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	<title>Arquivos Anya Taylor-Joy - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Anya Taylor-Joy - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Critica: Furiosa &#8211; Uma Saga Mad Max</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 May 2024 11:45:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A estreia de Furiosa: Uma Saga Mad Max marca o retorno de uma das mais célebres franquias de ação dos cinemas. Chegando aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (23), o longa-metragem chama uma legião de fãs ansiosos por mais um capítulo repleto de corridas em desertos, explosões e distopia futurística. O novo filme vem para expandir a história de uma personagem já conhecida pelo público desde Mad Max: Estrada da Fúria (2015). Com sua recente exibição no Festival de Cannes e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A estreia de <strong><em>Furiosa: Uma Saga Mad Max</em></strong> marca o retorno de uma das mais célebres franquias de ação dos cinemas. Chegando aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (23), o longa-metragem chama uma legião de fãs ansiosos por mais um capítulo repleto de corridas em desertos, explosões e distopia futurística. O novo filme vem para expandir a história de uma personagem já conhecida pelo público desde <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mad-max-estrada-da-furia/"><em>Mad Max: Estrada da Fúria (2015)</em></a>. Com sua recente exibição no Festival de Cannes e seus quase 10 minutos de aplausos, é inevitável que se crie ainda mais expectativas no público sobre a nova produção.</p>
<p>É evidente que, quem de fato é fã da franquia, não vai assistir <strong><em>Furiosa</em></strong> por conta do burburinho de Cannes. Existe uma fidelização entre o gênero de ação e seu público muito claro &#8211; como vemos em filmes com os da franquia <em>Velozes e Furiosos (2001-)</em>. Apesar disso, a ideia de expandir a história da personagem-título, antes vivida por Charlize Theron (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura/"><em>Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</em></a>, de 2022, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-velozes-e-furiosos-10/"><em>Velozes e Furiosos 10</em></a>, de 2023) e agora comandada por Anya Taylor-Joy (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-menu/"><em>O Menu</em></a>, de 2022, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><em>Duna: Parte 2</em></a>, de 2024), gera uma curiosidade. Afinal, quando se fala de um universo distópico tão brutal quanto <strong><em>Mad Max</em></strong>, não se espera nada menos do que essa composição de choques e exageros tão característicos da franquia.</p>
<p>Na cadeira da direção, o público vê, mais uma vez, o retorno de George Miller. Depois de quase 10 anos, o cineasta australiano retorna para sua narrativa cativa que marcou o início de sua carreira. <strong><em>Mad Max</em></strong>, que já tem seus 45 anos, volta aos cinemas com o quinto longa do universo. Dessa vez, a ideia do diretor e roteirista é voltar alguns anos no passado para contar ao público a história da marcante e premiada personagem do filme anterior da franquia. O diretor se mantém fiel a sua essência, talvez com um truque ou outra a mais na manga, mas não foge do esperado com a direção de <strong><em>Furiosa</em></strong>.</p>
<p><em><strong>Furiosa</strong></em> conta a história de origem de sua personagem-título. Dividido em 5 partes, o espectador passa a ver suas desventuras desde o momento que ela se separa de sua família até ir parar na Cidadela, sob os desmandos insanos e cruéis de Immortan Joel (Lachy Hulme). Majoritariamente, a história é centralizada no período em que Furiosa (Anya) vive seu confronto de anos com Dementus (Chris Hemsworth), o responsável por tirar tudo dela, inclusive sua família.</p>
<figure id="attachment_18141" aria-describedby="caption-attachment-18141" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-18141" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furiosa-3-750x500.jpg" alt="Furiosa: Uma Saga Mad Max (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furiosa-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furiosa-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furiosa-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furiosa-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Furiosa-3.jpg 1013w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18141" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Furiosa: Uma Saga Mad Max&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>A ideia, como pontuado anteriormente, é estrategicamente interessante e financeiramente efetiva por conta da fidelidade dos fãs. No entanto, é questionável, para um olhar menos apaixonado pela história, se ela se faz necessária. A sensação que dá ao final do filme é que, assim como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rogue-one-uma-historia-star-wars/"><em>Rogue One: Uma História Star Wars (2016)</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-han-solo-uma-historia-star-wars/"><em>Han Solo: Uma História Star Wars (2018)</em></a>, <strong><em>Furiosa</em></strong> é mais uma forma de prender o público em um <em>looping</em> de repetições de uma fórmula que já deu certo. No fim, parece que é só mais um jeito de arrancar dinheiro dos fãs de <strong><em>Mad Max</em></strong> com a retroalimentação de algo que parece não sair do lugar.</p>
<p><strong><em>Furiosa</em></strong> é indiscutivelmente bem executado, tal qual seus antecessores. Visualmente falando &#8211; seja na direção de arte como na fotografia &#8211; o resultado do novo filme é tão bem trabalhado como no filme de 2015. Ou seja, no que diz respeito à direção, estética e resultado final do projeto, a nova produção do universo <strong><em>Mad Max</em></strong> é bem feita. As perguntas que ressoam ao final da sessão, no entanto, são: precisava mesmo de mais um filme? A história se faz relevante o suficiente para justificar o retorno à franquia?</p>
<p>É importante destacar, contudo, que o desempenho da dupla principal de artistas é louvável. Ainda que sem o mesmo impacto de Charlize, Anya deixa a sua marca e tem cenas fortes &#8211; especialmente no final de <em><strong>Furiosa</strong></em>. Da mesma forma, Chris Hemsworth (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-thor-amor-e-trovao/"><em>Thor: Amor e Trovão</em></a>, de 2022) entrega um trabalho surpreendente por se distanciar de seus desempenhos mais conhecidos. Apesar de proporcionar esses momentos interessantes e de ter uma estética e visualidade bem elaboradas, o longa não vai além disso. Não há nada demais no roteiro co-escrito por Miller e Nico Lathouris (<em>Mad Max: Estrada da Fúria</em>, de 2015). A produção parece não correr riscos e se mantém apenas bebendo do que já foi feito durante a franquia.</p>
<p><strong><em>Furiosa</em></strong> está longe de ser um filme ruim &#8211; especialmente para os fãs do cinema de ação -, mas tudo aquilo que Miller conseguiu trazer de diferente em <em>Estrada da Fúria</em> se perde aqui. Assim como nos primeiros filmes da franquia, esta narrativa foca mais na imagem do que na força da construção do texto (e aqui não me refiro aos diálogos, mas na construção do roteiro) e dos contextos dos personagens, vivendo apenas do seu antecessor direto. A sensação que fica é que a produção não inova em absolutamente nada, a não ser em novas possibilidades esdrúxulas de mortes, explosões e capotamentos de carros durante as cenas de perseguição.</p>
<p><strong>Direção:</strong> George Miller</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Anya Taylor-Joy, Chris Hemsworth, Tom Burke e Alyla Browne</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/GZ01fSgExeU?si=RaJzk6tInSRxo_eg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Super Mario Bros. O Filme</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Apr 2023 12:00:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Adaptações costumam ser um caminho perigoso no audiovisual. Seja nas narrativas seriadas ou nos cinemas, o resultado de um livro ou jogo querido levado para outra mídia pode ser desastroso. Quando se fala em adaptações de video games, o problema se agrava ainda mais. O histórico desastroso veio dos anos 1980 e continua até hoje com, por exemplo, o lançamento do altamente criticado Mortal Kombat (2021). Ainda que tenham seus erros, adaptações como a série do HBO Max, The Last [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Adaptações costumam ser um caminho perigoso no audiovisual. Seja nas narrativas seriadas ou nos cinemas, o resultado de um livro ou jogo querido levado para outra mídia pode ser desastroso. Quando se fala em adaptações de <i>video games</i>, o problema se agrava ainda mais. O histórico desastroso veio dos anos 1980 e continua até hoje com, por exemplo, o lançamento do altamente criticado <i>Mortal Kombat</i> (2021).</p>
<p>Ainda que tenham seus erros, adaptações como a série do HBO Max, <i>The Last of Us</i> (2023-) provam que ainda é possível mudar uma narrativa de mídia sem que ela perca a qualidade e/ou sua essência. Daí vem a ideia de uma nova versão, agora animada, do clássico jogo do Super Nintendo. O filme <b><i>Super Mario Bros. O Filme</i></b>, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (6), vem para apagar o fracasso de sua adaptação anterior.</p>
<p>Com a missão de conquistar os fãs frustrados há 30 anos e novos espectadores, a produção da Illumination tem uma missão nada fácil. <b><i>Super Mario Bros. O Filme </i></b>acerta na nostalgia nos momentos cômicos, nos <i>easter eggs</i> para os conhecedores do jogo, mas esquece de aprofundar a sua base narrativa. O problema que fica evidente logo nos primeiros 20 minutos de filme é, na verdade, uma questão estrutural da produtora.</p>
<p>Ainda que com sucessos de público, as animações da Illumination costumam ter uma narrativa rasa e majoritariamente infantil. Diferente de suas principais concorrentes, a Disney e Pixar, o estúdio que trouxe ao mundo a franquia <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-meu-malvado-favorito-3/"><i>Meu Malvado Favorito</i></a> (2010-2022) tem dificuldades em tornar suas histórias mais densas. Possivelmente por uma questão de público, o costume não mudou e <b><i>Super Mario Bros. O Filme</i></b> segue essa máxima rasa em seu roteiro.</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16639 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Super-Mario-Bros.-1-750x500.jpg" alt="Super Mario Bros. O Filme (2023)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Super-Mario-Bros.-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Super-Mario-Bros.-1-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Super-Mario-Bros.-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Super-Mario-Bros.-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Super-Mario-Bros.-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Super-Mario-Bros.-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Super-Mario-Bros.-1-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Super-Mario-Bros.-1.jpg 1620w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É preciso reforçar, no entanto, que esse pano de fundo infantilizado da história não faz de <b><i>Super Mario Bros. O Filme</i></b> um produto ruim. Isso apenas faz com que ela não alcance voos maiores. O exemplo disso são as gargalhadas e os sorrisos arrancados por momentos nostálgicos ao longo da curta uma hora e meia de duração.</p>
<p>O projeto se apega na máxima da empresa a ponto de reverter seus esforços narrativos em criar momentos engraçados e recheados de <i>easter eggs</i>. Assim, ir à sessão do longa-metragem esperando algo inovador ou profundo é frustração garantida. Por outro lado, se o público deseja um divertimento livre de reflexões existencialistas e bastante nostalgia, <b><i>Super Mario Bros.</i></b> é o filme certo.</p>
<p>Em meio ao turbilhão de cores vibrantes e memórias do clássico jogo do Super Nintendo, o longa tem um elenco de vozes extraordinário &#8211; seja em sua versão original como na dublagem brasileira. No entanto, é preciso enaltecer o trabalho da dublagem nacional, em especial em animações. O trabalho de voz dos atores e atrizes que participaram de <b><i>Super Mario Bros. O Filme</i></b> é extraordinário. Dublagem essa que é um dos elencos que ajuda a sustentar o filme, mesmo em seus momentos de deslize.</p>
<p>Assim, a tão aguardada produção sobre um dos jogos mais queridinhos da história irá divertir multidões e, possivelmente, ter uma arrecadação impressionante. Uma possível sequência ou <i>spin-off</i> é inevitável no mundo de hoje e em breve deve vir outras narrativas com o bigode mais famoso do <i>video game</i>. Apesar da sua falta de densidade e camadas narrativas, <b><i>Super Mario Bros.</i></b> ainda consegue ser um divertido programa em família num domingo à tarde.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Aaron Horvath e Michael Jelenic</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Charlie Day, Jack Black, Keegan-Michael Key, Seth Rogen e Fred Armisen</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Cb4WV4aXBpk?si=Z_03JEcne6HQRxJz" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Menu</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Dec 2022 18:07:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A explosão da gastronomia nos últimos anos motiva os mecanismos da crítica social desenvolvida em O Menu. O filme de Mark Mylod (de alguns episódios de séries como Game of Thrones e Succession) traz um grupo de convidados de um renomado chef interpretado por Ralph Fiennes para degustar um cardápio exclusivo preparado por ele em um restaurante cuja cozinha administra e está localizado em uma ilha particular. Na lista, onze convidados: um jovem apaixonado por gastronomia e sua namorada, uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A explosão da gastronomia nos últimos anos motiva os mecanismos da crítica social desenvolvida em <strong><em>O Menu</em></strong>. O filme de Mark Mylod (de alguns episódios de séries como Game of Thrones e Succession) traz um grupo de convidados de um renomado chef interpretado por Ralph Fiennes para degustar um cardápio exclusivo preparado por ele em um restaurante cuja cozinha administra e está localizado em uma ilha particular. Na lista, onze convidados: um jovem apaixonado por gastronomia e sua namorada, uma crítica gastronômica e seu editor, um casal de ricaços em crise matrimonial, um astro de Hollywood decadente e sua namorada e um grupo de três sócios de uma grande empresa. Ao longo da degustação, os convidados percebem que foram atraídos por uma armadilha do chef.</p>
<p><em><strong>O Menu</strong></em> é movido por um humor ácido e cerca o grupo de visitantes da ilha com um estado de apreensão deixado pelo personagem de Ralph Fiennes. A partir dos primeiros sinais de que aquela não é uma degustação comum e de que todos estão na mira de um chef psicótico, os personagens do filme passam a antever como tudo aquilo tende a piorar e resultar em tragédia. O chef Slowik ultrapassa fronteiras e vai em uma escalada surpreendente de sadismo que colabora com o crescente suspense do longa.</p>
<p>A crítica do filme é localizada e evidente. Através do grupo de vítimas selecionadas por Slowik &#8211; críticos, a alta sociedade, celebridades e entusiastas alienados da alta gastronomia &#8211; , o longa fala sobre o estado das coisas na área. Em tempos de hype midiático dos chefs de cozinha, <strong><em>O Menu</em></strong> escancara o caráter utilitarista da gastronomia, evidenciando como o ramo da alimentação entrou na arena da luta de classes: a prevalência de conceitos em prejuízo do paladar, o uso de termos pomposos para a descrição de sabores, o status social que a gastronomia confere àqueles que performam sua apreciação etc.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16196" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5619680.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Menu" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5619680.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5619680.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5619680.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/5619680.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No final das contas, o objetivo da prática acaba sendo esvaziado no meio de tanta pompa. Como o próprio desfecho da personagem de Anya Taylor-Joy denuncia, a relação entre clientes e chefs deveria ser baseada em dinâmicas muito simples, o prazer de comer algo bem-feito e que agrada espontaneamente um paladar e a retribuição pecuniária por esse trabalho bem executado na cozinha.</p>
<p>A maneira certeira como o filme analisa os principais problemas em torno do seu tema e como apresenta personagens interessantíssimos, do chef psicologicamente destruído, mas obstinado em seus objetivos interpretado por Ralph Fiennes à deslocada convidada vivida por Anya-Taylor Joy, passando pelo egocêntrico e obcecado fã representado por Nicholas Hoult e a crítica prolixa de Janet McTeer, todos têm um grande momento no filme. <em><strong>O Menu</strong></em> é um filme de elenco, mas que apresenta direção e roteiro maduros no desenvolvimento da sua crítica.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mark Mylod</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Ralph Fiennes, Anya Taylor-Joy, Nicholas Hoult, Hong Chau, Janet McTeer, Reed Birney, Judith Light, Paul Adelstein</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lfbYsIIFYaw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Homem do Norte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2022 15:24:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Robert Eggers é um dos cineastas mais cultuados pela atual geração de fãs do cinema de horror. O diretor de A Bruxa e O Farol faz sua primeira grande concessão à indústria com O Homem do Norte. Eggers é cria da A24, a mais renomada casa do cinema independente na atualidade, e construiu sua fama como um dos principais nomes do horror contemporâneo com filmes de baixo orçamento e apurado senso artístico. Em O Homem do Norte, o cineasta sai [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Robert Eggers é um dos cineastas mais cultuados pela atual geração de fãs do cinema de horror. O diretor de A Bruxa e O Farol faz sua primeira grande concessão à indústria com <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>. Eggers é cria da A24, a mais renomada casa do cinema independente na atualidade, e construiu sua fama como um dos principais nomes do horror contemporâneo com filmes de baixo orçamento e apurado senso artístico. Em <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>, o cineasta sai da A24 e concebe com a Focus Features, subsidiária da Universal Studios, um épico viking com um orçamento de cerca de US$ 60 milhões cuja história teria inspirado William Shakespeare a escrever Hamlet, peça sobre um príncipe que retorna para o seu reino para vingar a morte do pai, assassinado brutalmente pelo seu próprio tio.</p>
<p>O mais incrível desta primeira incursão de Eggers por um &#8220;cinema de estúdio&#8221; é que ele consegue encontrar um equilíbrio interessante entre oferecer um filme mais palatável para o grande público com aspiração para o clássico, algo que A Bruxa e O Farol não foram (se é que podemos classificar <em><strong>O Homem do Norte</strong></em> como um filme agradável para uma audiência média), mas que não perde em momento algum a sua autenticidade. Na tela, é inegável que o longa possui os vestígios da assinatura do seu cineasta. Isso contraria os boatos de que o estúdio tinha interferido bastante em O Homem do Norte a ponto de incomodar o próprio cineasta, que, dizem, parece não estar mais interessado nesse tipo de experiência. Se foi como dizem, isso não é sentido na tela, o épico viking do diretor é uma obra bem consistente.</p>
<p><em><strong>O Homem do Norte</strong></em> é inegavelmente &#8220;cria&#8221; de Eggers com toda a sua ação bruta, ríspida, crua e violenta. A violência é gráfica e o cineasta enche o filme de vestígios da brutalidade dos ritos dos guerreiros vikings com imagens que causam repulsa tal qual alguns dos mais emblemáticos momentos de A Bruxa e O Farol. O diretor ainda consegue trazer para o seu épico uma atmosfera fria (não só pelo clima) e até suas inclinações para o folk horror, com a presença determinante de bruxas, uma encarnada por Anya Taylor-Joy e outra por Björk, em participação especial que não dura mais que cinco minutos.</p>
<p><em><strong>O Homem do Norte</strong></em> acompanha a saga de Amleth (Alexander Skarsgard), príncipe que testemunha a morte do pai, o rei Aurvandil (Ethan Hawke) pelas mãos do tio Fjölnir (Claes Bang). O ardil parente do príncipe não só assassina o irmão e toma o reino do seu pai, como se torna o novo marido da sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman). Quando adulto, Amleth se infiltra nos domínios da sua família como um escravo e passa a colocar em prática seu plano de vingança com a ajuda de Olga (Anya Taylor-Joy), uma jovem bruxa por quem acaba se apaixonando.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15505" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor-.jpg" alt="O Homem do Norte" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor-.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>O Homem do Norte</em> </strong>consegue capturar com verossimilhança o seu contexto histórico em elementos plásticos como fotografia, direção de arte e figurino, mas também em toda a preparação que seu elenco teve que se submeter. Os homens do filme são verdadeiras massas brutas, preparados para causar e suportar qualquer ato de violência com objetividade e sem remorso. As mulheres, por sua vez, exibem uma certa melancolia por serem relegadas a segundo plano ao passo que igualmente ganham uma &#8220;casca&#8221; na medida em que criam as suas próprias armas para sobreviver nesse contexto.</p>
<p>O filme é, claro, dominado pela performance dedicada do seu protagonista Alexander Skarsgard. O ator convence o espectador desde o momento em que surge na tela vestido de lobo uivando com olhar obsessivo para o vazio. A performance de Skarsgard de certa forma acaba assumindo o próprio tom do filme, uma narrativa seca repleta de personagens que perderam a humanidade ou estão com ela por um fio. É claro que Skarsgard se preparou fisicamente para o papel, mas, diferente da composição de alguns dos seus colegas para papéis similares &#8211; basta pensarmos nos filmes da Marvel -, o ator não reduz a ideia de transformar o seu protagonista em uma besta humana simplesmente pela aquisição de massa muscular. Alexander Skarsgard trabalha toda a brutalidade do personagem, uma verdadeira muralha em forma de gente, na expressão corporal encurvada e ameaçadora que exibe durante boa parte de <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>. Skarsgard consegue traduzir essa brutalidade de Amleth até mesmo na seara afetiva do personagem, já que o protagonista se revela um sujeito com extrema dificuldade de comunicar sentimentos &#8211; algo perfeitamente compreensível dado o background do personagem. Com isso, Amleth tem dificuldade para ceder espaço a emoções mais à flor da pele, mesmo quando parece senti-las, como acontece em diversos momentos nos quais divide a cena com as personagens de Kidman e Taylor-Joy, sua mãe e namorada, respectivamente.</p>
<p>Os demais atores do filme têm grandes momentos (Taylor-Joy, Claes Bang, Ethan Hawke, Willem Dafoe), mas não poderíamos deixar de mencionar a grande oportunidade que Robert Eggers dá a Nicole Kidman de protagonizar a cena de maior impacto de toda a história ao lado de Skarsgard. Durante todo <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>, a rainha Gudrún parece ficar em segundo plano nos reinados dos seus maridos (Hawke e Bang), no entanto, é em um monólogo para o filho já adulto que a personagem revela por completo a sua natureza e como é interessante ver a atriz dominar com maestria cada linha daquele texto.</p>
<p>Quem estava com receio de Robert Eggers desvirtuar o cunho autoral do seu cinema com <strong><em>O Homem do Norte</em></strong> pode respirar aliviado por o longa é tão macabro e místico quanto suas obras anteriores. Com um visual caprichado, o filme abusa da violência e oferece cenas de ação que prendem o espectador na poltrona (destaque para o duelo final entre os personagens de Skarsgard e Bang em meio às lavas de um vulcão prestes a entrar em erupção). Ao mesmo tempo, quem tinha um certo receio de se aventurar pelo cinema do cineasta por sua inclinação para o horror e por isso evitou A Bruxa e O Farol, terá nesse longa uma ótima oportunidade para conhecer o trabalho do cineasta.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robert Eggers</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Ethan Hawke, Björk, Willem Dafoe, Gustav Lindh</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/59iAzYuo2Qk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Noite Passada em Soho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Nov 2021 00:10:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O horror no cinema se divide em muitas formas e têm roupagens diferentes, possibilitando inúmeros tipos de experiências. O espectador pode se deparar com o gore de O Massacre da Serra Elétrica (1974), o slasher renovado por Pânico (1998), com o terror sobrenatural de Poltergeist &#8211; O Fenômeno (1980), com o terror psicológico de Psicose (1960), entre outras possibilidades. Como toda arte, revisitar o passado é uma forma eficaz e potente de aprender e renovar suas criativas. E este é [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O horror no cinema se divide em muitas formas e têm roupagens diferentes, possibilitando inúmeros tipos de experiências. O espectador pode se deparar com o gore de <em>O Massacre da Serra Elétrica</em> (1974), o slasher renovado por <em>Pânico</em> (1998), com o terror sobrenatural de <em>Poltergeist &#8211; O Fenômeno</em> (1980), com o terror psicológico de <em>Psicose</em> (1960), entre outras possibilidades. Como toda arte, revisitar o passado é uma forma eficaz e potente de aprender e renovar suas criativas. E este é o feito mais interessante de <strong><em>Noite Passada em Soho</em></strong>, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (18).</p>
<p>Eloise (Thomasin Mckenzie, <em>Tempo</em>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jojo-rabbit/"><em>Jojo Rabbit</em></a>, de 2019) se muda para Londres em busca de seu sonho: ser uma designer de moda. Apaixonada pelos anos 1960, ela consegue se conectar com lembranças desta época. As memórias eram de Sandie (Anya Taylor-Joy, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-emma-now/">Emma</a>, de 2020, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vidro/">Vidro</a>, de 2019), uma aspirante a cantora que, assim como Eloise, vai para Londres viver seu sonho. No entanto, as memórias de Sandie passam a ser um pesadelo para a jovem estudante de moda, quando ela descobre que voltar ao passado pode significar descobrir um lado sombrio de Londres e da vida da mulher misteriosa do passado.</p>
<p>A história dirigida e co-roteirizada pelo inglês, Edgar Wright (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-em-ritmo-de-fuga/"><em>Em Ritmo de Fuga</em></a>, de 2017, e <em>Scott Pilgrim contra o Mundo</em>, de 2010) é um mergulho saudoso e inventivo sobre o passado dentro e fora das telas. De um lado, o terror psicológico bebe na fonte de clássicos como a obra-prima de Alfred Hitchcock, sem perder de vista seu potencial narrativo próprio. De outro, o roteiro de Wright e Krysty Wilson-Cairns (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-1917/"><em>1917</em></a>, de 2019) leva o espectador a embarcar numa viagem no tempo estética, performática e musical.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14785" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho-4-1280x720-1.jpg" alt="Noite Passada em Soho" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho-4-1280x720-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho-4-1280x720-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho-4-1280x720-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/noite-passada-em-soho-4-1280x720-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Como já se sabe, Wright é apaixonado por música e isso é uma clara característica em seus filmes. <em>Em Ritmo de Fuga</em>, por exemplo, somos conduzidos pelas emoções do personagem principal a partir das músicas que ele escuta. Em <strong><em>Last Night in Soho</em></strong> (título original), o diretor decide usar as músicas como elo temporal que estabelece para o público as características gerais do filme &#8211; em especial às cenas que se passam na década de 1960. A música consegue criar a atmosfera do filme como um todo.</p>
<p>Essa estética dos anos 1960 permite que o espectador compre certas ações não tão convencionais no cinema contemporâneo. A crítica exterior criticou as ações dos personagens e a dificuldade de aceitar certas decisões feitas por eles. A questão sobre essas ações é que elas fazem parte da construção deste imaginário feito por Wright. Ele consegue conduzir o espectador ao universo entre tempos criados.</p>
<p>O segredo de <strong><em>Noite Passada em Soho</em></strong> é se entregar ao que o filme propõe. A jornada pode causar estranhamento num primeiro momento porque existe uma aproximação relevante aos contextos, conceitos e concepções dos anos 1960, incluindo as atuações. Existe um clima sessentista mesmo na parte que se passa no presente do filme. E quando o público se permite embarcar nessa jornada, é indiscutível a qualidade entregue pela produção.</p>
<p>Para além do resultado visual e do brilhantismo da concepção, existe um roteiro coeso que merece ser louvado. A construção do terror que Eloise vive ao vislumbrar um passado sombrio e violento é poderosa. O cuidado perceptível no roteiro entre beber do passado e recriar o presente é outro ponto alto da narrativa. Ao fim da sessão, o espectador sai impressionado com uma história de fantasmas revitalizada e com uma surpresa impactante e cheia de referências.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Edgar Wright</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Thomasin McKenzie, Anya Taylor-Joy, Matt Smith, Diana Rigg, Terence Stamp, Rita Tushingham, Synnove Karlsen, Jessie Mei Li</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/P0SPVsmWT_0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Emma (Now)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2020 00:27:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A carreira inteira da escritora Jane Austen já rendeu diversas adaptações cinematográficas. Emma, por exemplo, já teve um filme de 1996 com Gwyneth Paltrow (Vingadores: Ultimato) e Ewan McGregor (Doutor Sono), uma leitura para os dias atuais com As Patricinhas de Beverly Hills, uma minissérie para a BBC e, mais recentemente, no Brasil rendeu uma inserção em uma telenovela da Rede Globo que também trazia outras personagens da autora na trama. Mais uma versão desse clássico da literatura chega para [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A carreira inteira da escritora Jane Austen já rendeu diversas adaptações cinematográficas. <strong><em>Emma</em></strong>, por exemplo, já teve um filme de 1996 com Gwyneth Paltrow (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Vingadores: Ultimato</em></a>) e Ewan McGregor (<em>Doutor Sono</em>), uma leitura para os dias atuais com <em>As Patricinhas de Beverly Hills</em>, uma minissérie para a BBC e, mais recentemente, no Brasil rendeu uma inserção em uma telenovela da Rede Globo que também trazia outras personagens da autora na trama. Mais uma versão desse clássico da literatura chega para as telas e poderíamos olhar para esse material com uma certa ressaca de quem supõe que nada de novo pode ser acrescentado a essa história. Ledo engano. O filme de Autumn de Wilde é um revigorante olhar para o universo de Austen ao mesmo tempo em que é extremamente fiel a sua obra quando reconta a história da sua adorável jovem casamenteira.</p>
<p>A adaptação de <em><strong>Emma</strong> </em>de 2020 é um ambicioso projeto estético, não economizando nas cores do seu figurino, na opulência dos seus cenários e nos milimetricamente calculados detalhes dos seus planos. Todos os recursos cinematográficos da história, sobretudo os visuais, querem se fazer presentes aos olhos do espectador e fazem isso de uma maneira que enche os olhos com sua criatividade e exuberância. O casamento desses recursos narrativos traz um grande frescor para a adaptação.</p>
<p>Esta versão de <strong><em>Emma</em> </strong>é dotada de um certo artificialismo que faz bem à experiência de assisti-lo. Tudo em Emma chama a atenção para sua encenação e para os mecanismos narrativos da sua obra, é um longa extremamente autoconsciente da sua própria engrenagem. <em><strong>Emma</strong> </em>tem consciência de quando é melodramático, malicioso, ácido e romântico e mesmo nesses momentos em que olha para todo o maquinário que faz a engrenagem dessa história se movimentar, ele não é sarcástico ou faz chacota do seu material original, mas, com toda sua metalinguagem, consegue ser bastante fiel ao espírito do romance que lhe é fonte de adaptação.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12814" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/05/1290232.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Emma " width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/05/1290232.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/05/1290232.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/05/1290232.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Como se não bastasse, <strong><em>Emma</em> </strong>possui um elenco muito bem escalado. Anya Taylor-Joy (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bruxa/"><em>A Bruxa</em></a>) faz um retrato carismático e cheio de nuances da heroína e encontra em Johnny Flynn (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-acima-das-nuvens/"><em>Acima das Nuvens</em></a>) um par que consegue se aproximar dos apelos comuns aos interesses amorosos das protagonistas de Austen. Mia Goth (<em>Suspíria &#8211; A Dança do Medo</em>) rouba a cena em inúmeros momentos como a ingenua Harriet Smith, amiga de Emma. Há ainda Miranda Hart (<em>O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos</em>) que, na pele da Sra. Bates, uma mulher simples que idolatra Emma, acaba &#8220;carregando nas costas&#8221; uma das cenas mais reveladoras e comoventes do longa.</p>
<p>Todos os componentes das histórias de Austen estão nessa leitura de <em><strong>Emma</strong> </em>feita por Autumn de Wilde, mas aquilo que o filme tem de faísca é a maneira como ele oscila entre o melodrama, a comédia de costumes e uma metalinguagem na forma como aborda a sociedade e as relações inter-pessoais da época através da sua <em>mise-en-scène</em> e seus recursos plásticos. É o tipo de leitura que agrada aqueles que já conhecem o material e apresenta de maneira apaixonante sua protagonista para uma nova geração sem precisar transportá-la para um outro contexto, apenas deixando Emma ser Emma, o que muda aqui, e é muito bem-vindo, é o invólucro que o cineasta traz para sua heroína e sua jornada, algo que só contribui para a apreciação do material original e singulariza essa experiência como algo novo em alguma instância da memória do público.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Autumn de Wilde<br />
<strong>Elenco:</strong> Anya Taylor-Joy, Johnny Flynn, Mia Goth, Bill Nighy, Miranda Hart, Callum Turner, Gemma Whelan, Josh O&#8217;Connor</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ZVImlMG8WqI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Bruxa</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bruxa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Mar 2016 21:14:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Bruxa]]></category>
		<category><![CDATA[Anya Taylor-Joy]]></category>
		<category><![CDATA[Kate Dickie]]></category>
		<category><![CDATA[Ralph Ineson]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Eggers]]></category>
		<category><![CDATA[Terror]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por muitos anos, os fãs do gênero terror se queixaram da produção de filmes ruins nesse nicho da indústria. Muitos remakes de filmes orientais, muitas fórmulas narrativas e muito artificialismo estético voltado para a produção de efeitos nas plateias em títulos que se multiplicavam pelo circuito de exibição, todos eles priorizando uma série de truques cinematográficos e esquecendo alguns dos principais elementos que fazem o gênero conceber histórias de gelar a espinha de qualquer ser humano com sangue correndo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Por muitos anos, os fãs do gênero terror se queixaram da produção de filmes ruins nesse nicho da indústria. Muitos <i>remakes </i>de filmes orientais, muitas fórmulas narrativas e muito artificialismo estético voltado para a produção de efeitos nas plateias em títulos que se multiplicavam pelo circuito de exibição, todos eles priorizando uma série de truques cinematográficos e esquecendo alguns dos principais elementos que fazem o gênero conceber histórias de gelar a espinha de qualquer ser humano com sangue correndo em suas veias: uma atmosfera de medo ascendente e uma construção narrativa envolvente com a composição de personagens marcados por densos conflitos psicológicos. Filmes como <i>O Exorcista </i>ou <i>O Iluminado </i>não são sucessos até hoje à toa. Acontece que nos últimos anos ficamos muito bem servidos, não temos do que reclamar. Desde <i>Invocação do Mal </i>de 2013, somos surpreendidos todo ano por longas que primam por essas características e deixam de lado qualquer truque malandro para assustar criancinhas. Títulos como <i>Corrente do Mal</i>, <i>A</i> <em>Visita</em>, <em>The Babadook</em><i> </i>(disponível no Netflix) e o austríaco <i>Boa Noite, Mamãe! </i>são ótimos exemplares dessa recente leva. <i>A Bruxa </i>segue o caminho de todos eles ao apoiar-se em lendas inglesas sobre bruxaria a partir de uma apavorante experiência vivenciada por uma família no interior da Inglaterra por volta de 1630.</p>
<figure id="attachment_4719" aria-describedby="caption-attachment-4719" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4719 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/02/thewitch2-620x349.jpg" alt="thewitch2" width="620" height="349" /><figcaption id="caption-attachment-4719" class="wp-caption-text">Estética aplicada: Longa beneficia-se por um uso consciente da linguagem cinematográfica em prol da construção de uma atmosfera apavorante.</figcaption></figure>
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<p>Em <i>A Bruxa </i>acompanhamos o casal William e Katherine e seus cinco filhos após serem expulsos do lugar onde moravam por terem crenças diferentes daquelas que os seus vizinhos possuíam. O casal e seus filhos então passam a viver isolados da sociedade em uma propriedade próxima de um bosque bastante sinistro. Quando o filho mais novo de William e Katherine desaparece misteriosamente uma série de eventos com todos os integrantes dessa família começam a acontecer e eles passam a travar uma disputa com forças sobrenaturais para descobrir o que de fato está por trás de todos os fenômenos que lhes são apresentados.</p>
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<p>Esteticamente requintado, soando em muitos momentos até mesmo como um longa pretensioso (mas não é), <i>A Bruxa </i>busca nas cores da sua sinistra sua fotografia e em recursos como jogos de luzes a construção de uma atmosfera sombria que contribui para a crescente tensão da sua trama central. O diretor Robert Eggers ao mesmo tempo que realiza um filme pequeno e de pouca pirotecnia digital ou violência gráfica, prioriza o uso sofisticado de uma linguagem cinematográfica para transportar o espectador para uma história sinistra que mantém o corpo gélido durante boa parte da projeção. O tom da &#8220;narração de uma lenda&#8221; está presente ao longo de todo o filme do realizador e isso além de transformar <i>A Bruxa </i>em um exercício do seu gênero muito peculiar, o qualifica como um filme extremamente eficiente em seus propósitos.</p>
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<figure id="attachment_4720" aria-describedby="caption-attachment-4720" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4720 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/02/thewitch-620x349.jpg" alt="thewitch" width="620" height="349" /><figcaption id="caption-attachment-4720" class="wp-caption-text">Ecos de A Vila: Há momentos em que o filme lembra o título dirigido por M. Night Shyamalan em 2004.</figcaption></figure>
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<p>Há uma consciência a respeito da importância que a economia dos recursos do gênero possuem para a própria eficiência do diálogo entre a obra e o seu público, fazendo com que <i>A Bruxa</i>, diferente de outros longas do nicho, não seja um filme orientado pelo terror explícito, mas um longa que permite que o sobrenatural seja revelado ao público na medida em que seus personagens mergulham nesse universo desconhecido. Ao priorizar a construção de uma história, dos seus personagens e o uso dos recursos audiovisuais em prol de um filme que não apenas consegue gerar uma cartela de efeitos de alta voltagem no espectador, mas que também serve à construção de uma obra cinematográfica esteticamente sofisticada, <i>A Bruxa </i>brinca com toda a cartela de elementos do gênero: magia negra, possessões e crianças e animais sinistros.</p>
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<p>Em certa medida, determinadas leituras sobre a paranoia coletiva e os mecanismos de controle social através do medo extraídos de filmes como <i>A Vila </i>do M. Night Shyamalan podem ser feitas, possibilitando paralelos interessantes entre as duas obras. O fato é que <i>A Bruxa </i>é um exemplar maduro de um gênero subestimado e temido por muitos, mas que quando consegue utilizar o seu programa de efeitos no espectador aliado a um poderoso jogo narrativo e estético gera filmes poderosos como esse que merecem ser vistos na tela de um cinema.</p>
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