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	<title>Arquivos Ben Whishaw - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Ben Whishaw - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Passagens</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Oct 2023 13:46:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Passagens, Ira Sachs desenvolve um interessante panorama sobre os termos em curso nos relacionamentos contemporâneos a partir de três personagens que se encontram e se desencontram ao longo das econômicas, mas eficientes, uma hora e meia de narrativa. No longa, Franz Rugowski (Em Trânsito e Great Freedom) interpreta Tomas, um diretor de cinema que vive há alguns anos um relacionamento aberto com o namorado Martin, Ben Whishaw em momento inspiradíssimo depois de entregar uma bela atuação no oscarizado Entre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>Passagens</strong></em>, Ira Sachs desenvolve um interessante panorama sobre os termos em curso nos relacionamentos contemporâneos a partir de três personagens que se encontram e se desencontram ao longo das econômicas, mas eficientes, uma hora e meia de narrativa. No longa, Franz Rugowski (<em>Em Trânsito</em> e <em>Great Freedom</em>) interpreta Tomas, um diretor de cinema que vive há alguns anos um relacionamento aberto com o namorado Martin, Ben Whishaw em momento inspiradíssimo depois de entregar uma bela atuação no oscarizado Entre Mulheres. O personagem de Rugowski conhece Agathe, uma professora de educação infantil vivida por Adèle Exarchorpoulos (<em>Azul é a Cor mais Quente</em>) e imediatamente se sente atraído por ela, algo que fragiliza sua antiga relação com Martin.</p>
<p>Entre idas e vindas, Tomas separa-se de Martin para viver com Agathe. Logo depois o personagem se arrepende e volta a namorar Martin. Em um terceiro momento, uma vida a três chega a ser proposta, sem sucesso, pelo personagem de Rugowski. Em todos esses movimentos do trio, Ira Sachs, também responsável pelo roteiro do filme, desenvolve com profundidade os desejos e as personalidades dos seus personagens alicerçado pelo ótimo desempenho dos seus três atores.</p>
<p>Como Tomas, Franz Rugowski traz para a tela de <em><strong>Passagens</strong> </em>um sujeito envolvente, mas completamente instável, propulsor de relacionamentos abusivos com seus dois parceiros. Tomas gosta de ser o centro das atenções da vida de Martin e Agathe. O diretor se irrita quando um ou outro se afasta do seu convívio, ou seja, todos têm que estar na sua órbita e à disposição do temperamento de Tomas, qualquer elemento estrangeiro que adentre em suas relações e que de alguma forma rivalize um protagonismo é diminuído com desdém infantil pelo personagem. Rugowski conduz de maneira fascinante essa dualidade de Tomas. Inicialmente, o diretor revela-se uma figura fascinante, capaz de seduzir e despertar a curiosidade dos seus parceiros &#8211; e consequentemente do público -, para, logo em seguida, conforme a trama vai avançando, revelar-se a pior experiência amorosa possível para qualquer pessoa.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17370" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5113107.jpg" alt="Passagens" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5113107.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5113107-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5113107-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5113107-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ben Whishaw tem um desempenho silencioso e comovente ao longo do filme como Martin, pincelando sutilmente os sentimentos que permeiam a trajetória do seu personagem ao longo da história. Martin é um homem gay que não consegue desvencilhar-se das manipulações de Tomas, tendo dificuldade para dizer &#8220;não&#8221; e sempre cedendo aos caprichos do namorado, ainda que, curiosamente, seja o elo da relação que &#8220;segura as pontas&#8221;, quem toma coragem para verbalizar as decisões mais difíceis a serem tomadas na condução de um relacionamento. Em uma cena de sexo entre Tomas e Martin, Sachs &#8220;brinca&#8221; com essa pretensa passividade do personagem quando ele é quem toma uma posição ativa na cama com o namorado, desconstruindo qualquer tipo de estereótipo que o espectador possa vir a ter a respeito de dinâmicas em relacionamentos gays, algo que a sociedade costuma assumir ao adotar uma perspectiva binária das relações.</p>
<p>O terceiro elemento desse triângulo não é menos interessante. Adèle Exarchopoulos tem grandes momentos em <em><strong>Passagens</strong> </em>sobretudo quando sua personagem passa a questionar o seu lugar na relação entre Tomas e Martin, passando a se sentir só e descartada pelo antigo parceiro quando este retorna para o ex-namorado e propõe uma vida a três. Se no desenvolvimento de Martin Ira Sachs desconstrói alguns estigmas associados a homens gays, no que diz respeito a Agathe de Adèle Exarchopoulos o diretor também subverte algumas ideias a partir da firmeza com a qual sua personagem estebelece limites às investidas de Tomas, contrapondo-se imediatamente à submissão de Martin e sendo a grande responsável pelo despertar deste personagem para sua atual condição. A oposição entre os personagens quebra as expectativas porque na sociedade em que vivemos espera-se sempre que dinâmicas abusivas envolvam casais heterossexuais com vítimas mulheres, por exemplo.</p>
<p>Com esse mosaico riquíssimo de personagens, Ira Sachs faz uma síntese interessante sobre relacionamentos em nossos tempos e a subversão de expectativas a respeito das reações dos seus personagens às dinâmicas propostas. Nesse sentido, <em><strong>Passagens</strong> </em>é um filme maduro que trata essas relações com a complexidade que elas exigem, mas também com a ausência de preconceitos que merecem. Quem gosta de dramas calcados em dilemas sobre relacionamentos amorosos, tem aqui um &#8220;prato cheio&#8221;. O filme entrega personagens de psicologia complexa, é econômico em sua duração, mas não faz com que seus noventas minutos de projeção sejam sinônimos de superficialidade, pelo contrário, tem uma direção sensível e elegante de Ira Sachs e é protagonizado por três atores que entregam interpretações afiadas e cheias de sincronicidade e química.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ira Sachs</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Franz Rogowski, Ben Whishaw, Adèle Exarchopoulos</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Z8t9l9e-m8o" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: 007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 14:53:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira, 30 de setembro, o longa 007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer, o último da franquia com o ator Daniel Craig (Entre Facas e Segredos) à frente do papel de James Bond. Quinze anos depois de sua estreia na pele do espião, é com muita expectativa que os fãs aguardam essa finalização épica de sua participação, que rendeu tanta transformação no personagem. Ao longo dos anos e, em especial com a chegada de Craig na franquia, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira, 30 de setembro, o longa <strong><em>007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer</em></strong>, o último da franquia com o ator Daniel Craig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-entre-facas-e-segredos/"><em>Entre Facas e Segredos</em></a>) à frente do papel de James Bond. Quinze anos depois de sua estreia na pele do espião, é com muita expectativa que os fãs aguardam essa finalização épica de sua participação, que rendeu tanta transformação no personagem.</p>
<p>Ao longo dos anos e, em especial com a chegada de Craig na franquia, o estilo de Bond foi sendo modificado. Se antes eles primavam muito pelos apetrechos tecnológicos que o auxiliavam nas missões, agora a força e performance física tem espaço muito maior e privilegiado. É claro que não necessariamente isso é um ponto positivo, visto que um dos grandes atrativos do personagem eram justamente os seus <em>gadgets</em>. Neste longa, conseguimos ver um vislumbre daquele James de outrora, com breves aparições desta tecnologia aplicada em prol da espionagem.</p>
<p>Mas não é porque sentimos falta deste detalhe, que vamos desmerecer a importância de Daniel no aprofundamento do personagem. Ele trouxe uma característica mais sentimental e humana, tornando o espião mais passível de romances profundos e não apenas os furtivos. A imensa variedade de Bond Girls deu espaço a amores e tentativas de viver emoções mais intensas. Em <strong><em>007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer</em></strong> vemos justamente o resultado desta mudança, com Bond tentando construir um lar com Madeleine (Léa Seydoux, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-kursk-a-ultima-missao/"><em>Kursk &#8211; A Última Missão</em></a>), seu amor depois do sofrimento da perda de Vesper (Eva Green, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baseado-em-fatos-reais/"><em>Baseado em Fatos Reais</em></a>).</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14584" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/007-review.jpg" alt="007 - Sem Tempo Para Morrer" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/007-review.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/007-review-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/007-review-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/007-review-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda que o coração pule na frente em muitos momentos, James ainda é um cara sisudo e descrente da sociedade. Ele está afastado dos serviços de espionagem e reluta quando é convocado novamente por M (Ralph Fiennes, <em>A Escavação</em>). É quando surge a figura de Felix (Jeffrey Wright, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lavanderia/"><em>A Lavanderia</em></a>), seu parceiro dos tempos de Cassino Royale e Quantum of Solace, que ele decide aceitar a solicitação.</p>
<p>James carrega em si todo o amargor que a vida deixou ao longo dos anos. Ele tem dificuldade em lidar com as questões de ego que envolvem a presença da nova 007 (sim, a espiã é uma mulher e negra – falaremos disso adiante), assim como enfrentar os demônios do seu passado.</p>
<p>O filme equilibra com maestria os momentos de tensão em leveza, mesmo que esse último elemento seja mais raro. Seguindo o perfil do Bond de Craig, ele ri pouco e tem o tom sempre mais pesado ao encarar as dualidades da vida. Ainda assim, é seu carisma que constrói a base deste capítulo, com suas quase 3h de duração.</p>
<p>Para vilões e coadjuvantes, o elenco composto ainda por Rami Malek (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bohemian-rhapsody/"><em>Bohemian Rhapsody</em></a>) e Christoph Waltz (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-pequena-grande-vida/"><em>Pequena Grande Vida</em></a>) tem uma química em cena que dá o tom da trama. Todos têm muita familiaridade com as dinâmicas, mesmo que falte aprofundamento em alguns casos. É uma sensação rapidamente compreendida pelo foco principal da despedida de Bond.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14583" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5559060.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="007 - Sem Tempo Para Morrer" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5559060.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5559060.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5559060.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5559060.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer</em></strong> traz ainda a questão da inclusão como foco e isso é muito bem colocado. Personagens negros surgem com muito mais destaque do que antes, mostrando que a franquia procura se atualizar das necessidades da sociedade. Cabe aí o questionamento sobre a eventual cogitação que ocorreu de colocar o ator Idris Elba (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-velozes-e-furiosos-hobbs-shaw/"><em>Velozes &amp; Furiosos: Hobbs &amp; Shaw</em></a>) como o próximo 007. À época, ele sofreu preconceito e chegou a dizer que não aceitaria o convite.</p>
<p>Este é o quinto e último longa de Daniel Craig na pele de James Bond, então o sentimento de adeus está presente na maior parte do tempo. Ele está no seu melhor momento e entrega tudo de si no personagem, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Ele é, acima de tudo, um herói neste filme, com todas as dores que carrega ao longo dos anos, mas curiosamente sempre escolhendo crer numa realidade melhor. Esta foi uma calorosa despedida do personagem que marcou a sua vida.</p>
<p>É difícil não pensar o quanto foi construído ao longo desses anos e quais as oportunidades que teremos a partir de agora. 007 é uma franquia que se renova sempre e abre espaço para novos agentes e possibilidades. Seguimos ansiosos pelos próximos capítulos e onde esse personagem tão interessante poderá nos levar.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cary Joji Fukunaga</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Daniel Craig, Rami Malek, Léa Seydoux, Ralph Fiennes, Jeffrey Wright, Christoph Waltz, Lashana Lynch, Naomie Harris, Ben Whishaw, Ana de Armas</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/kCyjw0z-5KI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Retorno de Mary Poppins</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jan 2019 18:36:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A mente infantil é mais sagaz do que parece. O público mais novo se mostra cada dia mais exigente e, consequentemente, cobra do mercado cinematográfico novidades em suas tramas. O público mais novo leva a indústria cinematográfica ao infindável processo de inovação e criação. Por isso, os estúdios têm tentado fazer coisas novas nos últimos tempos, em função dessa cobrança do consumidor jovem. Algumas vezes a “saída criativa” encontrada pelas produtoras para captar a atenção desses espectadores não dá muito [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A mente infantil é mais sagaz do que parece. O público mais novo se mostra cada dia mais exigente e, consequentemente, cobra do mercado cinematográfico novidades em suas tramas. O público mais novo leva a indústria cinematográfica ao infindável processo de inovação e criação. Por isso, os estúdios têm tentado fazer coisas novas nos últimos tempos, em função dessa cobrança do consumidor jovem. Algumas vezes a “saída criativa” encontrada pelas produtoras para captar a atenção desses espectadores não dá muito certo – como foi o caso da terrível animação <em>Emoji: O Filme</em> (2017). Outras, a simples reinvenção de uma história é o suficiente para renovar uma franquia e retomar a atenção desse público – a exemplo de <em>Bumblebee</em> (2018) que conseguiu se desvincular dos fracassos recentes de <em>Transformers</em> e abriu um leque de oportunidades futuras para o universo dos <em>autobots</em>.</p>
<p>Existe ainda uma saída mais perigosa: a revisitação de uma narrativa. Seja através de uma releitura ou refilmagem, esse é um dos caminhos mais incertos quando se fala da criação de um produto comercial. O resultado é incerto, pode ser um sucesso estrondoso ou um fracasso completo. E é nessa categoria de reinvenção que o longa-metragem <em><strong>O Retorno de Mary Poppins</strong></em>, produzido pela Walt Disney Pictures, se encaixa. A sequência do musical clássico de 1964 teve a difícil missão de emplacar seu sucesso individual sem ser ofuscado pelo antecessor.</p>
<p>Anos após sua primeira aparição, Mary Poppins (Emily Blunt) surge para, mais uma vez, ajudar a família Banks. Agora, a babá encantada chega em meio ao caos na família, onde Michael Banks (Bem Whishaw) está a um passo da falência. Sua irmã, Jane (Emily Mortimer), tem feito de tudo para ajudá-lo desde que ele perdeu a esposa e passou a cuidar sozinho das crianças. Mary Poppins será o lampião de esperança na vida de Annabel (Pixie Davies), John (Nathanael Saleh) e Georgie (Joel Dawson) e os levará, ao lado do seu amigo Jack (Lin-Manuel Miranda), numa jornada repleta de magia e felicidade para que eles reencontrem os caminhos e ajudem a família nesse momento difícil.</p>
<p>Devido aos inúmeros louros do longa estrelado, na década de 1960, por Julie Andrews, a produção precisou achar o seu suporte em alguma coisa além da nostalgia para não se tornar uma réplica. Eis que a presença de Rob Marshall (<em>Chicago</em>, de 2002, e <em>Caminhos da Floresta</em>, de 2014) faz toda a diferença para a produção. O diretor, produtor e coreógrafo traz toda a sua experiência da Broadway para as suas obras cinematográficas. Unindo as duas artes, os resultados visuais de seus trabalhos são sempre impressionantes – até mesmo quando o filme não é um musical. Assim, Marshall traz à produção nostalgia, fantasia e teatralidade as quais servem de guia e pilar de sustentação para toda a narrativa.</p>
<p>Os problemas começam quando pensamos no roteiro. A premissa do filme está muito sustentada no passado. Não existe uma desvinculação real entre o primeiro longa e a sequência. David Magee (<em>Em Busca da Terra do Nunca</em>, de 2004), apesar de sua genialidade comprovada em outros trabalhos, seguiu um caminho ruim ao dar segmento a história da babá mais emblemático da literatura e do cinema. Seja por razões dos produtores ou estúdio, decalcar o argumento de Mary Poppins (1964) para criar a base de sua sequência foi uma escolha sofrível. O resultado é uma previsibilidade sem tamanho em cada um dos acontecimentos, além do mal uso de alguns personagens e situações – como Jane Banks e as questões da Grande Depressão.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9751" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/3378712.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Retorno de Mary Poppins" width="610" height="348" /></p>
<p>A trilha sonora do longa é bem elaborada, mas segue a mesma estrutura do filme de 1964. As músicas compõem a mesma função narrativa sem se diferir muito na estrutura. Apesar disso, o compositor Marc Shaiman foi indicado na categoria de “Melhor Trilha Sonora” no Critics&#8217; Choice Movie Awards e no Golden Globe Awards. Em contrapartida, a direção de Rob Marshall fará a diferença outra vez. Os números musicais são encantadores e passam a magia e alegria propostas pela película. A dinâmica teatralizada ao longo das performances consegue fazer com que o público esqueça dos defeitos da produção por alguns minutos.</p>
<p>A escolha do elenco é interessante. Emily Blunt, apesar de carregar uma responsabilidade absurda, consegue dar sua própria interpretação a personagem, se distanciando completamente de Andrews. O problema da Mary Poppins de Blunt é sua falta de destaque. Apesar de ser a personagem-título do longa, ela acabou sendo colocada de lado enquanto a personagem de Lin-Manuel Miranda acabou se tornando, ao lado das crianças, a peça fundamental da história. Do início ao fim da sessão, Jack será a persona que norteará os acontecimentos, ofuscando a presença de Poppins. Ambos receberam indicações por seus papeis em diversas premiações – dentre elas Critics&#8217; Choice Movie Awards, Golden Globe Awards e Satellite Awards.</p>
<p>As crianças são adoráveis e cumprem o seu papel com a sinceridade de todo ator mirim que carrega o talento da interpretação. Seu deslumbramento nas cenas é tão real quanto o do público. Já os irmãos Banks se esforçam, porém não conseguem ter o melhor tempo de tela possível. Os dois são bons atores, mas não tiveram oportunidades cênicas para desenvolver uma performance memorável. Jane Banks, vivida por Emily Mortimer, por exemplo, tem o seu papel jogado fora por um mal aproveitamento do roteiro. Julie Walters, Colin Firth, Meryl Streep e Dick Van Dyke fazem aparições cuja única função é agradar pela presença. Walters carrega pequenas falas humorísticas que ajudam a descontrair quando são percebidas; Firth tem um papel fraquíssimo que faz a sua presença em cena ser insignificante; Meryl aparece para ser Meryl e agradar a todos apenas pela sua existência ilustre; e Van Dyke não passa de um agrado aos fãs do musical original por reverem o ator dançando por um breve momento.</p>
<p><em>Mary Poppins Returns</em> (título original) carregou uma missão quase impossível de superar o seu antecessor e ser diferente dele. O resultado dessa tentativa de distanciamento e originalidade não é dos melhores, mas isso não tira o encanto do filme. A magia, felicidade e crença no impossível – as quais sempre foram a essência da história – seguem como norte da produção. Todo o encantamento das cenas musicais, canções e animações fazem a sessão valer a pena. É verdadeiramente leve e enriquecedor a maneira como a película recarrega o pensamento puro e infantil de que tudo na vida é possível quando se acredita. Marshall conseguiu, apesar de todos os percalços, trazer de volta a magia que reinventou os musicais há mais de 50 anos atrás.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/vST_3HTWp3c" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: As Sufragistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2015 16:37:04 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_4190" aria-describedby="caption-attachment-4190" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4190 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/12/suffragette2-large-620x349.jpg" alt="suffragette2-large" width="620" height="349" /><figcaption id="caption-attachment-4190" class="wp-caption-text">Resultado aquém do esperado: Filme não chega a ser um desastre, mas apresenta-se como um drama político ligado no automático.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>A causa feminina foi um dos temas evidentes em 2015 na indústria cinematográfica. Das declarações de Jennifer Lawrence sobre a desigualdade de salários entre atores e atrizes em Hollywood ao mega-sucesso <i>Mad Max &#8211; Estrada da Fúria</i> e a icônica personagem interpretada por Charlize Theron no filme de George Miller, a Imperatriz Furiosa, nunca se discutiu tanto o lugar das mulheres nas narrativas cinematográficas como agora. <i>As Sufragistas </i>seria a &#8220;cereja no bolo&#8221; de toda esta atmosfera saudável de debates, prometendo levar a discussão para a temporada de premiações. O grande problema é que a recepção norte-americana ao filme não foi muito calorosa e o longa teve pouquíssimas menções em prêmios que antecedem o Oscar, nem mesmo nomeações ao trabalho da atriz Carey Mulligan, que parecia uma das poucas seguranças do filme, surgiram nas listas de indicados ao Globo de Ouro ou ao SAG Awards. E não é querendo ser &#8220;agorento&#8221; não, mas esta ausência é bem merecida. Ainda que <i>As Sufragistas </i>esteja longe de ser um desastre cinematográfico, é um filme bem morno, previsível e emocionalmente mecânico.</p>
<figure id="attachment_4192" aria-describedby="caption-attachment-4192" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4192 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/12/Suffragette-620x326.jpg" alt="Suffragette" width="620" height="326" /><figcaption id="caption-attachment-4192" class="wp-caption-text">Menos de 3 minutos: Meryl Streep tem pouquíssimos minutos em cena no filme &#8220;As Sufragistas&#8221;</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><i>As Sufragistas </i>é baseado em eventos reais e conta parte da trajetória do movimento feminista na Inglaterra. O filme é ambientado no início do século XX e traz o grupo reivindicando o direito ao voto através de atos coordenados para chamar a atenção das autoridades públicas. A trama é centrada na adesão de Maud Watts, um jovem trabalhadora de uma fábrica, que mesmo sem ter nenhuma formação política se envolve com o movimento.</p>
<p>A diretora Sarah Gavron dirige o seu longa com propósitos muito claros e isso fica evidente desde o início de <i>As Sufragistas</i>: mostrar o quanto a causa das suas personagens foi e continua sendo importante. É uma pena que a realizadora torne tudo muito didático, usando um leve maniqueísmo na construção dos seus personagens, e flertando com chavões de dramas políticos que tornam a trama emocionalmente fria, ainda que vez ou outra busque criar uma empatia entre o espectador e a situação das suas personagens. Gavron opta por um filme burocrático, por uma narrativa &#8220;quadradona&#8221; ao estilo de telefilmes históricos da BBC, o que enfraquece e muito <i>As Sufragistas </i>como filme.</p>
<figure id="attachment_4191" aria-describedby="caption-attachment-4191" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4191 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/12/suffragette-fr-02-670-380-620x352.jpg" alt="suffragette-fr-02-670-380" width="620" height="352" /><figcaption id="caption-attachment-4191" class="wp-caption-text">Feminista por acaso: Centro da narrativa é a operária Maud Watts, interpretada com precisão por Carey Mulligan.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Do elenco, Carey Mulligan é o único destaque, já que a sua personagem é o centro de toda a trama de <i>As Sufragistas</i>. A atriz está muito bem como Maud Watts, optando por uma interpretação repleta de sutilezas. Ainda assim, é preciso sublinhar que não é o melhor desempenho da sua carreira (este continua sendo em <i>Shame</i>) e não mereceria menção a prêmios como alguns previram meses atrás. Os demais atores, incluindo aqui Helena Bonham Carter, Anne-Marie Duff, Romola Garai, Ben Whishaw, Brendan Gleeson e, claro, Meryl Streep, não tem grande destaque que mereça uma maior atenção, todos flanam na história de Maud Watts. Meryl Streep é o maior exemplo disso, com menos de três minutos em cena (não estou sendo exagerado, cronometrado deve dar isso mesmo), a atriz só por ter o seu nome vinculado ao projeto gera uma expectativa frustrada no público (afinal é Meryl Streep) e acaba chamando muita atenção para uma <i>cameo</i>, ofuscando a própria obra.</p>
<p>Em tom esquemático, <i>As Sufragistas </i>acaba se impondo pela própria história que busca contar &#8211; que de fato é muito importante e, mais do que nunca, merece ser conhecida. O filme  em si decepciona pela falta de personalidade da sua condução e por navegar em águas tão mornas que não fossem o seu desfecho e aquilo que antecede os seus créditos finais seria um filme esquecível, uma pena pois aquilo que lhe dá origem merecia um tratamento melhor.</p>
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