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	<title>Arquivos Sonoya Mizuno - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Sonoya Mizuno - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Está Tudo Bem Comigo?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jun 2024 01:33:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Sair do armário&#8221; não é um processo fácil para qualquer LGBT+. Na adolescência, pode ser uma jornada solitária e dolorosa, hostil se o ambiente externo não contribui para a autoaceitação. Na vida adulta, então, parece que esses problemas se multiplicam e tudo é ainda mais desafiador. Ao mesmo tempo que você se sente velho demais, envergonhado e culpado pela suposta falta de &#8220;timing&#8221; da sua jornada na comparação com a dos outros, sentindo-se ocupando lugares tardiamente, você também se entende [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Sair do armário&#8221; não é um processo fácil para qualquer LGBT+. Na adolescência, pode ser uma jornada solitária e dolorosa, hostil se o ambiente externo não contribui para a autoaceitação. Na vida adulta, então, parece que esses problemas se multiplicam e tudo é ainda mais desafiador. Ao mesmo tempo que você se sente velho demais, envergonhado e culpado pela suposta falta de &#8220;timing&#8221; da sua jornada na comparação com a dos outros, sentindo-se ocupando lugares tardiamente, você também se entende como alguém &#8220;deslocado&#8221; entre os seus e se questionando sobre como deverá se portar de agora em diante, quais são as suas expectativas e a dos outros. Há o vigor da juventude e a sensação de estar pronto para explorar sua sexualidade, mas também um medo muito grande de tudo que virá a partir daí. É nesse estágio da vida que encontramos Lucy, personagem de Dakota Johnson na comédia romântica <strong><em>Está Tudo Bem Comigo?</em></strong>.</p>
<p><strong><em>Está Tudo Bem Comigo?</em></strong> conta a história de Lucy (Dakota Johnson), uma design que trabalha em um spa e está em crise com os relacionamentos que vem estabelecendo com homens até então. É nesse momento que ela revela para a melhor amiga Jane (Sonoya Mizuno) que tem dúvidas sobre sua orientação sexual. Ao mesmo tempo, Jane está prestes a se mudar para Londres depois de receber uma promoção no trabalho, algo que deixa Lucy ainda mais insegura sobre uma jornada que, antes disso, já parecia desafiadora o suficiente. Como irá passar por tudo isso sem Jane ao seu lado?</p>
<p>O filme de Tig Notaro e Stephanie Allynne é na essência uma comédia romântica, com toda a leveza inerente ao gênero, explorando aquele &#8220;american way of life&#8221; de jovens adultos estadunidenses. Acontece que, no meio dessas convenções, o roteiro de Lauren Pomerantz explora muito bem a temática LGBT+ através da jornada de Dakota Johnson. Além da personagem ser muito bem defendida pela atriz, que consegue dimensionar com sensibilidade todas as inseguranças de Lucy em seu processo de descoberta de si, o texto de Pomerantz cumpre muito bem a função de explorar a experiência singular dessa protagonista, poucas vezes abordada nas telas &#8211; normalmente essas histórias são sempre contadas pelo ponto de vista de personagens adolescentes.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18294" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-7.png" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-7.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-7-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-7-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É uma pena que o mesmo roteiro que seja responsável pelo tratamento exemplar da personagem de Johnson se complique no desenvolvimento da relação desta protagonista com sua melhor amiga Jane, interpretada por Sonoya Mizuno. Logo, <strong><em>Está Tudo Bem Comigo?</em></strong> deixa de ser um filme sobre &#8220;saídas de armário&#8221; para ser um longa sobre a força da amizade dessas suas personagens, colocando uma sombra sobre aquilo que a comédia romântica tinha de mais original.</p>
<p>Em dado momento, existe até uma dubiedade sobre a personagem de Mizuno (e confesso que até o encerramento dessa crítica, essa dúvida paira na cabeça deste que vos escreve). Em dada passagem da história, depois de uma experiência mal sucedida de Lucy em um bar lésbico, Jane entra em crise com a própria amiga: seria <strong><em>Está Tudo Bem Comigo?</em></strong> uma história de amor entre amigas que se descobrem apaixonadas uma pela outra? Logo, toda a inquietação de Jane (Mizuno) é atribuída à sensação de que os dilemas de Lucy estavam ocupando um espaço muito grande enquanto ela própria vivia um momento crucial em sua vida. Nesse &#8220;desvio de rota&#8221;, <em>Está Tudo Bem Comigo?</em> perde pontos com o espectador e parece dois filmes em um só.</p>
<p>No papel que cumpre de representar uma jornada LGBT+ poucas vezes explorada em mídias audiovisuais, <strong><em>Está Tudo Bem Comigo?</em></strong> tem qualidades inegáveis. Mesmo na leveza típica de uma comédia romântica, tem um enfrentamento complexo para a trajetória da sua protagonista. Por outro lado, é um filme que apresenta uma lacuna ruidosa no seu terceiro ato, sabotando parte do seu exitoso esforço inicial.  Nesse desequilíbrio, o filme prejudica a experiência do espectador que ficou bastante intrigado com a ótima abordagem inicial das cineastas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Tig Notaro, Stephanie Allynne</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Dakota Johnson, Sonoya Mizuno, Jermaine Fowler</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/yV5EUFYyvYo?si=iGKoDJzgO0YTgSGE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Guerra Civil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Apr 2024 21:50:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua semana de estreia nos Estados Unidos, o novo filme da A24 gerou expectativas altas no restante do mundo por seu sucesso de bilheteria em seu primeiro final de semana. Guerra Civil, o novo projeto da produtora, arrecadou mais de 25 milhões de dólares em sua estreia nacional &#8211; o que marca um novo recorde para a A24. Com isso, o longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19), já chega com um burburinho potente. O fascínio gerado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em sua semana de estreia nos Estados Unidos, o novo filme da A24 gerou expectativas altas no restante do mundo por seu sucesso de bilheteria em seu primeiro final de semana. <em><strong>Guerra Civil</strong></em>, o novo projeto da produtora, arrecadou mais de 25 milhões de dólares em sua estreia nacional &#8211; o que marca um novo recorde para a A24. Com isso, o longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19), já chega com um burburinho potente.</p>
<p>O fascínio gerado pelo novo longa está em sua história. O roteiro de Alex Garland (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aniquilacao/"><em>Aniquilação</em></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-men-faces-do-medo/"><em>Men &#8211; Faces do Medo</em></a>, de 2022) conta a história de quatro jornalistas (Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen McKinley Henderson) que embarcam numa viagem de carro de Nova York até a capital estadunidense para reportar a guerra civil que está escalando para um fim iminente. A trama de <strong><em>Guerra Civil</em></strong> é brilhantemente costurada pelas visões dos personagens de Kirsten, Wagner, Cailee e Stephen. A partir das experiências, vivências e paixões de cada um pela profissão, o espectador vislumbra uma história que narra os horrores da vida real.</p>
<p>Assim, <strong><em>Guerra Civil</em></strong> se coloca como um senhor soco no estômago. Desta vez, fora do universo do terror, o diretor e roteirista, Alex Garland, consegue trazer o horror da vida real para um <em>road movie</em> jornalístico. É potente e, ao mesmo tempo, doloroso. E, o pior de tudo, é real. A dureza do cotidiano do jornalismo obriga os seus a criarem essa carapaça para o que há de pior no mundo. O que é monstruoso pode se banalizar. E, nesse filme, a desumanidade da guerra &#8211; especificamente numa ‘nação patriótica’ que diz sempre lutar pelos seus &#8211; é escancarada de forma avassaladora. Sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes focados em jornalismo desde <em>Todos os Homens do Presidente (1976)</em>.</p>
<p>Tendo em vista a potência e importância do trabalho de Garland &#8211; seja no texto quanto na direção -, é necessário abrir um parênteses para aplaudir o trabalho do elenco central. Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen McKinley Henderson estão hipnotizantes. O quarteto carrega o espectador do início ao fim desse mergulho tortuoso de um futuro horrendo (porém possível). <strong><em>Guerra Civil</em></strong> merece louros por inúmeras partes de sua produção, mas o casting foi verdadeiramente divino.</p>
<p>Cada um dos quatro personagens vive uma fase profissional diferente &#8211; desde Jessie aspirando ser uma renomada fotojornalista até Sammy, um cansado veterano do New York Times. Essa fluidez de experiências gera uma troca arrebatadora para a narrativa. É de tirar o fôlego perceber as diferentes perspectivas sendo pressionadas nos momentos de maior tensão em meio ao caos. <strong><em>Guerra Civil</em></strong> é um momento para ver o jornalismo real sendo posto à prova.</p>
<figure id="attachment_17949" aria-describedby="caption-attachment-17949" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-17949" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-750x500.jpg" alt="Guerra Civil (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2.jpg 1013w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17949" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Guerra Civil&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>Ainda que os quatro se destaquem e conduzam <strong><em>Guerra Civil</em></strong> muito bem, falar sobre como Kirsten Dunst (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-estranho-que-nos-amamos/"><em>O Estranho que Nós Amamos</em></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ataque-dos-caes/"><em>Ataque dos Cães</em></a>, de 2021) abraça o projeto é inevitável. Cada olhar de Lee, toque na sua câmera ou diálogo é perfeitamente colocado para fazer com que o mundo do público desmorone ainda mais. A contenção da personagem e o peso que ela carrega são sua força cênica. Lee transborda as dores e as marcas que a cobertura de guerra lhe causaram.</p>
<p>Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sergio/"><em>Sergio</em></a>, de 2020, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-agente-oculto-netflix/"><em>Agente Oculto</em></a>, de 2022) é outro ponto de atenção em <strong><em>Guerra Civil</em></strong>. Ainda que seu personagem, Joel, seja um tanto quanto caricatural em momentos de maior euforia, Wagner brilha na hora certa, complementando a potência de sua colega de cena. Ele caminha pelo lugar da euforia que o jornalismo lhe dá, ainda que consciente do infortúnio que todos estão vivendo.</p>
<p>O veterano Stephen McKinley Henderson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><em>Duna</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-passagem-apple-tv/"><em>Passagem</em></a>, de 2022), por sua vez, é o contraponto da serenidade, da experiência. Com suas limitações de idade e manias, o seu personagem domina a cena como uma figura paternal, uma vez que Sammy foi o mentor dos personagens de Dunst e Moura. Sua presença em <strong><em>Guerra Civil</em></strong> completa o ciclo de experiências e aprofunda as camadas de relações dos personagens.</p>
<p>No seu extremo oposto está Jessie, a personagem de Cailee Spaeny (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/"><em>Vice</em></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-priscilla/"><em>Priscilla</em></a>, de 2023) em <strong><em>Guerra Civil</em></strong>. A jovem, que sonha em ser uma renomada fotojornalista de guerra como Lee, representa possibilidades de fases da carreira de muitos que seguem essa árdua jornada de relatar os horrores do mundo. Tudo isso feito com uma força e sensibilidade extremas.</p>
<p>Para além do texto, direção e atuações, outros departamentos de <strong><em>Guerra Civil</em></strong> merecem louros, como a fotografia, a arte e o som. Cada uma dessas equipes potencializa a força do que está sendo discutido em tela &#8211; e isso não é fácil. Afinal, o que o texto de Garland expõe é o maior temor de uma civilização democrática atualmente: o medo constante do fantasma autoritário, extremista e sangrento.</p>
<p>Apesar de parecer óbvio que um filme de guerra envolve uma presença poderosa e constante de ruídos &#8211; e o longa tem seus momentos -, o projeto triunfa no silêncio. Cenas com apenas trocas de olhares ou momentos mais intimistas entre os personagens em seus anseios, dores e desejos avassalam o público por tornar palpável o horror posto em tela. <strong><em>Guerra Civil</em></strong> veio para despontar como uma das obras mais interessantes do ano. A dualidade de achar a sensibilidade e a delicadeza no olho do furacão é um mérito gigante da equipe. Se essa for, de fato, a última assinatura de Alex Garland como diretor, ele sairá em sua melhor forma, tendo chances de uma possível nomeação na campanha pelo Oscar.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Alex Garland</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny, Stephen McKinley Henderson, Sonoya Mizuno, Nick Offerman</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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