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	<title>Arquivos Bill Camp - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Bill Camp - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Identidade (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Nov 2021 13:55:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Como atriz, apesar de nunca ter sido &#8220;abraçada&#8221; por completo pelas premiações ou mesmo pelos críticos, Rebecca Hall foi capaz de construir um currículo interessante com desempenhos complexos em longas como Christine, Vicky Cristina Barcelona, Professor Marston e as Mulheres Maravilhas e O Grande Truque. Eis que em sua estreia como diretora, Hall consegue expressar de maneira mais intensa ainda a sua sensibilidade artística com um drama tocante sobre uma mulher interpretada por Tessa Thompson (Vingadores: Ultimato) que reencontra uma amiga de infância vivida [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Como atriz, apesar de nunca ter sido &#8220;abraçada&#8221; por completo pelas premiações ou mesmo pelos críticos, Rebecca Hall foi capaz de construir um currículo interessante com desempenhos complexos em longas como <em>Christine, Vicky Cristina Barcelona, Professor Marston e as Mulheres Maravilhas e O Grande Truque</em>. Eis que em sua estreia como diretora, Hall consegue expressar de maneira mais intensa ainda a sua sensibilidade artística com um drama tocante sobre uma mulher interpretada por Tessa Thompson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores: Ultimato</em></a>)<br />
que reencontra uma amiga de infância vivida por Ruth Negga (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ad-astra-rumo-as-estrelas/"><em>Ad Astra &#8211; Rumo às Estrelas</em></a>). A protagonista do longa de <strong><em>Identidade </em></strong>fica instigada pela nova vida da amiga que se passa por branca na sociedade.</p>
<p><strong><em>Identidade </em></strong>é um drama de habilidade fascinante por desenvolver o protagonismo de duas personagens femininas extremamente complexas e por fazê-lo através de um uso sofisticadíssimo da linguagem audiovisual. Com sua fotografia em preto e branco, Hall costura de maneira elegante e repleta de nuances a jornada dessas mulheres, marcada majoritariamente por decisões nada óbvias a partir de uma situações que instauram conflitos aparentemente duais.</p>
<p>Ao passo que, assim como Irene (Thompson), julgamos a atitude e o comportamento de Clare (Negga) por esconder a cor da própria pele e assumir a identidade de uma mulher branca, a cineasta de maneira sensível e inteligente nos apresenta gradualmente as contradições da sua protagonista. Apesar de não se passar por branca, Irene (Thompson) não vive a vida da maioria das mulheres negras do seu tempo. Ela tem uma rotina confortável como esposa de um médico, um casal negro que &#8220;furou a bolha&#8221; e teve uma aparente ascensão social. No entanto, as mudanças para Irene são superficiais, aos poucos nos damos conta de que existe uma falsa impressão de transformação social quando a personagem de Thompson se depara com as falas e gestos hostis do marido racista de Clare ou quando fica sabendo pelo esposo que um homem negro foi linchado a poucos metros da sua casa. É nesse instante que a redoma da protagonista é quebrada e ela entra em crise e passa a questionar uma série de comportamentos de auto-negação da sua própria identidade, como quando esconde dos seus filhos a segregação racial no país ou a relação dúbia que estabelece com suas empregadas, também mulheres negras.</p>
<p>No lado mais evidente da análise de <strong><em>Identidade </em></strong>sobre o seu tema, temos a melancolia literalmente maquiada de Clare, cujos artifícios estéticos possibilitaram uma camuflagem social até certo ponto mas não foram capazes de salvar efetivamente a personagem do preconceito, muito porque existem questões internas mal resolvidas na personagem de Ruth Negga. Ao mesmo tempo que isso serve para que nós venhamos a compreender a segunda personagem de <strong><em>Identidade</em></strong>, também passa a ser um dado interessante para lermos a segunda porque é o convívio com a dubiedade de Clare que Irene (Thompson) passa a questionar seu estilo de vida, seu lugar na sociedade e sua própria relação com sua identidade.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14791" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1610852.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Identidade" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1610852.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1610852.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1610852.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1610852.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Com tamanha complexidade conferida a suas personagens, não fica difícil para <strong><em>Identidade </em></strong>trazer fortes desempenhos de Tessa Thompson e Ruth Negga. Rebecca Hall parece ter trazido para trás das câmeras toda sua expertise na atuação e arranca das atrizes interpretações preciosas. Thompson é, de longe, a presença mais marcante do filme, com uma personagem nuançada, cheia de contradições, questões mal resolvidas e expressa toda essa combustão interna de forma silenciosa, como convém a sua retraída personagem, somente por meio de pistas deixadas pelos seus gestos corporais e expressões faciais. A atriz é econômica e consegue modular muito bem os diversos estágios emocionais pelo qual sua personagem vive na história. Ao mesmo tempo, Negga é uma figura viva durante todo o filme. Construindo Clare como uma personagem marcada pela falsa extroversão, Negga nos apresenta uma personagem triste, solitária. A dupla é formidável e faz um trabalho fundamental para cumprir os propósitos da história que a diretora conta.</p>
<p>O longa consegue compreender e traduzir muito bem esse lugar de quem toma consciência de que pertence a um grupo hostilizado socialmente e que, por conta dessa violência passa a desejar outra vida, aspira pertencer a extratos sociais mais aceitos para não passar por sofrimento&#8230; A obra fala sobre a rejeição da própria identidade e como isso em dado momento tem o potencial de se voltar contra a pessoa. Afinal, não dá para fingir ou esquecer aquilo que simplesmente se é, é algo que ronda sua vida e enquanto você não &#8220;abraça&#8221; isso com todas as suas circunstâncias externas, incluindo a não aceitação de terceiros, você nunca encontrará paz. Possivelmente, uma conclusão que Irene pode tirar ao final do terceiro ato diante de uma decisão extremada de Clare. É nesse lugar inflamável que as duas personagens de <strong><em>Identidade </em></strong>se encontram e isso o longa consegue traduzir muito bem.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o filme dá conta da identidade como algo fluido quando fala sobre a sensação de pertencimento, ampliando suas leituras para outros grupos, como homossexuais, transexuais, mulheres etc. Irene vive em uma comunidade negra, mas não consegue se conectar com ela, apesar de racionalmente entender todas as questões que perpassam por aquele grupo. A sensação de não pertencimento, no caso da personagem, passa pela autonegação, claro. Ao passo que Clare, que deu vazão a sua negação de maneira mais radical quando se passa por uma mulher branca, sente viva sua identificação com os mesmos espaços com os quais Irene se sente desconectada, lugares que permitem que a personagem de Ruth Negga seja de fato quem ela é. Clare vive uma liberdade que não experimentava desde que passou a viver sob a angustiante vigília de sustentar uma falsa identidade e a exaustiva energia que toda essa farsa demandou dela.</p>
<p>Se no primeiro longa, Rebecca Hall já demonstra essa maturidade no uso da linguagem audiovisual, na direção dos seus atores e na tecitura do seu roteiro, imagina o que seus próximos trabalhos como diretora e roteirista nos reservam? <strong><em>Identidade </em></strong>é um filme que foge pela tangente do discurso fácil e juvenil de thread  de Twitter que a gente costuma notar ser incorporado da maneira mais rasa possível por produções audiovisuais recentes, sobretudo com o selo Netflix. Enche os olhos e conforta a alma ver <strong><em>Identidade</em></strong>. Raras vezes se vê na tela a disposição, maturidade e sensibilidade com que Rebecca Hall trata temas como o preconceito e as sensações de pertencimento e deslocamento identitário nesse filme.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Rebecca Hall</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Tessa Thompson, Ruth Negga, Andre Holland, Alexander Skarsgård, Bill Camp, Gbenga Akinnagbe, Antoinette Crowe-Legacy, Doris McCarthy</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/JSUtLNnvwGs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Preço da Verdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2020 02:13:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mesmo sendo conhecido por seu trabalho com melodramas como Longe do Paraíso, Carol e a minissérie da HBO Mildred Pierce, Todd Haynes é um cineasta bastante versátil e que dentro dessa versatilidade consegue preservar o DNA das suas histórias. Ele já contou uma biografia nada convencional de Bob Dylan com Não Estou Lá, já contou uma história sobre a infância em Sem Fôlego e já trafegou pela paranoia distópica em Mal do Século. O Preço da Verdade: Dark Waters é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo sendo conhecido por seu trabalho com melodramas como <em>Longe do Paraíso</em>, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-carol/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Carol</em> </a>e a minissérie da HBO <em>Mildred Pierce</em>, Todd Haynes é um cineasta bastante versátil e que dentro dessa versatilidade consegue preservar o DNA das suas histórias. Ele já contou uma biografia nada convencional de Bob Dylan com <em>Não<br />
Estou Lá</em>, já contou uma história sobre a infância em <em>Sem Fôlego</em> e já trafegou pela paranoia distópica em Mal do Século. <strong><em>O Preço da Verdade: Dark Waters</em></strong> é sua incursão no <em>thriller</em> jurídico com a história de um advogado que assume uma causa contra a DuPont, acusado a empresa de destruir o ambiente e gerar uma série de danos à saúde de pessoas ao longo da popularidade do teflon na criação de produtos.</p>
<p>O caso do advogado Rob Billot contra a Dupont durou décadas e só encontrou resolução nos anos 2010. O caso em si é surpreendente sobretudo por tomarmos ciência como esse empreendimento de pesquisas químicas de ponta atingem diversas frentes da nossa vida. De certa maneira, Haynes traz para <em><strong>O Preço da Verdade</strong></em> a mesma lógica de construção atmosférica claustrofóbica de Mal do Século. O personagem de Mark Ruffalo (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Vingadores: Ultimato</em></a>) gradualmente imagina a atuação imperceptível e destrutiva desse inimigo silencioso na rotina doméstica.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12437" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4371554.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Preço da Verdade" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4371554.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4371554.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4371554.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Mesmo encontrando como limitador um roteiro protocolar e genérico na construção do seu drama familiar e pragmático no tratamento dos meandros jurídicos do caso, Haynes consegue, com discrição e precisão cirúrgica, levar o longa para lugares insuspeitos. Isso ocorre, por exemplo, na maneira como o diretor utiliza a fotografia gélida dos arranha-céus dos escritórios de advocacia onde o caso é investigado &#8211; mais uma vez, uma excelente colaboração com Edward Lachman. Ao mesmo tempo, a paranoia é dimensionada pela dinâmica entre atores, sobretudo quando tem no centro das atenções Mark Ruffalo, em mais uma ótima interpretação.</p>
<p>O longa tem um claro apelo ao tom de denúncia e isso não lhe retira os méritos, pelo contrário, o engrandece. Em casos como esse, não tomar partido soa como negligente ao próprio propósito de contar uma trama tão grave como esta. <em><strong>O Preço da Verdade</strong></em> pode soar como algo deslocado na filmografia de Todd Haynes, mas acaba endossando os passos da sua carreira até aqui, um filme coeso, coerente com o seu gênero cinematográfico e capaz de ser contundente e preciso com a sua retórica.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Haynes<br />
<strong>Elenco:</strong> Mark Ruffalo, Anne Hathaway, Tim Robbins, Bill Camp, Bill Pullman, Victor Garber, Mare Winningham, William Jackson Harper, Louisa Krause</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/v7vNnxgYTzM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Coringa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2019 15:02:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Coringa é um personagem controverso que atrai a atenção do público há décadas nos cinemas. Tivemos a versão pastelão de Cesar Romero em Batman (1968), a incrível adaptação de Jack Nicholson em 1989, o visceral e imortal Heath Ledger no premiado Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas (2008) e até mesmo a esquecível versão de Jared Leto em Esquadrão Suicida (2016). Seja como for, Joaquin Phoenix (Ela) chegou trazendo grande expectativa para os fãs e apreciadores dos quadrinhos. Como [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O <em><strong>Coringa</strong> </em>é um personagem controverso que atrai a atenção do público há décadas nos cinemas. Tivemos a versão pastelão de Cesar Romero em <em>Batman</em> (1968), a incrível adaptação de Jack Nicholson em 1989, o visceral e imortal Heath Ledger no premiado <em>Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas</em> (2008) e até mesmo a esquecível versão de Jared Leto em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-esquadrao-suicida/"><em>Esquadrão Suicida</em></a> (2016). Seja como for, Joaquin Phoenix (<em>Ela</em>) chegou trazendo grande expectativa para os fãs e apreciadores dos quadrinhos.</p>
<p>Como eu já comentei aqui algumas vezes, filmes que criam muita expectativa me preocupam, já que a chance de decepção é maior. Quando se trata de um personagem que por si só gera ansiedade, a situação fica ainda mais complicada. No entanto, afirmo sem medo que este é um dos melhores filmes dos últimos anos, não apenas no quesito de adaptação de HQs.</p>
<p>Para começar, os quadrinhos são apenas um pano de fundo para trazer uma história complexa e realista sobre a jornada de um cidadão doente abandonado pela sociedade da barbárie. Gotham City está sitiada por manifestações contra o governo. A taxa de desemprego é absurda, o lixo se amontoa nas ruas e os poderosos zombam da pobreza, como se ela fosse uma escolha. Em meio a isso, as pessoas vão se tornando cada vez mais amargas e incrédulas de um futuro melhor.</p>
<p>Arthur Fleck tem problemas mentais diagnosticados e trabalha como palhaço. A dualidade já começa aí, quando uma pessoa triste tem que colocar a máscara da alegria para fazer os outros rirem, sufocando todas as suas emoções. A frase que surge em dado momento, &#8220;o problema da doença mental é que as pessoas querem que você aja como se não a tivesse&#8221;, deixa muito claro que a sociedade pouco se importa com o que ele está passando. E isso se repente em muitos momentos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11450" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A medida que o protagonista vai sofrendo repetidas investidas negativas do cenário e criando camadas de rancor, o espectador começa a entender o que levou o Coringa a se tornar alguém ruim e amargurado. Temos até lapsos de empatia, que rapidamente se dissolvem. É a sociedade do abandono para alguém que só queria se sentir minimamente importante e notado. Somos apresentados às confusões mentais do <strong><em>Coringa</em></strong>, que nos trazem questionamentos sobre a veracidade de certos fatos que estamos vendo.</p>
<p>Além disso, a cuidadosa inserção do personagem de Bruce Wayne é ainda mais gloriosa. Importante e contundente, mas passageira como deveria ser. O foco ali não é no Batman, definitivamente. Mas nos leva a questionamentos sobre uma possível interseção deste <strong><em>Coringa</em> </strong>com o Batman de Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bom-comportamento/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Bom Comportamento</em></a>), que deve chegar aos cinemas em 2021.</p>
<p>A grandeza do personagem é respeitada desde a sua construção inicial. A primeira cena do filme já vale a magnífica atuação de Phoenix no filme inteiro. E sim, sinto cheiro de Oscar para o papel, o que será muito merecido. Ele está incorporado no <strong><em>Coringa</em></strong>, de corpo e alma. Todas as angústias, frustrações e desesperos traduzidos em olhares e mudanças de expressão. É uma performance intensa, profunda e sem exageros. Ele consegue deixar o espectador sem ar, mas não beira o caricato. O que só prova a sua magnitude.</p>
<p>Além disso, o filme não tem grandes coadjuvantes. E não digo isso sobre as atuações dos demais. Temos Robert De Niro, por exemplo, que está ótimo, como sempre. Mas o filme não é sobre os coadjuvantes. Eles só estão ali para dar ainda mais espaço para o protagonista. E levar um filme inteiro praticamente sozinho não é tarefa para qualquer ator. Mas Phoenix já havia feito isso em <em>Ela</em> e repete o padrão aqui, com ainda mais complexidade e intensidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11449" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É curioso pensar que o diretor Todd Phillips, que tem filmes como <em>Se Beber, Não Case</em> e <em>Cães de Guerra</em> como principais na filmografia, conseguiria nos apresentar um trabalho tão aparado e sem arestas como esse. <em><strong>Coringa</strong> </em>é um filme lapidado, sem excessos ou faltas. Todos os pontos são preenchidos e com muita maestria. Ele conta ainda com a produção de Bradley Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nasce-uma-estrela/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Nasce Uma Estrela</em></a>), que tem cada vez mais se filiado a projetos grandiosos.</p>
<p>E na finalização, o filme foi ainda mais assertivo. O cuidado de deixar claro que o <strong><em>Coringa</em> </strong>não é um herói, embora a sociedade o coloque neste lugar. Ele é um reflexo personificado das doenças e mazelas daquelas pessoas abandonadas pelo apoio político. Ele é a unicidade de tantos sentimentos ruins e, por isso, não deve ser entendido como herói. O <strong><em>Coringa</em> </strong>é a sombra do que somos de pior como humanos. E o filme não se poda ao nos mostrar isso.</p>
<p>Para quem já gosta das versões anteriores do <strong><em>Coringa</em></strong>, com destaque especial ao de Nicholson e Ledger, é surpreendente como nem lembramos deles ao assistir o de Phoenix. É como se fosse a evolução casada e perfeita dos dois, que chegou ao ápice agora.</p>
<p><strong><em>Coringa</em> </strong>é um filme que vai muito além de uma banal adaptação de quadrinhos. É uma produção que insere sub-textos de política, discussões sociais e doenças mentais. Tudo isso orquestrado por uma trilha sonora poderosa e calculista, que sabe exatamente onde se mostrar e onde dar a vez da atuação crua. Uma produção fascinante e memorável!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips<br />
<strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen, Shea Whigham, Bill Camp, Douglas Hodge, Glenn Fleshler,</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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