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	<title>Arquivos Prime Video - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Prime Video - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Um. Natal. Surreal. (Prime Video)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Dec 2025 11:35:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Uma comédia de Natal não precisa de muita coisa. Este tipo de produção é feita para rir e relaxar durante os festejos natalinos. O que se espera, tão somente, são personagens carismáticas e alguma profundidade de personagem. Estes elementos são cruciais para a conexão do produto midiático com a plateia. E é justamente nesse quesito básico que Um. Natal. Surreal. falha. Falta aqui trabalhar as personagens e a própria narrativa. O enredo acaba por ser uma junção de ações atrapalhadas, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma comédia de Natal não precisa de muita coisa. Este tipo de produção é feita para rir e relaxar durante os festejos natalinos. O que se espera, tão somente, são personagens carismáticas e alguma profundidade de personagem.</p>
<p>Estes elementos são cruciais para a conexão do produto midiático com a plateia. E é justamente nesse quesito básico que <i>Um. Natal. Surreal</i>. falha. Falta aqui trabalhar as personagens e a própria narrativa.</p>
<p>O enredo acaba por ser uma junção de ações atrapalhadas, sem remendo e camadas. Um exemplo é o conflito entre Claire (Pffeifer) e Channing (Jones). O confronto mãe e filha é um clássico.</p>
<p>No entanto, não existe aqui uma questão de fato entre as duas que justifique o destaque que a tensão ganha na narrativa. Até mesmo o gatilho para a reviravolta da trama parece um exagero.</p>
<p>A família esquece de levar Claire ao show que toda família foi junya. Mas, ela está em casa e de carro. Por que ela não iria ao show? Ok, ok, existe o lado sentimental de tudo isso. Claire comprou os ingressos e foi deixada para trás.</p>
<p>Todavia, seria necessário um estabelecimento de suspensão maior entre os parentes e um conhecimento mais intenso sobre a própria figura central da história para que esse esquecimento fosse motivador do plot twist.</p>
<p>Quem é Claire? Qual seu passado e suas emoções? A produção defende que é necessário que se existam mais filmes natalinos sobre mães.</p>
<p>Contudo, do que adianta realizar um longa com esse foco com um roteiro raso, que não revela as características de sua protagonista?</p>
<p>Desta maneira, <i>Um. Natal. Surreal.</i> deseja trazer para tela uma história que discuta o espaço das mães nas famílias e faça uma homenagem à elas. No entanto, esse intento não é realizado.</p>
<p>Seja porque a figura central do enredo não é explorada ou a sua própria trajetória é demasiadamente simplificada, falta algo que conecte a plateia com o filme.</p>
<p>Além disso, os coadjuvantes também não ganham camadas, tampouco são arquétipos. Por isso, a projeção fica desinteressante e é desafiador chegar ao final da projeção.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Michael Showalter</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Michelle Pfeiffer, Chloë Grace Moretz, Felicity Jones</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="UM NATAL SURREAL - Trailer Dublado (Oh What Fun) Amazon Prime Vídeo Filme, Chloë Grace Moretz " width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/P42vC-9yXZ0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Maníaco do Parque</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Oct 2024 18:37:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Giovanna Grigio]]></category>
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		<category><![CDATA[Mauricio Eça]]></category>
		<category><![CDATA[Mel Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[Prime Video]]></category>
		<category><![CDATA[Silvero Pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de encerrar a trilogia sobre Suzane Von Richtofen no Amazon Prime Video com A Menina que Matou os Pais: A Confissão, o diretor Maurício Eça aposta em uma nova parceria com o serviço de streaming envolvendo um outro caso criminal de grande repercussão no Brasil, a história do serial killer Francisco Pereira em Maníaco do Parque. O caso ganhou uma extensa cobertura da imprensa em 1998 e chocou o país pelo teor da sua violência. Na ocasião, várias mulheres foram assassinadas em sequência e seus corpos eram [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de encerrar a trilogia sobre Suzane Von Richtofen no Amazon Prime Video com A Menina que Matou os Pais: A Confissão, o diretor Maurício Eça aposta em uma nova parceria com o serviço de streaming envolvendo um outro caso criminal de grande repercussão no Brasil, a história do serial killer Francisco Pereira em <em><strong>Maníaco do Parque</strong></em>.</p>
<p>O caso ganhou uma extensa cobertura da imprensa em 1998 e chocou o país pelo teor da sua violência. Na ocasião, várias mulheres foram assassinadas em sequência e seus corpos eram encontrados em um parque de São Paulo. Logo, a polícia e jornalistas chegaram ao nome de Francisco Pereira como o assassino dos casos. Francisco trabalhava como motoboy e era conhecido pelo seu comportamento introspectivo e por ser muito bom andando de patins. O filme acompanha a investigação do caso pela perspectiva de Elena, uma jovem jornalista do Notícias Populares responsável por batizar o serial killer de &#8220;maníaco do parque&#8221; na primeira manchete sobre o caso.</p>
<p>Em <em><strong>Maníaco do Parque</strong></em>, Maurício Eça apresenta-se como um diretor disposto a corrigir alguns problemas sentidos na trilogia Richtofen. O longa sobre o serial killer brasileiro distancia-se do olhar do assassino e traz como enfoque a investigação do caso pela leitura da jornalista Elena, interpretada por Giovanna Grigio, mesclando a misoginia inerente aos crimes com o sexismo vivenciado pela profissional na redação do jornal, estabelecendo uma conexão entre a repórter e as vítimas do &#8220;maníaco do parque&#8221;. Nas ações de Francisco existe um evidente ódio às mulheres enquanto Elena vive sendo descredibilizada pelos seus colegas, a maioria homens em cargos de chefia e com mais experiência que ela na profissão. Eça investe bastante nesses paralelos, ao menos na teoria.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-18846" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-750x501.png" alt="Maníaco do Parque" width="750" height="501" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-750x501.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-1536x1026.png 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-720x480.png 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-770x514.png 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc-1400x935.png 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/73be09a25e36e836246707b9d68dddbc.png 1600w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O problema do longa é todo o desenvolvimento da sua proposta. O roteiro de <em><strong>Maníaco do Parque</strong></em> não tem a profundidade psicológica ou a construção de análise sociológica que o filme requer. Como acontecia na trilogia Richtofen de Maurício Eça, o longa sobre o &#8220;maníaco do parque&#8221; é marcado pela ausência de sutileza, apelando para chavões do cinema de investigação jornalística e transformando seus personagens em estereótipos a fim de facilitar a leitura do público acerca de quem são os vilões e mocinhos da história .</p>
<p>O caminho adotado prejudica bastante as interpretações de Silvero Pereira (sempre muito bem, mas aqui parece um pouco over em algumas cenas) e Giovanna Grigio. Em especial, Grigio sai bastante prejudicada com uma personagem reduzida a sua profissão. A repercussão do caso na vivência pessoal da personagem só surge no último ato do filme. O roteiro do longa parece esquecer desse olhar sobre a experiência feminina durante toda a cobertura da jornalista para o caso, promovendo cenas catárticas para a atriz apenas no derradeiro confronto da sua personagem com Francisco Pereira na cadeia como uma forma de retomar sua temática e frisar uma tese nunca esmiuçada anteriormente, mas apenas lançada em sua introdução (o que faz, inclusive, a gente se perguntar se tal perspectiva não foi adicionada em regravações ou coisas do gênero)</p>
<p>Não foi com <em><strong>Maníaco do Parque</strong></em> que a Amazon Prime Video conseguiu converter o interesse crescente do público por true crimes em obras que de fato consigam dar a dimensão do que esses casos representaram e quem são de fato as pessoas envolvidas nesses crimes, sejam elas os criminosos, as vítimas ou terceiros envolvidos. Mais uma vez, temos um caso de manchetes policiais reduzido a uma dramatização superficial, um projeto que parece feito, primeiramente, para atender às tendências do algoritmo e pensar muito pouco na forma como esta demanda será cumprida.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mauricio Eça</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Silvero Pereira, Giovanna Grigio, Mel Lisboa</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/3759uEJ17gE?si=QJhvnzyRPzVR3yKE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Guerra sem Regras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Aug 2024 19:23:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Guy Ritchie]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, o cineasta Guy Ritchie seria a pessoa ideal para dirigir um filme como Guerra sem Regras. Notabilizado por filmes de ação arrojados, marcados sobretudo por uma narrativa frenética como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) e Snatch: Porcos e Diamantes (2000), o realizador seria o profissional dos sonhos para assinar um filme sobre um grupo de oficiais em missão extra-oficial pelo primeiro-ministro Winston Churchill para &#8220;colocar o terror&#8221; em grupos nazistas. Em 2024, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, o cineasta Guy Ritchie seria a pessoa ideal para dirigir um filme como <strong><em>Guerra sem Regras</em></strong>. Notabilizado por filmes de ação arrojados, marcados sobretudo por uma narrativa frenética como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes (1998) e Snatch: Porcos e Diamantes (2000), o realizador seria o profissional dos sonhos para assinar um filme sobre um grupo de oficiais em missão extra-oficial pelo primeiro-ministro Winston Churchill para &#8220;colocar o terror&#8221; em grupos nazistas.</p>
<p>Em 2024, Ritchie não parece ser mais aquele cineasta cheio de energia e frescor dos seus primeiros anos. Inserido na lógica industrial de Hollywood, Ritchie acabou neutralizando seu estilo em prol de uma versão mais &#8220;gourmetizada&#8221; do seu cinema. O cineasta até conduz filmes de relativo sucesso com o público e com a crítica como é o caso de Sherlock Holmes e dos recentes O Pacto com Jake Gyllenhaal e Magnatas do Crime, que rendeu até uma série spinoff na Netflix, mas são obras sem personalidade marcante. Alguns desses filmes até aparentam ter alguma assinatura, mas replicam algo que no início dos anos 2000 poderia até ser encarado como singular, mas que hoje já é estabelecido como uma forma de contar histórias no cinema.</p>
<p><strong><em>Guerra sem Regras</em></strong> é mais um desses filmes genéricos do Guy Ritchie. Apelidado informalmente como o Bastardos Inglórios britânico, o longa do diretor é baseado na história do capitão Gus March-Phillipps, que durante a Segunda Guerra Mundial reuniu um grupo altamente preparado a fim de minar as ações dos nazistas na Europa. O elenco da produção tem nomes que são chamariz para a geração dos streamings, como é o caso do seu protagonista Henry Cavill, detentor de uma fanbase muito forte que até hoje lamenta sua saída da série The Witcher (isso para não falar do seu imbróglio com a DC em virtude do Superman), e Alan Ritchson, astro da série Reacher, indo já para sua terceira temporada no Amazon Prime Video.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18589" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-1-4.png" alt="Guerra sem Regras" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-1-4.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-1-4-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-1-4-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Nada é determinante para salvar <strong><em>Guerra sem Regras</em></strong> da sensação de que ele deriva de um monte de referências e no fundo não diz muito a que veio. Ritchie tenta fazer do filme um longa de ação e espionagem &#8220;moderninho&#8221;, mas que no fundo parece uma imitação de tudo o que já foi feito, só que aqui tudo é replicado com um pouco menos de viço. Não tem ritmo, apesar de aparentar ter; não tem humor, apesar de acreditar que é engraçado. É um longa que engana a si mesmo o tempo todo.</p>
<p>Um dos problemas centrais da produção é requerer do seu elenco um humor que ele não está preparado para imprimir na tela. <strong><em>Guerra sem Regras</em></strong> exige de Henry Cavill algo que ele já demonstrou nas mãos do próprio Ritchie em O Agente da U.N.C.L.E. que não está pronto para entregar: comédia, ou mesmo, uma abordagem mais leve e auto-referencial para sua ação. Cavill não consegue sustentar a ironia britânica que parece peculiar ao Gus March-Phillipps. Ainda é difícil para o ator se desvencilhar da persona polida de lorde inglês saído de uma série qualquer da BBC. Nada contra o ator, mas, mais uma vez, ele é vítima do erro de escalação de Guy Ritchie. Sobre os demais, talvez a atriz Eiza Gonzalez, que interpreta a atriz e espiã Marjorie Stewart, tenha tanto destaque em cena quanto Cavill. Ainda assim, a atriz não consegue oferecer maiores camadas para sua personagem, sustentando sua participação em belos looks, ótimos close-ups e uma apresentação musical que emula a era de ouro do cinema.</p>
<p>É uma pena que um cineasta tão promissor quanto Guy Ritchie não tenha conseguido se reinventar na maturidade, tendo se acomodado na fama de visionário dos primeiros anos da sua carreira. <strong><em>Guerra sem Regras</em></strong> não consegue nem mesmo ser correto como O Pacto, ele é apenas tardio, inseguro sobre a sua personalidade e marcado por um elenco que não acompanha as intenções do seu cineasta.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guy Ritchie</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Henry Cavill, Alan Ritchson, Alex Pettyfer</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/qsSbWjn5pPI?si=TozSIXcSXHp42-bt" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Uma Ideia de Você</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2024 15:55:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Uma Ideia de Você era, sim, um dos filmes de romance mais aguardados do ano, especialmente por ser baseado no livro homônimo de sucesso que vendeu milhares de cópias. O enredo narra a história de Solène (Anne Hathaway, Instinto Materno), uma mãe solo que está prestes a completar 40 anos e quer aproveitar uma viagem da filha para poder se desligar do mundo e focar em si. No entanto, seus planos são frustrados quando o ex-marido diz que não poderá [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Uma Ideia de Você</strong></em> era, sim, um dos filmes de romance mais aguardados do ano, especialmente por ser baseado no livro homônimo de sucesso que vendeu milhares de cópias. O enredo narra a história de Solène (Anne Hathaway, <em>Instinto Materno</em>), uma mãe solo que está prestes a completar 40 anos e quer aproveitar uma viagem da filha para poder se desligar do mundo e focar em si. No entanto, seus planos são frustrados quando o ex-marido diz que não poderá acompanhar a garota na viagem a um festival de música, fazendo com que Sol tenha que mudar completamente a rota.</p>
<p>Aqui não é exatamente uma comédia romântica, pois o tom de humor não transita na maior parte do longa. Temos um romance dramático que propõe, sim, uma leveza, mas que traz emoções bem intensas para seus espectadores. Ver Hathaway no papel de uma mãe é curioso, pois estamos acostumados a tê-la sempre em personagens mais descontraídos e com menos responsabilidades. Mas é justamente esse tom que traz uma perfeição nata à protagonista, que não imagino ser interpretada por qualquer outra atriz.</p>
<p>Solène é muito jovem para ter uma filha de 16 anos e isso fica muito notório quando as pessoas as confundem com irmãs. As responsabilidades maternais logo cedo fizeram com que ela tivesse que pular algumas etapas da vida, o que trouxe uma certa curiosidade e descrença para ela. Não existe confiança em se entregar para o inesperado, pois isso nunca deu certo anteriormente. Mas é justamente isso que a vida lhe convoca.</p>
<p>No festival de música que foi acompanhar a filha, ela acaba conhecendo o cantor principal da noite em uma situação bem inusitada no banheiro. O encantamento e conexão entre ambos é notado logo na primeira cena, como se houvesse um encontro há muito tempo prometido. E temos que atribuir isso 100% à sintonia perfeita entre Anne e Nicholas Galitzine (<em>Vermelho, Branco e Sangue Azul</em>). Eles conseguem transmitir todas as emoções de seus personagens com muita facilidade. É quase palpável.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18058" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image.png" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O estranhamento em Hayes (Nicholas) de encontrar uma desconhecida no seu trailer, ao mesmo tempo que seu olhar revela um deslumbre. É como se ele tivesse sido acertado com força (o que emocionalmente é o que acontece mesmo). Ao longo de <strong><em>Uma Ideia de Você</em></strong>, esses laços vão se afinando e se tornando ainda mais estreitados. É muito fácil se envolver pelo casal, que tem uma dinâmica única. Aliás, Hathaway consegue nos fazer flutuar em todos os sentimentos de sua personagem de maneira milimétrica, tornando a experiência ainda mais incrível.</p>
<p>À medida que a história avança, vemos as dificuldades no desenrolar óbvio dos fatos. Uma jovem mãe de 40 anos se envolvendo com o cantor de uma boy band, de 24 anos e crush de maioria das adolescentes. Toda a improbabilidade do casal só nos faz ficar ainda mais envolvido e curioso com o desfecho que eles vão ter.</p>
<p>O filme toca, em dado momento, em questões importantes como a percepção que a sociedade tem da mulher que se relaciona com um homem mais novo, especialmente quando ela é mãe. O medo do julgamento é sensível em muitos momentos, ainda que Solène faça a escolha de seguir o seu coração em algumas partes. E isso mostra o quanto que a mulher perde, ao longo da vida, em emoções a serem vividas por conta das percepções que a sociedade julga serem importantes.</p>
<p>Além disso, vejo que Uma Ideia de Você acaba nos levando a uma reflexão sobre o amor em si e suas diversas formas de apresentação. E se um grande amor surgir, mas for 16 anos mais novo? E se o amor bater à porta em momentos de vida completamente diferentes? O filme traz esse ponto central e adota uma postura interessante sobre o que precisa ser feito, em muitos momentos.</p>
<p><strong><em>Uma Ideia de Você</em></strong> aprofunda com cuidado a relação amorosa intensa de um casal improvável. O mergulho que damos nas emoções é igualmente intenso, nos fazendo sentir lado a lado a química que transborda na tela. E a finalização muito me agradou, já que não foi para o lugar comum preconceituoso e esperado em muitas películas que tratam da relação de mulheres mais velhas. É um romance que fica com a gente quando acaba a exibição, nos fazendo querer reassistir com muita brevidade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Michael Showalter</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Anne Hathaway, Nicholas Galitzine, Ella Rubin, Annie Mumolo, Reid Scott, Perry Mattfeld</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/ZeIGZdfmBhg?si=t-lVQdQUx-x6Yu25" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Bottoms</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2023 16:32:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ayo Edebiri]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois do curioso Shiva Baby, comédia que abordava os costumes da comunidade judaíca estadunidense pela perspectiva de uma jovem integrante do grupo, a diretora e roteirista Emma Seligman aposta na comédia high school com o simpático Bottoms. O filme é mais uma parceria de Seligman com a atriz Rachel Sennott, estrela de Shiva Baby, que aqui além de protagonista é co-responsável pelo roteiro e pela produção do longa junto com a cineasta. Seligman e Sennott contam a história das amigas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois do curioso Shiva Baby, comédia que abordava os costumes da comunidade judaíca estadunidense pela perspectiva de uma jovem integrante do grupo, a diretora e roteirista Emma Seligman aposta na comédia high school com o simpático <em><strong>Bottoms</strong></em>. O filme é mais uma parceria de Seligman com a atriz Rachel Sennott, estrela de Shiva Baby, que aqui além de protagonista é co-responsável pelo roteiro e pela produção do longa junto com a cineasta.</p>
<p>Seligman e Sennott contam a história das amigas PJ (Sennott) e Rosie (Ayo Edebiri, da série The Bear). Ambas fundam na escola um clube de luta para meninas. O intuito do clube alardeado pelas duas é propiciar às garotas do colégio recursos para se defenderem de potenciais agressores, mas, na verdade, na sua origem, PJ e Rosie conceberam o grupo como desculpa para flertar com outras garotas. O clube acaba reunindo meninas de diferentes segmentos da escola, das excluídas às líderes de torcida, transmitindo para suas integrantes importantes lições sobre a sororidade na prática.</p>
<p><em><strong>Bottoms</strong> </em>é um título que reúne parte das principais marcas narrativas das comédias high school, um gênero extremamente popular dos anos 1980 e 1990, revisitando pontos que possam soar anacrônicos no século XXI. O filme tem um enfoque muito evidente em personagens LGBT, sendo extremamente interessante observá-lo comparativamente com títulos do mesmo gênero no passado pois figuras que antes estavam à margem nessas histórias aqui assumem um protagonismo, no caso, as &#8220;heroínas&#8221; PJ e Rosie. As garotas interpretadas por Sennott e Edeberi tem conflitos críveis a suas respectivas orientações sexuais, com direito a interesses amorosos e tudo. Quando que isso seria possível em um filme do gênero nos anos 1980?</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17517" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/bottoms.jpg" alt="Bottoms" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/bottoms.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/bottoms-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/bottoms-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/bottoms-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>Bottoms</em> </strong>é um filme extremamente divertido com pitadas pontuais de ironia a respeito das ainda excludentes dinâmicas sociais entre adolescentes nos corredores de um colégio convencional. A maneira como o longa aborda a fluidez da sexualidade de suas personagens é bem executada e orgânica. A ideia de sororidade também é trabalhada de maneira muito efetiva pela obra, sem que para isso a diretora caia em redundâncias ou tratamentos superficiais e já defasados sobre a temática. É interessante sobretudo como o filme se permite &#8220;brincar&#8221; com essas pautas, optando por uma abordagem afirmativa sobre o assunto, porém mais aderente à realidade da maioria das pessoas, bem distante da superficialidade das redes sociais ou da excessiva gravidade empregada nas discussões acadêmicas.</p>
<p>As mulheres e personagens LGBTs de <strong><em>Bottoms</em> </strong>tem propósitos afirmativos e empoderadores, mas possuem personalidade e demandam questões particulares às suas realidades. A vivência de uma LGBT branca como PJ, por exemplo, é bem diferente de Rosie, uma garota negra. Com tratamento semelhante, a comunidade LGBT em <em>Bottoms</em> tem diferentes matizes, encarando suas respectivas sexualidades de maneira variada e, muitas vezes, fluida, evitando estereotipar essas personagens. Também é interessante perceber como o filme evita transformar essas personagens em figuras perfeitas, todas as meninas de <em>Bottoms</em> têm pontos falhos (algumas até falhas de caráter), conflitos entre si, afastando-as daquela visão ingênua de que a representação LGBT ou feminina no cinema para ser positiva para essas comunidades tem que necessariamente prezar pela construção de modelos irretocáveis de conduta. Não, aqui a complexidade é muito bem-vinda e faz muito bem à história.</p>
<p>O elenco do filme também é um ponto alto da obra. Rachel Sennott e Ayo Edebiri são as protagonistas perfeitas para a história, há ótimos momentos para o professor interpretado por Marshawn Lynch e Nicholas Galitzine tem boas cenas como o hétero &#8220;mais popular&#8221; do colégio, o jogador de futebol americano Jeff.</p>
<p>Divertido, mas compromissado e incisivo com as causas que assumidamente defende, <em><strong>Bottoms</strong> </em>é um ótimo exemplar para a comédia high school na atualidade, um passo que definitivamente não esperávamos ver a diretora de Shiva Baby seguir, mas que demonstra total coerência com a condução da sua carreira até aqui. Com <em>Bottoms</em>, Emma Seligman firma parceria com Rachel Sennott como nomes a se destacar na comédia, usando o gênero para construir histórias compromissadas com a originalidade no tratamento da narrativa e com o revisionismo da representação de grupos sociais nessas tramas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Emma Seligman</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Rachel Sennott, Ayo Edebiri, Ruby Cruz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/fdZgE1E6Q_E" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Crescendo Juntas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Nov 2023 18:57:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Narrativas sobre ritos de passagem existem aos montes na história recente do cinema, mas ainda são poucas aquelas que dedicam esse tipo de conto a protagonistas femininas e abordagens mais leves, conseguindo conciliar uma ótica humana para o assunto, mas divertida. Crescendo Juntas preenche esses requisitos e revela-se como uma história que pode ser apreciada por pais e filhas, contemplando todos os dilemas possíveis que surgem na pré-adolescência de uma garota. O longa dirigido e roteirizado por Kelly Fremon Craig [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Narrativas sobre ritos de passagem existem aos montes na história recente do cinema, mas ainda são poucas aquelas que dedicam esse tipo de conto a protagonistas femininas e abordagens mais leves, conseguindo conciliar uma ótica humana para o assunto, mas divertida. <em><strong>Crescendo Juntas</strong></em> preenche esses requisitos e revela-se como uma história que pode ser apreciada por pais e filhas, contemplando todos os dilemas possíveis que surgem na pré-adolescência de uma garota.</p>
<p>O longa dirigido e roteirizado por Kelly Fremon Craig a partir do livro de Judy Blume conta a história de uma menina de 11 anos que se muda com os pais de Nova York passando a morar no subúrbio de Nova Jersey, bem longe da avó judia. É nesse momento que Margaret passa por um processo de adaptação, mas adequar-se à nova escola e aos novos colegas passa a ser o menor dos seus problemas diante das diversas questões que lhe surgem como desafios.</p>
<p><em><strong>Crescendo Juntas</strong></em> aborda temas como o primeiro sutiã, os primeiros amores, menstruação e intolerância através da trajetória de uma protagonista construída com sensibilidade e doçura por Kelly Fremon Craig. O mérito do trabalho da cineasta é jamais subestimar os dilemas da sua personagem principal, ainda que trate todas essas questões com aquela ótica ingênua da infância.</p>
<p>A menina Margaret está sempre se dirigindo a um Deus que nunca fez parte da sua vida, já que seus pais (um judeu e uma católica) decidiram que a filha só optaria por uma religião quando fosse adulta em virtude dos conflitos severos que o assunto legou ao núcleo familiar. A cineasta utiliza esse recurso não como uma muleta para construir uma narrativa religiosa, mas como um mecanismo bem humorado e que reforça a inocência da protagonista, ampliando ainda mais nossa compreensão sobre o estado de ebulição de emoções de Margaret. A garota vive um momento tão limítrofe que recorre a uma intervenção divina nunca antes aventada.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17486" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1.jpg" alt="Crescendo Juntas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Além do círculo de transformação enfrentado pela personagem principal, o longa aborda as mudanças vivenciadas pela mãe da protagonista na medida em que esta toma contato com o processo da própria filha. A personagem em questão é interpretada com sensibilidade por Rachel McAdams. Como a filha Margaret, a mãe interpretada por McAdams encontra um ponto de independência e se desvencilha de ideias socialmente impostas sobre &#8220;mães de família&#8221; na década de 1970.</p>
<p>É claro que, além de McAdams, outros atores têm momentos muito bons na história como Kathy Bates, cuja avó judia cheia de vida (e roupas e joias exuberantes) enche o filme de alegria e ironia quando surge na tela, ou Benny Safdie, intérprete do pai carinhoso de Margaret, mas o elenco infantil do longa é quem tem grande destaque. O filme é encabeçado por Abby Ryder Fortson, uma jovem atriz que dá cadência e personalidade a todos os dilemas de Margaret, passando ainda pelo grupo de amigas da protagonista liderado Nancy Wheeler, interpretada de maneira extremamente inteligente por Elle Wheeler. Wheeler dá vida a uma garota insegura, mas com espírito de liderança e lealdade.</p>
<p>Kelly Fremon Craig fez de <em><strong>Crescendo Juntas</strong></em> um filme leve e sensível sobre uma fase complicada da vida de qualquer pessoa, procurando universalidade e empatia no tratamento dessa história, mas evitando qualquer tipo de estereotipia na construção das suas personagens. É um longa perfeitamente recomendável para adultos e pré-adolescentes que certamente encontrarão pontos de entendimentos para dilemas que são recorrentes nessa fase de transição para a a vida adulta.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kelly Fremon Craig</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Rachel McAdams, Kathy Bates, Benny Safdie, Abby Ryder Fortson, Elle GrahamJecobi, SwainKaren Aruj</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/eSm3S9-3Fg4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Nov 2023 15:02:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lançados simultaneamente no catálogo do Amazon Prime Video em 2021, A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou meus Pais dramatizavam os eventos que culminaram com o chocante assassinato do casal von Richtofen em São Paulo arquitetado pela própria filha e pelo genro em 2002. Os longas de Maurício Eça narravam as versões de Suzane e de Daniel para o crime e resultaram em obras de gosto duvidoso que flertavam com a reconstituição barata do assassinato. Com [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lançados simultaneamente no catálogo do Amazon Prime Video em 2021, <em>A Menina que Matou os Pais</em> e <em>O Menino que Matou meus Pais</em> dramatizavam os eventos que culminaram com o chocante assassinato do casal von Richtofen em São Paulo arquitetado pela própria filha e pelo genro em 2002. Os longas de Maurício Eça narravam as versões de Suzane e de Daniel para o crime e resultaram em obras de gosto duvidoso que flertavam com a reconstituição barata do assassinato.</p>
<p>Com o sucesso do projeto, <strong><em>A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</em></strong> retoma o caso para abordar eventos que ficaram de fora da narrativa anterior, especificamente, o período que compreendeu o crime e a confissão de Suzane e dos Cravinhos. Maurício Eça retorna para a direção, assim como os atores Carla Diaz, Leonardo Bittencourt e Allan Souza Lima, além dos escritores Ilana Casoy e Raphael Montes, que depois de pesquisarem e escreverem livros sobre o assunto se dedicaram ao roteiro desse projeto.</p>
<p>O resultado de <strong><em>A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</em></strong> consegue ser pior que as empreitadas anteriores de Eça. Além de passar a sensação de que o realizador tenta tirar &#8220;leite de pedra&#8221; com o caso, dedicando uma hora e quarenta minutos de história para episódios que já estão mais do que esclarecidos para o grande público e que não justificam um retorno ao tema, A Confissão é um filme extremamente mal executado em diversas frentes.</p>
<p>Nos longas anteriores, os atores contavam com a justificativa das perspectivas para exagerarem nos traços negativos e positivos dos personagens, sobretudo de Suzane von Richtofen. Assim, ainda que soasse estranho o exagero com que Carla Diaz, por exemplo, retratava Suzane como uma menina ingênua em O Menino que Matou meus Pais (o ponto de vista dela para o caso) ou como uma psicopata em <em>A Menina que matou os Pais</em> (a versão de Daniel para o crime) a decisão de composição da personagem se justificava porque o projeto era centrado na disputa de narrativas entre Suzane e os Cravinhos durante o julgamento do crime.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17451" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Menina que Matou os Pais - A Confissão" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A Confissão não traz o mesmo background dos anteriores, não existem perspectivas a serem contrapostas. Há uma única versão, aquilo que de fato ocorreu. Contudo, estranhamente Diaz investe pesado no retrato de Suzane como uma vilã de novela mexicana, enfatizando caras e bocas e trejeitos de perturbação mental que apesar de a denunciarem como autora do crime a fazem passar despercebida pelos demais personagens da história. Suzane está sempre alterada em cena, com um tom acima do passável para alguém que quer disfarçar uma &#8220;culpa no cartório&#8221;, com olheiras profundas e tratando com rispidez ou ironia os demais personagens.</p>
<p>Talvez atriz, diretor e roteiristas tenham optado por esse caminho em A Confissão a fim de descartarem qualquer tipo de dubiedade acerca do caráter da personagem, algo que levantou polêmicas no projeto anterior com a necessidade de abordar o crime através das &#8220;perspectivas&#8221; dos seus agentes. No entanto, a decisão aqui faz o filme extrapolar os limites do risível. No esforço de enfatizar que não corroboram com uma visão que suaviza a culpa de Suzane, os envolvidos em A Confissão parecem apelar para um tratamento raso da personagem, subestimando a capacidade do público de ver nas telas um retrato mais complexo e crível dessa figura e não necessariamente aderir a suas ações através dessa experiência espectatorial. Enfatizar o &#8220;lugar&#8221; de Suzane no assassinato dos pais não significa necessariamente apelar para a representação mais superficial e estereotipada possível da sua personalidade. Falta nuances à interpretação de Diaz, que ofusca todos os demais parceiros de cena, inclusive Leonardo Bittencourt, que não faz muito dessa vez, com uma abordagem extremamente over.</p>
<p>O tom da performance de Diaz é acompanhado por uma direção que não economiza recursos repletos de canastrice, como os movimentos de câmera usados em momentos de intensa dramaticidade, a exemplo dos surtos de Suzane na cama ou quando o pai dos Cravinhos toma consciência da culpa dos filhos, talvez uma das cenas mais constrangedoras do filme. Essa roupagem da dramatização do caso como um produto barato e exagerado reforça e amplifica problemas já sentidos nos dois títulos anteriores, mas que, de alguma forma, ali eram represados. Talvez um dos poucos pontos passíveis de elogios do filme é o desempenho da atriz Bárbara Colen que interpreta a delegada responsável pela investigação, a única que parece dar algum tipo de credibilidade ao projeto e que surge sóbria em cena.</p>
<p>Se <em>A Menina que Matou os Pais</em> e <em>O Menino que Matou meus Pais</em> ainda geravam alguns pontos de dúvida sobre a natureza do projeto, com todo o seu tom exagerado, <strong><em>A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</em></strong> faz a iniciativa flertar abertamente com a exploração escancarada de um crime que legou tantas dores a vítimas ainda vivas, entre elas, o irmão de Suzane. O tratamento over do assunto, disposto a querer dar fôlego à protagonista como uma grande vilã de uma pretensa franquia (um true crime pop?), não é respeitoso com a seriedade que o caso exige. <strong><em>A Confissão</em></strong> transforma o crime dos von Richtofen em um folhetim barato com o que existe de pior nas possibilidades de exploração de um tema como este.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mauricio Eça</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Carla Diaz, Leonardo Bittencourt, Allan Souza Lima</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Nsl90coKJpk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Passagens</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Oct 2023 13:46:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Passagens, Ira Sachs desenvolve um interessante panorama sobre os termos em curso nos relacionamentos contemporâneos a partir de três personagens que se encontram e se desencontram ao longo das econômicas, mas eficientes, uma hora e meia de narrativa. No longa, Franz Rugowski (Em Trânsito e Great Freedom) interpreta Tomas, um diretor de cinema que vive há alguns anos um relacionamento aberto com o namorado Martin, Ben Whishaw em momento inspiradíssimo depois de entregar uma bela atuação no oscarizado Entre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>Passagens</strong></em>, Ira Sachs desenvolve um interessante panorama sobre os termos em curso nos relacionamentos contemporâneos a partir de três personagens que se encontram e se desencontram ao longo das econômicas, mas eficientes, uma hora e meia de narrativa. No longa, Franz Rugowski (<em>Em Trânsito</em> e <em>Great Freedom</em>) interpreta Tomas, um diretor de cinema que vive há alguns anos um relacionamento aberto com o namorado Martin, Ben Whishaw em momento inspiradíssimo depois de entregar uma bela atuação no oscarizado Entre Mulheres. O personagem de Rugowski conhece Agathe, uma professora de educação infantil vivida por Adèle Exarchorpoulos (<em>Azul é a Cor mais Quente</em>) e imediatamente se sente atraído por ela, algo que fragiliza sua antiga relação com Martin.</p>
<p>Entre idas e vindas, Tomas separa-se de Martin para viver com Agathe. Logo depois o personagem se arrepende e volta a namorar Martin. Em um terceiro momento, uma vida a três chega a ser proposta, sem sucesso, pelo personagem de Rugowski. Em todos esses movimentos do trio, Ira Sachs, também responsável pelo roteiro do filme, desenvolve com profundidade os desejos e as personalidades dos seus personagens alicerçado pelo ótimo desempenho dos seus três atores.</p>
<p>Como Tomas, Franz Rugowski traz para a tela de <em><strong>Passagens</strong> </em>um sujeito envolvente, mas completamente instável, propulsor de relacionamentos abusivos com seus dois parceiros. Tomas gosta de ser o centro das atenções da vida de Martin e Agathe. O diretor se irrita quando um ou outro se afasta do seu convívio, ou seja, todos têm que estar na sua órbita e à disposição do temperamento de Tomas, qualquer elemento estrangeiro que adentre em suas relações e que de alguma forma rivalize um protagonismo é diminuído com desdém infantil pelo personagem. Rugowski conduz de maneira fascinante essa dualidade de Tomas. Inicialmente, o diretor revela-se uma figura fascinante, capaz de seduzir e despertar a curiosidade dos seus parceiros &#8211; e consequentemente do público -, para, logo em seguida, conforme a trama vai avançando, revelar-se a pior experiência amorosa possível para qualquer pessoa.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17370" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5113107.jpg" alt="Passagens" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5113107.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5113107-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5113107-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/5113107-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ben Whishaw tem um desempenho silencioso e comovente ao longo do filme como Martin, pincelando sutilmente os sentimentos que permeiam a trajetória do seu personagem ao longo da história. Martin é um homem gay que não consegue desvencilhar-se das manipulações de Tomas, tendo dificuldade para dizer &#8220;não&#8221; e sempre cedendo aos caprichos do namorado, ainda que, curiosamente, seja o elo da relação que &#8220;segura as pontas&#8221;, quem toma coragem para verbalizar as decisões mais difíceis a serem tomadas na condução de um relacionamento. Em uma cena de sexo entre Tomas e Martin, Sachs &#8220;brinca&#8221; com essa pretensa passividade do personagem quando ele é quem toma uma posição ativa na cama com o namorado, desconstruindo qualquer tipo de estereótipo que o espectador possa vir a ter a respeito de dinâmicas em relacionamentos gays, algo que a sociedade costuma assumir ao adotar uma perspectiva binária das relações.</p>
<p>O terceiro elemento desse triângulo não é menos interessante. Adèle Exarchopoulos tem grandes momentos em <em><strong>Passagens</strong> </em>sobretudo quando sua personagem passa a questionar o seu lugar na relação entre Tomas e Martin, passando a se sentir só e descartada pelo antigo parceiro quando este retorna para o ex-namorado e propõe uma vida a três. Se no desenvolvimento de Martin Ira Sachs desconstrói alguns estigmas associados a homens gays, no que diz respeito a Agathe de Adèle Exarchopoulos o diretor também subverte algumas ideias a partir da firmeza com a qual sua personagem estebelece limites às investidas de Tomas, contrapondo-se imediatamente à submissão de Martin e sendo a grande responsável pelo despertar deste personagem para sua atual condição. A oposição entre os personagens quebra as expectativas porque na sociedade em que vivemos espera-se sempre que dinâmicas abusivas envolvam casais heterossexuais com vítimas mulheres, por exemplo.</p>
<p>Com esse mosaico riquíssimo de personagens, Ira Sachs faz uma síntese interessante sobre relacionamentos em nossos tempos e a subversão de expectativas a respeito das reações dos seus personagens às dinâmicas propostas. Nesse sentido, <em><strong>Passagens</strong> </em>é um filme maduro que trata essas relações com a complexidade que elas exigem, mas também com a ausência de preconceitos que merecem. Quem gosta de dramas calcados em dilemas sobre relacionamentos amorosos, tem aqui um &#8220;prato cheio&#8221;. O filme entrega personagens de psicologia complexa, é econômico em sua duração, mas não faz com que seus noventas minutos de projeção sejam sinônimos de superficialidade, pelo contrário, tem uma direção sensível e elegante de Ira Sachs e é protagonizado por três atores que entregam interpretações afiadas e cheias de sincronicidade e química.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ira Sachs</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Franz Rogowski, Ben Whishaw, Adèle Exarchopoulos</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Z8t9l9e-m8o" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Cassandro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 22:33:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Bad Bunny]]></category>
		<category><![CDATA[Cassandro]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Gael García Bernal]]></category>
		<category><![CDATA[Prime Video]]></category>
		<category><![CDATA[Roberta Colindrez]]></category>
		<category><![CDATA[Roger Ross Williams]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hit do Festival de Sundance de 2023, Cassandro chega com exclusividade ao serviço do Amazon Prime Video. O filme traz Gael García Bernal (Viva &#8211; A Vida é uma Festa) como o lutador de lucha libre Cassandro, cuja carreira iniciada no final dos anos de 1980 &#8220;decolou&#8221; quando ele começou a se apropriar nos ringues de uma abordagem drag para suas apresentações. A produção dirigida por Roger Ross Williams, do documentário Love to Love You, Diana Ross, narra especificamente essa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Hit do Festival de Sundance de 2023, <em><strong>Cassandro</strong> </em>chega com exclusividade ao serviço do <em>Amazon Prime Video</em>. O filme traz Gael García Bernal (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-viva-a-vida-e-uma-festa/"><em>Viva &#8211; A Vida é uma Festa</em></a>) como o lutador de lucha libre Cassandro, cuja carreira iniciada no final dos anos de 1980 &#8220;decolou&#8221; quando ele começou a se apropriar nos ringues de uma abordagem drag para suas apresentações. A produção dirigida por Roger Ross Williams, do documentário <em>Love to Love You</em>, Diana Ross, narra especificamente essa chave de virada na vida do lutador mexicano, que passou a adotar a personalidade de Cassandro como forma de curar o sentimento de rejeição que nutria pela forte homofobia do pai.</p>
<p><em><strong>Cassandro</strong> </em>é uma cinebiografia bem intencionada que na maior parte do tempo sofre do mesmo mal de tantos outros filmes do gênero, o excesso de pasteurização na abordagem narrativa, suavizando ou romantizando as glórias do seu personagem principal, por vezes rendendo-se ao clichê do retrato inspiracional &#8220;baseado em eventos reais&#8221;. Entretando, em muitos outros momentos o filme ganha o espectador pela performance carismática de Gael García Bernal como Saúl Armendáriz, o Cassandro, e também por encontrar um tema para sua narrativa, evitando a tradicional pincelada genérica em todos os eventos da vida do cinebiografado, como também é comum no gênero.</p>
<p>Com a direção menos afeita possível a intervenções criativas, Roger Ross Williams entrega o êxito da sua obra nas mãos do olhar sensível de Bernal para seu protagonista. O ator o retrata como uma figura forte e resiliente, ao mesmo tempo que, com esses traços, evita transformar Saúl (ou Cassandro) em um super-humano, acima das suas próprias dores e cicatrizes. É perfeitamente sensível na tela as dores desse personagem, como também fica latente o seu caminho de cura, ou seja, como ele sublima o sentimento de rejeição através da sua arte/esporte. É interessante perceber como esse personagem lida com sua própria sexualidade assumida e como percebe e usa a sua performance nos ringues de lucha libre como um movimento de afirmação, empreendendo uma revolução no seu nicho de atuação.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17238" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3718542.jpg" alt="Cassandro" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3718542.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3718542-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3718542-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/3718542-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Cassandro representava o tipo de personagem que na lucha libre foi chamado pejorativamente de &#8220;exótico&#8221;, lutadores gays que se apresentavam de maneira exuberante, com figurinos e maquiagem chamativas, e que nessas apresentações propositalmente eram &#8220;escada&#8221; para as vitórias dos seus oponentes &#8220;machões&#8221;, apanhando ao vivo como forma de externalizar a homofobia da sua audiência. Com Cassandro, Saúl desejava sair desse esquema, se apresentando do jeito que queria, ou seja, de forma que expressasse sua verdadeira identidade (com todo o brilho e irreverência possíveis), mas que isso não implicasse reduzir sua competitividade no ringue frente aos seus oponentes, estando no páreo tanto quanto eles.</p>
<p>Em <em><strong>Cassandro</strong></em>, Bernal tem uma performance física extasiante na qual o ator personifica a irreverência, a dramaticidade, o tom provocador e a força do seu personagem. Ao mesmo tempo, fora do ringue, o ator traz uma resiliência não comiserativa para Cassandro, jamais explorando de maneira piegas as dores latentes de uma realidade que sempre foi muito difícil para Saúl. <em><strong>Cassandro</strong> </em>traz para as telas um Gael García Bernal maduro, que carrega o filme nas costas sem achar que seu desempenho é maior do que a história do próprio cinebiografado, retratando-o como uma figura humana perfeitamente passível de identificação.</p>
<p>O ponto frágil de <strong><em>Cassandro</em> </strong>é justamente uma condução que não faz justiça ao olhar sensível de Bernal e que utiliza artifícios excessivamente expositivos quando a história já dizia muito com as sutilezas da performance do ator e com a sua presença em um ambiente notadamente homofóbico. A transição para a glória de Cassandro representada por uma participação sua em um talk show na qual um fã adolescente do astro da lucha libre se manifesta na plateia, agradecendo ao trabalho do protagonista e falando como ele foi importante no momento em que decidiu se assumir gay para o pai, verbaliza questões que o longa já havia colocado de maneira muito mais original e completa no retrato que fez do gênero esportivo e da subversão provocada por Saúl nele. Nesse sentido, <em><strong>Cassandro</strong> </em>se entrega a reiterações e chavões desnecessários quando tudo já havia sido entregue pelo trabalho impecável de Gael García Bernal.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Roger Ross Williams</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Gael García Bernal, Roberta Colindrez, Bad Bunny</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/XgbTiYNUvw8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Pacto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jun 2023 14:25:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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		<category><![CDATA[O Pacto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A campanha militarista dos EUA no Afeganistão após o 11 de setembro de 2001 já foi explorada de todas as formas por produtos audiovisuais, ficcionais ou não. Porém, somente o distanciamento histórico (o tempo) conseguiu dar maturidade e complexidade ao olhar dos realizadores para esse período particular na história do mundo. O Pacto de Guy Ritchie é fruto desse estado das coisas ao trazer a história de um afegão que se transforma em intérprete do exército estadunidense em troca da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A campanha militarista dos EUA no Afeganistão após o 11 de setembro de 2001 já foi explorada de todas as formas por produtos audiovisuais, ficcionais ou não. Porém, somente o distanciamento histórico (o tempo) conseguiu dar maturidade e complexidade ao olhar dos realizadores para esse período particular na história do mundo. <strong><em>O Pacto</em></strong> de Guy Ritchie é fruto desse estado das coisas ao trazer a história de um afegão que se transforma em intérprete do exército estadunidense em troca da guarida que o governo ocidental pode dar a sua família após completar seus serviços.</p>
<p>O principal conflito de <em><strong>O Pacto</strong></em> é deflagrado quando esse personagem salva um sargento estadunidense interpretado por Jake Gyllenhaal das investidas do talibã. Este homem consegue sair com vida, mas o seu protetor é deixado para trás, ficando vulnerável à perseguição do grupo extremista. É nesse momento que o personagem de Gyllenhaal deve retribuir a ajuda do companheiro retornando ao Afeganistão para resgatá-lo da perseguição do talibã.</p>
<p>É claro que no &#8220;frigir dos ovos&#8221;, ainda que Guy Ritchie suavize qualquer tom patriótico ou representação idealizada sobre o exército estadunidense, a ética deste não chega a ser &#8220;borrada&#8221; em<strong><em> O Pacto</em></strong>. Sem estridência e com mais sutilizas, os arquétipos não deixam de estar bem definidos. A diferença é que o filme nos apresenta a relação entre o exército dos EUA e esse grupo de dissidentes afegãos. Existe um esforço de demonstrar como anos depois da invasão estadunidense ao país a resposta para os conflitos bélicos pode ser representada por essa relação de confiança e lealdade estabelecida entre um soldado americano e um afegão.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16885" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/06/o-pacto-1200x900-1.jpg" alt="O Pacto" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/06/o-pacto-1200x900-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/06/o-pacto-1200x900-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/06/o-pacto-1200x900-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/06/o-pacto-1200x900-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Guy Ritchie tem um trabalho fundamental para estabelecer uma atmosfera de tensão nas cenas de perseguição no deserto e também por não explorar de maneira sensacionalista os temas delicados que tangenciam o seu filme. O diretor também tem um ótimo trabalho na realização das suas cenas de ação, sempre orquestradas de maneira inspirada. O realizador ainda conta com uma excelente dupla de protagonistas, Jake Gyllenhaal e Dar Salim.</p>
<p><strong><em>O Pacto</em></strong> talvez tropece na estrutura do seu roteiro que demora a apresentar o estopim do seu conflito, o incidente que lesiona o personagem de Jake Gyllenhaal no Afeganistão. Ao mesmo tempo em que demora também para trazer o protagonista de volta ao país com a missão de resgatar o seu salvador do talibã, apresentando ainda um desenrolar rápido demais para uma ação tão complicada quanto sair com vida da zona de risco representada por aquele país. Ainda assim, é um filme que enfrenta de maneira minimamente sóbria conflitos geopolíticos e a história do mundo e explora o tema central da dívida de honra do seu protagonista sem as afetações que esse tipo de material costuma convocar.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guy Ritchie</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jake Gyllenhaal, Dar Salim, Alexander Ludwig</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/02PPMPArNEQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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