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	<title>Arquivos XXI Panorama - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos XXI Panorama - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Deyse Ex machina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 16:59:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É impressionante como se confunde muito ter um brainstorming promissor com uma boa ideia de filme. Deyse ex machina é um abarrotado de idéias, mal filmadas, que se salva apenas por um único fator: a atriz protagonista. O que a equipe do curta-metragem de Jasmelino de Paiva quer contar? A história gira em torno de Deyse, que decide parar de fumar, no dia de seu aniversário de 55 anos. E é isso. Nada mais. O único conflito explorado é a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É impressionante como se confunde muito ter um brainstorming promissor com uma boa ideia de filme.</p>
<p style="font-weight: 400;">Deyse ex machina é um abarrotado de idéias, mal filmadas, que se salva apenas por um único fator: a atriz protagonista.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O que a equipe do curta-metragem de Jasmelino de Paiva quer contar? A história gira em torno de Deyse, que decide parar de fumar, no dia de seu aniversário de 55 anos. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E é isso. Nada mais. O único conflito explorado é a vontade de fumar de Deyse. </span><span style="font-weight: 400;">Apesar de alguns elementos sobre a vida dela serem jogados na trama, eles não são desenvolvidos.</span></p>
<p>Não existe aqui uma construção de narrativa coesa e concreta, apesar da obra se apresentar dentro de uma lógica cinematográfica tradicional.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">As vivências, os conflitos e o cotidiano da personagem principal são trazidos, ou melhor, comentados brevemente, sem trazer reflexão ou investigação. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é a questão do filho de Deyse, que parece um problema, mas ao final da exibição, não fica nítida a razão de sua angustia pela ausência do menino. Ele aparece faceiro e risonho apenas.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Na verdade, Deyse passa o curta inteiro de um lado para o outro, porém ela não tem um propósito definido e não sofre nenhuma transformação.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, olhando para toda essa lógica ,a produção poderia ofertar um prazer sensorial estético. O cinema tem dessas! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">No entanto, visualmente o filme também incomoda. O constante uso de câmera na mão tira o ritmo das cenas. </span>Se não existe equilíbrio visual e de velocidade, não há um resultado rítmico apropriado.</p>
<p style="font-weight: 400;">Na maioria das vezes, é necessário parar, criar um respiro, e situar o público sobre a história que se quer contar.</p>
<p style="font-weight: 400;">Além disso, o uso da luz parece equivocado. <span style="font-weight: 400;">Além da iluminação estar quase sempre direcionada para o lugar de menor atenção, ela não cria sentido junto com os enquadramentos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> Um exemplo, é a cena em que Deyse conversa em uma mercearia. Atrás das atrizes centrais para a sequência, tudo está estourado. Já elas, ficam no escuro.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Durante toda a sessão resta essa impressão de que a equipe fez tudo de forma muito amadora, que falta zelo narrativo e apuro estético. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Mas, a exibição não é um pesadelo dantesco, porque Diva Gonçalves aparece para criar o mínimo de sentido dramatúrgico para sua personagem.</span></p>
<p style="font-weight: 400;">Com consciência de como se posicionar para câmera, Diva consegue criar retenção e deslocamento coesos, mesmo com a ausência de steadicam, que faz a imagem não para de se mexer.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Enquanto a intérprete dirige ou caminha, a sua respiração é trabalhada de tal forma que sua voz sai com organicidade.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A plateia consegue vislumbrar quem Deyse é, porque Diva traz elementos da personalidade desta figura de forma vibrante. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é quando ela encontra seu amigo Pão de Mel. A cadência da fala se transforma, enquanto o rapaz vai dialogando com ela.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que Diva imprime tensão, ela convoca vulnerabilidade ao seu papel, ao mesclar titubear com tons graves na fala. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, a atriz revela um conhecimento de criação de personagens e entrega um bom resultado. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ainda que <em>Deyse ex machina</em> não siga o mesmo caminho que o de Diva, a projeção pode ser proveitosa para alguns. </span>Talvez, atrizes e atores iniciantes possam olhar para este título como um material de estudo.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque, a verdade do audiovisual é que nem sempre as melhores condições de trabalho serão entregues, diversas vezes as equipes possuem ideias inexequíveis, porém a entrega do elenco tem que ser profunda e completa. E Diva mostra aqui como é que se faz!</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Jasmelino de Paiva</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Diva Gonçalves, Juliana Sena, Nilton Resende</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Deyse Ex Machina (trailer)" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/HRpFpE-N-Yc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Dolores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 12:17:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Algumas vezes, ao contemplar um filme, uma pergunta pode pairar no: por que patavinas essa pessoa quis contar essa história? Dolores convoca esse questionamento, por toda a sua confusão narrativa. Neste sentido, o maior incômodo durante a projeção é a ausência de espaço para o desenvolvimento da protagonista Dolores (Carla Ribas). No aparente desejo de complexificar a trama, o roteiro, Maria Clara Escobar (Desterro) e Marcelo Gomes (Paloma) — também diretores do longa-metragem — se perdem. Além de Dolores, o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Algumas vezes, ao contemplar um filme, uma pergunta pode pairar no: por que patavinas essa pessoa quis contar essa história? <em>Dolores</em> convoca esse questionamento, por toda a sua confusão narrativa.</p>
<p>Neste sentido, o maior incômodo durante a projeção é a ausência de espaço para o desenvolvimento da protagonista Dolores (Carla Ribas). No aparente desejo de complexificar a trama, o roteiro, Maria Clara Escobar (<em>Desterro</em>) e Marcelo Gomes (<em>Paloma</em>) — também diretores do longa-metragem — se perdem.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além de Dolores, o público acompanha a filha e a neta dela. Os  enredos são apresentados de maneira intercalada. A jornada da heroína, Dolores, é interrompida para trazer dados das coadjuvantes, que não enriquecem tanto assim a premissa.</span></p>
<p>A figura dramática central quer ser rica e acredita que tudo na sua vida vai mudar, após o seu aniversário de 66 anos. É isso que é a obra. Mas, o plot não consegue caminhar, porque, ao invés de investigar bem essa papel principal, Escobar e Gomes decidem colocar tanta coisa extra, que não contam o mínimo de gênesis de personagem.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Qual a motivação de Dolores? Quem é essa mulher com esse vício que a domina tanto? Quais emoções perpassam a sua mente e alma quando se trata da sua filha? E da sua neta? Obviamente, essas questões poderiam ser outras também. O único pedido da plateia é que exista a chance de conhecer a figura de destaque de uma obra.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque através dela é que quem assiste se conecta com um dado produto audiovisual. Dentro desta lógica dramatúrgica, o problema não é inserir um romance de uma personagem bem coadjuvante, é essa escolha desviar o caminho da construção de dramaturgia de Dolores e nem ao menos ser feito de um jeito costurado com os outros fatos dramáticos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Todavia, ainda que a base seja fraca, o elenco segura a produção nas costas. Ribas contém dentro do seu próprio jeito de atuar uma suavidade que soa como perigosa. A intérprete é daquelas que consegue dizer textos absurdos, intensos e/ou fortes com uma modulação delicada da voz.</span></p>
<p>Aqui essa característica é um ganho por conta da ambição não raciocinada de Dolores. A atriz emite uma certeza quase delirante ao proferir as suas falas. Combinado a essa estratégia de Ribas, existe a estilística de Naruna Costa (Duda).</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ela é quem equilibra a placidade presente no tom de Dolores. Todavia, Naruna e Carla não são monocórdicas. O que a dupla faz é criar energias opostas entre mãe e filha, que geram embates com movimentações e tonalidades vocais distintas. Esse caminho torna as sequências mais interessantes de acompanhar, porque, entre retenção e explosão, surpresas são criadas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, o marasmo e a volta em círculos do roteiro são um pouco dissolvidos por conta desse jogo cênico de Naruna e Carla. Além disso, a presença de Gilda Nomacce (<em>Enterre seus mortos</em>) e a participação de Zezé Motta (<em>Xica da Silva</em>) também dinamizam os arcos dramáticos truncados das personagens.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A partir de todo esse contexto, também vale ressaltar a qualidade técnica da caracterização. Tanto em termos de temperatura como de textura, figurino e maquiagem transmitem elementos das personagens que muitas vezes parecem faltar ao roteiro.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em uma dada sequência, por exemplo, vemos Dolores com um sutiã meigo e simples. Como ela costura lingeries, esse é um dado importante para a sua personalidade, porque dentro do que ela faz, ela escolheu aquela peça, que é delicada, mas com muitos detalhes.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em alguns instantes, como na abertura do longa, a iluminação ajuda na construção desta sensação do que Dolores vive. Todavia, a luz incomoda em diversos momentos. Para além desta estética “gelatinesca”, com cores vermelhas e verdes intensas, na maioria das sequências a luz está chapada.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Sem camadas até nas imagens, Dolores tem uma boa intenção em contar a história de uma mulher mais velha, que resiste e continua a sonhar. Contudo, sem profundidade narrativa e com uma técnica mediana, a sessão é um tanto angustiante, por não conseguir conectar o espectador com a obra.</span></p>
<p>Direção: Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes</p>
<p>Elenco: Carla Ribas, Naruna Costa, Gilda Nomacce</p>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Xica da Silva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 01:48:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Xica da Silva é um espetáculo visual e narrativo, no qual um encontro entre um diretor como Cacá Diegues (Bye Bye Brasil) e uma atriz como Zezé Motta (Doutor Gama) resulta em instantes cênicos memoráveis.  Ainda que gere desconforto em diversos momentos da sessão, o longa-metragem de Diegues possui sequências que beiram a genialidade. A começar pela construção de Zezé, que é pautada por modulações vocais, que destacam os momentos que a sua personagem está vivendo. Os distintos tons revelam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;"><em>Xica da Silva</em> é um espetáculo visual e narrativo, no qual um encontro entre um diretor como Cacá Diegues (<em>Bye Bye Brasil</em>) e uma atriz como Zezé Motta (<em>Doutor Gama</em>) resulta em instantes cênicos memoráveis.  Ainda que gere desconforto em diversos momentos da sessão, o longa-metragem de Diegues possui sequências que beiram a genialidade.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A começar pela construção de Zezé, que é pautada por modulações vocais, que destacam os momentos que a sua personagem está vivendo. </span><span style="font-weight: 400;">Os distintos tons revelam os sentimentos de Xica e o que ela pretende fazer. </span>Esse elemento potencializa a sensação de proximidade com a personagem.</p>
<p style="font-weight: 400;">Além disso, Zezé revela uma destreza na composição física do seu papel, porque cada retenção e movimento parece calculado.  <span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, a intérprete imprime organicidade porque faz destes gestos de Xica um complemento para a narrativa.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Na realidade, um dos maiores méritos de Zezé Motta aqui é conseguir aliviar a visão racista e misógina desta adaptação homônima do livro de  João Felício dos Santos. </span><span style="font-weight: 400;">Há uma dignidade inserida em Xica, que vem da perspectiva de Zezé.</span><span style="font-weight: 400;"> Em relação aos incômodos (muitas vezes amortecidos pela presença e trabalho de Motta), é preciso pensar sobre o momento no qual o longa foi feito.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em diversas entrevistas, Cacá Diegues deixa nítido como a indústria do audiovisual tinha interesse ínfimo em retratar narrativas negras. </span><span style="font-weight: 400;">Desta forma, o que é possível de observar na produção é o retrato de uma mulher que existiu e virou uma lenda, sob a perspectiva de um diretor talentoso, mas um homem branco, que tinha interesse em trazer para a telona mais histórias da comunidade negra, vide sua filmografia.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Então, existem méritos e deméritos no longa e cabe o espectador ter discernimento para criticar e saber apreciar o que existe de revolucionário ali. Contar a história de Xica da Silva, dando-lhe protagonismo e criticando os brancos europeus tem um quê de satisfatório.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Talvez, todavia, o desfecho da sessão pudesse ser de triunfo para a protagonista? No entanto, também cabe observar dois elementos certeiros da direção de Diegues, que amortecem certos impactos da narrativa. O primeiro é o apuro estético do cineasta. A composição de enquadramento e luz engrandecem a trama.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ao lado do diretor de fotografia José Medeiros (<em>Jubiabá</em>), os quadros recebem uma iluminação que, não apenas apresenta o estágio do enredo e a situação de sua heroína (apresentação do problema, enlace, clímax etc.), como entrega qual a perspectiva de Xica sobre cada momento.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-20567" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6430.jpeg" alt="" width="588" height="390" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6430.jpeg 588w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6430-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 588px) 100vw, 588px" /></p>
<p>Um exemplo é a sequência na qual a moça faz o seu jogo de sedução com o Comendador João Fernandes (Walmor Chagas). De onde a luz incide? Das janelas, ao fundo. Xica fala uma coisa com o corpo e outra com o texto verbal. Inclusive, toda a encenação deste instante narrativo é uma aula de direção.</p>
<p>Para além da iluminação, tem-se a marcação de cena, que coloca todos os brancos “figurões” da cidade à margem. Em um plano geral, Xica desliza pelo espaço, apropriando-se dele, tomando-o como seu, a partir desta conexão com João. Essa é uma parte importante da sessão, porque ilustra o segundo ponto sobre o olhar de Cacá.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Apesar de contar com seu male gaze branco, existe um respeito nesse gaze. (É, essa é uma das coisas mais difíceis que esta que vos fala precisou explicar, porém foi isso mesmo que foi dito). Ele procura reverenciar essa figura dramática com sua câmera.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Uma forma de observar esse cuidado de Diegues é justamente em sua decupagem. </span>Os quadros de nudez de Xica, geralmente, são mais longos, mais abertos e com movimentos de câmera. Além disso, os gestos e deslocamentos parecem meticulosamente coreografados. Apesar de existir uma grande sensualidade e exuberância em Xica, aqui há uma artificialidade orgânica, que contribui para uma interpretação mais estética do que sexual.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Algo que eleva essa potencialidade é o trabalho da equipe de arte. Os tons e as texturas imprimem essa dicotomia que habita a personalidade de Xica. Entre jóias e badulaques, ela não deixa de ser guerreira e estratégica nunca. Essas características estão nas tonalidades e formatos dos objetos.</span></p>
<p>O amarelo e o branco são destaque nas peças de Xica, enquanto o verde e o azul a cercam nos locais que ela está presente. A abundância e a paz que ela deseja está sempre em perigo, seja na melancolia ou na desesperança, que são elementos opostos à sua personalidade. São nesses símbolos que a complexidade dela é formada e a construção de sentido complexificada.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>Xica da Silva</em> é um filme difícil de se julgar. Apesar de conter questões que não podem ser deixadas de lado em debates, a obra impressiona pelo seu apuro técnico, na direção, na atuação de Zezé Motta e no trabalho de todo o elenco, que aumenta ainda mais a qualidade das cenas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> Por fim, o longa ainda tem a música tema, que é inserida nos momentos de glória de Xica. O desfecho poderia ser mais justo com a trajetória da personagem, porém é impossível que esse seja um título que não desperte emoções profundas em quem o assiste com atenção.</span></p>
<p><br style="font-weight: 400;" /><strong>Direção</strong>: Cacá Diegues</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Zezé Motta, Walmor Chagas, Stepan Nercessian</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Xica da Silva - Trailer" width="1170" height="878" src="https://www.youtube.com/embed/wTrlXi-2ncc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/xxi-festival-panorama-internacional-coisa-de-cinema-xica-da-silva/">XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Xica da Silva</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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