Especial: Melhores Filmes de Guerra

Dunkirk, o novo filme de Christopher Nolan, já está em cartaz nos cinemas brasileiros e dividindo a opinião da crítica. Longe de ser uma tragédia em sua tecnicidade, o que deixa o espectador especializado em discussões imensas é se esta é ou não uma obra fantástica. A questão que incomoda em Dunkirk, na verdade, é a quantidade de elementos de efeitos visuais e sonoros, sem alívio para o espectador. Isso quebra o ritmo dele, podendo até trazer tédio durante a exibição. Outro ponto importante é falta de nuance também presente na temperatura das imagens e no texto dado de forma monocórdica pelos atores. Não há emoção que se sustente depois da terceira explosão ou tiros seguidos, sem um instante de respiro. As personagens são pouco exploradas, o que não seria uma obrigação se o foco fosse o resgate dos soldados durante a Guerra, mas seria uma opção para relaxar os olhos e os ouvidos.

Existem alguns exemplos de produções corretas e bem feitas no cinema. Pensando nesta questão, o Coisa de Cinéfilo traz agora uma lista com os melhores trabalhos do gênero de Guerra. Confiram!

Glória Feita de Sangue (Stanley Kubrick, 1957) – Estrelado por Kirk Douglas, o longa se passa na Primeira Guerra Mundial e traz como conflito um ataque mal executado contra aos alemães, que gera uma sentença de morte para três soldados. A culpa, na verdade, pertencia à um general francês. Baseado no romance de Humprey Cobb, este é o primeiro filme dirigido por Kubrick. O ganho desta projeção são os momentos de tensão bem estabelecidos, colocados com um bom timing. A fotografia colabora com a angústia que pode ser criada no público: nas cenas de guerra as imagens são cobertas de sombra e nos palácios a luz invade o fotograma. O roteiro – adaptado pelo diretor, juntamente com Calder Willingham – trabalha uma crescente aproximação do espectador com as personagens e constrói diálogos certeiros, que questionam o poder, a função e as consequências da guerra, principalmente para as pessoas individualmente.

Coração Valente (Mel Gibson, 1995) – Em uma Escócia medieval, o público conhece a figura de um homem forte e guerreiro: William Wallace (Gibson). O país do protagonista era dominado pelo rei inglês chamado Eduardo I. Cruel e impiedoso, o soberano explora os camponeses da região. A partir de alguns detalhes mais reveladores sobre a trama, Wallace se revolta e briga, junto com seus conterrâneos, para libertar sua pátria. Apesar de apresentar o um discurso maniqueísta, o filme, indicado a dez Oscar, tem algumas qualidades pontuais. A fotografia mostra toda beleza das paisagens escocesas, as interpretações são viscerais ou suaves quando cada emoção é necessária e a trajetória do herói é bem construída. O espectador primeiro conhece quem é aquela personagem, como foi sua criação e o que o levou a estar aí. Depois, as razões para a fúria dele são justificáveis, o que torna a atitude bélica explicável para alguém inicialmente mais pacífico.

E O Vento Levou… (Victor Fleming, 1939) – Vivien Leigh e Clark Gable protagonizam este clássico que mostra as dificuldades, a pobreza e os amores acontecidos durante a Guerra Civil dos Estados Unidos. É impressionante notar o que Fleming conseguia fazer quando o cinema era ainda mais jovem. As cores quentes do amarelo e laranja, junto com algo mais frio vindo do azul revelam não apenas a personalidade das personagens principais, mas os sentimentos múltiplos que ficavam nos corações das pessoas que viviam naquele período difícil.

Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009) – No sexto filme de um dos cineastas mais cultuados pelos cinéfilos, a Segunda Guerra é mostrada de uma forma totalmente diferente do comum. Isso porque os realizadores da obra não têm nenhum compromisso pelo realismo e conseguem brindar o espectador com um regozijo do que poderia ter sido a luta contra os nazistas. Além dos planos que muitas vezes misturam sensações – emoção, angústia, mostram beleza ou terror- os diálogos do longa são o ponto alto. Afiados, intensos e irônicos, Tarantino permanece fiel ao seus estilo, sem perder o clima e a forma de falar da época.

A Lista Schindler (Steven Spielberg, 1993) – Baseado no livro A Arca de Schindler, de Thomas Keneally, o longa recebeu sete Oscar e ainda conseguiu ser um sucesso de público na década de 1990. Neste filme, o foco é um pouco diferente do que normalmente se é visto em filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. A trama narra a trajetória de Schindler, um alemão, ligado ao partido nazista que acaba tendo contato com as situações terríveis pelas quais os judeus passa. Sensibilizado, após o terror presenciado, ele passa a tentar ajudar as vítimas da crueldade dos soldados do Nazismo. Umas das curiosidade mais incríveis sobre a projeção é fato dela ter sido gravada, em grande parte, em locações reais dos eventos trágicos. Bem Kingsley e Ralph Fiennes são os destaques do elenco. Quando qualquer um dos dois está presente, a cena cresce. É possível notar o cuidado na construção das personagens, seja nos gestos ou no tom de voz, eles consegue estabelecer a personalidade daqueles indivíduos e as divergências que existem em suas visões de mundo.

 

Enoe Lopes Pontes50 Posts

<p>Do blockbuster ao chamado cult, estou aqui para observar o cenário do cinema e das séries. Cinéfila desde os seis anos de idade, o vício permanece. Até hoje. Até sempre.</p>

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