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	<title>Arquivos Thomas Aquino - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Thomas Aquino - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica O Agente Secreto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2025 03:57:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de todo o fervor vivido pelo cinema brasileiro no último ano com o sucesso estrondoso, dentro e fora do país, com Ainda Estou Aqui (2024), a estreia do filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho eleva essa sensação à máxima potência. O novo longa-metragem do diretor substitui o filme de Walter Salles como a produção nacional mais comentada do momento. O clima de copa do mundo já está criado e a estreia de O Agente Secreto nos cinemas, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de todo o fervor vivido pelo cinema brasileiro no último ano com o sucesso estrondoso, dentro e fora do país, com <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui"><em>Ainda Estou Aqui (2024)</em></a>, a estreia do filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho eleva essa sensação à máxima potência. O novo longa-metragem do diretor substitui o filme de Walter Salles como a produção nacional mais comentada do momento. O clima de copa do mundo já está criado e a estreia de <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> nos cinemas, que acontece nesta quinta-feira (6), reacende a chama popular da torcida pelo Brasil em uma nova corrida nos maiores prêmios do mundo cinematográfico.</p>
<p>Saído do Festival de Cannes como o filme mais premiado do ano, <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> é essencialmente brasileiro até seu último milésimo de segundo e isso é hipnotizante. O ritmo frenético estabelecido por Kleber em seu roteiro e direção empolgam, conduzem e surpreendem o espectador a cada virada de chave em sua narrativa. Como de costume, o cineasta constrói um pastiche de histórias que se cruzam em suas dores, desejos e missões, desenhando a história do Brasil de um determinado período.</p>
<p>Os filmes de Kleber funcionam como uma colcha de retalhos de histórias que se entrelaçam e são costuradas a partir de uma sucessão de fatos inesperados, dolorosamente reais e essencialmente brasileiros  &#8211; e isso não é diferente em <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>. No longa, acompanhamos a vida de Marcelo (interpretado por Wagner Moura), que, durante o auge da ditadura militar e seus desmandos no Brasil de 1977, se muda para Recife. Ele vai até a capital pernambucana tentando se esconder de um passado violento, na esperança de encontrar um novo futuro. O que ele encontra lá são, no entanto,  as sombras de seu passado, à espreita, esperando uma oportunidade para dar cabo de sua vida.</p>
<p>Em seu novo <em>thriller</em> político, Kleber remonta a dor e a nostalgia da vida no Brasil da década de 1970. Na mesma medida que <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> é capaz de nos arrepiar com os horrores e absurdos da ditadura, o filme nos relembra, em seguida, pelo que tantas pessoas lutaram. O projeto bate bem nessa tecla: que mesmo em tempos de desesperança há sempre com quem contar. E isso vem por meio dos afetos (d)escritos por Kleber em seu roteiro. Talvez esse seja o maior mérito da filmografia do diretor, o equilíbrio entre a sutileza, a paixão e a dor do existir.</p>
<p>Os contextos das perseguições à oposição da ditadura, o cercear a liberdade e o medo do inimigo que literalmente mora ao lado são os grandes fantasmas que acompanham o público durante a sessão. Seja através da ludicidade ou das ironias tão conhecidas nos trabalhos do diretor, <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>empolga a cada instante por não sabermos o que pode acontecer. O roteiro de Kleber não é previsível porque ele preza pelo tensionamento dos sentidos. O inesperado é a chave mestra da genialidade de seu roteiro. Ou seja, de tédio não morreremos.</p>
<figure id="attachment_20046" aria-describedby="caption-attachment-20046" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20046" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-750x500.jpg" alt="O Agente Secreto (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3.jpg 1715w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20046" class="wp-caption-text">Wagner Moura em cena de &#8216;O Agente Secreto (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Para além dos louros de Kleber, tanto no roteiro quanto em sua direção, a fotografia, a arte e a montagem do filme pulsam junto com sua narrativa. A direção de arte, comandada por Thales Junqueira (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baby"><em>Baby</em></a>, de 2024), consegue desenhar as texturas, vibrações e os perigos do Brasil na ditadura. Em complemento, a fotografia de Evgenia Alexandrova (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sem-coracao"><em>Sem Coração</em></a>, de 2023) captura essas imagens e faz com que elas pulsem de forma hipnótica, tornando essa dobradinha de visualidade um primor do filme. Para fechar o resultado visual de <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>, a montagem de Eduardo Serrano e Matheus Farias (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau"><em>Bacurau</em></a>, de 2019) tensiona e eleva cada um desses elementos, dando vida à obra de Kleber da melhor forma que o público poderia pedir.</p>
<p>O elenco, como de costume, é um show à parte. Já que o cinema de Kleber é tão fortemente composto por um pastiche de histórias e vidas, seu elenco costuma ser robusto em quantidade e avassalador em potência. Contudo, <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>talvez tenha alcançado um novo patamar de <em>casting</em> nas produções do cineasta pernambucano. Parece que cada pessoa foi escolhida a dedo. E cada uma delas tem seu momento de brilhar.</p>
<p>Carlos Francisco, Robério Diógenes, Roney Villela, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Igor de Araújo, Ítalo Martins, Luciano Chirolli e Udo Kier são alguns dos artistas que vibram em cena e fazem a história ser viva e pulsante. Dois nomes, no entanto, precisam ser comentados à parte. Mesmo com a potência dos nomes anteriores, nada se compara com o magnetismo de dona Tânia Maria e de Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-guerra-civil"><em>Guerra Civil</em></a>, de 2024) em cena. Não existiria <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>sem a força gravitacional que os dois atores geram no espectador.</p>
<p>Dona Tânia tem uma pureza magnética do realismo de sua interpretação que rouba a cena incessantemente. Basta ter segundos de tela que os olhares do público imediatamente recaem sobre sua naturalidade quase infantil. Há uma pureza de liberdade em sua interpretação que faz dela um dos pontos mais altos durante <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>. Realmente acredito que a escolha de escalar dona Tânia Maria para o papel de Dona Sebastiana foi tão acertado quanto a escalação de Wagner.</p>
<p>O ator baiano é outra força em cena. Sua interpretação prende o espectador por trazer outra chave, igualmente magnética: a do medo. Wagner carrega em seu olhar um peso, uma dor e um desespero que são palpáveis. Ele entretém o espectador em uma construção de personagem que grita uma profundidade, ainda que ele só demonstre a superfície. E os olhos, como é dito em <em>Scarface (1983)</em>, eles nunca mentem. E Moura, mais uma vez, escancara a suas habilidades interpretativas por demonstrar um turbilhão a partir da sutileza de um olhar.</p>
<p>Com o longa, portanto, o diretor consegue entregar uma narrativa absurdamente coesa, ritmada e surpreendente que passa voando durante seus quase 160 minutos. O filme pode ser o ápice do cinema de Kleber por beber de todos os temas e nuances tão caros à ele ao longo de sua carreira. E isso é feito a partir de uma condução primorosa que merece um pergaminho de elogios e saudações por sua excelência. Não há melhor forma de ver <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>a não ser como a epítome do cinema de Kleber Mendonça Filho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kleber Mendonça Filho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Wagner Moura, Carlos Francisco, Tânia Maria, Robério Diógenes, Roney Villela, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Thomás Aquino, Laura Lufési, Igor de Araújo, Ítalo Martins, Luciano Chirolli, João Vitor Silva, Licínio Januário e Udo Kier</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/AOBPXs_euPA?si=AUyJM-jQ_dl9TBq7" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Pedágio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 13:37:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os realizadores do cinema brasileiro atual, Carolina Markowicz tem se destacado, sobretudo em circuito de festivais internacionais. Tanto seu filme anterior Carvão, lançado no ano passado, quanto Pedágio, seu mais recente título, foram recebidos com entusiasmo pela crítica internacional por contar de maneira crua, crível e humana a realidade do país com dramas centrados em personagens. No centro de suas histórias estão famílias disfuncionais em meio às mazelas do contexto social brasileiro. Pedágio traz a história de uma mulher [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os realizadores do cinema brasileiro atual, Carolina Markowicz tem se destacado, sobretudo em circuito de festivais internacionais. Tanto seu filme anterior Carvão, lançado no ano passado, quanto <em><strong>Pedágio</strong></em>, seu mais recente título, foram recebidos com entusiasmo pela crítica internacional por contar de maneira crua, crível e humana a realidade do país com dramas centrados em personagens. No centro de suas histórias estão famílias disfuncionais em meio às mazelas do contexto social brasileiro.</p>
<p><em><strong>Pedágio </strong></em>traz a história de uma mulher que trabalha em um pedágio em São Paulo. Ela vive só com o filho Tiquinho e tem se relacionado com um rapaz que tem dormido com uma certa frequência em sua casa. A protagonista de <em>Pedágio</em> tem um profundo incomodo com a homossexualidade do filho, sobretudo porque ele se expõe nas redes sociais fazendo dublagens de famosas divas americanas. Quando essa personagem toma ciência por uma colega de trabalho de um programa de conversão da sexualidade promovido por um pastor de uma igreja evangélica, ela começa a juntar dinheiro para pagar com a &#8220;terapia&#8221; do filho. Como a quantia é muito grande, ela decide enveredar nas atividades criminosas do namorado, usando o seu trabalho no pedágio para cometer alguns furtos.</p>
<p>Em <em><strong>Pedágio</strong></em>, Markowicz segue com o seu propósito de construir histórias sensíveis, centradas em conflitos familiares mas contextualizada em uma realidade de classes menos favorecidas, centrando suas discussões na maneira como seus personagens se posicionam em searas como ética e afeto em meio a um panorama sócio-econômico que tanto testa seus valores. A questão central do novo filme da cineasta é a homofobia de Suellen, personagem defendida brilhantemente pela excepcional Maeve Jinkings, que já havia trabalhado com a diretora em Carvão.</p>
<p>A dinâmica entre Suellen e o filho Tiquinho é marcada por tensões, questões nada bem resolvidas. Há afeto entre eles, mas o preconceito da mãe é um obstáculo. Tiquinho é um garoto inteligente, criativo, corajoso, trabalhador e carinhoso, mas todas as qualidades do filho são irrelevantes para a mãe que só consegue enxergá-lo através dos rótulos sociais associados a sua sexualidade. O rapaz busca de todas as formas possíveis a aprovação da mãe, algo muito importante para ele, muitas vezes se violentando, como quando se submete a tal terapia de conversão, mas tudo é em vão até o último segundo de <em><strong>Pedágio</strong></em>.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17531" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/pedagio-critica-paris-filmes-cultura-viuu.jpg" alt="Pedágio" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/pedagio-critica-paris-filmes-cultura-viuu.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/pedagio-critica-paris-filmes-cultura-viuu-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/pedagio-critica-paris-filmes-cultura-viuu-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/pedagio-critica-paris-filmes-cultura-viuu-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Markowicz não floreia ao tematizar a homofobia presente em muitas famílias brasileiras. A diretora não soluciona sua história com um happy ending mascarando a realidade, ainda que também não deixe de oferecer algum alento para suas personagens. Mesmo depois de tantas decisões que se revelam equivocadas e Suellen perceba que no fim das contas Tiquinho é seu único suporte e que ela deve dar uma trégua na forma como lida com a sexualidade do filho, o preconceito não desaparece &#8220;da noite para o dia&#8221; e os entraves na comunicação entre mãe e filho persistem até o fim. O recado da cineasta é bem claro, a homofobia e não a homossexualidade macula relações afetivas, gerando distanciamentos, mágoas e traumas.</p>
<p>Além do tratamento delicado com temas tão urgentes no contexto social do Brasil atual, ainda muito homofóbico, Markowicz conta com ótimos atores no seu elenco, um grupo de artistas que conduz com muita sensibilidade as personagens dessa história. Maeve Jinkings, como já antecipamos, está excepcional como Suellen, uma mulher sofrida e repleta de falhas. Além dela, Kauan Alvarenga é o grande destaque do filme do começo ao fim como Tiquinho. Cabe destacar também a participação de Aline Marta Maia como a colega de trabalho de Suellen, Telma, uma evangélica hipócrita que trai o marido com diversos motoristas que passam pelo <em><strong>Pedágio</strong></em>.</p>
<p><em><strong>Pedágio </strong></em>não é o primeiro filme a abordar essas terapias de conversão da sexualidade. Antes dele, no cinema de língua inglesa, por exemplo, tivemos os dramas Boy Erased: Uma Verdade Anulada e O Mau Exemplo de Cameron Post. O acerto de Markowicz é compreender tão bem os problemas que levam muitas famílias a conduzirem seus filhos a esses engodos terapêuticos, violentando-os psicologicamente. Assim, o filme discute a homofobia como um problema estrutural que desintegra relações familiares. Por ter um olhar tão maduro para o âmago das questões que permeiam as suas temáticas e por expô-las de forma tão direta e sensível, evitando os clichês do melodrama, que faria a história cair em um artificialismo, <em>Pedágio</em> é um filme que só acerta com o espectador, firmando Markowicz como um grande nome do nosso cinema atualmente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Carolina Markowicz</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Maeve Jinkings, Thomas Aquino, Kauan Alvarenga</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/SsYNtUUiQfc?si=d7kUfJQ78A6EOp-o" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Mostra de São Paulo: Curral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Nov 2020 00:26:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Após dez anos de Porta a Porta – a Política em Dois Tempos, Marcelo Brennand retorna ao universo da política feita em cidades pequenas do Brasil. Aqui em Curral, novamente, ele retrata Gravatá, município interiorano de Pernambuco, em período de votação para prefeito e vereador. Durante o filme, há uma construção progressiva das tensões dentro das relações das personagens do enredo. As suas camadas vão sendo descortinadas à medida que a trama avança. Alguns acontecimentos acabam sendo óbvios, mas o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Após dez anos de <em>Porta a Porta – a Política em Dois Tempos</em>, Marcelo Brennand retorna ao universo da política feita em cidades pequenas do Brasil. Aqui em <strong><em>Curral</em></strong>, novamente, ele retrata Gravatá, município interiorano de Pernambuco, em período de votação para prefeito e vereador. Durante o filme, há uma construção progressiva das tensões dentro das relações das personagens do enredo. As suas camadas vão sendo descortinadas à medida que a trama avança. Alguns acontecimentos acabam sendo óbvios, mas o que vale aqui é justamente o desenvolvimento desta história e como a direção e a montagem dialogam com ela.</p>
<p>Nas sequências nas quais as ações são mais marcadas, os cortes secos contribuem para o estabelecimento de tensão. Não que este recurso seja criativo, claro, mas ele ajuda a colocar o espectador na atmosfera desejada, amplificando a sua apreensão. Ao mesmo tempo, esta aceleração trazida pela edição não é gratuita, tendo antes sido construída por momentos de câmera mais parada e planos mais longos, onde se destrincham fatos sobre a cidade, as eleições e os habitantes de Gravatá. Estas descobertas também estão presentes nos detalhes dos diálogos, como no momento em que Chico (Thomas Aquino) e Joel (Rodrigo García) falam sobre a campanha e diversos comentários racistas, misóginos, lesbo e bifóbicos vêm de Joel. O silêncio e o choque de Chico são fomentados pelos closes e pelo seu silêncio, mostrando uma constatação dele, diante do antigo amigo de infância, agora candidato. Há também um engasgo e uma vontade de rebater que vai ficando guardada. </p>
<p>Apesar desta estratégia funcionar na maior parte da projeção, entre o final do segundo ato e o encerramento do longa-metragem, há uma queda rítmica, no qual a tônica permanece constante, deixando uma dilatação desnecessária para a chegada do desfecho da obra. Este fator diminui um pouco do impacto que a última cena parece desejar passar. <strong><em>Curral</em> </strong>cria uma espécie de linha crescente e quando chega em seu ápice, se segura por muito tempo na linha reta, quebrando a expectativa de quem o assiste. Depois, o resultado que traz é um tanto tardio. Este fator não compromete a totalidade da produção, mas reduz a sua qualidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13445" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/curral_foto_daniela-nader_img_9561.jpg" alt="Curral" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/curral_foto_daniela-nader_img_9561.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/curral_foto_daniela-nader_img_9561-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/curral_foto_daniela-nader_img_9561-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/curral_foto_daniela-nader_img_9561-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Outra questão que chama atenção é a falta de personalidade e construção mais elaborada das personagens. O elenco não chega a ser ruim, longe disso. Há um trabalho em procurar imprimir verdade e  uma tentativa de criação de jogo cênico. No entanto, são tantos arquétipos colocados na tela que eles não vão muito além disso. Poderia sim funcionar esta escolha de representação, mas, aqui, fica superficial, não alcançando as sensações e emoções necessárias que precisam ser passadas. Até Aquino, que possui uma série de trabalhos fortes, parece um tanto engessado, repetindo sua chave, sem trazer algo diferente para seu Chico Caixa.</p>
<p>Ainda assim, no geral, <strong><em>Curral</em> </strong>vale a pena por apresentar certo apuro estético, onde técnica e discurso estão casados. Há também um importante debate que ele evoca sobre a sordidez das campanhas políticas e como existem aqueles que se aproveitam de um contexto repleto de pessoas com necessidades básicas para buscar os manipular e controlar com pequenos favores e quantias. Isto já é algo bastante sabido, porém tão antigo e repetido que é sempre importante uma retomada nesta discussão.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Marcelo Brennand</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Thomas Aquino, José Dumont, Carla Salle, Rodrigo Garcia</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/uupborH78gg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Bacurau</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2019 22:11:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eis que chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 29 de agosto, o filme Bacurau, uma produção de Kleber Mendonça Filho (Aquarius) e Juliano Dornelles (O Ateliê da Rua do Brum). O longa nacional foi ovacionado no Festival de Cannes deste ano e levou o Prêmio do Júri na competição principal. Foi a primeira vez que o Brasil saiu vitorioso nesta categoria, que é uma das mais importantes da premiação. O filme narra a história de Bacurau, um pequeno povoado no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Eis que chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 29 de agosto, o filme <em><strong>Bacurau</strong></em>, uma produção de Kleber Mendonça Filho (<em>Aquarius</em>) e Juliano Dornelles (<em>O Ateliê da Rua do Brum</em>). O longa nacional foi ovacionado no Festival de Cannes deste ano e levou o Prêmio do Júri na competição principal. Foi a primeira vez que o Brasil saiu vitorioso nesta categoria, que é uma das mais importantes da premiação.</p>
<p>O filme narra a história de Bacurau, um pequeno povoado no sertão pernambucano que está sofrendo com a falta de água e o abandono do Estado. A população começa a perceber uma movimentação estranha no local, com drones aparecendo no céu, o povoado sumindo dos mapas e pessoas surgindo mortas. A população percebe, então, que está sendo atacada e decide se unir para combater o inimigo desconhecido.</p>
<p>Este é um dos filmes nacionais que mais criei expectativa nos últimos tempos. E graças ao excelente trabalho de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, não houve nem sombra de frustração na expectativa que foi criada. <em><strong>Bacurau</strong> </em>é um filme impactante e necessário, especialmente no cenário político e social atual.</p>
<p>O roteiro vai costurando desde o primeiro momento aquele cenário que vai ser apresentado logo em seguida. As relações interpessoais, a afetividade da população com o lugar onde vive, o cuidado com o próximo. Tudo isso vai sendo pincelado aos poucos e com assertividade, enquanto o espectador fica ainda mais intrigado do que os personagens com o que está acontecendo no povoado.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11168" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3314259.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3314259.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3314259.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/3314259.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O cenário é distópico. O enredo explica de pronto que aquela história acontece daqui a alguns anos, sem especificar quanto tempo passou e o que se transformou no caminho. Informações surgem nos arredores da narrativa, sem atrair o foco. Termos como &#8220;Brasil do Sul&#8221; chamam a atenção do espectador mais atento, assim como uma revolução que estaria acontecendo em São Paulo. Sem mais detalhes, tudo isso auxilia na construção daquele universo de abandono que Bacurau se insere.</p>
<p>Como uma reverência ao Nordeste e o sertão, o longa é cuidadoso ao expor nossas peculiaridades, sem tomar o caminho do estereótipo. A mistura de realidades, que envolvem um interior precário e sem acesso ao básico, como água e medicação, e a tecnologia avançada, o uso de celulares e <em>tablets</em> na rotina da população, assim como o reconhecimento do drone.</p>
<p>Outro ponto alto de <strong><em>Bacurau</em> </strong>é a cuidadosa escolha de elenco. Além de envolver atores nordestinos, eles escolheram diversos figurantes locais que definitivamente fizeram toda a diferença no resultado final. Todo o elenco está alinhado e equilibrado, nos permitindo vivenciar uma experiência artística completa.</p>
<p>Ao surgir, Sônia Braga (<em>Aquarius</em>) reina absoluta em cena. É quase uma covardia dividir o plano com ela, que nos presenteia a cada segundo com um atuação impecável. Mesmo atraindo a atenção para si, Braga é sempre generosa em tela. Ela não tem a intenção de roubar a cena.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11165" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2998859.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2998859.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2998859.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/2998859.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ao falar de temáticas da rotina, como a relação da população com a prostituição, a fé, a proteção entre os moradores, o roteiro nos propõe a reflexão de outras nuances. Além disso, expõe claramente o comportamento do brasileiro de enaltecer o que é de fora e criticar o próprio país.</p>
<p><strong><em>Bacurau</em> </strong>é recheado de críticas e alfinetas sutis aos nossos hábitos e a forma como nos relacionamos com as pessoas e com os lugares que vivemos. Cenas como a que o americano chega no museu e pega, displicentemente, um dos objetos e guarda na sacola, nos mostra o quanto é corriqueiro para o estrangeiro querer levar um pedaço de nós, mesmo que sem autorização.</p>
<p>A própria Bacurau assume protagonismo na história. É como se fosse um personagem vivo e com personalidade palpável. A medida que a população vai mostrando a sua relação com o povoado, isso vai ficando ainda mais perceptível. Ninguém ali é mais importante do que o local pelo qual eles batalham.</p>
<p><em><strong>Bacurau</strong> </em>é um filme visceral, intenso e completamente necessário. Todo os sentimentos que surgem ao logo da trama e que incomodam o espectador, provam que a produção cumpriu o seu objetivo de causar inquietude. Este é o tipo de longa que vai se revelando ainda mais a cada sessão e poderá ter interpretações distintas, a depender da bagagem histórica de cada espectador. Uma brilhante prova de que o cinema nacional está no auge.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles<br />
<strong>Elenco:</strong> Barbara Colen, Sônia Braga, Udo Kier, Karine Teles, Chris Doubek, Alli Willow, Jonny Mars, Antonio Saboia, Thomas Aquino, Julia Marie Peterson</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/1DPdE1MBcQc" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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