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	<title>Arquivos Tilda Swinton - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Tilda Swinton - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Balada de um jogador (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Dec 2025 16:35:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um protagonista carismático e uma direção à serviço da narrativa, Balada de um jogador quase é um bom filme. Mas, onde ele falha? Na sua base, no roteiro. Colin Farrell se entrega completamente na criação do atrapalhado Lorde Doyle. A sua construção física é intensa e sutil, ao mesmo tempo. Isso porque o público enxerga as tremedeiras e olhares tontos de Doyle. No entanto, Farrell emprega uma retenção corporal que, dentro de todo o tônus que o ator aplica, os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um protagonista carismático e uma direção à serviço da narrativa, Balada de um jogador quase é um bom filme. Mas, onde ele falha? Na sua base, no roteiro.</p>
<p>Colin Farrell se entrega completamente na criação do atrapalhado Lorde Doyle. A sua construção física é intensa e sutil, ao mesmo tempo.</p>
<p>Isso porque o público enxerga as tremedeiras e olhares tontos de Doyle. No entanto, Farrell emprega uma retenção corporal que, dentro de todo o tônus que o ator aplica, os gestos ganham justeza.</p>
<p>Essa estratégia, inclusive, funciona como dosador do trágico e do cômico dentro da personagem.</p>
<p>Neste sentido, Edward Berger (Conclave) também entrega uma visão balanceada de uma desventura de um viciado em apostas, que vê em Xangai a possibilidade de uma reviravolta em sua sorte.</p>
<p>Apesar do forte uso de movimentações e efeitos de câmera, Berger é meticuloso no que vai utilizar. A sua decupagem procura traduzir o universo alucinante de Doyle.</p>
<p>Giros e panorâmicas elevam o potencial das emoções colocadas na tela. Ao mesmo tempo, respiros são acionados, nas quais os quadros são mais fechados e o plano parado.</p>
<p>Berger sabe o que faz, porém a história que escolheu contar possui falhas que interferem no resultado geral. O roteiro de Rowan Joffe (Antes de dormir) e Lawrence Osborne (O Perdoado) é simplório e óbvio.</p>
<p>Cada ação mostrada no ecrã pode ser prevista pelo espectador. Talvez, se Balada fosse um curta-metragem funcionasse um pouco mais. Porque além de todos os passos de Doyle serem nítidos, o longa se alastra sem necessidade.</p>
<p>Apenas o início do primeiro ato e o final do terceiro realmente acontecem com fluidez. As repetições das situações vivenciadas pelo Lorde Doyle somente reiteram o que a plateia já compreendeu nos primeiros minutos de projeção.</p>
<p>Desta maneira, a produção pode valer a pena para quem é entusiasta do trabalho de Farrell e/ou de Berger. Mas, como filme, o título falha em construir uma trama criativa e interessante.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Edward Berger</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Colin Farrell, Tilda Swinton, Alex Jennings</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Balada de Um Jogador | Trailer oficial | Netflix" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/zrXdRUTdG7A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Quarto ao Lado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 Oct 2024 00:13:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois dos curtas A Voz Humana e Estranha Forma de Vida, o cineasta Pedro Almodóvar finalmente faz a sua estreia em longas de língua inglesa com O Quarto ao Lado, filme vencedor do prêmio de melhor longa no último Festival de Veneza. Desde que ganhou projeção internacional nos anos 1980, não foram poucas as tentativas de trazer Almodóvar para os EUA. A mais recente que se tem notícia foi durante a pré-produção de Julieta de 2016, que seria protagonizado por Meryl Streep, mas que, &#8220;de última hora&#8221;, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois dos curtas A Voz Humana e Estranha Forma de Vida, o cineasta Pedro Almodóvar finalmente faz a sua estreia em longas de língua inglesa com <em><strong>O Quarto ao Lado</strong></em>, filme vencedor do prêmio de melhor longa no último Festival de Veneza. Desde que ganhou projeção internacional nos anos 1980, não foram poucas as tentativas de trazer Almodóvar para os EUA. A mais recente que se tem notícia foi durante a pré-produção de Julieta de 2016, que seria protagonizado por Meryl Streep, mas que, &#8220;de última hora&#8221;, acabou sendo convertido em uma produção espanhola protagonizada por Adriana Ugarte e Emma Suárez. Sempre que chegava o momento, o diretor alegava temer a barreira do idioma no set. As experiências nos curtas devem ter minimizado os temores do diretor e ele enfim traz para o público O Quarto do Lado.</p>
<p>Em <em><strong>O Quarto ao Lado</strong></em>, Almodóvar reúne Tilda Swinton, com quem havia trabalhado em A Voz Humana, e Julianne Moore na história de uma correspondente de guerra enferma por um câncer terminal (Swinton). Ciente dos seus últimos dias de vida, a personagem pede que uma amiga de longa data interpretada por Moore a acompanhe durante uma temporada em uma casa de campo onde pretende realizar um procedimento dar fim à própria vida.</p>
<p>Como Dor e Glória, <em><strong>O Quarto ao Lado</strong></em>traz reflexões do cineasta sobre a finitude, a morte, ou melhor, a vida é o grande tema do mais recente trabalho de Almodóvar. Toda a ação do filme é concentrada nos diversos diálogos entre as personagens de Swinton e Moore, que assumem um protagonismo absoluto na tela, conversando sobre o passado, presente e futuro.</p>
<p>Por um ponto de vista mais óbvio, Almodóvar olha para Martha, personagem de Swinton, percebendo seus últimos prazeres e refletindo sobre erros e acertos em sua vida. Tentando sumariamente resolver todas as questões mal administradas em seu último suspiro. Inicialmente, a personagem Swinton é definida pelo temor para gradualmente ter um enfrentamento mais sereno da situação.</p>
<p>Do outro, e talvez mais interessante, há também o olhar do cineasta para Ingrid, personagem de Moore. A escritora vive a ansiosa expectativa pelo momento em que, enfim, Martha não estará mais entre os vivos. Ingrid é a forma que Almodóvar encontra para falar sobre nossa relação mal resolvida com a morte, ou seja, como por vezes não gostamos de falar sobre sua iminência ou sobre assuntos relacionados a ela.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18857" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-1-3.png" alt="O Quarto ao Lado" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-1-3.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-1-3-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image-1-3-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><em><strong>O Quarto ao Lado</strong></em> é marcado por um roteiro que tem bastante sofisticação no tratamento do seu tema central. Almodóvar sabe elaborar um desenvolvimento complexo para a temática e conta com ótimas atrizes para conduzir tudo isso. É difícil ter algum &#8220;escorregão&#8221; nesse departamento quando se tem Tilda Swinton e Julianne Moore à frente do seu projeto. Ambas possuem uma sensibilidade ímpar e lidam com sentimentos delicados e não verbalizados ao longo da narrativa, sobretudo Moore que interpreta a espectadora da morte de alguém querido.</p>
<p>O problema é que <em><strong>O Quarto ao Lado</strong></em> causará estranhamento nos fãs mais ardorosos do cineasta e não é só pela língua falada. É o tipo de filme cuja resposta imediata após a sessão pode não fazer justiça ao seu resultado. É uma obra que precisa ser amadurecida intelectualmente pois surge como um ponto de mudança muito forte na filmografia do diretor.  Recentemente, Almdóvar tem se aberto a reflexões existencialistas sobre o seu legado diante da velhice e da percepção da finitude (Dor e Glória) e até mesmo colocado o dedo na ferida sobre o atual cenário político (Mães Paralelas). <em>O Quarto ao Lado</em> me parece mais um movimento nesse sentido. Em uma cena tola, mas emblemática desse movimento, Almodóvar sinaliza como, nessas circunstâncias, seus personagens sequer têm tempo ou enxergam graça no humor malicioso e erótico que lhe era tão peculiar &#8211; refiro-me a uma cena entre a personagem de Moore e um personal trainer.</p>
<p>Em <em><strong>O Quarto ao Lado</strong></em>, a forma tão característica do diretor parece dissonante da sobriedade que é vista na tela. É um cineasta em conflito: aquilo que ele quer abordar (a melancolia dos últimos dias e o pessimismo com o estado das coisas no mundo) encontra os resquícios da sua vivacidade estética que, alumas vezes, resiste, mas na maior parte do tempo cede diante da gravidade das coisas.  A artificialidade do mise en scène, o humor e as cores parecem não &#8220;conversar&#8221; muito bem com toda a melancolia vivenciada e representada tão bem pelas atuações de Swinton e Moore.</p>
<p>Talvez para quem seja fã do cinema do cineasta, encarar o diretor que será visto em <em><strong>O Quarto ao Lado</strong></em> pode parecer um choque. O mais recente trabalho de Almodóvar tem como ponto forte, para o bem e para o mal, todo o resultado dessas mudanças em cada fibra da sua trama. É um longa conflitante, muitas vezes, mais soturno do que a maior parte das obras do diretor. Em alguns momentos, essa mudança de perspectiva de Almodóvar é bem-vinda e resulta em insights de uma profundidade singular, em outros traz entraves para a própria apreciação da história contada e não parece tão harmonioso quanto o trabalho pregresso do realizador.</p>
<p>Em <em><strong>O Quarto ao Lado</strong></em>, Almodóvar traz personagens que não seguem por completo seus instintos, são mais contemplativos e melancólicos, estão paralisados diante do medo maior: a morte. Eles até  percebem seus desejos como impulsos persistentes e procuram atendê-los em determinado momento. Porém, os instintos já não são mais percebidos como algo capaz de aplacar todas as insatisfações. O tom mais existencialista, a decepção com o mundo, alternada por uma fúria e melancolia por perceber que as coisas não terminaram como lutamos para que terminassem&#8230; Este é Almodóvar hoje e talvez leve um tempo para assimilarmos esse novo artista, que segue fiel a sua identidade, mas que está presente em um outro contexto do mundo e da sua própria jornada. Ainda não é um Almodóvar resolutivo da sua nova forma, mas em transformação, o que é instigante de ser analisado, mesmo que não resulte em um dos seus maiores filmes, comprovando que a língua é apenas um detalhe na sua realização como artista.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Pedro Almodóvar</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Tilda Swinton, Julianne Moore, John Turturro</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/G4DdJyO7N9w?si=A0AWLedCcAjEWkjy" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Asteroid City</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2023 21:06:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Asteroid City é o mais novo longa do cineasta Wes Anderson (Ilha dos Cachorros), que cada dia conquista mais fãs com seu estilo bem característico de roteiro e direção. Neste longa, que se passa nos anos 1950, acompanhamos a cidade fictícia de Asteroid City, que recebe pais e alunos para uma convenção, que acaba dando muito errado, levando todos à uma quarentena forçada. Mesclando cenas bem coloridas em tons pastéis agradáveis com o preto e branco da narração, o longo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Asteroid City</em> </strong>é o mais novo longa do cineasta Wes Anderson (<em>Ilha dos Cachorros</em>), que cada dia conquista mais fãs com seu estilo bem característico de roteiro e direção. Neste longa, que se passa nos anos 1950, acompanhamos a cidade fictícia de Asteroid City, que recebe pais e alunos para uma convenção, que acaba dando muito errado, levando todos à uma quarentena forçada.</p>
<p>Mesclando cenas bem coloridas em tons pastéis agradáveis com o preto e branco da narração, o longo se desenrola como uma peça teatral que é explicada pelo personagem de Bryan Cranston (<em>Breaking Bad</em>). É um modo de construção de enredo bem específico, que pode deixar alguns espectadores incomodados. É cult demais e de nicho (não que ele não possa agradar o grande público). Dito isso, é preciso apreciar o estilo de Wes para seguir na lógico distópica que mistura os dois mundos &#8211; fictício e &#8220;real&#8221;.</p>
<p>Augie (Jason Schwartzman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-atraves-do-aranhaverso/"><em>Homem-Aranha: Através do Aranhaverso</em></a>) é um homem que vive o luto da perda recente da esposa. Ele não havia contado o evento para os quatro filhos e resolve fazer isso quando está à caminho da casa do avô das crianças e seu carro quebra. Justamente em Asteroid City. Logo na sequência, vários grupos vão chegando por conta da convenção, que é um grande mistério para todos.</p>
<p>O longa é agradável e confortável de assistir. Requer atenção do espectador, mas não exige uma dedicação intensa por parte dele. Flui com muita tranquilidade, nos mantendo atentos e interessados a todo momento. E isso se deve tanto ao estilo de gravação e fotografia, quanto à história em si, que é bem interessante.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16986" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319.jpg" alt="Asteroid City" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Logo somos apresentados ao personagem de Scarlett Johansson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-viuva-negra/"><em>Viúva Negra</em></a>), uma jovem artista que vive pelo holofote e tem um lado dramático bem acentuado. Com trejeitos de Marylin Monroe, ela começa a flertar com o protagonista, o deixando curioso e incomodado ao mesmo tempo. A atriz conta ainda com a companhia de sua filha, que claramente é fruto de uma gravidez na adolescência e se envolve com o filho mais velho de Augie.</p>
<p>A capacidade que Anderson tem de reunir grandes nomes de Hollywood e ainda gerir todos de maneira equilibrada é impressionante. Temos artistas de peso como Tom Hanks (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>), Tilda Swinton (<em>Joias Brutas</em>), Steve Carrell (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-querido-menino/"><em>Querido Menino</em></a>), que fazem suas participações (pequenas ou grandes) sem que ninguém tente roubar o holofote. Afinal, o foco ali é a história mais que curiosa daquela cidade. Temos até uma breve aparição do cantor brasileiro Seu Jorge, que surge para dar a &#8220;carteirada&#8221; da sua voz espetacular e marcante.</p>
<p>É curioso como o diretor e roteirista consegue trabalhar temáticas complicadas dentro de uma escala de &#8220;fofura&#8221;. O luto pela perda da esposa e mãe é pautado em vários momentos e representa apenas um dos diversos dilemas existenciais que são apresentados ao espectador. É uma melancolia constante, especialmente quando percebemos que temos um sorriso no rosto e um lamentar constante. E isso se vale pois ele intercala com coisas mais leves, como o amor na adolescência, a pureza infantil e as trapalhadas do governo.</p>
<p><em><strong>Asteroid City</strong></em> é mais um acerto de Wes Anderson, ainda que não seja sua obra suprema. Tem algumas questões em termos de ritmo, especialmente por conta deste vai e vem que representa a narrativa contada de uma peça teatral. Ainda que eu particularmente goste do modelo, é algo que pode trazer inquietação aos espectadores, mesmo os mais fãs. Ainda assim, é uma grata experiência cinematográfica, que merece a sua atenção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Wes Anderson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jason Schwartzman, Scarlett Johansson, Tom Hanks, Jeffrey Wright, Tilda Swinton, Bryan Cranston, Edward Norton, Adrien Brody, Liev Schreiber, Hope Davis, Rupert Friend, Stephen Park, Matt Dillon, Willem Dafoe, Margot Robbie, Steve Carell, Jeff Goldblum, Seu Jorge</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/wDuQokhnLM4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Voz Humana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Nov 2021 20:01:52 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Agustín Almodóvar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A espera da resposta de uma pessoa amada, o sufocamento e as fragilidades das relações românticas e como elas podem nos levar aos caos externos e internos absolutos são alguns dos temas tratados em A Voz Humana. Em um média-metragem de 30 minutos, Pedro Almodóvar traz a adaptação da peça homônima de Jean Cocteau, com Tilda Swinton como protagonista. Em seu monólogo, acompanhamos, majoritariamente, ela e suas angústias, em todo cenário que a cerca. Na decupagem de Almodóvar e na [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A espera da resposta de uma pessoa amada, o sufocamento e as fragilidades das relações românticas e como elas podem nos levar aos caos externos e internos absolutos são alguns dos temas tratados em <em><strong>A Voz Humana</strong></em>. Em um média-metragem de 30 minutos, Pedro Almodóvar traz a adaptação da peça homônima de Jean Cocteau, com Tilda Swinton como protagonista. Em seu monólogo, acompanhamos, majoritariamente, ela e suas angústias, em todo cenário que a cerca.</p>
<p>Na decupagem de Almodóvar e na atuação de Swinton, cada um dos sentimentos da personagem principal são evocados e passados para o espectador. Principalmente, através de planos mais abertos, nos quais vemos esta mulher andando por vários caminhos dentro de um cubículo adereçado e lutando contra suas emoções transbordantes, é curioso observar como Almodóvar não tenta disfarçar para o público a artificialidade daquele espaço. É possível ver as paredes cenográficas, principalmente em quadros filmados de cima.</p>
<p>Há também uma presença de objetos tecnológicos, pontualmente. Eles, de certa forma, criam um paralelo com toda o estranhamento e distanciamento que arrebata a personalidade das pessoas em términos. Seja no aguardo por uma resolução, nas palavras ensaiadas para um possível reencontro ou neste tipo de luto que toma conta dos corações sofridos, há algo mecânico e artificial quando um fim chega, principalmente quando se trata de uma decisão de apenas um lado.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a intimidade criada com a figura central faz com que seja construída uma compreensão gradual sobre suas motivações e é quase como se quem assiste estivesse ali, sentado em uma plateia de teatro ou, ainda, na sala da casa da protagonista, como quando se acompanha os conflitos de uma amiga ou amigo próximo, que acabou de terminar um relacionamento.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14725" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/plano-critico-a-voz-humana-almodovar.jpg" alt="A Voz Humana" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/plano-critico-a-voz-humana-almodovar.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/plano-critico-a-voz-humana-almodovar-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/plano-critico-a-voz-humana-almodovar-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/plano-critico-a-voz-humana-almodovar-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Talvez, a identificação seja a chave maior para a conexão com a narrativa. O abandono e a perda de um amor, sobretudo em se tratando de um envolvimento de muito tempo, como acontece no filme, é algo que quase todos os habitantes do Planeta já viveram. Contudo, o como é feito é, sem dúvidas, o principal motivo do êxito do média. Utilizando a técnica ao seu favor, Almodóvar deixa que os quadros mais gerais e localizam o público, seja tomado em alguns instantes, por planos mais fechados em <em><strong>A Voz Humana</strong></em>.</p>
<p>Estes breves instantes de proximidade do rosto de Tilda na tela provocam uma necessidade de investigação, de busca por decifrar os reais questionamentos, pensamentos e dores da personagem. Além disto, em sua movimentação pelo cenário, Swinton revela o quão perdida e melancólica aquela mulher está, mas em seus olhos – sempre fixos em um ponto específico – habitam uma força que imprime que a mesma está prestes a explodir. Há, assim, uma combinação entre criação do diretor e da atriz, que entregam um resultado coeso.</p>
<p>Neste contexto, há toda uma progressão sendo trabalhada e em cada sequência esta iminência do caos que será estabelecido cresce. Toda a solidão da personagem é ainda corroborada com a escolha do foco ser somente a perspectiva desta mulher. Não se ouve a voz do ex-amor da personagem de Swinton. Pelo contrário, quando, finalmente, o telefonema esperado ocorre, ela coloca o fone de ouvido e apenas suas respostas e argumentos são escutados.</p>
<p>É possível, desta maneira, analisar com mais cuidado e sentir amplamente como se configura o discurso de quem é deixado e todas as estratégias que podem ser criadas para evitar tal situação são fomentadas. Enquanto a mulher negocia no telefone e tenta não perder seu objeto de desejo, Tilda fica centralizada e em close.  Não há escapatória ali, a não ser acompanhar as tentativas dela de rogar pelo retorno de sua paixão. Como, anteriormente, fora mais explorado o local onde ela estava e quão sozinha ela se sentia, neste terceiro ato vem o confronto e, por isso, a aproximação com seu rosto faz um sentido ainda maior.</p>
<p>Nesta mistura de sentimentos e cores intensas almodovarianas e uma ambientação quase sintética, <em><strong>A Voz Humana </strong></em>é um filme extremamente meticuloso que trata e convoca uma situação caótica. Assim, com uma decupagem, uma mise-en-scène e uma direção de atriz bastante calculadas, Pedro Almodóvar consegue trazer uma obra que, ainda que seja tão pensada para causar certos efeitos, é tão quente e passional, que seu desfecho não poderia ser outro a não ser um incêndio. É uma obra que mescla simplicidade e complexidade e é, em sua totalidade, arrebatadora.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Pedro Almodóvar</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Tilda Swinton, Agustín Almodóvar</p>
<p><strong>Assista o trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/ptbDsUHJuVQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vingadores: Ultimato (SEM SPOILER)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Apr 2019 14:45:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A jornada do herói tem seu fim. Vingadores: Ultimato chega aos cinemas com o objetivo de impressionar os fãs do Universo Estendido da Marvel (MCU) a partir de uma narrativa cheia de surpresas e emoção. A grandiosidade do longa-metragem se apresenta desde a sua duração até as pomposas cenas de batalha. A produção tenta seguir a mesma linha de Guerra Infinita (2018) e trabalha a visualidade e a dinâmica dos acontecimentos de tal forma a prender o público desde seus [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A jornada do herói tem seu fim. <strong><em>Vingadores: Ultimato</em></strong> chega aos cinemas com o objetivo de impressionar os fãs do Universo Estendido da Marvel (MCU) a partir de uma narrativa cheia de surpresas e emoção. A grandiosidade do longa-metragem se apresenta desde a sua duração até as pomposas cenas de batalha. A produção tenta seguir a mesma linha de <em>Guerra Infinita</em> (2018) e trabalha a visualidade e a dinâmica dos acontecimentos de tal forma a prender o público desde seus primeiros minutos de tela.</p>
<p>A construção do MCU pode ser analisada através do conceito de Joseph Campbell de monomito – também conhecido como jornada do herói. O ciclo de Campbell é visto em cada uma das três fases do MCU – representando os três atos do caminho a ser trilhado pela figura heroica. A Fase Três da Marvel – iniciada em <em>Guerra Civil</em> (2016) – estabelece as mudanças significativas que desencadeariam os acontecimentos começados em <em>Infinity War</em> cuja conclusão só ocorre em <strong><em>Endgame</em></strong> (título original). O contraponto, a mudança e o confronto final são os focos desse último ato elaborado pela Marvel Studios. Todos os elementos criados até então foram pensados para que os Vingadores vivessem essa última tarefa.</p>
<p>Após Thanos (Josh Brolin) devastar metade da população do universo, os Vingadores encontram-se desmantelados. Os membros da equipe de super heróis que viveram ao estalo estão devastados com a perda da batalha. Mesmo com todo esse sentimento de culpa e dor e sem o Tony Stark (Robert Downey Jr.) – cujo está perdido no espaço com a Nebulosa (Karen Gillan) –, Capitão América (Chris Evans) e Viúva Negra (Scarlett Johansson) continuam a buscar pelo Titã louco para detê-lo e reverter o estrago feito pelas Joias do Infinito. Em meio a isso, a enigmática volta do Homem-Formiga (Paul Rudd) parece trazer uma nova solução para o problema e faz com que os Vingadores remanescentes se reúnam para uma tentativa final de consertar o erro.</p>
<p>No novo longa, o desenvolver do episódio final é dividido em dois momentos: a primeira parte é dinâmica, explicativa e chocante enquanto a segunda é lenta, emocional e cheia de reviravoltas. A narrativa se estabelece a partir da ideia de resolução das questões em aberto. Os primeiros 20 minutos de tela causam uma sensação de desnorteamento pela quantidade de incidentes ocorridos. Apesar do impacto positivo causado nessa espécie de prólogo, existem algumas saídas escolhidas para a história que são mal trabalhadas. O Homem-Formiga saindo do reino quântico e a salvação de Tony Stark e Nebulosa do espaço são exemplos de situações malfeitas. Os <em>plots twists</em>, contudo, conseguem superar esses defeitos da primeira parte do longa e podem acabar passando despercebidos para alguns.</p>
<p>Em seu segundo momento, a produção remonta a força de grandiosidade existente em <em>Guerra Infinita</em> e executa todas as soluções apresentadas pelas personagens. Com todos os percalços óbvios de uma jornada heroica, os Vingadores confrontam sua própria realidade. Existe uma preocupação do filme em amarrar e retomar todos os pontos subentendidos, mal resolvidos e esquecidos dos seus antecessores. A segunda parte do longa, portanto, se atenta com o esclarecimento dessas questões e com o tão esperado confronto final entre os heróis e seu maior inimigo.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10453" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="Vingadores: Ultimato" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely (<em>Guerra Civil</em> e <em>Guerra Infinita</em>) peca em alguns momentos. Diferente do capítulo anterior, nem todas as personagens são bem aproveitadas. Mais uma vez a Marvel insiste na mudança de estilo de Thor – a qual foi sucesso entre alguns fãs em <em>Ragnarok</em> (2017) –, da mesma forma o estúdio, novamente, subaproveitou a Capitã Marvel. Apesar da super heroína ter sido vendida como a solução para os problemas do outro filme, ela foi pessimamente explorada durante a produção. Além disso, existem dúvidas quanto a alguns acontecimentos pontuais dessa produção que ficam sem explicação. Independente dos 181 minutos de duração, a obra conseguiu deixar o público confuso com algumas de suas saídas mal explicadas.</p>
<p>O ritmo da narrativa, contudo, faz do filme uma experiência prazerosa. Apesar das falhas e questões mal trabalhadas no roteiro, o longa-metragem imprime uma qualidade que segue a linha das outras produções. O capítulo final não deixa de cumprir sua função para o universo e tampouco decepcionará os fãs – seja dos filmes ou quadrinhos. Os co-roteiristas souberam usar muito bem os momentos de embate e os <em>plots</em> para criar esse apego a trama. A emoção é constante e bem executada, as personagens que eles se propõem a trabalhar de verdade são bem desenvolvidas e o momento ápice da história carrega a essência dos últimos 11 anos de trabalhos da Marvel Studios.</p>
<p>Mais uma vez os irmãos Russo emplacam o que será, provavelmente, seu maior sucesso. <em><strong>Endgame</strong></em> abrange ideias e caminhos surpreendentes. A condução dessa narrativa é bem regida por Anthony e Joe e proporciona aos fãs um último vislumbre ao que eles conhecem. Os diretores souberam criar uma boa despedida. Existe um clima nostálgico e saudosista do início ao fim da película. A sensibilidade reina durante as três horas de filme – seja pelo teor das cenas, seja pela representatividade que a produção tem para o MCU – e ela conduz o espectador. O público é pego pelo coração pela forma como os irmãos elaboram as cenas, o desencadeamento das ações e a própria emoção.</p>
<p>Apesar das falhas com figuras como Capitã Marvel e Thor, <strong><em>Ultimato</em></strong> tem uma presença de personas maior que seu antecessor. Mesmo com esse desafio, os irmãos Russo e os co-roteiristas Markus e McFeely decidem por criar mininarrativas dentro do conflito maior. É como se dentro da jornada do herói existisse um embate particular que cada um deles precisa resolver. Gavião Arqueiro, Viúva Negra, Homem de Ferro e Capitão América são algumas das personagens destaque da narrativa cujo aproveitamento foi correto. Cada uma de suas ações e vivências durante o conflito final são extremamente representativas para o universo e para o futuro do MCU e das personagens.</p>
<p>Em meio a toda essa batalha dentro e fora das telonas, a produção acerta com outro trabalho que terá uma vida longa nos multiplex e arrecadará montanhas de dólares. É inevitável pontuar e impossível de não perceber os erros cometidos quando se pensa sob uma perspectiva do que seria uma criação cinematográfica completa. <strong><em>Vingadores: Ultimato</em></strong> finaliza a jornada do herói com alguns tropeços, mas, ainda assim, marcará o gênero. O longa é, entretanto, tecnicamente inferior a <em>Guerra Infinita</em> por comportar uma mesma grandiosidade de tempo, personagens e narrativas paralelas, porém o fazendo com alguma – mesmo que pequena – dificuldade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Joe Russo, Anthony Russo<br />
<strong>Elenco:</strong> Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Brie Larson, Paul Rudd, Don Cheadle, Karen Gillan, Josh Brolin, Gwyneth Paltrow, Jon Favreau, Chris Pratt, Elizabeth Olsen, Danai Gurira, Benedict Wong, Tessa Thompson, Anthony Mackie, Sebastian San, Chadwick Boseman, Dave Bautista, Evangeline Lilly, Tom Holland, Michelle Pfeiffer, Tilda Swinton, Letitia Wright, Linda Cardellini, Natalie Portman, Rene Russo, Zoe Saldana, Tom Hiddleston, Michael Douglas, Samuel L. Jackson, Stan Lee, Benedict Cumberbatch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/4QRdB4RAQMs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Okja</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jun 2017 00:12:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vamos ser sinceros? A Netflix de fato promoveu uma revolução na produção de conteúdos seriados, tanto do ponto de vista do tipo de experiência espectatorial que propõe quanto artística e tecnicamente, mas no que diz respeito à produção original de filmes, as iniciativas foram constrangedoras. Fora Beasts of no Nation, nenhum dos longas encabeçados pela gigante dos streamings tiveram 1/10 do impacto cultural de algumas das suas séries mais famosas como House of Cards, Orange is the New Black, a &#8220;falecida&#8221; Sense 8, a franquia Defensores da Marvel ou Stranger [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Vamos ser sinceros? A Netflix de fato promoveu uma revolução na produção de conteúdos seriados, tanto do ponto de vista do tipo de experiência espectatorial que propõe quanto artística e tecnicamente, mas no que diz respeito à produção original de filmes, as iniciativas foram constrangedoras. Fora <i>Beasts of no Nation</i>, nenhum dos longas encabeçados pela gigante dos <i>streamings </i>tiveram 1/10 do impacto cultural de algumas das suas séries mais famosas como <i>House of Cards</i>, <i>Orange is the New Black</i>, a &#8220;falecida&#8221; <i>Sense 8</i>, a franquia <i>Defensores </i>da Marvel ou <i>Stranger Things</i>. Das comédias apelativas de Adam Sandler, passando por projetos insossos como <i>Special Correspondents</i> e <i>War Machine</i>, esse departamento da empresa tem rendido produtos desanimadores a seus assinantes. Eis que a Netflix empreende esforços para produzir <i>Okja</i> do sul-coreano Joon-Ho Bong (responsável pelos elogiados <i>Expresso do Amanhã</i>, <i>Mother </i>e <i>O Hospedeiro</i>), o exibe em Cannes em meio a toda reticência do presidente do juri Pedro Almodóvar com produções feitas diretamente para o <i>streaming</i> e o resultado é dos mais animadores.</p>
<p>No longa, Tilda Swinton vive Lucy Mirando, uma executiva empreendedora de um projeto que visa a produção em larga escala de alimentos derivados de um nova espécie de superleitão supostamente encontrado no Chile. Segundo Mirando, o animal se reproduz por vias naturais e 26 deles são doados a fazendeiros de todo o mundo para que 10 anos depois possam participar de uma competição que visa escolher o melhor superleitão de todos. Claro que a empreitada tem um objetivo mais ganancioso, mas acontece que ela acaba afetando a garota Mija, interpretada por Seo-Hyun Ahn, e a &#8220;leitoazinha&#8221; Okja, que cresce junto com a menina. As duas vivem junto com o avô de Mija no topo de uma montanha na mais perfeita tranquilidade e cercada do melhor ambiente possível para Okja. Quando a leitoa é cobiçada pela companhia de Mirando, Mija e Okja acabam envolvidas no fogo cruzado entre a empresa e ativistas pró-defesa dos animais.</p>
<p>Com <i>Okja</i>, Joon-ho Bong concebe, ao mesmo tempo, uma jornada com escopo épico do resgate de Okja pela garota Mija e uma história com evidente e palpável posicionamento político a respeito da exploração de animais pela indústria alimentícia &#8211; e quer modifique os seus hábitos alimentares ou não, é uma preocupação legítima e merece o mínimo de reflexão. Bong faz isso pela ficção,  reverberando, inclusive, na escolha do realizador por conceber um animal fictício, podendo ser substituído por qualquer outro do nosso mundo real. Nas duas frentes que o realizador abre, <i>Okja </i>é certeiro. Como aventura protagonizada por Mija e sua leitoa, <i>Okja </i>rende uma sessão agradável que administra bem todos os possíveis efeitos que sua trama causa no espectador, uma cartela composta do riso às lágrimas mais sinceras. Como &#8220;fala&#8221; engajada em sua causa, <i>Okja </i>atinge seus objetivos com precisão, sem didatismo ou panfletarismo.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7879" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1495102755_okja.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Tecnicamente, o longa é bem feito, sobretudo quando nos deparamos com a criação da própria leitoa que dá nome ao filme, um personagem feito por computação gráfica expressivo e capaz de inspirar dinâmicas de relacionamento complexas com a garota Mija. Isso é perceptível quando, por exemplo, logo no primeiro ato do filme, num gesto de altruísmo e de genuíno amor pela garota, Okja se sacrifica pela vida da sua &#8220;dona&#8221;. Ao mesmo tempo, Bong conta com atores que concebem composições interessantes e que vão da própria heroína da história Seo-Hyun Ahn a estrelas de primeira grandeza como Tilda Swinton e Jake Gyllenhaal. Contudo, o filme seria pouca coisa sem o olhar de Bong para a história e as decisões mínimas que toma ao longo do caminho, como o agradável primeiro ato no qual praticamente só acompanhamos o cotidiano de Mija e Okja, algo que serve para fortalecer a relação do espectador com o elo entre as personagens, ou a maneira como consegue conferir gravidade ao resgate da leitoa no abatedouro sem exagerar no tom.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Sendo um dos principais acertos entre os filmes originais da Netflix &#8211; talvez o maior acerto -, <i>Okja </i>é uma história cheia de pontos altos que tem muito a dizer sobre as questões que levanta. É imprevisível o impacto e alcance que terá, mas é certo que seu realizador encontra na sua obra, como fez em outros títulos de sua filmografia, um jeito colocar sua voz em sua história através do entretenimento. O mais recente trabalho de Joon-Ho Bong encontra uma impecável combinação entre a ênfase do seu discurso social e sua trama emocionalmente engajada. Em nós, <i>Okja </i>só inspira o desejo de que a Netflix invista mais em projetos desse tipo do que na enésima ofensa à humanidade em forma de comédia produzida e estrelada por Adam Sandler. Que venham mais <i>Okja</i>s.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/GhyHd2gPLMU" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Crítica: Doutor Estranho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Nov 2016 20:23:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Marvel vem construindo uma sólida trajetória apostando no seu universo cinematográfico que gravita em torno do projeto Vingadores. Não deixa de ser admirável a constância na qualidade das suas produções e a maneira como o estúdio conseguiu emular uma lógica própria da narrativa seriada a sua  filmografia, com universos distintos que são conectados e se encontram em dado momento para agir contra ameaças maiores. Acontece que, por outro lado, não há muito risco por parte do estúdio, há apostas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>A Marvel vem construindo uma sólida trajetória apostando no seu universo cinematográfico que gravita em torno do projeto <i>Vingadores</i>. Não deixa de ser admirável a constância na qualidade das suas produções e a maneira como o estúdio conseguiu emular uma lógica própria da narrativa seriada a sua  filmografia, com universos distintos que são conectados e se encontram em dado momento para agir contra ameaças maiores. Acontece que, por outro lado, não há muito risco por parte do estúdio, há apostas seguras em um &#8220;modo Marvel de fazer cinema&#8221; mesmo quando as produções procuram ir um pouco além dos esquemas, como é o caso de <i>Capitão América: Guerra Civil</i>, por exemplo. Assim, o que se vê são filmes corretos e que cumprem de maneira digna a função de entreter o espectador, mas não deixam de vir com aquela sensação de <i>déjà vu</i> sobretudo quando conferimos mais de um desses títulos a cada ano.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>Doutor Estranho </i>vai por esse caminho. O filme é anunciado como uma possibilidade de explorar horizontes mais ambiciosos e nunca antes tentados pelo estúdio, que envolve universos paralelos, misticismo e magia. Acontece que ainda que visite esse &#8220;estranho&#8221;, tudo ainda está na zona de conforto. No longa, Benedict Cumberbatch (<i>O Jogo da Imitação</i>) vive o Dr. Stephen Strange, um renomado neurocirurgião que perde o controle das mãos após sofrer um grave acidente de carro. Diante de uma descrença na cura pela via da medicina, Strange recorre a um grupo que parece promover a cura através de forças místicas. Submetido a um treinamento no Katmandu, Strange acaba adquirindo poderes e deve decidir se os usará para se recuperar ou para salvar o mundo de ameaças terríveis que só ele pode conter.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Dirigido por Scott Derrickson (de <i>O Exorcismo de Emily Rose </i>e <i>A Entidade</i>), <i>Doutor Estranho</i> aproveita em certa medida o histórico do seu realizador ao explorar visualmente o oculto. O filme é tecnicamente eficiente, conseguindo construir de maneira impressionante suas viagens pelos múltiplas dimensões visitadas por Strange. Como o protagonista, Benedict Cumberbatch é a escolha certa e parece uma mistura de Bruce Wayne e Tony Stark com poderes mágicos dando vida a um milionário entorpecido pelo ego, mas também por uma tragédia pessoal. Ao lado dele está um elenco de coadjuvantes dos sonhos formado por Rachel McAdams (<i>Spotlight</i>) e Chiwetel Ejiofor (<i>12 Anos de Escravidão</i>), que não têm momentos de especial destaque, mas conferem um certo respeito a fita. Fora Cumberbatch, Tilda Swinton (<i>Precisamos Falar sobre o Kevin</i>) talvez seja a presença mais forte do longa como a Anciã.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6884" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/DoutorEstranho2.jpg" alt="doutorestranho2" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>De uma maneira geral, <i>Doutor Estranho </i>é um filme correto. Ele oferta divertimento na medida certa, não agride a inteligência do espectador, consegue costurar uma narrativa linear e sem furos e aplicar seus recursos visuais sem maiores afetações, sendo este o seu departamento mais brilhante. É claro que o longa recorre aos recursos de praxe da Marvel Studios para &#8220;seduzir&#8221; suas plateias: os momentos mais dramáticos ou de ação do filme são intercalados por piadas ou referências ao universo pop, o que faz com que, para o bem e para o mal, nada tenha tanta gravidade; a trajetória do personagem é praticamente a mesma de qualquer outro super-herói; há cenas pós-créditos (duas, na verdade) e o vilão, mesmo sendo interpretado pelo ótimo Mads Mikkelsen (<i>A Caça</i>), deixa a desejar. O impulso de obedecer a todo esse protocolo faz com que o filme funcione sob uma lógica conflituosa: ele parece desejar adotar um tom mais adulto que destoa do universo Marvel até então, mas recua em prol de uma chave de diálogo mais adolescente ou infantil.</p>
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<p>Assim, apesar de manter o padrão de excelência do estúdio, não dá para deixar de constatar que <i>Doutor Estranho </i>surge como uma repetição envolta por uma embalagem bonita e aparentemente nova, mas que não deixa de ser uma embalagem. O conteúdo é o mesmo de sempre. E se a Marvel parece estar se retroalimentando mesmo quando aparenta oferecer algo novo, a coisa fica ainda mais nebulosa para os fãs de filmes desse nicho quando constatamos que não há uma concorrência, haja vista as tortuosas tentativas da Warner de levar o universo dos heróis da DC Comics para o cinema com filmes vacilantes como <i>Batman vs. Superman: A Origem da Justiça </i>e <i>Esquadrão Suicida</i>. <i>Doutor Estranho </i>ao menos não é catastrófico, mas é narrativamente burocrático, cheio de esquemas que já são velhos conhecidos do público e que não colaboram com o viço do projeto.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>É possível que tudo isso seja um reflexo do processo de saturação do próprio nicho cinematográfico. De 2000 para cá as adaptações de quadrinhos de super-heróis para o cinema foram tantas que talvez seja interessante mexer um pouco nessas peças. Faria bem a Marvel esgarçar mais as possibilidades dos seus múltiplos universos, sair da zona de conforto e dos esquemas narrativos, levar os seus personagens realmente ao extremo, sem que as decisões corajosas dos seus filmes sejam abafadas por piadinhas adolescentes ou com cartas de conciliação do Capitão América para o Tony Stark. Talvez seja um pouco de risco e experimentação que esteja faltando para esse nicho de produção sair da oferta do &#8220;arroz e feijão&#8221; de sempre, o que, confesso, tem tirado um pouco da magia e do encanto que ele oferecia tempos atrás.</p>
<p>Promover a revolução que o próprio estúdio prometera e que o hype dos meios de comunicação anunciaram assim que a produção do longa foi engatada, <i>Doutor Estranho </i>não promove. Alçar os filmes de super-heróis a padrões cinematográficos que os colocaram em pé de igualdade com cânones do campo só cineastas como Richard Donner (<i>Superman &#8211; O Filme</i>), Tim Burton (<i>Batman: O Retorno</i>), Bryan Singer (<i>X-Men 2</i>), Sam Raimi (<i>Homem-Aranha 2</i>) e Christopher Nolan (<i>Batman: O Cavaleiro das Trevas</i>) conseguiram. Nesse sentido, esse projeto Marvel <i>Vingadores </i>conseguiu sair da zona de conforto e testar novas possibilidades de tom e ousadia narrativa em <i>Capitão América: Soldado Invernal</i>, que soube inclusive entender as demandas específicas do seu personagem.</p>
<p><i>Doutor Fantástico</i>, no máximo, conseguiu ser técnica e plasticamente embasbacante, além de uma matinê bastante agradável. E também não há mal algum nisso. É um propósito bastante honesto, por sinal. Acredito ser saudável esse exercício de reflexão proposto nesse texto não só para refletir sobre os próprios rumos desse tipo de produto que estamos analisando, mas também levar a discussão para além das impressões simplistas do &#8220;gostei&#8221; ou &#8220;não gostei&#8221;. Entre esses extremos existe um universo, tão numerosos quanto aqueles que vimos no próprio <i>Doutor Estranho. É</i> produtivo esmiuçar e problematizar cada um deles. Assim produzimos e fruímos melhor os filmes.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/YUfWrIcX4zw" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Ave, César!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2016 20:27:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O cinema dos irmãos Joel e Ethan Coen é daquele tipo que possui características tão constantes que até mesmo o público eventual consegue reconhecer as marcas dos títulos do diretor se ao menos teve contato com um de seus filmes. Do irônico, discreto e corrosivo humor com que os cineastas constroem os seus personagens e as situações nas quais eles são inseridos, até às suas incisivas críticas a valores e ciclos da sociedade norte-americana, filmes como Fargo, O Grande Lebowski, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema dos irmãos Joel e Ethan Coen é daquele tipo que possui características tão constantes que até mesmo o público eventual consegue reconhecer as marcas dos títulos do diretor se ao menos teve contato com um de seus filmes. Do irônico, discreto e corrosivo humor com que os cineastas constroem os seus personagens e as situações nas quais eles são inseridos, até às suas incisivas críticas a valores e ciclos da sociedade norte-americana, filmes como <i>Fargo</i>, <i>O Grande Lebowski</i>, <i>Inside Llewyn Davis &#8211; Balada de um Homem Comum</i> e até empreitadas mais &#8220;sérias&#8221; dos realizadores como o vencedor do Oscar <i>Onde os fracos não têm vez </i>são títulos unificados e singularizados na recente filmografia norte-americana por apresentarem propostas estilísticas e narrativas bem peculiares dos diretores. <i>Ave, César!</i>, mais recente longa da dupla, claro, segue o mesmo caminho. Portanto, não decepciona em nada os fãs dos cineastas.</p>
<p>No filme, os Coen nos insere nos bastidores do cotidiano dos estúdios de cinema Capitol Pictures na Hollywood dos anos de 1950. Em meio às filmagens de produções grandiosas da época de ouro do cinema norte-americano e o temperamento instável de estrelas e diretores de cinema, acompanhamos a rotina de Edward Mannix (vivido por Josh Brolin), &#8220;cabeça&#8221; do estúdio que, entre suas várias funções, afasta as principais atrações da casa de escândalos midiáticos que possam arruinar suas carreiras e manchar a imagem da Capitol Pictures. Acontece que Mannix não terá um dia de trabalho nada fácil quando descobre que o famoso astro da produção épica &#8220;Ave, César!&#8221;, cujas filmagens estão em andamento, desapareceu misteriosamente após uma ação bem sucedida de uma organização secreta chamada &#8220;Futuro&#8221;.</p>
<p>Funcionando muito bem em duas frentes específicas, a comédia e o suspense policial (ambos adaptados às perspectivas que os cineastas possuem dos dois gêneros, claro), <i>Ave, César! </i>é uma verdadeira ode ao cinema do período que pretende retratar. Além dos gêneros com os quais sua trama central dialoga, <i>Ave, César! </i>oferece ao espectador uma compilação de homenagens interessantes a produções populares do período, como os <i>westerns</i>, os musicais com sapateado, os épicos históricos/religiosos, os melodramas, os filmes com acrobacias e coreografias aquáticas etc. Tudo está em <i>Ave, César! </i>na medida em que acompanhamos a rotina da Capitol Pictures em sequências produzidas com disciplina pelos Coen (cujo estudo de elementos como a fotografia, o tipo de performance dos atores etc. é visível na execução dessas cenas), que contam com o suporte do competente diretor de fotografia Roger Deakins, da equipe de direção de arte e dos figurinos de Mary Zophres.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-5899" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/04/HAIL-CAESAR-12Outubro2015-3.jpg" alt="HAIL-CAESAR-12Outubro2015-3" width="610" height="348" /></p>
<p>Acontece que tudo isso é adorno &#8211; um belíssimo e interessante adorno, é preciso reconhecer &#8211; diante do que parece ser a força motriz de <i>Ave, César!</i>. Através da sua trama policial, os Coen, com a inteligência e perspicácia que lhes são peculiares, nos insere em uma rede de conspirações a respeito dos &#8220;braços&#8221; comunistas que se &#8220;infiltraram&#8221; nos estúdios naquela época, os roteiristas. Nesse mesmo ano, o tema foi tratado no filme que rendeu uma indicação ao Oscar para Bryan Cranston, <i>Trumbo</i>, de uma maneira bem burocrática, é verdade, mas em <i>Ave, César! </i>ganha um tratamento mais interessante e inusitado. A fusão entre a homenagem à era de ouro de Hollywood e o deboche dos realizadores com a paranoia comunista que tomou conta dos EUA naquele período faz de <i>Ave, César! </i>um interessante mosaico sobre a produção cinematográfica do período, mas também da sociedade norte-americana da época e o do <i>modus operandi </i>dos estúdios de cinema.</p>
<p>Com um elenco muito bem em cena, composto por antigos colaboradores dos diretores, como George Clooney (funcionando sempre na medida para os tipos que os realizadores costumam escalá-lo), Josh Brolin, Scarlett Johansson (cada vez mais saindo da moldura na qual foi colocada nos primeiros anos da sua carreira), Frances McDormand e Tilda Swinton, como também novas adições em seus currículos, é o caso de Ralph Fiennes, Christopher Lambert (!!!!), Jonah Hill e Channing Tatum (excelente em sua breve mas importante participação), o destaque ficou para o novato do grupo, o jovem ator de nome praticamente impronunciável, Alden Ehrenreich, conhecido por sua participação em <i>Tetro</i>, filme de Francis Ford Coppola de 2009. Ehrenreich interpreta uma jovem estrela de <i>westerns</i>, marcada por sua inocência e pela sua dificuldade de interpretar, mas que passa a ser a &#8220;galinha dos ovos de ouro&#8221; da Capitol Pictures dirigida pelo personagem de Josh Brolin. Alden Ehrenreich faz um tipo interessante que não só funciona bem no universo dos Coen, atuando na mesma voltagem dos restante dos personagens do filme, como também consegue conferir uma dimensão humana ao criar uma forte empatia com o público desde a sua primeira sequência.</p>
<p>Entre a reverência à antiga Hollywood e a crítica à paranoia comunista, <i>Ave, César! </i>consegue ser mais um acerto de Joel e Ethan Coen. Nada fora da curva, mas nem precisava ser. O filme é coerente com tudo o que os realizadores têm feito até aqui com seus comentários irônicos sobre a sociedade americana e com suas apropriações bem particulares da gramática cinematográfica. É preciso ter muito fôlego, coragem e repertório para chegar tão longe e com tanta maturidade na constância produtiva que os Coen vêm apresentando desde que surgiram no cinema e <i>Ave, César! </i>é outro momento muito bom dos realizadores.</p>
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		<title>Assista ao trailer de Hail, Caesar!, novo filme dos Coen com grande elenco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2015 17:31:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Previsto para estrear no primeiro semestre de 2016, a nova comédia dos irmãos Coen Hail, Caesar! acaba de ganhar o seu primeiro trailer. No longa, Clooney vive um homem especializado em proteger celebridades de escândalos da imprensa na Hollywood da década de 1950. Ele é contratado pelos grandes estúdios, interessados em não sujar a carreira dos seus filmes com notícias negativas sobre as suas principais estrelas. Entre velhos conhecidos e novas parcerias dos realizadores, o trailer de Hail, Caesar! dá o devido destaque ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/85342243_everest.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3788" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/85342243_everest-620x305.jpg" alt="_85342243_everest" width="620" height="305" /></a></p>
<p>Previsto para estrear no primeiro semestre de 2016, a nova comédia dos irmãos Coen <strong><em>Hail, Caesar!</em> </strong>acaba de ganhar o seu primeiro trailer. No longa, Clooney vive um homem especializado em proteger celebridades de escândalos da imprensa na Hollywood da década de 1950. Ele é contratado pelos grandes estúdios, interessados em não sujar a carreira dos seus filmes com notícias negativas sobre as suas principais estrelas.</p>
<p>Entre velhos conhecidos e novas parcerias dos realizadores, o trailer de <em>Hail, Caesar!</em> dá o devido destaque ao seu elenco de atores do primeiro escalão do cinema: George Clooney, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Josh Brolin, Channing Tatum, Ralph Fiennes, Frances McDormand e Jonah Hill.</p>
<p>O filme tem previsão de chegar aos cinemas brasileiros em fevereiro de 2016.</p>
<p>Veja o trailer abaixo:</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/kMqeoW3XRa0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Expresso do Amanhã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2015 22:04:52 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3432" aria-describedby="caption-attachment-3432" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-2-hp.gif"><img decoding="async" class="wp-image-3432 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-2-hp-620x349.gif" alt="snowpiercer-2-hp" width="620" height="349" /></a><figcaption id="caption-attachment-3432" class="wp-caption-text">Rebelião: Liderados pelo personagem de Chris Evans passageiros do último vagão lutam para conseguir os mesmos privilégios da elite do trem.</figcaption></figure>
<p class="separator">
<p class="separator">Precisou passar quase dois anos para <i>Expresso do Amanhã </i>ser lançado no Brasil. As razões do atraso só a confusa logística das distribuidoras brasileiras explica. Nesse jogo de alterações constantes de data que foi <i>Expresso do Amanhã</i>, a certeza que temos é a completa falta de <i>timing </i>da sua estreia já que, com a rapidez com que cada vez mais temos acesso ao que vem de fora seria fundamental encurtar as janelas dos lançamentos internacionais no Brasil. A verdade é que <i>Expresso do Amanhã </i>chega às nossas salas quando a maior parte dos cinéfilos brasileiros já assistiram ao filme por vias alternativas em função da incerteza acerca de uma resposta definitiva sobre sua estreia nos cinemas. E nem adianta culpar a internet, novos tempos exigem novas estratégias de lançamento para barrar esse tipo de concorrência que, com o perdão das palavras rudes, é imbatível. Dito isso, vamos ao filme que é, sem exagero, espetacular.</p>
<p class="separator">Baseado em uma HQ francesa chamada <i>Le Transperceneige</i>, <i>Expresso do Amanhã </i>é ambientado em um futuro pós-apocalíptico no qual o ecossistema foi destruído e as tentativas de recuperação climática por ação do homem não deram certo. Agora todos vivem em uma implacável era glacial e os sobreviventes desse cenário acabam mantendo-se vivos presos em um trem dividido em vagões que acabaram abrigando castas sociais: a elite possui diversos privilégios e ocupa os vagões da frente enquanto ao fundo estão os mais pobres, mantidos em condições precárias. Um dia, o grupo do último vagão empreende um plano para tomar o poder dos mais abastados e equilibrar as condições de vida no trem. Para conseguirem o que querem, eles devem passar por todos os vagões até chegarem àquele em que vive o homem por trás de toda a desigualdade instalada no trem, o Sr. Wilford.</p>
<figure id="attachment_3433" aria-describedby="caption-attachment-3433" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-04WEB.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3433 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-04WEB-620x359.jpg" alt="snowpiercer-04WEB" width="620" height="359" /></a><figcaption id="caption-attachment-3433" class="wp-caption-text">Prisioneira: Camaleônica, a atriz Tilda Swinton vive uma das reféns do grupo rebelde</figcaption></figure>
<p class="separator">
<p class="separator"><i>Expresso do Amanhã </i>é o primeiro trabalho em língua inglesa do diretor sul-coreano Joon-ho Bong, responsável por filmes primorosos como <i>O Hospedeiro </i>e <i>Mother &#8211; A Busca pela Verdade, </i>uma estreia, é preciso que se diga, que não deixa em nada a desejar, sobretudo quando os exemplos cotidianos nos mostram o quanto experiências de realizadores em línguas não-nativas são conturbadas. Nesse caso, facilita o controle que Joon-ho Bong tem em <i> Expresso do Amanhã, </i>não apenas por ter sido o roteirista do filme, mas também por ter na produção pessoas que entendem o seu modo peculiar de fazer cinema (o realizador também sul-coreano Chan-wook Park é um deles). Assim, o que vemos é sim um filme comercial e palatável às plateias com os mais diversificados repertórios, com determinados estratagemas do cinemão norte-americano, mas tudo com muito pulso e a assinatura de Joon-ho Bong, que concebe uma história de trama intrincada, com uma linguagem audiovisual segura e bem aplicada e que está muito longe de ser um esquecível caça-níqueis.</p>
<p class="separator">O filme se apresenta como um eficiente filme-pipoca, mas mostra uma faceta mais interessante ainda quando demonstra o seu potencial como alegoria sociológica, abordando temas eternamente contemporâneos como as nossas relações com o poder, a corrupção e a desigualdade social. Apesar de ter um elenco diversificado, <i>Expresso do Amanhã </i>não é um filme no qual esse ou aquele ator se destaque é o tipico &#8220;filme de elenco&#8221;, portanto cada personagem é peça fundamental de uma engrenagem que é mais importante como coletivo do que individualmente, entre os elementos desse grupo harmônico estão Octavia Spencer (vencedora do Oscar por <i>Histórias Cruzadas</i>), Jamie Bell (o Coisa do recente <i>Quarteto Fantástico</i>), John Hurt (de <i>Imortais</i>), Ed Harris (de <i>Medo da Verdade</i>) e Kang-ho Song (colaborador do diretor em <i>O Hospedeiro</i>). Ainda assim, é preciso reconhecer os méritos de dois atores em especial. O primeiro deles é a camaleônica Tilda Swinton, sempre um diferencial em qualquer produção. A atriz vive aqui a asquerosa Mason, que leva as ordens de Wilford aos passageiros do último vagão. O outro elemento interessante do elenco é o ator Chris Evans, popularizado como o Capitão América dos filmes da Marvel, o ator domina dramaticamente dois momentos cruciais da história ao final do longa.</p>
<figure id="attachment_3434" aria-describedby="caption-attachment-3434" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-screenshot-2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3434 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/08/snowpiercer-screenshot-2-620x311.jpg" alt="snowpiercer-screenshot-2" width="620" height="311" /></a><figcaption id="caption-attachment-3434" class="wp-caption-text">Desempenhos: Chris Evans surpreende com forte interpretação e Tilda Swinton mantém a diversificação usual dos seus trabalhos</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Amplo em sua simbologia sem ser pretensioso, <i>Expresso do Amanhã </i>é um filme acessível e que sustenta a sua proposta do início ao fim sem as usuais concessões dramáticas que alguns filmes de estúdio costumam fazer. O longa acaba sendo interessante por contemplar profundidades de leituras diversas: pode ser encarado como uma ficção-científica pós-apocalíptica de primeira linha, como também um aplicado e inteligente &#8220;tratado sociológico cinematográfico&#8221;, ou ainda como uma combinação dos dois, o que o torna ainda mais interessante. <i>Expresso do Amanhã</i> tem muita violência gráfica, mas ela acaba não sendo mais impactante para o espectador do que a diversão que ele proporciona e do que a mensagem que Joon-ho Bong quer passar sobre a humanidade e sua urgente porém corrosiva necessidade de se organizar coletivamente para sobreviver.</p>
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