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	<title>Arquivos Rachel Wilson - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Campo do Medo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Oct 2019 15:41:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Juntando-se a Cemitério Maldito e a It &#8211; Capítulo 2, Campo do Medo é mais uma adaptação de uma obra do prolífico autor Stephen King em 2019. Nas mãos do diretor Vincenzo Natali (do cult e inovador O Cubo) e distribuído pela Netflix, a narrativa acompanha duas famílias presas dentro de um infinito campo de grama alta na beira de uma estrada norte-americana. De maneira análoga a um labirinto, o gramado é a principal peça do filme. Neste sentido, Natali [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Juntando-se a <em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cemiterio-maldito/">Cemitério Maldito</a></em> e a <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-it-capitulo-2/"><em>It &#8211; Capítulo 2</em></a>, <strong><em>Campo do Medo</em></strong> é mais uma adaptação de uma obra do prolífico autor Stephen King em 2019. Nas mãos do diretor Vincenzo Natali (do cult e inovador <em>O Cubo</em>) e distribuído pela <em>Netflix</em>, a narrativa acompanha duas famílias presas dentro de um infinito campo de grama alta na beira de uma estrada norte-americana.</p>
<p>De maneira análoga a um labirinto, o gramado é a principal peça do filme. Neste sentido, Natali estabelece desde cedo planos gerais que destacam a imensidão do mar verde e sua infinitude, perdendo-se no horizonte. Em contraste, a visão de dentro dele é claustrofóbica e sufocante, marcadas por <em>close-ups</em>. Além disso, <em>contra-plongées </em>(planos de baixo para cima) realçam o efeito do Sol queimando as famílias, aumentando a sensação de desconforto e urgência.</p>
<p>No mesmo sentido, a padronização do gramado deixa o espectador desnorteado e sem o menor senso de direção. Conforme o avançar da trama, sua linha temporal vai ficando cada vez mais embaralhada e personagens transitam entre presente e passado. Por exemplo, quando Travis (Harrison Gilbertson, <em>Upgrade</em>) vai atrás de Becky (Laysla de Oliveira, <em>The Gifted</em>), que está desaparecida há dois meses, ele encontra sua versão do momento em que desapareceu.</p>
<p>Todavia, esse artifício de <strong><em>Campo do Medo</em></strong> também é um de seus maiores empecilhos. Essas mesmas situações vão se repetindo e perdem o impacto. Além disso — como de praxe nos trabalhos de King — as explicações lógicas são ignoradas em detrimento de uma mística sobrenatural. Obviamente, não há nenhum problema nisso, contanto que a própria lógica de seu universo seja respeitada. O que não acontece.</p>
<p>Igualmente, a ameaça de <em><strong>Campo do Medo</strong></em> nunca sai da sugestão, nem cumpre o potencial que prometia. Personificada na figura de Ross (Patrick Wilson, <em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aquaman/">Aquaman</a></em>), o tom passivo-agressivo do personagem não é o suficiente para sustentar um antagonismo. Aliás, fica até difícil identificar qualquer nuance de horror na história. Assim como não vai para o lado dos <em>jumpscares,</em> seu terror psicológico não é imersivo o suficiente. É uma enorme ingenuidade de Natali acreditar que <em>zooms-in </em>em plantas ao vento podem deixar o público tenso.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11472" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Campo-do-Medo-750x500.jpg" alt="Campo do Medo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Campo-do-Medo.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Campo-do-Medo-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Campo-do-Medo-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Outro grande problema do longa é que sua cinematografia escura não foi pensada para ser exibida na televisão, sofrendo o mesmo problema da Batalha de <em>Winterfell, </em>na última temporada de <em>Game of Thrones</em>. Em certas sequências, a escuridão é tanta que o pouco de tensão que a trama possui se perde no meio da confusão visual, como no confronto ao redor da rocha.</p>
<p>Diferentemente de <em>O Cubo</em>, o roteiro de Natali não aproveita o ambiente bolha e extremo para aprofundar os protagonistas. Embora chegue a flertar com camadas mais profundas, como o obsessivo amor fraternal de Cal (Avery Whitted, <em>Sidney Hall</em>) por Becky e um dilema sobre aborto, não há nada que enriqueça suas histórias ali, deixando uma sensação de incompletude.</p>
<p>Em relação ao elenco, por incrível que pareça, seu grande destaque não vai para Patrick Wilson — que até se entrega a gradual loucura de seu personagem — mas sim para Will Buie Jr. (<em>Acampados</em>), interpretando Tobin. O ator mirim consegue, simultaneamente, passar inocência e mistério, criando uma figura assustadora. Não só isso, como ele também mostra versatilidade ao performar diferentes versões de si mesmo, devido as diversas linhas temporais.</p>
<p>Por fim, <strong><em>Campo do Medo </em></strong>até possui méritos em seu primeiro ato, criando um desnorteamento visual e espacial proposital, transformando o campo de grama alta em um labirinto psicodélico. Porém, de resto, tudo é desinteressante. Desde seu antagonista principal não-ameaçador, até os protagonistas unidimensionais e suas viagens no tempo paradoxais. Assim, na prateleira das adaptações de King, o longa da <em>Netflix</em> está mais próximo de fracassos como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-torre-negra/"><em>A Torre Negra</em></a> do que clássicos como <em>O Iluminado.</em></p>
<p><strong>Direção</strong>: Vincenzo Natali<br />
<strong>Elenco</strong>: Patrick Wilson, Laysla de Oliveira, Harrison Gilbertson, Avery Whitted, Rachel Wilson, Will Buie Jr</p>
<p style="text-align: center"><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=XA-od7-JSfg&amp;w=750&amp;h=500]</p>
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