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	<title>Arquivos Zoe Kazan - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Zoe Kazan - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Ela Disse</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Dec 2022 05:15:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Chegou aos cinemas nesta quinta-feira, 8 de dezembro, o longa Ela Disse, que conta a história da investigação jornalística que resultou no escândalo de crimes sexuais praticados pelo produtor Harvey Weinstein, ao longo de décadas de trabalho. Acompanhamos aqui duas jornalistas do New York Times que tiveram a coragem de mexer onde ninguém mais queria se infiltrar, por medo de ameaças e retaliações. O fato de sabermos o desfecho da história não a faz menos interessante de acompanhar. A diretora [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Chegou aos cinemas nesta quinta-feira, 8 de dezembro, o longa <strong><em>Ela Disse</em></strong>, que conta a história da investigação jornalística que resultou no escândalo de crimes sexuais praticados pelo produtor Harvey Weinstein, ao longo de décadas de trabalho. Acompanhamos aqui duas jornalistas do New York Times que tiveram a coragem de mexer onde ninguém mais queria se infiltrar, por medo de ameaças e retaliações.</p>
<p>O fato de sabermos o desfecho da história não a faz menos interessante de acompanhar. A diretora Maria Schrader (<em>O Homem Ideal</em>) consegue trilhar um caminho que mantém o espectador focado a todo momento, criando expectativa sobre quais os próximos passos que as personagens reais vão dar.</p>
<p>Além disso, ela adotou estratégias que muito me agradam no quesito apresentação de personagens. Diferente do que estamos acostumados, onde a mulher que é extremamente focada no trabalho normalmente é punida na vida afetiva e familiar, aqui temos protagonistas que lidam com os dois lados da moeda de maneira mais natural. Ambas lidam com suas próprias vidas particulares, sem deixar o trabalho de lado e contando com o apoio de seus maridos e filhos. Considero isso particularmente incrível, pois mostra que a mulher não precisa sofrer as consequências da escolha de uma carreira de poder e influência. Ela pode, sim, ser tudo o que quiser.</p>
<p>Dito isso, humanizar aquelas mulheres é fazer com que nos envolvamos ainda mais com as suas narrativas. Elas defendem com unhas e dentes aquela inicial possibilidade de história, pois acreditam que podem mudar o curso de uma sociedade doentia que privilegia os abusadores e vira as costas para as vítimas. É algo, inclusive, que fica bem claro em <strong><em>Ela Disse</em></strong>. Por mais que Harvey Weinstein seja um predador sexual, o sistema que o envolve é tão culpado quanto, ao criar circunstâncias para que ele continue se portando desta forma, sem sofrer as consequências.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16206" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4450642.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Ela Disse" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4450642.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4450642.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4450642.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4450642.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Quando Jodi Kantor (Zoe Kazan, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doentes-de-amor/"><em>Doentes de Amor</em></a>) e Megan Twohey (Carey Mulligan, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bela-vinganca/"><em>Bela Vingança</em></a>) começam a investigar e entendem toda a teia de dezenas de mulheres que estão envolvidas, percebem o quanto é fundamental que aquele trabalho siga acontecendo, apesar de todas as dificuldades que aparecem no caminho. O nome do filme, inclusive, faz uma alusão a isso, pois a maioria das vítimas falam sobre si e sobre as outras conhecidas, mas ninguém efetivamente quer dar uma declaração oficial.</p>
<p>Vale pontuar aqui a incrível combinação entre essas duas atrizes de alto escalão. Não há trabalho que Mulligan não faça com perfeição e dedicação e aqui não é diferente. Ela vive a jornalista mais madura e com experiência de uma investigação que não teve o resultado esperado, além de ter que lidar com uma depressão pós-parto. Já Zoe está na pele da profissional menos experiente e cheia de sangue nos olhos para trazer uma boa matéria investigativa. A química da dupla é excelente de acompanhar, ainda mais que é cerca de um elenco igualmente competente.</p>
<p><strong><em>Ela Disse</em> </strong>traz muito da essência de filmes sobre jornalismo investigativo, como é o caso de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-the-post-a-guerra-secreta/"><em>The Post &#8211; A Guerra Secreta</em></a> e do bem-sucedido <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-spotlight-segredos-revelados/"><em>Spotlight &#8211; Segredos Revelados</em></a>, que venceu o Oscar de Melhor Filme em 2016. Para mim, como jornalista, é como lembrar dos motivos que nos levam a se apaixonar pela profissão. Ainda que aqui no Brasil o cenário seja bem diferente e bem menos glamourizado. O filme traz ainda importantes reflexões sobre a palavra da mulher na sociedade e como ela é sempre posta em dúvida, privilegiando a honra e a reputação dos homens que nos cerca. Filme de alta qualidade que vale a pena conferir!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Maria Schrader</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Carey Mulligan, Zoe Kazan, Patricia Clarkson, Samantha Morton, Andre Braugher, Jennifer Ehle, Ashley Judd, Hilary Greer, Elle Graham</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/2e9Fs_5jsWI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Um Inverno em Nova York</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Apr 2021 18:21:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um Inverno em Nova York lança uma “tese” para o espectador no seu título original (The Kindness of Strangers, no português A Bondade de Estranhos) que será desenvolvida pela cineasta Lone Scherfig ao longo do filme. Para Scherfig, em metrópoles como Nova York, formada por recém-chegados em constante dificuldade para sobreviver, cada um desses indivíduos conta com ajuda uns dos outros. Integram a trama da diretora uma jovem fugindo com os filhos do marido agressor (Zoe Kazan, de Doentes de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Um Inverno em Nova York</strong> </em>lança uma “tese” para o espectador no seu título original (<em>The Kindness of Strangers</em>, no português <em>A Bondade de Estranhos</em>) que será desenvolvida pela cineasta Lone Scherfig ao longo do filme. Para Scherfig, em metrópoles como Nova York, formada por recém-chegados em constante dificuldade para sobreviver, cada um desses indivíduos conta com ajuda uns dos outros. Integram a trama da diretora uma jovem fugindo com os filhos do marido agressor (Zoe Kazan, de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doentes-de-amor/"><em>Doentes de Amor</em></a>), uma enfermeira que se dedica a terapias em grupo (Andrea Riseborough, de <em>Mandy</em>), um imigrante que trabalha na cozinha de um hotel (Tahar Rahim, atualmente em <em>O Paraíso e a Serpente</em>) e um rapaz que vive de bicos após perder o emprego (Caleb Landry Jones, de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tres-anuncios-para-um-crime/"><em>Três Anúncios para um Crime</em></a>).</p>
<p>A diretora propõe uma história multitrama nos moldes de Robert Altman com uma narrativa sem um grande protagonista e com tramas que se conectam impulsionadas pela grande temática do longa. Trata-se de uma novidade na carreira de Scherfig, que oscila entre obras inspiradas como <em>Educação</em>, longa que revelou em 2009 a atriz Carey Mulligan, e títulos medianos como o romance <em>Um Dia </em>de 2011 com Anne Hathaway no elenco. Talvez, <em><strong>Um Inverno em Nova York</strong> </em>seja o ponto mais baixo do seu currículo.</p>
<p>O longa aborda temas delicados como a situação da população sem-teto da maior cidade dos Estados Unidos, além da violência doméstica, motivo o suficiente para potencializar na obra uma atmosfera pesada. Scherfig procura suavizar a tensão desse contexto, o que é uma intenção até positiva da realizadora. No entanto, a maneira como ela faz isso em <strong><em>Um Inverno em Nova York </em></strong>soa como se Scherfig quisesse colocar para “debaixo do tapete” todas essas questões sérias que inevitavelmente acabam submergindo na história.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14053" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1.jpg" alt="Um Inverno em Nova York" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A perversidade do ser humano, seu lado violento e egoísta, que contrariam a “tese” da realizadora de que “há pessoas boas no mundo”, por mais que ela tente sufocar, uma hora surge e traz ruídos para uma história que convoca esse traço sombrio da nossa existência mas quer preenche-la de positividade. Essa tensão está presente nas telas na maneira como, por exemplo, Scherfig pasteuriza a relação abusiva e marcada pela violência doméstica sofrida pela personagem de Zoe Kazan ou mesmo sua experiência como sem-teto entrando de penetra em grandes eventos para roubar o <em>buffet </em>e alimentar seus filhos.</p>
<p>Além do que já fora apontado, algo que incomoda bastante em <em><strong>Um Inverno em Nova York</strong> </em>é a maneira estranha com que seus personagens se relacionam. Não há química alguma em um elenco que supostamente deveria inspirar sinergia, isso é ainda mais severo quando o encontro amoroso passa a ser uma pauta da história com a completa falta de sintonia entre Zoe Kazan e Tahar Rahim ou entre Andrea Riseborough e Jay Baruchel. É também estranho como essas mesmas figuras, que passaram por maus bocados em suas biografias sejam construídas na obra como figuras que são indiferentes às suas próprias dores, resultado da maneira atabalhoada com que o filme lida com o aspecto sombrio de suas existências, conforme traçamos anteriormente.</p>
<p>Com frieza e distanciamento, ao mesmo tempo em que estranhamente convoca um certo sentimentalismo, <strong><em>Um Inverno em Nova York </em></strong>se apresenta para o espectador como um filme sem “sangue nas veias”. É daquele tipo de filme cujas boas intenções colidem com a execução das suas ideias.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Lone Scherfig</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Zoe Kazan, Tahar Rahim, Andrea Riseborough, Bill Nighy, Caleb Landry Jones</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/TeH9-3gmOEM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Doentes de Amor</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Oct 2017 01:05:13 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Doentes de Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Holly Hunter]]></category>
		<category><![CDATA[Judd Apatow]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Produção de Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos e O Virgem de 40 Anos), um dos Midas da comédia inteligente estadunidense, Doentes de Amor é uma das mais adoráveis surpresas do ano. A comédia é uma espécie de Casamento Grego dos nossos tempos na qual um comediante de stand-up comedy paquistanês que vive desde pequeno nos EUA começa a repensar seu posicionamento diante dos costumes da sua família a partir do momento em que se apaixona por uma jovem americana. O filme tem como base a história do seu próprio [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Produção de Judd Apatow (<i>Ligeiramente Grávidos </i>e <i>O Virgem de 40 Anos</i>), um dos Midas da comédia inteligente estadunidense, <i>Doentes de Amor </i>é uma das mais adoráveis surpresas do ano. A comédia é uma espécie de <i>Casamento Grego </i>dos nossos tempos na qual um comediante de <i>stand-up comedy </i>paquistanês que vive desde pequeno nos EUA começa a repensar seu posicionamento diante dos costumes da sua família a partir do momento em que se apaixona por uma jovem americana. O filme tem como base a história do seu próprio protagonista, Kumail Nanjiani, que co-assina o roteiro com sua esposa fora das telas, Emily V. Gordon, interpretada no filme pela atriz Zoe Kazan. Nesse entrelaçamento entre a ficção e a biografia do próprio Nanjiani, <i>Doentes de Amor </i>encontra o tom delicioso de um filme sensível sobre relacionamentos humanos e conflitos culturais decorrentes de uma realidade marcada por tensões e preconceitos, mas também por um intercâmbio e hibridização constante de costumes.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O fluido roteiro de Nanjiani e Gordon para <i>Doentes de Amor </i>é cheio de méritos. Ele constrói seu protagonista como um sujeito que se vê encurralado pelo dever que tem com sua família, temendo contrariar a rigorosa matriarca a partir de uma recusa aos constantes encontros que a mesma marca nos jantares de família com pretendentes paquistanesas. Ao mesmo tempo, o Kumail de <i>Doentes de Amor </i>é um rapaz que, apesar das origens, é mais um cidadão americano que paquistanês, à vontade com o <i>american way of life </i>de americano médio. Assim, Kumail é um personagem extremamente humano, fugindo por completo de estereótipos reservados a personagens orientais (em alguns momentos até mesmo fazendo ironia com isso) e mostrando, ao mesmo tempo, camadas interessantes a serem exploradas e também sendo capaz de exibir características que produzem empatia instantânea em quem assiste ao filme.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8284" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/10/big-sick-2-1.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O roteiro de <i>Doentes de Amor </i>é perspicaz e sensível não apenas na maneira como concebe suas personagens como figuras multidimensionais, sem fazer com que isso as torne aborrecidas (pelo contrário, é agradável passar o tempo da projeção com todas elas e até lamentamos o fato do filme chegar ao fim), mas também porque o longa consegue costurar a jornada do seu protagonista com fluidez. Tomamos intimidade e criamos vínculo com Kumail, sua trajetória e seu conflito pois acompanhamos o início do seu relacionamento com Emily e tudo o que sucede o mesmo, percebendo no protagonista o seu amadurecimento emocional e a maneira como os laços dos relacionamentos que estabelece com os demais personagens da história são fortalecidos. Esse caráter do roteiro de <i>Doentes de Amor </i>faz com que o filme transborde humanidade e afeto.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">O longa ainda conta com um elenco que exibe performances certeiras que jamais sobem o tom do filme ou se sobressaem em momentos de vaidade cênica. Entre os destaques está o próprio Kumail, centro de toda a narrativa conseguindo cativar o espectador com seu simpático e comum protagonista, ganhando em definitivo o público com um monólogo emocionado durante uma apresentação <i>stand-up</i>. Há ainda espaço para seus coadjuvantes como os pais de Emily interpretados por Ray Romano e por uma inspiradíssima Holly Hunter, uma protetora e justa matriarca. Também é delicioso acompanhar a sempre carismática Zoe Kazan em cena fazendo dobradinha com Kumail. Enfim, temos atores que conseguem fazer justiça à humanidade com que esses personagens são concebidos pelas linhas do roteiro que foge dos vícios de representação da comédia americana ao mesmo tempo em que utiliza toda a base da mesma para construir uma história que transborda empatia, doçura e carisma.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/B8sSEqn0GA0" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Será que?</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-sera-que/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Sep 2014 00:16:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Radcliffe]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Dowse]]></category>
		<category><![CDATA[Será que?]]></category>
		<category><![CDATA[Zoe Kazan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Usar clichês não é ruim. Infelizmente o clichê acabou tornando-se um argumento frequente no senso comum quando se quer justificar a não apreciação de alguma obras, sobretudo comédias românticas. Repito, o clichê não é ruim, o que é ruim é usar mal um clichê. A comédia romântica indie Será que? é uma coleção de clichês do gênero. Trilha sonora cool; um protagonista masculino desajustado, curtindo uma fossa após o rompimento de um relacionamento traumático; uma protagonista feminina absolutamente adorável, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_2027" aria-describedby="caption-attachment-2027" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/whatif2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2027 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/whatif2-620x348.jpg" alt="whatif2" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-2027" class="wp-caption-text">Clichê assumido: Filme se sustenta utilizando com inteligência as constâncias das comédias românticas</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Usar clichês não é ruim. Infelizmente o clichê acabou tornando-se um argumento frequente no senso comum quando se quer justificar a não apreciação de alguma obras, sobretudo comédias românticas. Repito, o clichê não é ruim, o que é ruim é usar mal um clichê. A comédia romântica <em>indie </em><em>Será que? </em>é uma coleção de clichês do gênero. Trilha sonora <em>cool;</em> um protagonista masculino desajustado, curtindo uma fossa após o rompimento de um relacionamento traumático; uma protagonista feminina absolutamente adorável, mas confusa sobre os seus sentimentos; os amigos &#8220;loucos&#8221;  e confidentes dos dois; os desencontros amorosos; o antagonista indesejável&#8230; Apesar de ser tudo muito igual ao que já foi visto por ai, tudo em <em>Será que? </em>é muito diferente também.</p>
<p>No filme, Daniel Radcliffe vive Wallace, um estudante de medicina que abandona a carreira após descobrir que sua namorada o traiu com um médico mais velho. Tentando se recuperar do baque ele vai a uma festa e conhece Chantry, personagem de Zoe Kazan. Os dois descobrem que têm muitas coisas em comum, porém tudo promete ficar só na amizade já que ela tem um namorado. Wallace e Chantry passam algum tempo podando suas intenções amorosas até que o namorado dela sai do Canadá a trabalho e essa distância a aproxima ainda mais do amigo.</p>
<figure id="attachment_2029" aria-describedby="caption-attachment-2029" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/whatif3.png"><img decoding="async" class="wp-image-2029 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/whatif3-620x310.png" alt="whatif3" width="620" height="310" /></a><figcaption id="caption-attachment-2029" class="wp-caption-text">Muito mais do que o Harry Potter: Daniel Radcliffe tem conseguido lidar bem com a sua carreira após a saga</figcaption></figure>
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<p>Como já sinalizado, <em>Será que? </em>não apresenta grandes saltos para a história do cinema, nem é isso que ele pretende fazer. O filme de Michael Dowse gira em torno de temas corriqueiros como as tolices dos casais em suas relações amorosas e no tempo que perdem entre discussões e negações de sentimentos, a magia do encontro, a dor da traição e a dificuldade que é se recuperar de um grande &#8220;chute no traseiro&#8221;.</p>
<p>O que diferencia <em>Será que? </em>de qualquer outro filme do gênero é que ele não artificializa as suas situações em torno de uma estética e de uma narrativa pasteurizante, <em>clean</em>. Há personagens e preocupações que de fato são reais e não forjadas, os personagens se questionam sobre suas próprias constâncias e erros no universo dos encontros e desencontros amorosos. Daniel Radcliffe e Zoe Kazan  &#8211; como são adoráveis, dá vontade de ser amigo dos dois! &#8211; são jovens reais, não Ashton Kutcher, Cameron Diaz ou Kate Hudson em busca de um pé de meia a qualquer custo. Suas imperfeições físicas e comportamentais os tornam atraentes e é por esse caminho que o filme consegue criar empatia no espectador.</p>
<p>Se tratando de um longa protagonizado por Daniel Radcliffe é preciso fazer um adendo. <em>Será que? </em>representa mais uma decisão madura e consciente do ator nessa fase pós-<em>Harry Potter</em>. Ciente de que é difícil superar e desgarrar-se do estigma de ter vivido um dos principais ícones do cinema contemporâneo, Radcliffe parece não criar muitas expectativas e nem ambiciona transições radicais. Assim como sua colega de elenco, Emma Watson, o ator tem &#8220;comido pelas beiradas&#8221;, encaixando-se em produções como essa, a série <em>Diário de um jovem médico, </em>o drama <em>Versos de um Crime&#8230;</em></p>
<figure id="attachment_2030" aria-describedby="caption-attachment-2030" style="width: 612px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/What-If.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2030 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/What-If.jpg" alt="THE F WORD" width="612" height="341" /></a><figcaption id="caption-attachment-2030" class="wp-caption-text">Empatia: Casal protagonista é crível e estabelece uma conexão imediata com o espectador.</figcaption></figure>
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<p>Voltando a Será<em> que?,</em> o filme não é revolucionário. Ele apenas mostra como o caminho do clichê pode ser uma ótima alternativa desde que muito bem manipulado. Nesse caso, o olhar de um diretor inteligente, que soube dosar suas pretensões e possibilidades, trouxe para o público um filme sincero, crível, humano, sem deixar de mexer com nosso ideário romântico, nossas fantasias e expectativas amorosas. Ou seja, o melhor de dois mundos, e ainda tem a Zoe Kazan!</p>
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