que conversa sozinho, enquanto toca na carne e na faca deixadas por Wellinton (Chico Diaz), por quem nutre uma paixão.</p>
<p>Em poucos minutos, o público compreende as motivações e pensamentos de Dunga e a aproximação para com ele se dá gradativamente, a partir do quadro que reduz o distanciamento pouco a pouco. São nestes pontos que o longa-metragem acerta, porque consegue evocar a humanidade de suas personagens, colocando uma mistura de sordidez, de falha de caráter e sensibilidade sem julgar eles e a direção faz esta potência crescer.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14233" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/amarelo_manga.jpg" alt="Amarelo Manga" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/amarelo_manga.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/amarelo_manga-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/amarelo_manga-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/amarelo_manga-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>As temáticas são pesadas e certas sequências podem deixar o público em dúvida da necessidade de tais ações, como quando Kika (Dira Paes) arranca um pedaço da orelha da amante do marido com o dente, mas outras são justificáveis a aumenta a complexidade da história. O que acontece aqui, talvez, é uma tentativa de esticar os limites dos conflitos, colocando as personagens para passarem de seus limites.</p>
<p>A tentativa parece ser a de expor becos sem saídas e pontos de virada com sofrimento ou embates profundos, testando as probabilidades de ações humanas quando há pouco ou nada a se perder. No entanto, apesar deste efeito ser alcançado, a medida das coisas é ultrapassada e a própria estilística e traços marcantes do enredo se desgastam e um exagero é alcançado. Além de planos que não contribuem para a trama no geral, que se esvaziam pelo desejo demasiado em trazer ferocidade para o ecrã, a busca por trazer uma carga dramática elevada acaba gerando uma artificialidade.</p>
<p>Seja nos textos, nas atuações ou no próprio tempo de alguns quadros, <strong><em>Amarelo Manga</em></strong> peca por querer reiterar as informações textual e imageticamente, enfraquecendo o resultado total, por deixar a obra cansativa e sem organicidade. Existem anúncios recorrentes que beiram a ingenuidade, como se fosse necessário manifestar o discurso em tudo. Desta forma, pode-se dizer que, no geral, há coerência e força nas imagens e no que está sendo dito. Apesar da mão pesar em certos quesitos, é uma sessão arrebatadora, que convoca um olhar atento para seus acontecimentos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cláudio Assis</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Chico Dias, Dira Paes, Matheus Nachtergaele, Leona Cavalli</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/T2rTAXWIpPY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<item>
		<title>Mostra de Cinema de Ouro Preto – A Luz Incidiu Sobre Nós Como a Pálida Noite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jun 2021 20:09:32 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[A Luz Incidiu Sobre Nós Como a Pálida Noite]]></category>
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		<category><![CDATA[Mostra de Cinema de Ouro Preto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um filme pode se basear mais diretamente em sua estética, focar mais na técnica cinematográfica, sem esvaziar a sua história a serviço disto. Não é o que ocorre aqui em A Luz Incidiu Sobre Nós Como a Pálida Noite. Aparentemente, existe uma vontade – um tanto pretensiosa, diga-se de passagem – em evocar planos que revelem mistério, angústia e as inquietações das personagens principais, mas sem apresentar uma progressão ou aprofundamento das situações. A relação das irmãs Ana e Ísis [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um filme pode se basear mais diretamente em sua estética, focar mais na técnica cinematográfica, sem esvaziar a sua história a serviço disto. Não é o que ocorre aqui em <strong><em>A Luz Incidiu Sobre Nós Como a Pálida Noite</em></strong>. Aparentemente, existe uma vontade – um tanto pretensiosa, diga-se de passagem – em evocar planos que revelem mistério, angústia e as inquietações das personagens principais, mas sem apresentar uma progressão ou aprofundamento das situações.</p>
<p>A relação das irmãs Ana e Ísis não é explorada, pois os diálogos se perdem em uma artificialidade expositiva, deixando que o não dito se esvaia, nesta tentativa de querer mostrar algo o tempo inteiro. O trabalho das atrizes também não colabora para que haja fluidez no texto. Talvez, o tom enunciativo domine a construção das duas (Giovanna Paiva e Cris Eifler) de maneira mais incisiva do que precisaria ser.</p>
<p>É neste exagero e aflição para criar uma obra profunda que o conteúdo se esvazia e a direção também é responsável por esta atmosfera falsa. A decupagem traz quadros e movimentos que soam pensados plasticamente, porém não idealizados para contribuir diretamente com o enredo. A questão central deste média é esta. Lucca Girardi não consegue amarrar o que concebeu no seu roteiro com o que está dirigindo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14228" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/maxresdefault.jpg" alt="A Luz Incidiu Sobre Nós Como a Pálida Noite" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/maxresdefault.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/maxresdefault-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/maxresdefault-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/06/maxresdefault-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Um exemplo que ilustra esta sensação é a sequência na qual Ana e Ísis discutem e vê-se uma panorâmica que vai da mão de uma para outra. Este momento não é orgânico ou justificável. Ele não acrescenta narrativamente, não revela aspectos da personalidade das irmãs ou características da casa onde elas estão. Esta observação pode ser feita durante toda a projeção.</p>
<p>Na vontade de ser criativo e ressaltar o domínio da técnica do audiovisual, o efeito obtido é justamente o oposto. A tentativa é válida, mas pode ser feita com consciência e no apoio da criação de sentido, do estabelecimento de atmosfera, na formação das características das personagens etc. Caso contrário, o resultado final fica comprometido. Contudo, apesar destas questões aqui apontadas, <strong><em>A Luz Incidiu Sobre Nós Como a Pálida Noite</em></strong> tem um elemento que chama atenção por sua qualidade: a iluminação.</p>
<p>O jogo de luz e sombra permite a marcação de alguma suspensão e um pouco da ambientação desta casa cheia de vazios, tensões e aflições. A imensidão da residência e a pequenez de Ísis e Ana são postas em jogo. Os graus das emoções delas são pontuados pela gradação da luminosidade, sendo euforia e melancolia os extremos. Assim, no geral, a produção é uma experiência cansativa e negativa, porém com alguns instantes agradáveis.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Lucca Girardi</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Giovanna Paiva e Cris Eifler</p>
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		<title>Mostra de Cinema de Ouro Preto – Caixinha de Música</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jun 2021 18:48:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma animação enxuta, de nove minutos, o público acompanha a jornada de uma menina, aspirante de balé. Ela faz uma nova amiga, após receber um objeto misterioso: uma caixinha de música. É curioso observar a forma como acontece a construção da relação da protagonista com a garota que ganha vida quando a corda da caixa, com o foco nos ensinamentos da dança de uma para a outra. Dentro desta lógica, é quase como se o espectador já soubesse o [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Em uma animação enxuta, de nove minutos, o público acompanha a jornada de uma menina, aspirante de balé. Ela faz uma nova amiga, após receber um objeto misterioso: uma caixinha de música. É curioso observar a forma como acontece a construção da relação da protagonista com a garota que ganha vida quando a corda da caixa, com o foco nos ensinamentos da dança de uma para a outra. Dentro desta lógica, é quase como se o espectador já soubesse o resultado final daquela dinâmica, mas é no como que o curta-metragem consegue segurar a atenção, através da suspensão e da atmosfera de terror posta ali.<br /><br />Na mescla dos traços meigos, que poderiam sair de um desenho genérico, estão elementos que provocam certa apreensão. Seja nas colegas de turma sem face ou no detalhe da bochecha da personagem principal, algo de medo está sempre ali. Neste contraponto da suposta delicadeza do universo do balé com os aspectos macabros – como a expressão facial da senhora que entrega a caixa –, o curta se revela corajoso por arriscar um final angustiante e até trágico. <br /><br />O desfecho também é cíclico, deixando com que o roteiro fique redondo, ampliando a compreensão sobre como foi que havia começado o conflito anterior, o da jovem aprisionada, no pré-filme. Talvez, a informação de que aquela bailarina já esteve presente na mesma instituição da protagonista, na conclusão da obra, acabe soando como uma reiteração e reduzindo as chances de uma expansão maior de significados e de interpretações mais amplas. Além disso, esta escolha passa uma impressão de que a plateia está sendo subestimada, pois as peças colocadas na tela são nítidas anteriormente e não precisam ser explicadas por uma sequência que soa até ingênua.<br /><br />Outra melhoria seria em termos de roteiro de <strong><em>Caixinha de Música</em></strong>, com uma tentativa em dar mais destaque ao relacionamento da dupla central, para aumentar o peso das ações da criança previamente amaldiçoada. Contudo, estes fatores não afetam o resultado total. O curta é amarrado e ainda evoca um tom quase de contos de fadas, deixando uma moral da história em sua conclusão, misturando toques de sensibilidade e sentimentos das personagens com o pavor e pânico, devido ao fato de que a criança careceu em ouvir conselhos, geralmente, dados por adultos. Ao aceitar algo de uma estranha, a bailarina principal perde a sua liberdade. <br /><br /><strong>Direção:</strong> Ana Carolina do Monte</p>
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		<title>Especial: Curtas da 15ª CineOP &#8211; Mostra de Cinema de Ouro Preto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2020 23:57:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De 03 a 07 de setembro aconteceu a 15ª CineOP (Mostra de Cinema de Ouro Preto). Com exibições de curtas e longas-metragens brasileiros e internacionais, a Mostra trouxe todo seu conteúdo de maneira remota, através de seu próprio site. O evento que tem o foco na “preservação, história e educação audiovisual brasileiro” também apresentou lives com debates sobre o cinema e shows musicais. A Televisão foi centro da discussão na Temática Histórica, tendo como filme de abertura da CineOP a [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">De 03 a 07 de setembro aconteceu a <strong>15ª CineOP</strong> (<em>Mostra de Cinema de Ouro Preto</em>). Com exibições de curtas e longas-metragens brasileiros e internacionais, a Mostra trouxe todo seu conteúdo de maneira remota, através de seu próprio site. O evento que tem o foco na “preservação, história e educação audiovisual brasileiro” também apresentou lives com debates sobre o cinema e shows musicais. A Televisão foi centro da discussão na Temática Histórica, tendo como filme de abertura da CineOP a obra <em>Avesso Festa Baile</em>, de Tadeu Jungle.<br /><br />Dentro da semana de programação da CineOP, o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> conseguiu acompanhar algumas projeções. Separamos aqui um especial com os curtas assistidos no festival. Confira!</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13152" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/99ae839e8558678ffea00193eefc077c_15701327635753_1266014167.jpg" alt="Extratos, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/99ae839e8558678ffea00193eefc077c_15701327635753_1266014167.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/99ae839e8558678ffea00193eefc077c_15701327635753_1266014167-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/99ae839e8558678ffea00193eefc077c_15701327635753_1266014167-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><strong><em>Extratos (2019)</em></strong></p>
<p>“Será que vou chegar a algum lugar?” A pergunta é feita por Helena Ignez e é uma indagação que ela fazia para si mesma, em sua juventude. O público descobre esta e outras angústias e memórias de Ignez neste curta-metragem, que reúne imagens feitas pela artista juntamente com Rogério Sganzerla, no período em que eles estavam em exílio, na Ditadura Militar, entre 1970 e 1972. Em imagens de locais como Marrakesh, Salvador e Londres, os cortes ditam as rupturas que parecem ter sido sentidas pelas personagens. As emoções e sensações são narradas por Ignez e possuem um tom que revela a profundidade das emoções vividas no passado. Este é também um mérito da direção de Sinai Sganzerla (<em>A Mulher de Luz Própria</em>), que montou o curta ao lado de Claudio Tammela (<em>Elogio da Graça</em>). Nesta junção de elementos intensos, a obra consegue revelar diversas camadas e deixa quem assiste imerso naquele universo de recordações. Tudo isto em apenas 7 minutos de duração.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13154" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/e142c316b5a85baf2b64c954001857b7_15978766369931_264127166.jpg" alt="Tem Um Monstro na Loja, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/e142c316b5a85baf2b64c954001857b7_15978766369931_264127166.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/e142c316b5a85baf2b64c954001857b7_15978766369931_264127166-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/e142c316b5a85baf2b64c954001857b7_15978766369931_264127166-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><em>Tem Um Monstro na Loja (2019)</em></strong></h5>
<p>Os desenhos de Ana Galocha já existiam antes deste curta-metragem. Inclusive, há um perfil no <em>Youtube</em> que publica vídeos de, aproximadamente, um minuto com várias animações de aventuras da menina. A intenção aparente é ser um conteúdo educativo para crianças, através de tramas sobre Ana e seus amigos. Na produção exibida na CineOP, o enredo foca em contar a história das carrancas, através do encontro da garota com o objeto dentro de uma loja. A narrativa é redonda e bem amarrada, pois consegue introduzir bem o contexto da pequena cidade ficcional e da protagonista, ambientando o espectador em poucos minutos. Além disso, a inserção do conflito e a apresentação do desenlace acontecem de maneira orgânica, tendo eles uma ligação com a personalidade de Ana e com o local onde ela mora. Há uma queda, porém, na qualidade da obra próximo de seu desfecho. Depois que Ana já entendeu tudo sobre aquela figura que lhe causou pânico e como ela é importante para a cultura, vem a explicação disto para as outras crianças. Em seguida, fica uma sensação de dilatação do tempo até que a chegada do desfecho. Outro incômodo é a voz que narra o filme. Há apenas uma pessoa que dubla a narração e todas as personagens. Isto não é um demérito, mas a intérprete poderia colorir mais o texto e criar vozes mais diferentes uma das outras. A coisa monocórdica acaba tirando um pouco da personalidade das personagens. Mas, no geral, é uma sessão leve e educativa para o público infantil, como parece ser o seu objetivo.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13153" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/0e27efc195f5d162e5187fadc6e7999c_15725669238468_1416524868.jpg" alt="Relatos Tecnopobres, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/0e27efc195f5d162e5187fadc6e7999c_15725669238468_1416524868.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/0e27efc195f5d162e5187fadc6e7999c_15725669238468_1416524868-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/0e27efc195f5d162e5187fadc6e7999c_15725669238468_1416524868-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>Relatos Tecnopobres (2019)</em></strong></p>
<p>Evocando tensões políticas contemporâneas, <em>Relatos Tecnopobres</em> se vale de uma distopia para criar a sua argumentação. Em 2035, numa sociedade dominada pelos militares, os investimentos financeiros vão todos para inovações tecnológicas, revoltando o povo, que passa a entrar em conflito direto com as autoridades. O diretor, João Batista Silva, consegue colocar o espectador imerso no universo dos guerrilheiros, buscando mostrar a luta deles e como foram as opressões sentidas pelo grupo, até que a guerra fosse a única saída. No geral, há poucos movimentos de câmera, mas, talvez isto ajude a causar certa angústia em alguns planos mais fechados, quando o espectador ouve os relatos do protagonista. Em alguns momentos, é possível ver algumas imagens de cobertura, com uma floresta e as personagens caminhando por ela. Estes detalhes fazem com que a sensação de um mundo em clima bélico se estabeleça, ainda que o valor de produção não seja tão alto. Outro recurso usado por Silva é a utilização de filmagens de outras pessoas, de situações da vida. Nos créditos aparece uma cartela avisando que a equipe não sabe quem são os donos das gravações utilizadas durante o curta. Esta escolha do cineasta faz sentido dentro do enredo, pois ilustra situações que o orçamento talvez não permitisse. Mas, ao mesmo tempo, gera alguns incômodos, principalmente quando se reconhece os eventos que aparecem nos vídeos. Isto desconecta um pouco quem assiste da história que está sendo contada. Outro fator um tanto negativo é que nunca se vê o rosto do protagonista, o que afasta um pouco o público, que não consegue criar totalmente uma empatia com ele.</p>
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		<title>15° CineOP: Avesso Festa Baile</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2020 23:26:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[15 ° CineOP]]></category>
		<category><![CDATA[Avesso Festa Baile]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os anos de 1981 e 1990, a TV Cultura exibia em sua grade o programa Festa Baile. Inicialmente, apresentado por Branca Ribeiro e Agnaldo Rayol, ele era gravado em um clube e possuía uma plateia que dançava ao som de músicas tocadas ao vivo. O público era, majoritariamente, formado por idosos. Este universo e, principalmente, os seus bastidores foram filmados em 1983, pelo grupo TVDO. O coletivo havia sido contratado para fazer Avesso, uma série onde diversos eventos seriam mostrados, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Entre os anos de 1981 e 1990, a <em>TV Cultura</em> exibia em sua grade o programa <em>Festa Baile</em>. Inicialmente, apresentado por Branca Ribeiro e Agnaldo Rayol, ele era gravado em um clube e possuía uma plateia que dançava ao som de músicas tocadas ao vivo. O público era, majoritariamente, formado por idosos. Este universo e, principalmente, os seus bastidores foram filmados em 1983, pelo grupo TVDO. O coletivo havia sido contratado para fazer <em>Avesso,</em> uma série onde diversos eventos seriam mostrados, com um olhar mais contemporâneo e experimental. No entanto, o conteúdo não agradou e a produção foi cancelada. Este dado foi divulgado pelo diretor Tadeu Jungle.<br /><br />Todo este contexto é necessário para falar sobre <strong><em>Avesso Festa Baile</em></strong>. É curioso notar o olhar apurado para as situações. Os constantes planos detalhes parecem querer investigar quem são aqueles indivíduos, o que eles sentem e estão buscando ali, naquele local, sejam eles integrantes do público ou da equipe do programa. É quase assustador notar a diferença no tato das pessoas em relação à câmera naquele período e agora. Existia certa tensão e falta de contato com aqueles equipamentos, com falar com o microfone. Diferentemente de 2020, onde uma grande quantidade de pessoas tem redes sociais e se comunica com destreza para seus seguidores.</p>
<p>Existe também algo forte aqui que é a proximidade da câmera. Através de enquadramentos bem próximos &#8211; seja com <em>closes</em> ou detalhes &#8211;  são revelados o suor da pele, as rugas, o pelo do corpo e até a água com sabão que cai no corpo de Rayol, enquanto ele toma banho. Assim como ele, é como se todos estivessem se desnudando de certa maneira, ainda que existam as roupas elegantes e até um discurso um tanto performado. Os relatos se tornam mais íntimos justamente por estas seleções de plano, mas também pelas sugestões de ações que são dadas para os entrevistados: &#8220;cante&#8221;, &#8220;dance&#8221;, &#8220;conte para gente&#8221;. São comandos que acabam por entregar alguma espontaneidade, por esta ausência de habilidade ou pela surpresa do pedido. </p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-13112" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Avesso-Festa-Baile_interno3-750x422.jpg" alt="" width="750" height="422" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Avesso-Festa-Baile_interno3-750x422.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Avesso-Festa-Baile_interno3-610x343.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Avesso-Festa-Baile_interno3.jpg 850w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Além disso, há um outro ponto alto em <strong><em>Avesso Festa Baile</em></strong>. Ao observar as entrevistas feitas com integrantes da plateia, nota-se que algumas falas contêm contradições e a montagem se vale delas para lançar mão não apenas de uma graça daquele cenário mostrado, como  um enriquecimento sobre este universo. Um exemplo é quando duas senhoras contam razões diferentes para irem para o <em>Festa Baile</em>. Enquanto uma diz que vai para procurar namorado, a outra nega este comportamento e conta que não acha que ninguém está buscando paquera naquele ambiente. O corte entre um depoimento e outro faz com que a contraposição seja notada de maneira mais intensa. </p>
<p>Não dá para saber se todas essas escolhas foram tão pensadas assim, mas o resultado é bastante rico e imprime um retrato daquela geração de senhores e senhoras que estavam querendo curtir a vida nos anos 1980, com o que, para eles, era o ápice do charme e da elegância, digamos assim. Contudo, há algo no tom desta produção que incomoda. Ainda que todos ali estejam sendo colocados em exposição, tem algo sobre a mulher idosa que está sempre posta como namoradeira e/ou desesperada. Tem algo que passa por uma ridicularização. Mas, isto não compromete a totalidade da obra, ainda mais se quem assiste focar no fato de que estamos falando de 1983, momento em que, talvez, a imagem da mulher fosse ainda mais tratada com uma misoginia &#8220;naturalizada&#8221;.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Tadeu Jungle</p>
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