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	<title>Arquivos Susanne Bier - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Da Magia à Sedução 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2026 11:07:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Não é de hoje que Hollywood parece depender quase estruturalmente de continuações, remakes e filmes calcados na nostalgia do público. Independente de gênero, os grandes estúdios parecem apostar boa parte de suas fichas nesse mercado. Não à toa, a tão esperada sequência do clássico dos anos 1990 encabeçado pela família Owens só conseguiu ser realizada e lançada agora. Após quase 30 anos de espera, Da Magia à Sedução 2 (cujo subtítulo oficial é Feitiço de Amor) enfim chega aos cinemas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Não é de hoje que Hollywood parece depender quase estruturalmente de continuações, <em>remakes</em> e filmes calcados na nostalgia do público. Independente de gênero, os grandes estúdios parecem apostar boa parte de suas fichas nesse mercado. Não à toa, a tão esperada sequência do clássico dos anos 1990 encabeçado pela família Owens só conseguiu ser realizada e lançada agora. Após quase 30 anos de espera, <strong><em>Da Magia à Sedução 2</em></strong> (cujo subtítulo oficial é <strong><em>Feitiço de Amor</em></strong>) enfim chega aos cinemas com a difícil missão de balancear nostalgia, qualidade narrativa e a essência do amado longa-metragem de 1998.</p>
<p>Apesar da química indiscutível das irmãs Owens (interpretadas por Sandra Bullock e Nicole Kidman), <strong><em>Da Magia à Sedução 2</em></strong> perde em três frentes: roteiro, fotografia e efeitos especiais. E é preciso pontuar cada uma delas porque seu antecessor soube como trabalhá-las. Começando pela estrutura da narrativa, existe uma história clara que se estabelece para o espectador logo nos primeiros minutos do filme: existe uma forma de quebrar a maldição que assombra as Owens há séculos. O que parece ser uma proposta narrativa direta, se mostra um caminho cheio de desvios. Enquanto o primeiro longa parece até soar rápido demais em certas resoluções, mas sua sequência cria desvios demais para o que realmente importa.</p>
<p>O maior problema do roteiro de Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel é sua falta de foco. Existem muitas histórias menores que não são centrais à narrativa que distraem o foco da proposta &#8211; especialmente o interesse amoroso da personagem de Sandra Bullock (<em>Cidade Perdida</em>, de 2022). Não só pelo momento e a forma como essa subtrama é inserida, mas por desviar o foco da missão que é  o principal. A ideia de comicamente construir essa relação entre ela e o personagem de Lee Pace (<em>O Sobrevivente</em>, de 2025) e os questionamentos sobre o caráter dele distraem o espectador do que realmente interessa para a narrativa central: a relação das mulheres da filha Owens, a aceitação de sua magia e a tentativa de quebrar com a maldição. Infelizmente, <em><strong>Da Magia à Sedução 2</strong></em> se perde em subtramas desinteressantes ou mal construídas &#8211; a inserção da figura antagonista, por exemplo, é vergonhosa -, distraindo o espectador do que realmente importa e que é o chamariz para os fãs.</p>
<p>Para além dos problemas do roteiro atropelando ideais e processos, é essencial discutir como um filme feito em 2026 pode perder tanto a &#8216;magia do cinema&#8217; por trás do seu fazer. Apesar dos parâmetros mudarem, <em><strong>Da Magia à Sedução 2</strong></em> depende excessivamente de efeitos visuais não práticos, o que tira um pouco do encantamento que havia no primeiro longa. É uma comparação quase injusta, mas é inevitável. O primeiro projeto realiza boa parte de seus efeitos de forma prática e com saídas interessantes, colocando o espectador num aspecto de crença que é essencial ao consumir uma obra de fantasia. Em vez do clima noventista e da atmosfera mais intimista, vemos na sequência efeitos especiais genéricos e pouco marcantes, mostrando que esse elemento não tem mais o mesmo brilho de antes.</p>
<p>Associado à isso, a fotografia de <em><strong>Da Magia à Sedução 2</strong></em> também deixa a desejar. O resultado final do departamento, encabeçado por Simon Duggan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-furiosa/"><em>Furiosa<strong>: </strong>uma saga Mad Max</em></a>, de 2024), não é horrendo, mas está longe de ser memorável. Não que a fotografia do primeiro longa fosse um primor, mas existia um encantamento com o uso da câmera, dos reflexos, das cores. Existia um clima de tensão, assombro e magia que a imagem &#8216;perfeita&#8217; do novo projeto não abarca. É como assistir a uma longa publicidade, totalmente higienizada, milimetricamente calculada para que a imagem não tenha nenhuma imperfeição &#8211; mas não foi para isso que os fãs foram até os cinemas.</p>
<p>Apesar de todos esses deslizes &#8211; que não são poucos e podem atrapalhar a experiência de alguns -, <em><strong>Da Magia à Sedução 2 </strong></em>é estranhamente magnético graças ao seu elenco. A magia do projeto reside na química entre Kidman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-babygirl/"><em>Babygirl</em></a>, de 2024) e Bullock, na graciosidade das participações de Dianne Wiest (<em>Apartamento 7A</em>, de 2024) e Stockard Channing e na surpreendentemente performance de Joey King (<em>Feios</em>, de 2024) &#8211; talvez uma das melhores de sua carreira. Ainda que em alguns momentos do filme possa haver uma desconexão do público com a produção, os momentos de afeto, trocas ou reforços da narrativa familiar feminina podem encantar e até mesmo emocionar.</p>
<p>O longa de Susanne Bier (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bird-box/"><em>Bird Box</em></a>, de 2018) lida bem com o quesito nostalgia e adiciona algo de interessante para a narrativa familiar das Owens, mas se perde com suas subtramas e no desenvolvimento do antagonista. É estranho pensar sobre porque parecem existir dois filmes em um. O primeiro, é extremamente consciente de si e foca na emoção e nos laços familiares, como um drama de uma família que luta com os dilemas da vida. O segundo, por sua vez, é uma odisseia romântica entrecortada por uma crescente de mistério frágil e mal desenvolvido. Com isso, <em><strong>Da Magia à Sedução 2</strong></em> provavelmente vai emocionar os fãs que clamaram pelo retorno das irmãs Owens, mas sem deixar de decepcionar por ser um longa que parece não ter entendido sua verdadeira missão narrativa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Susanne Bier</p>
<p><strong>Roteiro: </strong>Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Sandra Bullock, Nicole Kidman, Joey King, Lee Pace, Maisie Williams, Xolo Maridueña, Dianne Wiest e Stockard Channing</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
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