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	<title>Arquivos Sarah Paulson - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Sarah Paulson - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Fuja</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2020 12:46:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nova produção lançada pela Hulu e estrelada por Sarah Paulson (Oito Mulheres e um Segredo) Fuja é um thriller/terror de tirar o fôlego! Com uma destreza em criar uma progressão dentro da narrativa, Aneesh Chaganty (Monsters) e Sev Ohanian (Buscando&#8230;) demonstram cuidado em revelar, lentamente, as ações tenebrosas de Diane Sherman (Paulson). O espectador primeiro é ambientado naquela rotina, aparentemente, tranquila de Diane e sua filha, Chloe (Kiera Allen). Logo no início, é anunciado que Sherman deu a luz a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nova produção lançada pela Hulu e estrelada por Sarah Paulson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-oito-mulheres-e-um-segredo/"><em>Oito Mulheres e um Segredo</em></a>) <strong><em>Fuja</em> </strong>é um thriller/terror de tirar o fôlego! Com uma destreza em criar uma progressão dentro da narrativa, Aneesh Chaganty (<em>Monsters</em>) e Sev Ohanian (<em>Buscando&#8230;</em>) demonstram cuidado em revelar, lentamente, as ações tenebrosas de Diane Sherman (Paulson). O espectador primeiro é ambientado naquela rotina, aparentemente, tranquila de Diane e sua filha, Chloe (Kiera Allen).</p>
<p>Logo no início, é anunciado que Sherman deu a luz a um bebê que nasceu prematuro e com complicações. Em seguida, vê-se a rotina de Chloe, uma adolescente que, teoricamente, tem diversas questões de saúde, como asma e diabetes, além de ser pessoa com deficiência e possuir um espaço todo adaptado, por conta disto. Ela vive em uma rotina regrada, consumindo muitas medicações. Passado, majoritariamente, na casa das duas, o ambiente começa com uma iluminação e elementos de cena mais sutis, com tons terrosos e amarelados. Estas cores também aparecem em Diane e Chloe, que estão sempre combinando as paletas em suas vestes.</p>
<p>A harmonia da dupla vai sendo quebrada em <strong><em>Fuja</em></strong>, à medida em a jovem vai descobrindo quem é sua mãe de verdade. Além disso, o local passa a se transformar em um ambiente claustrofóbico, imprimindo a noção de que é muito mais do que uma residência comum e sim uma prisão. Isto é feito através da direção de Chaganty, que traz planos que vão se fechando e em panorâmicas que acompanham os passos de Paulson, evocando esta ideia de que ela está sempre rondando a filha. As movimentações de câmera trabalham em função desta construção de atmosfera sufocante e apavorante. Diane, por exemplo, é posta ao fundo da tela, em algumas ocasiões, para elevar esta sua imagem de <em>stalker</em>.</p>
<p>As atuações de Sarah Paulson e Kiera Allen também são fundamentais para o estabelecimento de tensão e da construção desta relação tão intensa. Isto porque boa parte do filme se faz na relação entre Diane e Chloe, na confiança previamente adquirida e, agora, quebrada. Neste contexto, Sarah encontra um papel que se encaixa perfeitamente com sua habilidade de demonstrar múltiplas emoções em poucos segundos. As suas expressões faciais são arquitetadas para imprimir esta figura manipuladora, que finge ser outra, mas que se transfigura em uma mulher assustadora, de repente.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13563" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1380924.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Fuja" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1380924.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1380924.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1380924.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1380924.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Já Kiera, surpreende por este ser seu primeiro trabalho em um longa-metragem. Ela carrega consigo uma forte consciência espacial, sabendo como se movimentar em cena. Allen também demonstra compreender as motivações de Chloe e isto se traduz em suas intenções de texto. Mas, o ponto mais forte está na contracena dela com Paulson. Ambas jogam de maneira certeira em <em><strong>Fuja</strong> </em>e elevam as propostas uma da outra. O ápice disto é a sequência do porão, na qual as nuances de entonação, olhares e gestos se tornam mais complexos, principalmente pelas escolhas de velocidade das palavras, respirações e silêncios.</p>
<p>No entanto, apesar de ter bastantes elementos positivos durante quase toda projeção, do início terceiro ato da produção em diante, a qualidade da obra vai caindo. Talvez, fosse necessário existir um pouco mais do que 90 minutos de duração para que o arco do relacionamento das duas fosse concluído. Algumas informações que são colocadas, a partir do confronto delas, acabam ficando soltas e sem conclusão, como o fato de Chloe ter pais biológicos que a perderam ainda na maternidade.</p>
<p>A solução não precisaria ser necessariamente encaminhada para este rumo, porém os desenlaces chegam fáceis e desfazem a riqueza da sutileza da progressão ali presente.  Outro fator incômodo é a cena final. A troca de posição entre Diane e Chloe parece mais algo que busca acrescentar outra camada para a dinâmica entre elas. No entanto, esta sequência acaba reduzindo o impactado da conclusão do conflito.</p>
<p>Apesar destas falhas, <strong><em>Fuja</em> </strong>é um material coeso, em grande parte. Com méritos de roteiro, atuações e direção, vale a pena conferi-lo. Além de tudo isso, é importante destacar a escolha da protagonista, feita por Aneesh Chaganty. Kiera Allen deixa a sensação de um futuro promissor na área, demonstrando como os cineastas e Hollywood podem ser menos capacitistas e contratarem pessoas com deficiência para ocuparem diversas funções no set. Com certeza, muitos talentos estão por aí!</p>
<p><strong>Direção</strong>: Aneesh Chaganty</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Sarah Paulson, Kiera Allen, Onalee Ames, Pat Healy, Carter Heintz, Erik Athavale</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Y0-RFZDmycQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Oito Mulheres e Um Segredo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jun 2018 20:41:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O longa Oito Mulheres e Um Segredo chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 07, e promete atrair grande público aos cinemas. Com o suporte de Onze Homens e Um Segredo, do diretor Steven Soderbergh, este atual traz a versão feminina e atualizada. No entanto, deixou de aproveitar vários pontos positivos do antecessor e acabou caindo em uma série de clichês desnecessários. Debbie Ocean é irmã do famigerado Danny Ocean, interpretado por George Clooney na película sitada acima. Ela acaba de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O longa <em>Oito Mulheres e Um Segredo</em> chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 07, e promete atrair grande público aos cinemas. Com o suporte de <em>Onze Homens e Um Segredo</em>, do diretor Steven Soderbergh, este atual traz a versão feminina e atualizada. No entanto, deixou de aproveitar vários pontos positivos do antecessor e acabou caindo em uma série de clichês desnecessários.</p>
<p>Debbie Ocean é irmã do famigerado Danny Ocean, interpretado por George Clooney na película sitada acima. Ela acaba de sair da cadeia e já planeja um novo golpe para faturar milhões. Ela conta com a ajuda da parceira Lou e, juntas, elas reúnem outras mulheres para executar o plano de roubar uma joia durante o Baile do Met.</p>
<p>Desta introdução você já percebe que o filme é bem parecido com a versão masculina. Mas isso não seria problema algum se o roteiro deste aqui inovasse e fosse menos previsível. Cada cena, cada ato, é facilmente identificável pelo espectador, que começa a se entediar com a falta de elementos novos. Até o clímax do filme é perdido no meio de tantos clichês.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8976" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/06/341755.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>O diretor Gary Ross se limita, infelizmente, a reproduzir o roteiro masculino, sem dar corpo e identidade à esse. Ao invés de aproveitar a premissa e trabalhar em cima disso, ele simplesmente copiou e colou, sem adequar direito à questão feminina. Estamos falando de um elenco forte e majoritariamente feminino. Tudo isso poderia ser muito bem explorado. As possibilidades são infinitas. Mas Ross se contentou em trazer o básico do básico.</p>
<p>O grande suporte que esse filme tem, de fato, é o elenco. Uma atriz mais impecável que a outra e que funcionam muito bem juntas. Além de grandes atuações, temos uma unidade forte na equipe. Todas têm seus momentos de glória, mas se destacam entre a multidão também. Destaque especial para Rihanna, que mostra amadurecimento na atuação e está ótima no papel da hacker Bola Nove. Mas é claro que a dinâmica entre Sandra Bullock e Cate Blanchett é única e deliciosa de assistir.</p>
<p>Não menos importante, temos Helena Bonham Carter, Sarah Paulson, Anne Hathaway, Mindy Kaling e a mais novata Awkwafina. É tanta mulher retada junto que a gente até esquece o roteiro fraco. Elas valem a pena todos os momentos e as quase 2h de duração do filme.</p>
<p>Mesmo dentro de todos esses moldes pré-arranjados, <em>Oito Mulheres e Um Segredo</em> é um filme com começo, meio e fim, e funciona razoavelmente bem. O público se diverte, dá risada, fica animado. Tudo que é de se esperar desta proposta. O que decepciona mesmo é que ele poderia ir muito além disso, mas prefere ser apenas um longa comum. Vale a pena, sim, mas perdeu a chance de ser lembrado no futuro como algo inovador.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/eRVknc7kQGQ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Carol</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-carol/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jan 2016 11:10:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Carol]]></category>
		<category><![CDATA[Cate Blanchett]]></category>
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		<category><![CDATA[Todd Haynes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Dos cultuados cineastas norte-americanos contemporâneos, Todd Haynes talvez seja um dos que mais dê preferência a histórias centradas em fortes personagens femininas, e talvez também seja um dos que mais saiba manejá-las. De Longe do Paraíso à minissérie da HBO Mildred Pierce, sem falar em outros trabalhos do diretor como Mal do Século, Não estou lá e Velvet Goldmine, que abordam questões que estão fora dessa esfera temática, o realizador dimensiona como poucos os reflexos dos preconceitos de uma sociedade machista [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_4406" aria-describedby="caption-attachment-4406" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4406 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/carol-1-620x310.jpg" alt="carol" width="620" height="310" /><figcaption id="caption-attachment-4406" class="wp-caption-text">Romance: Personagens de Cate Blanchett e Rooney Mara vivem história de amor em Carol</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>Dos cultuados cineastas norte-americanos contemporâneos, Todd Haynes talvez seja um dos que mais dê preferência a histórias centradas em fortes personagens femininas, e talvez também seja um dos que mais saiba manejá-las. De <i>Longe do Paraíso</i> à minissérie da HBO <i>Mildred Pierce</i>, sem falar em outros trabalhos do diretor como <i>Mal do Século</i>, <i>Não estou lá</i> e <i>Velvet Goldmine</i>, que abordam questões que estão fora dessa esfera temática, o realizador dimensiona como poucos os reflexos dos preconceitos de uma sociedade machista nas esferas subjetivas das suas protagonistas. Convidado por Cate Blanchett para dirigir um projeto que há anos a atriz queria ver ser levado para o cinema, a adaptação de <i>O Preço do Sal, </i>livro da escritora Patricia Highsmith (de <i>O Talentoso Ripley</i>), Haynes retorna a esse tipo de narrativa que lhe é tão familiar e realiza <i>Carol</i>.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Baseado no livro de Highsmith, longa traz o romance entre a jovem Therese Belivet, uma vendedora de uma loja de departamento interpretada por Rooney Mara, com a sofisticada dona de casa Carol Aird, papel de Cate Blanchett, nos EUA do início da década de 1950. Carol passa por um tumultuado processo de divórcio com o pai da sua filha, enquanto Therese começa a se descobrir como mulher a partir da sua relação com ela. O amor entre as duas começa a passar por turbulências quando Carol enfrenta alguns problemas com o seu marido a respeito da guarda da filha e todas as convenções e preconceitos sociais da época passam a ser uma ameaça para a felicidade de ambas.</p>
</div>
<figure id="attachment_4407" aria-describedby="caption-attachment-4407" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4407 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/carol_cate-620x329.jpg" alt="carol_cate" width="620" height="329" /><figcaption id="caption-attachment-4407" class="wp-caption-text">Personagens femininas: Como em parte da filmografia de Todd Haynes, o filme é centrado em fortes mulheres</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>À primeira vista, <i>Carol </i>pode parecer um romance frio sobre o relacionamento entre duas mulheres, já que muita pouca coisa é dita entre elas sobre sentimentos e não há momentos de arrebate emocional. Ao contextualizarmos a obra ao período em que ela se passa, entendemos as razões para que as emoções e os desejos das personagens, sobretudo os de Therese que está descobrindo a própria sexualidade, fiquem em constante estado de tensão e nas entrelinhas. Se em pleno século XXI já é complicado assumir uma relação, se descobrir e se aceitar como homossexual, imaginem na década de 1950. Nesse sentido, Haynes é impecável na condução do seu romance, permitindo não apenas que tenhamos uma dimensão da maneira como a sociedade tratava o assunto na sua época, mas lançando um olhar para as consequências disso na relação e na própria trajetória das suas duas personagens, sem apelar para didatismos históricos.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"> Sem sensacionalismo ou estardalhaço sobre o assunto, Todd Haynes conduz <i>Carol </i>com muita elegância, permitindo que o filme contenha uma reflexão sobre a homossexualidade e as consequências individuais da reprovação social sobre o assunto, sem apelar para discursos e sequências redundantes. O melhor de tudo é que o realizador consegue tratar essa questão sem perder de vista a relação entre Carol e Therese, o grande foco de toda a narrativa do filme. Assim, <i>Carol </i>mostra-se como uma obra socialmente contundente ao abordar de maneira delicada o preconceito social como um obstáculo para suas personagens, ao mesmo tempo em que estabelece muito bem um pacto com gêneros ou escolas cinematográficas às quais o diretor costuma se filiar como o melodrama, algo que ele já havia feito muito bem em <i>Longe do Paraíso </i>e <i>Mildred Pierce. </i>Em suma, assim como fez nesses trabalhos citados, Haynes utiliza em <i>Carol</i> o gênero como uma forma de investigar como a sociedade cria mecanismos para jogar indivíduos em calabouços, podando seus sentimentos, sua liberdade e impossibilitando a própria felicidade.</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"></div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;"></div>
<figure id="attachment_4408" aria-describedby="caption-attachment-4408" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4408 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/carollll-620x323.jpg" alt="carollll" width="620" height="323" /><figcaption id="caption-attachment-4408" class="wp-caption-text">Performances: Dupla de protagonistas mantém a qualidade da obra com ótimas interpretações</figcaption></figure>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&nbsp;</p>
<p>Como costuma ser uma regra em todos os filmes de Todd Haynes, <i>Carol </i>é um filme marcado por poderosas performances dos seus atores. Dessa vez, Haynes permite que Cate Blanchett e Rooney Mara nos conduzam de maneira sensível à redentora relação entre Carol Aird e Therese Belivet. Blanchett talvez tenha uma das melhores performances de sua carreira no filme. Com uma personagem que evita que a atriz incorra em um <i>overacting</i>, algo que, por vezes, a australiana acaba cedendo, Blanchett faz de Carol Aird uma figura etérea, provavelmente por um mecanismo de defesa, mas muito sedutora e repleta de dignidade. Já Rooney Mara conduz de forma impecável o processo de descoberta da sexualidade e do amor de Therese Belivet. Mara tem momentos maravilhosos no filme, sobretudo quando coloca em evidência as incertezas e inseguranças da personagem sobre o que sente verdadeiramente por Carol. Entre os dois desempenhos maravilhosos das protagonistas, estão outros excelentes atores que são fundamentais para a história e que também merecem a menção, entre eles Sarah Paulson, que merecia mais atenção por sua discreta interpretação como uma ex-namorada de Carol, e Kyle Chandler, ótimo em diversos momentos como o marido da personagem de Blanchett.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Na filmografia de Todd Haynes, <i>Carol </i>pode não apresentar o mesmo ímpeto vanguardista de obras como <i>Longe do Paraíso </i>ou <i>Não estou lá</i>, mas demostra um diretor que sempre conduz com sensibilidade questões que lhe são caras em formatos conhecidos. Natural em suas próprias convicções e no seu caráter humanista, <i>Carol </i>é um romance calibrado pelas excelentes performances de Cate Blanchett e Rooney Mara e pelo olhar de um diretor que consegue entender a fundo as suas personagens sem perder de vista a elegância narrativa. <i>Carol </i>é uma belíssima extensão da própria carreira de Todd Haynes, um diretor que como poucos sabe utilizar as convenções de um gênero narrativo em prol de questões sociais que estão em suas entrelinhas mas que se impõem como bandeiras necessárias através das batalhas pessoais empreendidas por suas personagens para simplesmente ser o que são e buscar aquilo que todo ser humano merece: a felicidade.</p>
</div>
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