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	<title>Arquivos Toni Collette - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Toni Collette - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Mafia Mamma &#8211; De Repente Perigosa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 May 2023 19:55:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sabe aquele filme que é tão &#8220;farofa&#8221; divertida que faz com que a gente saia leve do cinema? É o caso de Mafia Mamma &#8211; De Repente Perigosa. E isso não impede do longa ter cenas escatológicas, muito sangue e matança. Mas é que as coisas são tão absurdas e escancaradas, que a risada e o choque é mais que certo. Gosto muito de Toni Collette (O Beco do Pesadelo) em filmes de comédia, desde o clássico indie O Casamento [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Sabe aquele filme que é tão &#8220;farofa&#8221; divertida que faz com que a gente saia leve do cinema? É o caso de <strong><em>Mafia Mamma &#8211; De Repente Perigosa</em></strong>. E isso não impede do longa ter cenas escatológicas, muito sangue e matança. Mas é que as coisas são tão absurdas e escancaradas, que a risada e o choque é mais que certo.</p>
<p>Gosto muito de Toni Collette (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-beco-do-pesadelo/"><em>O Beco do Pesadelo</em></a>) em filmes de comédia, desde o clássico indie <em>O Casamento de Muriel</em>. A sua naturalidade sempre dá o tom no personagem e neste caso aqui não foi diferente. Kristin é uma mulher de meia idade com uma vida tediosa, um casamento falido e com o filho recém ido para a universidade. Sua vida dá um giro completo quando ela pega o marido na cama com outra, na mesma época em que recebe a notícia do falecimento do avó italiano que não conviveu. Juntando toda essa situação, ela decide ir ao velório na Itália e aproveitar para se livrar um poucos dos problemas de sua vida.</p>
<p>A viagem, claro, sai bem diferente do esperado. Ela acaba descobrindo que o avó não era um simples vinicultor e, sim, um chefão da máfia. Vários personagens interessantes vão sendo introduzido na trama de maneira bem abstrata e aleatória, mas dentro de um contexto que justifica. Monica Bellucci (<em>Os Melhores Anos de uma Vida</em>) é a parceira de confiança que vai te guiar por esse novo caminho, enquanto uma dupla de capangas divertidíssima rende bons momentos em tela.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16716" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/mafiamamma-1.jpg" alt="Mafia Mamma - De Repente Perigosa" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/mafiamamma-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/mafiamamma-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/mafiamamma-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/mafiamamma-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A história, como é de se imaginar, não tem os <em>plots</em> mais inovadores e surpreendentes. <em><strong>Mafia Mamma &#8211; De Repente Perigosa</strong></em> é relativamente curto, o que não dá espaço para prolongamentos desnecessários. Ele é objetivo, rendendo apenas o suficiente para ser divertido. Filmes desse tipo, que fazem uso de um humor mais chocante, com muitos excessos, precisam cuidar da dinâmica do tempo, senão rapidamente se tornam cansativos.</p>
<p>Um dos focos da trama, inclusive, é a vida da mulher mais madura, em torno de seus 50 anos. A descoberta de novos objetivos, o entendimento de que existe muito além daquilo que ela já conhecia e, principalmente, a questão da sensualidade. Ainda que o objetivo do filme não seja particularmente esse, as pinceladas rápidas abrem espaço para essa inserção. Temos duas protagonistas que são 50+ e super atraentes, mostrando que Hollywood não precisa se restringir em termos de idade. Aliás, a dinâmica entre Collette e Bellucci é primorosa.</p>
<p>No final das contas, <strong><em>Mafia Mamma &#8211; De Repente Perigosa</em></strong> é um longa que entrega aquilo a que se propõe. Diversão descompromissada e nenhum roteiro muito elaborado que nos faça pensar demais. A direção de Catherine Hardwicke &#8211; que aprecio as particularidades desde <em>Crepúsculo</em> (2008) &#8211; funciona como o encaixe perfeito na história. Vale a pena conferir para relaxar no fim de semana!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Catherine Hardwicke</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Toni Collette, Monica Bellucci, Alfonso Perugini, Giulio Corso, Francesco Mastroianni, Sophia Nomvete</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/rMTW5gOEz50" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Beco do Pesadelo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 14:08:28 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Beco do Pesadelo é uma adaptação do Guillermo Del Toro para o romance homônimo de William Lindsay Gresham publicado em 1946 e que, por sua vez, já tinha rendido um filme muito famoso dirigido por Edmund Goulding em 1947. Del Toro teve o primeiro contato com o romance quando o ator Ron Perlman, que está no filme como uma figura paterna para a personagem de Rooney Mara, o presenteou com um exemplar do livro em 1992 no set de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é uma adaptação do Guillermo Del Toro para o romance homônimo de William Lindsay Gresham publicado em 1946 e que, por sua vez, já tinha rendido um filme muito famoso dirigido por Edmund Goulding em 1947.</p>
<p>Del Toro teve o primeiro contato com o romance quando o ator Ron Perlman, que está no filme como uma figura paterna para a personagem de Rooney Mara, o presenteou com um exemplar do livro em 1992 no set de Cronos, primeira parceria dos dois nas telas antes mesmo de Hellboy.</p>
<p>O romance de Gresham é um material que faz todo sentido cair nas mãos do diretor. Toda a sua trama de corrupção apresenta uma atmosfera sobrenatural, mesmo que paire uma dúvida sobre a presença dessas manifestações na tela. Além disso, um dos cenários de <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é um circo na tradição freakshow, tipo de atração bem comum na primeira metade do século passado e que rendeu obras do horror como Monstros de Todd Browning e a quarta temporada de American Horror Story. E lidar com essa temática é uma das especialidades do diretor, vide seu último longa, o vencedor do Oscar A Forma da Água.</p>
<p><em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> acaba sendo um conto moral à moda antiga, no qual o cineasta reverencia obras do passado, a própria primeira adaptação do romance e o cinema noir, trazendo essa história de um homem que cai em desgraça a partir do momento em que cede à ambição e ao enriquecimento a partir da exploração da fé alheia.</p>
<p>Bradley Cooper vive um rapaz que vai trabalhar em um circo e aprende alguns truques com um grande ilusionista interpretado por David Strathairn (Boa Noite e Boa Sorte). Mesmo alertado pelo seu mentor de que o uso indevido desse conhecimento pode levá-lo à desgraça, o personagem de Cooper utiliza tudo o que aprende para enganar gente poderosa quando vai para cidade grande. Só que ele acaba se encrencando cada vez mais, sobretudo quando ele começa a se deparar com figuras mais ardilosas que ele.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15139" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539.jpg" alt="O Beco do Pesadelo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Desde que migrou em definitivo para o grande esquema de produção cinematográfica hollywoodiano, o cinema de Del Toro passou por uma adaptação. É evidente que filmes como A Forma da Água, A Colina Escarlate ou <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> estão à sombra de obras como A Espinha do Diabo ou O Labirinto do Fauno, indubitavelmente mais espontâneos e menos pasteurizados. Ainda assim, Del Toro consegue encontrar brechas em <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em>.</p>
<p>Aqui, Del Toro acerta sobretudo por não ter grandes ambições com sua história, querer extrair grandes temáticas ou se preocupar excessivamente em mostrar o poder de fogo do cineasta com composições imagéticas mais estilísticas. Em <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em>, Del Toro não tem vergonha alguma de abraçar o clássico. Mesmo que no começo, o momento em que o protagonista tem sua experiência no circo, o filme soe perdido em suas diversas histórias paralelas, sempre em busca de algum fiapo de trama central, <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> acaba nos levando a um resultado claramente mais satisfatório que títulos como A Forma da Água e A Colina Escarlate.</p>
<p>Um dos pontos altos do longa é o desempenho de Bradley Cooper, que faz um sujeito completamente desprezível. É interessante como Del Toro segura até o fim a verdadeira natureza desse personagem, tudo para nos seduzir com aquela figura. Desde trabalhos como O Lado Bom da Vida, Sniper Americano e Nasce uma Estrela, Bradley só se supera. Aqui o ator tem a oportunidade de interpretar um grande vilão, um homem inescrupuloso e sem redenção, mostrando assim uma faceta inesperada para o público. No fim das contas, através desse personagem tão bem delineado pelo ator, Del Toro nos apresenta o processo gradual de bestificação do homem em uma jornada desenhada com muito esmero e didatismo por Cooper.</p>
<p>O filme tem no elenco três atrizes formidáveis: Rooney Mara, Toni Collete e Cate Blanchett, mas as todas elas são subaproveitadas pelo tratamento raso que o roteiro dá as suas personagens. Entre elas, Blanchett tem os seus momentos como uma psicóloga que seduz o personagem do Cooper, mas é um tipo de papel que a gente já espera ver a atriz dominar como ninguém na tela e é um pouco frustrante para o espectador notar que ela não extrapola essa expectativa. Ainda assim, há momentos brilhantes da atriz, sobretudo quando Del Toro sequer registra o rosto de Blanchett no quadro e ela só tem a voz como instrumento de expressão nas sessões de análise do personagem de Cooper.</p>
<p>De uma maneira geral é um super-produção, um ótimo entretenimento adulto fugindo das opções usuais do cinema atual, como filmes de super heróis e derivados. <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é bem dirigido por Guillermo Del Toro e, sobretudo, confirma Bradley Cooper como um intérprete versátil.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guillermo del Toro</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Bradley Cooper, Cate Blanchett, Toni Collette, Willem Dafoe, Richard Jenkins, Rooney Mara, Ron Perlman, Mary Steenburgen</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6mifhKKpHTI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Entre Facas e Segredos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Dec 2019 13:24:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em seu quinto trabalho como diretor e roteirista, Rian Johnson (Star Wars: Os Últimos Jedi, de 2017) traz às telonas um suspense policial a la Agatha Christie. A morte do patriarca de uma família se desenrola numa atmosfera leve e cheia de graça. O paradoxo do cômico em meio ao trágico é uma das melhores sacadas do longa-metragem. Os entrelaces do mistério são tecidos em meio à dramática presença do detetive Benoit Blanc &#8211; interpretado por Daniel Craig. Essa versão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em seu quinto trabalho como diretor e roteirista, Rian Johnson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-star-wars-os-ultimos-jedi/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Star Wars: Os Últimos Jedi</em></a>, de 2017) traz às telonas um suspense policial a la Agatha Christie. A morte do patriarca de uma família se desenrola numa atmosfera leve e cheia de graça. O paradoxo do cômico em meio ao trágico é uma das melhores sacadas do longa-metragem. Os entrelaces do mistério são tecidos em meio à dramática presença do detetive Benoit Blanc &#8211; interpretado por Daniel Craig. Essa versão atrapalhada e canastrona do Hercule Poirot rendeu ao diretor as possibilidades que diferenciam esse filme de um suspense comum. Com sua mescla perfeitamente dosado entre comédia e suspense, <em><strong>Entre Facas e Segredos</strong></em> chega aos cinemas nesta quinta-feira (12).</p>
<p>O famoso escritor Harlan Thrombey (Christopher Plummer) completa 85 anos. Na manhã seguinte à festa de aniversário, o escritor é encontrado morto em seu escritório. Como em um de seus livros, a morte de Harlan está cheia de mistério e só pode ser resolvida com um olhar mais apurado. Para isso, o renomado detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) se une à investigação para desvendar o possível crime. Esse será, contudo, um caso difícil até mesmo para Blanc porque, diante dos funcionários misteriosos e da família problemática, todos têm motivos e todos são suspeitos.</p>
<p><em><strong>Knives Out</strong></em> (título original) funciona como uma espécie de tributo aos romances policiais que inspiraram sucessos cinematográficos das décadas de 1950 e 1960. A partir do uso de formatos padrões, como o estilo narrativo do <em>whodunit</em> &#8211; expressão designada para histórias desencadeadas por um assassinato e seguidas pela árdua investigação do mesmo -, o longa consegue beber dessas fontes sem perder sua originalidade. A partir da mescla entre o cômico e o suspense &#8211; assim como foi feito em <em>A Noite de Jogo</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-pequeno-favor/"><em>Um Pequeno Favor</em></a> (ambos de 2018) &#8211; Rian Johnson entrega ao público uma história inteligente e instigante. O espectador fica preso àquela trama do primeiro ao último minuto.</p>
<p>Outra sacada que faz <strong><em>Entre Facas e Segredos</em></strong> se sobressair é a utilização da ironia metalinguística presente na história. A ideia de ver um renomado escritor de romances policiais vivendo suas próprias histórias potencializa a trama. Durante todo o filme, o público é lembrado dessa ironia por meio da personagem de Noah Segan (<em>Looper: Assassinos do Futuro</em>, de 2012) que é um fã das histórias de Harlan Thrombey. A possibilidade de brincar com a narrativa dentro e fora dela é um fator que cativa a atenção do espectador. Dessa forma, a metalinguagem potencializa tanto a comicidade como a tensão do longa.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12064" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5367347.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Entre Facas e Segredos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5367347.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5367347.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5367347.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A inovação não é um ponto forte no roteiro, mas a forma como Johnson brinca com os preceitos já estabelecidos faz toda a diferença. As personagens são versões problemáticas de uma família completamente disfuncional que sempre viveu às custas do pai. Não há nada de novo nisso, contudo, a maneira como as nuances de cada personagem são reveladas mostra ao público que existem camadas por trás dessas “pessoas conhecidas”. Ao mesmo tempo que a narrativa carrega essas personagens comuns, Daniel Craig <em>(<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-007-contra-spectre/">007 Contra Spectre</a></em>, de 2017) e Ana de Armas (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><em>Blade Runner 2049</em></a>, de 2017) vivem figuras com características peculiares que, tanto ajudam no desenrolar da trama, como funcionam como outra saída cômica.</p>
<p>Tecnicamente, <strong><em>Knives Out</em></strong> é um filme correto. A direção é extremamente precisa e inteligente em suas escolhas. Os enquadrados, por exemplo, dinamizam as cenas e, consequentemente, a trama. Ao pensar no roteiro, os <em>plots</em> são um ponto-chave. A proposta escolhida por Johnson, apesar de não ortodoxa, é bem elaborada e se torna uma motivação a mais para o espectador se prender ao que acontece na tela. A fotografia e a direção de arte do filme também ajudam a compor a atmosfera lúdica e misteriosa da narrativa. As imagens que passam diante dos olhos do público não são apenas esteticamente belas, mas também estão carregadas de significados.</p>
<p>Com seus 130 minutos de duração, <em><strong>Entre Facas e Segredos</strong></em> é uma experiência prazerosa. O mistério é satisfatório e recheado de criativas saídas que não permitem que a narrativa caia nas mesmices do gênero. Com uma bilheteria que já ultrapassa mais de três vezes seu orçamento, o longa chega aos cinemas brasileiros para ganhar a atenção do público. Além do sucesso comercial, o filme também é bem visto pela crítica. Com o prêmio de “Melhor Elenco de Filme” no Satellite Awards, o longa foi, recentemente, indicado em três categorias do Globo de Ouro (“Melhor Ator em Comédia ou Musical”, “Melhor Atriz em Comédia ou Musical” e “Melhor Comédia ou Musical”).</p>
<p><strong>Direção:</strong> Rian Johnson<br />
<strong>Elenco:</strong> Daniel Craig, Chris Evans, Ana de Armas, Noah Segan, Jamie Lee Curtis, Michael Shannon, Don Johnson, Toni Collette, Lakeith Stanfield, Christopher Plummer, Katherine Langford</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/fEVEpTq0k2k" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial: O horror de Ari Aster</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/especial-o-horror-de-ari-aster/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Sep 2019 21:58:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Numa sexta-feira 13, nada melhor do que uma boa discussão sobre o gênero que faz o público se arrepiar de medo. Em meio ao vasto universo cinematográfico do pavor, uma das maiores barreiras encontradas são as limitações de gênero. A possibilidade de um espectador interpretar o filme de forma equivocada é grande. Diante desse embate, o universo dos filmes de terror e horror vivem um dilema crucial. As diferenças entre os dois tipos de abordagens passam despercebidas ao público e, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Numa sexta-feira 13, nada melhor do que uma boa discussão sobre o gênero que faz o público se arrepiar de medo. Em meio ao vasto universo cinematográfico do pavor, uma das maiores barreiras encontradas são as limitações de gênero. A possibilidade de um espectador interpretar o filme de forma equivocada é grande. Diante desse embate, o universo dos filmes de terror e horror vivem um dilema crucial. As diferenças entre os dois tipos de abordagens passam despercebidas ao público e, em muitos casos, pode destruir a experiência. O problema se intensificou com a renovação das narrativas de horror dos últimos anos, onde o público coloca terror e horror como formatos iguais de atmosfera e efeitos.</p>
<p>Mas então qual seria a diferença na experimentação destas duas tipologias? O terror pode ser entendido como um gênero que visa assustar o espectador. Por meio de jogos com os medos mais primitivos do público, o terror se propõe a intensificar os pavores da audiência. Se bem executado, a produção tem como resultado sustos e pânico. Em contrapartida, o horror traz como proposta um diálogo com a psique do espectador. Suas narrativas brincam com a barreira do que é tolerável psicologicamente, o que pode causar repulsa, aversão ou pavor. Ou seja, em linhas bem gerais, os filmes de terror focam na composição narrativa que causa o susto, a tensão e o pânico, enquanto os longas de horror se dedicam na elaboração de uma história que leve o público aos limites da sua tolerância física e capacidade mental.</p>
<p>Em meio as confusões entre os tipos de filmes em questão, eis que surge o diretor e roteirista Ari Aster. O americano aparece nas telonas, em 2018, com seu primeiro longa-metragem, o sucesso de crítica e bilheteria <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-hereditario/"><em>Hereditário</em></a>. O mundo se chocou com as terríveis vivências sobrenaturais que envolveram a família Graham. A produção cria – por intermédio de um universo sombrio, caótico e gélido – uma experiência de horror intensa e brutal. <em>Hereditary</em> (título original) causou algumas reviravoltas no estômago dos espectadores mundo afora por sua premissa aterrorizante tão característica do horror.</p>
<p>Dessa forma, o diretor imprimiu, de forma criativa e completa, o que é uma obra de horror. Ari Aster traz, como uma de suas principais marcas, roteiros chocantes. A partir da utilização de problemas cotidianos, Aster cria narrativas viscerais, intensas e de pura agonia.  Essas se mostram capazes, ao mesmo tempo, de causar repulsa e fascinar o espectador. O interesse pelo culto sobrenatural se mostrou uma outra fonte de inspiração do cineasta. Tanto em seu primeiro filme como agora em <em><strong>Midsommar &#8211; O Mal não Espera a Noite</strong></em> – o qual estreia na próxima quinta-feira (19) –, o diretor se inspira nas ansiedades e medos da modernidade para criar uma experiência de puro horror. Aster chega para mostrar ao público a tipologia cinematográfica que define o seu trabalho e para explicitar as diferenças entre horror e terror.</p>
<p>Mesmo imprimindo sua assinatura com clareza, Aster se mostra extremamente diverso e capacitado no quesito criação. Como resultado disso, apesar de se serem originárias dos temores reais, as narrativas dos dois filmes de Ari se mostram completamente diferentes. Por essa razão, 0 enredo, a composição imagética e a atmosfera de <em><strong>Midsommar</strong></em> é oposta à<em> Hereditário</em>. Cada uma, portanto, coexiste em seu universo de possibilidades, ansiedades e medos. E, em certa medida, as duas obras do americano podem ser interpretadas como ying e yang, opostos complementares do diretor.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11270" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/0009771.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/0009771.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/0009771.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/0009771.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Enquanto <em>Hereditário</em> foca sua trama na perda de um familiar, no distanciamento entre as pessoas e no peso que segredos tem sobre uma família, <em><strong>Midsommar</strong></em> se preocupa em retratar a solidão. A segunda obra de Aster sai de uma discussão das relações familiares caóticas para uma abordagem psicológica do eu – onde esse eu moderno se vê constantemente solitário. Sendo resultado de uma direção de arte brilhante, o novo filme do cineasta mostra a verdadeira face do mal em meio a uma realidade palpável, uma vez que o medo aparece diante da luz, com cores intensas e numa faceta que condiz com o padrão social.</p>
<p>Nas escolhas técnicas das produções, Aster seguiu caminhos diferentes para cada uma de suas histórias. <em>Hereditário</em> usou jogo de sombras, cores frias e a metalinguagem das miniaturas feitas pela personagem de Toni Collette (<em>Pequena Miss Sunshine</em>, de 2006) como artifícios para transmitir o pavor vindo do sobrenatural, do desconhecido. Além disso, o constante uso de cenas com <em>close-ups</em> e plano-detalhe foram fundamentais fundamental para compor a atmosfera de <em>Hereditary.</em></p>
<p>Como seu &#8220;oposto complementar&#8221;, <strong><em>Midsommar</em></strong> é uma verdadeira carta à humanidade sobre a temida solidão. Para evidenciar isso, a produção surpreendente à todos pelos artifícios usados para provocar esse sentimento no público. O filme, ao contrário do que se pode esperar de uma temática dessas, utiliza cores vívidas em suas cenas mais assombrosas, compõe os ambientes com uma luz irradiante e uma paleta de cores extremamente diversificada. A consequência disso é a força avassaladora que resulta dessa composição cênica. A natureza nunca foi tão hostil em seus dias mais alegres.</p>
<p>Todos esses fatores se unem ao vazio existencial presente no subtexto da narrativa, em seus personagens principais e até nas escolhas de filmagens – como o uso constante de planos gerais, mostrando a insignificância das pessoas diante da imensidão da natureza e de suas forças celestiais. Escolhas ousadas as quais obtiveram um surpreendente e aterrador resultado. Dessa forma, ao final da sessão, a experiência de assistir <strong><em>Midsommar</em></strong> é completamente diferente do que se espera de uma obra de horror e até mesmo do que se especulava da produção.</p>
<p>Assim, o público ganha a oportunidade de experimentar uma nova obra de horror que segue a risca o seu significado. Complementando trabalho feito em <em>Hereditary</em> e ampliando suas abordagens das ansiedades da modernidade, Ari Aster fez o inimaginável com cuidado, esmero e criatividade extrema. Mais uma vez o diretor e roteirista se muniu de uma boa equipe que, junto à sua brilhante história, criaram um dos filmes mais complexos para a mente humana. Talvez a metáfora da solidão passe despercebida por alguns espectadores, mas, àqueles que captarem a mensagem, preparem-se para vivenciar a angústia de uma verdadeira obra de horror. Preparem-se para <strong><em>Midsommar &#8211; O Mal não Espera a Noite</em></strong>.</p>
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		<title>Crítica: Velvet Buzzsaw</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Feb 2019 18:39:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A arte pode ter diversos objetivos. O cinema, como uma forma de arte, absorve essas propriedades podendo ser o que a produção e direção do projeto quiserem. Algumas vezes a sétima arte é usada como meio de contestação, crítica social ou sátira dos problemas do passado e/ou presente. Independente do gênero, as películas ganham a função de colocar o espectador num lugar onde ele deve estar alerta para as questões intrínsecas a narrativa. Assim são as premissas básicas de grandes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A arte pode ter diversos objetivos. O cinema, como uma forma de arte, absorve essas propriedades podendo ser o que a produção e direção do projeto quiserem. Algumas vezes a sétima arte é usada como meio de contestação, crítica social ou sátira dos problemas do passado e/ou presente. Independente do gênero, as películas ganham a função de colocar o espectador num lugar onde ele deve estar alerta para as questões intrínsecas a narrativa. Assim são as premissas básicas de grandes clássicos que datam desde as primeiras décadas da história cinematográfica.</p>
<p>Alguns diretos conduzem os seus trabalhos através desse olhar crítico. O diretor e roteirista Dan Gilroy, por exemplo, tem usado as suas obras como uma denúncia de situações cotidianas. Em sua estreia como diretor em O Abutre (2014), Gilroy traz uma crítica ao fascínio da sociedade pela violência e o mercado monetário que isso criou. Seu thriller jornalístico foca em como o público clama pelo gore e até onde alguém é capaz de ir para conseguir esse “furo violento” e, com ele, ganhar dinheiro. Em seguida, o diretor leva às telonas <em>Roman J. Israel, Esq.</em> (2017), uma história sobre ganância e crenças numa sociedade completamente corrompida por bens materiais. O diretor mostra o declínio do seu nobre cavaleiro – de um justiceiro cheio de ideais para mais uma pessoa vendida as normas e padrões mantidas pelo status quo.</p>
<p>A nova produção dirigida e roteirizada por Dan Gilroy tem, mais uma vez, críticas aos padrões estéticos, econômicos e sociais da atualidade como foco da trama. Dessa vez, o diretor utiliza o universo da arte como pano de fundo para uma brutal amostra da apatia, insensibilidade e ganância humana. <em><strong>Velvet Buzzsaw</strong></em> encara a monetização da arte como um mal irremediável que levará todos a um trágico fim. A terceira película de Gilroy estreou semana passada na Netflix e já divide opiniões. O longa produzido pelo <em>streaming</em> teve a sua première no Festival Sundance de Cinema de 2019.</p>
<p>O dinheiro tomou conta do mercado da arte. Donos de galerias, críticos, artistas e investidores vivem de acordo com as regras do jogo até que um acontecimento fatídico muda tudo. A morte de um pintor desconhecido leva Josephina (Zawe Ashton) a buscar o seu momento de glória. Após pedir conselhos ao famoso crítico Morf Vandewalt (Jake Gyllenhaal), Josephina faz um acordo bilionário com Rhodora (Rene Russo), dona da galeria Haze, para vender as obras do falecido Vetril Dease (Alan Mandell). Após o sucesso de vendas dos quadros de Dease, uma série de mortes misteriosas ocorre. Com a contagem de corpos aumentando, os envolvidos com as obras de Dease vão perceber que há algo de sobrenatural em suas telas.</p>
<p>O desempenho de Gilroy como diretor é interessante. Mais uma vez ele mostrou as suas críticas a sociedade através de imagens belas e impactantes. Por vezes a trama se perde em um emaranhado de cenas esteticamente elaboradas, mas que pouco dizem ao espectador. Os pontos qualitativos de<em><strong> Velvet Buzzsaw</strong></em> estão na superfície. A camada mais exterior do produto tem uma qualidade indiscutível com enquadramentos poderosos, sequências bem elaboradas, uma montagem inteligente e um subtexto extremamente eficiente. Contudo, nem mesmo os números malabarísticos do diretor salvam a confusão formada pelo conteúdo do longa.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9930" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/velvet-buzzsaw-2019-2.jpg" alt="Velvet Buzzsaw" width="610" height="348" /></p>
<p>O roteiro, também assinado por Gilroy, é o paradoxo da produção. Ao mesmo tempo que ele elabora uma carta-denúncia a mercantilização da arte e suas consequências relacionadas a apatia social, o roteirista subaproveita a sua história central e as suas personagens. É compreensível e admirável a criação satírica da película, mas isso se sobrepôs a todo o resto da obra. Gilroy deu mais atenção a isso do que a construção de uma narrativa de terror. O subtexto falou (muito) mais alto que o foco central. Por conta disso, é angustiante para o público passar quase duas horas sendo confrontado por questionamentos sem o revestimento dramático necessário. Em contrapartida, existe uma inteligência na escolha das falas de cada personagem/cena que resulta em uma ligação direta com os acontecimentos da trama.</p>
<p>Apesar dos atores extraordinários que compõem o elenco, os seus talentos não são totalmente explorados pelos problemas do roteiro. As personagens são extremamente superficiais e, por mais que isso pudesse ser um conceito da narrativa, atrapalha o processo de identificação e, consequentemente, os efeitos que o longa desejava alcançar. Jake Gyllenhaal e Rene Russo são os mais bem aproveitados e ambos estão excelentes em suas personagens. É inevitável que o público espere momentos de maior adrenalina e tempo de tela para artistas como Toni Collette e John Malkovich. Mesmo se comparando aos trabalhos do falecido Robert Altman e seu extenso elenco, Dan Gilroy não conseguiu dar oportunidades cênicas aos atores como Altman fazia.</p>
<p>A apreciação por <strong><em>Velvet Buzzsaw</em></strong> não se deixa abater pelos deslizes do roteiro. Outras partes da produção, como a montagem e a direção de arte, conseguem compensar e trazer o espectador para junto da trama outra vez. O trabalho feito na edição das cenas é espetacular. A brincadeira das paisagens de Los Angeles com as sinistras obras de Dease e a conexão dos diálogos com as imagens são brilhantes. Outro ponto alto da produção é a direção de arte que aproveita a estética do mundo das galerias e da arte e faz um jogo de cores e cenários o qual ajuda a criar a tensão do terror. Ademais, os créditos iniciais são uma obra de arte a parte. A sutileza criativa e metalinguística imbuída aos créditos de abertura iniciam o filme da melhor forma possível.</p>
<p><em><strong>Velvet Buzzsaw</strong></em> deixa muito claro para que veio ao mundo. As suas críticas estão evidentes a cada cena dentro dos 113 minutos de tela. A força dessa mensagem talvez tenha sofrido por causa do roteiro. Talvez, se melhor trabalhado o terror e as dinâmicas das personagens, o longa-metragem pudesse alcançar o objetivo de denúncia e ainda ser completo como produto artístico de determinado gênero. Mesmo com discussões importantes da atualidade sendo levantadas – como o sentido da arte, a falta consideração do mercado com a arte e a indiferença e ganância do ser humano – o conceito falou mais alto que o conteúdo do terror psicológico. No meio desse resultado um tanto caótico, o novo longa de Gilroy se firma como uma obra contraditória, porém inteligente e estranhamente cativante. <strong><em>Velvet Buzzsaw</em></strong> é bom, mas ele poderia ser muito mais; ele poderia ser um manifesto satírico do terror.</p>
<p><strong>Assista ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/trailer/">trailer</a>!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/jjCzrXiuEe8" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Hereditário</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Jun 2018 18:41:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Atualmente existe uma vertente de terror que está em voga e tem dado muito certo. Diversos diretores e roteiristas tem apostado numa trama de horror que envolve muito o psicológico, usando de ilusões visuais, trilhas de ambientação macabra – sem aqueles picos ensurdecedores da maioria dos filmes – e uma narrativa completamente aterradora que faz com que o público fique martelando cena por cena em sua mente. E o mais interessante desses longas-metragens são o seu resultado impactante e o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Atualmente existe uma vertente de terror que está em voga e tem dado muito certo. Diversos diretores e roteiristas tem apostado numa trama de horror que envolve muito o psicológico, usando de ilusões visuais, trilhas de ambientação macabra – sem aqueles picos ensurdecedores da maioria dos filmes – e uma narrativa completamente aterradora que faz com que o público fique martelando cena por cena em sua mente. E o mais interessante desses longas-metragens são o seu resultado impactante e o baixo orçamento que lhe é tão comum. Diversas produtoras têm mostrado que é possível fazer terror de qualidade sem um orçamento ridiculamente alto e sem os gastos e, muitas vezes, previsíveis artifícios tanto usados nos maiores sucessos do gênero da última década.</p>
<p>Uma das produtoras independentes que mais cresce na atualidade, a modesta e brilhante A24 Films, acabou de lançar mais um sucesso estrondoso de horror, o longa <em>Hereditário</em>. Sendo a terceira película do gênero da produtora – antecedida pelo sucesso de bilheteria e crítica<em> A Bruxa</em> (2015) e o genial, mas não tão conhecido, <em>Ao Cair da Noite</em> (2017) – Hereditary (título original) chega aos cinemas brasileiros já com uma bilheteria invejável. Com apenas duas semanas que teve a sua primeira estreia, o filme já arrecadou mais de 4 vezes o seu orçamento e também conseguiu bater a bilheteria d&#8217;<em>A Bruxa</em>, se tornando a maior bilheteria de terror da produtora e preparada para concorrer com outros longas de sucesso que renderam muito para a empresa, como os dramas <em>Moonlight</em> e <em>Lady Bird</em>.</p>
<p>Após a morte da misteriosa e controladora avó, os Graham passam a sofrer com o legado obscuro que a matriarca deixou para sua família. A disfunção familiar irá apenas se agravar à medida que os dias passam e trazem consigo o desenvolvimento de um segredo sobrenatural que se tornará o maior pesadelo de suas vidas. O que resta para os Graham é entender esse terror que preenche a sua casa e abre portas ainda mais obscuras em suas vidas para tentar escapar do destino que eles herdaram.</p>
<p>Ari Aster fez, em sua estreia como diretor e roteirista de um longa-metragem, um trabalho digno da atenção de todos os amantes do horror. Não somente por seu talento ser impressionante e incontestável, mas por ser surpreendente a maneira como ele criou uma história completamente original. São jovens talentos como Aster que fazem a diferença na renovação de um gênero tão gasto e maltratado como o terror. <em>Hereditário</em> chega as salas de cinema no mundo para mostrar para os céticos que ainda existem pessoas capazes de fazer um filme que te arrepie e te cause medo de verdade. A sua direção deslumbrante acompanhada de seu direcionamento para a perfeição de cada cena compôs uma orquestra de horror que merece ser aplaudida de pé.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9061" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/06/0594073.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Ao lado da ótima direção e do roteiro extraordinário, Aster contou também com a ajuda de três elementos perfeitamente consonantes com o seu trabalho. A trilha sonora original criada por Colin Stetson – cantor e compositor da música <em>Awake on Foreign Shores</em>, do filme <em>12 Anos de Escravidão</em>, de 2013 – é um espetáculo à parte. Afinal, o que seria de um filme de terror sem uma trilha sonora que arrepia até a alma do espectador? E a sua trilha cumpre esse papel brilhantemente ampliando ainda mais o potencial quase que inesgotável dessa produção. Ao lado da trilha, temos uma direção de fotografia que, no universo cinematográfico do horror, é uma das mais lindas dos últimos tempos. O trabalho de Pawel Pogorzelski é simplesmente fenomenal. Cada quadro da película é uma obra de arte através das lentes de Pawel, em especial as cenas externas e os momentos mais sombrios no final da trama.</p>
<p>Para concluir essa obra-prima do horror, deve-se falar também do elenco. Um elenco principal com apenas cinco personagens que conseguiram domar a atenção do público com sua maestria durante os 127 minutos de filme. Cada um deles merece um destaque especial por conta da sua importância e qualidade cênica, contudo a jovem Milly Shapiro precisa ter um ponto de destaque ao se falar do resultado final de <em>Hereditário</em>. Com apenas 15 anos e em sua estreia nas telonas, Milly transfigurou-se na perturbada e solitária Charlie com uma perfeição digna de um artista muito experiente. Outro merecido destaque vai para Toni Collette <em>(O Sexto Sentido</em>, de 1999, e P<em>equena Miss Sunshine</em>, de 2006) cujo interpreta Annie, a mãe sofrida e problemática da família Graham. Os outros personagens que compõem essa narrativa aterradora são o pai (interpretado pelo ator, produtor e diretor Gabriel Byrne); Peter, o filho distante (interpretado pelo jovem e promissor Alex Wolff); e Joan, a amiga de Annie (interpretada pela espetacular Ann Dowd).</p>
<p><em>Hereditário</em> realmente é um trabalho cinematográfico espetacular que merece todo tipo de divulgação e comentários elogiosos. Contudo, a sua divulgação foi um tanto perigosa por comparar este trabalho com o clássico de terror<em> O Exorcista</em> (1973). É compreensível que, ao surgir um novo filme de terror que mereça elogios, ele seja comparado a uma das obras mais completas e brilhantes da história do gênero; a crítica a esta comparação está diretamente ligada a uma interpretação errada quanto ao subgênero que pode ser feita, levando até mesmo a uma queda de apreciação por parte dos espectadores, uma vez que ele não se assemelha muito com <em>The Exorcist</em> (título original do clássico). A película de Ari Aster se assemelha muito mais com a fusão do sobrenatural e o tormento psicológico de <em>O Bebê de Rosemary</em> (1968), do que com o longa de William Friedkin, por exemplo. Ou se assemelha muito mais com os recentes filmes do gênero que mexem com a mente, incitando o medo ao longo da narrativa, como <em>Corrente do Mal</em> (2014), <em>A Bruxa</em>, <em>Ao Cair da Noite</em>, <em>Corra!</em> (2017) e <em>Um Lugar Silencioso</em> (2018).</p>
<p>O que deve ser absorvido como resultado do produto da A24 é a grandiosidade e qualidade dele e o quanto ele pode influenciar outros tantos filmes que estão por vir. Aster mostrou que ainda existe uma chance para o subgênero sobrenatural de uma forma criativa, inovadora e aterrorizante. Ele presenteou o mundo com uma verdadeira obra que dá medo. Quem sabe, com a estreia de <em>Hereditário</em>, o público passe a entender que nem todo filme de terror tem que ter momentos de &#8220;<em>scary jump</em>&#8221; atrelados a um exagero de sangue em cena e sons que ensurdecem o espectador. Quem sabe agora, graças a este e tantos outros sucessos recentes, o gênero do horror passe a ser respeitado outra vez. A estreia de Aster é um marco para a produtora independente por ter alcançado a maior bilheteria da empresa em semana de lançamento e, principalmente, é um marco para a indústria do terror que passará a olhar novos talentos como Aster, John Krasinski, Jordan Peele, Trey Edward Shults, Robert Eggers e David Robert Mitchell com outros olhos. Dessa forma, <em>Hereditário</em> já se tornou muito mais do que um sucesso do gênero; ele se tornou uma herança de renovação.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/xvCyT6i0EZY" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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