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	<title>Arquivos Vincent Cassel - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Vincent Cassel - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Apr 2023 13:43:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan é uma super produção francesa que conta a clássica história do famoso quarteto. Dirigido por Martin Bourboulon (Relacionamento à Francesa), este longa já tem a segunda parte garantida e que foi filmada logo na sequência, garantido que o espectador não fique a ver navios com relação a continuação da saga, que deixa vários fios soltos no final. Em uma França cortada pelas guerras e disputas religiosas, o Rei Louis XIII (Louis Garrel, Adoráveis Mulheres) tenta focar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan</strong> </em>é uma super produção francesa que conta a clássica história do famoso quarteto. Dirigido por Martin Bourboulon (<em>Relacionamento à Francesa</em>), este longa já tem a segunda parte garantida e que foi filmada logo na sequência, garantido que o espectador não fique a ver navios com relação a continuação da saga, que deixa vários fios soltos no final.</p>
<p>Em uma França cortada pelas guerras e disputas religiosas, o Rei Louis XIII (Louis Garrel, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/"><em>Adoráveis Mulheres</em></a>) tenta focar suas energias no casamento promissor do irmão mais novo, enquanto o Cardeal de Richelieu (Eric Ruf, <em>O Oficial e o Espião</em>) trama a sua derrota em um confronto interno. As tramoias acontecem nos bastidores, enquanto o jovem D’Artagnan (François Civil, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-encontros/"><em>Encontros</em></a>) acaba se metendo neste meio por puro acaso do destino, quando cruza despretensiosamente o caminho de Athos (Vincent Cassel, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ameaca-profunda/"><em>Ameaça Profunda</em></a>), Aramis (Romain Duris, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-todo-o-dinheiro-do-mundo/"><em>Todo o Dinheiro do Mundo</em></a>) e Porthos (Pio Marmaï, <em>Finalmente Livres</em>), os Três Mosqueteiros.</p>
<p>O confuso e atrapalhado D’Artagnan não sabe exatamente qual o seu propósito na insípida Paris da época, mas logo descobre que o amor é um deles. Ele rapidamente se apaixona por Constance Bonacieux (Lyna Khoudri, <em>Mais que Especiais</em>), a mocinha que te arranja um quarto para alugar. Ela tem uma relação muito afiada com a Rainha Anne (Vicky Krieps, <em>Millennium: A Garota na Teia de Aranha</em>), que te confessa todo o seu coração, especialmente a relação com seu amante.</p>
<p>O que elas não podem imaginar é que o Cardeal está tramando a derrota do Rei através da infidelidade da Rainha, explodindo um escândalo que vai colocar todo o reinado em risco. Ele conta com uma vil duquesa, representada no papel de Milady (Eva Green, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baseado-em-fatos-reais/"><em>Baseado em Fatos Reais</em></a>). Este é um personagem, inclusive, que eu tenho algumas ressalvas por ser caricato demais, algo que infelizmente Eva aplica na maior parte de seus projetos. Falta naturalidade e leveza em algumas das suas atuações.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16679" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/1439498.jpg" alt="Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/1439498.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/1439498-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/1439498-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/1439498-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A trama segue sendo tecida com as fofocas da época, o surgimento de personagens que vão ganhando cada vez mais importância e um iminente estopim que é vislumbrado a todo momento. Sinto a falta de um aprofundamento maior dos personagens, já que passaremos dois filmes com eles. Acredito que algumas cenas de luta poderiam ser reduzidas para dar espaço às características de cada um, nos emergindo ainda mais na história.</p>
<p>Mas isso não é algo que coloca tudo a perder. <em><strong>Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan</strong></em> é um entretenimento bem interessante que nos mostra conduções diferentes de roteiro, se comparado com os padrões estadunidenses. Eles vão lá no início da história nos mostrar como que esse quarteto de sucesso se conheceu e como foram se tornando parceiros e aliados. Além disso, nesta época, eles ainda são amigos da coroa, algo que muda depois, na parte do enredo que estamos mais acostumados a escutar.</p>
<p>Algo que eu gostei bastante foi o equilíbrio dos gêneros dentro de si. O filme não se apega apenas a cenas de briga (essa são, inclusive, muito bem feitas). Ele explora o drama e o romance na medida certa para entreter totalmente o espectador. Ficamos vidrados a todo momento nos próximos passos dos personagens e o que eles vão nos revelar de novidade nesta história.</p>
<p><strong><em>Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan</em> </strong>consegue ainda finalizar a história corretamente, mesmo deixando vários fios soltos para o próximo longa. Não é como se a gente assistisse um filme pela metade, como acontece em muitas produções. Ele tem começo, meio e fim, deixando um gostinho de &#8220;quero mais&#8221; no final. Um grande mérito para seu diretor, tornando o longa um ótimo entretenimento!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Martin Bourboulon</p>
<p><strong>Elenco:</strong> François Civil, Vincent Cassel, Romain Duris, Pio Marmaï, Eva Green, Louis Garrel, Vicky Krieps, Lyna Khoudri</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/8g55sc_Pelk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Filme da Minha Vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jul 2017 16:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bruna Linzmeyer]]></category>
		<category><![CDATA[Johnny Massaro]]></category>
		<category><![CDATA[O Filme da Minha Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Selton Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Vincent Cassel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há no DNA de O Filme da Minha Vida, mais recente empreitada de Selton Mello como diretor e roteirista, ecos de um certo cinema italiano que busca dar conta da jornada de amadurecimento do seu protagonista atravessado ora pelo ato de realização cinematográfica, como é o caso dos devaneios de Guido Anselmi, personagem de Marcello Mastroianni em 8 1/2 de Federico Fellini, ora pela recepção, como ocorre com Totó, protagonista de Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore. Com o cinema de Tornatore, podemos afirmar que O [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Há no DNA de <i>O Filme da Minha Vida</i>, mais recente empreitada de Selton Mello como diretor e roteirista, ecos de um certo cinema italiano que busca dar conta da jornada de amadurecimento do seu protagonista atravessado ora pelo ato de realização cinematográfica, como é o caso dos devaneios de Guido Anselmi, personagem de Marcello Mastroianni em <i>8 1/2</i> de Federico Fellini, ora pela recepção, como ocorre com Totó, protagonista de <i>Cinema Paradiso</i>, de Giuseppe Tornatore. Com o cinema de Tornatore, podemos afirmar que <i>O Filme da Minha Vida </i>guarda semelhanças ainda mais próximas já que o realizador italiano já demonstrou ter preferência por narrar ritos de passagem mais de uma vez nas telonas, em <i>Cinema Paradiso</i>, mas também em <i>Malena</i>, trazendo a jornada do seu protagonista para o contexto de uma cidadezinha do interior e todos os fatores que isso envolve. É com tais filiações que Selton Mello entrega <i>O Filme da Minha Vida</i>, um longa que está longe de corresponder ao escopo alcançado pelo seu trabalho anterior, <i>O Palhaço</i>, mas que cumpre a sua função e entrega algumas das mais belas imagens concebidas com o auxílio do sempre competente diretor de fotografia Walter Carvalho.</p>
<p>No caso de <i>O Filme da Minha Vida</i>, baseado no romance de Antonio Skármeta (também autor de <i>O Carteiro e o Poeta</i>), <i>Um Pai de Filme</i>, o cinema passa a ser objeto de constante referência da narrativa na medida em que Tony, um jovem professor de língua francesa do interior do Rio Grande do Sul, se forma para a vida adulta tendo a telona como objeto de contemplação e não como ofício. Por influência de seu pai, que certa feita lhe conta sua compreensão sobre a vida a partir daquilo que considera como o mais fascinante de uma narrativa cinematográfica, o protagonista do longa consegue realizar a passagem para a vida adulta e expurgar certas mágoas do passado, ainda que na maior parte da projeção essa figura paterna seja uma completa ausência.</p>
</div>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em <i>O Filme da Minha Vida</i>, Johnny Massaro vive esse personagem principal, um jovem filho de uma brasileira com um francês que sai do interior do sul do país para estudar na capital durante a década de 1960. Quando retorna para sua cidade natal descobre que seu pai simplesmente desaparecera sem dar satisfação para a sua família. Em meio à dúvida amorosa pelas irmãs Petra e Luna e os primeiros passos como professor de uma turma de pré-adolescentes, Tony começa a sentir falta da presença do pai nesse princípio da vida adulta. Mesmo encontrando apoio em um amigo da família, não há um só momento da vida de Tony que ele não se pergunte sobre o paradeiro do pai e as razões que fizeram com que ele sumisse sem deixar vestígios.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Diferente dos longas anteriores de Mello como realizador, <i>Feliz Natal </i>e, possivelmente, seu título mais popular, <i>O Palhaço</i>, há um outro tom e objetivo em <i>O Filme da Minha Vida. </i>Ainda assim, também podemos compreendê-lo como o resultado natural de um diretor que tem procurado uma coerência em sua filmografia com a manutenção de uma assinatura seja pelas temáticas que o perseguem seja pelo formato da história que narra. Há uma preocupação em <i>O Filme da Minha Vida </i>com um olhar para um núcleo familiar e com a memória, assim como havia em <i>Feliz Natal, </i>apesar do último ter um tom<i> </i>mais dramático. Em contrapartida, há, evidentemente, uma preocupação com um percurso traçado por um jovem personagem masculino, compreendendo sua própria identidade em formação ou amadurecimento ao longo da narrativa, em um olhar da câmera e uma direção que alterna doçura, melancolia e uma certa ingenuidade, como ocorria em <i>O Palhaço</i>.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Assim como Benjamin questionava se seguiria sua vida como palhaço, mirando a trajetória do seu pai vivido por Paulo José, em <i>O Filme da Minha Vida</i>,<i> </i>Tony lança questões sobre si próprio à sombra da ausência do pai interpretado por Vincent Cassel, como se a todo momento se perguntasse: &#8220;O que ele diria ou faria no meu lugar?&#8221;.  Nesse sentido, é curioso perceber como Mello tem desenhado sua carreira como diretor fascinado por temas e disposto a investir em olhares que demonstram constâncias e personalidade, mas também possibilidades de variação que levam o espectador a novas histórias e lugares sem perder de vista o conforto com o reconhecimento da sua assinatura como autor.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7976" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/07/20170606-o-filme-da-minha-vida-b.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em suas decisões narrativas e plásticas, o longa é marcado por sinais de uma história que quer nos remeter à memória. A fotografia composta pelo veterano Walter Carvalho nos guia através de um amarelado de imagem desgastada para vestígios de um passado mirado por seu jovem protagonista. Tony está sempre às voltas com as lembranças em preto e branco captadas pela lente da máquina  fotográfica de  Luna (Bruna Linzmeyer), assiste ao filme <i>Rio Vermelho </i>de 1948, dirigido por Howard Hawks, por influência de Paco (Selton Mello), melhor amigo do seu pai, cresce ouvindo transmissões de rádio numa época em que a TV começava a chegar na casa dos vizinhos&#8230; Em <i>O Filme da Minha Vida</i>, é como se Mello trouxesse em imagens e nos vestígios da direção e arte e da sua própria história elementos que sublinhassem  o fato de termos um protagonista que mira suas lembranças com saudade e num esforço de construir-se no presente para um futuro.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">É também interessante notar no longa o trabalho de Mello com seus atores, não apenas na maneira como a câmera do diretor registra alguns de seus momentos chaves, mas no traço e no <i>timing </i>específico de comédia de alguns personagens, com suas investidas no humor sequenciadas por longos vazios e exercícios de reflexão sobre a existência que esses momentos de maneira insuspeita acabam suscitando. Isso ocorre em momentos momentos localizados do filme como acontecia em <i>O Palhaço</i>, por exemplo, desde uma passagem na qual Paco tira lições sobre a vida ao observar um grupo de porcos, até questões que ficam no ar quando Tony interage com Augusto, irmão de Luna (Linzmeyer) e um de seus alunos.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em diversos momentos, Mello reserva longos <i>close ups </i>nos rostos de seus atores, chamando a atenção para àquele no qual testemunhamos a reação do personagem de Johnny Massaro àquilo que vê na tela em <i>Rio Vermelho.</i> Aliás, é preciso destacar o trabalho preciso e sensível do ator que de fato consegue delinear toda a jornada de amadurecimento de Tony, que vemos inseguro e tímido no início do longa e se transforma num sujeito mais extrovertido e confortável na própria pele conforme a narrativa avança. Por fim, é interessante notar como Mello trabalha com seu elenco infantil em momentos breves nesse longa. Encabeçado pela revelação João Prates, que vive o curioso Augusto, o grupo de meninos alunos de Tony faz com que a presença da ingenuidade infantil encontre eco na própria imaturidade do protagonista do filme, que, curiosamente, por seu posto na escola, acaba inspirando em alguns uma posição de referência masculina.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Como sublinha o personagem de Vincent Cassel ao seu filho no início e final de <i>O Filme da Minha Vida</i>, o mais bonito na jornada de Tony e no próprio longa é o entremeio, ou seja, o processo de mutação ao qual estamos sujeito como homens e mulheres em nossa vida e que passa inevitavelmente por inquietações provocadas pela imaturidade. Esse rito faz com que o sujeito que iniciou uma determinada história não seja o mesmo que a encerra. <i>O Filme da Minha Vida </i>é um longa sobre mudanças e as circunstâncias das mesmas, mas também uma narrativa sobre a autodescoberta de um rapaz conciliando-se com as dúvidas que tinha sobre o caráter de seu pai em um relato afetivo que bebe de tantas outras histórias que já tiveram a ficção como mediadora desses processos.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Tony, protagonista desse filme, entende a si e, de certa forma, o<i> </i>próprio cinema como a captura de um entre tantos processos de transformação que estamos sujeitos na vida, essa narrativa sem fim. O longa de Mello também é um relato sobre como é bonito olhar para trás e perceber essas transformações, sobretudo como não vemos as situações e pessoas como antes. <i>O Filme da Minha Vida </i>encerra sua história na tela percebendo as falhas dos seus personagens, que nem por isso deixam de ser admirados pelo seu diretor justamente porque são humanos e seguem sujeitos a transformações. Talvez esta seja a beleza do filme e do olhar de Mello para o mesmo.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/TDVegL5nfYs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Meu Rei</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2016 12:00:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Emmanuelle Bercot]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Varilux de Cinema Francês]]></category>
		<category><![CDATA[Maïwen]]></category>
		<category><![CDATA[Meu Rei]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Integrante da seleção oficial do Festival de Cannes em 2015, Meu Rei é um filme que aborda a possibilidade de intensas relações amorosas apresentarem, com o tempo, sequelas psicológicas tão severas que beiram a patologia. A jovem realizadora Maïwenn, que tempos atrás chegou ao circuito brasileiro com Polissia, pretende explorar esse lado do amor através de uma relação particular. O que se deseja retratar é um tipo de relação que costuma causar incômodo e até mesmo rejeição por uma parte da plateia de cinema, mas que sempre é capaz de formar obras que encontram reflexão crítica [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Integrante da seleção oficial do Festival de Cannes em 2015, <i>Meu Rei </i>é um filme que aborda a possibilidade de intensas relações amorosas apresentarem, com o tempo, sequelas psicológicas tão severas que beiram a patologia. A jovem realizadora Maïwenn, que tempos atrás chegou ao circuito brasileiro com <i>Polissia</i>, pretende explorar esse lado do amor através de uma relação particular. O que se deseja retratar é um tipo de relação que costuma causar incômodo e até mesmo rejeição por uma parte da plateia de cinema, mas que sempre é capaz de formar obras que encontram reflexão crítica e empatia dentro da sua própria melancolia e pessimismo.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>Meu Rei </i>é um filme que trata sobre o amor, um sentimento que, no caso dos personagens da obra, é tão intenso e avassalador que é capaz de proporcionar àquele que é atingido pelo mesmo, efeitos colaterais que vão de encontro às sensações de bem estar e plenitude às quais  a realização amorosa costuma ser associada com muita frequência. Em termos comparativos, o filme da realizadora tem uma proposta parecida com a de exemplares contemporâneos bem conhecidos como <i>Closer &#8211; Perto Demais</i>, <i>Namorados para Sempre</i>, <i>Amantes</i>, <i>Apenas uma Noite </i>e a trilogia <i>Antes do Amanhecer </i>de Richard Linklater, expondo as relações amorosas aos desafios impostos pela realidade, sem os floreios de um romance com previsível final feliz. Uma pancada, mas também um afago pois tem carinho por seus personagens em suas falhas e qualidades.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Na trama, Emmanuelle Bercot vive Tony, uma advogada submetida a um tratamento de fisioterapia após se acidentar em uma pista de esqui. Paralelo ao processo de recuperação da personagem, o filme acompanha sua vida antes daquele acidente, quando ela vive uma intensa relação com o envolvente Georgio Milevski, interpretado por Vincent Cassel. Entre idas e vindas dessa relação, a dificuldade de adaptação de Georgio ao casamento e os desafios na criação do filho, Tony é consumida pelo forte sentimento que nutre pelo amado e passa do encantamento dos primeiros anos de namoro à completa instabilidade emocional pós-casamento.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"></div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"></div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6292" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/06/Mon-Roi-3.jpg" alt="Mon-Roi-3" width="610" height="348" /></div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"></div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em <i>Meu Rei </i>é interessante observar todo esse caminho na relação dos protagonistas, algo que é bem particular, mas também passível de empatia,  através da perspectiva de Tony, vivida com muita sensibilidade e dedicação por Emmanuelle Bercot, desde já, uma das grandes interpretações do ano (não à toa, venceu o prêmio de melhor atriz em Cannes na sua edição). A maneira como a personagem administra o que sente por Georgio é a síntese de como a cineasta enxerga a natureza daquele amor dos seus personagens: um sentimento intoxicante. Maïwenn traça esse caminho com muita sutileza, seja na maneira como sua câmera capta a intimidade do casal e seus olhares de desejo (como na exemplar cena final), seja na forma como extrai dos seus atores principais interpretações em &#8220;carne viva&#8221;.</p>
<p>Não só Bercot é fundamental aos propósitos da realizadora, como também Vincent Cassel, que torna Georgio uma figura incontestavelmente apaixonante nos primeiros momentos do longa, o que nos faz compreender a intensidade do sentimento de Tony por ele, mas também um sujeito repleto de falhas de caráter que acabam sendo reveladas somente mais tarde para o público e sua protagonista (ou muito provavelmente sempre estivera lá, mas tal qual Tony não conseguíamos enxergar, tamanho o fascínio e magnetismo daquele homem). Assim, Maïwenn, sabiamente, ao lado de Cassel, constrói um determinado personagem para depois de algum tempo &#8220;puxar o nosso tapete&#8221; e mostrá-lo de uma maneira não tão agradável, quase que repulsiva, sublinhando que o olhar da diretora não é complacente com aquela relação, ao menos não tanto quanto antes.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Ao fazer um pertinente recorte sobre o seu tema, <i>Meu Rei </i>se<i> </i>apresenta ao público como uma jornada emocionalmente intensa. É um filme terno com seus personagens, sobretudo com a sua protagonista, mas também implacável com os mesmos, apresentado-os em suas admiráveis qualidades e incômodos defeitos. Desconstruídos ao longo da projeção, Tony e, principalmente, Georgio mostram as suas ranhuras.</p>
<p>Maïwenn acaba realizando com sua obra uma jornada emocional e cinematograficamente madura a respeito dos encontros amorosos em todo seu caráter contraditório e suas idealizações arriscadas. Calibrado por interpretações entregues e irretocáveis de Emmanuelle Bercot e Vincent Cassel, o filme ganha ainda mais força e pulsão. Tão inebriante, intenso e devastador quanto o sentimento que busca entender ao longo de toda a sua projeção, o longa também acaba se tornando uma grande crítica da sua realizadora à &#8220;síndrome do príncipe encantado&#8221; e à sociedade que contribui para a perpetuação de um modelo de relação baseado na internalização do encantamento da vida de conto de fadas.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"></div>
<p><strong>Assista ao trailer: </strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/AuLfb_fpgrg" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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